domingo, 13 de junho de 2010

Ruinas 3 - Carnide






Salvo melhor opinião, a reabilitação urbana deverá ser uma estratégia da cidade.
Para a sua operacionalização não parece ser possível contar com o funcionamento do mercado (algumas vezes até se poderia deitar abaixo, mas outras não  - não devia haver coragem para deitar abaixo aquelas combinações de formas dos pequenos montes agrícolas de Carnide).
E é requerida a participação de especialidades muito diversas, desde as de construção civil, ao urbanismo, transportes, organização jurídica, sociologia, assistencia social, etc. (tantos jovens licenciados à espera de oportunidades...).
Também o método da revelação recebida por detentores da verdade não parece ser o melhor.
Sugiro os métodos da Sabedoria das Multidões, com debate alargado (mas cuidado, não chega anunciar nos jornais a realização de sessões abertas aos cidadãos; essas sessões são apenas a oportunidade para os detentores da verdade revelada comunicarem as suas excelsas opiniões).


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sábado, 12 de junho de 2010

Segurança em tons suaves

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1 – o centro comercial Colombo teve de realizar várias intervenções numa das suas coberturas por motivo de drenagem deficiente. Tem esta estrutura em comum com as estruturas de algumas transportadoras públicas a abertura apressada ao público, obrigando a posteriores obras de conclusão ou de correção.
A última intervenção na cobertura implicou o transporte de uma pequena retro-escavadora para o telhado. Por acaso assisti à sua descida. O encarregado acorreu pressuroso a ajudar a depositá-la no chão, suspensa que estava por correntes de uma grua. Usava o colete refletor e botas de biqueira protegida, mas tinha óculos normais, não protegidos, e ausência absoluta de capacete. Chamei a atenção da simpática técnica de segurança, que, de capacete, acompanhava a obra. Arrependi-me de o ter feito, porque, pela resposta, parece-me que da próxima vez a cena vai repetir-se.
2 – a noite de Junho ainda está fresca e um grupo de jovens conversa animadamente à volta de uma fogueira, numa zona arborizada do parque primeiro de Maio do INATEL, em Alvalade. Vou a aproximar-me da rede para perguntar se há extintores por perto ou se avisaram os bombeiros. Tenho na memória o incêndio trágico originado num acampamento de escuteiros em Espanha há uns anos. O que estão a fazer é ilegal se não avisaram os bombeiros. Vem-me à ideia a resposta inócua da técnica de segurança do Colombo. Sinto-me cansado. Desisto. Desisto também de fazer uma chamada para os bombeiros. Sinto-me deslocado nesta sociedade. Cansa remar contra a maré. Pescadores sem rádio VHF, sem baliza de referenciação automática, sem colete de segurança nem combinação flutuante, sem aproveitamento no curso de segurança (eu sei que não há dinheiro, mas nem uma subscrição pública é tentada). Será defeito meu.
E não posso deixar de recordar a afirmação de Manuel Maria Carrilho:
“Vivemos assim, mas não devíamos”.




jovens descansam ao lado de um aviso de perigo de queda de pedras das falésias  (foto do DN)





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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Securitarium V – O silêncio, não dos inocentes, mas dos arguidos

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No dia 4 de Junho de 2010 escrevi, a propósito do fecho cego de escolas::

“A indignação impede-me de estar calado.
O atual ministério da Educação prossegue a ação destruidora dos anteriores ministérios.”

Saindo do campo da Educação, entrando no campo do Ministério da Administração Interna, as notícias continuam depressoras.
Leio agora no DN um artigo do professor de direito Paulo Pinto de Albuquerque:
- o atual Código de Direito Penal permite a um arguido, que se cale em tribunal, ser posto em liberdade apesar de antes ter confessado o crime a um juiz de instrução.
É o direito de um acusado ser protegido contra espancamentos em interrogatórios (embora o poder judicial tenha meios para controlar os interrogatórios, o facto é que o poder legislativo não está interessado em corrigir a lei – é depressor).
E continuam a surgir casos de libertação de arguidos por falta de provas (?!?!?).
Dir-se-ia que bastaria “obrigar” o arguido a responder se sim ou não a confissão era verdadeira.
Se sim, está resolvido;
se não, há contradição das declarações do arguido em instantes diferentes e a própria lei admite neste caso a confissão;
se o arguido opta pelo silencio, dir-se-ia que se podia condená-lo por desrespeito com uma pena equivalente à do crime cometido (não pode? Onde está escrito? desrespeitar um tribunal e toda uma sociedade que com esta lei se sente desprotegida não é crime grave?). E onde está a deontologia de um advogado que aconselha o seu cliente a estar calado?
Por outras palavras:
- o criminoso tem os seus direitos e a vítima não.
Como não tenciono ser criminoso, sei o que me espera se for vítima.
Saímos da lógica do real e vivemos um surrealismo puro.
Ou talvez não seja surrealismo, seja apenas um irregular funcionamento das instituições que, salvo melhor opinião, não tem nada que ver com crise financeira (a menos que queiram poupar nas contas das prisões; mas nesse caso, porque não fazer “outsourcing” com elas?)
Depois não estranhem as afirmações do comandante da GNR de Coimbra, pelos vistos uma voz lúcida.
Não estranhem (estranhem é se a criminalide baixar com esta lei).



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A patrulha marítima




Explicação desta gravura : um barco semi-rígido da Marinha percorre a zona da frente de água das praias do sotavento do Algarve.
Por isso não se vêem como habitualmente as pequenas traineiras de Ayamonte e de Huelva arrastando as suas redes para capturar as conquilhas.
As conquilhas precisam de 2 anos para atingirem o tamanho adulto, mas o massacre prossegue sempre que possível, com o apoio participativo dos banhistas na maré baixa.
As pequenas traineiras trazem sempre os seus rádios ligados. Servem para se avisarem mutuamente da aproximação da patrulha, que é rara; mas também são um meio de salvamento, para que não aconteça aos pescadores espanhois o que acontece aos pescadores portugueses, morrer na praia (por falta de meios de telecomunicações e por falta de coletes de segurança).
Talvez que a patrulha esteja integrada nas ações de melhoria das praias do Algarve, para reter os banhistas portugueses e para reforço dos meios de salvamento, considerando que este ano  já morreu muita gente nas praias de Portugal.
Infelizmente, nestes primeiros dias, o tempo está fresco e pouco convidativo.
Há anos atrás, as patrulhas eram feitas por corvetas; agora são semi-rígidos.
A ver se as patrulhas vão continuar (dir-se-ia que o normal seria a capitania do porto fixar uma quantidade autorizada para profissionais credenciados apanharem conquilhas, a pé, na maré baixa, mas ignoro se a patrulha serve para fiscalizar isso).





                                                  a frota da Polícia Marítima na doca de Vila Real de Santo António


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terça-feira, 8 de junho de 2010

O almirante vermelho

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O almirante Rosa Coutinho era meu vizinho, numa rua ao lado da minha.
Por mais de uma vez calhou, eu, de automóvel, parar na passadeira de peões para ele passar, com o seu boné posto. E ele mandava-me avançar e eu tinha de lhe dizer que não, que primeiro passa o senhor almirante e depois passo eu. E como eu sou muito teimoso e nestes casos ligo pouco às pressas de quem vem atrás, ele lá me fazia a vontade.
Já há uns tempos que não o via.
De modo que me sinto obrigado a citar os senhores coroneis Vasco Lourenço e Sousa e Castro, que poderão ser acusados de tudo, menos de adeptos do Partido Comunista.
Foram muito claros, os dois, a confirmar que o almirante era de esquerda mas não esteve nunca "colado" ao partido comunista.
E que:
"Rosa Coutinho é, porventura, o militar de Abril mais caluniado, sobre quem inventaram uma série de falsidades, conseguindo criar-lhe uma imagem muito distorcida, principalmente na sua acção em Angola, onde Rosa Coutinho se portou sempre como Português e nunca como agente ao serviço de qualquer potência estrangeira"

(ver em  http://www.aventar.eu/2010/06/07/almirante-rosa-coutinho-testemunho-de-vasco-lourenco/).

Mas deixem-me escrever vermelho, e deixem-me acreditar no DN, quando diz que nem a presidencia da republica nem o gabinete do primeiro ministro emitiram uma nota de condolencias sobre o antigo membro da junta de salvação nacional e governador de Angola.
Porque quero recordar uma afirmação dele, engenheiro hidrográfico e por isso pouco dado a eufemismos e argumentações florentinas, quando disse para os jornalistas que o quiseram ouvir, na sua interpretação da promiscuidade e das ligações do poder económico ao poder político, que eles, os que detêm os cargos do poder político, são normalmente uns "paus mandados" do poder económico.
Ainda bem que não houve mensagens de condolências; assim não houve hipocrisia.
Mas pode ser que um dia sejam aprovados os impostos sobre os lucros da banca, mesmo que os taxados fujam (para onde? para países com taxas maiores?).
Pode ser.
E aí está por que eu parava sempre para o almirante passar primeiro, com o seu boné posto.


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Educação XIII - os cálculos do fecho das pequenas escolas

Nota: os cálculos seguintes não são complexos; aliás, para eu próprio os fazer, não poderiam ser complexos; são também extensos; será um desafio ao leitor porque, depois de os seguir, poderá responder a um dilema simples: tenho os cálculos errados (ou assentes em dados insuficientes), ou os argumentos que lemos na comunicação social sobre o fecho das escolas com menos de 20 alunos constituem um objetivo engano aos cidadãos?


Seja um distrito escolar de topologia semelhante ao do problema da economia dos supermercados posto no blogue em 2010-01-02.
Seja A a povoação principal do distrito com:
20.000 habitantes
1.000 alunos de instrução primária (5% da população)
1 escola
50 turmas (20 alunos/turma)
67 professores (15 alunos/professor)
10 funcionários (5 turmas/funcionário)
5 administrativos

Seja AB um troço de auto-estrada de 20 km e C e D duas povoações rurais equidistantes 5 km de B e em que, em cada uma delas, existem:

200 habitantes
10 alunos
1 escola
1 turma
1 professor
2 funcionários

Temos que este distrito escolar tem ao todo:

20.400 habitantes
1.020 alunos
3 escolas
69 professores
14 funcionários
5 administrativos

Suponhamos agora que do exterior do distrito vem uma ordem de reorganização das escolas, fechando as duas pequenas escolas e enviando as crianças das duas povoações rurais para a escola da grande povoação.
Teremos então nesta única escola:

1.020 alunos
51 turmas (20 alunos/turma)
68 professores (15 alunos/professor)
11 funcionários (5 turmas/funcionário)
5 administrativos

Temos assim que a medida de “racionalização” permitiu a poupança de 1 professor e 3 funcionários.
Do outro lado da balança temos, excluindo preocupações pelo bem estar das populações (benefício da proximidade das crianças relativamente às famílias; benefício do estímulo ao emprego e às trocas nas pequenas povoações) o aumento de custo de transportes das crianças.
Admitindo que os 20 alunos das pequenas povoações têm de percorrer 2 vezes 25 km por dia, teremos 20x2x25 = 1000 alunos.km por dia.
Considerando 1 carrinha por 10 alunos, teremos um consumo diário de 0,08x1000/10 = 8 litros de combustível por dia, e, para 160 dias por ano, 1280 litros por ano (cerca de 1300 euro por ano).
Qualquer gestor com o ciclo básico concluirá então que a economia dos encargos remuneratórios de um professor e de 3 funcionários compensa amplamente os custos com combustível. Vamos complicar um pouco: cada carrinha faz um total de 2.000 km por mês, incluindo outros serviços, ficando cada km por 4,2 euros (3 euro para amortização em 6 anos, 0,2 euro para manutenção por km e 1 euro por km de lucro) .
Logo, os custos de transporte serão 100km x 160 dias x 4,2 euro/km = 67.200 euro
(e já agora, 16.000 x 0,2 = 3200 Kg de CO2 por ano)
Ainda assim, continua a não compensar pagar os ordenados ao professor e aos três funcionários (a menos que lhes baixássemos ainda mais os salários); então vamos mesmo fechar as 2 escolinhas das duas pequenas povoações.
Aliás o mais certo era os professores não serem da terra e todos os fins de semana andarem a gastar combustível nas deslocações, o que deveria deduzir-se daquele valor de 67.200 euro.
Isso, é benzinho fechar as escolinhas.
Faz lembrar daquela vez em que uma douta comissão mandou fechar as maternidades porque a taxa de mortalidade era muito grande quando nasciam menos de 500 bébés por ano (lá está outra correlação, entre o número de nascimentos e a taxa de mortalidade).
Esqueceu-se a douta comissão de que em hora de engarrafamento não havia acesso às maternidades centrais, e muito menos em dias de tempestade (é natural que dadas as doutas especialidades da douta comissão nunca tivessem ouvido falar em análise de riscos).
E para cúmulo, perguntado o douto presidente da comissão se já tinham comprado as ambulâncias para o “esquema”, foi respondido que “isso” era com outra comissão (sabe-se a frequência com que os bombeiros servem de parteiros nas estradas).
Julio Cesar, que reportou que os lusitanos não sabem governar-se nem deixam que os governem, nos perdoe a todos.

Mas voltemos aos cálculos.

Seja 470.000 o número de alunos do 1º ciclo em 3200 escolas deste nosso país abandonado (o adjetivo “abandonado” significa, aqui, desertificado no interior do país e no interior dos limites do município de Lisboa).
Admitindo neste momento que 3,5% dos alunos frequentam 900 escolas com menos de 20 alunos, isso quer dizer que em povoações com população suficiente, existirão 453550 alunos, enquanto em pequenas povoações existirão 16450 alunos.
Mantendo as relações acima (20 alunos/turma; 15 alunos/professor; 5 turmas/funcionário; 5 administrativos/escola), teremos nas povoações com população suficiente:

453550 alunos
9.650.000 habitantes
2300 escolas
22678 turmas
30237 professores
4535 funcionários
460 administrativos

E nas pequenas povoações:

16450 alunos
350000 habitantes
900 escolas
900 turmas
900 professores (desprezando reservas para substituição como no anterior caso)
1800 funcionários

Temos assim que neste nosso país teremos

470.000 alunos
10.000.000 habitantes
3200 escolas
23578 turmas
31137 professores
6335 funcionários
460 administrativos

Suponhamos agora que de Lisboa vem a confirmação da ordem de fecho das pequenas escolas, enviando as crianças das pequenas povoações rurais para as escolas das grandes povoações.
Teremos então nesta esquema, mantendo as relações:

470.000 alunos
10.000.000 habitantes
2300 escolas
23500 turmas
31333 professores
4700 funcionários
460 administrativos

Isto é, a “racionalização” do fecho das escolas prometeu uma economia de:
900 escolas (não é linear esta vantagem, uma vez que o afluxo de novos alunos às escolas exigem obras para a sua adaptação)
1635 funcionários
E um agravamento de:
196 professores (porque passou a aplicar-se a taxa de 1 professor para 15 alunos, para não fazer mentirosas, no sentido que Fernão Lopes dava ao termo, das pessoas que justificaram a medida com a melhoria das condições de ensino; ou então, como os valores acima de 3200 escolas, 470.000 alunos e 3,5% de alunos em escolas com menos de 20 alunos são números oficiais, talvez que a média de alunos por pequena escola seja mesmo superior a 15; ou então há mais do que um professor por pequena escola; ou …)

A estes benefícios decorrentes do fecho vamos somar os custos de combustível adicionais, relativamente à situação anterior (habitação média a 25 km da escola da grande povoação):
16450 alunos x 2 x 25 km x 160 dias = 13,6 milhões de alunos.km
ou:
900 (escolas fechadas) x 2x25 kmx160 dias = 7,2 milhões de km
ou:
7.200.000 km x 0,2 Kg CO2/km = 1440 ton CO2/ano
ou:
900 (escolas fechadas) x 2x25 kmx160 dias x 0,08 litros/km = 576.000 litros de combustível
ou:
7.200.000 km x 4,2 euro/km = 30,24 milhões de euro por ano

Dividindo este valor por 1635-196 = 1439 (número de funcionários e professores poupados) obteremos 21.015 euro por ano, que seriam os encargos remuneratórios por ano e por pessoa acima dos quais se justificaria, dum ponto de vista exclusivamente económico, o fecho das 900 escolas.

Mas enfim, serão discutíveis os pressupostos , embora eu fique na dúvida se serão os meus ou os dos proponentes do fecho, ou ambas as hipóteses.

Comentário final:

Ainda há bem pouco tempo se lia nos jornais, tão disponíveis para apoiar as políticas dos ministérios da Educação, que uma boa medida seria o mesmo professor dar várias disciplinas já no 2º ciclo (idades de 10 a 15 anos). Agora os mesmos meios anunciam como vantagem do fecho das escolas os meninos terem professores especializados nas disciplinas.
É apenas, para além de intoxicação informativa, um exemplo de falso problema. É fácil, havendo vontade e capacidade de organização, compensar a deficiente preparação dos professores (os mais jovens já eles próprios vítimas das políticas dos anteriores ministérios burocratizados e adeptos das alegrias e das facilidades da aprendizagem). Existem os meios televisivos e existem métodos de instrução privilegiando a definição e programação exaustivas dos programas e a sua execução quase automática (ver as referências ao método DI – Direct Instruction System for Teaching Arithmetic and Reading, de Zig Engelmann e seus seguidores, posto anteriormente neste blogue.
Considerar ainda uma questão extremamente importante. A realidade nacional é a de que grande percentagem de alunos necessita de escolas de ensino especial, com métodos próprios e professores especializados, fora do sistema normal de educação. Infelizmente assiste-se ao fecho dessas escolas, fundamentalmente vocacionadas para ensino profissional aplicado. Possivelmente para ocultar maus indicadores de reprovações (retenção).
Acho que ainda hei-de voltar à questão do ensino especial.

Enfim, como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim, mas não devíamos”.


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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Securitarium IV - os direitos das vítimas e o direito à segurança

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O tema é um dos que dão o caráter depressor às edições do DN de 3 e 4 de Junho de 2010.
Cito o comandante da GNR de Coimbra: “(existem) acentuadas desproporções entre os direitos das vítimas e o catálogo dos infindáveis direitos dilatórios dos agressores”.
Por outras palavras, as pessoas de bem são vítimas, mas os agressores encontram proteção na lei .
Do ponto de vista do direito romano, dir-se-ia que as leis devem existir, mas não para os agressores; a igualdade de direitos não deve ser invocada se dela resultar prejuízo para as vítimas inocentes.
Do ponto de vista da teoria económica, dir-se-á que a lei protetora dos agressores é uma externalidade que prejudica as suas vítimas (as vítimas não contribuíram para essa lei; os governos mantêm-se insensíveis aos protestos das vítimas, logo, é uma externalidade); ou que o equilíbrio de Pareto (recomendaram-me há dias um livro, “O prisioneiro, o amante e a sereia”; o equilíbrio de Pareto vem lá descrito) acaba quando se aplica a lei para proteger os agressores.
Por outras palavras, devia estar escrito em qualquer sítio, e haver a certeza que todos os candidatos a agressores o lessem, que agredir é proibido.
Havendo dúvidas sobre o que é uma agressão mental, pelo menos não há sobre o que é uma agressão física.
E onde podemos ver isso escrito?
A lei devia estar escrita em linguagem acessível.
E o comandante da GNR de Coimbra sabe mais disso do que os doutores que nunca conseguiram escrever uma lei assim.
Mas não parece considerarem o seu parecer.
Continuo a citar o comandante, sobre as agressões aos polícias: “é o próprio Estado que, no símbolo de uma farda, é agredido”.
Dramatização?
Talvez.
E como cereja em cima do bolo, a propósito do desalojamento do seu quartel: “entrámos diretamente no altar dos sacrifícios da venda de património para diminuição do défice público”.
Isto é, apesar de tudo, ainda vai havendo quem chame as coisas pelo nome.
Pouco se ganhará com isso, mas as coisas ficam ditas.
E no fundo, qualquer cidadão sabe o que significa, na sua vida particular, vender os anéis, vender o património, dar prioridade aos valores económicos quando comparados com os valores defendidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, um dos quais é o direito à paz e segurança, e outro o direito a uma justiça rápida.

Como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim – mas não devíamos”.


Mas, a propósito do direito à segurança, deixem-me transmitir-lhes o que o meu amigo me contou:
1 – uma vez por semana janta no Paço da Rainha, ali ao pé do Campo dos Mártires da Pátria; partiram-lhe o vidro do carro e roubaram um X-ato partido, uns óculos de sol desconchavados e uma esferográfica de oferta publicitária; não é grave; ou melhor, é apenas um indicador de uma grave doença social com origens conhecidas (poupem-me a lenga-lenga: insucesso escolar, desemprego, desorganização da estrutura social e produtiva, etc., etc.)
2 – a senhora a dias que lhe faz a limpeza de casa tem um filho que é motorista da Carris. São cabo-verdianos e moram na Amadora. Um vizinho desceu do 4º andar, entrou-lhes em casa, agrediu o moço e atirou-o do 3º andar para o quintal; depois atirou-se ele próprio; estão os dois no hospital, duvidando-se que o moço possa continuar a ser motorista da Carris. O que me interessa destacar: a polícia disse que o agressor já estava “referenciado”. Até por causa das declarações que transcrevi do comandante da GNR, não é a polícia que culpo. A polícia fez o que o médico faz: diagnosticou; se o doente não se tratar, as coisas acabam mal. Não há assistentes sociais porque o Estado tem de reduzir a despesa pública, não há tratamento psiquiátrico ao agressor porque o Estado tem de reduzir a despesa pública, as condições de habitação são insalubres porque o Estado tem de reduzir a despesa pública.
Custa a acreditar. Com tantos gestores da res pública tão competentes, com tantos comentadores e analistas políticos tão perspicazes, com tantos empreendedores e bancários de sucesso, custa a acreditar como chegámos aqui, como não nos soubemos organizar para evitar esta depressão.
Mas é um facto, não nos soubemos organizar.

Como diz Manuel Maria Carrilho, “vivemos assim – mas não devíamos”.

Art.3º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Este artigo é incompatível com a liberdade dos agressores, isto é, com crimes de direito comum, nos termos do art.29º.




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domingo, 6 de junho de 2010

A ponte de Brisbane




A ponte de Brisbane é uma estrutura metálica iniciada em 1935 e inaugurada em 1940.
Tem a particularidade de a sua construção ter sido decidida em plena grande depressão como parte integrante do programa de investimento público para ajudar a combater o desemprego local.
A incorporação local, do estado de Queensland, foi de 89%.
Embora possa haver variáveis diferentes, se o PIB é igual à soma do consumo e investimento privados, mais o investimento e despesa públicos, mais as exportações e menos as importações, então resulta que investir numa boa ponte, desde que as exportações “vençam” as importações, parece ser uma boa ideia.
Mesmo sem considerarmos o combate ao desemprego.
Se o fizermos, através duma análise custos-benefícios teremos poupanças no valor dos malefícios do desemprego (criminalidade, mal-estar da comunidade) e dos benefícios do estímulo da economia , o que também parece vantajoso.
Mas parece essencial obter uma boa incorporação nacional.

Isto a propósito da questão da terceira travessia do Tejo e de ter encontrado o sítio da RAVE renovado, com alguma informação importante e preocupação em esclarecer as questões.

http://www.ouve-semuitacoisa.com/?utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign=rave

Seria ótimo que a RAVE não o fizesse apenas pela necessidade de obter o apoio da opinião pública e que abandonasse as demonstrações de sobranceria e de prepotência anteriormente evidenciadas (veja-se a forma como tratou os opositores no programa prós e contras de Abril de 2008 e como colocou a comunidade dos transportes perante os factos consumado da localização da estação central do TGV e do contrato com o arquiteto da Gare do Oriente por ajuste direto). Isto é, que as decisões passassem a ser previamente e amplamente debatidas.
Retiro do sítio a informação de que os fundos comunitários para todo o empreendimento TGV são da ordem de 12% dos custos totais. Pessoalmente parece-me que deveria ser aumentado.


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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Educação XII - Catilinária contra o fecho das escolas e o facilitismo da passagem do 8º para o 10º ano

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A indignação impede-me de estar calado.
O atual ministério da Educação prossegue a ação destruidora dos anteriores ministérios.
Destruidora é a palavra que se aplica à capacidade da maioria dos cidadãos do futuro, que agora são crianças, apreenderem as causas e as circunstancias das coisas do que lhes diz respeito.
E isso acontece porque continua a privilegiar-se:

•   o conceito idealista de Rousseau e de Piaget de centrar o método educativo na criança e no seu prazer na descoberta pela aprendizagem, desprezando a definição concreta dos programas e da sua execução (como diz o prof.Nuno Crato, é a ideologia do “eduquês” executada pelos burocratas das direções gerais invocando pretensiosas inovações)
•  a aplicação de medidas que melhoram indicadores (especialmente económicos ou, sendo educacionais, aqueles que mais facilmente iludam as pessoas e mais se prestam a ser sobrevalorizados pelos escribas laudatórios da comunicação social) sem atender a todos os dados da realidade

O que escrevo não tem nada de político.
É apenas uma apreciação do ponto de vista técnico e de gestão de recursos.

• Do ponto de vista técnico, porque a recolha de dados que se faz não é completa.

Por exemplo, são apresentados powerpoints na Assembleia da Republica mostrando em gráfico a diminuição do insucesso escolar nas escolas primárias desde o fecho das escolas com menos de 10 alunos em 2005.
É verdade, existe uma correlação positiva entre o fecho das escolas com menos de 10 alunos e a diminuição do insucesso escolar.
Mas correlação entre duas variáveis significa que elas se movem no mesmo sentido, não quer dizer que uma cause a outra. O número de incêndios também diminuiu desde 2005 e não podemos dizer que o insucesso escolar diminuiu por ter diminuído o número de incêndios. Além disso, há muitas outras variáveis em jogo e algumas delas sim, influenciam mais fortemente a diminuição do insucesso escolar, como seja o aumento do nível escolar e económico dos pais (por outras palavras, o ambiente económico-social exterior à escola influencia mais fortemente o sucesso escolar do que as melhorias da própria escola; logo, se concentrarmos os esforços naquilo que menos contribui para o objetivo, estamos a desperdiçar, claramente, recursos). Tudo isto se estuda nas primeiras páginas dos manuais de análise estatística e é por isso que escrevo que a minha apreciação é fortemente negativa do ponto de vista técnico.

• Do ponto de vista de gestão de recursos, porque a via deliberada do facilitismo conduz inapelavelmente á desmotivação dos profissionais (os tais professores, de que os seniores já se reformaram, e de que alguns juniores já são vítimas da ação nefasta dos anteriores monistérios).
O que me leva a um grau elevado de indignação é a recente decisão, logo a seguir ao anúncio do fecho das escolas primárias com menos de 20 alunos, de estender aos alunos do 8º ano (antigo 4º ano do liceu) com mais de 15 anos, que reprovaram (agora diz-se que foram retidos) a possibilidade de, mediante a prestação de provas (e como são duvidosos os critérios de dificuldade de algumas provas…) passarem diretamente para o 10º ano.

É uma vergonha de facilitismo.
É dizer que vale zero o esforço de quem dá e de quem vai às aulas.
Ir às aulas é abrir as portas à capacidade de interpretação.

Custa-me ver a senhora ministra, que é uma pessoa de bem e sensível, anunciar estas medidas:

• Porque fechar as escolas com menos de 20 alunos não é combater as causas do insucesso; é comprar a diminuição do insucesso com o sacrifício das crianças que são transportadas para longe de casa e aumentar o abandono das povoações do interior

• Porque facilitar a passagem para o 10º ano de quem foi reprovado ao longo do ano vai permitir melhorar o indicador de retenção de alunos, não vai melhorar a sua capacidade de interpretação
Imagino o sofrimento interior desta senhora, ao defender estas medidas.
Como sei que sofre? Simples – porque numa entrevista, para justificar que os alunos das escolas que fecham iriam ficar melhor, utilizou na mesma frase, por duas vezes, o mesmo adjetivo, aplicado a dois substantivos diferentes: que as salas das escolas maiores eram mais adequadas e que os equipamentos eram mais adequados.
Não eram as palavras e o sentimento dela.
Nem de mim, que indignado estou.

Mas para que não se diga que protesto, critico e nada proponho como alternativa, sugiro que os serviços do ministério e os cidadãos estudem a viabilidade de aplicação:

• Dos ensinamentos retirados dos dados recolhidos pelo departamento federal de educação dos USA a propósito do No child left behind, cujo principal objetivo é reduzir as diferenças entre alunos; ver

http://en.wikipedia.org/wiki/No_Child_Left_Behind_Act


• Do sistema de ensino “Direct Instruction” (DI), baseado na rigorosa definição dos programas, minimizando as deficiências locais, e que, apesar de só estar aplicado em 1% das escolas públicas dos USA, foi avaliado publicamente da seguinte forma: "When the testing was over, students in DI classrooms had placed first in reading, first in math, first in spelling and first in language. No other model came close" ; ver

http://dreamcatcherlearning.com/index.php?option=com_content&view=article&id=3&Itemid=3


http://en.wikipedia.org/wiki/Direct_Instruction

PS - Ah! Fecham-se as escolas do interior por razões financeiras? Sugiro ás entidades competentes o estudo do programa oficial de empréstimos dos USA. Não posso recomendar porque não me debrucei sobre ele (além de não ser especialistas de finanças, claro). Mas sugiro que o estudem:

http://www2.ed.gov/offices/OSFAP/DirectLoan/index.html

E, num âmbito não oficial, será também interessante estudar as soluções para o ensino, privado ou púiblico, desta empresa inglesa:

http://www2.education.co.uk/about-us/


 

 

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Very fast post in blog.20 - Leitura depressora

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Por vários motivos a que espero voltar, achei a leitura do DN de hoje, dia 3 de Junho, profundamente depressora.
Para cúmulo, leio na última página um texto de Manuel Maria Carrilho que me agrava a impressão: refere o conceito de "curto-prazismo", que é a forma primária de tomar decisões que nos deprime como país, e cita um senhor, Emmanuel Todd (L'illusion economique) "O euro pode ser o protecionismo dos imbecis".
Depressor, numa altura em que a iliteracia matemática impede as pessoas de se centrarem nos fatores da fórmula do PIB que mais podem contribuir para o aumento do dito.
Como escreveu Manuel Maria Carrilho, "vivemos assim, mas não devíamos".


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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A minha ignorância , quase no fim do 1º semestre

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Em 29 de Março de 2010 escrevi neste blogue que, segundo os dados disponíveis, o seguinte quadro de distribuição de deslocações pelos modos de transporte, na área metropolitana de Lisboa, seria plausível, não obstante os dados não serem de muita confiança (em milhões de passageiros no ano de 2009):

Carris........................233............16,1%
ML............................165............11,4%
CP.............................95.............6,6%
Fertagus.......................23.............1,6%
Transtejo......................28.............1,9%
Autocarros....................100.............6,9%
TI..............................800............55,4%

Total.........................1444...........100,0%


Hoje, dia 2 de Junho de 2010, quase no fim do primeiro semestre, gostaria de afixar um quadro com os dados do primeiro trimestre de 2010, para tentar perceber tendências.
Há indicadores em variação contínua, como seja o desemprego, o preço dos combustíveis, o consumo ,o investimento, a distribuição do rendimento de cada um pelo diferentes tipos de despesa.
Infelizmente, não disponho de dados para construir o quadro.
Admito que haja órgãos oficiais que os possuam, de confiança, mas não chegou ao meu conhecimento.
Ignoro se por inépcia minha, se por omissão, por parte dos órgãos oficiais, do cumprimento do dever de satisfazer o direito dos cidadãos à informação sobre temas de interesse público.
Ignorância minha, quase no fim do primeiro semestre de 2010.


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terça-feira, 1 de junho de 2010

Carta aberta ao senhor secretário de estado dos transportes

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Exmo Senhor Secretário de Estado dos Transportes


Peço desculpa por me dirigir a VExa.

Faço-o, porque pertenço à comunidade de quem trabalha em transportes, julgando ser legítima a preocupação, como cidadão e nos termos da legislação vigente, de aceder à informação de interesse público sobre a temática dos transportes.

Tendo sido anunciada no princípio de Fevereiro a apresentação “a muito curto prazo” do plano estratégico de transportes atualizado e sobrevindo o agravamento da crise financeira, com o seu cortejo de restrições drásticas nos planos de expansão dos transportes coletivos, é compreensível essa preocupação, aliada à indefinição da aprovação dos orçamentos das ações estratégicas das empresas.

Esperando assim relevada a minha falta, refiro-me em concreto ao caso da anulação do concurso para a Terceira Travessia do Tejo.

Perdoar-me-á que invoque pessoalmente alguns anos de experiência em concursos públicos no âmbito dos transportes públicos. Nunca geri um grande concurso para uma grande empreitada de construção civil. Mas tratei de concursos de equipamentos e sistemas com alguma expressão, se considerarmos a importância que tem a segurança de circulação dos comboios, que era o objeto desses concursos.

E a experiencia que eu adquiri leva-me a pensar que a última coisa que se deva fazer é a anulação de um concurso. Anulá-lo ou, sem o anular, alterar as especificações pedidas, como se verificou no caso dos submarinos.
Anular um concurso tem sempre o risco de, mais tarde, o consórcio perdedor no segundo concurso invocar uma eventual posição vencedora no primeiro concurso, anulado.

Existe ainda o risco de uma auditoria posterior não acolher os argumentos invocados para a anulação do concurso, a saber, de acordo com o novo código de contratação pública: surgimento de circunstâncias imprevistas que impliquem a alteração de peças fundamentais do concurso, ou de circunstâncias supervenientes relativas aos pressupostos da decisão de contratar.

Trata-se do famoso artigo 79 – causas de não adjudicação.
A questão, para tal auditoria, é que não houve circunstâncias imprevistas nem supervenientes, porque quando foi tomada a decisão de contratar, isto é, de lançar o concurso, já se sabia que a economia estava má (estou a recordar-me de uma entrevista do dr Vitor Bento: “Já era conhecido há tempo suficiente que íamos ter de fazer um esforço grande.”), até porque o peso negativo e excessivo das importações no PIB era de há muito insustentável. E porque já se sabia, como o provou o Prós e Contras de 2008, que não estavam bem o pilar norte da TTT nem o perfil longitudinal e a altura do tabuleiro da TTT , por não ter havido consulta técnica ao Instituto Hidrográfico.

Temos então que, à face da lei, se o motivo da não adjudicação é o surgimento de circunstâncias imprevistas que impliquem a alteração de peças fundamentais, então é obrigatório lançar novo concurso dentro de 6 meses (art.80).
Se o motivo foram circunstâncias supervenientes relativas aos pressupostos da decisão de contratar (será que o legislador mediu o grau de subjetividade desta frase?), terá de se extinguir a decisão de contratar.

Então, porque o concurso vai ser relançado dentro de 6 meses, admito que o motivo terá tido origem em circunstâncias imprevistas.

Permito-me sugerir o aproveitamento deste período refratário de 6 meses para refazer o projeto de traçados da ponte e do TGV Lisboa-Poceirão.

Tal como mostrado aos projetistas da RAVE há mais de dois anos num programa Prós e Contras, haverá vantagens em deslocar a ponte para montante, para facilitar o tráfego fluvial e a exploração portuária e reduzir custos: a ponte seria entre o Beato e a base aérea do Montijo, que infelizmente teria de ser desativada e teria menos 1,5 km, correspondendo a uma economia que poderemos estimar em 140 milhões de euros; estou ainda a considerar que as oficinas do TGV ficarão ou em Marvila ou no Poceirão e não como se falou primeiro, no Barreiro; a travessia por Beato-Montijo conduziria ainda a uma economia no percurso Oriente –Poceirão, por Montijo, da ordem de 1 km, o que se poderia estimar em mais uma economia de 14 milhões de euros.

Junto um pequeno esquema topológico, em que podemos ver as posições relativas das principais povoações da margem sul e a rede ferroviária existente, as novas linhas do TGV e suburbanas e de metro ligeiro complementar.
Evidencia-se a ligação ao NAL e as vantagens da ligação Oriente –Poceirão por Montijo/base aérea.

É claro que os projetistas da RAVE argumentarão que, nas acessibilidades e ligações na margem norte, a solução oblíqua da travessia Chelas-Barreiro exigirá menos túneis na margem norte do que a solução Beato – base aérea.
Realmente será verdade, mas porque a localização da estação central foi decidida, na gare do Oriente, unilateralmente e ao arrepio da consideração da área metropolitana de transportes no seu todo.
Igualmente dirão que será preciso fazer uma ponte de 2 km entre o Barreiro e a base área. Porém a contabilização dessa ponte poderá ser objeto de um financiamento de coesão diferente da linha do TGV.


Não foram acolhidas as sugestões da comunidade dos transportes para localização da estação central no vale de Chelas (onde integraria um centro intermodal TGV-linha do norte-suburbanos das margens norte e sul- metropolitano Olaias, mais perto do centro da cidade do que no Oriente) nem nos terrenos do atual aeroporto da Portela (local por excelência para a instalação de equipamentos sociais, dado que a sua rentabilização colide com a lei das expropriações, sendo certo que a permanência do aeroporto colide com as diretivas europeias sobre as rotas de aproximação das aeronaves).

E como não foram acolhidas, assistimos atualmente à preparação do concurso para a ampliação da estação do Oriente e viadutos adjacentes, com todo o cortejo de perturbações na pobre estação de metro que lhe fica mesmo por baixo.
(O projeto desta ampliação foi entregue por ajuste direto a Santiago Calatrava; não refiro isto por achar ilegal, porque as diretivas europeias que foram transpostas para o novo código de contratação pública prevêem exceções; o que me choca é que quando eu invoquei essas exceções rejeitaram os meus pedidos, mas este documento não é a apresentação de uma queixas).


Mas fica ainda por esclarecer como justificar a imprevisibilidade das circunstâncias que implicaram alterações de peças essenciais do concurso.
Não se tendo alterado as condições geradoras da penúria do nosso PIB, resta-me colocar a hipótese, como justificativo da anulação do concurso, de que as circunstâncias imprevistas tenham sido a realmente imprevista e súbita tomada de consciência, por parte dos projetistas, das deficiências de traçado da TTT que prejudicavam a exploração portuária.
Tenho assim esperança que tal tomada de consciência levá-los-á, porque ninguém põe em causa a sua competência técnica, a corrigir essas deficiências na nova versão do projeto da TTT que se aguarda para daqui a 6 meses.

Finalmente, gostaria de comentar, no meio das discussões a que assistimos ouvindo tantas vozes contra os investimentos públicos no TGV (e que ignoram, em percursos como Lisboa- Madrid e Lisbioa-Porto, a sua maior eficiência energética comparada com o avião e o automóvel), e com base na minha própria experiência, que não é preciso suspender os projetos.
Basta calmamente continuar a fazê-los, sem preocupações de atrasos, em ambiente de debate alargado, para, quando haja dinheiro, rapidamente aumentar o ritmo. As coisas atrasam-se por si.
Caso contrário, desmobilizando os meios, o arranque será sempre demorado e penoso.

Aqui lhe deixo as sugestões.

Com os meus melhores cumprimentos

fcsseratostenes@hotmail.com
http://fcsseratostenes.blogspot.com/
Fernando Silva
BI 1453978


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domingo, 30 de maio de 2010

Uma das últimas coisas que se devam fazer é anular um concurso



Esta fotografia foi tirada à mesa do meu almoço de há dias.
Não é um restaurante de luxo onde se coma risoto de lagosta (antigamente dizia-se arroz de lagosta, como ainda se diz no Pavão, na rua da Estefânia).
É apenas uma pequena cafetaria gerida por umas senhoras prendadas, onde às vezes como uma tarte de espinafres ou um quiche lorraine com uma salada, no ultimo piso do centro comercial do Chiado.
Ao longe, assinalado, o depósito de combustível pintado de xadrêz, do cais da Quimigal do Barreiro. Perto, há-de passar, em manhãs de nevoeiro, a terceira travessia do Tejo, amarrando um pouco mais para a direita, um ou dois quilómetros terra adentro.
Admitindo que o tabuleiro da ponte fique a 50m do nível médio (se tivessem consultado o Instituto Hidrográfico – se , porque não o consultaram, só pediram cartas marítimas - esse número talvez subisse para 70m, mas eu sou um exagerado, e os marinheiros do Hidrográfico também, quanto mais não fosse para não se repetisse a farsa da ponte do Carregado, que obrigou os varinos a ir ao estaleiro cortar as pontas dos mastros; ai os nossos projetistas do nosso país de marinheiros…) ela precisará de cerca de 4 km desde o nivel 0 até atingir essa altura.
Isto é, para não estar a obstruir o rio com uma altura pequena, tem de entrar francamente nos terrenos do Barreiro até ao túnel previsto.
Lembram-se daquele “prós e contras” em que uns senhores projetistas e administradores da RAVE vieram com sobranceria e arrogância chamar ignorantes aos críticos da ponte e do seu impacto visual (é fácil de imaginar que, neste caso, a ponte tapará toda a linha do horizonte atualmente visível entre o depósito e a colina da Sé, não é?)?
Lembram-se de se dizer que a ponte devia estar mais a norte (percurso Beato-Base aérea do Montijo, com menos 2 km) para o pilar norte não afetar os cais de contentores do Poço do Bispo?
Vem agora invocar-se alterações no pilar norte para ajudar a anular o concurso  para a construção da ponte que estava em fase de apreciação de propostas?
Diz o código de contratação pública que seriam precisas circunstâncias supervenientes para justificar uma anulação.
Que o pilar estava mal, já se sabia; que a situação financeira não era famosa, já se sabia...
Um dos senhores administradores da RAVE explicou nesse “prós e contras” a todos nós ignorantes que o traçado da ponte era por causa da curva para entroncar na linha do Norte.
Mas porque cargas de água tem o TGV de ter a estação principal na Gare do Oriente?
Podia ir em frente, pelo vale de Chelas, ter a sua estação central aqui, em correspondência com a estação de metro de Olaias.
Mas se não quisessem, podia construir-se a estação central no sítio do aeroporto da Portela, agora que já se percebeu que não se deve substituir um equipamento social por uma urbanização na bolsa imobiliária (por causa da lei das expropriações para fins de serviço público, os herdeiros dos expropriados têm direito às mais valias).
Ou ir até à gare do Oriente com recurso a tuneis para a curva concordante (Barcelona também teve de recorrer ao traçado em tunel para o TGV). Calro que fica mais caro. Mas porquê esta obssessão calatraviana de ir à gare do Oriente?
Enfim, não resisto a transcrever o que escrevi a seguir ao tal programa do Prós e Contras, há dois anos.
É uma pena evoluir-se tão devagar.
Ser preciso tanto tempo para perceber que aquele pilar norte não estava bem (nem aquele pilar nem aquele traçado da ponte…).
Que afinal não era só o pilar do poço do bispo a crescer ou a minguar consoante o observador; também se mexia do lugar.
Foi preciso anular um concurso para perceber isso.
Não sei é se será motivo reconhecido pela legislação para anular o concurso, mas isso será com os nossos amigos advogados.



Texto escrito em Abril de 2008:

O projecto da ponte da RAVE para a travessia do Tejo
Um belo exemplo de uma travessia oblíqua, neste caso em relação à direcção do vector dominante da velocidade da água no estuário, e por isso uma boa solução para, em linha tipo raguebi, cada pilar reter a sua porção de areia em fases diferentes do escoamento do fluido.
Vitruvius, com a sua mania de apontar proas a montante, nas bases dos pilares, não teria aprovado, por rigidamente apegado à ultrapassada teoria de que o caminho mais curto entre duas margens é um segmento de recta ou de ortodromia.
Mas Vitruvius nunca utilizou um vão de 500 metros quase 600, nem beneficiou da inovação que agora incensamos.
É comovente a homenagem que os técnicos da RAVE prepararam à cultura e à educação: o tabuleiro de ligação à margem norte, sobre a Calçada do Grilo, vai projectar a sua sombra protectora sobre o mimoso convento e assim prolongar o tempo de vida das suas pedras e dos ligantes destas; questiono-me quanto teria o ministério da Cultura de desembolsar para construir uma protecção térmica tão eficaz como o tabuleiro; igualmente o ministério da Educação vai ser liberto dos encargos que a continuidade de uma escola profissional como a Afonso Domingues lhe acarretaria ao orçamento, especialmente aqueles laboratórios de máquinas eléctricas; mantê-los a funcionar era um sorvedouro; Afonso Domingues, absorto nas suas abóbadas e refractário também à inovação, seguiria talvez Vitruvius e não aprovaria; do outro lado do rio, no Barreiro, Alvaro Velho do roteiro da viagem de Vasco da Gama, inclinar-se-á cordato perante a destruição da sua escola preparatória - mais uma economia para o ministério da Educação - a expansão da via rápida até à nova ponte, e a escolha de um nome mais ilustre do que o seu, de barreirense humilde e piloto sabedor, para a baptizar.
Tomando o primeiro pilar da projectada ponte, do lado do Convento do Beato, vê-lo-emos erguer-se (o pilar) como a torre de Akbar sobre o casario de Barcelona ou a torre do Colombo sobre a cumeada de Monsanto, o sol reflectindo-se nos tirantes, como fiapos do líquido espargido pela emergência vigorosa acima do rio, em inovador, porque em sentido inverso, ritual de fecundidade.
Será um apelo gerador para mais uma Manhattan de Cacilhas e umas torres Siza em Alcantara, a infeliz, se as tiver.


  
Só precisamos de escolher um local para miradouro, como se assistissemos a um fogo de artifício.
Duzentos metros acima da superficie do rio, sobranceiro como o ultimo andar de um prédio de 67 andares (2 Sheratons), o pico do segundo pilar acena-nos, acima do campanário da igreja de Santo Estevão e encostadinho à base da cúpula de Santa Engrácia, a nós, que a 3100 metros de distancia, nas Portas do Sol, o reverenciamos como em Stonehenge, elevando o nosso olhar segundo um angulo de 2,5º.
Viva a inovação, de portas do sol, por viradas ao sol nascente, passemos a chamar-lhes portas do pilar a espreitar ao longe.
Madrid já tem as portas do sol; não tem nenhumas portas do pilar, teria quando muito umas portas da Pilar.
Com a inovação ganhemos vantagens competitivas por comparação com Madrid.
Mas não nos iludamos, o Homem e a Mulher (escolhida a ordem alfabética) são a medida de todas as coisas, apesar do fracasso, pelo menos até agora, dos falanstérios pitagóricos; e aquele pilar vai ser de geometria variável: para uns cresce, cresce, cresce, e quanto mais afastado das portas abertas ao sol melhor.
Para outros o pilar mingua, mingua, mingua, e mal se notará (realmente, nas portas do sol não se notará; agora no Poço do Bispo...).

Vivamos todos para ver


PS em 2010-06-07  - Segundo o sítio da RAVE, em  http://www.rave.pt/tabid/347/Default.aspx  a altura do tabuleiro à água será de 62m. Duvido que seja a altura livre ao nível médio das águas, que julgo ser da ordem de 47m, não tendo enconttrado no sítio da RAVE elementos suficientes. Pessoalmente penso que deveria ter uma altura livre um pouco maior.



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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Europa Galante - Metáfora dos profissionais

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Quando escrevo Europa Galante não é o que poderia pensar-se.

Estou a reportar um concerto de musica barroca na Gulbenkian, pelo conjunto Europa Galante, dirigido por Fábio Biondi.

Sete violinos, duas violas, dois violoncelos, um contrabaixo, uma tiorba (espécie de alaúde), um cravo.

O concerto incluiu peças dos grandes compositores barrocos: Vivaldi, Locatelli, Geminiani, Bach.

Os violinistas e os violas tocaram de pé.

Os instrumentos são de corda de tripa.
Precisam de afinação entre peças.
O som é esganiçado enquanto fazem a afinação.
Mas depois, a um gesto discreto de Fábio Biondi, o solista principal, começam todos ao mesmo tempo (é impressionante o sincronismo, até porque as cordas de tripa são mais ingratas), o volume sonoro do conjunto é modulado de forma contínua e por vezes com grande amplitude de variação, os solistas vão mostrando o seu virtuosismo (aliás, todos tocam com virtuosismo); talvez alguns andamentos sejam acelerados relativamente à ideia original, mas o entusiasmo e a entrega são tais que se for assim é a consequência lógica do que o compositor escreveu; acabam todos em simultaneidade, normalmente depois de mais um crescendo e diminuendo.

Não resisto a tentar uma metáfora.

Aqueles músicos e músicas dedicam a maior parte das suas vidas ao estudo das partituras, à exploração das potencialidades dos instrumentos de época, aos exercícios diários para manter a destreza muscular; viverão imersos naquele mundo do barroco.
Os instrumentos não são os de rendimento máximo porque as cordas são de tripa.
Os compositores não dispuseram de computadores para testar as combinações de sons, os timbres e os acordes.

Foram ignorantes das grandes técnicas de gestão de finanças que conduziram a economia mundial a taxas de crescimento de dois dígitos… e à crise especulativa e de conflito generalizado em que vivemos.

Não dispuseram de aceleradores de partículas nem de microscópios eletrónicos de elevada resolução, nem de ressonâncias magnéticas, nem de programas de computador para apresentações vistosas.

Sentaram-se com os seus instrumentos e fizeram a música.

Qualquer aprendiz de especulador na bolsa pode chegar junto da Europa Galante e dizer: mas que música tão ultrapassada, que instrumentos tão arcaicos, e que esforço tão inglório o vosso que a maioria não vos aprecia.
Quando muito poderá encomendar a músicos de trato mais flexível umas adaptações expeditas para passar em anúncios da televisão, vendendo sabonetes, perfumes ou carros de luxo com o concerto para violino de Bach em fundo, ou as quatro estações de Vivaldi, ou o concerto grosso de Geminiani…

E contudo, aquela música, e a forma como é tocada, são a expressão da capacidade do cérebro humano para produzir, mesmo sem instrumentos adequados à descoberta, peças de arte de valor elevado, do melhor que a humanidade é capaz.

A metáfora é :

cada um na sua profissão, mesmo que não seja iluminado pela publicidade de uma ação de “marketing” de sucesso, pode, como se tocasse na Europa Galante, dedicar-se em profundidade às razões, às causas e às circunstâncias das coisas; pode fazê-lo sem que a maioria e os líderes da comunidade o apreciem, ainda que a intenção fosse a de servir essa maioria; mas pode sentir a música daquilo que fez, isso pode.



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Olá, Pirandello, veio visitar-me?

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Hesito um pouco antes de abrir a porta do meu gabinete, detendo a mão no manípulo.

Será que, ao entrar, vou ver-me a mim próprio, sentado à minha secretária?

Estarei a despachar assuntos, teclando no programa de gestão de documentos, ou trocando impressões com algum dos meus colaboradores, ou , o que seria muito melhor, com uma das jovens colegas dos recursos humanos?

Vem-me ao pensamento a frase de Pirandello: “algures, pode ser que alguém viva o que julga viver, mas aqui por onde andamos, ninguém habita realmente o corpo que os outros vêem.”

Abro a porta, o gabinete está vazio.

Não estava sentado à minha secretária.
Pirandello também não.
Não se concretizou a visita.
Pelo menos assim parece.
Sento-me e escrevo isto.

Mas terá ficado escrito?

Terá sido lido?

Não estou seguro.

Tudo isto a propósito de uma peça de Pirandello:        
  http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=369678&visual=26&rss=0


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Make love, not war – Reflexão na leitura de uma bula

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Leio pacientemente a bula do Benestan (Alfuzosina) que o afável clínico me receitou para combater a HPB (hipertrofia prostática benigna).

Aprendo o que é um bloqueante alfa 1 dos recetores da adrenalina nos músculos.

A adrenalina força a contração dos músculos garantindo a energia para responder às necessidades de esforços físicos ou mentais (mesmo que o organismo não tenha capacidade para suportar o dispêndio dessa energia).

Músculos contraídos também contraem as artérias e surge a hipertensão.

Despejando a alfuzosina na circulação sanguínea, os seus componentes comportam-se como inibidores da adrenalina à chegada aos músculos e as artérias relaxam, evitando a hipertensão; e também relaxam as tubagens que asseguram a circulação dos outros líquidos e fluidos vitais.

Ah! Agora compreendo a relação entre a investigação dos novos medicamentos anti-hipertensores e o florescimento do mercado do sildenafil, tadalafil e vardenafil inibidores da fosfodiesterase PDE5.

E tento estabelecer correlações.

Se a adrenalina é necessária aos grandes generais, aos grandes políticos, aos grandes chefes religiosos, aos grandes empresários, para que tenham energia para impor o modelo a seguir pelos mortais comuns, isso quer dizer que todas as artérias e veias, as principais e as de distribuição epidérmica, e as vias de fluidos dos senhores em causa estão contraídas, sob pressão muscular.

Não poderão portanto tais líderes carismáticos mostrar indicadores normais das funções dos respetivos aparelhos afetados por essa compressão, pelo menos enquanto estiverem profundamente envolvidos nas suas guerras.

E precisarão de um período refratário, longe da guerra, para retomarem os valores normais desses indicadores.

Talvez que nestes tormentosos tempos de economia controversa as linhas de orientação devessem passar menos pelo conflito do que pela paz, pela compreensão e pela capacidade de concessão.

Talvez não seja o melhor caminho impor modelos, porque a imposição gera o espírito da guerra.

Nem parecerá grande coisa ser-se apresentado por qualquer meio de comunicação social como um grande triunfador ou um caso de sucesso conseguido após grandes lutas.

E ganha assim um novo valor, agora fundamentado na investigação químico-farmacèutica, a velhinha expressão “Make love, not war”, afinal porque, parece, quem faz a guerra não pode fazer o amor.



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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Very fast post in blog – 19. A comunidade aguarda

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Esclarecendo o post com o mesmo título de 2010-05-11, informa-se que, por declaração do senhor secretário de estado, o Plano estratégico de transportes atualizado será apresentado na primeira semana de Junho de 2010. A comunidade, embora pouco tenha colaborado na referida atualização (a menos da apresentação dos planos de atividade dos respetivos setores), aguarda.





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Rodoviarium XVII – Eco-condução

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A sociedade humana também se orienta por mecanismos de moda.

Até deve fazê-lo porque assim utiliza os genes que permitem ao grupo em movimento atenuar os efeitos dos ataques dos predadores.

Nem sempre dá resultado, especialmente em política, mas há coisas em que vale a pena andar na moda.

Por exemplo, as preocupações ambientais.

Vejo no Oje uma pequena notícia com as conclusões de um estudo sobre a eco-condução. Se os condutores adotassem as técnicas da eco-condução, Portugal poderia poupar por ano 800 milhões de euros de combustível (20% do total atualmente consumido) e 1.700 milhões de toneladas de CO2.

Tem muita graça esta moda de anunciar números de poupança.

Neste caso, custa-me a acreditar que 800 milhões de euros de combustível correspondam a 1.700 milhões de toneladas de CO2.

Segundo as minhas contas, corresponderiam a cerca de 2 milhões de toneladas, mas posso estar enganado, o que até é altamente provável.

Igualmente 1.700 milhões de toneladas de CO2 não valerão 120 milhões de euros, como também vem referido no estudo, pelo menos tanto quanto informam as doutas fontes da Internet .

Quer-me parecer que uma licença de carbono equivale a uma tonelada de CO2, e que o preço de uma está por volta de 12 euros( http://www.triplepundit.com/2010/03/carbon-markets-trading-to-stop-climate-change/ ).

Assim pois se fazem os cálculos (na realidade, quando se apresentam cálculos na comunicação social é mais para impressionar do que para demonstrar, não é?).

Mas como convencer os automobilistas frustrados deste país a conduzir de forma económica?

Eu escrevi frustrados?

Terá sido influência inconsciente, de Freud, “et pour cause”.

Que a força é normalmente exibida por quem se sente inseguro, que o automobilista compra um carro potente para poder compensar a sua impotência e a sua frustração .

Frustração por durante o dia de trabalho ter sido contrariado, ou por não ter participado na luta pelos objetivos comuns,ou por ter estado iludido.

Donde, se quisermos uma condução ecológica e económica, teremos de melhorar o ambiente de trabalho nas empresas…

Como convencer os condutores a não acelerar bruscamente? A moderar a velocidade, especialmente à aproximação das passadeiras de peões, de modo a não precisar de travagens bruscas? A ocultar a potência dos seus carros? A reprimirem este imperativo social de acelerar quando se sentem perseguidos?

Como explicava há dias um senhor da prevenção rodoviária, citando o caso da Austrália, o primeiro passo é uma campanha publicitária intensiva nos meios de comunicação social, a começar pela televisão .

E essa campanha terá de ser pela positiva, evidenciando comportamentos recomendados, e nunca pela negativa (é inútil mostrar imagens de acidentes por imprevidência de condução porque “só acontece aos outros”).

Mas, estarei falando como no deserto?

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terça-feira, 25 de maio de 2010

Ruinas 2 - Algarve

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Junto fotos de duas habitações em ruínas, no centro de uma povoação turística do Algarve, na Ria Formosa - Cacela a Velha.



Fazem um efeito de contraste impressivo, quando comparadas com as casa bem arranjadas do resto da povoação.
Talvez que uma boa impressão ajude a resolver problemas, ou pelo menos, a ganhar adeptos para a necessidade de resolver o problema, com ou sem crise.
Aproveito para reproduzir os azulejos na praça principal.





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domingo, 23 de maio de 2010

Economicómio LII - E contudo ele existe…

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Saíram os resultados das vendas de automóveis ligeiros nos primeiros quatro meses de 2010.
Em Portugal venderam-se mais 59,1% (na UE mais 4,8%) do que no mesmo período de 2009, atingindo 70 mil unidades (na UE 4,8 milhões).
A análise estatística contem em si a armadilha de que alguns dados omissos podem subverter a interpretação dos dados disponíveis.
Neste caso, os incentivos ao abate de automóveis e os planos de renovação de frotas podem fazê-lo, mas o indicador 70 mil automóveis vendidos em 4 meses e 210 mil por ano parece ser fiável.
Admitindo 15 mil euros por unidade, teremos cerca de 3 mil milhões de euros por ano.
Trata-se de um investimento que beneficiará cerca de 70 x 1,2 = 84 mil cidadãos e cidadãs, se não considerarmos os benefícios decorrentes para outros cidadãos e cidadãs da utilização dos 70 mil automóveis por esses 84 mil cidadãos e cidadãs (1,2 é a média de ocupação dos automóveis ligeiros em Portugal).
Trata-se ainda de um investimento cujo diferimento por um ano traria custos marginais irrelevantes.
Isto é, em termos macroeconómicos, parecerá difícil justificar um investimento deste tipo, especialmente se nos lembrarmos que a estimativa para a ligação TGV Poceirão- Lisboa é da ordem de 2 mil milhões de euros (evidentemente que esta estimativa tem de se alargar no contacto com a realidade da obra, mas orçamento é orçamento).
Claro que não podemos comparar diretamente os investimentos; quando muito comparava-se, para o valor de 2 mil milhões de euros, uma linha de metro, completamente equipada, incluindo o material circulante, com 10 km de comprimento e servindo diariamente 100 mil passageiros.
Mas são difíceis de fazer, estas contas e estas comparações.
Especialmente quando entramos em linha de conta com a energia que cada modo de transporte necessita, globalmente, para transportar um passageiro durante um quilómetro.
Pena não ver o TGV discutido nesta perspetiva.
O TGV e os restantes modos de transporte.
Mas dir-se-ia que, parafraseando Galileu: e contudo ele existe (o dinheiro, de empréstimo interno ou externo).


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sábado, 22 de maio de 2010

Gestionarium XVIII - O par dívida-lucros no sucesso da gestão de uma empresa

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A discussão sobre os honorários do principal gestor da EDP fez-me reparar na notícia do DN sobre os resultados desta empresa (ou grupo de empresas).
Admitindo que tem fundamento o sentimento de auto-estima do referido gestor que considera justo o seu salário e boa a sua gestão, terei de admitir que os seguintes indicadores são compatíveis:

(1) Dívida da empresa do 4ºT/2009 para o 1ºT/2010:
                      crescimento de 4,3%, de 14 mil milhões de euros para 14,6 mil milhões de euros

(2) Lucros no 1ºT/2010:
                      crescimento de 17% para 309 milhões de euros

(3) Taxa da divida relativamente ao lucro:
                     (1)/(2) = 4,6

De facto, crescendo a dívida, a situação agrava-se, mas não é assim tão má porque a taxa da divida diminui.

Porque é tão grande a dívida?
Não parece difícil a resposta: porque os investimentos são elevados (barragens, parques eólicos) e porque as tarifas são “reguladas”, isto é os preços estão artificialmente baixos.
No entanto, um cidadão vulgar como eu fica na dúvida se estas justificações são suficientes.
Por isso seria muito bom se a empresa, no seu site, explicasse os indicadores, as suas causas e circunstancias.
É verdade que  a questão é complexa e os critérios de cálculo dos custos e dos benefícios não são de aceitação universal (outro grupo em que a dívida é enorme é a famosa SONAE, também com grandes investimentos e uma balança de pagamentos com grandes fluxos nos dois sentidos; mas isso é outra conversa) .
Como são complexas as questões da ocultação das despesas públicas nas contas de empresas públicas e privadas, para fugir ao famoso indicador do défice público (será que a epidemia das privatizações é para fugir às despesas públicas? o problema é que se perdem os geradores de receitas públicas, isto é, os aneis).

Mas seria bom que a EDP pusesse mesmo mais informação no seu site.

E, porque não se revêem as estratégias de distribuição de lucros e de fixação dos salários do gestores? Quanto mais não fosse para reduzir a dívida.
Também parece fácil a resposta: porque a EDP é uma empresa privada de participação da instituição pública progressivamente menor.
E porque a instituição pública não utiliza as regras de gestão participada, debatida e analítica e porque as instituições privadas também não utilizam essas regras.

Como não está ao meu alcance a promoção dessas regras, por mais que propagandeie a “Sabedoria das multidões”, apenas posso sublinhar:

Que os bons investimentos (por exemplo, aqueles que reduzem a dependencia energética ou melhoram a eficiência energética dos modos de transporte) provocam dívidas.
E é bom de ver como é complicado calcular o período de retorno do investimento e contabilizar o seu benefício em unidades muitas vezes rejeitadas pelo senso comum, que tanta dificuldade tem nos tempos que correm em aceitar uma dívida prolongada no tempo (por exemplo, a ultima amortização dos empréstimos para os caminhos de ferro de Fontes Pereira de Melo pagou-se no ano 2000).


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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nostalgia de 40 anos

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São 4 mesas de 8 lugares, no restaurante da Ordem dos Engenheiros no último andar, com vista para o parque Eduardo VII. Mais uma mesa com algumas das cônjuges.

Faz 40 anos que acabámos o curso, quase 90 , que em 1970, apesar da guerra colonial, ainda se sentia a industrialização do país desde o pós-guerra e era fácil aos novos engenheiros encontrar emprego.

Digo para o colega da minha esquerda:

-eis-nos aqui. Não era bem isto que tínhamos pensado.

Diz o colega da minha direita:

- pensávamos que íamos conseguir uma sociedade mais justa, mais produtiva e mais rica.

Digo eu:

- também éramos muito jovens e fomos atrás da ideia dos Beatles e do Hair. Primeiro acabar com a guerra colonial, depois produzir.

Diz o colega da frente:

- e estávamos à espera de ir para uma reforma tranquila quando chegássemos a esta idade. Na reforma estamos, quase todos e ainda a faltar 2 anos para os 65. Mas de 90 já morreram 9. Anos de desconto foram 40. Vêm agora os economistasinhos chamar-nos preguiçosos. Era de esperar que com tantas novas tecnologias tudo estivesse melhor, e que não fosse necessário agora apertar o cinto. Que não fosse preciso o meu filho estar agora e estará no meio do Atlântico num navio de prospeção de petróleo, nem a tua filha em Macau, nem o filho daquele no Brasil.

E eu:

- onde falhámos? onde falhei ou que fiz eu de mal que não consigo lembrar-me? se não fiz nada de errado porque tenho de pagar? estamos num episódio bíblico? Sempre pedi aos meus colegas mais jovens que se interessassem mais, que se dedicassem mais aos assuntos da empresa que eu lhes entregava, que não desaparecessem para tratar dos assuntos deles e que entendessem que não há compartimentos estanques e que é mais importante pensar no bem comum no que no individual; fiz mal em não ter conseguido corrigir alguns deles?

O nosso professor de Economia (Daniel Barbosa, ex-ministro de economia) tinha-nos explicado que a II Grande Guerra tinha induzido um afluxo de capitais ao país (entrada de ouro e divisas dos exilados; exportação de volfrâmio e alimentos), e que os técnicos do regime e os chefes dos clãs Espirito Santo e Melo tinham convencido o professor-ditador a consentir nalguma industrialização, nomeadamente através do programa das grandes barragens hidro-elétricas. Apesar de limitada pelo condicionamento industrial (nenhuma empresa podia lançar um empreendimento onde as empresas colaboradoras com o regime já laborassem).

Mais nos explicou o professor de Organização e administração de empresas (Pereira Ataíde), cadeira normalizadora de perspetivas de gestão e que rejeitámos trocando-a no conselho pedagógico por uma cadeira mais perto do nosso idealismo de técnicos atualizados a querer aplicar as ultimas conquistas da nossa especialidade , que os técnicos do regime que vieram depois, de mentalidade já mais aberta e embalados pela “primavera marcelista”, quiseram acabar com o condicionamento e com a guerra colonial. E, com o esperado apoio financeiro subsequente à democratização do regime e à descolonização, subir de patamar e desenvolver uma nova fase de industrialização. Porém, Marcelo Caetano atemorizou-se e, pior do que isso, acreditou no que os generais do regime lhe diziam. Coitados dos generais, tão limitados nas suas capacidades de análise e de entendimento do que se passava...

Fazemos uma viagem de regresso ao passado no meio das entradas de espargos com picles e ervas aromáticas e recordamos o primeiro jantar de curso. Quase na sua totalidade, o curso recém-formado reuniu-se no Outono de 1970 no restaurante Pão de Trigo, na Azóia, perto do cabo da Roca, que ainda hoje lá está, por sinal um pouco mais caro agora do que então.

Havia que dar brilho ao jantar dos novos engenheiros e convidámos o grupo Intróito para cantar depois do café. Era a época do canto de intervenção, da canção de protesto. O grupo tinha aparecido no zip-zip, tinha participado no festival da canção da RTP e costumava cantar em espetáculos nas associações de estudantes canções originais e canções de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais. Algumas com poemas de muita qualidade e revelando o que a polícia política e a censura ocultavam ao público: a opressão e as condições desgraçadas de vida de muita gente em Portugal, e da insanidade da guerra.

Foi muito bonito e emocionante, mas os nossos colegas da Academia Militar, aliás uns excelentes colegas , levantaram-se discretamente e alegaram que tinham de recolher à Academia, que estavam a preparar a sua participação no curso de comandantes de companhia. Quatro anos mais tarde, depois de passarem por África, alguns deles integraram destacadamente o movimento das forças armadas, e então todos nos sentimos mais solidários.

Eis como um jantar de curso serve de pretexto para deixar emergir a nostalgia.

E também aproveito para juntar uma pequena notícia histórica sobre o Intróito.

Nostalgias de 40 anos.

Ver em     http://cid-95ca2795d8cd20fd.skydrive.live.com/browse.aspx/Intr%c3%b3ito


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Very fast post in blog – 18. Os dois substitutos

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Dou parte da evolução da substituição da minha mulher, professora, depois de reformada. O primeiro substituto meteu baixa poucos dias depois de se apresentar, dar um dia de aulas e depois faltar, às aulas e aos encontros com a minha mulher para lhe transmitir informação. Ao fim de um mês foi substituído. Por um senhor que acaba de desistir ao fim de outro mês de muitas faltas. Desistiu entretanto a minha mulher de se oferecer para continuar a dar aulas “porque a lei não o prevê”, como diz a diretora da escola. Como dizem os brasileiros, cansámos de ver a degradação a que os sucessivos ministérios da educação e seus governos conduziram o ensino público em Portugal. Não nos responsabilizem por isso.


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O charme discreto

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Não é bonita esta fachada de um prédio na Rua de S.José? Era o charme discreto da burguesia bem sucedida do fim do século XIX.



E esta moradia na Rua de Ponta Delgada, não é um encanto? (tirando a antena, claro)




Pena o contraste na mesma rua com esta fachada degradada de uma garagem de arquitetura industrial. Estava a pedir a funcionalidade de estacionamento em caves para os residentes na rua e oficinas para cima  (uma cidade sem atividade industrial é um deserto...), recuperando a faixa  horizontal da fachada. Que acharão os amigos arquitetos da ideia?




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Very fast post in blog – 17. Citação de Gandhi






Passeando por aí, encontrei esta citação. Não resisto a dedicá-la aos contendores dos dois ou mais lados da guerra do Afeganistão e do Iraque:

“Defender uma ideia matando homens não é defender essa ideia, é matar homens”.

Eu sei que as tropas do pandita Nehru tinham às vezes dificuldade em compreender isto, mas a mensagem de Gandhi permanece ativa.


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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ruinas 1 - da Baixa à Estefânia

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Não é apenas o filme Ruinas, de Manuel Mozos, que põe o dedo na ferida de um país que precisa  de um investimento, rentável por si próprio porque fixaria as populações, na reabilitação de edifícios.






Temos aqui a ruina do cinema Odeon.













De uma casa na rua de S.José, a qual tem uma loja de mobílias clássicas no rés do chão, fabricadas em oficina do outro lado da rua (as cidades desertificam-se quando extinguem as oficinas).








De uma garagem coletiva de um edificio dos anos 60, de traseiras a dar para a rua de S.José, onde se degradam solares e edificios  clássicos da nobreza  do século XVIII e da burguesia endinheirada do fim do século XIX





Vejam o edificio da florista (houve um arquiteto que teve a coragem de se vender ao assinar um projeto como aquela garagem, sem se envergonhar do seu edificio ficar a envergonhar edificios dignos).


E assim vamos assistindo à degradação.


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