Cara Redação da Notícias Magazine
Entristeceu-me o tema da vossa reportagem, ucranianos portugueses a preparar-se para a guerra. Sei que muitos ucranianos em Portugal sofrem com o que se passa no seu país, mas o tom da reportagem é o da justificação e desculpabilização da guerra de defesa das fronteiras.
Prefiro a não-violencia de Gandhi e o arcoíris de Mandela. Escondida na reportagem está a essencia do disparate da guerra: a desagregação das famílias, uma filha de um dos lados, a mãe do outro.
Era essencial evitar a violencia e o convite à violencia.
Se de um dos lados está o czarismo de Putin, do outro está a ânsia europeia de alargar a sua zona económica, como fez com a destruição da Jugoslávia, ao arrepio da Ata de Helsinquia de 1975. Com a agravante agora de já se saber como a União Europeia e o BCE "ajudam" economicamente os mais fracos.
Não à guerra.
Um leitor
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domingo, 27 de abril de 2014
Ucrania, Ucrania
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
De Kiev, Ucrania, a Manitoba, Canadá
Choca-me a violencia. Apesar de acreditar na sabedoria das multidões, choca-me a concentração das multidões em ações em que a racionalidade não as orienta. Apesar de acreditar em António Aleixo, quando escreveu:
Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.
Leio numa entrevista o desabafo de um manifestante em Kiev: "Quero viver num país normal".
Mas oiço na televisão um português emigrante que respondeu a um convite dum programa do governo de Manitoba, no Canadá. E dizia o mesmo: "Quero viver num país normal"
Haverá muitos cidadãos e cidadãs ucranianos ingenuamente a pensar que a união europeia é "normal".
Temos a experiencia que não.
Não é normal o BCE emprestar aos bancos a menos de 1% e os bancos emprestarem aos governos a mais de 5%.
Não é normal uma empresa alemã ter juros muito abaixo dos juros que as empresas portuguesas pagam.
Não é normal num país da união europeia como Portugal pagarem-se juros de 4% para comprar Audis e pagarem-se 7% de juros para fazer obras de reabilitação (é normal deixar cair o património edificado? é normal esperar que o edificado seja mantido com juros a 7%?).
Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.
Leio numa entrevista o desabafo de um manifestante em Kiev: "Quero viver num país normal".
Mas oiço na televisão um português emigrante que respondeu a um convite dum programa do governo de Manitoba, no Canadá. E dizia o mesmo: "Quero viver num país normal"
Haverá muitos cidadãos e cidadãs ucranianos ingenuamente a pensar que a união europeia é "normal".
Temos a experiencia que não.
Não é normal o BCE emprestar aos bancos a menos de 1% e os bancos emprestarem aos governos a mais de 5%.
Não é normal uma empresa alemã ter juros muito abaixo dos juros que as empresas portuguesas pagam.
Não é normal num país da união europeia como Portugal pagarem-se juros de 4% para comprar Audis e pagarem-se 7% de juros para fazer obras de reabilitação (é normal deixar cair o património edificado? é normal esperar que o edificado seja mantido com juros a 7%?).
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