sábado, 21 de maio de 2022

Artigo publicado em 20 de maio de 2022 sobre o prolongamento da linha vermelha

 https://www.publico.pt/2022/05/20/local/noticia/casa-goa-lanca-peticao-impacto-obras-metro-baluarte-livramento-2005888 

Cara jornalista

É de muito interesse o seu artigo sobre o prolongamento da linha vermelha do metro para Alcântara Terra. De facto, mais uma vez o metropolitano e a sua tutela apresentam factos consumados, dado que depois do estudo de impacto ambiental dificilmente vão alterar o estudo prévio já feito e pago aos consultores. 

Já deve saber que a APA promove, juntamente com o metropolitano, uma sessão dita de “esclarecimento” sobre o prolongamento da linha, no dia 26de maio, 5ªfeira, pelas 17:30 no auditório da estação Altos dos Moinhos. 

É claro que é sempre possível mudar os traçados, mas haverá sempre edificios destruídos porque por razões energéticas a linha deve ser em viaduto no vale de Alcântara. Pessoalmente eu diria que devia ser sobre a estação de Alcântara Mar da linha de Cascais, mas costumam ser surdos a sugestões. Sobre a informação do senhor presidente da junta da Estrela, direi que foi pena, depois da realização em 2019 de uma sessão na junta de freguesia da Estrela com a participação do metro e de críticos da construção da linha circular (construção essa que foi mandada suspender pela AR em 2020 e desobedecida essa ordem pelo governo, pelo Tribunal de Contas e pelo PR --- e ninguém protestou perante este atropelo da separação de poderes?) o senhor presidente da  junta ter contemporizado com a construção da linha circular depois de na sessão se ter informado de todos os inconvenientes. Um deles é dificultar os outros prolongamentos, como é agora o caso. Relativamente ao senhor presidente da junta de Alcântara, direi que não tenha muitas esperanças no LIOS, que no fundo é uma linha de elétrico, tramway, em ruas estreitas. Penso que deveria pugnar pelo prolongamento da linha vermelha para Algés e Jamor, como aliás o EIA diz, e atenção que de facto este traçado impõe uma extensa remodelação do bairro  da rua do Alvito, não incluida na estimativa de cerca de 400 milhões de euros para a construção civil dos toscos do prolongamento. 

Se tiver interesse no parecer que enviei à consulta pública, basta abrir esta ligação:

.https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/parecer-na-consulta-publica-ate.html  

Junto tambem um pequeno exercício académico sobre o que se poderia fazer se se desistisse da construção entre a Estrela e os Cais do Sodré, sendo que ainda não há RECAPE (relatório de conformidade ambiental do projeto de execução) para o troço Santos-Cais do Sodré: https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/hipoteses-para-hipotese-remota-de.html

Parecer na consulta pública até 2jun2022 sobre o prolongamento da linha vermelha do metro a Alcântara Terra

Prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara do Metropolitano de Lisboa  


Participação (reclamação)

 

Sem contestar a qualidade do estudo prévio e do EIA, a minha participação constitui uma reclamação porque mais uma vez o Metropolitano apresenta factos consumados sem um debate público prévio com análises de várias alternativas. A experiência mostra, o que se lamenta, que a consulta pública dos EIA  já não consegue mudar os traçados. O traçado para o prolongamento da linha vermelha agora proposto fundamenta-se no mapa de 2009 do MOPTC ignorando o mapa do PROTAML de 2002 e a necessidade de integração num plano de mobilidade da AML de que o governo foi incumbido pela lei 2/2020 da Assembleia da República.

Junto o parecer incluindo sugestões.

 

Com os melhores cumprimentos

 


 Parecer

Apesar da elevada qualidade técnica evidenciada no presente EIA em grande diversidade de disciplinas e da fundamentação em extensa documentação, do rigor das análises e da valia das soluções técnicas encontradas em ambiente claramente desfavorável para o projeto de uma linha de metro, o meu contributo é, na classificação adotada, uma reclamação, embora apresente sugestões.

Fundamentalmente, reclamo porque, mais uma vez, o Metropolitano apresenta factos consumados sem um debate público prévio com análises de várias alternativas. A experiência mostra que a consulta pública dos EIA  já não consegue mudar os traçados. O traçado para o prolongamento da linha vermelha agora proposto fundamenta-se no mapa de 2009 do MOPTC ignorando o mapa do PROTAML de 2002 e a necessidade de integração num plano de mobilidade da AML de que o governo foi incumbido pela lei 2/2020 da AR.

Estando em curso a construção da linha circular e tendo já sido apresentadas em anteriores consultas públicas as razões por que os contratos da linha circular assinados em 2020 configuram atos de desobediência a uma lei, a referida 2/2020 (o argumento repetido de que a suspensão da construção da linha circular era uma recomendação esbarra na prática corrente de que as recomendações são inseridas em Resoluções da AR, e não em leis, como aliás se vê pelo texto do art.282: “O Governo promove, durante o ano de 2020, as medidas necessárias junto da empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E., para suspender o processo de construção da Linha Circular entre o Cais Sodré e o Campo Grande, devendo ser dada prioridade à expansão da rede de metropolitano até Loures, bem como para Alcântara e a zona ocidental de Lisboa.”

Tendo o próprio Tribunal de Contas ignorado a lei ao visar contratos em 2020, será inútil propor agora o recuo da linha circular com base em que, do ponto de vista técnico, de planeamento de redes, a existência desta linha circular complica extremamente a expansão das redes de transporte coletivo, a menos que se aceite o desperdício dos dinheiros nela investidos.  Não o sugiro portanto, embora tenha conhecimento de que decorre no TAF/gabinete de interesses difusos,  uma ação para a suspensão da construção da linha circular tendo em consideração a desobediência à lei. 

Segundo o plano de expansão do metro de 1974, que serviu de base aos seus prolongamentos estruturantes,  ficou por executar o prolongamento para Alcântara Mar, para correspondência com a  linha de Cascais. De acordo com este conceito, foram pensados os prolongamentos para Alcântara Mar e para Algés, que não tiveram o acordo dos sucessivos governos nem viabilidade atendendo à crise de 2008. Comparativamente com a situação prevista (linha circular +  prolongamento a Alcântara Terra) teria sido mais consistente o prolongamento de uma das duas linhas, amarela ou vermelha, para Alcântara Mar e a outra para Alcântara Terra com seguimento para Algés, a ligação pedonal subterrânea entre as estações mais próximas das duas linhas na zona da Estrela e a modernização da ligação por tramway Cais do Sodré-Santos-Estrela-Campo de Ourique.

A aprovação do mapa de 2009 foi-o apenas por despacho duma secretaria de Estado seguida de consulta de municípios que naturalmente, vendo nele prolongamentos do metro pesado para os seus territórios (Ramada/Bons Dias, Hospital Beatriz Ângelo/Infantado, Hospital Fernando da Fonseca, Sacavém), deram o seu aval, sem que se tivesse seguido uma consulta pública. Em 2016 é decidida pelo metropolitano, de acordo com a CML e o Ministério do Ambiente, a prioridade da linha circular sem, o que é muito grave do ponto de vista técnico, qualquer análise de custos benefícios comparativa com alternativas  válidas (apenas se comparou a linha circular, com interface com um gerador de tráfego como a linha de Cascais, com o prolongamento para Campo de Ourique, com menor capacidade de atração).

Curiosamente, o plano de expansão do metro de 2009 não figura no plano estratégico 2008-2020 do próprio MOPTC publicado alguns meses antes.

O  PDM de agosto de 2012 não refere a linha circular, antes a expansão a Alcântara, conforme o seu art.81.3:   2) Objetivos/Termos de referência 

… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …

e) Marcar uma nova centralidade urbana em Alcântara, com a potenciação de novas ligações ferroviárias, a extensão da rede do metropolitano e a qualificação e criação de novos corredores de transporte público; 

 

Também o PAMUS de 2016 é omisso quanto à linha circular, vindo o PAMUS de 2019 a inclui-la, no seguimento da referida atribuição pelo metro de prioridade à linha circular.

A atribuição de prioridade à linha circular colide com o espírito e a letra do PROTAML 2002 (recorda-se que as propostas de alteração 2008-2011 não foram aprovadas, como o presente EIA refere), contrariamente ao afirmado em anteriores EIA, sem que a APA tenha feito a correção, ao privilegiar o centro da cidade em detrimento do serviço das periferias num círculo de 10 km de raio.

Estas referências servem apenas para deixar expressa a inconformidade dos procedimentos que têm sido seguidos na elaboração dos planos de ordenamento do território, conforme a referência  pelo presente EIA de projetos abandonados sem a divulgação de consultas públicas que validassem a alteração de planos (citados no EIA o abandono do PUA, que aliás necessita de remodelação profunda, e do plano de pormenor das Amoreiras) . Seria desejável que a APA evidenciasse a conveniência de compatibilizar os procedimentos  com o art.165º. 1 . z)  da Constituição da República Portuguesa, que atribui à Assembleia da República a competência exclusiva para legislar sobre bases do ordenamento do território.

Embora o EIA reproduza o extrato de um normativo do metro que prevê o raio mínimo de curvatura em exploração de 250m, a verdade é que esse valor induz desgaste anormal dos rodados e dos carris, obrigando a reduzir os períodos de reperfilagem dos rodados e de substituição dos carris. Não poderá invocar-se que é assunto tecnicamente irrelevante do foro da gestão técnica do proponente, uma vez que a substituição de carris e o consumo adicional de energia devido ao maior atrito nas curvas contribui para o agravamento da “pegada ecológica” do metro. A observação do perfil da linha (ponto 4.4.3) mostra uma incidência exagerada de raios curtos que seria desejável corrigir.

 

Resumo das sugestões:

1 – a sociedade civil não foi ouvida para propor traçados alternativos antes da situação atual praticamente irreversível (ver pontos a ) instando-se assim que a APA recomende a urgente elaboração de um plano de mobilidade da AML, preferencialmente por concurso público internacional

2 – sugere-se estudar com urgência traçados alternativos para eliminar as curvas de pequeno raio (ver pontos b)

3  - sugere-se estudar como alternativa a correspondência com a linha de Cascais em Alcântara Mar em viaduto  (ver ponto a1)

4 – sugere-se aumentar a velocidade máxima de projeto para 70 km/h, que aliás já foi praticada no metro na linha vermelha quando beneficiou de condução automática, valorizável em função da poupança de tempo nas deslocações

5 – considerando a possibilidade de desenfumagem, sugere-se a instalação de ventiladores de impulso acoplados ao teto da galeria em substituição do PV3, entre a estação Infante Santo e  o início do viaduto

6 – sugere-se a revisão das condições de ventilação da estação Alcântara no caso de não estar prevista atendendo às suas caraterísticas (peço desculpa se está prevista e por lapso meu não detetada)

7 – consultados os desenhos 1.15, 1.16 e 1.17, verifica-se que no corte à cota 13m das rodovias do lado norte os acessos A e G garantem  em segurança o acesso ao átrio e ao cais do LIOS; no entanto, presume-se que o acesso B “dá” diretamente para um passeio e as rodovias do lado sul, o que configura uma situação de risco inaceitável, mesmo com barreiras de proteção e semaforização de passadeira de peões. Do lado sul, sendo o acesso C em túnel sob as rodovias sul, para a rua de Alcântara, parece estreito; o acesso F conforme o des.1.15 está representado por A no alçado sul do des.1.16, o que parece um erro, e terá origem na Calçada da Tapada à cota 10m conforme referido nos desenhos 1.12 e 1.13.  O túnel do acesso F não está representado em corte no des.1.17, em escada ou rampa para o nível LIOS. Será de encarar subir o perfil das rodovias do sul a exemplo das do norte? Duma maneira geral estes desenhos parecem ser de difícil interpretação e estão pouco explícitos.

Sugere-se a revisão das saídas de emergência eventualmente com alargamento das previstas e criação de outras, por exemplo nos topos da estação e a clarificação dos desenhos.

8 – considerando o desenho de interferências da estação Alcântara com o edificado, parece que a sobreposição das vias de acesso à ponte relativamente à rua Quinta do Jacinto vai obrigar não só ao corte e inutilização de vários edifícios, como à reformulação total do esquema de circulação do bairro pelo que se sugere a assunção da necessidade de deslocar a referida rua em translação para norte ou a criação de novos arruamentos orientados para a saída pela rua da Cruz de Alcântara, com destruição de mais edificado. Trata-se de trabalhos que devem constar da empreitada porque em caso de emergência no bairro haverá graves limitações para evacuação, sugerindo-se a clarificação dos desenhos

9 – como alternativa sugere-se um estudo prévio com o reposicionamento da estação de metro o mais próximo possível da estação de Alcântara Terra da IP (no pressuposto de que se justificaria um interface com o metro se não for feita a ligação linha de Cascais-linha de cintura), uma ligação hectométrica do tipo funicular entre o cais previsto da estação Alvito da IP e a estação do metro (comprimento 500m/desnível 30m), ligações pedonais aéreas cobertas entre as estações do metro e da IP Alcântara Terra e Alcântara Mar incluindo tapetes ou  escadas rolantes e elevadores (comprimento 600m). É verdade que se perderia o interface expedito com o LIOS mas não há certezas quanto ao LIOS e a alternativa preferível a este, como bem referido no EIA, poderá ser o prolongamento da linha vermelha a Algés/Jamor e a modernização das linhas de elétrico 15 e 18 (com eventuais mudanças de traçado e eliminação de estrangulamentos com viadutos ou túneis). Caso se insista no LIOS, então sugere-se a estação de correspondência metro-LIOS no Alto de Santo Amaro,  prolongando-se a linha vermelha até aí.

10 – sugere-se uma análise custos benefícios comparativa entre o método construtivo NATM e o TBM (vantagem ecológica deste; exemplo de referência ponto 4.6.2.6 , fig.72) com hipótese de encomenda desse equipamento não proprietária pelo empreiteiro para economia de prazos

11 – sugere-se a correção da fotomontagem da página 66 de modo a não dar a impressão de que as vias rodoviárias de acesso à ponte estão sob o telhado da estação de metro quando estão ao lado

12 – o projeto de ligação da linha de Cascais à linha de cintura e ligação para mercadorias  do terminal de Alcântara vem mais uma vez demonstrar a necessidade de, sugerindo-se em moldes efetivamente participativos, reformar o PUA (incluindo a reformulação do nó de Alcântara/Av.Índia/R.Cascais) e elaborar o plano de mobilidade da AML sem subordinação a decisões prévias discricionárias (ver pontos a2 e a4)

13 -  sugere-se descrição ilustrada da passagem pedonal aérea sobre a Av.Infante Santo de acesso à estação de metro, solicitando que considerem sem efeito no caso dela já constar não a tendo detetado por lapso (pontos 4.6.2.3 e 4.6.3.2)

14 – no ponto 4.5 informa-se que o valor global previsto para o investimento é de 304 milhões de euros, sugerindo-se que se clarifique que, salvo erro meu, é apenas para os trabalhos de construção de toscos, não incluindo os trabalhos das especialidades complementares.

 

Análise complementar:

a1 - Apesar do anúncio oficial de intenções no sentido de privilegiar a Autoridade Metropolitana de Lisboa com capacidade de decisão, não existe ainda um plano de mobilidade da AML, uma vez que o mapa de 2009 do MOPTC não foi submetido a consulta pública nem aprovado pela AR conforme determinado pelo já referido art.165º. 1 . z) da CRP .

Corre-se assim o risco de ir aprovando pequenas intervenções que vão criando incongruências entre fases sucessivas. Seria portanto pertinente que da avaliação do presente processo resultasse uma proposta para urgente elaboração do plano de mobilidade da AML suportada por algumas hipóteses não exaustivas de traçados.

Como mera sugestão junto:  https://1drv.ms/p/s!Al9_rthOlbweuiRClT1VCq2KQROZ?e=LUrqc9

Propostas avulsas que podem interferir com o presente projeto para Alcântara Terra são a ligação da linha de Cascais à linha de cintura, a ligação para mercadorias do terminal de contentores de Alcântara a Alcântara Terra, o traçado do LIOS de Algés/Jamor a Alcântara, o enterramento da linha de Cascais Algés-Cais do Sodré, a intervenção na reorganização do bairro do Alvito atendendo à supressão da rua da Quinta do Jacinto e  subsequente corte de vários edifícios e reconfiguração do esquema interno de circulação do bairro, a reconfiguração do nó rodo e ferroviário na junção Av.Índia-R.Cascais  (ver pág.94 de https://1drv.ms/b/s!Al9_rthOlbwehWMdmBJ_Q06Wk7XH   ;        obs: tendo a figura da pág.95 sido elaborada antes da venda do terreno onde foi construído o hospital da CUF-Tejo, o término da linha vermelha deveria estar sobre a estação de Alcântara Mar da linha de Cascais) e do PUA, além da condicionante principal, a linha circular.

a2 -  Ligação linha de Cascais-linha de cintura – caso se pretenda concretizar esta ligação, deverá ter-se em atenção que a linha de cintura apenas está quadruplicada entre Sete Rios e Roma/Areeiro (prevista a quadruplicação a curto prazo entre Roma/Areeiro e Braço de Prata, assegurando-a até Alverca). A ligação da linha de Cascais substituiria o ramal de ligação a Alcântara Terra e teria de inserir os seus comboios com o mesmo ritmo desta, isto é, 2 comboios por hora, atendendo a que os comboios da Fertagus têm atualmente um intervalo de 10 minutos  e têm de se compatibilizar com o serviço interurbano e regional da CP (notar que de Sete Rios para a ponte 25 de abril a via é direta, mas para Alcântara Terra ou futuramente a linha de Cascais é necessário fazer a agulha, felizmente em desvio desnivelado, com o tempo de segurança que isso implica); a fluidez do tráfego entre as linhas de Cascais e de cintura também é condicionada pelo troço em via única entre a projetada nova estação da IP de Alcântara Terra (esquina R.Cascais-R.Fradesso da Silveira) e a linha de Cascais e a sua partilha com as mercadorias do terminal de Alcântara . Recorda-se o parecer negativo do CSOP sobre este assunto. Para se obter uma capacidade compatível com uma procura admissível de 45 milhões de passageiros para a linha de Cascais a repartir pela linha de cintura e pelo troço Alcântara-Cais do Sodré, teria de se quadruplicar a linha entre Alcântara e Sete Rios, e sextuplicar entre Sete Rios e Braço de Prata, numa zona urbana em que esse investimento parecerá mais adequado para um troço de metropolitano (ver o esquema unifilar do nó de Campolide em              https://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/08/se-quiserem-ligar-linha-de-cascais.html  ).

a3 – nas alternativas de traçado em Alcântara  mencionadas no EIA (ponto 2.2), sugere-se a consideração do traçado seguinte à estação Infante Santo passar sob a Praça da Armada e o Tribunal Marítimo e com o término em viaduto sobre a linha de Cascais/estação Alcântara Mar para correspondência direta com esta.

Este traçado permite a dispensa, além do LIOS, da ligação da linha de Cascais à linha de cintura, ver hipótese seguinte com abertura da próxima linha circular (e término em Estrela) de modo a assegurar a ligação direta do Jamor à Avenida da Republica, Campo Grande e Odivelas com o custo dum prolongamento do metro de 7,5 km (este traçado é comparável, para efeitos de ACB, com a ligação Jamor-estação de metro Alcântara Terra-linha vermelha até Oriente ou Sacavém, mantendo-se a linha circular e recriando a ligação mecânica Alcântara Terra-Alcântara Mar):


 

a4 – é possível compatibilizar a estação aérea de Alcântara do metro com um traçado em viaduto ao longo da rua de Cascais e da rua Oliveira Miguéns para a ligação de mercadorias do terminal de contentores à estação Alcântara Terra da IP, evitando o traçado subterrâneo caso se desista da ligação da linha de Cascais à de cintura (notar que as dificuldades e os riscos de construção desta ligação subterrânea também seriam evitados com um traçado subterrâneo em terrenos mais favoráveis, a nascente do caneiro e do hospital CUF-Tejo).

Para que o viaduto das mercadorias pudesse passar sob o viaduto do metro, o traçado do metro vindo de Infante Santo poderia passar a poente do Palácio das Necessidades, sob o entroncamento da rua da Costa  com a rua Capitão Afonso Pala (cota 27m), com sacrifício de alguns edifícios. Recuando a estação para mais próximo da estação de Alcântara Terra da IP permitiria reduzir  a ocupação no sentido transversal na rampa de acesso à ponte 25 de abril. Ver figura seguinte (pressupostos: cota da rua Prior do Crato 5m, PBV do viaduto do comboio de mercadorias 12m, cota do PBV do viaduto do metro 19,5m, cota do PBV do viaduto do metro depois de cruzar a rua da Costa 16,5m, cota da rua da Costa no cruzamento com o traçado do metro 23m, cota da rua Capitão Afonso Pala 27m)


 

b1 – sugere-se o aproveitamento da profundidade da via existente, junto do Palácio da Justiça, para prosseguir sob os prédios da Av.Marquês da Fronteira e sob o terreno da urbanização Artilharia Um aumentando o raio da curva e aproximando a estação Amoreiras do centro comercial com eventual alteração dos percursos de saída deste. Embora não obrigatoriamente, a deslocação da estação Campo de Ourique para nascente   permitirá também aumentar os raios das curvas. Insiste-se que um traçado com raios de curvas da ordem de 250m ou 350m são um factor de grave aumento do desgaste dos rodados e dos carris, com todas as implicações de aumento de custos de manutenção, para além de consumo adicional de energia por aumento de atrito:


 

b2 - Em alternativa à passagem a nascente do centro comercial,  por poente seria mais fácil obter raios de curva mais favoráveis bem como melhor interface com um parque de estacionamento dissuasor no plano de urbanização de Camp de Ourique norte:


                            

PS - exercício com hipóteses de traçados após eventual desistencia da linha circular: https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/hipoteses-para-hipotese-remota-de.html

terça-feira, 17 de maio de 2022

Estatística do comércio internacional no 1º trimestre de 2022

De acordo com o INE, estatísticas do 1ºtrimestre de 2022  do comercio internacional  

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=536777792&DESTAQUESmodo=2


Exportações de bens por todos os modos no 1º trimestre de 2022

 

em  M€

em Mton

mundo

18200

9,905

Intra EU-27

13299

6,794

Espanha

4843

3,648

Intra EU 27 - ESP

8456

3,146


Importações de bens por todos os modos no 1º trimestre de 2022

 

em  M€

em Mton

mundo

24847

15,210

Intra EU-27

17582

7,718

Espanha

8056

4,839

Intra EU 27 - ESP

9526

2,879

É satisfatório o crescimento das exportações de bens, mas é preocupante o crescimento superior das importações de bens.

Segundo os números do INE para 2021 ,  ver                       http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/02/exportacoes-e-importacoes-em-2021.html    ,

as quotas dos modos ferroviário e rodoviário no total das exportações de bens por todos os modos para a EU27 foram, justificando a urgente planificação da transferência do modo rodo para o ferroviário de ligação à Europa, nomeadamente com transporte de semirreboques e parâmetros de interoperabilidade:


ferro   1,20% em valor e  0,67% em peso
rodo 77,64% em valor e 63,32% em peso

e as quotas por região de origem das exportações:

 

exportações de bens por todos os modos  em 2021 em M€

  

 EXP 

% 

Norte e Centro 

35929,2 

60,4 

AML e Sul 

23555,2 

39,6 

Continente 

59484,4 

100,0 

 

 

 

 

 

 

sábado, 14 de maio de 2022

Hipóteses para a hipótese remota de desistência da ligação da linha circular entre a Estrela e o Cais do Sodré

 A demora na emissão pela APA do RECAPE do lote 2 da linha circular (Santos-Cais do Sodré) põe pelo menos a hipótese de que tenham reconhecido que a complexidade da obra exige recursos que num país com graves assimetrias seriam mais bem empregues noutros investimentos públicos, desde a melhoria das acessibilidades das e entre as periferias às interligações ferroviárias interoperáveis com a Europa (o que corresponderia ao estrito cumprimento da legislação, desde a lei 2/2020 ao regulamento comunitário 1315/2013, o que inviabiliza o velho argumento de que temos de gastar este dinheiro senão os fundos perdem-se, velho argumento que os decisores não querem reconhecer como falacioso).

Sem qualquer expetativa de atendimento pelos decisores, mas apenas como exercício, académico no sentido figurado, junto um comentário no seguimento de anterior parecer sobre o prolongamento da linha vermelha para Alcântara Terra, em consulta pública até 2jun2022, contemplando várias hipóteses decorrentes da desistência da ligação Estrela-Cais do Sodré, numa ótica de limitação de danos pela decisão anterior pela linha circular:

 


 

A ligação da linha de Cascais e do terminal de contentores de Alcântara à linha da cintura (eixo norte-sul) está prevista no PRR com base num EIA de 2010.

A CML tem insistido no “enterramento” da linha de Cascais entre Algés e Cais do Sodré.

Trata-se de duas intervenções na linha de Cascais que dificilmente se justificarão num plano de mobilidade da AML dum país com dificuldades financeiras.

Numa perspetiva de área metropolitana, pareceria que a vocação da linha de Cascais é essencialmente metropolitana e deveria integrar a rede de metro, por definição um elemento da mobilidade metropolitana (sem prejuízo da funcionalidade dos suburbanos da CP, vocacionados para percursos totais e interestações maiores). O estado atual da linha de Cascais exige a sua modernização, insistindo-se que deveria ser feita segundo os padrões de metropolitano.

O CSOP chamou a atenção para que a ligação da linha de Cascais à linha de cintura teria a limitação desta já estar sobrecarregada pelos serviços entre as duas margens interurbano, regional e suburbano, e pelos serviços na margem norte de mercadorias e do suburbano de Alcântara Terra (a linha de Cascais iria substituir o ramal de Alcântara Terra na ligação à linha norte-sul da ponte 25 de abril). A quadruplicação entre Roma-Areeiro e Braço de Prata não o resolve (só a quadruplicação entre Alcântara e Sete Rios e a sextuplicação entre Sete Rios e Oriente o resolveria). Relativamente à ligação de mercadorias do terminal de Alcântara à linha de cintura sem interferência com o tráfego rodoviário, refiro que é desejável que tenha uma duração limitada de 3 a 4 décadas (pressupondo a transferência para um novo porto de águas profundas Cova do Vapor-Bugio), pelo que poderia fazer-se em viaduto ao longo das ruas de Cascais e Oliveira Miguéns, impondo sobreelevação do viaduto da linha vermelha do metro. O aproveitamento para novo edificado que se está fazendo em toda a zona de Alcântara só por si anula o argumento de obstrução visual, para além de constituir um sério obstáculo à racionalização do PUA e da mobilidade.

Quanto ao “enterramento” por razões estéticas e de acesso da população à beira rio, trata-se de uma despesa supérflua, da ordem de 8km x 60 milhões = 480 milhões de euros que deveriam ser utilizados para facilitar os acessos e a interligação das regiões periféricas da AML.

O acesso à beira rio pode ser feito com passadiços devidamente dimensionados, como é prática em países mais desafogados financeiramente.

Acresce que do ponto de vista do património industrial é uma ação condenável.

Ainda sobre a ligação da linha de Cascais à de cintura, recorda-se que o principal argumento para justificar o erro da linha circular de metro em construção foi a de que iria facilitar a ligação dos passageiros da linha de Cascais à zona de escritórios da Avenida da República. Agora prevê-se o prolongamento da linha vermelha para Alcântara, o que, através da reposição da ligação mecânica Alcântara Mar- Alcântara Terra, como muito bem referido no EIA, asseguraria o acesso dos passageiros da linha de Cascais à zona de escritórios. Ora, se a ligação da linha de Cascais e o metro em Alcântara asseguram o acesso à Avenida da República, então a lógica mostra que a linha circular entre a Estrela e o Cais do Sodré perde a justificação.

Nos desenhos seguintes mostra-se a situação atual e prevista dispensando a ligação da linha de Cascais à de cintura, com várias hipóteses no pressuposto de desistência da construção do lote 2 da linha circular, entre Cais do Sodré e Santos (inclusive), evitando complexas obras.

1 – Situação atual e prevista (linha circular e prolongamento da linha vermelha para Alcântara Terra)

traço fino a preto - ligação da estação Alvito/IP por funicular a Alcântara Terra e por passadiço com tapete rolante a Alcântara Mar

traço fino interrompido – ligação mercadorias em viaduto

 

 

2 – eliminação da ligação Estrela - Cais do Sodré; prolongamento da linha amarela por Poente da Basílica e norte das Necessidades para Alcântara Terra; prolongamento da linha vermelha para Alcântara Mar em viaduto; estação Infante Santo de correspondência; beneficiação da linha de elétrico (“tramway”) entre Cais do Sodré e Campo de Ourique



traço fino a azul – linha de elétrico (“tramway”)

 

 

3 – eliminação da ligação Estrela - Cais do Sodré; prolongamento da linha amarela por Nascente da Basílica e sul das Necessidades para Alcântara Terra; prolongamento da linha vermelha para Alcântara Mar em viaduto; estação Infante Santo de correspondência; beneficiação da linha de elétrico (“tramway”) entre Cais do Sodré e Campo de Ourique



 


4 – eliminação da ligação Estrela - Cais do Sodré; prolongamento da linha amarela por nascente da Basílica para Alcântara Mar em viaduto; prolongamento da linha vermelha para Alcântara Terra em viaduto; beneficiação da linha de elétrico (“tramway”) entre Cais do Sodré e Campo de Ourique

 


 

 

5 - eliminação da ligação Estrela - Cais do Sodré; prolongamento da linha amarela por nascente da Basílica para rua Fradesso da Silveira em viaduto; prolongamento da linha vermelha para Alcântara Terra em viaduto; beneficiação da linha de elétrico (“tramway”) entre Cais do Sodré e Campo de Ourique

 



6 - eliminação da ligação Estrela - Cais do Sodré – pormenor da passagem do prolongamento da linha amarela a Poente e a nascente da Basílica da Estrela

 



Salvo melhor opinião, em vez de discreto desenvolvimento de estudos de viabilidade em ambiente restrito que depois não são facultados apesar de recomendação da Assembleia Municipal de Lisboa nesse sentido (recomendação 122/04 de novembro de 2020), será mais saudável um debate com a sociedade civil, moderado pelas entidades autárquicas em que previamente aos referidos “estudos” de viabilidade sejam discutidas várias alternativas de traçado, subordinadas à visão integrada da mobilidade da área metropolitana. Sei que é dificil aceitar isto para os decisores que se reclamam de maioria absoluta nas eleições legislativas, mas também Bossuet estava muito seguro das suas certezas de procurador divino ao serviço do seu rei absoluto.


Nota: sobre o nó de Campolide ver    https://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/08/se-quiserem-ligar-linha-de-cascais.html

 

 




domingo, 8 de maio de 2022

Sinistralidade rodoviária e trotinetas

 

Em 23 de fevereiro de 2022 o Expresso publicou o artigo seguinte, em que Hospitais chamam a atenção para o crescimento dos tratamentos em hospitais de  sinistrados em  acidentes com trotinetas elétricas:


Embora não seja exclusivo de Portugal, a nossa lassidão reflete-se nos números da sinistralidade rodoviária em geral, e em particular das trotinetas.
Recordo que em 2018 o senhor secretário de Estado chamou a PSP e determinou-lhe que não multasse quem , de trotineta ou de bicicleta elétrica, andasse sem capacete de segurança. A PSP andava a aplicar multas porque o artigo 82 . 5  do código da estrada dizia:

 "Os condutores e passageiros de velocípedes com motor e os condutores de trotinetas com motor e de dispositivos de circulação com motor elétrico, autoequilibrados e automotores ou de outros meios de circulação análogos devem proteger a cabeça usando capacete devidamente ajustado e apertado."

Naturalmente, a PSP deixou de multar os prevaricadores. Houve aqui uma convergência, por um lado os comercializadores e os grupos de apoio de trotinetas e de bicicletas elétricas acharam que o uso obrigatório de capacete iria reduzir a procura, por outro o senhor secretário de Estado achava que não deviam contrariar-se as tendências do mercado e para isso invocou o artigo 112 . 3 do mesmo código da estrada que dizia, e diz:  "Para efeitos do presente Código, os velocípedes com motor, as trotinetas com motor, bem como os dispositivos de circulação com motor elétrico, autoequilibrados e automotores ou outros meios de circulação análogos com motor são equiparados a velocípedes." 

Passados uns tempos, o código da estrada foi alterado e o número 5 do artigo 82 foi eliminado, penso que com a oposição da ANSR, porque para qualquer analista de riscos, e a experiencia dos hospitais que tratam os utilizadores de trotinetas confirmou-o experimentalmente, tal eliminação constitui uma cumplicidade num ato propiciador do aumento de sinistrados. Nada que a referida lassidão não explique.
Teria bastado acrescentar ao artigo 112.3 "exceto quando explicitamente determinado em contrário", mas preferiram seguir a opinião dos comercializadores e dos grupos de apoio.

Como analista de riscos, considero indispensável manter um registo atualizado de acidentes e consequências, cruzando os dados com os hospitais. Não o fazer é colaborar com os responsáveis pelos níveis elevados de sinistralidade que nos caraterizam.

Considerem-se os números da sinistralidade rodoviária na Europa em 2021 numa notícia da DG MOVE de 28 de março de 2022,                                                                                             https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/IP_22_2012   número de mortos na estrada por milhão de habitantes em 2021, indicando-se em percentagem a variação relativamente a 2019:

média da EU-27      44         -13%
Espanha                  32         -14%
Portugal                  50        -24%
Roménia                  93         - 4%
Suécia                     18        -13%

Estes números mostram que é necessário em Portugal mudar de atitude e iniciar ações concretas de prevenção rodoviária, desde uma campanha de publicidade para sensibilização para o comportamento de defesa, a uma estatística rigorosa e  atualizada, a uma fiscalização também rigorosa e, claro, corrigir o código da estrada.

Na mesma notícia temos para a EU-27 a distribuição em percentagem das vítimas mortais em áreas urbanas por tipo de veículo:

peões     37%
ciclistas  14%
motos     18%
autos      31%

Isto é, mais de metade das vítimas são vulneráveis, peões e ciclistas, impondo mais uma mudança de comportamento para melhoria das condições de segurança na estrada, nomeadamente com o controle de velocidade e desenvolvimento do transporte coletivo e estatística atualizada.

Consultado o site da ANSR em 8 de maio de 2022, verifica-se que a distribuição de vítimas mortais por tipo de veículo apenas se refere ao conjunto do continente de janeiro a novembro de 2021, sem que se possa saber os números pela AML, coisa que deveria ser corrigida:

peões                    48
autos ligeiros       166
autos pesados         6
motos                     95
velocípedes            21
outros                     21
total                      357

Isto é, é necessário melhrar as estatísticas e de forma atualizada.

Não havendo estatísticas fiáveis, experimentemos uma hipótese para a AML tentando uma base para comparação por tipo de veículo por milhão (ou milhar de milhão) em viaturas km :

Admitindo 400.000 automóveis a entrar e a circular em Lisboa por dia e uma viagem média de 30km, temos por dia cerca de 12 milhões de viaturas-km para os automóveis.
Admitindo 100.000 bicicletas e trotinetas em movimento por dia com uma média de 10km por viatura, temos 1 milhão de viaturas-km por dia para bicicletas/trotinetas.

Deverá portanto considerar-se, se a hipótese está correta, quando houver estatísticas fiáveis, que a gravidade de uma vítima mortal em acidente de bicicleta/trotineta equivale a 12 vítimas mortais em acidentes de automóvel.

Aguardemos estatísticas fiáveis.