Do currículo do senhor primeiro ministro fazem parte o desempenho de funções como professor de matemática e a direção da Tecnoforma, empresa de formação.
Um dos graves problemas de Portugal, felizmente com notáveis exceções, é a deficiente ligação das escolas, nomeadamente universidades e institutos de ensino profissional, às empresas e à produção industrial.
Empresas de formação dissiparam dinheiros dos fundos europeus duplamente, através da sobreposição à função das escolas e através do desvio das verbas comunitárias que teriam sido melhor empregues em infraestruturas devido ao seu efeito mutiplicador no PIB (recorda-se que o valor aplicado em infraestruturas foi 12%, sem prejuizo evidentemente da discussão sobre se deveriam ter sido essas infraestruturas a beneficiar dos fundos).
A deficiente ligação entre escolas e industria (repito, com exceções) e o desperdício das ações das empresas de formação revelam apenas a ignorancia das condições reias de funcionamento das empresas e das suas frentes de trabalho por uns e a falta de preparação técnica por outros.
Infelizmente, e esse é outroproblema grave, em Portugal pouco se privilegia a recolha e o tratamento de dados fiáveis, dando-se preferencia a "perceções" e a estatísticas de dados incompletos.
Outro problema grave é a deficiente assimilação de conceitos que deveriam estar na base das análises que discutem em público (lá etá, prefere-se discutir "perceções").
Isto a propósito do senhor primeiro ministro, comentando a talvez fuga de informação do senhor ministro Machete, sobre o limite das taxas de juro aceitáveis (talvez a soma de 2% de inflação, mais 2% de taxa de crescimento e mais 0,5% de margem financeira), ter dito que "Não há números mágicos".
Um ex-professor de matemática disse isto?
No dia seguinte, o cartonista do DN desenhou Pitágoras a mandar um email ao senhor primeiro ministro protestando veementemente.
Que é o que se faz neste post.
Mágico é aquilo que dificilmente encontra uma explicação racional. E foram exatamente os pitagóricos que descobriram os numeros irracionais, ao provar que rais quadrada de 2 não pode ser representada por uma fração de numeros inteiros. Isso foi muito grave para os pitagóricos, que queriam formar sistemas de governação por cientistas e afinal havia números irracionais, números mágicos que escapavam às relações rigidas que "governariam" as harmonias universais. Números mágicos o "pi", relação entre perímetro e diâmetro da circunferencia. O número "e", limite para que tende a série das frações fatoriais, igual a 2,71828... e cuja potencia de expoente x tem como taxa de variação (a derivada) o seu próprio valor (como os juros contínuos das dívidas, crescem proporcionalmente ao seu valor, razão pela qual qualquer ex-professor de matemática devia saber, tratando-se de variação exponencial, reduzir juros é uma coisa muito importante), e que entram na espiral maravilhosa logarítmica e na definição do número de ouro dasproporções de harmonia ideal.
Não admira assim que, sendo o país governado por um ex-professor de matemática que não assimilou o conceito de número irracional (ou mágico, como define o dicionário Houaiss), as politicas do atual governo continuem a espiral recessiva, que não tem nada de mágico, apenas de natural em função das medidas tomadas.
Ao menos podia o senhor primeiro ministro pedir ao senhor economista João César das Neves uma análise exegeta sobre os juros conforme o Exodus, 22:25 - "Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, não deves considerar-te credor nem lhe cobrarás juros".
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terça-feira, 19 de novembro de 2013
Não há números magicos?!
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domingo, 14 de julho de 2013
Vergonha III - Sobraram 7,5 mil milhões de euros
Tenho de concordar com o senhor secretário de Estado do desenvolvimento regional.
Devem utilizar-se os 7.500 milhões de euros dos fundos QREN que sobraram, antes que comece o novo ciclo de 2014 a 2020 (dotado com menos 10% de fundos, embora com uma comparticipação mínima e 85%).
Mas já não concordo que se limite a apelar aos agentes económicos.
A utilização de fundos QREN requer a apresentação de projetos completos e fundamentados, integrados numa estratégia de nível regional ou nacional, e a experiencia demonstra que nem sempre a iniciativa privada pode deesnvolver esses projetos.
Competiria, salvo melhor opinião, à parte pública elaborar esses projetos.
Mas os senhores governantes insistem em reduzir a atividade do Estado.
É também caricato vir um senhor governante 2 anos depois do governo ter paralisado tudo quanto fosse obras públicas, desde o Poceirão-Caia ao túnel do Marão, dizer que se devem utilizar estes 7.500 milhões de euros.
Encontram-se neste blogue várias sugestões (parece que não valerá a pena propor a reativação do túnel do Marão porque o próprio governo parece já ter percebido que o deve fazer; igualmente o ministério do fomento espanhol já explicou ao governo português que é essencial definirem o traçado para alta velocidade de mercadorias e de passageiros, vivendo-se no secretismo, sem se saber se o projeto está ou não a ser eleborado), desde a central solar de sais fundidos à linha de transmissão em alta tensão contínua para França para exportação da energia elétrica de origem renovável, à produção de hidrogénio a partir de energia elétrica de fontes renováveis, à adaptação de estações de metro a pessoas com mobilidade reduzida, à conclusão da estação de metro da Reboleira, à construção de parques de estacionamento com correspondência com o metropolitano nas principais vias de acesso a Lisboa, até ao desenvolvimento intensivo da aquacultura para a autonomização alimentar.
Mas tudo isso exigiria que especialistas desenvolvessem os projetos.
E esses especialistas não poderiam ser economistas, nem advogados, nem jornalistas, nem comentadores políticos, nem deputados, nem ministros, tinham de ser engenheiros.
E se bem repararam, já viram algum engenheiro no Conselho de Estado?
Então como querem que o país progrida?
Se nem sequer foi dado seguimento às 3 sugestões tão simples: taxação das transações na bolsa, taxação sem repercussão no cliente por cada transação no multibanco, renegociação por abaixamento das taxas de juro.
A terceira sugestão, contrariamente à propaganda indecente do governo, cujo primeiro ministro dizia ao principio, com o complexo de superioridade, a arrogância e a petulância que o carateriza, que não precisava nem de mais tempo nem de mais dinheiro, já vem sendo seguida pelos decisores. Afinal só entre 20 e 30% da dívida pública (e como será coma dívida privada?) está nas mãos dos tais investidores não nacionais que constituem “o mercado”, estando o restante nas mãos da troika e dos bancos nacionais (porque será então que o nervosismo destes 20 ou 30% tem tanto impacto?). E isso permitiu que o pagamento de 17% da dívida , correspondente à UE, seja adiado para 2023 até 2042 (embora não seja suficiente, os juros deveriam baixar, indexados à taxa de crescimento). E que parece inevitável o tal mecanismo de crédito “cautelar” ou apoio com compra pelo BCE dos títulos da divida pública para conter os juros.
Enfim, no meio da confusão e da dificuldade interpretativa das realidades evidenciada pelos senhores decisores políticos neste verão de 2013, discute-se tudo, menos as medidas concretas que poderiam combater o desemprego e ajudar ao crescimento.
Por isso, e porque afinal os tais “mercados” que fazem subir os juros são maioritariamente bancos nacionais (os donos de Portugal), o título deste “post” é “vergonha III”.
Devem utilizar-se os 7.500 milhões de euros dos fundos QREN que sobraram, antes que comece o novo ciclo de 2014 a 2020 (dotado com menos 10% de fundos, embora com uma comparticipação mínima e 85%).
Mas já não concordo que se limite a apelar aos agentes económicos.
A utilização de fundos QREN requer a apresentação de projetos completos e fundamentados, integrados numa estratégia de nível regional ou nacional, e a experiencia demonstra que nem sempre a iniciativa privada pode deesnvolver esses projetos.
Competiria, salvo melhor opinião, à parte pública elaborar esses projetos.
Mas os senhores governantes insistem em reduzir a atividade do Estado.
É também caricato vir um senhor governante 2 anos depois do governo ter paralisado tudo quanto fosse obras públicas, desde o Poceirão-Caia ao túnel do Marão, dizer que se devem utilizar estes 7.500 milhões de euros.
Encontram-se neste blogue várias sugestões (parece que não valerá a pena propor a reativação do túnel do Marão porque o próprio governo parece já ter percebido que o deve fazer; igualmente o ministério do fomento espanhol já explicou ao governo português que é essencial definirem o traçado para alta velocidade de mercadorias e de passageiros, vivendo-se no secretismo, sem se saber se o projeto está ou não a ser eleborado), desde a central solar de sais fundidos à linha de transmissão em alta tensão contínua para França para exportação da energia elétrica de origem renovável, à produção de hidrogénio a partir de energia elétrica de fontes renováveis, à adaptação de estações de metro a pessoas com mobilidade reduzida, à conclusão da estação de metro da Reboleira, à construção de parques de estacionamento com correspondência com o metropolitano nas principais vias de acesso a Lisboa, até ao desenvolvimento intensivo da aquacultura para a autonomização alimentar.
Mas tudo isso exigiria que especialistas desenvolvessem os projetos.
E esses especialistas não poderiam ser economistas, nem advogados, nem jornalistas, nem comentadores políticos, nem deputados, nem ministros, tinham de ser engenheiros.
E se bem repararam, já viram algum engenheiro no Conselho de Estado?
Então como querem que o país progrida?
Se nem sequer foi dado seguimento às 3 sugestões tão simples: taxação das transações na bolsa, taxação sem repercussão no cliente por cada transação no multibanco, renegociação por abaixamento das taxas de juro.
A terceira sugestão, contrariamente à propaganda indecente do governo, cujo primeiro ministro dizia ao principio, com o complexo de superioridade, a arrogância e a petulância que o carateriza, que não precisava nem de mais tempo nem de mais dinheiro, já vem sendo seguida pelos decisores. Afinal só entre 20 e 30% da dívida pública (e como será coma dívida privada?) está nas mãos dos tais investidores não nacionais que constituem “o mercado”, estando o restante nas mãos da troika e dos bancos nacionais (porque será então que o nervosismo destes 20 ou 30% tem tanto impacto?). E isso permitiu que o pagamento de 17% da dívida , correspondente à UE, seja adiado para 2023 até 2042 (embora não seja suficiente, os juros deveriam baixar, indexados à taxa de crescimento). E que parece inevitável o tal mecanismo de crédito “cautelar” ou apoio com compra pelo BCE dos títulos da divida pública para conter os juros.
Enfim, no meio da confusão e da dificuldade interpretativa das realidades evidenciada pelos senhores decisores políticos neste verão de 2013, discute-se tudo, menos as medidas concretas que poderiam combater o desemprego e ajudar ao crescimento.
Por isso, e porque afinal os tais “mercados” que fazem subir os juros são maioritariamente bancos nacionais (os donos de Portugal), o título deste “post” é “vergonha III”.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Este blogue é um gigantesco batoteiro - o obscurantismo e a queda de Salazar
Este blogue é um gigantesco batoteiro.
A acreditar no voluntarioso senhor primeiro ministro a discursar para os jovens do seu partido, provavelmente ansiosos por virem a ser como ele, assertivo quando proclamou que “a batota acabou”.
Primeiro, chamou pequena batota à desvalorização de uma moeda para embaratecer as exportações.
Talvez estivesse a chamar pequeno batoteiro ao governo chinês, que não gosta nada de valorizar o reiminbi.
Mas estaria a chamar pequeno batoteiro a este blogue, que já propôs a desvalorização do euro ou a decomposição do euro em novas moedas (mais uma vez este blogue não tem o mérito de inventar nada, estas são invenções de economistas como Sivio Caselli e John Keynes, antes de haver euro e antes de haver neo-liberais da escola de Chicago).
Depois, chamou “gigantesca batota” ao financiamento dos Estados pelo BCE a juros idênticos aos dos bancos.
Como este blogue também não se cansa de propor juros menores para a dívida, aqui se vê como é um gigantesco batoteiro.
Estamos então caídos no nível da adjetivação desmerecedora.
Provavelmente queixar-se-á o senhor primeiro ministro de que blogues como este também o insultam.
Talvez sim, talvez não, mas sempre se quis fundamentar neste blogue as acusações que se fazem ao senhor primeiro ministro, como por exemplo, citando as suas afirmações antes e depois da eleição (“a minha garantia é de que se for preciso taxarei o consumo e não os rendimentos”, “cortar o subsidio de Natal é um disparate”, etc, etc), o que conduz fatalmente a um adjetivo na verdade pouco elegante na língua portuguesa.
Até quando este blogue associou a “missão” de que este governo está incumbido de salvar o país a sintomas de hipomania (forma menos grave do distúrbio psicológico de quem tem dificuldade de assimilação da realidade, nunca aceita submeter-se a tratamento e imagina que o destinaram a uma função messiânica; alem de que exibir sintomas de uma doença não significa necessariamente que se sofre dela) se baseou nas próprias afirmações do senhor primeiro ministro, agora confirmadas com a interrogação “…pergunto-me se as pessoas percebem que nós estamos a lançar as raízes para uma sociedade mais justa”.
Realmente as pessoas percebem, ou pensarão, dadas as suas insinuadas limitadas capacidades de compreensão, que percebem que talvez o engenheiro Moreira da Silva, mais dado a tratamento de dados que o senhor primeiro ministro, lhe tenha passado a mensagem que um país com o coeficiente de Gini como o de Portugal não é sustentável (aquilo de ter dito na mesma reunião de juventude partidária que “os 20% mais ricos recebem 33% do rendimento enquanto os 20% mais pobres recebem 13% do rendimento ficou-lhe mesmo bem, não ficou?).
Mas também percebem, as pessoas, que quando se quer uma sociedade mais justa e se tem mesmo de cortar, deixam-se os cortes nas pensões para depois (é estranho, quando me reformei a Segurança Social atribuiu-me uma pensão provisória, refez os cálculos com mais calma e depois atribuiu-me a definitiva; estranho haver pensões mal calculadas por aí; se há, porque será?) e primeiro aplicam-se medidas de emprego e corta-se nos grandes rendimentos do capital, como costumam dizer Jerónimo de Sousa e Warrem Beaty. E quando duas pessoas assim tão diferentemente posicionadas dizem a mesma coisa, a probabilidade de terem razão é “gigantesca”.
Enfim, como eu costumo dizer, só se deve discutir com base em dados concretos, não sobre virtualidades, e por isso recorri, para fundamentar a minha proposta de “gigantesca batota” de redução dos juros, ao site do congresso das alternativas (http://www.congressoalternativas.org/ ), com um pequeno cálculo sobre o valor dos juros na dívida pública:
“Na realidade, não há verdadeira alternativa ao Orçamento aprovado que não passe pela redução da única despesa que pode ser cortada sem efeitos recessivos e com benefício na libertação de recursos para o investimento e a criação de emprego: os juros da dívida pública. Os juros da dívida representam 9% da despesa e 4,3% do PIB, quase todo o défice previsto para 2013. Um corte de 1% nos juros vale dois mil milhões de euros. Seria possível diminuir a despesa em quatro mil milhões na despesa (como agora se estima ser necessário) com base num corte de 2% juros. Esse é aproximadamente o valor que os fundos europeus nos cobram acima da taxa a que esses fundos obtêm os seus empréstimos.”
É isto uma “gigantesca batota”?!
A propósito de batota, continua sem se falar na auditoria à dívida privada, a grande competidora da dívida pública, para sabermos onde nós, os privados, gastámos mal o dinheiro.
É que sem auditoria não temos ideia do desvio do que deveria ter sido o caminho.
E isso é mau, é desnorte, ou navegação à vista.
E ainda a propósito de discutir sobre dados concretos e não sobre virtualidades, achei interessante um pequeno gráfico com origem na Comissão Europeia sobre a evolução da dívida pública desde 1994 publicado no DN de 17 de dezembro: adivida cresceu em 1994 e 1995 com o senhor ministro das finanças Catroga, sendo primeiro ministro Cavaco Silva. Depois baixou até 2000 com o ministro das finanças Pina Moura, sendo primeiro ministro Guterres. Com Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, sendo primeiros ministros Durão Barroso e Santana Lopes, subiu de 2002 a 2005, e depois, com Teixeira dos Santos, ao mesmo ritmo, até 2008. Seguiu-se o descalabro de 2009 com subidas superiores a 10% ao ano, ritmo que se mantem com o atual governo apesar dos cortes e graças à contração da procura e do PIB.
Tudo isto me leva a não ter confiança no atual governo e a considerar que o ambiente cultural em que vivemos, porque cultura é interpretar o que nos rodeia, é de obscurantismo, apesar do esforço evidente dos agentes culturais; o obscurantismo da “noite neo-liberal”, como diz Rafael Correa.
E obscurantismo faz-me lembrar o tempo de antes da II Republica, traduzido por aquela anedota do passageiro da linha de Cascais que todos os dias comprava o jornal, olhava para a primeira página e deitava-o fora, e quando lhe perguntavam porquê, respondia: “não traz a notícia de que eu estou à espera, a queda do Salazar”.
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sábado, 7 de julho de 2012
O discurso de Tokio de Christine Lagarde, a sugestão do senhor fiscalista Tiago Guerreiro e os adolescentes
O discurso de Tokio de 6 de julho de 2012 de Christine Lagarde numa universidade de Tókio parece-me ser de uma importancia extrema.
É verdade que na plateia estavam muitos jovens e que Christine Lagarde ainda não se esqueceu de quando era adolescente, pelo menos é o que parece quando deixa escapar algumas afirmações contra o pensamento unico dos seguidores de Hayeck e Friedman.
Mas é um desgosto ver a pouca atenção que lhe dedicaram os meios de comunicação social portugueses; passou rapidamente no telejornal.
Talvez porque, no seu discurso, Christine Lagarde critica violentamente os bancos e as instituições financeiras (ver minutos 47 a 49 do video) : "têm de se concentrar no seu core business, que é o de financiar a economia real, devem voltar a suportar a economia e não a desestabilizá-la, voltar a servir e não exclusivamente a querer obter lucros".
É muito importante destacar esta frase, quando os nossos pensadores, comentadores, escribas de serviço, repetem como goebelzinhos que as empresas existem para dar lucros aos seus acionistas. Sim, se não derem cabo dos recursos que permitem obter os lucros, como as cochonilhas gostam de fazer, até dar cabo da árvore.
Era o que os adolescentes do meu tempo diziam, que o objetivo principal das empresas devia ser a utilidade social, e o lucro seria ajustado em função disso.
Era também o que Álvaro Cunhal dizia em 1974, quando havia que ajustar o crescimento do rendimento dos trabalhadores por conta de outrem com a redução das margens de lucro.
Não é enternecedor , passados estes anos todos, depois de caido o muro de Berlim e do fracasso da tentativa marxista-leninista soviética, ver que, afinal, temos de nos recentrar nisto - a prioridade deve estar no social, não na ganancia individual dos grandes financeiros de produtos tóxicos embora altamente lucrativos?
O discurso começa com o apelo à solidariedade e à coordenação de esforços global, em oposição ao interesse egista (uma adam smithista, a falar assim...) e com o diagnóstico de mau momento da economia mundial, incluindo a Europa, os USA e a desaceleração das economias emergentes (afinal, os senhores do governo português têm andado a mentir-nos quando nos responsabilizam pela crise, por termos andado a viver acima das nossas possibildades, a cride vem de fora, a menos que queiram fazer-nos crer que a crise mundial foi provocada pela nossa despesa pública).
Que é a pior depressão da história, que a prioridade deve ser a diminuição do endividamento (são já enores as dividas dos USA, do Canadá, da França), e que deve haver um pouco de improvisação (!) e de criatividade.
É dito claramente que é necessário reparar os danos do colapso do Lehman Brothers, em setembro de 2008 (ver o Inside Job - poucos meses antes, o entrevistador perguntou a Christine Lagarde o que aconteceria se Paulsen lhe tivesse mentido quando lhe garantiu o controle sobre as instituições financeiras gananciosas, e a senhora respondeu em vernáculo - "holly cow", ou como nós diriamos, "poças").
Devia ser cuidadosamente estudado , este discurso, e devidamente servido à população, quanto mais não seja para ela não se sentir tão culpada de uma crise que não é dela.
No mesmo telejornal, relacionado com isto e a propósito da declaração de inconstitucionalidade do corte dos subsídios de natal e de férias exclusivamente a funcionários publicos e aposentados (que está escandalizando tantos senhores bem postos da nossa praça, a pontos de quase rasgarem as vestes e ameaçarem a catástrofe), o senhor fiscalista Tiago Guerreiro foi entrevistado e vejam, como medida alternativa para reduzir a despesa pública (e consequentemente reduzir a necessidade de cortes nos subsidios ou novas sobretaxas de IRS) propõe reduzir os 8,5 mil milhões de juros anuais, através da venda de certificados de aforro aos cidadãos, que têm um juro mais baixo do que o juro agiota dos bancos.
Como escreveu este blogue, foi assim ao longo dos séculos neste país; é o próprio povo que financia o país quando ele precisa.
Mas não é sustentável o BCE andar a emprestar dinheiro a juro baixo ou nulo a bancos e estes,mais os "investidores dos mercados" a exigirem juros elevados aos governos e à economia.
Como diz Christine Lagarde, não é assim que os bancos se concentram no seu "core business".
Se tiverem paciencia, vejam no video o ar fino com que Christine Lagarde responde ao entrevistador que o BCE baixa as taxas de juro sem necessidade de lhe pedir licença...
Violento, o discurso, contra os bancos e financeiros; esperemos que não interpretem como apelo a atirar pedras às montras (era o que eles e as forças de intervenção queriam, para poderem armar em vítimas).
Terá captado a mensagem de Victoria Grant? (http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/06/victoria-grant-public-banking-institute.html ).
Está a querer mudar a perceção que temos do FMI?
Pena ter dito aquilo das crianças do Niger e da Grécia...
É verdade que na plateia estavam muitos jovens e que Christine Lagarde ainda não se esqueceu de quando era adolescente, pelo menos é o que parece quando deixa escapar algumas afirmações contra o pensamento unico dos seguidores de Hayeck e Friedman.
Mas é um desgosto ver a pouca atenção que lhe dedicaram os meios de comunicação social portugueses; passou rapidamente no telejornal.
Talvez porque, no seu discurso, Christine Lagarde critica violentamente os bancos e as instituições financeiras (ver minutos 47 a 49 do video) : "têm de se concentrar no seu core business, que é o de financiar a economia real, devem voltar a suportar a economia e não a desestabilizá-la, voltar a servir e não exclusivamente a querer obter lucros".
É muito importante destacar esta frase, quando os nossos pensadores, comentadores, escribas de serviço, repetem como goebelzinhos que as empresas existem para dar lucros aos seus acionistas. Sim, se não derem cabo dos recursos que permitem obter os lucros, como as cochonilhas gostam de fazer, até dar cabo da árvore.
Era o que os adolescentes do meu tempo diziam, que o objetivo principal das empresas devia ser a utilidade social, e o lucro seria ajustado em função disso.
Era também o que Álvaro Cunhal dizia em 1974, quando havia que ajustar o crescimento do rendimento dos trabalhadores por conta de outrem com a redução das margens de lucro.
Não é enternecedor , passados estes anos todos, depois de caido o muro de Berlim e do fracasso da tentativa marxista-leninista soviética, ver que, afinal, temos de nos recentrar nisto - a prioridade deve estar no social, não na ganancia individual dos grandes financeiros de produtos tóxicos embora altamente lucrativos?
O discurso começa com o apelo à solidariedade e à coordenação de esforços global, em oposição ao interesse egista (uma adam smithista, a falar assim...) e com o diagnóstico de mau momento da economia mundial, incluindo a Europa, os USA e a desaceleração das economias emergentes (afinal, os senhores do governo português têm andado a mentir-nos quando nos responsabilizam pela crise, por termos andado a viver acima das nossas possibildades, a cride vem de fora, a menos que queiram fazer-nos crer que a crise mundial foi provocada pela nossa despesa pública).
Que é a pior depressão da história, que a prioridade deve ser a diminuição do endividamento (são já enores as dividas dos USA, do Canadá, da França), e que deve haver um pouco de improvisação (!) e de criatividade.
É dito claramente que é necessário reparar os danos do colapso do Lehman Brothers, em setembro de 2008 (ver o Inside Job - poucos meses antes, o entrevistador perguntou a Christine Lagarde o que aconteceria se Paulsen lhe tivesse mentido quando lhe garantiu o controle sobre as instituições financeiras gananciosas, e a senhora respondeu em vernáculo - "holly cow", ou como nós diriamos, "poças").
Devia ser cuidadosamente estudado , este discurso, e devidamente servido à população, quanto mais não seja para ela não se sentir tão culpada de uma crise que não é dela.
No mesmo telejornal, relacionado com isto e a propósito da declaração de inconstitucionalidade do corte dos subsídios de natal e de férias exclusivamente a funcionários publicos e aposentados (que está escandalizando tantos senhores bem postos da nossa praça, a pontos de quase rasgarem as vestes e ameaçarem a catástrofe), o senhor fiscalista Tiago Guerreiro foi entrevistado e vejam, como medida alternativa para reduzir a despesa pública (e consequentemente reduzir a necessidade de cortes nos subsidios ou novas sobretaxas de IRS) propõe reduzir os 8,5 mil milhões de juros anuais, através da venda de certificados de aforro aos cidadãos, que têm um juro mais baixo do que o juro agiota dos bancos.
Como escreveu este blogue, foi assim ao longo dos séculos neste país; é o próprio povo que financia o país quando ele precisa.
Mas não é sustentável o BCE andar a emprestar dinheiro a juro baixo ou nulo a bancos e estes,mais os "investidores dos mercados" a exigirem juros elevados aos governos e à economia.
Como diz Christine Lagarde, não é assim que os bancos se concentram no seu "core business".
Se tiverem paciencia, vejam no video o ar fino com que Christine Lagarde responde ao entrevistador que o BCE baixa as taxas de juro sem necessidade de lhe pedir licença...
Violento, o discurso, contra os bancos e financeiros; esperemos que não interpretem como apelo a atirar pedras às montras (era o que eles e as forças de intervenção queriam, para poderem armar em vítimas).
Terá captado a mensagem de Victoria Grant? (http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/06/victoria-grant-public-banking-institute.html ).
Está a querer mudar a perceção que temos do FMI?
Pena ter dito aquilo das crianças do Niger e da Grécia...
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