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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Misturando anacronicamente a crise com a estatística do IRS

A Autoridade tributária e aduaneira (como gosto desta designação, autoridade tributária ….) publicou os dados estatísticos do IRS de 2010.
Ver:
http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/dgci/divulgacao/estatisticas/estatisticas_ir/

Distribuição do rendimento bruto pelos diferentes escalões e dimensão dos agregados

IRS de 2010
Resulta evidente a contribuição maioritária da classe média e a pequena dimensão dos agregados com maiores rendimentos (isto devia recomendar prudência a quem queira aumentar impostos sobre rendimentos de trabalho, mas enfim).
Outros valores:

Total de agregados --------------------------------------------- 4,72 milhões
Rendimento bruto total declarado  ---------------------------- 86,3 mil milhões de euros
crescimento do rendimento de 2009 para 2010 ----------------- 1,43%
cerca de metade dos agregados não têm rendimentos suficientes para a liquidação
apenas 29% de empresas pagaram IRC (e espera-se que sejam as empresas privadas a retomar o crescimento?)



Misturemos agora, de forma anacrónica, porque estes rendimentos são de 2010 e a intervenção ascética da troika é de 2011, com alguns indicadores obtidos na publicidade e nas notícias de Julho de 2012.
Como o nome mostra, indicador aponta uma tendência de mercado, a existência de uma procura que responda à oferta:

1 – anuncio da Mercedes: modelo SUV, GL 350 Bluetec 4 Matic , 350 CV ,
                                                                          7,4 l/100km ,      101,100 €
                                        modelo SUV 63 AMG V8 biturbo,        557 CV,
                                                                        12,3 l/100km ,       186.100€

2 – anuncio da Emirates: dois bilhetes de primeira classe (oferta do segundo como promoção)com limusine e hotel no destino:

Shangai ou Dubai ----------------- 3.000€
Sidney ---------------------------- 4.500€

3 – existem 14,6 milhões de notas legais em circulação em Portugal; foram retiradas de circulação, em 2012, 6.500 notas falsas


Como diz um programa da CNN ou da Euro News, não me recordo,  sem comentários.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Exmo senhor ministro das Finanças, permito-me sugerir

Exmo senhor ministro das Finanças, permito-me sugerir uma medida alternativa à redução da taxa social unica.
Fiquei muito impressionado com a opinião do senhor economista Vitor Bento, que disse que essa medida só resultava, isto é, só equivalia ao efeito da desvalorização no estímulo à exportação se, e só se, os preços do setor não transacionável baixassem.
Isto é, só conseguiriamos reduzir, com a tal medida de cortes na taxa social unica, os custos do trabalho e da produção dos produtos exportáveis do setor transacionável, se os preços do setor não transacionável não "puxarem" pelos preços desses produtos.
É que, com as medidas propostas pela troica/tríade, ou propostas pelos "académicos", pelos políticos e pelas associações de grandes empresários, vamos esperar aumentos na eletricidade (aliás inevitáveis) , na água, na saúde... pelo que os cortes na taxa social única não parecem boa ideia.
Então, como alternativa, tenho a sugerir a criação de um indicador para cada empresa igual ao valor importado pela empresa/volume de negócios da empresa.
A taxa social unica a liquidar nessa empresa seria dada pela fórmula (ou fórmula alternativa para o cálculo do IRC):
TSU = 0,5 x (valor importado/volume de negócios) + 0,3
Estaria assim a premiar-se quem menos importasse.
Seria interessante analisar este indicador em empresas como as grandes superficies comerciais, tão orgulhosas em apresentar preços baixos, mas responsáveis por grandes quantidades de alimentos importados.
Ou até a própria Auto-Europa. Será que os lucros que têm de ser exportados (PIB inferior ao PNB) não irão desequilibrar a balança de pagamentos correspondente a esta empresa?