terça-feira, 19 de novembro de 2013

Não há números magicos?!

Do currículo do senhor primeiro ministro fazem parte o desempenho de funções como professor de matemática e a direção da Tecnoforma, empresa de formação.
Um dos graves problemas de Portugal, felizmente com notáveis exceções, é a deficiente ligação das escolas, nomeadamente universidades e institutos de ensino profissional, às empresas e à produção industrial.
Empresas de formação dissiparam dinheiros dos fundos europeus duplamente, através da sobreposição à função das escolas e através do desvio das verbas comunitárias que teriam sido melhor empregues em infraestruturas devido ao seu efeito mutiplicador no PIB (recorda-se que o valor aplicado em infraestruturas foi 12%, sem prejuizo evidentemente da discussão sobre se deveriam ter sido essas infraestruturas a beneficiar dos fundos).
A deficiente ligação entre escolas e industria (repito, com exceções) e o desperdício das ações das empresas de formação revelam apenas a ignorancia das condições reias de funcionamento das empresas e das suas frentes de trabalho por uns e a falta de preparação técnica por outros.
Infelizmente, e esse é outroproblema grave, em Portugal pouco se privilegia a recolha e o tratamento de dados fiáveis, dando-se preferencia a "perceções" e a estatísticas de dados incompletos.
Outro problema grave é a deficiente assimilação de conceitos que deveriam estar na base das análises que discutem em público (lá etá, prefere-se discutir "perceções").
Isto a propósito do senhor primeiro ministro, comentando a talvez fuga de informação do senhor ministro Machete, sobre o limite das taxas de juro aceitáveis (talvez a soma de 2% de inflação, mais 2% de taxa de crescimento e mais 0,5% de margem financeira), ter dito que "Não há números mágicos".
Um ex-professor de matemática disse isto?
No dia seguinte, o cartonista do DN desenhou Pitágoras a mandar um email ao senhor primeiro ministro protestando veementemente.
Que é o que se faz neste post.
Mágico é aquilo que dificilmente encontra uma explicação racional. E foram exatamente os pitagóricos que descobriram os numeros irracionais, ao provar que rais quadrada de 2 não pode ser representada por uma fração de numeros inteiros. Isso foi muito grave para os pitagóricos, que queriam formar sistemas de governação por cientistas e afinal havia números irracionais, números mágicos que escapavam às relações rigidas que "governariam" as harmonias universais. Números mágicos o "pi", relação entre perímetro e diâmetro da circunferencia. O número "e", limite para que tende a série das frações fatoriais, igual a 2,71828... e cuja potencia de expoente x tem como taxa de variação (a derivada) o seu próprio valor (como os juros contínuos das dívidas, crescem proporcionalmente ao seu valor, razão pela qual qualquer ex-professor de matemática devia saber, tratando-se de variação exponencial, reduzir juros é uma coisa muito importante), e que entram na espiral maravilhosa logarítmica e na definição do número de ouro dasproporções de harmonia ideal.
Não admira assim que, sendo o país governado por um ex-professor de matemática que não assimilou o conceito de número irracional (ou mágico, como define o dicionário Houaiss), as politicas do atual governo continuem a espiral recessiva, que não tem nada de mágico, apenas de natural em função das medidas tomadas.
Ao menos podia o senhor primeiro ministro pedir ao senhor economista João César das Neves uma análise exegeta sobre os juros conforme o Exodus, 22:25  -  "Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, não deves considerar-te credor nem lhe cobrarás juros".





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