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domingo, 12 de janeiro de 2014

taxa de desemprego=desempregados inscritos/(desempregados inscritos+empregados registados)

Desculpem insistir, caros concidadãos e concidadãs de boa vontade do partido maioritário, no que vos disse em
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8324446730271013022#editor/target=post;postID=206611505608283997;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=2;src=link

Devemos ficar contentes por qualquer melhoria, mesmo pequena nos indicadores, mas o indicador da taxa de desemprego não tem uma melhoria consistente.
É uma questão de matemática, simples mas de assimilação suscetivel de confusão.

Taxa de desemprego (td) é igual ao numero de desempregados inscritos na procura de trabalho (D) a dividir pela soma desse numero com a população empregada devidamente registada (E).
É esse o indicador que é apresentado como melhorando.
De facto melhora, não só graças ao aumento de 48.000 da população empregada do 2º para o 3º trimestre, o que se saúda, mas principalmente à custa da emigração e das ações de formação que retiram unidades à quantidade de desempregados.
Fórmula:                       td = D/(D+E)

Fazendo para um dado trimestre:
              D=800 mil
              E=4500 mil
teremos:
td=800/5300=15,94%

Supondo que no trimestre seguinte saem do grupo D  50 mil emigrantes e formandos, os novos valores serão:
D=750mil
E=4500 mil
td=14,28%            

isto é, mesmo sem aumentar a população empregada, a taxa de desemprego baixou 10,4%

Para  monitorizar melhor a evolução dos indicadores, eu penso que nos deviamos concentrar mais no saldo orçamental, aumentando o investimento à custa dos fundos europeus e das poupanças e aumentando as exportações e contendo as importações.

saldo orçamental = investimento privado ou comunitário - poupanças  
                                 privadas + exportações – importações













sábado, 11 de janeiro de 2014

Joana vai-se embora no dia 15

Os hipócritas alegram-se porque o indicador do desemprego baixa.
Sim, e vai baixar mais no dia 15, dia em que Joana se vai embora.
Uma multinacional vai-lhe pagar, líquidos, 4.500 euros por mês, mais 5 viagens a Portugal.
É bom? os hipócritas acham que sim.
Não fora Joana já lá ter estado há uns anos e pensado que já tinha cumprido a sua missão de serviço no exterior.
Agora vai sem entusiasmo e contrariada, mas que importa isso aos hipócritas se o indicador melhora e se Joana saiu da lista de desempregados à procura de emprego.
A taxa de desemprego no 3ºtrimestre de 2013 foi de 15,552094%, a tal que diminuiu.
838.600 desempregados à procura de emprego e 4.553.600 empregados.
Dá os tais 15,552094%.
Agora, se tudo se tivesse mantido (pois, depois do verão...) a partir do dia 15 serão 838.599 desempregados, uma diminuição de 0,000119246%.
E a soma dos desempregados e dos empregados passará a 5.382.199. Uma diminuição de 0,0000185453%.
O que dá uma diminuição para a taxa de desemprego de 0,000100701% ficando-se por 15,552078% .
Muito melhor portanto, para satisfação dos hipócritas.
E muito melhor se admitirmos que mais 10.000 irão neste trimestre fazer o mesmo que Joana.
A taxa baixará para 15,395196%.
Que contentes que os hipócritas vão ficar.
Vão dizer que é a globalização e que as suas políticas estão a resultar.
Infelizmente estão.
Poucos emigram por gosto.
E a matemática devia ser como a medicina, ter um código deontológico que definisse muito bem o que é utilizá-la para fins como este, o de querer justificar o sacrificio dos jovens ao deus moloch da emigração.



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Apelo ao militantes - o pior ainda não passou

Rajoy, junho de 2013 – “o pior já passou”
Passos Coelho, Outubro de 2013 – “o pior já passou”
Poiares Maduro, Novembro de 2013 – “o pior já passou”
Samaras, Janeiro de 2014 – “o pior já passou”
Passos Coelho, Janeiro de 2014 , na preparação do congresso eletivo do seu partido – “o pior já passou”


A frase é recorrente.
No caso do primeiro ministro português o seu uso visa ganhar as eleições para o seu partido.
Argumentos: os indicadores estão a  melhorar graças aos sacrifícios.
Os indicadores são o ligeiro crescimento do PIB, através do consumo e exportações, e do desemprego.
Mas não cita os indicadores do ligeiro crescimento da mortalidade infantil, da tuberculose, das dificuldades de acesso à saúde, de aumento das desigualdades.
São todos de variação  ligeira, inferiores ao intervalo de segurança, mas uns são num sentido e outros noutro.
Portanto a utilização é ilegítima.
E não corresponde à verdade: para quem vai ter cortes nas pensões e nos salários o pior ainda não passou. No caso dos reformados do metropolitano, muitos vão ter cortes novos superiores a 50%. O pior ainda não passou.

Perante esta evidencia, a reação primária seria ofender o senhor.
Porém, a reação secundária será buscar uma justificação para este comportamento que não seja o vício político que destrói o que a natureza humana tem de bom.
E a justificação vem da psicanálise. Insisto que o senhor mostra sintomas de hipomania, de convencimento de que as convicções são mais reais que a realidade e que foi escolhido para uma missão salvadora (ele próprio o diz). O alheamento da realidade traduz-se por falta de empatia, isto é, de incapacidade para imaginar ou sentir o sofrimento alheio, por mais que repita que “compreende” esse sofrimento, considerando-o como um sacrifício redentor, utilizando os mecanismos subconscientes da tradição religiosas judaico cristã e do fundamentalismo moralista luterano de culpa das próprias vítimas só redimidas por sacrifícios.

Por tudo isto, e porque infelizmente o pior ainda não passou, reside agora a esperança nos militantes que vão votar. O voto é secreto. Não queiram ser cúmplices na mentira de que o “pior já passou”. Informem-se. Adiram à corrente de opinião que a saída da crise deve ser feita em conjunto, com a colaboração de todos, não só dos partidos habituais da governação, mas com participação cada vez  maior dos cidadãos e, nas áreas que envolvem questões técnicas, com debates abertos a quem conhece os problemas, listando ponto a ponto os objetivos a atingir.
Que o principal objetivo e a prioridade seja cumprir o artigo 25 da declaração universal dos direitos humanos, não a tirania dos mercados, que até têm rosto, que no caso da dívida pública são os bancos:
“Toda a pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora do seu controle.”    
E isso não se pode fazer com os mecanismos dos partidos, estranguladores e dependentes de uns poucos.
Não precisam para já de arranjar já no fim de semana do congresso outro para eleger.
Basta exprimirem que não querem este, por dizer coisas afastadas da realidade, e votarem branco.

Depois se arranjará outra solução, não será preciso muito tempo, porque no vosso partido há gente com capacidade para compreender a premencia das questões tecnicas, para delegar, para corrigir os ministros prepotentes e para coordenar as atividades necessárias para uma saída da crise em colaboração com quem pensa de maneira diferente.


 Nota sobre o cálculo da taxa de desemprego: é intelectualmente desonesto jogar com as dificuldades naturais de apreensão dos conceitos matemáticos e com a pouca confiabilidade da recolha dos dados.
A taxa de desemprego é o quociente entre a população desempregada que procura trabalho e a população ativa (empregada ou procurando trabalho).
Segundo o INE o seu valor no 3º trimestre de 2013 é, representando milhões:  0,84/(0,84+4,55)=15,6%
Se se contabilizasse como população desempregada 100 mil emigrantes e 140 mil frequentadores de ações de formação, teríamos uma taxa de desemprego mais real:
(0,84+0,24)/(0,84+0,24+4,55)=19,2%   (isto é, a população desempregada  cresce a uma taxa superior à da população em idade ativa).
Mas admitindo que apenas 50% dos emigrantes e frequentadores de cursos tivessem ficado no país, então essa taxa seria:
(0,84+0,12)/(0,84+0,12+4,55)=17,1%
Considerando ainda que muitos desempregados não se registam como procurando trabalho oficialmente, e que  do 3ºtrimestre de 2012 para o 3ºtrimestre de 2013 a população desempregada nos setores industriais, de construção e energia aumentou 102.000, mais valia que o senhor primeiro ministro não exibisse o seu alheamento da realidade.
   

sábado, 30 de novembro de 2013

Torturem os números que eles confessam, ou a propaganda que o governo faz com a estatística



Torturem os números que eles confessam, livro de Pedro Girão Nogueira Ramos.
Ou de como a mentira dos senhores governantes é apresentada como verdade estatística.
O artigo no jornal de economia, a propósito da divulgação da estatística do Eurostat, de diminuição da taxa de desemprego de 17,6% para 15,7%,  mostra em fotografia sorridente o senhor ministro da Economia com a legenda “economia portuguesa está a melhorar e a gerar postos de trabalho”.
É parte da verdade, pelo menos com base nos dados recolhidos, com a reserva de que a margem de erro dessa estatística pode ser superior à melhoria registada. 
E também que a melhoria registada se refere ao trimestre anterior, porque relativamente ao período homólogo do ano anterior, piorou (menor número de pessoas empregadas).
Consultado o INE, verificam-se os seguintes dados (em milhões):

                                                          3ºT/2012                 3ºT/2013     

nºde desempregados  (1)                       0,871                       0,839

nº de empregados  (2)                           4,657                      4,554

população ativa   (3)=(1)+(2)                5,528                      5,393

taxa de desemprego  (4)=(1)/(3)         0,1576                     0,1556

emigração (suposta igual à dimi-
       nuição da população ativa  e
       total)      (5)=(3)2012 – (3)2013           -                         0,135 

população total   (6)                             10,487                  10,352

taxa de emprego  (7)=(2)/(6)              0,4441                  0,4399



Em resumo: desde o mesmo período do ano passado, o número de desempregados diminuiu 32.000 (principalmente à custa da emigração), e o número de empregados diminuiu 103.000 (por fecho de empresas e por emigração, mas admitamos que foi só por emigração).
Isto é, o número de empregados diminuiu 3 vezes mais do que o numero de desempregados.
Então a taxa de desemprego diminuiu num ano 0,20% (passou de 15,76%, e não 17,6% como referiu o Eurostat, para 15,56%) e a taxa de emprego baixou 0,14%   (passou de 44,41% para 43,99%).
Se construirmos o indicador  (desempregados + emigrantes)/(população ativa+emigrantes) , obteremos uma taxa de desemprego de 17,57%

É claro que todos estes valores dependem da fiabilidade da recolha dos dados respetivos, sabendo-se como é remota a probabilidade de traduzirem a realidade completa, e estão certamente no intervalo de erro, pelo que é uma mentira a auto-satisfação dos senhores governantes, ou simples manifestação de ignorância ou negligencia matemática, ou aparentemente, má-fé.

O que estes números indiciam é o que se vê no dia a dia, precariedade dos empregos, fecho de empresas como os estaleiros de Viana do Castelo e uma população em idade útil desaproveitada e ofendida quando é responsabilizada pelo seu próprio insucesso ou pelas consequências da ausência de politicas de pleno  emprego, como manda o art.58 da Constituição o governo desenvolver.

sábado, 7 de abril de 2012

Voltando às análises de dados e à taxa de desemprego

Voltando às análises de dados e à taxa de desemprego, vejamos este gráfico, publicado no DN em 6 de abril de 2012, relativo à taxa de desemprego em Portugal desde 1983:




A seta indica mais ou menos as datas de assinatura do memorando com a troica e de mudança de governo.
Já é conhecida a forte correlação entre as intervenções do FMI e o crescimento do desemprego.
O gráfico acima parece confirmá-lo.
Qualquer fenómeno estatístico sem grande dispersão, como é o caso, só apresenta variações bruscas por causas extraordinárias.
Que parecem claras no gráfico, embora a taxa de desemprego tenha uma constante de tempo de atraso significativa.
Mas dá que pensar, o crescimento do desemprego nos 3º e 4º anos da década de noventa  e em 2003.
Em 2009 parece patentear-se o efeito da crise especulativa mundial.
Nota: a mudança de método de cálculo da taxa pelo IN ocorreu em janeiro de 2011.
Salvo melhor opinão, o INE, o ministério respetivo e as universidades da especialidade deveriam aprofundar este estudo e divulgá-lo em vez de discutir a lana caprina que enche os noticiários e os programas de opinião.
E relacionar tudo isto com o art.23 da declaração universal dos direitos humanos, porque se Portugal está a violar os direitos humanos, então é porwque asinstituições não estão a funcionar regularmente.