quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Da serotonina à criação do homem, ou vice versa

A minha jovem e irreverente correspondente do facebook - não pensem coisas de mim, é apenas o que escrevo, jovem  e irreverente correspondente - queixava-de de um dia de indecisão, sem se decidir a tomar uma decisão ou a sua contrária, sentindo-se exposta a críticas da condição feminina.
Deixou-me também na indecisão, que por vezes não saber o que fazer é sábio, hesitando entre a dialética da tese, antítese e síntese, ou pelo contrário, a humilde aceitação da dualidade contraditória do que quer que exista na natureza, desde a corpuscular-ondulatória da luz até à incerteza da posição-velocidade de Schrodinger. 
De modo que respondi-lhe deste modo, no facebook, claro:
- Há dias assim. 
Deve ser da concentração das serotoninas e das acetilcolinas. 
Mas passa, sentando-se calmamente num sofá, a ler um bom livro. 
Por falar nisso, não desmereça da condição feminina. 
É que não foi Adão que surgiu primeiro e depois lhe tiraram uma costela. 
Yavé escolheu uma gorila mais bonita e acrescentou-lhe o cortex neo frontal para aumentar a capacidade de processamento e a memória.
Na verdade não acrescentou nada de físico, "desbloqueou" o gene que impedia o crescimento das células neuronais e das sinapses. 
Atuou por software, não por hardware.
Só depois disso e do neo cortex dar os primeiros frutos é que Yavé deu origem a Adão, por partenogenese, porque não queria que lhe pesasse na consciencia, dele Yavé, ter deixado a mulher sem um entretenimento capaz de trocar com ela alguns argumentos, ou como se diz agora, sem um gadget com que pudesse interagir ...
Yavé foi muito criticado no congresso seguinte dos deuses do universo (ou talvez pluriverso), por ter dado a capacidade de raciocinio à mulher, e, por extensão, ao homem. 
Mas o mal estava feito. 
É por isso que há dias assim...

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