segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Acidente na linha de Alta Velocidade Cordoba-Madrid em 18 de janeiro de 2026

 Sentidas condolencias aos familiares as vítimas mortais e votos de recuperação dos feridos. Para quem como eu deseja uma rede europeia de AV também em Portugal servindo o interesse das comunidades, um acidente deste tipo é profundamente chocante. 

No momento em que escrevo estão confirmadas 21 mortes (subiu para 43 à data de 22jan2026). Certamente que as causas serão esclarecidas e divulgadas. Sabe-se como ocorreu o acidente. O comboio Iryo (fabrico Hitachi-Alstom, ex Bombardier da companhia italiana TreneItalia) terá descarrilado as duas últimas carruagens junto da estação técnica de Adamuz, a cerca de 26km a norte de Cordoba, no sentido para Madrid. Essas carruagens (uma carruagem simples e uma motora na retaguarda da composição) colidiram com um comboio da Renfe Alvia que ligava Madrid a Huelva provocando o descarrilamento deste caindo por um taludede cerca de 4m. Como hipótese não confirmada, poderá ter havido uma interferência entre algum rodado com falha ou peça do comboio Iryo com algum componente da agulha ou falha desta. Só o inquérito poderá esclarecer.


troço da linha de AV entre Cordoba e arredores de Adamuz

em 20janeiro2026 substituição de figura inicial com posição relativa dos comboios acidentados aproximadamente conforme video da Guardia Civil (colisão cerca de 500m a sul do edificio técnico)
https://www.ondacero.es/noticias/sociedad/que-sabe-rotura-rail-23117-punto-mira-investigadores-tragedia-adamuz_20260120696fab6cf21351044da32bb7.html?utm_module=explore



https://www.larazon.es/sociedad/asi-sido-accidente-que-han-descarrilado-dos-trenes_20260118696d5709be7ae37724cdae03.html

https://www.larazon.es/sucesos/ingeniero-experto-trenes-descarta-velocidad-apunta-fallo-mecanico-como-posible-causa-accidente-cordoba_20260118696d65de384d9f038d91a1a6.html


PS em 19jan2026 - A cerca de 500m para norte do provável local do acidente encontra-se um edificio técnico para controle dos aparelhos de mudança de via. Existe um aparelho de mudança de via com lanças de ponta a cerca de 370m a sul do local provável do acidente, sendo provável que tenha sido aí que o descarrilamento das duas carruagens da cauda do comboio Iryo se tenha iniciado. Sendo a última motora, os bogies são mais complicados, pondo-se a hipótese de avaria nos rodados ou nos bogies ou nos motores, o que só poderá confirmar-se se tiverem ficado vestígios na via. Se foi assim, é a repetição dum acidente com um ICE na Alemanha, com uma roda defeituosa ou no túnel de S.Gotardo com uma roda partida. Se foi assim confirma-se a necessidade do material circulante dispor de sensores que detetem o defeito e automaticamente desencadeiem  a paragem.  Tambem terá de ser investigada a hipótese de defeito no aparelho de via ou na via e análise dos planos de manutenção (a via tinha sido renovada há cerca de um ano). Mas confio que o inquérito com as recomendações será divulgado em tempo útil.

PS em 21jan2026 -  Numa das imagens seguintes pode ver-se a fratura do carril direito a cerca de 880m para sul do edifício técnico e da posição final da última carruagem do comboio Iryo.  Analisadas as imagens, parece que a origem do descarrilamento estará aí, seguindo-se o "enganchar" na lança do aparelho de mudança de via de bogies descarrilados em consequencia do buraco dessa fratura, concretizando o descarrilamento das 3 últimas carruagens (que a seguir foram embatidas pelo comboio RENFE) e o desprendimento do troço seguinte de carril das respetivas fixações à via.
Fica por esclarecer pelo inquérito da CIAF por que partiu o carril (fragilidade da junta soldada ou obstáculo ou peça caída entre roda e carril).
Aguarda-se também do inquérito as recomendações para evitar a repetição destes acidentes (sensores a bordo com deteção automática de vibrações anormais e rede de comando de imobilização geral, fixação do carril imune a variações de temperatura, aparelhos de dilatação, fixação dos carris dos aparelhos de mudança de via em leito betonado sem balastro). Provavelmente essas recomendações consistirão em propostas de alteração das normas instalação e manutenção/inspeção de via e de material circulante.





em primeiro plano o comboio Alvia da RENFE; em cima à direita o  edifício técnico de Adamuz e o comboio Iryo;  video da Guardia Civil



foto da Guardia Civil sem video do carril partido ao km318,7; estimo o início do aparelho de via a cerca de 10m para a esquerda, no sentido de Madrid; só após a investigação do CIAF se poderá dizer a causa da fratura (fragilidade da junta soldada? influencia da contração por temperatura baixa extrema? inserção entre roda e carril de obstáculo externo ou peça caída de carruagem ou vibração de lacete extrema por deficiência de roda?; notar que foi exercida pressão contra o carril a seguir à fratura que o desprendeu das fixações de via; notar que os danos da via estão localizados em pequena extensão, antes da colisão; muito provável, a seguir ao choque de sucessivos rodados nesta zona eles tenham "enganchado" na lança curva do aparelho de mudança de via desviando as 3 últimas carruagens para o gabari do comboio RENFE na via contrária



imagem de um video de 29s da Guardia Civil junto do início do aparelho de mudança de via (sentido para a esquerda para Madrid)




imagem do mesmo video 15s depois da anterior, vendo-se as lanças deformadas do aparelho de via, cuja deformação não foi provocada pela colisão com o comboio da RENFE; ao fundo a penúltima carruagem do comboio RENFE atravessada a toda a largura das vias, estando o local da colisão por trás da posição dessa carruagem; notar o carril deitado arrancado das fixações; o sentido na foto é o do comboio Iryo para Madrid





foto do final do video de 29s ; a via da esquerda é a afetada pelos choques seguintes à passaagem pela fratura do carril e o sentido do comboio Iryo era da direita oara a esquerda; estimo a distancia ao local da colisão em cerca de 370m para a esquerda


estimativa das distancias com base nos videos e no Google Earth (nomeadamente para as dimensões e localização do aparelho de via); a informação sobre os pontos quilométricos é oficial da ADIF para o edificio técnico, e da comunicação social para o local da fratura do carril




distancias conforme o Googl Earth em função da informação dos videos da Guardia Civil; local da colisão estimado com base nas respetivas imagens de deformações da via e da posição final do comboio RENFE

























sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Voltou a falar-se nos erros do prolongamento da linha vermelha do metro

 

Curiosamente, o candidato Manuel João Vieira propôs o desvio do traçado do metro para fora do Jardim da Parada:

https://www.tsf.pt/politica/artigo/manuel-joao-vieira-pede-ao-metro-de-lisboa-para-que-passe-um-bocado-mais-ao-lado/18040355


Recentemente também foi noticiada a próxima entrada em obras da rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique, o que achei interessante porque também se fala que, na sequência da contestação do movimento "Salvar o Jardim da Parada" à escolha pelo metro do Jardim como local da estação de Campo de Ourique, o metro estava a estudar uma hipótese de localização da estação na dita Ferreira Borges.
Curiosa essa decisão, se for verdade. Fui ver o meu parecer sobre o EIA do prolongamento da linha vermelha, em maio de 2022, e zás, lá estão duas hipóteses da linha seguir pela Ferreira Borges sem embicar no Jardim. Será que deram ouvidos ao movimento do "Salvar o Jardim da Parada"? Ver, se tiverem paciencia, estes dois desenhos em     https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/parecer-na-consulta-publica-ate.html   A razão técnica para o traçado que eu  propunha era o aumento dos raios de curvatura da linha, mas isso são minudencias irrelevantes para os sábios que decidem por nós.
Claro que os defensores do traçado proposto pelo metro vão dizer que no subsolo da Ferreira Borges existem restos do aqueduto, mas a profundidade do aqueduto e o método TBM é compatível com isso.




Posteriormente, na consulta pública do respetivo RECAPE, enviei (inutilmente, claro) em dezembro de 2024, o seguinte parecer:   https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=vermelha&updated-max=2018-04-07T16:40:00%2B01:00&max-results=20&start=5&by-date=false

Em resumo, além de perdidos os fundos do PRR, parece-me que evidenciei que o projeto (melhor, anteprojeto) do prolongamento é uma verdadeira desgraça, um conjunto de inconformidades e erros pretensiosos de projeto de uma linha de metro, desde espetar com uma estação em forma de barracão num acesso rodoviário à ponte com 3 vias por sentido que reduz para 2 vias por sentido, a um traçado com curvas e contracurvas de raio inadmissível se se quiser poupar na manutenção dos carris e a uma inconsequência de falhar a correspondência em Alcântara Mar (correspondencia essa que evitaria outro erro não menor, que será, esperemos que seria, a ligação da linha de Cascais à da cintura, porque esta só seria quadruplicável se as vias de acesso à ponte 25 de abril fossem quadruplicadas -  por favor, senhores decisores, percebam isto, a linha de cintura norte-sul está saturada e escusam de fugir no PFN para a TTT porque esta com a Alta Velocidade e o acesso ao NAL já fica saturada juntando-lhe o tráfego suburbano e de mercadorias). Não fazendo a correspondência do metro com a linha de Cascais em Alcantara Mar o traçado proposto só teria justificação se, e só se se prolongasse pelo Alto da Ajuda e pelo Restelo até Algés para essa correspondência. Mas levantaram-se os sapientes vereadores das câmaras propondo o LIOS e pior ainda o BRT. 
Numa palavra, os erros são tamanhos que talvez seja melhor não fazer nenhum deles e contratar por concurso público internacional com classificação dos concorrentes pela qualidade do respetivo portfólio, para desencavar o plano de mobilidade da AML como mandam as regras e não os palpites. E já tarde para fazer isso, quando o senhor governo através da RCM 77/2025 já disse à IP para arrasar tudo.

Sobre os vstígios de aquedutos:

A linha circular dificulta a expansão da rede do metro:







segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Hipótese: o abaixamento de temperatura pode provocar acidentes ferroviários

 


Felizmente não aconteceram acidentes, no caso da Polónia, em Lodz

https://railmarket.com/news/infrastructure/48183-emergency-stop-near-lodz-after-metre-long-rail-gap

ou em Lisboa, Sete Rios

https://ereader.publico.pt/publico-edicao-lisboa/20260111

Mas a hipótese de carril partido como consequência do desgaste das cargas que foram suportando e do abaixamento de temperatura provocando contração dos carris com compressão interna, não acompanhada pela fixação da via às travessas é muito provável. Notar que no verão o esforço no carril é de dilatação e tração interna. A considerar também a hipótese de abatimento do balastro deixando algumas travessas com menor apoio e o carril sujeito a solicitações de sentidos opostos. Outra provável causa para a fragilidade do carril poderá ter sido soldaduras aluminotérmicas mal executadas para inserção nos carris dos aparelhos de via, o que justificaria o corte vertical do carril junto a uma das fixações depois da fratura da cabeça do carril.

Junto cópia dos artigos, sublinhando a concordancia com o texto dos "Vizinhos" e a necessidade de uma manutenção eficiente, com ultrasons, respeito do limite das cargas que o carril suportou e atacamento periódico do balastro. Neste troço só as zonas de agulhas têm fixações de 3 tirafundos.

Como medidas contra o risco de carril partido, para além das propostas, convirá fixar o limite de cargas suportáveis para a vida útil do carril (número de eixos e tonelagem que por ele passa ao longo do seu tempo útil, coisa pelos vistos não considerada pelos gabinetes ministeriais ou dos conselhos de administração quando se determina a injeção da linha de Cascais na linha de cintura), especificar a composição química mais indicada para a dilatação, contração e resistencia do carril (60Kg/m) com indicação expressa das percentagens dos elementos químicos menos vulgares  e apresentação dos certificados respetivos pelos fornecedores, melhorar o plano de inspeção e manutenção da via e travessas e compactação do balastro, e instalar em zonas expostas aparelhos de dilatação e placas de fixação elásticas e manta elástica para o balastro para absorção das dilatações e contrações devidas à variação de temperatura.



imagem Google earth de parte da zona de agulhas a Este da estação de Sete Rios. Notar 3 tirafundos por fixação próprios de zonas de aparelhos de mudança de via; notar a presença das lanças, das alimentações dos circuitos de via, e dos motores de agulha

foto no Publico. Notar 3 tira fundos e placa por fixação do carril, fratura do carril com arrancamento da cabeça e corte de um dos tirafundosà direita; fratura com corte vertical do carril junto da fixação ao centro da foto; atrás do carril partido uma lança da agulha ou um contracarril 


Evocação de incidente semelhante no metro de Lisboa:

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2014/09/teoria-do-erro.html


Das notícias:

 

Carril partido em Sete Rios leva a pedido de vistoria

GPIAAF abre análise preliminar a carril partido em Sete Rios que provocou perturbações no tráfego ferroviário a 6 de Janeiro

  • Público - Edição Lisboa
  • 11 Jan 2026
  • Carlos Cipriano

Uma imagem contendo mesa, comida, cheio, banco

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Movimento quer “vistoria extensiva” à rede ferroviária de Lisboa

Um carril partido numa das linhas nas proximidades da estação de Sete Rios, em Lisboa, no dia 6 de Janeiro, levou à supressão de vários comboios da Fertagus entre Campolide e RomaAreeiro e a atrasos no serviço de suburbanos da CP. Durante algumas horas, o tráfego ferroviário decorreu apenas em via única.

Agora, o movimento cívico Vizinhos de Lisboa quer que a IP — Infraestruturas de Portugal realize com carácter de urgência uma “vistoria extensiva a todas as linhas ferroviárias na zona de Lisboa, em particular nos troços de maior carga e antiguidade, recorrendo a inspecção visual reforçada, ensaios ultrassónicos aos carris, verificação do estado das fixações, análise do balastro e avaliação geométrica da via”.

Em comunicado, aquela associação diz que uma rotura de carril não é um evento isolado nem aleatório, mas sim o resultado “de fadiga acumulada do material, degradação progressiva não detectada atempadamente, ou falhas na monitorização e manutenção preventiva”. E alerta que “quando um carril atinge o ponto de rotura, é altamente provável que outros carris do mesmo lote, do mesmo período de fabrico ou sujeitos às mesmas condições de carga, vibração e tensão térmica estejam igualmente próximos do limite estrutural”.

Os Vizinhos de Lisboa dizem que, no contexto da rede ferroviária da capital, “a continuidade da exploração sem uma vistoria alargada expõe passageiros, trabalhadores ferroviários e populações vizinhas a um cenário de acidente grave, com potencial descarrilamento em zona densamente edificada”.

Lembrando que a IP “tem a obrigação legal de garantir que a via se encontra em condições de exploração segura”, o movimento cívico quer que o resultado da vistoria agora exigida seja depois tornado público. O comunicado foi enviado à IP com conhecimento da Câmara Municipal de Lisboa.

O GPIAAF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários) abriu uma análise preliminar ao sucedido, a qual poderá, ou não, desencadear uma investigação.

A ocorrência de carris partidos na rede ferroviária nacional não é, de todo, invulgar, sendo mais frequente no Inverno devido ao tempo frio. Mas, normalmente, essas roturas resultam em fissuras de pouca gravidade, como se se tratasse de mais uma junta de dilatação (espaço entre carris), não colocando a circulação dos comboios em risco (desde que o problema seja atempadamente corrigido). Mas as imagens do sucedido em Sete Rios, com um pedaço de carril partido e tombado sobre o balastro, demonstram um grau de gravidade acima da média. Aparentemente houve uma primeira fractura da barra de aço que não foi notada, tendo os solavancos provocados pela intensa circulação de comboios no local provocado uma segunda fractura que fez com que um pedaço do carril tombasse, abrindo um “buraco” na continuidade da via-férrea.

 

Sobre o incidente na Polónia/Lodz

An emergency stop of an Intercity train on the Lublin-Szczecin route in the Łódź Province was the result of serious damage to the railway infrastructure. The driver noticed a gap in the rail over a metre long and immediately stopped the train. Railway services have ruled out sabotage – the most likely cause of the incident was severe frost.

The incident took place on 6 January after 1 p.m. in the town of Będzelin. The PKP Intercity train travelling from Lublin to Szczecin was stopped when the driver noticed a section of rail was missing.

The driver stopped the train and reported the missing rail. Katarzyna Michalska, spokesperson for PLK S.A., said it turned out to be a 112-centimetre-long gap.

The train remained at the scene for some time. After a temporary insert was installed, the train passed over the damaged section at a speed of about 5 km/h before continuing its journey. The delay was approximately 1.5 hours.

Track no. 2 was temporarily taken out of service due to the damage. Train traffic was redirected to the adjacent track.

The track affected by the incident has now been closed. Traffic is running on track no. 1. 'We do not expect significant delays – they may be around five minutes,' said a spokeswoman for PLK S.A.

Emergency services, including the State Fire Service and the Volunteer Fire Service, also attended the scene. After 6 p.m., the damaged rail was repaired and traffic was restored to both tracks.

Initially, there were questions about the possibility of deliberate damage to the infrastructure. However, the PLK security team did not confirm this.

The incident was not caused by outsiders. A railway commission is investigating the matter, according to representatives of the infrastructure manager.

Preliminary findings suggest that the most likely cause of the damage was extremely low temperatures. At that time, the region experienced temperature drops of up to several degrees below zero, with local temperatures reaching close to 20 degrees below zero. This type of rail damage has occurred before during severe frosts.

It is worth noting that the condition of Poland's railway infrastructure is currently mainly monitored through regular inspections and the response of services and train drivers to any irregularities they notice. However, there is no system in place that would enable the automatic real-time detection of this type of track damage. Therefore, incidents such as rail defects or cracks are only identified when noticed during operation or inspection.

This article was originally published on sektorkolejowy.pl

 

 


sábado, 10 de janeiro de 2026

A Flixbus e o pedido de acesso ao terminal provisório de Sete Rios

 Recentemente foi dada publicidade ao pedido da Flixbus para utilização do terminal rodoviário de Sete Rios recusado pelo gestor da infraestrutura, a Rede Expressos. A AMT como entidade reguladora e o IMT como executivo, protestaram em defesa do princípio da concorrência tão defendido pela CE.

https://www.transportesenegocios.pt/rede-expressos-mantem-que-a-flixbus-nao-cabe-em-sete-rios/comment-page-1/?unapproved=23779&moderation-hash=92abcd6c22b2d1e58e6ef53326f45a66#comment-23779

Claro que a concorrência deve ser defendida, mas como qualquer exercício de qualquer forma de liberddade, deve haver regras que defendam, entre outras coisas, a segurança dos utilizadores e a sua comodidade. Independentemente dos critérios de avaliação da capacidade do terminal, nenhuma lei impede a Flixbus de investir num terminal privado. Por outro lado, foi dada a concessão do terminal a uma empresa privada, que assim assumiu as obrigações de serviço público de quem concedeu a concessão. O TFUE é claro, o direito à concorrência não elimina o direito dos Estados membros terem incumbentes de serviço público. Para os casos de dúvida existem os Tribunais, não os reguladores. 

Não há informação fidedigna disponível quanto à capacidade do terminal rodoviário provisório. Tem 15 lugares-cais de embarque para 4 partidas por hora cada. Segundo o site do terminal são cerca de 300 partidas diárias (cerca de 5 milhões de passageiros por ano). A Flixbus pede cerca de 100 partidas diárias sem demonstrar a sua viabilidade do ponto de vista da segurança e comodidade. As instalações são provisórias, já utilizadas por cerca de 50 operadores para além do principal, e embora fosse possível teoricamente subir os serviços diários para 500, as condições deficientes de movimentação de pessoas, a ventilação deficiente e certamente os engarrafamentos na própria Praça de Sete Rios e no interior do parque não recomendam isso sem obras de fundo. Aliás, é uma regra da arte nunca ter um sistema ou um equipamento a funcionar continuamente no seu limite máximo.

O proprietário dos terrenos (6 ha) ainda é o metro mas parece que a renda paga pela REN é à CML. Assinado um protocolo CML-Metro em 2003 em que este apresentaria (e apresentou)  um plano de urbanização incluindo hotel, mais o projeto de central rodoviária definitiva com 3 ha e 36 lugares-cais, mais uma central de controle de tráfego do metro, mais uma zona de parque de carruagens  de metro ligado à estação de Praça de Espanha. Nada se fez e agora protesta-se. Difícil planear e organizar, em Portugal. Desejar-se-ia que a AMT e o IMT fizessem antes contas rigorosas na situação existente à capacidade disponível  e compatível com a segurança e a comodidade, e ao que é preciso fazer para cumprir o protocolo de 2003 sem as mexidas inconsequentes que entretanto têm sido feitas.


Informação sobre a disponibilidade, a capacidade, o regulamento de utilização da concessão e o protocolo CML-Metro em

https://www.amt-autoridade.pt/media/5741/ficha-de-carateriza%C3%A7%C3%A3o-de-terminal-sete-rios.pdf

https://www.terminal7rios.pt/

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2018/08/os-terrenos-do-metropolitano-em-sete.html








sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Evocando Eça de Queirós e as Cartas de Inglaterra (1888)

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cartas_de_Inglaterra

ed.Publicações Europa-América, março de 2000



Excerto da primeira crónica, "Afeganistão e Irlanda"

"Em 1847 os Ingleses, "por uma razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do Império, uma barreira ao domínio russo na Ásia..." e outras coisas vagas ... invadem o Afeganistão e vão aniquilando tribos seculares, ... apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa ... Assim é exatamente em 1880 "

Excerto da crónica 9, "Os ingleses no Egito" 

"Nos últimos 15 anos a Prussia roubou a Dinamarca, e depois foi pela Alemanha saqueando reinos e grão-ducados, em seguida desmembrou a França, mais tarde a Russia espatifou a Turquia; há dois anos, subitamente, a Republica Francesa caiu sobre Tunes ... Em cada um desses casos a Europa comportou-se como um coro das óperas da antiga escola.... depois, afastando-se em grande compostura, deixa à boca da cena o tirano barbudo... Nas largas e bem traçadas estradas do Direito Internacional  ... rouba-se de carabina alta e rompem a cada momento brados de povos assassinados... Ontem em Tunes, porque a França precisa de proteger a fronteira da Argélia. Hoje é o Egito, porque a Inglaterra precisa assegurar o caminho da Índia. Amanhã será a Holanda - porque a Alemanha não pode viver sem colónias. Depois a Sérvia - por motivos que a seu tempo a Austria dirá. Mais tarde a Roménia, porque a Russia é forte. Depois a Belgica - porque sim."

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamento_de_Alexandria_(1882)

Bombardeamento de Alexandria em 1882 por uma esquadra inglesa, basicamente para garantir a segurança das ações do canal do Suez, inaugurado em 1869, na posse da Inglaterra


Na análise de Eça de Queiirós já podem ver-se os germes da I Grande Guerra, cujos vencedores alteraram o panorama geral, mas sem desmentir uma das primeiras frases do livro de crónicas, um "lugar comum do século XVIII : A História é uma velhota que se repete sem cessar."







quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Sinistralidade rodoviária - continuação 1

 

A comunicação social tem dado relevo à subida em 2025 das vítimas mortais em acidentes rodoviários, de acordo com os registos da GNR e da PSP. É grave, mas as estatísticas deste tipo podem conter variações de um ano para o outro nos dois sentidos dentro de uma margem de incerteza. Não é uma atenuante para uma situação que pode considerar-se catastrófica (cerca de 600 vítimas mortais a 30 dias do acidente durante um ano; posição inadmissível nas estaísticas europeias) e que exige medidas concretas com mobilização de muitos meios que não se sabe se a Estratégia de Segurança Rodoviária em fase de aprovação poderá vir a implementar em prazo útil.

https://www.publico.pt/2026/01/06/sociedade/noticia/mortes-estrada-aumentam-31-periodo-festivo-202526-38-vitimas-18-dias-2160202


Causas apontadas pela PSP , GNR e secretário de Estado da Proteção Civil                  https://www.acp.pt/o-clube/revista-acp/atualidade/detalhe/governo-promete-aprovar-estrategia-de-seguranca-rodoviaria-em-2026:

  1. excesso de velocidade
  2. consumo de alcool e drogas
  3. desatenção       
Não se contesta, evidentemente, a importancia destas causas e o seu tratamento prioritário. Não se duvida da competência técnica e da boa vontade dos membros da ANSR e da PRP, embora se creia na limitação dos seus recursos humanos, infraestruturais e financeiros. Mas existirão outras causas e circunstancias que tambem exigem atuação imediata:
  1. falta de civismo (condução egocêntrica)
  2. insuficiencia de fiscalização em mobilidade, nomeadamente no incumprimento dos limites de velocidade e nas mudanças de via (qualquer pessoa pode testemunhar isso nas deslocações que faz)
  3. cultura de facilitismo (por exemplo abolindo a obrigatoriedade de capacete de segurança em bicicletas e trotinetas com motor auxiliar; normalizando a prática de passagem com o vermelho por estes veículos)
  4. ausencia de programas de sensibilização pública (dar a notícia de um acidente com vítimas mortais atrai audiencias mas o sentimento é o de que as tragédias só acontecem aos outros; impõem-se campanhas com imagens dos comportamentos corretos para estimular a imitação)
  5. ausencia de inquéritos a acidentes tipo e divulgação de resultados (não basta dar a notícia, devem esclarecer-se e divulgar, com um inquérito preliminar, as causas e as circunstancias e o que fazer para evitar a repetição dos acidentes mais mediáticos)
  6. ausencia de revisão do Código da Estrada (reformulação do conceito de velocidade excessiva e de espaço livre, restrições na aproximação de passadeiras de peões, e do seu uso por velocípedes; reposição da cláusula revogada da equiparação destes com obrigatoriedade do uso de capacete; reformulação das regras nas rotundas com o conceito de velocidade angular para impedir ultrapassagens; redefinição dos procedimentos, especialmente em autoestradas à noite em caso de perda de visibilidade por nevoeiro ou queda extrema de chuva ou neve)
  7. inexistencia de rails de segurança em locais com consequencias graves em caso de despiste (mais de um mês depois do acidente que vitimou 6 jovens na avenida das Forças Armadas, o pilar onde embateu o veículo continuava sem proteção)
  8. pouca consideração das gestoras públicas de infraestruturas  pela relação estreita entre mobilidade e urbanismo (nas cidades devem evitar-se artérias de dois sentidos e o estacionamento à superfície;  a expulsão dos habitantes de grandes cidades para as periferias agrava o tráfego automóvel se não se desenvolverem os transportes coletivos em sítio próprio segregado e se  não se construirem parques de estacionamento à entrada das cidades e redes de distribuição ditas "capilares" , complementares do transporte pesado, como transporte a pedido em "cabinas autónomas"  em vias reservadas)

Saúda-se a posição do secretário de Estado, tentando dinamizar as medidas contra as 3 causas indicadas e apoiando a Visão Zero 2030 da União Europeia

e a ação da ANSR e da PRP


Esperemos que a habitual incapacidade de planeamento e de organização em tantas áreas no nosso país não seja um obstáculo à concretização com passos seguros da Estratégia de Segurança Rodoviária.



Mais informação, comentários desde janeiro de 2023

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https://fcsseratostenes.blogspot.com/2024/01/acidentes-rodoviarios-na-a2-ao-km85-em.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/10/observando-mobilidade.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/10/pequena-cronica-de-um-incidente-banal.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/09/a-mobilidade-no-futuro.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/06/acidentes-ferroviarios-em-passagens-de.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/05/a-melhor-solucao-dizem-os-estudos-e-um.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/02/acidentes-na-passagem-de-nivel-de.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/01/o-acidente-ao-km-85-na-autoestrada-para.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/11/a-pobre-mobilidade-de-lisboa.html

 

 

 

 

 

 

 



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Iremos acabar com a mudança da hora e sincronizar-nos com a Europa?

 


Graças a     https://www.sunrise-and-sunset.com/pt/sun/portugal/lisbon      elaborei a seguinte tabela com as hora/minuto do nascer e do pôr do sol em Lisboa em dias representativos das estações de 2026 e para várias hipóteses: 

  1. manutenção do sistema atual com mudança de hora em março e outubro
  2. supressão da mudança de hora uniformizando pela hora de inverno
  3. supressão da mudança da hora uniformizando pela hora de verão
  4. mudança de fuso horário no pressuposto de no fuso UTC+1 da Europa se uniformizar pela hora de inverno
  5. mudança de fuso horário no pressuposto de no fuso UTC+1 da Europa se uniformizar pela hora de verão 

  Assinalei  as horas/minuto do nascer e do pôr do sol que poderão ser consideradas inconvenientes por demasiado cedo ou tardias


O horário é o mesmo quer se uniformize no fuso UTC+0,  atual em Portugal, pela hora de verão, quer se mude de fuso para ter a mesm hora da Europa, incluindo Espanha, no pressuposto de no fuso UTC+1 ser adotada a uniformização pela hora de inverno 


Junto extrato do mapa de fusos horários em      https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/88/World_Time_Zones_Map.png

Cada fuso corresponde a 15º de longitude com diferença de 60 minutos entre fusos ou 4 minutos por grau. Por exemplo, sendo a longitude de Lisboa cerca de 9ºW, o sol nasce em Lisboa cerca de 36minutos depois de nascer em Greenwich (UTC+0) e cerca de 1h 40min depois de nascer em Viena (UTC+1)



PS em 7jan2026 - Junto um quadro com as horas/minutos locais. em várias cidade da Europa no fuso UTC+1, do nascer e do pôr do sol. Existem grandes variações por estarmos perante uma amplitude em longitude de mais de dois fusos, com a agravante de, à medida que a latitude aumenta a hora do nascer do sol baixa (em Estocolmo o sol nasce em junho às 3.32; se se eliminar a mudança de hora uniformizando a hora de inverno o sol nasceria às 2.32, mas mais a norte o sol não chega a pôr-se. Torna-se assim difícil obter um acordo geral. No caso de Portugal será também difícil adotar a hora do fuso UTC+1 sem mudança de hora, o que teriagrandes vantagens por termos a mesma hora da Europa.





 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O incidente no AHD em 4 de janeiro de 2026

 Das notícias sobre o incidente:

https://www.facebook.com/RecordPortugal/posts/boeing-a770-estava-a-pouco-mais-de-350-metros-de-altura-quando-teve-de-borregar-/1467181354769599/


O avião em aproximação a 350m de altura sobrevoando um hospital psiquiátrico depois de passar ao lado do Hospital de Santa Maria e sobrevoado o Curry Cabral e o CUF Tejo. O avião da Easy Jet  já se encontra na soleira da pista 02 para descolar enquanto outros aviões o seguem

https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/aviao-da-emirates-evita-colisao-na-pista-do-aeroporto-de-lisboa



Evidentemente que não contesto as afirmações da NAV que o incidente é relativamente vulgar em aeroportos de trafego intenso e que a NAV e a tripulação atuaram corretamente, mantendo os níveis de segurança elevados da aviação. Nesse sentido, deverá eviitar-se o alarmismo qu a forma de apresentação da notícia possa suscitar.

Enquanto não especialista mas seguidor da questão do aeroporto de Lisboa e no exercício do direito constitucional do art.48 de acesso à informação sobre assuntos públicos, julgo de interesse que as entiddades envolvidas se pronunciem sobre o seguinte:

1 - na origem do incidente terá estado o atraso de um avião em librtar a pista de pois da atrrragem, por sua vez atrasando a descolagem do avião da Easy Jet que se encontrava já na pista 20 obrigando ao "borrego" do avião da Emirates

2 - o atraso na libertação da pista terá tido relação com a inexistencia do taxiway do lado norte/nascente que permitirá a saída da pista para o estacionamento sem cruzamento da pista? o avião em causa terá passado as saíssas rápidas sem as utilizar?

3 - é normal "intercalar" uma descolagem entre sucessivas aterragens, como descrito na notícia,  em período de tráfego intenso?

4 - considerando que já houve no AHDum incidente contra a segurança (descolagem com insuficiencia de percurso) por erro na marcação das coordenadas para a descolagem por se tratar de uma pista com cruzamento, estão as entidades envolvidas empenhadas na construção do referido taxiway?

5 - existe a garantia dos fabricantes de que em situações como as do incidente de 4 de janeiro os pilotos têm sempre a possibilidade de acionar os comandos ? (recordo o acidente na Índia em que os pilotos não puderam retomar  controle dos motores)

6 - vai ser realizado um inquérito ao incidente de dia 4 de janeiro?


Junto ums figura ilustrativa da funcionalidade do taxiway


O prolongamento do taxiway com as necessárias expropriações, pelo menos até à soleira da pista 20, estava previsto no contrato de concessão no anexo 9 das obrigações específicas, sob a designação de entradas múltiplas e saídas rápidas, para execução até 2021, o que a incompreensão da sua prioridade pelos sucessivos governos tem inviabilizado 

Mais informação:

https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=taxiway

sábado, 3 de janeiro de 2026

Descarrilamento do Tren Interoceanico 29dez2025

 

Sentidas condolências aos familiares das vítimas. Acidentes ferroviários afeetam todos os que trabalham nesta atividade.


Alguma informação disponível sobre o acidente:

https://www.youtube.com/watch?v=P17LyEwSv2Q

https://www.youtube.com/watch?v=RpPrdnO2hfI

https://elpais.com/mexico/2025-12-31/la-auditoria-senalo-durante-cinco-anos-la-impericia-de-la-marina-en-la-construccion-del-tren-interoceanico.html


Como referido nos videos, o traçado de 303 km entre um porto no Atlântico e um porto no Pacífico (portanto com elevada importância para o trafego internacional de mercadorias) atravessa zonas montanhosas implicando curvas de raio pequeno e pendentes superiores ás indicadas para transporte de mercadorias (raio da curva no local estimado do acidente  112m em zona com troços de 15% de gradiente, cerca de 10 vezes o recomendado). O traçado antigo foi recuperado mas o novo seguiu o anterior,  e o material circulante, locomotivas, carruagens para passageiros, vagões de mercadorias foi comprado em 2ª mão a empresas inglesas e americanas. Até os carris foram comprados usados e de resistencia inferior à desejável.

A principal hipótese para a causa do descarrilamento, conforme os videos, terá sido o desacoplamento da primeira carruagem relativamente à locomotiva (a composição tinha 2 locomotivas por causa das pendentes, uma à cabeça e outra na cauda, traccionando 4 carruagens de passageiros. Possivelmente devido a algum excesso de velocidade na curva apertada, o desacoplamento poderá ter resultado desse excesso de velocidade, de insuficiencia de escala (altura do carril exterior) ou de eventual travagem;  com a inércia, a força centrífuga e a tração da locomotiva da cauda, a partirem o engate, descarrilando a locomotiva da frente pela traseira e a primeira carruagem pela sua dianteira.

Um traçado com estas caraterísticas exigiria um controle de velocidade automático que evitasse erros humanos. Aliás, as imagens do Google Earth mostram a promiscuidade entre os carris e as ruas , por exemplo no porto do Pacífico, Salinas Cruz. Para  rentabilizar o transporte de mercadorias entre os portos do Atlântico e do Pacífico será necessário construir um traçado alternativo  com túneis e viadutos para eliminar as pendentes excessivas e as curvas de raio reduzido. A ligação para passageiros da costa atlântica para o Pacífico era de 300 km em 7 horas, o que dá uma média de cerca de 40 km/h. A velocidade mais elevada num traçado novo justificaria os custos  por permitir reduzir o número de comboios na linha e contabilizar o tempo e a energia  poupados pelos passageiros e pela carga. Este é o problema da opção entre renovar um traçado antigo ou construir um novo. Por exemplo, no caso da Beira Alta, estimo que no traçado renovado o consumo de energia poderá ser de 40 Wh/ton-km, enquanto num traçado novo com pendentes controladas poderia ser de 30 Wh/ton-km.

Outra hipótese para a causa do descarrilamento, não confirmada por qualquer evidencia reportada, poderia ter sido a queda de pedras com descarrilamento da primeira locomotiva seguindo-se a pressão sobre ela por se ter imobilizado, o desacoplamento do engate e o descarrilamento das carruagens. Notar nas figuras as redes de retenção das rochas. Recomendar-se-ia o corte para afastar o talude da via. O comprimento das carruagens (26m) é incompatível com raios de curva da ordem dos 100m nesta linha)


locomotiva dianteira deitada após descarrilamento, vista de trás; a primeira carruagem soltou-se depois de pressionar a locomtiva





Notar a proteção com rede contra queda de rochas; considerando o agravamento climático e possível aumento da taxa de deslizamentos de terras, seria recomendável aumentar a distância entre a via e o talude


algumas curvas têm 100m de raio; troços com pendentes máximas de 15% ; a substituição deste traçado exigiria uma série de túneis e viadutos, mas a operação de cargas seria mais económica devido ao controle das pendentes e curvas e a velocidade média aumentaria, considerando-se o tempo dos passageiros poupado e a redução do número de locomotivas e de comboios  de carga e de passageiros devido à velocidade mais elevada, como mais valia compensadora


a via férrea atravessa as ruas da cidade terminal Salina Cruz; sem semáforos, apenas a cruz indicada pelas setas com os dizeres "cruce de ferrocarril" encimando um sinal de stop com "ALTO"








PS em 3jan2026 - sendo essencial utilizar esta linha para transporte de mercadorias, será desejável encomendar novo material circulante com vagões de 4 eixos (2 bogies) com detetores de desgaste dos verdugos e do diâmetro da roda e com limitação do peso útil de modo a reduzir o desgaste dos carris. Por exemplo, para o transporte de um contentor de 12m por vagão podemos estimar uma tara de 20 toneladas (vagão e contentor) e uma carga útil de 30 toneladas, o que dará para um comboio de 750m cerca de 1200 toneladas úteis/comboio e 12,5 ton/eixo de vagão.
Será ainda conveniente não utilizar formações com tração à retaguarda da composição, de preferência com ambas as locomotivas na dianteira. Com locomotivas que atualmente podem atingir 9 MW (12000 HP) quer elétricas, quer diesel, e eliminando pendentes e construindo declives antes dos pendentes de maior gradiente será possível usar apenas uma locomotiva. Refere-se também a vantagem de eletrificar a linha para redução das emissões de gases com efeito de estufa, embora tal seja difícil num país tão dependente do petróleo e da sua refinação.