quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Economicómio XXI - Finalmente, uma proposta a apoiar, na CML e no G20



Finalmente, o senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa faz uma proposta digna de todo o apoio.
Considerando que 160 mil carros penetram todos os dias na cidade, a proposta é a de criar parques de estacionamento junto de cada ponto de penetração, transferir as crianças que estão sendo levadas à escola pelos pais para carrinhas da Easybus, e transferir os pais para o transporte colectivo.
Cada carrinha Easybus, para além do necessário motorista, tem uma hospedeira que garante a correcta entrega das crianças nas escolas que integram o percurso da carrinha.
Os pais seguem caminho sem acompanhamento por hospedeiras.
Apoia-se a ideia, claro, apenas no mundo virtual que é o melhor dos mundos do Dr.Pangloss (ver Voltaire, Candide), porque me parece limitado o universo-alvo (o sucesso dependerá do estudo de viabilidade realizado, claro, mas como estatística de massas não sei, porque o pessoal esforça-se por ter as escolas perto da habitação, a menos que seja pessoal fino, com os filhos nas escolas bi-lingues ou da SMICAR).
Tenho pena de ser tão maldizente, mas porque não se estudam as coisas a sério (não os decisores, antes os técnicos; mas não os mais mediáticos, antes os que saem da escola, ainda sem vícios mas que não tenham ambições de “protagonismo”)? É verdade que é preciso construir parques de estacionamento nas vias de penetração e em zonas chave da cidade (lá vão aparecendo alguns dentro da cidade, mas atenção que devem principalmente: 1 - facilitar a fixação de moradores no centro da cidade e não atrair visitantes; 2 – constituir alternativa ao estacionamento selvagem à superfície que pura e simplesmente tem de ser penalizado com eficácia). Então porque não se mobiliza uma equipa para activar os parques de estacionamento da Pontinha? Inspirou-se alguém no sistema norte-americano de distribuição das crianças pelas escolas em autocarro específico? Pensou que o sistema (mesmo o norte-americano) é energeticamente pouco eficiente? Porque não se fazem inquéritos reais (não baseados em números do princípio do século nem em estatísticas de sistemas fechados de bilhética) para confirmar os tais 160 mil veículos penetrantes e determinar os reais fluxos das deslocações? E já repararam que todos os planeamentos de transportes não podem dissociar-se do planeamento da urbanização da área metropolitana? Já decidiram se afinal a Baixa é para fechar como reserva para turistas?
Por falar em parques de estacionamento, conviria aumentar ospreços dos parques do centro e baixar os dos parques da periferia, para ver se se limita o acesso de automóveis ao centro, e também convinha apoiar a extensão do Lisboa Viva ao pagamento do estacionamento, o que se poderia aplicar já no parque da Pontinha, de que o ML é proprietário (co-proprietário maioritário). Talvez se possa concluir que existe um défice de parques de estacionamento na periferia, com correspondência com o metro. Digam lá se as minhas críticas não são construtivas...
Vamos aplaudir as carrinhas Easybus com hospedeiras?
Sim, como medida cosmética, sim.
PS - Tal e qual como devemos aplaudir a limitação dos bónus dos banqueiros, muitos deles responsáveis pela crise, conforme decisão do G20 de hoje, dia 25 de Setembro de 2009.
Pena o G20 não ter explicado como limita os bónus dos banqueiros dos “off-shores”, mas é melhor que nada. Dá ideia que, se andam a contrariar Adam Smith com a decisão de intervir nas remunerações do “interesse individual” dos banqueiros (não vão mexer nas reformas dos nossos administradores de banco mais mediáticos, pois não?) e a subsidiar bancos privados com dinheiros públicos, também podiam intervir nos “off-shores”, à luz das leis contra a pirataria internacional em vigor no século XIX, ainda Karl Marx não tinha escrito o Capital…
Enfim…

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