terça-feira, 30 de novembro de 2010

Capitalism now

Fascinante, como dizia Mr.Spock enquanto o monstro alienígena ia destruindo tudo.

Um grupo de capitalistas norte-americanos pede para que sejam subidos os impostos e sejam abolidos os benefícios fiscais acima de um dado rendimento.

Isto é, depois do acesso como que de varíola do reaganismo (com mais precisão, da teoria económica assente no petróleo barato) , alguns dos principais capitalistas dos USA propõem o retorno ao imposto progressivo (Milton Friedman acabou com ele quando disse que o imposto regressivo estimula as pessoas a aumentarem os seus rendimentos e, como dizia Adam Smith, o interesse individual iria “puxar” pelo interesse coletivo; viu-se).

Por outro lado, muitos desse grupo patrocinam fundações com fins não lucrativos (beneficiando das deduções devidas ao mecenato por solidariedade social).

Aparentemente, a posição destes capitalistas será a de contrariar a tendência que se verifica para aumentar a diferença entre ricos e pobres (o indicador de Gini) e, assim, diminuir um fator que contribui para os conflitos sociais.

Curiosamente (fascinante, também) alguns, do grupo de que estou falando, fizeram outra petição, mas para abolir o imposto sucessório.

Por outras palavras, existe uma tendência entre os grandes capitalistas para eliminar as dificuldades em conservarem na própria família o controle das suas empresas . Dir-se-ia que as ações determinantes do controle são uma oferta ou uma garantia do criador da empresa aos seus filhos. Aceitam a família providencia mas não aceitam o estado providencia, será isso? Defendem que uma oferta dessas ações aos seus filhos não deve ser taxada de imposto sucessório. Mas, segundo Adam Smith, isso vai tirar o estímulo aos filhos de “lutarem” pelo desenvolvimento das suas empresas e vai estimular o aparecimento de capitães da industria que começam por ser técnicos e depois vão tomando o lugar de principal acionista à custa de aumentos de capital em que a família do criador da empresa fica para trás, quando não é seguido o caminho das alianças inter-famílias.

Esta espécie de monarquia privada salta à vista na história económica recente de Portugal. Livros como Salazar e os milionários e Os donos de Portugal descrevem em pormenor a plutocracia em que vivemos, apenas sobressaltada poucos anos a seguir ao 25 de Abril (o que aliás até favoreceu o aparecimento de alguns flibusteiros que acederam aos lugares cimeiros das monarquias privadas).

Longe vai o tempo da ingénua frase de um homem honesto, demasiado honesto para este nosso tempo, de que eu me sinto longe ideologicamente, mas de que aprecio a honestidade: Ramalho Eanes, 1976 – Onde estão os ricos em Portugal? (no sentido de já não haver).

Fascinante.

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