sábado, 30 de novembro de 2013

Torturem os números que eles confessam, ou a propaganda que o governo faz com a estatística



Torturem os números que eles confessam, livro de Pedro Girão Nogueira Ramos.
Ou de como a mentira dos senhores governantes é apresentada como verdade estatística.
O artigo no jornal de economia, a propósito da divulgação da estatística do Eurostat, de diminuição da taxa de desemprego de 17,6% para 15,7%,  mostra em fotografia sorridente o senhor ministro da Economia com a legenda “economia portuguesa está a melhorar e a gerar postos de trabalho”.
É parte da verdade, pelo menos com base nos dados recolhidos, com a reserva de que a margem de erro dessa estatística pode ser superior à melhoria registada. 
E também que a melhoria registada se refere ao trimestre anterior, porque relativamente ao período homólogo do ano anterior, piorou (menor número de pessoas empregadas).
Consultado o INE, verificam-se os seguintes dados (em milhões):

                                                          3ºT/2012                 3ºT/2013     

nºde desempregados  (1)                       0,871                       0,839

nº de empregados  (2)                           4,657                      4,554

população ativa   (3)=(1)+(2)                5,528                      5,393

taxa de desemprego  (4)=(1)/(3)         0,1576                     0,1556

emigração (suposta igual à dimi-
       nuição da população ativa  e
       total)      (5)=(3)2012 – (3)2013           -                         0,135 

população total   (6)                             10,487                  10,352

taxa de emprego  (7)=(2)/(6)              0,4441                  0,4399



Em resumo: desde o mesmo período do ano passado, o número de desempregados diminuiu 32.000 (principalmente à custa da emigração), e o número de empregados diminuiu 103.000 (por fecho de empresas e por emigração, mas admitamos que foi só por emigração).
Isto é, o número de empregados diminuiu 3 vezes mais do que o numero de desempregados.
Então a taxa de desemprego diminuiu num ano 0,20% (passou de 15,76%, e não 17,6% como referiu o Eurostat, para 15,56%) e a taxa de emprego baixou 0,14%   (passou de 44,41% para 43,99%).
Se construirmos o indicador  (desempregados + emigrantes)/(população ativa+emigrantes) , obteremos uma taxa de desemprego de 17,57%

É claro que todos estes valores dependem da fiabilidade da recolha dos dados respetivos, sabendo-se como é remota a probabilidade de traduzirem a realidade completa, e estão certamente no intervalo de erro, pelo que é uma mentira a auto-satisfação dos senhores governantes, ou simples manifestação de ignorância ou negligencia matemática, ou aparentemente, má-fé.

O que estes números indiciam é o que se vê no dia a dia, precariedade dos empregos, fecho de empresas como os estaleiros de Viana do Castelo e uma população em idade útil desaproveitada e ofendida quando é responsabilizada pelo seu próprio insucesso ou pelas consequências da ausência de politicas de pleno  emprego, como manda o art.58 da Constituição o governo desenvolver.

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