Afinal a PT já não vai processar, por esgotamento do prazo para o fazer, Sergio Denicoli, que numa tese de doutoramento tinha analisado indícios de corrupção no processo de transição para a TDT, com favorecimento para a PT.
Este blogue já tinha referido a vergonha e a crueldade para com os idosos privados deste processo:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=tdt
Por um lado congratulo-me com o facto, pela aceitação pela PT da validade desses indícios.
Mas por outro, como o cronista Pedro Malaquias da Antena 2 disse, isto é como um acidente, ficamos a olhar para ele, até podemos saber como o acidente aconteceu, mas não fazemos nada, ou não podemos fazer nada.
Isto é, muitos idosos, dentre os que entretanto não morreram, vão continuar sem a sua televisão.
Vergonha e crueldade, quando uma nova tecnologia, por imperativo deontológico, permite sempre fazer o que a tecnologia anterior fazia sem agravamento económico para os seus beneficiários.
Vergonha também por estarmos até prova em contrário perante um caso de apropriação por uma mepresa de capitais privados de mais valias devidas a um serviço público de acesso à informação, coisa consagrada na Constituição.
Enfim, é a cultura de esperteza e de vivacidade empreendedora aplicada às inovações tecnológicas.
E também de desprezo por grupos economicamente mais débeis.
Coisa que tem tudo menos o nome de democracia.
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
Afinal a PT não vai processar Sergio Denicoli
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A TDT em outubro de 2012
Volto à vergonha da introdução da TDT em Portugal:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=tdt
Numa recente tese de doutoramento em Ciencias da comunicação, na Universidade do Minho, Sergio Denicoli afirmou que a implementção da TDT em Portugal configura indícios de favorecimento de operadores de canais pagos que as autoridades deveriam investigar.
Efetivamente, como anteriormente referido, a nova tecnologia permitia mais canais para substituir os 4 canais gratuitos, mas essa capacidade foi revertida para os operadores de canais pagos.
Poderá ser um caso de cronycapitalism/promiscuidade entre poder politico e poder económico, de que o maior beneficiário terá sido a PT.
É um facto que muita gente de poucos recursos económicos se viu privada do seu entretenimento por não ter capacidade para contratar a televisão paga ou para comprar a nova antena, o cabo e o recetor/amplificador/descodificador necessários para continuar a ver os canais não pagos.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa realizou uma investigação com 23.000 inquéritos recolhidos, tendo concluido que, em Lisboa, 20% de idosos de poucos recursos deixaram de ver televisão.
É uma vergonha e uma crueldade, especialmente quando entidades responsáveis pela passagem do analógico para o digital garantem que ela foi um sucesso.
Parece que somos uma democracia de percentagens, e que desde que a maioria possa ver televisão, a falta de qualidade de vida da minoria que não vê é irrelevante para o poder politico.
É uma vergonha porque a tecnologia permitia evitar isso, e é uma crueldade que se faz às pessoas, sem a desculpa de falta de dinheiro.
PS - Segundo o DN, a PT vai processar Sergio Denicoli por difamação. Provavelmente a PT terá interpretado "indícios de favorecimento" por acusação de corrupção. Independentemente da suscetibilidade da companhia, o que está em causa é a privação da televisão dos idosos sem recursos. E seria aí que a PT, porque efetivamente aumentou as suas receitas graças aos novos clientes com recursos para passar a pagar a TDT, se deveria concentrar, ajudando a resolver os problemas , que muitas vezes obrigam ao estudo caso a caso para a melhor solução técnica. Não é uma obrigação legal, mas é um princípio básico: uma tecnologia nova deve facultar pelo menos o que a anterior fazia.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=tdt
Numa recente tese de doutoramento em Ciencias da comunicação, na Universidade do Minho, Sergio Denicoli afirmou que a implementção da TDT em Portugal configura indícios de favorecimento de operadores de canais pagos que as autoridades deveriam investigar.
Efetivamente, como anteriormente referido, a nova tecnologia permitia mais canais para substituir os 4 canais gratuitos, mas essa capacidade foi revertida para os operadores de canais pagos.
Poderá ser um caso de cronycapitalism/promiscuidade entre poder politico e poder económico, de que o maior beneficiário terá sido a PT.
É um facto que muita gente de poucos recursos económicos se viu privada do seu entretenimento por não ter capacidade para contratar a televisão paga ou para comprar a nova antena, o cabo e o recetor/amplificador/descodificador necessários para continuar a ver os canais não pagos.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa realizou uma investigação com 23.000 inquéritos recolhidos, tendo concluido que, em Lisboa, 20% de idosos de poucos recursos deixaram de ver televisão.
É uma vergonha e uma crueldade, especialmente quando entidades responsáveis pela passagem do analógico para o digital garantem que ela foi um sucesso.
Parece que somos uma democracia de percentagens, e que desde que a maioria possa ver televisão, a falta de qualidade de vida da minoria que não vê é irrelevante para o poder politico.
É uma vergonha porque a tecnologia permitia evitar isso, e é uma crueldade que se faz às pessoas, sem a desculpa de falta de dinheiro.
PS - Segundo o DN, a PT vai processar Sergio Denicoli por difamação. Provavelmente a PT terá interpretado "indícios de favorecimento" por acusação de corrupção. Independentemente da suscetibilidade da companhia, o que está em causa é a privação da televisão dos idosos sem recursos. E seria aí que a PT, porque efetivamente aumentou as suas receitas graças aos novos clientes com recursos para passar a pagar a TDT, se deveria concentrar, ajudando a resolver os problemas , que muitas vezes obrigam ao estudo caso a caso para a melhor solução técnica. Não é uma obrigação legal, mas é um princípio básico: uma tecnologia nova deve facultar pelo menos o que a anterior fazia.
domingo, 8 de janeiro de 2012
A TDT
Realmente é uma pena, o progresso tecnológico ser apropriado por grupos e gestores económicos.
Aquilo que Marx escreveu, que esse progresso permitiria disponibilizar às pessoas cada vez mais benefícios com cada vez menos custos, foi pervertido.
Também foi pervertido um princípio científico e técnico, que qualquer nova tecnologia permite fazer o mesmo que a anterior, mais o que corresponde ao progresso técnico (por exemplo, uma emissão a cores podia ser vista a preto e branco num televisor antigo). Quando isso não é razoável, há que estabelecer um plano de transição para minimizar os prejuízos dos cidadãos e cidadãs.
Mas em Portugal, com aquela mentalidadezinha oportunista, aproveitou-se o aumento do numero de canais, tornado possível pela nova tecnologia digital, para aumentar as receitas dos grupos económicos através da sua venda, sem reverter parte desses ganhos para os habitantes em zonas de pior cobertura (15% do território!?), para compensação dos custos mais elevados (por exemplo, receção por satélite, ou distribuição por cabo a partir de um recetor em local de melhor receção).
É a "esperteza" habitual nos níveis de decisão.
Compatível aliás com o baixo nível cultural da programação televisiva de muitos canais. Parece que a moda que está a nascer agora é a "mediunidade", com programas em que aparecem crianças a relatar os contactos com pessoas familiares falecidas.
Que impressão.
http://www.tabonito.pt/tdt-a-vergonha-nacional-sabiam-disto/
Aquilo que Marx escreveu, que esse progresso permitiria disponibilizar às pessoas cada vez mais benefícios com cada vez menos custos, foi pervertido.
Também foi pervertido um princípio científico e técnico, que qualquer nova tecnologia permite fazer o mesmo que a anterior, mais o que corresponde ao progresso técnico (por exemplo, uma emissão a cores podia ser vista a preto e branco num televisor antigo). Quando isso não é razoável, há que estabelecer um plano de transição para minimizar os prejuízos dos cidadãos e cidadãs.
Mas em Portugal, com aquela mentalidadezinha oportunista, aproveitou-se o aumento do numero de canais, tornado possível pela nova tecnologia digital, para aumentar as receitas dos grupos económicos através da sua venda, sem reverter parte desses ganhos para os habitantes em zonas de pior cobertura (15% do território!?), para compensação dos custos mais elevados (por exemplo, receção por satélite, ou distribuição por cabo a partir de um recetor em local de melhor receção).
É a "esperteza" habitual nos níveis de decisão.
Compatível aliás com o baixo nível cultural da programação televisiva de muitos canais. Parece que a moda que está a nascer agora é a "mediunidade", com programas em que aparecem crianças a relatar os contactos com pessoas familiares falecidas.
Que impressão.
http://www.tabonito.pt/tdt-a-vergonha-nacional-sabiam-disto/
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