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Sim, seria o melhor, a jangada de pedra, a peninsula ibérica, ficar ali, perto de Cabo Verde, a meio caminho entre a América do Sul e a África de Angola a Moçambique. Seria o nosso espaço, dos filhos dos latinos das Hespérides.
Mas socorro-me de John Nash e dos teoremas da negociação e da conciliação. Se todos querem o melhor, o imediatamente a seguir, a segunda escolha, terá potencialidades que não vão ser aproveitadas. Então é preferível escolher a segunda escolha. É isso, foi bom ter escolhido a adesão à UE, a segunda escolha. Até porque assim posso agora dizer que o aeroporto da Portela tem de sair dali porque são proibidas rotas de aproximação sobre hospitais. É o que diz a diretiva.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
Jangada de pedra
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adesão à UE
domingo, 20 de junho de 2010
Jose Saramago
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Quando José Saramago se aproximava do assento etéreo, John Lennon destacou-se do grupo e avançou para o receber.
Cantou baixinho, a capela, “Imagine”. Faltava o piano para fazer as escalas ondulantes, e o canto era sussurrante e pausado, mas Saramago ouviu encantado, distintamente, as palavras
“…
Imagina
…
Que não há nada por que matar ou morrer,
nem nenhuma religião, também.
…
Imagina não haver a posse
…
Não haver necessidade de ganância ou fome
Antes uma fraternidade humana.
Imagina todas as pessoas
A partilhar todo o mundo.”
O grupo ouvia em silencio, religiosamente (escrevo religiosamente de propósito). Gostaria de descrever todos os do grupo, uns muito conhecidos dos nossos livros de História e Filosofia, outros das atualidades, outros anónimos , mas para isso remeto para o desenho que João Abel Manta está a ultimar, embora não resista a falar-vos do sorriso beatífico de Spinosa, nem do ar sereno de Puccini e de Mascagni, apesar de um pouco contrafeitos por terem chegado a acreditar em Mussolini.
Saramago sorriu e disse: também vim preparado; e desembrulhou a partitura e o libreto da ópera Blimunda, com texto baseado no Memorial do Convento e musica de Azio Corghi. Já apresentada no S.Carlos. Duvido muito que “Blimunda” corresponda às expetativas que a senhora ministra da Cultura pretextou nos espetadores do S.Carlos para demitir o diretor, mas eu gostava de rever a ópera, de preferência no S.Carlos. Aguardemos.
Saramago esboçou ainda o gesto de retirar um papel dobrado do bolso, mas virou-se para o grupo e disse: tinha escrito um novo discurso de Estocolmo, mas resolvi deixar as palavras para as próprias pessoas. Que as utilizem e que as utilizem bem.
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Quando José Saramago se aproximava do assento etéreo, John Lennon destacou-se do grupo e avançou para o receber.
Cantou baixinho, a capela, “Imagine”. Faltava o piano para fazer as escalas ondulantes, e o canto era sussurrante e pausado, mas Saramago ouviu encantado, distintamente, as palavras
“…
Imagina
…
Que não há nada por que matar ou morrer,
nem nenhuma religião, também.
…
Imagina não haver a posse
…
Não haver necessidade de ganância ou fome
Antes uma fraternidade humana.
Imagina todas as pessoas
A partilhar todo o mundo.”
O grupo ouvia em silencio, religiosamente (escrevo religiosamente de propósito). Gostaria de descrever todos os do grupo, uns muito conhecidos dos nossos livros de História e Filosofia, outros das atualidades, outros anónimos , mas para isso remeto para o desenho que João Abel Manta está a ultimar, embora não resista a falar-vos do sorriso beatífico de Spinosa, nem do ar sereno de Puccini e de Mascagni, apesar de um pouco contrafeitos por terem chegado a acreditar em Mussolini.
Saramago sorriu e disse: também vim preparado; e desembrulhou a partitura e o libreto da ópera Blimunda, com texto baseado no Memorial do Convento e musica de Azio Corghi. Já apresentada no S.Carlos. Duvido muito que “Blimunda” corresponda às expetativas que a senhora ministra da Cultura pretextou nos espetadores do S.Carlos para demitir o diretor, mas eu gostava de rever a ópera, de preferência no S.Carlos. Aguardemos.
Saramago esboçou ainda o gesto de retirar um papel dobrado do bolso, mas virou-se para o grupo e disse: tinha escrito um novo discurso de Estocolmo, mas resolvi deixar as palavras para as próprias pessoas. Que as utilizem e que as utilizem bem.
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jose saramago
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Very fast post in blog.21 - Guerra do Afeganistão
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No seguimento dos textos de 3SET09, 20SET09, 8DEZ09, 14 FEV10, sobre a guerra do Afganistão, e continuando a defender a posição de Gandhi perante a violência, retiro do MSNBC a informação:
- número de soldados da NATO mortos na guerra
em ABR10: 33
em MAI10: 51
até 15JUN10: 45
- reforço de 30.000 soldados ordenado pelo presidente Obama em DEZ09
- a retirada foi prometida para: JUL11.
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No seguimento dos textos de 3SET09, 20SET09, 8DEZ09, 14 FEV10, sobre a guerra do Afganistão, e continuando a defender a posição de Gandhi perante a violência, retiro do MSNBC a informação:
- número de soldados da NATO mortos na guerra
em ABR10: 33
em MAI10: 51
até 15JUN10: 45
- reforço de 30.000 soldados ordenado pelo presidente Obama em DEZ09
- a retirada foi prometida para: JUL11.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Securitarium VI - as estatísticas mentirosas
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Em 20 de Maio de 2010 escrevi no blogue, num texto intitulado Securitarium IV – convite ao crime:
“Com a devida vénia ao DN que apresenta hoje o relatório: em 5 anos o número de crimes com armas de fogo subiu de 2546 em 2004 para 7060 em 2009, isto é, triplicou.
Estima-se a existência de 1,4 milhões de armas de fogo legalizadas e de 1,2 milhões ilegais (1 arma para 4 habitantes; tudo o que seja mais do que 1 arma para 10 habitantes é convite ao crime - ver o filme de Michael Moore sobre as armas).”
Vem agora o senhor ministro da Justiça dizer que estavam a fazer umas afinações na estatística, “um processo de afinação”, e por isso afinal não foram 7060 crimes em 2009 mas sim 3174 (aumento de 25% relativamente a 2005).
Parece que até 2005 não havia duplicações na contagem das participações dos crimes e a partir de então houve; daí o tal “processo de afinação”.
O senhor ministro da Justiça não tem obrigação de ter formação matemática. Mas como os meus colaboradores, de quando eu exercia funções, tinham essa obrigação, seriam devidamente avaliados, no tal processo de avaliação, se se atrevessem a dar uma desculpa deste calibre. Até porque, a ser verdade, teriam andado 5 anos a fazer estatísticas erradas.
A tentação para os dirigentes utilizarem a estatística para esconderem a realidade é demasiado forte para se lhe resistir.
A semelhança com o triste caso dos acidentes rodoviários choca a consciência dos cidadãos (foi enviada para Bruxelas a informação de cerca de 750 mortos em 2009, mas os hospitais que recolheram os feridos graves em acidentes contabilizaram mais 400 mortos no período de 30 dias de que fala a regra europeia de contagem; a contagem dos mortos nos hospitais foi ocultada pelo ministério da administração interna).
Mas fica por esclarecer se afinal é verdade ou não que existe 1 arma por 4 habitantes, o que é efetivamente um convite ao crime, e não venham, por favor, com a desculpa dos emigrantes.
Muito gostaria eu que os senhores dirigentes lessem e entendessem o Freakonomics no capítulo dedicado às estatísticas e causas da criminalidade.
Mas deve ser pedir demais; por que razão iriam os especialistas do Ministério, detentores das suas verdades, dar atenção a uma sugestão destas?
Sobre este assunto de alteração das estatísticas, permito-me citar o senhor deputado Nuno Magalhães: “É uma vergonha”. E parafraseando Manuel Maria Carrilho: mas não devia ser.
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Em 20 de Maio de 2010 escrevi no blogue, num texto intitulado Securitarium IV – convite ao crime:
“Com a devida vénia ao DN que apresenta hoje o relatório: em 5 anos o número de crimes com armas de fogo subiu de 2546 em 2004 para 7060 em 2009, isto é, triplicou.
Estima-se a existência de 1,4 milhões de armas de fogo legalizadas e de 1,2 milhões ilegais (1 arma para 4 habitantes; tudo o que seja mais do que 1 arma para 10 habitantes é convite ao crime - ver o filme de Michael Moore sobre as armas).”
Vem agora o senhor ministro da Justiça dizer que estavam a fazer umas afinações na estatística, “um processo de afinação”, e por isso afinal não foram 7060 crimes em 2009 mas sim 3174 (aumento de 25% relativamente a 2005).
Parece que até 2005 não havia duplicações na contagem das participações dos crimes e a partir de então houve; daí o tal “processo de afinação”.
O senhor ministro da Justiça não tem obrigação de ter formação matemática. Mas como os meus colaboradores, de quando eu exercia funções, tinham essa obrigação, seriam devidamente avaliados, no tal processo de avaliação, se se atrevessem a dar uma desculpa deste calibre. Até porque, a ser verdade, teriam andado 5 anos a fazer estatísticas erradas.
A tentação para os dirigentes utilizarem a estatística para esconderem a realidade é demasiado forte para se lhe resistir.
A semelhança com o triste caso dos acidentes rodoviários choca a consciência dos cidadãos (foi enviada para Bruxelas a informação de cerca de 750 mortos em 2009, mas os hospitais que recolheram os feridos graves em acidentes contabilizaram mais 400 mortos no período de 30 dias de que fala a regra europeia de contagem; a contagem dos mortos nos hospitais foi ocultada pelo ministério da administração interna).
Mas fica por esclarecer se afinal é verdade ou não que existe 1 arma por 4 habitantes, o que é efetivamente um convite ao crime, e não venham, por favor, com a desculpa dos emigrantes.
Muito gostaria eu que os senhores dirigentes lessem e entendessem o Freakonomics no capítulo dedicado às estatísticas e causas da criminalidade.
Mas deve ser pedir demais; por que razão iriam os especialistas do Ministério, detentores das suas verdades, dar atenção a uma sugestão destas?
Sobre este assunto de alteração das estatísticas, permito-me citar o senhor deputado Nuno Magalhães: “É uma vergonha”. E parafraseando Manuel Maria Carrilho: mas não devia ser.
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O pensamento português imediatista e um exemplo de leis eleitorais
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1 - Houve quem noticiasse os resultados eleitorais na Bélgica como um prenúncio do seu desmembramento ou transformação em confederação tipo Suiça.
Pode acontecer, mas também pode ser apenas o vício português de se ficar pela primeira reação; por preguiça, para não ter que analisar outras hipóteses; por comodismo, deixando polarizar a opinião em torno de uma ideia de aceitação geral (para melhor explicação dos mecanismos da “polarização” da opinião pública, ver “ A Sabedoria das multidões”).
A ideia primária de muitos portugueses é a de que com estes resultados eleitorais, dispersos por deputados de muitos partidos, a Bélgica é ingovernável (que ironia; isto é dito por portugueses, descendentes dos lusitanos que não se deixavam governar nem sabiam governar-se, como os romanos descobriram).
A questão não é essa .
Qualquer país civilizado é governável se se respeitarem as regras do funcionamento em equipa e do respeito pelas opiniões.
O que se passa em Portugal é que há pouco ou nenhum respeito pelas opiniões minoritárias.
Daí querer-se reforçar o poder das maiorias e substituir o método de Hondt pelos círculos uninominais.
Isso também acontece por iliteracia matemática, mas é outra discussão.
2 – Resultados eleitorais da Bélgica, em número de deputados (total 150):
Partido socialista francófono – 26
Partido socialista flamengo - 13
Partido ecologista francófono - 8
Partido ecologista flamengo - 5
Partido reformador francófono - 18
Partido liberal flamengo - 13
Partido ultranacionalista flamengo - 12
Partido nacionalista flamengo - 1
NVA (Partid.independentista flamengo) - 27
Democratas-cristãos flamengos - 17
Democratas-cristãos francófonos - 9
Partido popular francófono - 1
Existem técnicas próprias para proporcionar a formação de um governo e regras para o seu funcionamento em diversidade. Entenda-se isso como manifestação de civilização. Aliás, não parece haver grandes problemas com o PIB e a produtividade, embora a parte flamenga se queixe de superioridade relativamente à parte francófona.
Quanto à ameaça de desintegração: notar que nas eleições de 2007 a soma dos deputados dos partidos flamengos nacionalistas e independentista era de 28 e agora subiu para 40.
Esperemos que não atinjam os 2/3 necessários para modificar a constituição e que as tendências tribais não prevaleçam (não aos conflitos jugoslavos, palestino-israelitas, bascos, da Irlanda do Norte, etc, etc).
Conviria entretanto que a Bélgica, como membro da UE, respeitasse as regras europeias, que garantem a qualquer cidadão da UE a livre circulação e estabelecimento em qualquer ponto da UE (neste momento, é possível recusar a venda de um imóvel na região de Bruxelas a um cidadão natural da região de Liège).
Na Bélgica como em Portugal, ainda há diretivas europeias por cumprir.
3 – A propósito da dificuldade de alguns burgueses belgas em compreender a ideia europeia, proponho a leitura dos versos da canção de Jacques Brel, Les bourgeois.
Jacques Brel definia-se a si próprio como cantor flamengo francófono (um pouco como o ciclista Eddy Mercx).
Podem também ver a interpretação no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=dCHi5apc1lQ
Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi, je me prenais pour moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant :
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient bête
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient...(con)
Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restais le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant :
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient bête
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient...(con)
Le cœur au repos
Les yeux bien sur Terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître Jojo
Et avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté l'plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit, Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs, de chez la Montalant
De jeunes peigne-culs nous montrent leur derrière
En nous chantant :
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient bête
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient...(con)
4 – Finalmente, um apelo a que os burgueses governantes de Lisboa e do País, vítimas indefesas da sua própria iliteracia matemática, não consigam revogar as leis eleitorais do método de Hondt
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1 - Houve quem noticiasse os resultados eleitorais na Bélgica como um prenúncio do seu desmembramento ou transformação em confederação tipo Suiça.
Pode acontecer, mas também pode ser apenas o vício português de se ficar pela primeira reação; por preguiça, para não ter que analisar outras hipóteses; por comodismo, deixando polarizar a opinião em torno de uma ideia de aceitação geral (para melhor explicação dos mecanismos da “polarização” da opinião pública, ver “ A Sabedoria das multidões”).
A ideia primária de muitos portugueses é a de que com estes resultados eleitorais, dispersos por deputados de muitos partidos, a Bélgica é ingovernável (que ironia; isto é dito por portugueses, descendentes dos lusitanos que não se deixavam governar nem sabiam governar-se, como os romanos descobriram).
A questão não é essa .
Qualquer país civilizado é governável se se respeitarem as regras do funcionamento em equipa e do respeito pelas opiniões.
O que se passa em Portugal é que há pouco ou nenhum respeito pelas opiniões minoritárias.
Daí querer-se reforçar o poder das maiorias e substituir o método de Hondt pelos círculos uninominais.
Isso também acontece por iliteracia matemática, mas é outra discussão.
2 – Resultados eleitorais da Bélgica, em número de deputados (total 150):
Partido socialista francófono – 26
Partido socialista flamengo - 13
Partido ecologista francófono - 8
Partido ecologista flamengo - 5
Partido reformador francófono - 18
Partido liberal flamengo - 13
Partido ultranacionalista flamengo - 12
Partido nacionalista flamengo - 1
NVA (Partid.independentista flamengo) - 27
Democratas-cristãos flamengos - 17
Democratas-cristãos francófonos - 9
Partido popular francófono - 1
Existem técnicas próprias para proporcionar a formação de um governo e regras para o seu funcionamento em diversidade. Entenda-se isso como manifestação de civilização. Aliás, não parece haver grandes problemas com o PIB e a produtividade, embora a parte flamenga se queixe de superioridade relativamente à parte francófona.
Quanto à ameaça de desintegração: notar que nas eleições de 2007 a soma dos deputados dos partidos flamengos nacionalistas e independentista era de 28 e agora subiu para 40.
Esperemos que não atinjam os 2/3 necessários para modificar a constituição e que as tendências tribais não prevaleçam (não aos conflitos jugoslavos, palestino-israelitas, bascos, da Irlanda do Norte, etc, etc).
Conviria entretanto que a Bélgica, como membro da UE, respeitasse as regras europeias, que garantem a qualquer cidadão da UE a livre circulação e estabelecimento em qualquer ponto da UE (neste momento, é possível recusar a venda de um imóvel na região de Bruxelas a um cidadão natural da região de Liège).
Na Bélgica como em Portugal, ainda há diretivas europeias por cumprir.
3 – A propósito da dificuldade de alguns burgueses belgas em compreender a ideia europeia, proponho a leitura dos versos da canção de Jacques Brel, Les bourgeois.
Jacques Brel definia-se a si próprio como cantor flamengo francófono (um pouco como o ciclista Eddy Mercx).
Podem também ver a interpretação no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=dCHi5apc1lQ
Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi, je me prenais pour moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant :
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient bête
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient...(con)
Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restais le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant :
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient bête
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient...(con)
Le cœur au repos
Les yeux bien sur Terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître Jojo
Et avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté l'plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit, Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs, de chez la Montalant
De jeunes peigne-culs nous montrent leur derrière
En nous chantant :
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient bête
Les bourgeois, c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux, plus ça devient...(con)
4 – Finalmente, um apelo a que os burgueses governantes de Lisboa e do País, vítimas indefesas da sua própria iliteracia matemática, não consigam revogar as leis eleitorais do método de Hondt
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Leis eleitorais
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Economicómio LIV - O lado certo da equação do PIB e o dumping
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Com a devida vénia, retransmito as informações do DN de hoje, dia 14 de Junho de 2010:
1 – existem uns portugueses a contracorrente, que vivem no Algarve e trabalham numa fábrica de bombas submersíveis de aço inoxidável, a Britefil. Têm um volume de negócios de 4 milhões de euros por ano, exportam para Hong Kong, Rússia, Síria, Tanzânia, e esperam aumentar o volume de negócios cerca de 15% com a desvalorização do euro. Aplausos. É possível que a senhora chanceler Angela concorde com as vantagens da desvalorização, agora que na Alemanha também entraram em austeridade, apesar da sua elevada competitividade e produtividade, mas tenho dúvidas que o senhor do banco central, que como se sabe não é submetido a sufrágio universal, compreenda uma coisa tão comesinha.
2 – feitas as contas pelo banco de Portugal, em 2009 entraram cerca de 6,9 mil milhões de euros devido aos turistas estrangeiros (exportação de serviços), mas os turistas nacionais importaram serviços de turismo no valor de cerca de 2,7 mil milhões de euros (não haverá mesmo dinheiro, em Portugal, para manter as escolas abertas e a funcionar as ambulâncias que vieram substituir os centros de saúde que fecharam?!). A desculpa é que é mais barato uma semana em Maiorca ou na Republica Dominicana do que no Algarve (e em dumping, já ouviram falar? e em custos de externalidade associados ao consumo de combustíveis de avião?)
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Com a devida vénia, retransmito as informações do DN de hoje, dia 14 de Junho de 2010:
1 – existem uns portugueses a contracorrente, que vivem no Algarve e trabalham numa fábrica de bombas submersíveis de aço inoxidável, a Britefil. Têm um volume de negócios de 4 milhões de euros por ano, exportam para Hong Kong, Rússia, Síria, Tanzânia, e esperam aumentar o volume de negócios cerca de 15% com a desvalorização do euro. Aplausos. É possível que a senhora chanceler Angela concorde com as vantagens da desvalorização, agora que na Alemanha também entraram em austeridade, apesar da sua elevada competitividade e produtividade, mas tenho dúvidas que o senhor do banco central, que como se sabe não é submetido a sufrágio universal, compreenda uma coisa tão comesinha.
2 – feitas as contas pelo banco de Portugal, em 2009 entraram cerca de 6,9 mil milhões de euros devido aos turistas estrangeiros (exportação de serviços), mas os turistas nacionais importaram serviços de turismo no valor de cerca de 2,7 mil milhões de euros (não haverá mesmo dinheiro, em Portugal, para manter as escolas abertas e a funcionar as ambulâncias que vieram substituir os centros de saúde que fecharam?!). A desculpa é que é mais barato uma semana em Maiorca ou na Republica Dominicana do que no Algarve (e em dumping, já ouviram falar? e em custos de externalidade associados ao consumo de combustíveis de avião?)
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domingo, 13 de junho de 2010
Ruinas 4 - Contrastes em Vila Real de Sto António
Um edificio património do Estado em degradação na avenida marginal de VRS António. Reparar no pormenor do contorno dos cabos pretos de fibra ótica
Um edificio recuperado na mesma avenida, contrastando com o estado de abandono do anterior
Antiga conserveira na mesma avenida
Edificio degradado em frente do edificio da Câmara Municipal
Entrada principal do edifício da Câmara Municipal. Com todo o respeito pelo senhor arquiteto, não gosto; o resto do edifício é pombalino.
A reflexão que proponho é que uma cidade e um país com estes exemplos deveriam rever a sua estrutura jurídica reguladora da propiedade imobiliária e "demolir" os obstáculos burocráticos. Também isto me faz lembrar a falta que a Ciência faz na equação, como costuma dizer o prof.Carvalho Rodrigues.
Mas isto sou eu a falar, que sou ignorante nestas matérias, embora vá sofrendo os efeitos da deficiente estrutura existente e das burocracias (quando mais não seja por não gostar de ver estes exemplos).
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propriedade imobiliária
Economicómio LIII - Alternativas à FTT (Finantial transaction tax)
No dia 25 de Abril de 2010 coloquei no blogue a sugestão de uma taxa de 0,05% sobre as transações na bolsa, independentemente de se tratar de entidade singular ou coletiva.
Posteriormente, um partido político propôs o valor de 0,1 % para essa taxa.
As burocracia nacional e europeia tem até agora vetado estas sugestões.
De modo que é com alguma esperança que leio no DN de hoje, 13 de Junho, que a próxima cimeira de chefes de governo da UE vai aprovar uma taxa europeia sobre os negócios dos bancos e instituições financeiras.
Aguardemos então.
Estas sugestões não deverão ser entendidas como má vontade contra quem consegue lucros; mas as estatísticas, segundo o mesmo DN, indicam que o número de famílias milionárias do planeta são de momento 11,2 milhões, tendo o seu número crescido, de 2008 para 2009 (período a seguir à crise especulativa e financeira) 14%. Curiosamente, a sua riqueza terá crescido 11,5% (indiciando que mesmo nesta classe a desigualdade é grande).
Logo, não será nenhuma maldade criar umas taxas de recuperação.
Como alternativa à FTT sugiro o seguinte:
- anualmente, determinar a distribuição dos rendimentos por faixas de população;
- estabelecer uma tabela de correspondência entre as faixas de população e as faixas de detenção dos rendimentos e afetar taxas, conforme, por exemplo:
- os contribuintes singulares e coletivos da faixa detentora de 90%
dos rendimentos seriam alvo das seguintes taxas:
- 50% sobre a parte dos lucros a ser distribuída em dividendos
- 5% sobre a parte dos lucros a ser reinvestida na
estrutura produtiva da empresa
Uma taxa de 50% sobre os lucros não me parece excessiva, quando comparada com as taxas de rendibilidade, por exemplo, da propriedade imobiliária, que se foi degradando ao longo dos anos de forma muito pior. Assim como assim, também parece que todos estão de acordo que os sacrifícios são para repartir…
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Posteriormente, um partido político propôs o valor de 0,1 % para essa taxa.
As burocracia nacional e europeia tem até agora vetado estas sugestões.
De modo que é com alguma esperança que leio no DN de hoje, 13 de Junho, que a próxima cimeira de chefes de governo da UE vai aprovar uma taxa europeia sobre os negócios dos bancos e instituições financeiras.
Aguardemos então.
Estas sugestões não deverão ser entendidas como má vontade contra quem consegue lucros; mas as estatísticas, segundo o mesmo DN, indicam que o número de famílias milionárias do planeta são de momento 11,2 milhões, tendo o seu número crescido, de 2008 para 2009 (período a seguir à crise especulativa e financeira) 14%. Curiosamente, a sua riqueza terá crescido 11,5% (indiciando que mesmo nesta classe a desigualdade é grande).
Logo, não será nenhuma maldade criar umas taxas de recuperação.
Como alternativa à FTT sugiro o seguinte:
- anualmente, determinar a distribuição dos rendimentos por faixas de população;
- estabelecer uma tabela de correspondência entre as faixas de população e as faixas de detenção dos rendimentos e afetar taxas, conforme, por exemplo:
- os contribuintes singulares e coletivos da faixa detentora de 90%
dos rendimentos seriam alvo das seguintes taxas:
- 50% sobre a parte dos lucros a ser distribuída em dividendos
- 5% sobre a parte dos lucros a ser reinvestida na
estrutura produtiva da empresa
Uma taxa de 50% sobre os lucros não me parece excessiva, quando comparada com as taxas de rendibilidade, por exemplo, da propriedade imobiliária, que se foi degradando ao longo dos anos de forma muito pior. Assim como assim, também parece que todos estão de acordo que os sacrifícios são para repartir…
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taxa de transações financeiras
O atropelamento por um comboio na estação de Riachos
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Proponho-vos que vejam esta tabela Word com uma "fita de tempo" que tenta reconstituir a cronologia do atropelamento de três pessoas na via férrea da estação de Riachos
http://cid-95ca2795d8cd20fd.office.live.com/self.aspx/Fita%20de%20tempo%20atropelamento%20esta%c3%a7%c3%a3o%20Riachos/Distancia%20%20em%20metros%20do%20comboio%20ao%20ponto%20do.doc
O objetivo desta “fita de tempo” é:
- chamar a atenção, através de números saídos das leis do movimento uniforme e do movimento uniformemente retardado, que, a estas velocidades, não é sustentável , por falta de segurança, continuar a atravessar-se a via férrea, quer em passagens de peões nas estações, quer em passagens de nível.
Isto é, não existindo segurança na travessia da via férrea, deverá existir um plano de construção de passagens aéreas em todas as estações e, enquanto tal não for executado, todas as passagens de comboios deverão ser precedidas por interdição de travessia da via por ação de funcionários da companhia (ou por "outsourcing", claro).
Os custos destas medidas são impostos pela normalização europeia definidora da avaliação e da aceitação de riscos pelas autoridades ferroviárias (EN 50126), considerando o carater vinculativo da norma – existindo uma frequência superior a 1 vez por ano de um acidente com consequências mortais, deverão ser tomadas medidas para os evitar, sem o que a autoridade ferroviária poderá ser acusada de cumplicidade nas mortes.
É verdade que os dois passageiros vitimados no acidente de Riachos eram idosos, mas qualquer equipamento social tem de estar dimensionado para essas pessoas, sob pena de tratamento discriminatório.
É também verdade que este tipo de acidentes é potenciado pela “perda” de tempo devida à sequência desfavorável com que se olha para um lado e outro (o mesmo acontece nas ruas de uma cidade ao atravessar uma rua de sentido duplo: quando se olha primeiro para um dos lados e depois para o outro, pode já vir um veículo do primeiro lado; facto agravado se se estiver a menos de 40 m de uma curva, i.é, a cerca de 2 s de distancia do carro que se aproxima a 60 km/h ; esta é uma das razões por que se limita a velocidade nas cidades a 50 km/h e, em certas zonas, a 30 km/h, embora muitos automobilistas não entendam e permaneça a omissão de explicar isto em campanhas publicitárias adequadas).
Podemos apresentar os números de outro modo:
Considerando que duas vias férreas ocupam cerca de 6,5 m, no sentido da travessia, a que somamos duas vezes 2 m para garantir uma distancia de segurança contra o efeito de sucção, teremos para uma travessia 10,5 m.
O tempo de travessia a 0,5 m/s será de 21 s.
À velocidade de 40 m/s, isso quererá dizer que o comboio deverá estar a mais de 21x40=840 m mais uma distancia de segurança, para que a travessia possa fazer-se com menor risco.
Digamos que, sempre que um comboio, em qualquer dos sentidos, se encontre a menos de 1.200 m, as travessias, no caso de não existirem passagens aéreas, devem estar interditas, seja por portões, seja por ação de funcionários.
Porém, depois de ver esta “fita de tempo”, alguém defenderá a travessia a pé da via férrea?
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Proponho-vos que vejam esta tabela Word com uma "fita de tempo" que tenta reconstituir a cronologia do atropelamento de três pessoas na via férrea da estação de Riachos
http://cid-95ca2795d8cd20fd.office.live.com/self.aspx/Fita%20de%20tempo%20atropelamento%20esta%c3%a7%c3%a3o%20Riachos/Distancia%20%20em%20metros%20do%20comboio%20ao%20ponto%20do.doc
O objetivo desta “fita de tempo” é:
- chamar a atenção, através de números saídos das leis do movimento uniforme e do movimento uniformemente retardado, que, a estas velocidades, não é sustentável , por falta de segurança, continuar a atravessar-se a via férrea, quer em passagens de peões nas estações, quer em passagens de nível.
Isto é, não existindo segurança na travessia da via férrea, deverá existir um plano de construção de passagens aéreas em todas as estações e, enquanto tal não for executado, todas as passagens de comboios deverão ser precedidas por interdição de travessia da via por ação de funcionários da companhia (ou por "outsourcing", claro).
Os custos destas medidas são impostos pela normalização europeia definidora da avaliação e da aceitação de riscos pelas autoridades ferroviárias (EN 50126), considerando o carater vinculativo da norma – existindo uma frequência superior a 1 vez por ano de um acidente com consequências mortais, deverão ser tomadas medidas para os evitar, sem o que a autoridade ferroviária poderá ser acusada de cumplicidade nas mortes.
É verdade que os dois passageiros vitimados no acidente de Riachos eram idosos, mas qualquer equipamento social tem de estar dimensionado para essas pessoas, sob pena de tratamento discriminatório.
É também verdade que este tipo de acidentes é potenciado pela “perda” de tempo devida à sequência desfavorável com que se olha para um lado e outro (o mesmo acontece nas ruas de uma cidade ao atravessar uma rua de sentido duplo: quando se olha primeiro para um dos lados e depois para o outro, pode já vir um veículo do primeiro lado; facto agravado se se estiver a menos de 40 m de uma curva, i.é, a cerca de 2 s de distancia do carro que se aproxima a 60 km/h ; esta é uma das razões por que se limita a velocidade nas cidades a 50 km/h e, em certas zonas, a 30 km/h, embora muitos automobilistas não entendam e permaneça a omissão de explicar isto em campanhas publicitárias adequadas).
Podemos apresentar os números de outro modo:
Considerando que duas vias férreas ocupam cerca de 6,5 m, no sentido da travessia, a que somamos duas vezes 2 m para garantir uma distancia de segurança contra o efeito de sucção, teremos para uma travessia 10,5 m.
O tempo de travessia a 0,5 m/s será de 21 s.
À velocidade de 40 m/s, isso quererá dizer que o comboio deverá estar a mais de 21x40=840 m mais uma distancia de segurança, para que a travessia possa fazer-se com menor risco.
Digamos que, sempre que um comboio, em qualquer dos sentidos, se encontre a menos de 1.200 m, as travessias, no caso de não existirem passagens aéreas, devem estar interditas, seja por portões, seja por ação de funcionários.
Porém, depois de ver esta “fita de tempo”, alguém defenderá a travessia a pé da via férrea?
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segurança ferroviária
Ruinas 3 - Carnide
Salvo melhor opinião, a reabilitação urbana deverá ser uma estratégia da cidade.
Para a sua operacionalização não parece ser possível contar com o funcionamento do mercado (algumas vezes até se poderia deitar abaixo, mas outras não - não devia haver coragem para deitar abaixo aquelas combinações de formas dos pequenos montes agrícolas de Carnide).
E é requerida a participação de especialidades muito diversas, desde as de construção civil, ao urbanismo, transportes, organização jurídica, sociologia, assistencia social, etc. (tantos jovens licenciados à espera de oportunidades...).
Também o método da revelação recebida por detentores da verdade não parece ser o melhor.
Sugiro os métodos da Sabedoria das Multidões, com debate alargado (mas cuidado, não chega anunciar nos jornais a realização de sessões abertas aos cidadãos; essas sessões são apenas a oportunidade para os detentores da verdade revelada comunicarem as suas excelsas opiniões).
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reabilitação urbana
sábado, 12 de junho de 2010
Segurança em tons suaves
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1 – o centro comercial Colombo teve de realizar várias intervenções numa das suas coberturas por motivo de drenagem deficiente. Tem esta estrutura em comum com as estruturas de algumas transportadoras públicas a abertura apressada ao público, obrigando a posteriores obras de conclusão ou de correção.
A última intervenção na cobertura implicou o transporte de uma pequena retro-escavadora para o telhado. Por acaso assisti à sua descida. O encarregado acorreu pressuroso a ajudar a depositá-la no chão, suspensa que estava por correntes de uma grua. Usava o colete refletor e botas de biqueira protegida, mas tinha óculos normais, não protegidos, e ausência absoluta de capacete. Chamei a atenção da simpática técnica de segurança, que, de capacete, acompanhava a obra. Arrependi-me de o ter feito, porque, pela resposta, parece-me que da próxima vez a cena vai repetir-se.
2 – a noite de Junho ainda está fresca e um grupo de jovens conversa animadamente à volta de uma fogueira, numa zona arborizada do parque primeiro de Maio do INATEL, em Alvalade. Vou a aproximar-me da rede para perguntar se há extintores por perto ou se avisaram os bombeiros. Tenho na memória o incêndio trágico originado num acampamento de escuteiros em Espanha há uns anos. O que estão a fazer é ilegal se não avisaram os bombeiros. Vem-me à ideia a resposta inócua da técnica de segurança do Colombo. Sinto-me cansado. Desisto. Desisto também de fazer uma chamada para os bombeiros. Sinto-me deslocado nesta sociedade. Cansa remar contra a maré. Pescadores sem rádio VHF, sem baliza de referenciação automática, sem colete de segurança nem combinação flutuante, sem aproveitamento no curso de segurança (eu sei que não há dinheiro, mas nem uma subscrição pública é tentada). Será defeito meu.
E não posso deixar de recordar a afirmação de Manuel Maria Carrilho:
“Vivemos assim, mas não devíamos”.
jovens descansam ao lado de um aviso de perigo de queda de pedras das falésias (foto do DN)
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1 – o centro comercial Colombo teve de realizar várias intervenções numa das suas coberturas por motivo de drenagem deficiente. Tem esta estrutura em comum com as estruturas de algumas transportadoras públicas a abertura apressada ao público, obrigando a posteriores obras de conclusão ou de correção.
A última intervenção na cobertura implicou o transporte de uma pequena retro-escavadora para o telhado. Por acaso assisti à sua descida. O encarregado acorreu pressuroso a ajudar a depositá-la no chão, suspensa que estava por correntes de uma grua. Usava o colete refletor e botas de biqueira protegida, mas tinha óculos normais, não protegidos, e ausência absoluta de capacete. Chamei a atenção da simpática técnica de segurança, que, de capacete, acompanhava a obra. Arrependi-me de o ter feito, porque, pela resposta, parece-me que da próxima vez a cena vai repetir-se.
2 – a noite de Junho ainda está fresca e um grupo de jovens conversa animadamente à volta de uma fogueira, numa zona arborizada do parque primeiro de Maio do INATEL, em Alvalade. Vou a aproximar-me da rede para perguntar se há extintores por perto ou se avisaram os bombeiros. Tenho na memória o incêndio trágico originado num acampamento de escuteiros em Espanha há uns anos. O que estão a fazer é ilegal se não avisaram os bombeiros. Vem-me à ideia a resposta inócua da técnica de segurança do Colombo. Sinto-me cansado. Desisto. Desisto também de fazer uma chamada para os bombeiros. Sinto-me deslocado nesta sociedade. Cansa remar contra a maré. Pescadores sem rádio VHF, sem baliza de referenciação automática, sem colete de segurança nem combinação flutuante, sem aproveitamento no curso de segurança (eu sei que não há dinheiro, mas nem uma subscrição pública é tentada). Será defeito meu.
E não posso deixar de recordar a afirmação de Manuel Maria Carrilho:
“Vivemos assim, mas não devíamos”.
jovens descansam ao lado de um aviso de perigo de queda de pedras das falésias (foto do DN)
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Securitarium V – O silêncio, não dos inocentes, mas dos arguidos
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No dia 4 de Junho de 2010 escrevi, a propósito do fecho cego de escolas::
“A indignação impede-me de estar calado.
O atual ministério da Educação prossegue a ação destruidora dos anteriores ministérios.”
Saindo do campo da Educação, entrando no campo do Ministério da Administração Interna, as notícias continuam depressoras.
Leio agora no DN um artigo do professor de direito Paulo Pinto de Albuquerque:
- o atual Código de Direito Penal permite a um arguido, que se cale em tribunal, ser posto em liberdade apesar de antes ter confessado o crime a um juiz de instrução.
É o direito de um acusado ser protegido contra espancamentos em interrogatórios (embora o poder judicial tenha meios para controlar os interrogatórios, o facto é que o poder legislativo não está interessado em corrigir a lei – é depressor).
E continuam a surgir casos de libertação de arguidos por falta de provas (?!?!?).
Dir-se-ia que bastaria “obrigar” o arguido a responder se sim ou não a confissão era verdadeira.
Se sim, está resolvido;
se não, há contradição das declarações do arguido em instantes diferentes e a própria lei admite neste caso a confissão;
se o arguido opta pelo silencio, dir-se-ia que se podia condená-lo por desrespeito com uma pena equivalente à do crime cometido (não pode? Onde está escrito? desrespeitar um tribunal e toda uma sociedade que com esta lei se sente desprotegida não é crime grave?). E onde está a deontologia de um advogado que aconselha o seu cliente a estar calado?
Por outras palavras:
- o criminoso tem os seus direitos e a vítima não.
Como não tenciono ser criminoso, sei o que me espera se for vítima.
Saímos da lógica do real e vivemos um surrealismo puro.
Ou talvez não seja surrealismo, seja apenas um irregular funcionamento das instituições que, salvo melhor opinião, não tem nada que ver com crise financeira (a menos que queiram poupar nas contas das prisões; mas nesse caso, porque não fazer “outsourcing” com elas?)
Depois não estranhem as afirmações do comandante da GNR de Coimbra, pelos vistos uma voz lúcida.
Não estranhem (estranhem é se a criminalide baixar com esta lei).
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No dia 4 de Junho de 2010 escrevi, a propósito do fecho cego de escolas::
“A indignação impede-me de estar calado.
O atual ministério da Educação prossegue a ação destruidora dos anteriores ministérios.”
Saindo do campo da Educação, entrando no campo do Ministério da Administração Interna, as notícias continuam depressoras.
Leio agora no DN um artigo do professor de direito Paulo Pinto de Albuquerque:
- o atual Código de Direito Penal permite a um arguido, que se cale em tribunal, ser posto em liberdade apesar de antes ter confessado o crime a um juiz de instrução.
É o direito de um acusado ser protegido contra espancamentos em interrogatórios (embora o poder judicial tenha meios para controlar os interrogatórios, o facto é que o poder legislativo não está interessado em corrigir a lei – é depressor).
E continuam a surgir casos de libertação de arguidos por falta de provas (?!?!?).
Dir-se-ia que bastaria “obrigar” o arguido a responder se sim ou não a confissão era verdadeira.
Se sim, está resolvido;
se não, há contradição das declarações do arguido em instantes diferentes e a própria lei admite neste caso a confissão;
se o arguido opta pelo silencio, dir-se-ia que se podia condená-lo por desrespeito com uma pena equivalente à do crime cometido (não pode? Onde está escrito? desrespeitar um tribunal e toda uma sociedade que com esta lei se sente desprotegida não é crime grave?). E onde está a deontologia de um advogado que aconselha o seu cliente a estar calado?
Por outras palavras:
- o criminoso tem os seus direitos e a vítima não.
Como não tenciono ser criminoso, sei o que me espera se for vítima.
Saímos da lógica do real e vivemos um surrealismo puro.
Ou talvez não seja surrealismo, seja apenas um irregular funcionamento das instituições que, salvo melhor opinião, não tem nada que ver com crise financeira (a menos que queiram poupar nas contas das prisões; mas nesse caso, porque não fazer “outsourcing” com elas?)
Depois não estranhem as afirmações do comandante da GNR de Coimbra, pelos vistos uma voz lúcida.
Não estranhem (estranhem é se a criminalide baixar com esta lei).
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criminalidade
A patrulha marítima
Explicação desta gravura : um barco semi-rígido da Marinha percorre a zona da frente de água das praias do sotavento do Algarve.
Por isso não se vêem como habitualmente as pequenas traineiras de Ayamonte e de Huelva arrastando as suas redes para capturar as conquilhas.
As conquilhas precisam de 2 anos para atingirem o tamanho adulto, mas o massacre prossegue sempre que possível, com o apoio participativo dos banhistas na maré baixa.
As pequenas traineiras trazem sempre os seus rádios ligados. Servem para se avisarem mutuamente da aproximação da patrulha, que é rara; mas também são um meio de salvamento, para que não aconteça aos pescadores espanhois o que acontece aos pescadores portugueses, morrer na praia (por falta de meios de telecomunicações e por falta de coletes de segurança).
Talvez que a patrulha esteja integrada nas ações de melhoria das praias do Algarve, para reter os banhistas portugueses e para reforço dos meios de salvamento, considerando que este ano já morreu muita gente nas praias de Portugal.
Infelizmente, nestes primeiros dias, o tempo está fresco e pouco convidativo.
Há anos atrás, as patrulhas eram feitas por corvetas; agora são semi-rígidos.
A ver se as patrulhas vão continuar (dir-se-ia que o normal seria a capitania do porto fixar uma quantidade autorizada para profissionais credenciados apanharem conquilhas, a pé, na maré baixa, mas ignoro se a patrulha serve para fiscalizar isso).
a frota da Polícia Marítima na doca de Vila Real de Santo António
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Apanha da conquilha,
meios de salvamento
terça-feira, 8 de junho de 2010
O almirante vermelho
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O almirante Rosa Coutinho era meu vizinho, numa rua ao lado da minha.
Por mais de uma vez calhou, eu, de automóvel, parar na passadeira de peões para ele passar, com o seu boné posto. E ele mandava-me avançar e eu tinha de lhe dizer que não, que primeiro passa o senhor almirante e depois passo eu. E como eu sou muito teimoso e nestes casos ligo pouco às pressas de quem vem atrás, ele lá me fazia a vontade.
Já há uns tempos que não o via.
De modo que me sinto obrigado a citar os senhores coroneis Vasco Lourenço e Sousa e Castro, que poderão ser acusados de tudo, menos de adeptos do Partido Comunista.
Foram muito claros, os dois, a confirmar que o almirante era de esquerda mas não esteve nunca "colado" ao partido comunista.
E que:
"Rosa Coutinho é, porventura, o militar de Abril mais caluniado, sobre quem inventaram uma série de falsidades, conseguindo criar-lhe uma imagem muito distorcida, principalmente na sua acção em Angola, onde Rosa Coutinho se portou sempre como Português e nunca como agente ao serviço de qualquer potência estrangeira"
(ver em http://www.aventar.eu/2010/06/07/almirante-rosa-coutinho-testemunho-de-vasco-lourenco/).
Mas deixem-me escrever vermelho, e deixem-me acreditar no DN, quando diz que nem a presidencia da republica nem o gabinete do primeiro ministro emitiram uma nota de condolencias sobre o antigo membro da junta de salvação nacional e governador de Angola.
Porque quero recordar uma afirmação dele, engenheiro hidrográfico e por isso pouco dado a eufemismos e argumentações florentinas, quando disse para os jornalistas que o quiseram ouvir, na sua interpretação da promiscuidade e das ligações do poder económico ao poder político, que eles, os que detêm os cargos do poder político, são normalmente uns "paus mandados" do poder económico.
Ainda bem que não houve mensagens de condolências; assim não houve hipocrisia.
Mas pode ser que um dia sejam aprovados os impostos sobre os lucros da banca, mesmo que os taxados fujam (para onde? para países com taxas maiores?).
Pode ser.
E aí está por que eu parava sempre para o almirante passar primeiro, com o seu boné posto.
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O almirante Rosa Coutinho era meu vizinho, numa rua ao lado da minha.
Por mais de uma vez calhou, eu, de automóvel, parar na passadeira de peões para ele passar, com o seu boné posto. E ele mandava-me avançar e eu tinha de lhe dizer que não, que primeiro passa o senhor almirante e depois passo eu. E como eu sou muito teimoso e nestes casos ligo pouco às pressas de quem vem atrás, ele lá me fazia a vontade.
Já há uns tempos que não o via.
De modo que me sinto obrigado a citar os senhores coroneis Vasco Lourenço e Sousa e Castro, que poderão ser acusados de tudo, menos de adeptos do Partido Comunista.
Foram muito claros, os dois, a confirmar que o almirante era de esquerda mas não esteve nunca "colado" ao partido comunista.
E que:
"Rosa Coutinho é, porventura, o militar de Abril mais caluniado, sobre quem inventaram uma série de falsidades, conseguindo criar-lhe uma imagem muito distorcida, principalmente na sua acção em Angola, onde Rosa Coutinho se portou sempre como Português e nunca como agente ao serviço de qualquer potência estrangeira"
(ver em http://www.aventar.eu/2010/06/07/almirante-rosa-coutinho-testemunho-de-vasco-lourenco/).
Mas deixem-me escrever vermelho, e deixem-me acreditar no DN, quando diz que nem a presidencia da republica nem o gabinete do primeiro ministro emitiram uma nota de condolencias sobre o antigo membro da junta de salvação nacional e governador de Angola.
Porque quero recordar uma afirmação dele, engenheiro hidrográfico e por isso pouco dado a eufemismos e argumentações florentinas, quando disse para os jornalistas que o quiseram ouvir, na sua interpretação da promiscuidade e das ligações do poder económico ao poder político, que eles, os que detêm os cargos do poder político, são normalmente uns "paus mandados" do poder económico.
Ainda bem que não houve mensagens de condolências; assim não houve hipocrisia.
Mas pode ser que um dia sejam aprovados os impostos sobre os lucros da banca, mesmo que os taxados fujam (para onde? para países com taxas maiores?).
Pode ser.
E aí está por que eu parava sempre para o almirante passar primeiro, com o seu boné posto.
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Rosa Coutinho
Educação XIII - os cálculos do fecho das pequenas escolas
Nota: os cálculos seguintes não são complexos; aliás, para eu próprio os fazer, não poderiam ser complexos; são também extensos; será um desafio ao leitor porque, depois de os seguir, poderá responder a um dilema simples: tenho os cálculos errados (ou assentes em dados insuficientes), ou os argumentos que lemos na comunicação social sobre o fecho das escolas com menos de 20 alunos constituem um objetivo engano aos cidadãos?
Seja um distrito escolar de topologia semelhante ao do problema da economia dos supermercados posto no blogue em 2010-01-02.
Seja A a povoação principal do distrito com:
20.000 habitantes
1.000 alunos de instrução primária (5% da população)
1 escola
50 turmas (20 alunos/turma)
67 professores (15 alunos/professor)
10 funcionários (5 turmas/funcionário)
5 administrativos
Seja AB um troço de auto-estrada de 20 km e C e D duas povoações rurais equidistantes 5 km de B e em que, em cada uma delas, existem:
200 habitantes
10 alunos
1 escola
1 turma
1 professor
2 funcionários
Temos que este distrito escolar tem ao todo:
20.400 habitantes
1.020 alunos
3 escolas
69 professores
14 funcionários
5 administrativos
Suponhamos agora que do exterior do distrito vem uma ordem de reorganização das escolas, fechando as duas pequenas escolas e enviando as crianças das duas povoações rurais para a escola da grande povoação.
Teremos então nesta única escola:
1.020 alunos
51 turmas (20 alunos/turma)
68 professores (15 alunos/professor)
11 funcionários (5 turmas/funcionário)
5 administrativos
Temos assim que a medida de “racionalização” permitiu a poupança de 1 professor e 3 funcionários.
Do outro lado da balança temos, excluindo preocupações pelo bem estar das populações (benefício da proximidade das crianças relativamente às famílias; benefício do estímulo ao emprego e às trocas nas pequenas povoações) o aumento de custo de transportes das crianças.
Admitindo que os 20 alunos das pequenas povoações têm de percorrer 2 vezes 25 km por dia, teremos 20x2x25 = 1000 alunos.km por dia.
Considerando 1 carrinha por 10 alunos, teremos um consumo diário de 0,08x1000/10 = 8 litros de combustível por dia, e, para 160 dias por ano, 1280 litros por ano (cerca de 1300 euro por ano).
Qualquer gestor com o ciclo básico concluirá então que a economia dos encargos remuneratórios de um professor e de 3 funcionários compensa amplamente os custos com combustível. Vamos complicar um pouco: cada carrinha faz um total de 2.000 km por mês, incluindo outros serviços, ficando cada km por 4,2 euros (3 euro para amortização em 6 anos, 0,2 euro para manutenção por km e 1 euro por km de lucro) .
Logo, os custos de transporte serão 100km x 160 dias x 4,2 euro/km = 67.200 euro
(e já agora, 16.000 x 0,2 = 3200 Kg de CO2 por ano)
Ainda assim, continua a não compensar pagar os ordenados ao professor e aos três funcionários (a menos que lhes baixássemos ainda mais os salários); então vamos mesmo fechar as 2 escolinhas das duas pequenas povoações.
Aliás o mais certo era os professores não serem da terra e todos os fins de semana andarem a gastar combustível nas deslocações, o que deveria deduzir-se daquele valor de 67.200 euro.
Isso, é benzinho fechar as escolinhas.
Faz lembrar daquela vez em que uma douta comissão mandou fechar as maternidades porque a taxa de mortalidade era muito grande quando nasciam menos de 500 bébés por ano (lá está outra correlação, entre o número de nascimentos e a taxa de mortalidade).
Esqueceu-se a douta comissão de que em hora de engarrafamento não havia acesso às maternidades centrais, e muito menos em dias de tempestade (é natural que dadas as doutas especialidades da douta comissão nunca tivessem ouvido falar em análise de riscos).
E para cúmulo, perguntado o douto presidente da comissão se já tinham comprado as ambulâncias para o “esquema”, foi respondido que “isso” era com outra comissão (sabe-se a frequência com que os bombeiros servem de parteiros nas estradas).
Julio Cesar, que reportou que os lusitanos não sabem governar-se nem deixam que os governem, nos perdoe a todos.
Mas voltemos aos cálculos.
Seja 470.000 o número de alunos do 1º ciclo em 3200 escolas deste nosso país abandonado (o adjetivo “abandonado” significa, aqui, desertificado no interior do país e no interior dos limites do município de Lisboa).
Admitindo neste momento que 3,5% dos alunos frequentam 900 escolas com menos de 20 alunos, isso quer dizer que em povoações com população suficiente, existirão 453550 alunos, enquanto em pequenas povoações existirão 16450 alunos.
Mantendo as relações acima (20 alunos/turma; 15 alunos/professor; 5 turmas/funcionário; 5 administrativos/escola), teremos nas povoações com população suficiente:
453550 alunos
9.650.000 habitantes
2300 escolas
22678 turmas
30237 professores
4535 funcionários
460 administrativos
E nas pequenas povoações:
16450 alunos
350000 habitantes
900 escolas
900 turmas
900 professores (desprezando reservas para substituição como no anterior caso)
1800 funcionários
Temos assim que neste nosso país teremos
470.000 alunos
10.000.000 habitantes
3200 escolas
23578 turmas
31137 professores
6335 funcionários
460 administrativos
Suponhamos agora que de Lisboa vem a confirmação da ordem de fecho das pequenas escolas, enviando as crianças das pequenas povoações rurais para as escolas das grandes povoações.
Teremos então nesta esquema, mantendo as relações:
470.000 alunos
10.000.000 habitantes
2300 escolas
23500 turmas
31333 professores
4700 funcionários
460 administrativos
Isto é, a “racionalização” do fecho das escolas prometeu uma economia de:
900 escolas (não é linear esta vantagem, uma vez que o afluxo de novos alunos às escolas exigem obras para a sua adaptação)
1635 funcionários
E um agravamento de:
196 professores (porque passou a aplicar-se a taxa de 1 professor para 15 alunos, para não fazer mentirosas, no sentido que Fernão Lopes dava ao termo, das pessoas que justificaram a medida com a melhoria das condições de ensino; ou então, como os valores acima de 3200 escolas, 470.000 alunos e 3,5% de alunos em escolas com menos de 20 alunos são números oficiais, talvez que a média de alunos por pequena escola seja mesmo superior a 15; ou então há mais do que um professor por pequena escola; ou …)
A estes benefícios decorrentes do fecho vamos somar os custos de combustível adicionais, relativamente à situação anterior (habitação média a 25 km da escola da grande povoação):
16450 alunos x 2 x 25 km x 160 dias = 13,6 milhões de alunos.km
ou:
900 (escolas fechadas) x 2x25 kmx160 dias = 7,2 milhões de km
ou:
7.200.000 km x 0,2 Kg CO2/km = 1440 ton CO2/ano
ou:
900 (escolas fechadas) x 2x25 kmx160 dias x 0,08 litros/km = 576.000 litros de combustível
ou:
7.200.000 km x 4,2 euro/km = 30,24 milhões de euro por ano
Dividindo este valor por 1635-196 = 1439 (número de funcionários e professores poupados) obteremos 21.015 euro por ano, que seriam os encargos remuneratórios por ano e por pessoa acima dos quais se justificaria, dum ponto de vista exclusivamente económico, o fecho das 900 escolas.
Mas enfim, serão discutíveis os pressupostos , embora eu fique na dúvida se serão os meus ou os dos proponentes do fecho, ou ambas as hipóteses.
Comentário final:
Ainda há bem pouco tempo se lia nos jornais, tão disponíveis para apoiar as políticas dos ministérios da Educação, que uma boa medida seria o mesmo professor dar várias disciplinas já no 2º ciclo (idades de 10 a 15 anos). Agora os mesmos meios anunciam como vantagem do fecho das escolas os meninos terem professores especializados nas disciplinas.
É apenas, para além de intoxicação informativa, um exemplo de falso problema. É fácil, havendo vontade e capacidade de organização, compensar a deficiente preparação dos professores (os mais jovens já eles próprios vítimas das políticas dos anteriores ministérios burocratizados e adeptos das alegrias e das facilidades da aprendizagem). Existem os meios televisivos e existem métodos de instrução privilegiando a definição e programação exaustivas dos programas e a sua execução quase automática (ver as referências ao método DI – Direct Instruction System for Teaching Arithmetic and Reading, de Zig Engelmann e seus seguidores, posto anteriormente neste blogue.
Considerar ainda uma questão extremamente importante. A realidade nacional é a de que grande percentagem de alunos necessita de escolas de ensino especial, com métodos próprios e professores especializados, fora do sistema normal de educação. Infelizmente assiste-se ao fecho dessas escolas, fundamentalmente vocacionadas para ensino profissional aplicado. Possivelmente para ocultar maus indicadores de reprovações (retenção).
Acho que ainda hei-de voltar à questão do ensino especial.
Enfim, como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim, mas não devíamos”.
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Seja um distrito escolar de topologia semelhante ao do problema da economia dos supermercados posto no blogue em 2010-01-02.
Seja A a povoação principal do distrito com:
20.000 habitantes
1.000 alunos de instrução primária (5% da população)
1 escola
50 turmas (20 alunos/turma)
67 professores (15 alunos/professor)
10 funcionários (5 turmas/funcionário)
5 administrativos
Seja AB um troço de auto-estrada de 20 km e C e D duas povoações rurais equidistantes 5 km de B e em que, em cada uma delas, existem:
200 habitantes
10 alunos
1 escola
1 turma
1 professor
2 funcionários
Temos que este distrito escolar tem ao todo:
20.400 habitantes
1.020 alunos
3 escolas
69 professores
14 funcionários
5 administrativos
Suponhamos agora que do exterior do distrito vem uma ordem de reorganização das escolas, fechando as duas pequenas escolas e enviando as crianças das duas povoações rurais para a escola da grande povoação.
Teremos então nesta única escola:
1.020 alunos
51 turmas (20 alunos/turma)
68 professores (15 alunos/professor)
11 funcionários (5 turmas/funcionário)
5 administrativos
Temos assim que a medida de “racionalização” permitiu a poupança de 1 professor e 3 funcionários.
Do outro lado da balança temos, excluindo preocupações pelo bem estar das populações (benefício da proximidade das crianças relativamente às famílias; benefício do estímulo ao emprego e às trocas nas pequenas povoações) o aumento de custo de transportes das crianças.
Admitindo que os 20 alunos das pequenas povoações têm de percorrer 2 vezes 25 km por dia, teremos 20x2x25 = 1000 alunos.km por dia.
Considerando 1 carrinha por 10 alunos, teremos um consumo diário de 0,08x1000/10 = 8 litros de combustível por dia, e, para 160 dias por ano, 1280 litros por ano (cerca de 1300 euro por ano).
Qualquer gestor com o ciclo básico concluirá então que a economia dos encargos remuneratórios de um professor e de 3 funcionários compensa amplamente os custos com combustível. Vamos complicar um pouco: cada carrinha faz um total de 2.000 km por mês, incluindo outros serviços, ficando cada km por 4,2 euros (3 euro para amortização em 6 anos, 0,2 euro para manutenção por km e 1 euro por km de lucro) .
Logo, os custos de transporte serão 100km x 160 dias x 4,2 euro/km = 67.200 euro
(e já agora, 16.000 x 0,2 = 3200 Kg de CO2 por ano)
Ainda assim, continua a não compensar pagar os ordenados ao professor e aos três funcionários (a menos que lhes baixássemos ainda mais os salários); então vamos mesmo fechar as 2 escolinhas das duas pequenas povoações.
Aliás o mais certo era os professores não serem da terra e todos os fins de semana andarem a gastar combustível nas deslocações, o que deveria deduzir-se daquele valor de 67.200 euro.
Isso, é benzinho fechar as escolinhas.
Faz lembrar daquela vez em que uma douta comissão mandou fechar as maternidades porque a taxa de mortalidade era muito grande quando nasciam menos de 500 bébés por ano (lá está outra correlação, entre o número de nascimentos e a taxa de mortalidade).
Esqueceu-se a douta comissão de que em hora de engarrafamento não havia acesso às maternidades centrais, e muito menos em dias de tempestade (é natural que dadas as doutas especialidades da douta comissão nunca tivessem ouvido falar em análise de riscos).
E para cúmulo, perguntado o douto presidente da comissão se já tinham comprado as ambulâncias para o “esquema”, foi respondido que “isso” era com outra comissão (sabe-se a frequência com que os bombeiros servem de parteiros nas estradas).
Julio Cesar, que reportou que os lusitanos não sabem governar-se nem deixam que os governem, nos perdoe a todos.
Mas voltemos aos cálculos.
Seja 470.000 o número de alunos do 1º ciclo em 3200 escolas deste nosso país abandonado (o adjetivo “abandonado” significa, aqui, desertificado no interior do país e no interior dos limites do município de Lisboa).
Admitindo neste momento que 3,5% dos alunos frequentam 900 escolas com menos de 20 alunos, isso quer dizer que em povoações com população suficiente, existirão 453550 alunos, enquanto em pequenas povoações existirão 16450 alunos.
Mantendo as relações acima (20 alunos/turma; 15 alunos/professor; 5 turmas/funcionário; 5 administrativos/escola), teremos nas povoações com população suficiente:
453550 alunos
9.650.000 habitantes
2300 escolas
22678 turmas
30237 professores
4535 funcionários
460 administrativos
E nas pequenas povoações:
16450 alunos
350000 habitantes
900 escolas
900 turmas
900 professores (desprezando reservas para substituição como no anterior caso)
1800 funcionários
Temos assim que neste nosso país teremos
470.000 alunos
10.000.000 habitantes
3200 escolas
23578 turmas
31137 professores
6335 funcionários
460 administrativos
Suponhamos agora que de Lisboa vem a confirmação da ordem de fecho das pequenas escolas, enviando as crianças das pequenas povoações rurais para as escolas das grandes povoações.
Teremos então nesta esquema, mantendo as relações:
470.000 alunos
10.000.000 habitantes
2300 escolas
23500 turmas
31333 professores
4700 funcionários
460 administrativos
Isto é, a “racionalização” do fecho das escolas prometeu uma economia de:
900 escolas (não é linear esta vantagem, uma vez que o afluxo de novos alunos às escolas exigem obras para a sua adaptação)
1635 funcionários
E um agravamento de:
196 professores (porque passou a aplicar-se a taxa de 1 professor para 15 alunos, para não fazer mentirosas, no sentido que Fernão Lopes dava ao termo, das pessoas que justificaram a medida com a melhoria das condições de ensino; ou então, como os valores acima de 3200 escolas, 470.000 alunos e 3,5% de alunos em escolas com menos de 20 alunos são números oficiais, talvez que a média de alunos por pequena escola seja mesmo superior a 15; ou então há mais do que um professor por pequena escola; ou …)
A estes benefícios decorrentes do fecho vamos somar os custos de combustível adicionais, relativamente à situação anterior (habitação média a 25 km da escola da grande povoação):
16450 alunos x 2 x 25 km x 160 dias = 13,6 milhões de alunos.km
ou:
900 (escolas fechadas) x 2x25 kmx160 dias = 7,2 milhões de km
ou:
7.200.000 km x 0,2 Kg CO2/km = 1440 ton CO2/ano
ou:
900 (escolas fechadas) x 2x25 kmx160 dias x 0,08 litros/km = 576.000 litros de combustível
ou:
7.200.000 km x 4,2 euro/km = 30,24 milhões de euro por ano
Dividindo este valor por 1635-196 = 1439 (número de funcionários e professores poupados) obteremos 21.015 euro por ano, que seriam os encargos remuneratórios por ano e por pessoa acima dos quais se justificaria, dum ponto de vista exclusivamente económico, o fecho das 900 escolas.
Mas enfim, serão discutíveis os pressupostos , embora eu fique na dúvida se serão os meus ou os dos proponentes do fecho, ou ambas as hipóteses.
Comentário final:
Ainda há bem pouco tempo se lia nos jornais, tão disponíveis para apoiar as políticas dos ministérios da Educação, que uma boa medida seria o mesmo professor dar várias disciplinas já no 2º ciclo (idades de 10 a 15 anos). Agora os mesmos meios anunciam como vantagem do fecho das escolas os meninos terem professores especializados nas disciplinas.
É apenas, para além de intoxicação informativa, um exemplo de falso problema. É fácil, havendo vontade e capacidade de organização, compensar a deficiente preparação dos professores (os mais jovens já eles próprios vítimas das políticas dos anteriores ministérios burocratizados e adeptos das alegrias e das facilidades da aprendizagem). Existem os meios televisivos e existem métodos de instrução privilegiando a definição e programação exaustivas dos programas e a sua execução quase automática (ver as referências ao método DI – Direct Instruction System for Teaching Arithmetic and Reading, de Zig Engelmann e seus seguidores, posto anteriormente neste blogue.
Considerar ainda uma questão extremamente importante. A realidade nacional é a de que grande percentagem de alunos necessita de escolas de ensino especial, com métodos próprios e professores especializados, fora do sistema normal de educação. Infelizmente assiste-se ao fecho dessas escolas, fundamentalmente vocacionadas para ensino profissional aplicado. Possivelmente para ocultar maus indicadores de reprovações (retenção).
Acho que ainda hei-de voltar à questão do ensino especial.
Enfim, como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim, mas não devíamos”.
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fecho das escolas
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Securitarium IV - os direitos das vítimas e o direito à segurança
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O tema é um dos que dão o caráter depressor às edições do DN de 3 e 4 de Junho de 2010.
Cito o comandante da GNR de Coimbra: “(existem) acentuadas desproporções entre os direitos das vítimas e o catálogo dos infindáveis direitos dilatórios dos agressores”.
Por outras palavras, as pessoas de bem são vítimas, mas os agressores encontram proteção na lei .
Do ponto de vista do direito romano, dir-se-ia que as leis devem existir, mas não para os agressores; a igualdade de direitos não deve ser invocada se dela resultar prejuízo para as vítimas inocentes.
Do ponto de vista da teoria económica, dir-se-á que a lei protetora dos agressores é uma externalidade que prejudica as suas vítimas (as vítimas não contribuíram para essa lei; os governos mantêm-se insensíveis aos protestos das vítimas, logo, é uma externalidade); ou que o equilíbrio de Pareto (recomendaram-me há dias um livro, “O prisioneiro, o amante e a sereia”; o equilíbrio de Pareto vem lá descrito) acaba quando se aplica a lei para proteger os agressores.
Por outras palavras, devia estar escrito em qualquer sítio, e haver a certeza que todos os candidatos a agressores o lessem, que agredir é proibido.
Havendo dúvidas sobre o que é uma agressão mental, pelo menos não há sobre o que é uma agressão física.
E onde podemos ver isso escrito?
A lei devia estar escrita em linguagem acessível.
E o comandante da GNR de Coimbra sabe mais disso do que os doutores que nunca conseguiram escrever uma lei assim.
Mas não parece considerarem o seu parecer.
Continuo a citar o comandante, sobre as agressões aos polícias: “é o próprio Estado que, no símbolo de uma farda, é agredido”.
Dramatização?
Talvez.
E como cereja em cima do bolo, a propósito do desalojamento do seu quartel: “entrámos diretamente no altar dos sacrifícios da venda de património para diminuição do défice público”.
Isto é, apesar de tudo, ainda vai havendo quem chame as coisas pelo nome.
Pouco se ganhará com isso, mas as coisas ficam ditas.
E no fundo, qualquer cidadão sabe o que significa, na sua vida particular, vender os anéis, vender o património, dar prioridade aos valores económicos quando comparados com os valores defendidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, um dos quais é o direito à paz e segurança, e outro o direito a uma justiça rápida.
Como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim – mas não devíamos”.
Mas, a propósito do direito à segurança, deixem-me transmitir-lhes o que o meu amigo me contou:
1 – uma vez por semana janta no Paço da Rainha, ali ao pé do Campo dos Mártires da Pátria; partiram-lhe o vidro do carro e roubaram um X-ato partido, uns óculos de sol desconchavados e uma esferográfica de oferta publicitária; não é grave; ou melhor, é apenas um indicador de uma grave doença social com origens conhecidas (poupem-me a lenga-lenga: insucesso escolar, desemprego, desorganização da estrutura social e produtiva, etc., etc.)
2 – a senhora a dias que lhe faz a limpeza de casa tem um filho que é motorista da Carris. São cabo-verdianos e moram na Amadora. Um vizinho desceu do 4º andar, entrou-lhes em casa, agrediu o moço e atirou-o do 3º andar para o quintal; depois atirou-se ele próprio; estão os dois no hospital, duvidando-se que o moço possa continuar a ser motorista da Carris. O que me interessa destacar: a polícia disse que o agressor já estava “referenciado”. Até por causa das declarações que transcrevi do comandante da GNR, não é a polícia que culpo. A polícia fez o que o médico faz: diagnosticou; se o doente não se tratar, as coisas acabam mal. Não há assistentes sociais porque o Estado tem de reduzir a despesa pública, não há tratamento psiquiátrico ao agressor porque o Estado tem de reduzir a despesa pública, as condições de habitação são insalubres porque o Estado tem de reduzir a despesa pública.
Custa a acreditar. Com tantos gestores da res pública tão competentes, com tantos comentadores e analistas políticos tão perspicazes, com tantos empreendedores e bancários de sucesso, custa a acreditar como chegámos aqui, como não nos soubemos organizar para evitar esta depressão.
Mas é um facto, não nos soubemos organizar.
Como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim – mas não devíamos”.
Art.3º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Este artigo é incompatível com a liberdade dos agressores, isto é, com crimes de direito comum, nos termos do art.29º.
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O tema é um dos que dão o caráter depressor às edições do DN de 3 e 4 de Junho de 2010.
Cito o comandante da GNR de Coimbra: “(existem) acentuadas desproporções entre os direitos das vítimas e o catálogo dos infindáveis direitos dilatórios dos agressores”.
Por outras palavras, as pessoas de bem são vítimas, mas os agressores encontram proteção na lei .
Do ponto de vista do direito romano, dir-se-ia que as leis devem existir, mas não para os agressores; a igualdade de direitos não deve ser invocada se dela resultar prejuízo para as vítimas inocentes.
Do ponto de vista da teoria económica, dir-se-á que a lei protetora dos agressores é uma externalidade que prejudica as suas vítimas (as vítimas não contribuíram para essa lei; os governos mantêm-se insensíveis aos protestos das vítimas, logo, é uma externalidade); ou que o equilíbrio de Pareto (recomendaram-me há dias um livro, “O prisioneiro, o amante e a sereia”; o equilíbrio de Pareto vem lá descrito) acaba quando se aplica a lei para proteger os agressores.
Por outras palavras, devia estar escrito em qualquer sítio, e haver a certeza que todos os candidatos a agressores o lessem, que agredir é proibido.
Havendo dúvidas sobre o que é uma agressão mental, pelo menos não há sobre o que é uma agressão física.
E onde podemos ver isso escrito?
A lei devia estar escrita em linguagem acessível.
E o comandante da GNR de Coimbra sabe mais disso do que os doutores que nunca conseguiram escrever uma lei assim.
Mas não parece considerarem o seu parecer.
Continuo a citar o comandante, sobre as agressões aos polícias: “é o próprio Estado que, no símbolo de uma farda, é agredido”.
Dramatização?
Talvez.
E como cereja em cima do bolo, a propósito do desalojamento do seu quartel: “entrámos diretamente no altar dos sacrifícios da venda de património para diminuição do défice público”.
Isto é, apesar de tudo, ainda vai havendo quem chame as coisas pelo nome.
Pouco se ganhará com isso, mas as coisas ficam ditas.
E no fundo, qualquer cidadão sabe o que significa, na sua vida particular, vender os anéis, vender o património, dar prioridade aos valores económicos quando comparados com os valores defendidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, um dos quais é o direito à paz e segurança, e outro o direito a uma justiça rápida.
Como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim – mas não devíamos”.
Mas, a propósito do direito à segurança, deixem-me transmitir-lhes o que o meu amigo me contou:
1 – uma vez por semana janta no Paço da Rainha, ali ao pé do Campo dos Mártires da Pátria; partiram-lhe o vidro do carro e roubaram um X-ato partido, uns óculos de sol desconchavados e uma esferográfica de oferta publicitária; não é grave; ou melhor, é apenas um indicador de uma grave doença social com origens conhecidas (poupem-me a lenga-lenga: insucesso escolar, desemprego, desorganização da estrutura social e produtiva, etc., etc.)
2 – a senhora a dias que lhe faz a limpeza de casa tem um filho que é motorista da Carris. São cabo-verdianos e moram na Amadora. Um vizinho desceu do 4º andar, entrou-lhes em casa, agrediu o moço e atirou-o do 3º andar para o quintal; depois atirou-se ele próprio; estão os dois no hospital, duvidando-se que o moço possa continuar a ser motorista da Carris. O que me interessa destacar: a polícia disse que o agressor já estava “referenciado”. Até por causa das declarações que transcrevi do comandante da GNR, não é a polícia que culpo. A polícia fez o que o médico faz: diagnosticou; se o doente não se tratar, as coisas acabam mal. Não há assistentes sociais porque o Estado tem de reduzir a despesa pública, não há tratamento psiquiátrico ao agressor porque o Estado tem de reduzir a despesa pública, as condições de habitação são insalubres porque o Estado tem de reduzir a despesa pública.
Custa a acreditar. Com tantos gestores da res pública tão competentes, com tantos comentadores e analistas políticos tão perspicazes, com tantos empreendedores e bancários de sucesso, custa a acreditar como chegámos aqui, como não nos soubemos organizar para evitar esta depressão.
Mas é um facto, não nos soubemos organizar.
Como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim – mas não devíamos”.
Art.3º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Este artigo é incompatível com a liberdade dos agressores, isto é, com crimes de direito comum, nos termos do art.29º.
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domingo, 6 de junho de 2010
A ponte de Brisbane
A ponte de Brisbane é uma estrutura metálica iniciada em 1935 e inaugurada em 1940.
Tem a particularidade de a sua construção ter sido decidida em plena grande depressão como parte integrante do programa de investimento público para ajudar a combater o desemprego local.
A incorporação local, do estado de Queensland, foi de 89%.
Embora possa haver variáveis diferentes, se o PIB é igual à soma do consumo e investimento privados, mais o investimento e despesa públicos, mais as exportações e menos as importações, então resulta que investir numa boa ponte, desde que as exportações “vençam” as importações, parece ser uma boa ideia.
Mesmo sem considerarmos o combate ao desemprego.
Se o fizermos, através duma análise custos-benefícios teremos poupanças no valor dos malefícios do desemprego (criminalidade, mal-estar da comunidade) e dos benefícios do estímulo da economia , o que também parece vantajoso.
Mas parece essencial obter uma boa incorporação nacional.
Isto a propósito da questão da terceira travessia do Tejo e de ter encontrado o sítio da RAVE renovado, com alguma informação importante e preocupação em esclarecer as questões.
http://www.ouve-semuitacoisa.com/?utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign=rave
Seria ótimo que a RAVE não o fizesse apenas pela necessidade de obter o apoio da opinião pública e que abandonasse as demonstrações de sobranceria e de prepotência anteriormente evidenciadas (veja-se a forma como tratou os opositores no programa prós e contras de Abril de 2008 e como colocou a comunidade dos transportes perante os factos consumado da localização da estação central do TGV e do contrato com o arquiteto da Gare do Oriente por ajuste direto). Isto é, que as decisões passassem a ser previamente e amplamente debatidas.
Retiro do sítio a informação de que os fundos comunitários para todo o empreendimento TGV são da ordem de 12% dos custos totais. Pessoalmente parece-me que deveria ser aumentado.
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Terceira travessia do Tejo
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Educação XII - Catilinária contra o fecho das escolas e o facilitismo da passagem do 8º para o 10º ano
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A indignação impede-me de estar calado.
O atual ministério da Educação prossegue a ação destruidora dos anteriores ministérios.
Destruidora é a palavra que se aplica à capacidade da maioria dos cidadãos do futuro, que agora são crianças, apreenderem as causas e as circunstancias das coisas do que lhes diz respeito.
E isso acontece porque continua a privilegiar-se:
• o conceito idealista de Rousseau e de Piaget de centrar o método educativo na criança e no seu prazer na descoberta pela aprendizagem, desprezando a definição concreta dos programas e da sua execução (como diz o prof.Nuno Crato, é a ideologia do “eduquês” executada pelos burocratas das direções gerais invocando pretensiosas inovações)
• a aplicação de medidas que melhoram indicadores (especialmente económicos ou, sendo educacionais, aqueles que mais facilmente iludam as pessoas e mais se prestam a ser sobrevalorizados pelos escribas laudatórios da comunicação social) sem atender a todos os dados da realidade
O que escrevo não tem nada de político.
É apenas uma apreciação do ponto de vista técnico e de gestão de recursos.
• Do ponto de vista técnico, porque a recolha de dados que se faz não é completa.
Por exemplo, são apresentados powerpoints na Assembleia da Republica mostrando em gráfico a diminuição do insucesso escolar nas escolas primárias desde o fecho das escolas com menos de 10 alunos em 2005.
É verdade, existe uma correlação positiva entre o fecho das escolas com menos de 10 alunos e a diminuição do insucesso escolar.
Mas correlação entre duas variáveis significa que elas se movem no mesmo sentido, não quer dizer que uma cause a outra. O número de incêndios também diminuiu desde 2005 e não podemos dizer que o insucesso escolar diminuiu por ter diminuído o número de incêndios. Além disso, há muitas outras variáveis em jogo e algumas delas sim, influenciam mais fortemente a diminuição do insucesso escolar, como seja o aumento do nível escolar e económico dos pais (por outras palavras, o ambiente económico-social exterior à escola influencia mais fortemente o sucesso escolar do que as melhorias da própria escola; logo, se concentrarmos os esforços naquilo que menos contribui para o objetivo, estamos a desperdiçar, claramente, recursos). Tudo isto se estuda nas primeiras páginas dos manuais de análise estatística e é por isso que escrevo que a minha apreciação é fortemente negativa do ponto de vista técnico.
• Do ponto de vista de gestão de recursos, porque a via deliberada do facilitismo conduz inapelavelmente á desmotivação dos profissionais (os tais professores, de que os seniores já se reformaram, e de que alguns juniores já são vítimas da ação nefasta dos anteriores monistérios).
O que me leva a um grau elevado de indignação é a recente decisão, logo a seguir ao anúncio do fecho das escolas primárias com menos de 20 alunos, de estender aos alunos do 8º ano (antigo 4º ano do liceu) com mais de 15 anos, que reprovaram (agora diz-se que foram retidos) a possibilidade de, mediante a prestação de provas (e como são duvidosos os critérios de dificuldade de algumas provas…) passarem diretamente para o 10º ano.
É uma vergonha de facilitismo.
É dizer que vale zero o esforço de quem dá e de quem vai às aulas.
Ir às aulas é abrir as portas à capacidade de interpretação.
Custa-me ver a senhora ministra, que é uma pessoa de bem e sensível, anunciar estas medidas:
• Porque fechar as escolas com menos de 20 alunos não é combater as causas do insucesso; é comprar a diminuição do insucesso com o sacrifício das crianças que são transportadas para longe de casa e aumentar o abandono das povoações do interior
• Porque facilitar a passagem para o 10º ano de quem foi reprovado ao longo do ano vai permitir melhorar o indicador de retenção de alunos, não vai melhorar a sua capacidade de interpretação
Imagino o sofrimento interior desta senhora, ao defender estas medidas.
Como sei que sofre? Simples – porque numa entrevista, para justificar que os alunos das escolas que fecham iriam ficar melhor, utilizou na mesma frase, por duas vezes, o mesmo adjetivo, aplicado a dois substantivos diferentes: que as salas das escolas maiores eram mais adequadas e que os equipamentos eram mais adequados.
Não eram as palavras e o sentimento dela.
Nem de mim, que indignado estou.
Mas para que não se diga que protesto, critico e nada proponho como alternativa, sugiro que os serviços do ministério e os cidadãos estudem a viabilidade de aplicação:
• Dos ensinamentos retirados dos dados recolhidos pelo departamento federal de educação dos USA a propósito do No child left behind, cujo principal objetivo é reduzir as diferenças entre alunos; ver
http://en.wikipedia.org/wiki/No_Child_Left_Behind_Act
• Do sistema de ensino “Direct Instruction” (DI), baseado na rigorosa definição dos programas, minimizando as deficiências locais, e que, apesar de só estar aplicado em 1% das escolas públicas dos USA, foi avaliado publicamente da seguinte forma: "When the testing was over, students in DI classrooms had placed first in reading, first in math, first in spelling and first in language. No other model came close" ; ver
http://dreamcatcherlearning.com/index.php?option=com_content&view=article&id=3&Itemid=3
http://en.wikipedia.org/wiki/Direct_Instruction
PS - Ah! Fecham-se as escolas do interior por razões financeiras? Sugiro ás entidades competentes o estudo do programa oficial de empréstimos dos USA. Não posso recomendar porque não me debrucei sobre ele (além de não ser especialistas de finanças, claro). Mas sugiro que o estudem:
http://www2.ed.gov/offices/OSFAP/DirectLoan/index.html
E, num âmbito não oficial, será também interessante estudar as soluções para o ensino, privado ou púiblico, desta empresa inglesa:
http://www2.education.co.uk/about-us/
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A indignação impede-me de estar calado.
O atual ministério da Educação prossegue a ação destruidora dos anteriores ministérios.
Destruidora é a palavra que se aplica à capacidade da maioria dos cidadãos do futuro, que agora são crianças, apreenderem as causas e as circunstancias das coisas do que lhes diz respeito.
E isso acontece porque continua a privilegiar-se:
• o conceito idealista de Rousseau e de Piaget de centrar o método educativo na criança e no seu prazer na descoberta pela aprendizagem, desprezando a definição concreta dos programas e da sua execução (como diz o prof.Nuno Crato, é a ideologia do “eduquês” executada pelos burocratas das direções gerais invocando pretensiosas inovações)
• a aplicação de medidas que melhoram indicadores (especialmente económicos ou, sendo educacionais, aqueles que mais facilmente iludam as pessoas e mais se prestam a ser sobrevalorizados pelos escribas laudatórios da comunicação social) sem atender a todos os dados da realidade
O que escrevo não tem nada de político.
É apenas uma apreciação do ponto de vista técnico e de gestão de recursos.
• Do ponto de vista técnico, porque a recolha de dados que se faz não é completa.
Por exemplo, são apresentados powerpoints na Assembleia da Republica mostrando em gráfico a diminuição do insucesso escolar nas escolas primárias desde o fecho das escolas com menos de 10 alunos em 2005.
É verdade, existe uma correlação positiva entre o fecho das escolas com menos de 10 alunos e a diminuição do insucesso escolar.
Mas correlação entre duas variáveis significa que elas se movem no mesmo sentido, não quer dizer que uma cause a outra. O número de incêndios também diminuiu desde 2005 e não podemos dizer que o insucesso escolar diminuiu por ter diminuído o número de incêndios. Além disso, há muitas outras variáveis em jogo e algumas delas sim, influenciam mais fortemente a diminuição do insucesso escolar, como seja o aumento do nível escolar e económico dos pais (por outras palavras, o ambiente económico-social exterior à escola influencia mais fortemente o sucesso escolar do que as melhorias da própria escola; logo, se concentrarmos os esforços naquilo que menos contribui para o objetivo, estamos a desperdiçar, claramente, recursos). Tudo isto se estuda nas primeiras páginas dos manuais de análise estatística e é por isso que escrevo que a minha apreciação é fortemente negativa do ponto de vista técnico.
• Do ponto de vista de gestão de recursos, porque a via deliberada do facilitismo conduz inapelavelmente á desmotivação dos profissionais (os tais professores, de que os seniores já se reformaram, e de que alguns juniores já são vítimas da ação nefasta dos anteriores monistérios).
O que me leva a um grau elevado de indignação é a recente decisão, logo a seguir ao anúncio do fecho das escolas primárias com menos de 20 alunos, de estender aos alunos do 8º ano (antigo 4º ano do liceu) com mais de 15 anos, que reprovaram (agora diz-se que foram retidos) a possibilidade de, mediante a prestação de provas (e como são duvidosos os critérios de dificuldade de algumas provas…) passarem diretamente para o 10º ano.
É uma vergonha de facilitismo.
É dizer que vale zero o esforço de quem dá e de quem vai às aulas.
Ir às aulas é abrir as portas à capacidade de interpretação.
Custa-me ver a senhora ministra, que é uma pessoa de bem e sensível, anunciar estas medidas:
• Porque fechar as escolas com menos de 20 alunos não é combater as causas do insucesso; é comprar a diminuição do insucesso com o sacrifício das crianças que são transportadas para longe de casa e aumentar o abandono das povoações do interior
• Porque facilitar a passagem para o 10º ano de quem foi reprovado ao longo do ano vai permitir melhorar o indicador de retenção de alunos, não vai melhorar a sua capacidade de interpretação
Imagino o sofrimento interior desta senhora, ao defender estas medidas.
Como sei que sofre? Simples – porque numa entrevista, para justificar que os alunos das escolas que fecham iriam ficar melhor, utilizou na mesma frase, por duas vezes, o mesmo adjetivo, aplicado a dois substantivos diferentes: que as salas das escolas maiores eram mais adequadas e que os equipamentos eram mais adequados.
Não eram as palavras e o sentimento dela.
Nem de mim, que indignado estou.
Mas para que não se diga que protesto, critico e nada proponho como alternativa, sugiro que os serviços do ministério e os cidadãos estudem a viabilidade de aplicação:
• Dos ensinamentos retirados dos dados recolhidos pelo departamento federal de educação dos USA a propósito do No child left behind, cujo principal objetivo é reduzir as diferenças entre alunos; ver
http://en.wikipedia.org/wiki/No_Child_Left_Behind_Act
• Do sistema de ensino “Direct Instruction” (DI), baseado na rigorosa definição dos programas, minimizando as deficiências locais, e que, apesar de só estar aplicado em 1% das escolas públicas dos USA, foi avaliado publicamente da seguinte forma: "When the testing was over, students in DI classrooms had placed first in reading, first in math, first in spelling and first in language. No other model came close" ; ver
http://dreamcatcherlearning.com/index.php?option=com_content&view=article&id=3&Itemid=3
http://en.wikipedia.org/wiki/Direct_Instruction
PS - Ah! Fecham-se as escolas do interior por razões financeiras? Sugiro ás entidades competentes o estudo do programa oficial de empréstimos dos USA. Não posso recomendar porque não me debrucei sobre ele (além de não ser especialistas de finanças, claro). Mas sugiro que o estudem:
http://www2.ed.gov/offices/OSFAP/DirectLoan/index.html
E, num âmbito não oficial, será também interessante estudar as soluções para o ensino, privado ou púiblico, desta empresa inglesa:
http://www2.education.co.uk/about-us/
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
Very fast post in blog.20 - Leitura depressora
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Por vários motivos a que espero voltar, achei a leitura do DN de hoje, dia 3 de Junho, profundamente depressora.
Para cúmulo, leio na última página um texto de Manuel Maria Carrilho que me agrava a impressão: refere o conceito de "curto-prazismo", que é a forma primária de tomar decisões que nos deprime como país, e cita um senhor, Emmanuel Todd (L'illusion economique) "O euro pode ser o protecionismo dos imbecis".
Depressor, numa altura em que a iliteracia matemática impede as pessoas de se centrarem nos fatores da fórmula do PIB que mais podem contribuir para o aumento do dito.
Como escreveu Manuel Maria Carrilho, "vivemos assim, mas não devíamos".
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Por vários motivos a que espero voltar, achei a leitura do DN de hoje, dia 3 de Junho, profundamente depressora.
Para cúmulo, leio na última página um texto de Manuel Maria Carrilho que me agrava a impressão: refere o conceito de "curto-prazismo", que é a forma primária de tomar decisões que nos deprime como país, e cita um senhor, Emmanuel Todd (L'illusion economique) "O euro pode ser o protecionismo dos imbecis".
Depressor, numa altura em que a iliteracia matemática impede as pessoas de se centrarem nos fatores da fórmula do PIB que mais podem contribuir para o aumento do dito.
Como escreveu Manuel Maria Carrilho, "vivemos assim, mas não devíamos".
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
A minha ignorância , quase no fim do 1º semestre
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Em 29 de Março de 2010 escrevi neste blogue que, segundo os dados disponíveis, o seguinte quadro de distribuição de deslocações pelos modos de transporte, na área metropolitana de Lisboa, seria plausível, não obstante os dados não serem de muita confiança (em milhões de passageiros no ano de 2009):
Carris........................233............16,1%
ML............................165............11,4%
CP.............................95.............6,6%
Fertagus.......................23.............1,6%
Transtejo......................28.............1,9%
Autocarros....................100.............6,9%
TI..............................800............55,4%
Total.........................1444...........100,0%
Hoje, dia 2 de Junho de 2010, quase no fim do primeiro semestre, gostaria de afixar um quadro com os dados do primeiro trimestre de 2010, para tentar perceber tendências.
Há indicadores em variação contínua, como seja o desemprego, o preço dos combustíveis, o consumo ,o investimento, a distribuição do rendimento de cada um pelo diferentes tipos de despesa.
Infelizmente, não disponho de dados para construir o quadro.
Admito que haja órgãos oficiais que os possuam, de confiança, mas não chegou ao meu conhecimento.
Ignoro se por inépcia minha, se por omissão, por parte dos órgãos oficiais, do cumprimento do dever de satisfazer o direito dos cidadãos à informação sobre temas de interesse público.
Ignorância minha, quase no fim do primeiro semestre de 2010.
__________________________
Em 29 de Março de 2010 escrevi neste blogue que, segundo os dados disponíveis, o seguinte quadro de distribuição de deslocações pelos modos de transporte, na área metropolitana de Lisboa, seria plausível, não obstante os dados não serem de muita confiança (em milhões de passageiros no ano de 2009):
Carris........................233............16,1%
ML............................165............11,4%
CP.............................95.............6,6%
Fertagus.......................23.............1,6%
Transtejo......................28.............1,9%
Autocarros....................100.............6,9%
TI..............................800............55,4%
Total.........................1444...........100,0%
Hoje, dia 2 de Junho de 2010, quase no fim do primeiro semestre, gostaria de afixar um quadro com os dados do primeiro trimestre de 2010, para tentar perceber tendências.
Há indicadores em variação contínua, como seja o desemprego, o preço dos combustíveis, o consumo ,o investimento, a distribuição do rendimento de cada um pelo diferentes tipos de despesa.
Infelizmente, não disponho de dados para construir o quadro.
Admito que haja órgãos oficiais que os possuam, de confiança, mas não chegou ao meu conhecimento.
Ignoro se por inépcia minha, se por omissão, por parte dos órgãos oficiais, do cumprimento do dever de satisfazer o direito dos cidadãos à informação sobre temas de interesse público.
Ignorância minha, quase no fim do primeiro semestre de 2010.
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área metropolitana de transportes de Lisboa
terça-feira, 1 de junho de 2010
Carta aberta ao senhor secretário de estado dos transportes
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Exmo Senhor Secretário de Estado dos Transportes
Peço desculpa por me dirigir a VExa.
Faço-o, porque pertenço à comunidade de quem trabalha em transportes, julgando ser legítima a preocupação, como cidadão e nos termos da legislação vigente, de aceder à informação de interesse público sobre a temática dos transportes.
Tendo sido anunciada no princípio de Fevereiro a apresentação “a muito curto prazo” do plano estratégico de transportes atualizado e sobrevindo o agravamento da crise financeira, com o seu cortejo de restrições drásticas nos planos de expansão dos transportes coletivos, é compreensível essa preocupação, aliada à indefinição da aprovação dos orçamentos das ações estratégicas das empresas.
Esperando assim relevada a minha falta, refiro-me em concreto ao caso da anulação do concurso para a Terceira Travessia do Tejo.
Perdoar-me-á que invoque pessoalmente alguns anos de experiência em concursos públicos no âmbito dos transportes públicos. Nunca geri um grande concurso para uma grande empreitada de construção civil. Mas tratei de concursos de equipamentos e sistemas com alguma expressão, se considerarmos a importância que tem a segurança de circulação dos comboios, que era o objeto desses concursos.
E a experiencia que eu adquiri leva-me a pensar que a última coisa que se deva fazer é a anulação de um concurso. Anulá-lo ou, sem o anular, alterar as especificações pedidas, como se verificou no caso dos submarinos.
Anular um concurso tem sempre o risco de, mais tarde, o consórcio perdedor no segundo concurso invocar uma eventual posição vencedora no primeiro concurso, anulado.
Existe ainda o risco de uma auditoria posterior não acolher os argumentos invocados para a anulação do concurso, a saber, de acordo com o novo código de contratação pública: surgimento de circunstâncias imprevistas que impliquem a alteração de peças fundamentais do concurso, ou de circunstâncias supervenientes relativas aos pressupostos da decisão de contratar.
Trata-se do famoso artigo 79 – causas de não adjudicação.
A questão, para tal auditoria, é que não houve circunstâncias imprevistas nem supervenientes, porque quando foi tomada a decisão de contratar, isto é, de lançar o concurso, já se sabia que a economia estava má (estou a recordar-me de uma entrevista do dr Vitor Bento: “Já era conhecido há tempo suficiente que íamos ter de fazer um esforço grande.”), até porque o peso negativo e excessivo das importações no PIB era de há muito insustentável. E porque já se sabia, como o provou o Prós e Contras de 2008, que não estavam bem o pilar norte da TTT nem o perfil longitudinal e a altura do tabuleiro da TTT , por não ter havido consulta técnica ao Instituto Hidrográfico.
Temos então que, à face da lei, se o motivo da não adjudicação é o surgimento de circunstâncias imprevistas que impliquem a alteração de peças fundamentais, então é obrigatório lançar novo concurso dentro de 6 meses (art.80).
Se o motivo foram circunstâncias supervenientes relativas aos pressupostos da decisão de contratar (será que o legislador mediu o grau de subjetividade desta frase?), terá de se extinguir a decisão de contratar.
Então, porque o concurso vai ser relançado dentro de 6 meses, admito que o motivo terá tido origem em circunstâncias imprevistas.
Permito-me sugerir o aproveitamento deste período refratário de 6 meses para refazer o projeto de traçados da ponte e do TGV Lisboa-Poceirão.
Tal como mostrado aos projetistas da RAVE há mais de dois anos num programa Prós e Contras, haverá vantagens em deslocar a ponte para montante, para facilitar o tráfego fluvial e a exploração portuária e reduzir custos: a ponte seria entre o Beato e a base aérea do Montijo, que infelizmente teria de ser desativada e teria menos 1,5 km, correspondendo a uma economia que poderemos estimar em 140 milhões de euros; estou ainda a considerar que as oficinas do TGV ficarão ou em Marvila ou no Poceirão e não como se falou primeiro, no Barreiro; a travessia por Beato-Montijo conduziria ainda a uma economia no percurso Oriente –Poceirão, por Montijo, da ordem de 1 km, o que se poderia estimar em mais uma economia de 14 milhões de euros.
Junto um pequeno esquema topológico, em que podemos ver as posições relativas das principais povoações da margem sul e a rede ferroviária existente, as novas linhas do TGV e suburbanas e de metro ligeiro complementar.
Evidencia-se a ligação ao NAL e as vantagens da ligação Oriente –Poceirão por Montijo/base aérea.
É claro que os projetistas da RAVE argumentarão que, nas acessibilidades e ligações na margem norte, a solução oblíqua da travessia Chelas-Barreiro exigirá menos túneis na margem norte do que a solução Beato – base aérea.
Realmente será verdade, mas porque a localização da estação central foi decidida, na gare do Oriente, unilateralmente e ao arrepio da consideração da área metropolitana de transportes no seu todo.
Igualmente dirão que será preciso fazer uma ponte de 2 km entre o Barreiro e a base área. Porém a contabilização dessa ponte poderá ser objeto de um financiamento de coesão diferente da linha do TGV.
Não foram acolhidas as sugestões da comunidade dos transportes para localização da estação central no vale de Chelas (onde integraria um centro intermodal TGV-linha do norte-suburbanos das margens norte e sul- metropolitano Olaias, mais perto do centro da cidade do que no Oriente) nem nos terrenos do atual aeroporto da Portela (local por excelência para a instalação de equipamentos sociais, dado que a sua rentabilização colide com a lei das expropriações, sendo certo que a permanência do aeroporto colide com as diretivas europeias sobre as rotas de aproximação das aeronaves).
E como não foram acolhidas, assistimos atualmente à preparação do concurso para a ampliação da estação do Oriente e viadutos adjacentes, com todo o cortejo de perturbações na pobre estação de metro que lhe fica mesmo por baixo.
(O projeto desta ampliação foi entregue por ajuste direto a Santiago Calatrava; não refiro isto por achar ilegal, porque as diretivas europeias que foram transpostas para o novo código de contratação pública prevêem exceções; o que me choca é que quando eu invoquei essas exceções rejeitaram os meus pedidos, mas este documento não é a apresentação de uma queixas).
Mas fica ainda por esclarecer como justificar a imprevisibilidade das circunstâncias que implicaram alterações de peças essenciais do concurso.
Não se tendo alterado as condições geradoras da penúria do nosso PIB, resta-me colocar a hipótese, como justificativo da anulação do concurso, de que as circunstâncias imprevistas tenham sido a realmente imprevista e súbita tomada de consciência, por parte dos projetistas, das deficiências de traçado da TTT que prejudicavam a exploração portuária.
Tenho assim esperança que tal tomada de consciência levá-los-á, porque ninguém põe em causa a sua competência técnica, a corrigir essas deficiências na nova versão do projeto da TTT que se aguarda para daqui a 6 meses.
Finalmente, gostaria de comentar, no meio das discussões a que assistimos ouvindo tantas vozes contra os investimentos públicos no TGV (e que ignoram, em percursos como Lisboa- Madrid e Lisbioa-Porto, a sua maior eficiência energética comparada com o avião e o automóvel), e com base na minha própria experiência, que não é preciso suspender os projetos.
Basta calmamente continuar a fazê-los, sem preocupações de atrasos, em ambiente de debate alargado, para, quando haja dinheiro, rapidamente aumentar o ritmo. As coisas atrasam-se por si.
Caso contrário, desmobilizando os meios, o arranque será sempre demorado e penoso.
Aqui lhe deixo as sugestões.
Com os meus melhores cumprimentos
fcsseratostenes@hotmail.com
http://fcsseratostenes.blogspot.com/
Fernando Silva
BI 1453978
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Exmo Senhor Secretário de Estado dos Transportes
Peço desculpa por me dirigir a VExa.
Faço-o, porque pertenço à comunidade de quem trabalha em transportes, julgando ser legítima a preocupação, como cidadão e nos termos da legislação vigente, de aceder à informação de interesse público sobre a temática dos transportes.
Tendo sido anunciada no princípio de Fevereiro a apresentação “a muito curto prazo” do plano estratégico de transportes atualizado e sobrevindo o agravamento da crise financeira, com o seu cortejo de restrições drásticas nos planos de expansão dos transportes coletivos, é compreensível essa preocupação, aliada à indefinição da aprovação dos orçamentos das ações estratégicas das empresas.
Esperando assim relevada a minha falta, refiro-me em concreto ao caso da anulação do concurso para a Terceira Travessia do Tejo.
Perdoar-me-á que invoque pessoalmente alguns anos de experiência em concursos públicos no âmbito dos transportes públicos. Nunca geri um grande concurso para uma grande empreitada de construção civil. Mas tratei de concursos de equipamentos e sistemas com alguma expressão, se considerarmos a importância que tem a segurança de circulação dos comboios, que era o objeto desses concursos.
E a experiencia que eu adquiri leva-me a pensar que a última coisa que se deva fazer é a anulação de um concurso. Anulá-lo ou, sem o anular, alterar as especificações pedidas, como se verificou no caso dos submarinos.
Anular um concurso tem sempre o risco de, mais tarde, o consórcio perdedor no segundo concurso invocar uma eventual posição vencedora no primeiro concurso, anulado.
Existe ainda o risco de uma auditoria posterior não acolher os argumentos invocados para a anulação do concurso, a saber, de acordo com o novo código de contratação pública: surgimento de circunstâncias imprevistas que impliquem a alteração de peças fundamentais do concurso, ou de circunstâncias supervenientes relativas aos pressupostos da decisão de contratar.
Trata-se do famoso artigo 79 – causas de não adjudicação.
A questão, para tal auditoria, é que não houve circunstâncias imprevistas nem supervenientes, porque quando foi tomada a decisão de contratar, isto é, de lançar o concurso, já se sabia que a economia estava má (estou a recordar-me de uma entrevista do dr Vitor Bento: “Já era conhecido há tempo suficiente que íamos ter de fazer um esforço grande.”), até porque o peso negativo e excessivo das importações no PIB era de há muito insustentável. E porque já se sabia, como o provou o Prós e Contras de 2008, que não estavam bem o pilar norte da TTT nem o perfil longitudinal e a altura do tabuleiro da TTT , por não ter havido consulta técnica ao Instituto Hidrográfico.
Temos então que, à face da lei, se o motivo da não adjudicação é o surgimento de circunstâncias imprevistas que impliquem a alteração de peças fundamentais, então é obrigatório lançar novo concurso dentro de 6 meses (art.80).
Se o motivo foram circunstâncias supervenientes relativas aos pressupostos da decisão de contratar (será que o legislador mediu o grau de subjetividade desta frase?), terá de se extinguir a decisão de contratar.
Então, porque o concurso vai ser relançado dentro de 6 meses, admito que o motivo terá tido origem em circunstâncias imprevistas.
Permito-me sugerir o aproveitamento deste período refratário de 6 meses para refazer o projeto de traçados da ponte e do TGV Lisboa-Poceirão.
Tal como mostrado aos projetistas da RAVE há mais de dois anos num programa Prós e Contras, haverá vantagens em deslocar a ponte para montante, para facilitar o tráfego fluvial e a exploração portuária e reduzir custos: a ponte seria entre o Beato e a base aérea do Montijo, que infelizmente teria de ser desativada e teria menos 1,5 km, correspondendo a uma economia que poderemos estimar em 140 milhões de euros; estou ainda a considerar que as oficinas do TGV ficarão ou em Marvila ou no Poceirão e não como se falou primeiro, no Barreiro; a travessia por Beato-Montijo conduziria ainda a uma economia no percurso Oriente –Poceirão, por Montijo, da ordem de 1 km, o que se poderia estimar em mais uma economia de 14 milhões de euros.
Junto um pequeno esquema topológico, em que podemos ver as posições relativas das principais povoações da margem sul e a rede ferroviária existente, as novas linhas do TGV e suburbanas e de metro ligeiro complementar.
Evidencia-se a ligação ao NAL e as vantagens da ligação Oriente –Poceirão por Montijo/base aérea.
É claro que os projetistas da RAVE argumentarão que, nas acessibilidades e ligações na margem norte, a solução oblíqua da travessia Chelas-Barreiro exigirá menos túneis na margem norte do que a solução Beato – base aérea.
Realmente será verdade, mas porque a localização da estação central foi decidida, na gare do Oriente, unilateralmente e ao arrepio da consideração da área metropolitana de transportes no seu todo.
Igualmente dirão que será preciso fazer uma ponte de 2 km entre o Barreiro e a base área. Porém a contabilização dessa ponte poderá ser objeto de um financiamento de coesão diferente da linha do TGV.
Não foram acolhidas as sugestões da comunidade dos transportes para localização da estação central no vale de Chelas (onde integraria um centro intermodal TGV-linha do norte-suburbanos das margens norte e sul- metropolitano Olaias, mais perto do centro da cidade do que no Oriente) nem nos terrenos do atual aeroporto da Portela (local por excelência para a instalação de equipamentos sociais, dado que a sua rentabilização colide com a lei das expropriações, sendo certo que a permanência do aeroporto colide com as diretivas europeias sobre as rotas de aproximação das aeronaves).
E como não foram acolhidas, assistimos atualmente à preparação do concurso para a ampliação da estação do Oriente e viadutos adjacentes, com todo o cortejo de perturbações na pobre estação de metro que lhe fica mesmo por baixo.
(O projeto desta ampliação foi entregue por ajuste direto a Santiago Calatrava; não refiro isto por achar ilegal, porque as diretivas europeias que foram transpostas para o novo código de contratação pública prevêem exceções; o que me choca é que quando eu invoquei essas exceções rejeitaram os meus pedidos, mas este documento não é a apresentação de uma queixas).
Mas fica ainda por esclarecer como justificar a imprevisibilidade das circunstâncias que implicaram alterações de peças essenciais do concurso.
Não se tendo alterado as condições geradoras da penúria do nosso PIB, resta-me colocar a hipótese, como justificativo da anulação do concurso, de que as circunstâncias imprevistas tenham sido a realmente imprevista e súbita tomada de consciência, por parte dos projetistas, das deficiências de traçado da TTT que prejudicavam a exploração portuária.
Tenho assim esperança que tal tomada de consciência levá-los-á, porque ninguém põe em causa a sua competência técnica, a corrigir essas deficiências na nova versão do projeto da TTT que se aguarda para daqui a 6 meses.
Finalmente, gostaria de comentar, no meio das discussões a que assistimos ouvindo tantas vozes contra os investimentos públicos no TGV (e que ignoram, em percursos como Lisboa- Madrid e Lisbioa-Porto, a sua maior eficiência energética comparada com o avião e o automóvel), e com base na minha própria experiência, que não é preciso suspender os projetos.
Basta calmamente continuar a fazê-los, sem preocupações de atrasos, em ambiente de debate alargado, para, quando haja dinheiro, rapidamente aumentar o ritmo. As coisas atrasam-se por si.
Caso contrário, desmobilizando os meios, o arranque será sempre demorado e penoso.
Aqui lhe deixo as sugestões.
Com os meus melhores cumprimentos
fcsseratostenes@hotmail.com
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Terceira travessia do Tejo
domingo, 30 de maio de 2010
Uma das últimas coisas que se devam fazer é anular um concurso
Esta fotografia foi tirada à mesa do meu almoço de há dias.
Não é um restaurante de luxo onde se coma risoto de lagosta (antigamente dizia-se arroz de lagosta, como ainda se diz no Pavão, na rua da Estefânia).
É apenas uma pequena cafetaria gerida por umas senhoras prendadas, onde às vezes como uma tarte de espinafres ou um quiche lorraine com uma salada, no ultimo piso do centro comercial do Chiado.
Ao longe, assinalado, o depósito de combustível pintado de xadrêz, do cais da Quimigal do Barreiro. Perto, há-de passar, em manhãs de nevoeiro, a terceira travessia do Tejo, amarrando um pouco mais para a direita, um ou dois quilómetros terra adentro.
Admitindo que o tabuleiro da ponte fique a 50m do nível médio (se tivessem consultado o Instituto Hidrográfico – se , porque não o consultaram, só pediram cartas marítimas - esse número talvez subisse para 70m, mas eu sou um exagerado, e os marinheiros do Hidrográfico também, quanto mais não fosse para não se repetisse a farsa da ponte do Carregado, que obrigou os varinos a ir ao estaleiro cortar as pontas dos mastros; ai os nossos projetistas do nosso país de marinheiros…) ela precisará de cerca de 4 km desde o nivel 0 até atingir essa altura.
Isto é, para não estar a obstruir o rio com uma altura pequena, tem de entrar francamente nos terrenos do Barreiro até ao túnel previsto.
Lembram-se daquele “prós e contras” em que uns senhores projetistas e administradores da RAVE vieram com sobranceria e arrogância chamar ignorantes aos críticos da ponte e do seu impacto visual (é fácil de imaginar que, neste caso, a ponte tapará toda a linha do horizonte atualmente visível entre o depósito e a colina da Sé, não é?)?
Lembram-se de se dizer que a ponte devia estar mais a norte (percurso Beato-Base aérea do Montijo, com menos 2 km) para o pilar norte não afetar os cais de contentores do Poço do Bispo?
Vem agora invocar-se alterações no pilar norte para ajudar a anular o concurso para a construção da ponte que estava em fase de apreciação de propostas?
Diz o código de contratação pública que seriam precisas circunstâncias supervenientes para justificar uma anulação.
Que o pilar estava mal, já se sabia; que a situação financeira não era famosa, já se sabia...
Um dos senhores administradores da RAVE explicou nesse “prós e contras” a todos nós ignorantes que o traçado da ponte era por causa da curva para entroncar na linha do Norte.
Mas porque cargas de água tem o TGV de ter a estação principal na Gare do Oriente?
Podia ir em frente, pelo vale de Chelas, ter a sua estação central aqui, em correspondência com a estação de metro de Olaias.
Mas se não quisessem, podia construir-se a estação central no sítio do aeroporto da Portela, agora que já se percebeu que não se deve substituir um equipamento social por uma urbanização na bolsa imobiliária (por causa da lei das expropriações para fins de serviço público, os herdeiros dos expropriados têm direito às mais valias).
Ou ir até à gare do Oriente com recurso a tuneis para a curva concordante (Barcelona também teve de recorrer ao traçado em tunel para o TGV). Calro que fica mais caro. Mas porquê esta obssessão calatraviana de ir à gare do Oriente?
Enfim, não resisto a transcrever o que escrevi a seguir ao tal programa do Prós e Contras, há dois anos.
É uma pena evoluir-se tão devagar.
Ser preciso tanto tempo para perceber que aquele pilar norte não estava bem (nem aquele pilar nem aquele traçado da ponte…).
Que afinal não era só o pilar do poço do bispo a crescer ou a minguar consoante o observador; também se mexia do lugar.
Foi preciso anular um concurso para perceber isso.
Não sei é se será motivo reconhecido pela legislação para anular o concurso, mas isso será com os nossos amigos advogados.
Texto escrito em Abril de 2008:
O projecto da ponte da RAVE para a travessia do Tejo
Um belo exemplo de uma travessia oblíqua, neste caso em relação à direcção do vector dominante da velocidade da água no estuário, e por isso uma boa solução para, em linha tipo raguebi, cada pilar reter a sua porção de areia em fases diferentes do escoamento do fluido.
Vitruvius, com a sua mania de apontar proas a montante, nas bases dos pilares, não teria aprovado, por rigidamente apegado à ultrapassada teoria de que o caminho mais curto entre duas margens é um segmento de recta ou de ortodromia.
Mas Vitruvius nunca utilizou um vão de 500 metros quase 600, nem beneficiou da inovação que agora incensamos.
É comovente a homenagem que os técnicos da RAVE prepararam à cultura e à educação: o tabuleiro de ligação à margem norte, sobre a Calçada do Grilo, vai projectar a sua sombra protectora sobre o mimoso convento e assim prolongar o tempo de vida das suas pedras e dos ligantes destas; questiono-me quanto teria o ministério da Cultura de desembolsar para construir uma protecção térmica tão eficaz como o tabuleiro; igualmente o ministério da Educação vai ser liberto dos encargos que a continuidade de uma escola profissional como a Afonso Domingues lhe acarretaria ao orçamento, especialmente aqueles laboratórios de máquinas eléctricas; mantê-los a funcionar era um sorvedouro; Afonso Domingues, absorto nas suas abóbadas e refractário também à inovação, seguiria talvez Vitruvius e não aprovaria; do outro lado do rio, no Barreiro, Alvaro Velho do roteiro da viagem de Vasco da Gama, inclinar-se-á cordato perante a destruição da sua escola preparatória - mais uma economia para o ministério da Educação - a expansão da via rápida até à nova ponte, e a escolha de um nome mais ilustre do que o seu, de barreirense humilde e piloto sabedor, para a baptizar.
Tomando o primeiro pilar da projectada ponte, do lado do Convento do Beato, vê-lo-emos erguer-se (o pilar) como a torre de Akbar sobre o casario de Barcelona ou a torre do Colombo sobre a cumeada de Monsanto, o sol reflectindo-se nos tirantes, como fiapos do líquido espargido pela emergência vigorosa acima do rio, em inovador, porque em sentido inverso, ritual de fecundidade.
Será um apelo gerador para mais uma Manhattan de Cacilhas e umas torres Siza em Alcantara, a infeliz, se as tiver.
Só precisamos de escolher um local para miradouro, como se assistissemos a um fogo de artifício.
Duzentos metros acima da superficie do rio, sobranceiro como o ultimo andar de um prédio de 67 andares (2 Sheratons), o pico do segundo pilar acena-nos, acima do campanário da igreja de Santo Estevão e encostadinho à base da cúpula de Santa Engrácia, a nós, que a 3100 metros de distancia, nas Portas do Sol, o reverenciamos como em Stonehenge, elevando o nosso olhar segundo um angulo de 2,5º.
Viva a inovação, de portas do sol, por viradas ao sol nascente, passemos a chamar-lhes portas do pilar a espreitar ao longe.
Madrid já tem as portas do sol; não tem nenhumas portas do pilar, teria quando muito umas portas da Pilar.
Com a inovação ganhemos vantagens competitivas por comparação com Madrid.
Mas não nos iludamos, o Homem e a Mulher (escolhida a ordem alfabética) são a medida de todas as coisas, apesar do fracasso, pelo menos até agora, dos falanstérios pitagóricos; e aquele pilar vai ser de geometria variável: para uns cresce, cresce, cresce, e quanto mais afastado das portas abertas ao sol melhor.
Para outros o pilar mingua, mingua, mingua, e mal se notará (realmente, nas portas do sol não se notará; agora no Poço do Bispo...).
Vivamos todos para ver
PS em 2010-06-07 - Segundo o sítio da RAVE, em http://www.rave.pt/tabid/347/Default.aspx a altura do tabuleiro à água será de 62m. Duvido que seja a altura livre ao nível médio das águas, que julgo ser da ordem de 47m, não tendo enconttrado no sítio da RAVE elementos suficientes. Pessoalmente penso que deveria ter uma altura livre um pouco maior.
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Duzentos metros acima da superficie do rio, sobranceiro como o ultimo andar de um prédio de 67 andares (2 Sheratons), o pico do segundo pilar acena-nos, acima do campanário da igreja de Santo Estevão e encostadinho à base da cúpula de Santa Engrácia, a nós, que a 3100 metros de distancia, nas Portas do Sol, o reverenciamos como em Stonehenge, elevando o nosso olhar segundo um angulo de 2,5º.
Viva a inovação, de portas do sol, por viradas ao sol nascente, passemos a chamar-lhes portas do pilar a espreitar ao longe.
Madrid já tem as portas do sol; não tem nenhumas portas do pilar, teria quando muito umas portas da Pilar.
Com a inovação ganhemos vantagens competitivas por comparação com Madrid.
Mas não nos iludamos, o Homem e a Mulher (escolhida a ordem alfabética) são a medida de todas as coisas, apesar do fracasso, pelo menos até agora, dos falanstérios pitagóricos; e aquele pilar vai ser de geometria variável: para uns cresce, cresce, cresce, e quanto mais afastado das portas abertas ao sol melhor.
Para outros o pilar mingua, mingua, mingua, e mal se notará (realmente, nas portas do sol não se notará; agora no Poço do Bispo...).
Vivamos todos para ver
PS em 2010-06-07 - Segundo o sítio da RAVE, em http://www.rave.pt/tabid/347/Default.aspx a altura do tabuleiro à água será de 62m. Duvido que seja a altura livre ao nível médio das águas, que julgo ser da ordem de 47m, não tendo enconttrado no sítio da RAVE elementos suficientes. Pessoalmente penso que deveria ter uma altura livre um pouco maior.
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Terceira travessia do Tejo
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Europa Galante - Metáfora dos profissionais
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Quando escrevo Europa Galante não é o que poderia pensar-se.
Estou a reportar um concerto de musica barroca na Gulbenkian, pelo conjunto Europa Galante, dirigido por Fábio Biondi.
Sete violinos, duas violas, dois violoncelos, um contrabaixo, uma tiorba (espécie de alaúde), um cravo.
O concerto incluiu peças dos grandes compositores barrocos: Vivaldi, Locatelli, Geminiani, Bach.
Os violinistas e os violas tocaram de pé.
Os instrumentos são de corda de tripa.
Precisam de afinação entre peças.
O som é esganiçado enquanto fazem a afinação.
Mas depois, a um gesto discreto de Fábio Biondi, o solista principal, começam todos ao mesmo tempo (é impressionante o sincronismo, até porque as cordas de tripa são mais ingratas), o volume sonoro do conjunto é modulado de forma contínua e por vezes com grande amplitude de variação, os solistas vão mostrando o seu virtuosismo (aliás, todos tocam com virtuosismo); talvez alguns andamentos sejam acelerados relativamente à ideia original, mas o entusiasmo e a entrega são tais que se for assim é a consequência lógica do que o compositor escreveu; acabam todos em simultaneidade, normalmente depois de mais um crescendo e diminuendo.
Não resisto a tentar uma metáfora.
Aqueles músicos e músicas dedicam a maior parte das suas vidas ao estudo das partituras, à exploração das potencialidades dos instrumentos de época, aos exercícios diários para manter a destreza muscular; viverão imersos naquele mundo do barroco.
Os instrumentos não são os de rendimento máximo porque as cordas são de tripa.
Os compositores não dispuseram de computadores para testar as combinações de sons, os timbres e os acordes.
Foram ignorantes das grandes técnicas de gestão de finanças que conduziram a economia mundial a taxas de crescimento de dois dígitos… e à crise especulativa e de conflito generalizado em que vivemos.
Não dispuseram de aceleradores de partículas nem de microscópios eletrónicos de elevada resolução, nem de ressonâncias magnéticas, nem de programas de computador para apresentações vistosas.
Sentaram-se com os seus instrumentos e fizeram a música.
Qualquer aprendiz de especulador na bolsa pode chegar junto da Europa Galante e dizer: mas que música tão ultrapassada, que instrumentos tão arcaicos, e que esforço tão inglório o vosso que a maioria não vos aprecia.
Quando muito poderá encomendar a músicos de trato mais flexível umas adaptações expeditas para passar em anúncios da televisão, vendendo sabonetes, perfumes ou carros de luxo com o concerto para violino de Bach em fundo, ou as quatro estações de Vivaldi, ou o concerto grosso de Geminiani…
E contudo, aquela música, e a forma como é tocada, são a expressão da capacidade do cérebro humano para produzir, mesmo sem instrumentos adequados à descoberta, peças de arte de valor elevado, do melhor que a humanidade é capaz.
A metáfora é :
cada um na sua profissão, mesmo que não seja iluminado pela publicidade de uma ação de “marketing” de sucesso, pode, como se tocasse na Europa Galante, dedicar-se em profundidade às razões, às causas e às circunstâncias das coisas; pode fazê-lo sem que a maioria e os líderes da comunidade o apreciem, ainda que a intenção fosse a de servir essa maioria; mas pode sentir a música daquilo que fez, isso pode.
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Quando escrevo Europa Galante não é o que poderia pensar-se.
Estou a reportar um concerto de musica barroca na Gulbenkian, pelo conjunto Europa Galante, dirigido por Fábio Biondi.
Sete violinos, duas violas, dois violoncelos, um contrabaixo, uma tiorba (espécie de alaúde), um cravo.
O concerto incluiu peças dos grandes compositores barrocos: Vivaldi, Locatelli, Geminiani, Bach.
Os violinistas e os violas tocaram de pé.
Os instrumentos são de corda de tripa.
Precisam de afinação entre peças.
O som é esganiçado enquanto fazem a afinação.
Mas depois, a um gesto discreto de Fábio Biondi, o solista principal, começam todos ao mesmo tempo (é impressionante o sincronismo, até porque as cordas de tripa são mais ingratas), o volume sonoro do conjunto é modulado de forma contínua e por vezes com grande amplitude de variação, os solistas vão mostrando o seu virtuosismo (aliás, todos tocam com virtuosismo); talvez alguns andamentos sejam acelerados relativamente à ideia original, mas o entusiasmo e a entrega são tais que se for assim é a consequência lógica do que o compositor escreveu; acabam todos em simultaneidade, normalmente depois de mais um crescendo e diminuendo.
Não resisto a tentar uma metáfora.
Aqueles músicos e músicas dedicam a maior parte das suas vidas ao estudo das partituras, à exploração das potencialidades dos instrumentos de época, aos exercícios diários para manter a destreza muscular; viverão imersos naquele mundo do barroco.
Os instrumentos não são os de rendimento máximo porque as cordas são de tripa.
Os compositores não dispuseram de computadores para testar as combinações de sons, os timbres e os acordes.
Foram ignorantes das grandes técnicas de gestão de finanças que conduziram a economia mundial a taxas de crescimento de dois dígitos… e à crise especulativa e de conflito generalizado em que vivemos.
Não dispuseram de aceleradores de partículas nem de microscópios eletrónicos de elevada resolução, nem de ressonâncias magnéticas, nem de programas de computador para apresentações vistosas.
Sentaram-se com os seus instrumentos e fizeram a música.
Qualquer aprendiz de especulador na bolsa pode chegar junto da Europa Galante e dizer: mas que música tão ultrapassada, que instrumentos tão arcaicos, e que esforço tão inglório o vosso que a maioria não vos aprecia.
Quando muito poderá encomendar a músicos de trato mais flexível umas adaptações expeditas para passar em anúncios da televisão, vendendo sabonetes, perfumes ou carros de luxo com o concerto para violino de Bach em fundo, ou as quatro estações de Vivaldi, ou o concerto grosso de Geminiani…
E contudo, aquela música, e a forma como é tocada, são a expressão da capacidade do cérebro humano para produzir, mesmo sem instrumentos adequados à descoberta, peças de arte de valor elevado, do melhor que a humanidade é capaz.
A metáfora é :
cada um na sua profissão, mesmo que não seja iluminado pela publicidade de uma ação de “marketing” de sucesso, pode, como se tocasse na Europa Galante, dedicar-se em profundidade às razões, às causas e às circunstâncias das coisas; pode fazê-lo sem que a maioria e os líderes da comunidade o apreciem, ainda que a intenção fosse a de servir essa maioria; mas pode sentir a música daquilo que fez, isso pode.
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Musica barroca
Olá, Pirandello, veio visitar-me?
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Hesito um pouco antes de abrir a porta do meu gabinete, detendo a mão no manípulo.
Será que, ao entrar, vou ver-me a mim próprio, sentado à minha secretária?
Estarei a despachar assuntos, teclando no programa de gestão de documentos, ou trocando impressões com algum dos meus colaboradores, ou , o que seria muito melhor, com uma das jovens colegas dos recursos humanos?
Vem-me ao pensamento a frase de Pirandello: “algures, pode ser que alguém viva o que julga viver, mas aqui por onde andamos, ninguém habita realmente o corpo que os outros vêem.”
Abro a porta, o gabinete está vazio.
Não estava sentado à minha secretária.
Pirandello também não.
Não se concretizou a visita.
Pelo menos assim parece.
Sento-me e escrevo isto.
Mas terá ficado escrito?
Terá sido lido?
Não estou seguro.
Tudo isto a propósito de uma peça de Pirandello:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=369678&visual=26&rss=0
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Hesito um pouco antes de abrir a porta do meu gabinete, detendo a mão no manípulo.
Será que, ao entrar, vou ver-me a mim próprio, sentado à minha secretária?
Estarei a despachar assuntos, teclando no programa de gestão de documentos, ou trocando impressões com algum dos meus colaboradores, ou , o que seria muito melhor, com uma das jovens colegas dos recursos humanos?
Vem-me ao pensamento a frase de Pirandello: “algures, pode ser que alguém viva o que julga viver, mas aqui por onde andamos, ninguém habita realmente o corpo que os outros vêem.”
Abro a porta, o gabinete está vazio.
Não estava sentado à minha secretária.
Pirandello também não.
Não se concretizou a visita.
Pelo menos assim parece.
Sento-me e escrevo isto.
Mas terá ficado escrito?
Terá sido lido?
Não estou seguro.
Tudo isto a propósito de uma peça de Pirandello:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=369678&visual=26&rss=0
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Make love, not war – Reflexão na leitura de uma bula
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Leio pacientemente a bula do Benestan (Alfuzosina) que o afável clínico me receitou para combater a HPB (hipertrofia prostática benigna).
Aprendo o que é um bloqueante alfa 1 dos recetores da adrenalina nos músculos.
A adrenalina força a contração dos músculos garantindo a energia para responder às necessidades de esforços físicos ou mentais (mesmo que o organismo não tenha capacidade para suportar o dispêndio dessa energia).
Músculos contraídos também contraem as artérias e surge a hipertensão.
Despejando a alfuzosina na circulação sanguínea, os seus componentes comportam-se como inibidores da adrenalina à chegada aos músculos e as artérias relaxam, evitando a hipertensão; e também relaxam as tubagens que asseguram a circulação dos outros líquidos e fluidos vitais.
Ah! Agora compreendo a relação entre a investigação dos novos medicamentos anti-hipertensores e o florescimento do mercado do sildenafil, tadalafil e vardenafil inibidores da fosfodiesterase PDE5.
E tento estabelecer correlações.
Se a adrenalina é necessária aos grandes generais, aos grandes políticos, aos grandes chefes religiosos, aos grandes empresários, para que tenham energia para impor o modelo a seguir pelos mortais comuns, isso quer dizer que todas as artérias e veias, as principais e as de distribuição epidérmica, e as vias de fluidos dos senhores em causa estão contraídas, sob pressão muscular.
Não poderão portanto tais líderes carismáticos mostrar indicadores normais das funções dos respetivos aparelhos afetados por essa compressão, pelo menos enquanto estiverem profundamente envolvidos nas suas guerras.
E precisarão de um período refratário, longe da guerra, para retomarem os valores normais desses indicadores.
Talvez que nestes tormentosos tempos de economia controversa as linhas de orientação devessem passar menos pelo conflito do que pela paz, pela compreensão e pela capacidade de concessão.
Talvez não seja o melhor caminho impor modelos, porque a imposição gera o espírito da guerra.
Nem parecerá grande coisa ser-se apresentado por qualquer meio de comunicação social como um grande triunfador ou um caso de sucesso conseguido após grandes lutas.
E ganha assim um novo valor, agora fundamentado na investigação químico-farmacèutica, a velhinha expressão “Make love, not war”, afinal porque, parece, quem faz a guerra não pode fazer o amor.
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Leio pacientemente a bula do Benestan (Alfuzosina) que o afável clínico me receitou para combater a HPB (hipertrofia prostática benigna).
Aprendo o que é um bloqueante alfa 1 dos recetores da adrenalina nos músculos.
A adrenalina força a contração dos músculos garantindo a energia para responder às necessidades de esforços físicos ou mentais (mesmo que o organismo não tenha capacidade para suportar o dispêndio dessa energia).
Músculos contraídos também contraem as artérias e surge a hipertensão.
Despejando a alfuzosina na circulação sanguínea, os seus componentes comportam-se como inibidores da adrenalina à chegada aos músculos e as artérias relaxam, evitando a hipertensão; e também relaxam as tubagens que asseguram a circulação dos outros líquidos e fluidos vitais.
Ah! Agora compreendo a relação entre a investigação dos novos medicamentos anti-hipertensores e o florescimento do mercado do sildenafil, tadalafil e vardenafil inibidores da fosfodiesterase PDE5.
E tento estabelecer correlações.
Se a adrenalina é necessária aos grandes generais, aos grandes políticos, aos grandes chefes religiosos, aos grandes empresários, para que tenham energia para impor o modelo a seguir pelos mortais comuns, isso quer dizer que todas as artérias e veias, as principais e as de distribuição epidérmica, e as vias de fluidos dos senhores em causa estão contraídas, sob pressão muscular.
Não poderão portanto tais líderes carismáticos mostrar indicadores normais das funções dos respetivos aparelhos afetados por essa compressão, pelo menos enquanto estiverem profundamente envolvidos nas suas guerras.
E precisarão de um período refratário, longe da guerra, para retomarem os valores normais desses indicadores.
Talvez que nestes tormentosos tempos de economia controversa as linhas de orientação devessem passar menos pelo conflito do que pela paz, pela compreensão e pela capacidade de concessão.
Talvez não seja o melhor caminho impor modelos, porque a imposição gera o espírito da guerra.
Nem parecerá grande coisa ser-se apresentado por qualquer meio de comunicação social como um grande triunfador ou um caso de sucesso conseguido após grandes lutas.
E ganha assim um novo valor, agora fundamentado na investigação químico-farmacèutica, a velhinha expressão “Make love, not war”, afinal porque, parece, quem faz a guerra não pode fazer o amor.
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anti-hipertensor bloqueante alfa1
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Very fast post in blog – 19. A comunidade aguarda
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Esclarecendo o post com o mesmo título de 2010-05-11, informa-se que, por declaração do senhor secretário de estado, o Plano estratégico de transportes atualizado será apresentado na primeira semana de Junho de 2010. A comunidade, embora pouco tenha colaborado na referida atualização (a menos da apresentação dos planos de atividade dos respetivos setores), aguarda.
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Esclarecendo o post com o mesmo título de 2010-05-11, informa-se que, por declaração do senhor secretário de estado, o Plano estratégico de transportes atualizado será apresentado na primeira semana de Junho de 2010. A comunidade, embora pouco tenha colaborado na referida atualização (a menos da apresentação dos planos de atividade dos respetivos setores), aguarda.
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