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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Obrigado, FMI, por tão sábios conselhos
Obrigado, FMI, por tão sábios conselhos, ver
http://portocanal.sapo.pt/noticia/29362/
Que seria de nós, pobres países periféricos endividados, se não chamassem a atenção para a necessidade do BCE comprar ativos públicos para combater a reduzida taxa de inflação e baixar os juros das dívidas públicas.
E também que se devem reduzir as ligações entre os Estados e os bancos (também achamos, como o presidente Jackson dizia, que alguns bancos dá-lhes para serem um ninho de víboras).
Mas agradeciam que tivessem pudor quando dizem que o desemprego jovem é inaceitável.
Então o desemprego elevado não é o resultado das leis do mercado e uma medida eficaz para conter os preços através da redução da procura?
Não é nisso que vocês acreditam e não são os vossos dogmas que nos têm sido impostos, sempre de acordo com as leis do mercado?
Não quererão que vos chamemos hipócritas?
Bem, e se lessem o manifesto dos economistas aterrorizados?
Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=economistas+aterrados
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sexta-feira, 23 de maio de 2014
Campanha eleitoral II
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/10/economicomio-lxii-as-22-medidas-dos.html
Seguindo o link acima, chega-se a um "post" deste blogue de 2010 que comentava 22 medidas de economistas europeus não enfeudados à politica neo-liberal do grupo dominante no parlamento europeu e no BCE.
Tal como as senhoras púdicas que criticam a roupa interior ousada mas que depois de um tempo razoável vão comprá-la, os decisores europeus e os comentadores ilustres portugueses vão aos poucos aderindo às ideias atempadamente propostas e recusadas.
Como a taxa Tobin, por exemplo.
Na lista das 22 medidas, destaque para as 8b, 14, 15, 16, 21 e 22.
Vem isto a propósito do painel do DN sobre a dívida pública.
Interessantissimo ver:
- Nogueira Leite dizer que a fiscalização do BCE falhou e que ele só faz o que a Alemanha quer.
- João Duque a dizer que o BCE está demasiado preocupado com o controle da inflação e menos com o investimento e que indevidamente é o BCE que controla o poder politico.
- Ricardo Paes Mamede a criticar a ignorancia da União Europeia em lidar com paises de estruturas económicas muito diferentes e que há uma imperiosa urgencia em reestruturar a dívida (leiam o manoesto dos 22 economistas aterrados, há 4 anos que dizem isso, os 22 economistas e partidos como o BE e o PCP).
- Pedro Lains a dizer que divida portuguesa está a ser mal gerida, que os consultores dizem para nada fazer, que o governo está alucinado e que a magnitude do problema está inimamente relacionada com a falta de intervenção do BCE.
Parabens ao DN por esta iniciativa. Pena não ter maior divulgação.
Quando o atual governo baseia toda a sua propaganda em culpar os portugueses por viver acima das possibilidades, é interessante ver o que dizem estes comentadores, e as confissões de grandes banqueiros, como Ricardo Salgado, ("houve negligencia") e Fernando Ulrich ("cometemos erros na atribuição do crédito").
Dói ver que o mal principal do atual governo não é o enganar os eleitores, que a isso já estamos habituados, é a constante exibição da sua incompetencia como gestor, a sua ignorancia dos procedimentos em cada área de atividade produtiva (sabem lá se uma linha de alta velocidade para Madrid é mais eficiente ou não do que a "ponte aérea" das "low cost e o que custa parar um investimento e rearrancar 3 anos depois, nunca trabalharam em obras...), o papaguear sobre a aplicação dos fundos QREN esquecendo que no programa de 2007-2013 aplicaram quase 40% dos fundos em "formação" quando para infraestruturas foram 12% (lembram-se da Tecnoforma a fazer cursos para operadores de aeródromos municipais detetarem invasões terroristas? ou cursos para arquitetos assediando a ordem dos arquitetos?) e o recurso a expedientes, como o de aumentar a divida pública para "juntar" dinheiro (as taxas de juro baixam internacionalmente, não por causa de "almofadas", mas graças à incipiente intervenção do BCE, e mais baixariam se ele fizesse o que os 22 economistas aterrados recomendaram há 4 anos).
Enfim, aguardemos os resultados das eleições europeias, para vermos se a politica do BCE mudará.
Seguindo o link acima, chega-se a um "post" deste blogue de 2010 que comentava 22 medidas de economistas europeus não enfeudados à politica neo-liberal do grupo dominante no parlamento europeu e no BCE.
Tal como as senhoras púdicas que criticam a roupa interior ousada mas que depois de um tempo razoável vão comprá-la, os decisores europeus e os comentadores ilustres portugueses vão aos poucos aderindo às ideias atempadamente propostas e recusadas.
Como a taxa Tobin, por exemplo.
Na lista das 22 medidas, destaque para as 8b, 14, 15, 16, 21 e 22.
Vem isto a propósito do painel do DN sobre a dívida pública.
Interessantissimo ver:
- Nogueira Leite dizer que a fiscalização do BCE falhou e que ele só faz o que a Alemanha quer.
- João Duque a dizer que o BCE está demasiado preocupado com o controle da inflação e menos com o investimento e que indevidamente é o BCE que controla o poder politico.
- Ricardo Paes Mamede a criticar a ignorancia da União Europeia em lidar com paises de estruturas económicas muito diferentes e que há uma imperiosa urgencia em reestruturar a dívida (leiam o manoesto dos 22 economistas aterrados, há 4 anos que dizem isso, os 22 economistas e partidos como o BE e o PCP).
- Pedro Lains a dizer que divida portuguesa está a ser mal gerida, que os consultores dizem para nada fazer, que o governo está alucinado e que a magnitude do problema está inimamente relacionada com a falta de intervenção do BCE.
Parabens ao DN por esta iniciativa. Pena não ter maior divulgação.
Quando o atual governo baseia toda a sua propaganda em culpar os portugueses por viver acima das possibilidades, é interessante ver o que dizem estes comentadores, e as confissões de grandes banqueiros, como Ricardo Salgado, ("houve negligencia") e Fernando Ulrich ("cometemos erros na atribuição do crédito").
Dói ver que o mal principal do atual governo não é o enganar os eleitores, que a isso já estamos habituados, é a constante exibição da sua incompetencia como gestor, a sua ignorancia dos procedimentos em cada área de atividade produtiva (sabem lá se uma linha de alta velocidade para Madrid é mais eficiente ou não do que a "ponte aérea" das "low cost e o que custa parar um investimento e rearrancar 3 anos depois, nunca trabalharam em obras...), o papaguear sobre a aplicação dos fundos QREN esquecendo que no programa de 2007-2013 aplicaram quase 40% dos fundos em "formação" quando para infraestruturas foram 12% (lembram-se da Tecnoforma a fazer cursos para operadores de aeródromos municipais detetarem invasões terroristas? ou cursos para arquitetos assediando a ordem dos arquitetos?) e o recurso a expedientes, como o de aumentar a divida pública para "juntar" dinheiro (as taxas de juro baixam internacionalmente, não por causa de "almofadas", mas graças à incipiente intervenção do BCE, e mais baixariam se ele fizesse o que os 22 economistas aterrados recomendaram há 4 anos).
Enfim, aguardemos os resultados das eleições europeias, para vermos se a politica do BCE mudará.
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
De Kiev, Ucrania, a Manitoba, Canadá
Choca-me a violencia. Apesar de acreditar na sabedoria das multidões, choca-me a concentração das multidões em ações em que a racionalidade não as orienta. Apesar de acreditar em António Aleixo, quando escreveu:
Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.
Leio numa entrevista o desabafo de um manifestante em Kiev: "Quero viver num país normal".
Mas oiço na televisão um português emigrante que respondeu a um convite dum programa do governo de Manitoba, no Canadá. E dizia o mesmo: "Quero viver num país normal"
Haverá muitos cidadãos e cidadãs ucranianos ingenuamente a pensar que a união europeia é "normal".
Temos a experiencia que não.
Não é normal o BCE emprestar aos bancos a menos de 1% e os bancos emprestarem aos governos a mais de 5%.
Não é normal uma empresa alemã ter juros muito abaixo dos juros que as empresas portuguesas pagam.
Não é normal num país da união europeia como Portugal pagarem-se juros de 4% para comprar Audis e pagarem-se 7% de juros para fazer obras de reabilitação (é normal deixar cair o património edificado? é normal esperar que o edificado seja mantido com juros a 7%?).
Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.
Leio numa entrevista o desabafo de um manifestante em Kiev: "Quero viver num país normal".
Mas oiço na televisão um português emigrante que respondeu a um convite dum programa do governo de Manitoba, no Canadá. E dizia o mesmo: "Quero viver num país normal"
Haverá muitos cidadãos e cidadãs ucranianos ingenuamente a pensar que a união europeia é "normal".
Temos a experiencia que não.
Não é normal o BCE emprestar aos bancos a menos de 1% e os bancos emprestarem aos governos a mais de 5%.
Não é normal uma empresa alemã ter juros muito abaixo dos juros que as empresas portuguesas pagam.
Não é normal num país da união europeia como Portugal pagarem-se juros de 4% para comprar Audis e pagarem-se 7% de juros para fazer obras de reabilitação (é normal deixar cair o património edificado? é normal esperar que o edificado seja mantido com juros a 7%?).
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Mais uma vez, não em meu nome
O senhor secretário de estado insiste, quer privatizar os CTT ainda este ano.
Mais uma vez, não em meu nome.
Por mais que a troika insista nessa receita, e queiram imitar os ingleses (numa altura em que o relatório da Cruz Vermelha que 10% dos ingleses vivem na pobreza, que o fosso das desigualdades aumenta e que a Cruz Vermelha vai voltar a distribuir alimentos aos pobres) é uma decisão que deveria ser referendada por 2/3 dos contribuintes.
Além de ser mais uma decisão de má gestão.
Os CTT dão dividendos. São apetecíveis até para os grupos da banca. Parece que "oferecem" 600 ilhões de euros.
Não se vendem os aneis quando eles dão lucro.
Depois não venham queixar-se, como no caso do eventual imposto de que Moreira da Silva timidamente falou (há toda a moralidade de lançar um imposto sobre emissores de CO2 como as centrais de gás e de carvão, por mais uteis que sejam à intermitencia das eólicas; aliás, há mais meios de compensar a intermitencia) de que não se pode cumprir o contrato.
Pois não, quando se está em crise não se pode, para grande desgosto dos acionistas e dos senhores gestores das grandes empresas.
Todos, sem exceção, deverão contribuir para o reequilibrio financeiro do país, mesmo que isso envolva algum incumprimento dos contratos internos nesse país.
Desde a redução das altas taxas de rentabilidade das garantias financeiras das PPP aos respetivos bancos até à redução das compensações de "reequilibrio" às concessionárias, e à redução das benesses do banco de Portugal (o senhor governador do banco de Portugal, tão insistente na austeridade dos cidadãos, deveria ter pudor em vez de recusar dar informações sobre as benesses do seu banco - o tratado de Lisboa deve ser revisto, deve acabar-se com os privilégios dos bancos centrais, desde o BCE aos bancos nacionais, e com a distorção das baixas taxas de juro do BCE aos bancos comerciais e altas taxas de juro dos bancos comerciais às finanças públicas).
É uma vergonha, andarem a impor taxas e contribuições extraordinárias às pessoas e a privatizar um serviço público de coesão nacional quando se poderia obter dinheiro com a renegociação dos contratos das PPP e do tratado de Lisboa.
Por mais que a troika insista nessa receita, e queiram imitar os ingleses (numa altura em que o relatório da Cruz Vermelha que 10% dos ingleses vivem na pobreza, que o fosso das desigualdades aumenta e que a Cruz Vermelha vai voltar a distribuir alimentos aos pobres) é uma decisão que deveria ser referendada por 2/3 dos contribuintes.
Além de ser mais uma decisão de má gestão.
Os CTT dão dividendos. São apetecíveis até para os grupos da banca. Parece que "oferecem" 600 ilhões de euros.
Não se vendem os aneis quando eles dão lucro.
Depois não venham queixar-se, como no caso do eventual imposto de que Moreira da Silva timidamente falou (há toda a moralidade de lançar um imposto sobre emissores de CO2 como as centrais de gás e de carvão, por mais uteis que sejam à intermitencia das eólicas; aliás, há mais meios de compensar a intermitencia) de que não se pode cumprir o contrato.
Pois não, quando se está em crise não se pode, para grande desgosto dos acionistas e dos senhores gestores das grandes empresas.
Todos, sem exceção, deverão contribuir para o reequilibrio financeiro do país, mesmo que isso envolva algum incumprimento dos contratos internos nesse país.
Desde a redução das altas taxas de rentabilidade das garantias financeiras das PPP aos respetivos bancos até à redução das compensações de "reequilibrio" às concessionárias, e à redução das benesses do banco de Portugal (o senhor governador do banco de Portugal, tão insistente na austeridade dos cidadãos, deveria ter pudor em vez de recusar dar informações sobre as benesses do seu banco - o tratado de Lisboa deve ser revisto, deve acabar-se com os privilégios dos bancos centrais, desde o BCE aos bancos nacionais, e com a distorção das baixas taxas de juro do BCE aos bancos comerciais e altas taxas de juro dos bancos comerciais às finanças públicas).
É uma vergonha, andarem a impor taxas e contribuições extraordinárias às pessoas e a privatizar um serviço público de coesão nacional quando se poderia obter dinheiro com a renegociação dos contratos das PPP e do tratado de Lisboa.
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domingo, 16 de dezembro de 2012
A propósito de Mario Draghi e das privatizações
Transcrevo declarações do senhor presidente do BCE, Mário Draghi neste dezembro de 2012:
“Desistir agora [das políticas de austeridade] como alguns sugerem seria estragar os imensos sacrifícios feitos pelos cidadãos europeus”
“Os países com dívidas e défices elevados devem compreender que perderam a sua soberania em detrimento das suas políticas económicas de um mundo globalizado. Trabalhando juntos numa união orientada para a estabilidade significa recuperar a soberania”
“O acordo sobre o mecanismo de supervisão bancário europeu único irá contribuir para uma união económica e monetária estável”.
Embora lamentando que o BCE não atenue as medidas de austeridade que afetam as vitimas da crise e não os seus determinantes principais (as entidades financeiras que primeiro especularam e depois foram resgatadas com dinheiros públicos contribuindo para agravar a recessão que fez diminuir as receitas fiscais), registo a evidencia da perda de soberania e congratulo-.me com “a união económica e monetária estável”.
Mas tenho de registar também que desde Setembro de 2010 o manifesto dos economistas aterrados (ver em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/10/economicomio-lxii-as-22-medidas-dos.html )
vem defendendo o reforço da intervenção do BCE para a estabilização da tal união económica, para o que propôs 22 medidas concretas.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/10/economicomio-lxii-as-22-medidas-dos.html )
vem defendendo o reforço da intervenção do BCE para a estabilização da tal união económica, para o que propôs 22 medidas concretas.
È verdade que por razões ideológicas o poder politico da UE não quer aceitar muitas dessas medidas, e as que vai aceitando é a custo. Mantêm-se os fundamentalismos (embora não esteja aqui a usar o termo no mesmo sentido que o senhor ministro da Economia lhe atribui) da minimização das entidades púbicas e da subordinação à livre concorrência, mesmo quando tecnicamente do ponto de vista da engenharia, como no caso da produção e distribuição de eletricidade e dos transportes, haja contra-indicações.
Não me parece que o conceito de supervisão e de regulação seja adequado porque para isso é preciso “know-how” e este vai sendo retirado às entidades públicas pelos fundamentalistas, até ser insuportável a promiscuidade entre o poder politico e o poder económico-financeiro-bancário.
Talvez que se explicasse bem aos eleitores europeus a origem da crise e da recessão (europeias, uma vez que a pequena economia portuguesa e os disparates do senhor ex-primeiro ministro Sócrates nunca poderiam por si sós provocar uma crise tão grande), a facilidade com que o capital foge para as off-shores enquanto os pensionistas e os trabalhadores por conta de outrem não o podem fazer (ainda agora o presidente da Google veio gabar-se de ter economizado 1.500 milhões de euros de impostos por pagar impostos numa off-shore nos Barbados e não em Inglaterra), talvez que os eleitores deixassem de votar nos mesmo ideólogos que estiveram por trás da crise e da recessão e que agora aplicam as medidas de austeridade recessiva.
Talvez que se se voltasse a falar na gestão inteligente da linha de separação variável entre a atividade privada e a atividade pública de que Melo Antunes falava, sem fundamentalismos nem fé cega em teorias, com análises isentas de subordinações partidárias ou de subordinações aos lucros das off-shores, talvez que se pudessem ir aplicando mais medidas concretas para ir resolvendo as coisas.
Por isso Portugal deve continuar na UE e na zona euro, para defender os interesses das comunidades e não das entidades financeiras.
Analogamente ao que Melo Antunes fez: manteve-se como operacional , vigiado de perto pela PIDE, num exército que fazia uma guerra colonial, até chegar a altura de acabar com a guerra colonial (ver “Biografia politica de Ernesto Melo Antunes”, de Maria Inácia Rezola, no suplemento Q do DN de 15 de dezembro de 2012).
Mas falo nisto apenas como analogia, comparando o obscurantismo de antes do 25 de Abril com o obscurantismo dos atuais governantes.
Analogamente ao que Melo Antunes fez: manteve-se como operacional , vigiado de perto pela PIDE, num exército que fazia uma guerra colonial, até chegar a altura de acabar com a guerra colonial (ver “Biografia politica de Ernesto Melo Antunes”, de Maria Inácia Rezola, no suplemento Q do DN de 15 de dezembro de 2012).
Mas falo nisto apenas como analogia, comparando o obscurantismo de antes do 25 de Abril com o obscurantismo dos atuais governantes.
(Notas:
1 - a simples medida de taxação das transações financeiras continua sem avançar em Portugal, apesar de já adotada noutros países; é verdade que o volume de negócios da banca de Lisboa está a baixar (30% num ano) e que a adoção dessa taxa poderia agravar essa redução, mas se considerarmos a estimativa de 20 mil milhões de euros para 2012, uma taxa de 2,5% daria uma receita fiscal de 500 milhões de euros
2 – o fundamentalismo privatizador não se verifica apenas na TAP, na ANA e na RTP (não se deve vender em período de baixa, não se deve vender o que está a dar resultados positivos dizem os manuais; e não se deve vender o que é serviço público, dizem mais de 25% de eleitores). Vem agora a senhora ministra do Ambiente dizer que a Empresa Geral do Fomento, sub-holding do grupo Águas de Portugal, é para ser privatizada em 2013. O objeto da empresa é a gestão dos resíduos sólidos urbanos. Pela sua importância para a gestão integrada e transversal da energia e da produção de energia por fontes renováveis em centrais de bio-massa, trata-se, de um ponto de vista técnico de engenharia, de um disparate. Mas com a desculpa do memorando feito à pressa sem considerar as razões técnicas de engenharia, provavelmente far-se-á. Será mais um exemplo de fundamentalismo obscurantista
3 – a propósito de privatizações, registo o ar triste, triste mesmo, com que o senhor ministro das finanças Vítor Gaspar apareceu na televisão a dizer, em cerimónia no ISEG de homenagem ao professor João Ferreira do Amaral, que o atual processo de privatizações era “um exemplo de sucesso” e que “não devemos procurar crescimento por si só; é preciso crescimento sustentado e criador de emprego”. Serão pérolas de retórica mal sentida, como o comentário do senhor ministro Miguel Relvas sobre as privatizações: “transparentes e imaculadas”, talvez como virgens. Que pena me faz, terem de poupar em conselheiros de comunicação e imagem)
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Vitor Gaspar
terça-feira, 26 de junho de 2012
Minha senhora!
Minha senhora, minha senhora, olhe que a saida não é por aí. Se fosse, era mais larga. Sabe? isto não é como procurar Berlin no mapa. Tem de se obedecer às leis da física e da matemática.Se a Europa é um conjunto, os elementos do conjunto têm de obedecer às mesmas leis, por exemplo, o mesmo juro das eurobond, a possibilidade de o BCE emprestar diretamente a juro baixo aos governos...custa a aceitar?
Meine Dame, meine Dame, aussehen wie die Ausgabe nicht da ist. Wenn es war, war größer. Do you know? das ist nicht wie der Blick auf die Karte Berlin. Sie müssen den Gesetzen der Physik gehorchen und matemática.Se Europa gibt eine ganze Reihe Mitglieder müssen den gleichen Gesetzen gehorchen, zum Beispiel, die das gleiche Interesse der Eurobond, die Möglichkeit der EZB leihen direkt zu niedrigen Zinsen Regierungen, um Kosten zu akzeptieren ...?
Meine Dame, meine Dame, aussehen wie die Ausgabe nicht da ist. Wenn es war, war größer. Do you know? das ist nicht wie der Blick auf die Karte Berlin. Sie müssen den Gesetzen der Physik gehorchen und matemática.Se Europa gibt eine ganze Reihe Mitglieder müssen den gleichen Gesetzen gehorchen, zum Beispiel, die das gleiche Interesse der Eurobond, die Möglichkeit der EZB leihen direkt zu niedrigen Zinsen Regierungen, um Kosten zu akzeptieren ...?
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Do DN de 1 de junho de 2012
Os senhores governantes vão à televisão e dizem que são muito competentes.
Repetem o que disseram em campanhas eleitorais.
Conseguirma convencer os eleitores de que são muito competentes.
Mas depois há factos.
Os factos relatados pelo DN em 1 de junho de 2012 são:
1 - o presidente do BCE criticou o senhor primeiro ministro espanhol por substimar o caso do banco Bankia (juntamente com outros bancos, estima-se que sejam necessários 60 mil milhões de euros dos acionistas de Espanha, isto é, dos seus contribuintes, para salvar os bancos). É um paradoxo dos nossos tempos, por explicar pelos teóricos do neo-liberalismo que nos domina: por que razão têm de ser os contribuintes a pagar por bancos em que não tinham contas? (aconteceu com 30 mil milhões de euros na Irlanda, aconteceu com 8 mil milhões de euros em Portugal, na Grécia não sei).
É verdade que o senhor primeiro ministro espanhol foi eleito, mas a decisão de pagar 60 mil milhões de euros não deveria ser submetida a aprovação de 2/3 dos acionistas, isto é, contribuintes?
Bem, uma coisa é certa,o senhor presidente do BCE achou que osenhor governante espanhol foi, neste caso, incompetente.
2 - a unidade técnica de apoio orçamental da assembleia da Republica detetou um erro da direção geral do orçamento de inscrição das verbas do IVA com destino à segurança social no ano de 2011 (238 milhões de euros). Em consequencia desse erro, a queda da receita fiscal de impostos indiretos no primeiro trimestre de 2012 é maior do que a anunciada pelo governo: 6,8% em vez de 3,5% anunciados pela direção geral.
E a queda da receita fiscal e segurança social foi de 2,3% em vez do acréscimo de 0,2% anunciados pela direção geral.
Os numeros não são muito grandes e os senhores primeiro ministro e ministro das finanças já vieram dizer que não comprometem o objetivo do défice (embora o defice publico tenha sido de 7,4% no primeiro trimestre quando a meta para 2012 é 4,5%).
Mas a verdade é que o senhor professor de fiscalidade Sérgio Vasques afirmou que é um erro de uma "enorme responsabilidade".
E este acionista de Portugal, isto é, contribuinte, concorda, até porque na campanha eleitoral foi dito pelo partido vencedor (vencedor, se não ligarmos aos 42% de abstenções relativamente aos eleitores inscritos) que tudo se resolvia cortando nas gorduras do Estado e nas despesas. Afinal, e ainda não se conhecem os resultados do aumento do IVA em maio (o IVA representava 41% da receita fiscal), não era assim.
Este acionista que aqui escreve, na sua vida profissinal, se tivesse um contabilista que lhe fizesse um erro destes e fosse preciso vir um terceiro detetar o erro, ouviria da minha boca, em voz pausada, "incompetente", uma vez que não lhe iria atribuir a intenção de me enganar. Valha a verdade que nunca lidei com negócios de 230 milhões de euros; a empreitada de valor mais elevado por que fui responsável não ultrapassou os 17 milhões, mas também é verdade que nunca me apareceu um contabilista incompetente, de voz pausada ou apressada.
O que retiro destes dois factos?
Simples, que ninguem é perfeito e que democracia não é alternancia, é colaboração e convergencia de esforços de modo a retirar-se de cada sensibilidade e do maior numero possivel de entidades os contributos para as soluções coletivas.
O que é um entendimento diferente dos campeões das lutas eleitorais, que depois cometem estes erros com prejuízo para os acionistas.
Repetem o que disseram em campanhas eleitorais.
Conseguirma convencer os eleitores de que são muito competentes.
Mas depois há factos.
Os factos relatados pelo DN em 1 de junho de 2012 são:
1 - o presidente do BCE criticou o senhor primeiro ministro espanhol por substimar o caso do banco Bankia (juntamente com outros bancos, estima-se que sejam necessários 60 mil milhões de euros dos acionistas de Espanha, isto é, dos seus contribuintes, para salvar os bancos). É um paradoxo dos nossos tempos, por explicar pelos teóricos do neo-liberalismo que nos domina: por que razão têm de ser os contribuintes a pagar por bancos em que não tinham contas? (aconteceu com 30 mil milhões de euros na Irlanda, aconteceu com 8 mil milhões de euros em Portugal, na Grécia não sei).
É verdade que o senhor primeiro ministro espanhol foi eleito, mas a decisão de pagar 60 mil milhões de euros não deveria ser submetida a aprovação de 2/3 dos acionistas, isto é, contribuintes?
Bem, uma coisa é certa,o senhor presidente do BCE achou que osenhor governante espanhol foi, neste caso, incompetente.
2 - a unidade técnica de apoio orçamental da assembleia da Republica detetou um erro da direção geral do orçamento de inscrição das verbas do IVA com destino à segurança social no ano de 2011 (238 milhões de euros). Em consequencia desse erro, a queda da receita fiscal de impostos indiretos no primeiro trimestre de 2012 é maior do que a anunciada pelo governo: 6,8% em vez de 3,5% anunciados pela direção geral.
E a queda da receita fiscal e segurança social foi de 2,3% em vez do acréscimo de 0,2% anunciados pela direção geral.
Os numeros não são muito grandes e os senhores primeiro ministro e ministro das finanças já vieram dizer que não comprometem o objetivo do défice (embora o defice publico tenha sido de 7,4% no primeiro trimestre quando a meta para 2012 é 4,5%).
Mas a verdade é que o senhor professor de fiscalidade Sérgio Vasques afirmou que é um erro de uma "enorme responsabilidade".
E este acionista de Portugal, isto é, contribuinte, concorda, até porque na campanha eleitoral foi dito pelo partido vencedor (vencedor, se não ligarmos aos 42% de abstenções relativamente aos eleitores inscritos) que tudo se resolvia cortando nas gorduras do Estado e nas despesas. Afinal, e ainda não se conhecem os resultados do aumento do IVA em maio (o IVA representava 41% da receita fiscal), não era assim.
Este acionista que aqui escreve, na sua vida profissinal, se tivesse um contabilista que lhe fizesse um erro destes e fosse preciso vir um terceiro detetar o erro, ouviria da minha boca, em voz pausada, "incompetente", uma vez que não lhe iria atribuir a intenção de me enganar. Valha a verdade que nunca lidei com negócios de 230 milhões de euros; a empreitada de valor mais elevado por que fui responsável não ultrapassou os 17 milhões, mas também é verdade que nunca me apareceu um contabilista incompetente, de voz pausada ou apressada.
O que retiro destes dois factos?
Simples, que ninguem é perfeito e que democracia não é alternancia, é colaboração e convergencia de esforços de modo a retirar-se de cada sensibilidade e do maior numero possivel de entidades os contributos para as soluções coletivas.
O que é um entendimento diferente dos campeões das lutas eleitorais, que depois cometem estes erros com prejuízo para os acionistas.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
O mercado a funcionar - as colmeias
| Colmeias em Lisboa, a 1000 metros do Areeiro |
A procura do mel aumentou (para alem de valor calórico tem virtudes medicinais preventivas e curativas), muitos candidatos aos apoios a jovens agricultores aumentaram a procura de colmeias para produção.
Os orgãos de venda de colmeias legalizados não conseguiram fazer face à procura.
As leis dos mercados determinaram o aumento dos preços.
Uma colmeia em estado de começar a produzir custa 150 euros no circuito legal e 60 euros no mercado negro.
As leis do mercado negro determinaram o aumento de roubos das colmeias.
Os apicultores do norte do país calculam prejuizos da ordem de 150 mil euros.
Os economistas não têm coragem para confessar que lhes agrada esta situação. O mesmo objeto transacionado duas vezes gera valor, ainda que a venda de 60 euros não pague imposto.
Porque alguma parte desses 60 euros há-de contribuir para o aumento do PIB.
Porque já há apicultores a dormir perto das colmeias com espingardas carregadas e os cartuchos terão sido contabilizados nas contas do PIB.
Há muitos anos, circulou um filme chamado Mundo Cão.
Mundo cão é isto, é não ser possível à GNR prevenir estes crimes, crimes económicos, não são contra a integridade física das pessoas, como não lhe é possível, à GNR, prevenir o roubo de cobre dos condutores e dos sistemas de rega, o roubo da cortiça dos sobreiros, o roubo das alfarrobas, o roubo das pinhas, o roubo da palha.
A atuação eficiente só pode fazer-se a montante, primeiro na escola e depois nas políticas de emprego.
Insucesso escolar e desemprego significa roubo e vandalismo.
Duvido que os senhores economistas e financeiros que nos governam concordem comigo.
E como classificar o desvio de papel e de cartão dos pontos de recolha das empresas que têm a concessão da sua recolha e que viram os seus lucros baixar 20% porque há pessoas que à noite andam a recolher papel dos caixotes de lixo e dos pontos de recolha? É crime porque os concessionários irão exigir um "reequilíbrio financeiro" no seu partenariato? Ou daremos mais crédito a S.Tomás de Aquino, doutor da Igreja, quando escreveu que roubar para matar a fome não é crime?
Recordo aqui o filme de Angelopoulos, O apicultor, com Marcelo Mastroiani,
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2011/09/viagem-grecia.html
talvez o filme mais triste que já vi.
Passava-se na Grécia, já há dezenas de anos.
Mundo Cão. Mundo cão é isto, é quem toma decisões, quer seja em Berlim, em Londres ou em S.Bento, considerar-se detentor da verdade das soluções, não partilhar as soluções com os cidadãos e cidadãs, não os envolver no debate, não aceitar as propostas de parte significativa deles e delas, esconder-se atrás do cinzento escuro das paredes do BCE, e proclamar a culpa de terceiros, à medida que as suas soluções vão falindo.
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quarta-feira, 21 de março de 2012
Breve encontro na praia
A praia tem poucas pessoas no primeiro dia de primavera.
Alguns turistas holandeses dão o seu passeio depois do almoço no hotel de uma pequena povoação à beira mar, no sotavento do Algarve.
Também há turistas alemães, que deixaram as suas autocaravanas no parque junto da praia.
A aragem marítima é fresca mas o sol aquece todos.
Passear os cães na praia é uma ótima forma de socializar.
Dá-se o encontro entre ela, que é uma mãe ainda jovem, e ele que é um adolescente.
São evidentes as diferenças de cultura.
A diferença de idades e de cultura não é obstáculo a que a simpatia nasça e os aproxime.
Nestas coisas nunca a diferença de uma coisa ou de outra deveria ser motivo de escandalo.
Mas não é destes dois que vos queria falar.
Ela é a cadela Nunca, que brincava com o seu dono holandês, e ele é o meu cão Smart.
O que me interessava destacar aqui é que nenhum dos turistas alemães que encontro tem o ar de se querer opor à emissão de eurobonds e a uma intervenção mais solidária do BCE.
E que o holandês da Nunca vive no Algarve há 7 anos e não acha que os portugueses sejam uns preguiçosos que não merecem o nível de vida dos holandeses.
Pode ser ingenuidade minha, mas os senhores que tomam decisões nas cimeiras de ministros deviam vir às praias do sotavento falar com os alemães e os holandeses que por lá andam.
Como diria Camilo de Oliveira, isso sim, seria democrático.
Alguns turistas holandeses dão o seu passeio depois do almoço no hotel de uma pequena povoação à beira mar, no sotavento do Algarve.
Também há turistas alemães, que deixaram as suas autocaravanas no parque junto da praia.
A aragem marítima é fresca mas o sol aquece todos.
Passear os cães na praia é uma ótima forma de socializar.
Dá-se o encontro entre ela, que é uma mãe ainda jovem, e ele que é um adolescente.
São evidentes as diferenças de cultura.
A diferença de idades e de cultura não é obstáculo a que a simpatia nasça e os aproxime.
Nestas coisas nunca a diferença de uma coisa ou de outra deveria ser motivo de escandalo.
Mas não é destes dois que vos queria falar.
Ela é a cadela Nunca, que brincava com o seu dono holandês, e ele é o meu cão Smart.
O que me interessava destacar aqui é que nenhum dos turistas alemães que encontro tem o ar de se querer opor à emissão de eurobonds e a uma intervenção mais solidária do BCE.
E que o holandês da Nunca vive no Algarve há 7 anos e não acha que os portugueses sejam uns preguiçosos que não merecem o nível de vida dos holandeses.
Pode ser ingenuidade minha, mas os senhores que tomam decisões nas cimeiras de ministros deviam vir às praias do sotavento falar com os alemães e os holandeses que por lá andam.
Como diria Camilo de Oliveira, isso sim, seria democrático.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Uma noite na ópera - Portugal e a Hungria
Como já se disse neste blogue, a ópera, para alem de criar mecanismos injustificados de rejeição junto de alguns cidadãos e cidadãs, tem uma forte componente interventiva e está intimamente ligada à forma como a sociedade se organiza.
Além de que, apesar de tudo, é um espetáculo popular.
Em Portugal
Em Portugal criou-se a ideia de que não é, o que só ilustra um dos aspetos do pensamento português, de deixar que um grupo restrito dite o que todos devem pensar.
Ora, já é possivel ir ao S.Carlos à ópera, sem gravata.
Verdade que raramente lá se vê o senhor presidente da Republica e nunca o senhor primeiro ministro.
Este é tambem um sintoma do nivel cultural dos cidadãos que desempenham esses cargos e não deve portanto escandalizar ninguem.
As pessoas que não têm cultura são cidadãos como os outros e podem desempenhar esses cargos, sujeitos naturalmente ao juízo e à classificação na história em função da ausencia de nivel cultural nas suas decisões.
Em Portugal, o ataque cerrado dos bárbaros que tomaram conta do poder sobre questões de cultura de âmbito nacional, insistindo na tecla de que "não há dinheiro" (pode ser verdade, mas não de forma absoluta; além de que, sendo verdade, esperar-se-ia a declaração do estado de emergencia, porque um país sem cultura é uma situação de emergencia, salvo melhor opinião, que será talvez a dos governantes), conseguiu anular a apresentação de 3 espetáculos de ópera já programados para o S.Carlos (a programação de ópera é contratada com 2 anos de antecedencia, e os economistas queriam forçar os produtores estrangeiros a reduzir custos, dentro daquela velha máxima de fazer mais com menos, que evidentemente não foi aceite pelos produtores).
E o curioso desta história é que as pessoas do S.Carlos reagiram como eu costumo dizer aos meus jovens colegas que continuaram no ativo: não baixem os braços e criem estratégias de recuo, como o quadrado do condotieri Nuno Álvares.
E assim vamos ter ópera em janeiro: Cosi fan tutte, já programada, e outra em maio, La rondine de Puccini.
Perderam-se as outras, mas ainda temos ópera no S.Carlos, pode ser que os bárbaros tropecem ao longo da temporada, como os inimigos do condotieri em Aljubarrota.
A orquestra, o coro e o cantores vão ainda realizar alguns espetáculos para manter a atividade e não faltará o festival do largo, no verão, para espanto dos turistas que nos visitarem nessa altura, e que estarão à espera de que a cultura tenha desaparecido pelos fundos do orçamento.
O programa que recebi em casa, em carta que começa assim: "Caro assinante: Perante as contingencias provocadas pela delicada situação financeira e económica do país, e na sequencia das indicações do ministério das finanças referentes ao orçamento de 2012 ..." (eu que pensava que o S.Carlos recebia indicações da secretaria da cultura ou da presidencia do conselho de ministros ...) leva-me portanto a aplaudir quem toma decisões e quem trabalha no S.Carlos, e a não ir já este ano ao teatro da Zarzuela em Madrid ou ao da Bastilha em Paris, para ver ópera, o que é bom para a balança de pagamentos.
Na Hungria
Na Hungria, a tradição musical tem outra implantação na classe politica, e o primeiro ministro dirigiu-se ao teatro de ópera para assistir a um espetáculo.
Tenho pena de não saber que ópera era. Talvez o "crepusculo dos deuses", não sei.
Mas o facto é que os manifestantes aguardavam-no à entrada e eram muitos, com cartazes a dizer "eleg volt", que em bom hungaro significa "basta".
"Basta" porque o senhor primeiro ministro quer alterar a constituição para controlar melhor o banco central hungaro, para controlar melhor os meios de comunicação social incluindo a inernet, e para evitar a representação proporcional dos partidos menores que possam opor-se-lhe, numa prática que em Portugal tambem há quem defenda: alterar as regras eleitorais ao arrepio da matemática para conservar o poder.
Engraçado que a comissão europeia tambem não gostou das medidas do senhor primeiro ministro hungaro, embora não tenha autoridade moral para o fazer porque os dirigentes do BCE tambem não submeteram a sua politica a discussão e sufrágio universal.
Aguarda-se a evolução da ópera em Portugal e na Hungria.
Além de que, apesar de tudo, é um espetáculo popular.
Em Portugal
Em Portugal criou-se a ideia de que não é, o que só ilustra um dos aspetos do pensamento português, de deixar que um grupo restrito dite o que todos devem pensar.
Ora, já é possivel ir ao S.Carlos à ópera, sem gravata.
Verdade que raramente lá se vê o senhor presidente da Republica e nunca o senhor primeiro ministro.
Este é tambem um sintoma do nivel cultural dos cidadãos que desempenham esses cargos e não deve portanto escandalizar ninguem.
As pessoas que não têm cultura são cidadãos como os outros e podem desempenhar esses cargos, sujeitos naturalmente ao juízo e à classificação na história em função da ausencia de nivel cultural nas suas decisões.
Em Portugal, o ataque cerrado dos bárbaros que tomaram conta do poder sobre questões de cultura de âmbito nacional, insistindo na tecla de que "não há dinheiro" (pode ser verdade, mas não de forma absoluta; além de que, sendo verdade, esperar-se-ia a declaração do estado de emergencia, porque um país sem cultura é uma situação de emergencia, salvo melhor opinião, que será talvez a dos governantes), conseguiu anular a apresentação de 3 espetáculos de ópera já programados para o S.Carlos (a programação de ópera é contratada com 2 anos de antecedencia, e os economistas queriam forçar os produtores estrangeiros a reduzir custos, dentro daquela velha máxima de fazer mais com menos, que evidentemente não foi aceite pelos produtores).
E o curioso desta história é que as pessoas do S.Carlos reagiram como eu costumo dizer aos meus jovens colegas que continuaram no ativo: não baixem os braços e criem estratégias de recuo, como o quadrado do condotieri Nuno Álvares.
E assim vamos ter ópera em janeiro: Cosi fan tutte, já programada, e outra em maio, La rondine de Puccini.
Perderam-se as outras, mas ainda temos ópera no S.Carlos, pode ser que os bárbaros tropecem ao longo da temporada, como os inimigos do condotieri em Aljubarrota.
A orquestra, o coro e o cantores vão ainda realizar alguns espetáculos para manter a atividade e não faltará o festival do largo, no verão, para espanto dos turistas que nos visitarem nessa altura, e que estarão à espera de que a cultura tenha desaparecido pelos fundos do orçamento.
O programa que recebi em casa, em carta que começa assim: "Caro assinante: Perante as contingencias provocadas pela delicada situação financeira e económica do país, e na sequencia das indicações do ministério das finanças referentes ao orçamento de 2012 ..." (eu que pensava que o S.Carlos recebia indicações da secretaria da cultura ou da presidencia do conselho de ministros ...) leva-me portanto a aplaudir quem toma decisões e quem trabalha no S.Carlos, e a não ir já este ano ao teatro da Zarzuela em Madrid ou ao da Bastilha em Paris, para ver ópera, o que é bom para a balança de pagamentos.
Na Hungria
Na Hungria, a tradição musical tem outra implantação na classe politica, e o primeiro ministro dirigiu-se ao teatro de ópera para assistir a um espetáculo.
Tenho pena de não saber que ópera era. Talvez o "crepusculo dos deuses", não sei.
Mas o facto é que os manifestantes aguardavam-no à entrada e eram muitos, com cartazes a dizer "eleg volt", que em bom hungaro significa "basta".
"Basta" porque o senhor primeiro ministro quer alterar a constituição para controlar melhor o banco central hungaro, para controlar melhor os meios de comunicação social incluindo a inernet, e para evitar a representação proporcional dos partidos menores que possam opor-se-lhe, numa prática que em Portugal tambem há quem defenda: alterar as regras eleitorais ao arrepio da matemática para conservar o poder.
Engraçado que a comissão europeia tambem não gostou das medidas do senhor primeiro ministro hungaro, embora não tenha autoridade moral para o fazer porque os dirigentes do BCE tambem não submeteram a sua politica a discussão e sufrágio universal.
Aguarda-se a evolução da ópera em Portugal e na Hungria.
sábado, 10 de dezembro de 2011
O sacrifício da dama
Com a devida vénia à secção de xadrez do DN, vejam este problema:
Os problemas de mate em duas jogadas, como este, são normalmente abstrações (não é natural deixar chegar a dama negra a uma posição desprotegida como aquela em que está no problema) em que se procura a solução mais rápida num jogo que já está ganho. Mas mesmo assim têm interesse para estudar as combinações possíveis e para ver como uma ação pouco frequente pode ser a resposta para o caminho mais curto.
Para encurtar razões, a solução neste caso é sacrificar a dama branca.
A dama branca em c5, ao ser tomada pelo bispo de b4 permite o mate do rei negro por cavalo em c3; se tomada pela dama negra permite o mate pelo bispo em h7; se tomada pelo peão negro de d6 permite o mate pela torre em e5; se tomada pelo cavalo negro de b3 o mate será pelo cavalo em d2; se tomada pelo cavalo de e6 o mate será pelo bispo em d5; se deixada a dama branca à solta, dará o mate em d5; se protegida a casa d5 pelo cavalo negro em f4, o mate sobrevem pelo cavalo em g3.
É verdade que o jogo já estava perdido para as pretas, assim como, se associarmos o rei negro às ameaças que pairam sobre a UE e a sua moeda, podemos, ingenuamente ou talvez não, acreditar que as más jogadas dos ultimos anos não vão impedir que se ganhe o jogo da Europa unida e solidária, com politicas de emprego e de geração seletiva de riqueza util.
Mas conviria realmente, para que Obama e Paul Krugman ("os paises do norte vão acumular superavits, e os paises periféricos vão dizer adeus à prosperidade") não andem tão preocupados com as más decisões e indecisões da ultima cimeira (de facto, para uma mente norte americana deve ser muito dificil entender por que o BCE não pode fazer o mesmo que a reserva federal dos USA; talvez seja porque nenhum governante europeu disse dos bancos o que o presidente Jackson disse:“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”), que se apressassem as medidas realmente eficazes, ainda que fosse preciso contrariar o senhor governador do BCE, Mario Draghi.
Muito bem, agora que expliquei o problema de xadrez, vamos sacrificar a dama?
![]() |
| As brancas jogam com mate em duas jogadas |
Para encurtar razões, a solução neste caso é sacrificar a dama branca.
A dama branca em c5, ao ser tomada pelo bispo de b4 permite o mate do rei negro por cavalo em c3; se tomada pela dama negra permite o mate pelo bispo em h7; se tomada pelo peão negro de d6 permite o mate pela torre em e5; se tomada pelo cavalo negro de b3 o mate será pelo cavalo em d2; se tomada pelo cavalo de e6 o mate será pelo bispo em d5; se deixada a dama branca à solta, dará o mate em d5; se protegida a casa d5 pelo cavalo negro em f4, o mate sobrevem pelo cavalo em g3.
É verdade que o jogo já estava perdido para as pretas, assim como, se associarmos o rei negro às ameaças que pairam sobre a UE e a sua moeda, podemos, ingenuamente ou talvez não, acreditar que as más jogadas dos ultimos anos não vão impedir que se ganhe o jogo da Europa unida e solidária, com politicas de emprego e de geração seletiva de riqueza util.
Mas conviria realmente, para que Obama e Paul Krugman ("os paises do norte vão acumular superavits, e os paises periféricos vão dizer adeus à prosperidade") não andem tão preocupados com as más decisões e indecisões da ultima cimeira (de facto, para uma mente norte americana deve ser muito dificil entender por que o BCE não pode fazer o mesmo que a reserva federal dos USA; talvez seja porque nenhum governante europeu disse dos bancos o que o presidente Jackson disse:“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”), que se apressassem as medidas realmente eficazes, ainda que fosse preciso contrariar o senhor governador do BCE, Mario Draghi.
Muito bem, agora que expliquei o problema de xadrez, vamos sacrificar a dama?
sábado, 23 de abril de 2011
Atenção FMI, BCE e UE
É inegavelmente dificil entender os meandros das equações que relacionam os componentes do PIB, das dividas externas, das balanças de pagamentos, dos setores transacionáveis, dos setores não transacionáveis.
Mas apesar de tudo a sabedoria popular ainda dá exemplos de lucidez.
Espero que este cartaz com a devida vénia ao DN, tenha sido lido pelos senhores negociadores do FMI (IMF), BCE (ECB) e UE (EU), o que mostraria a superioridade de algumas tecnologias antigas sobre os blogues e outras modernices.
Efetivamente, a mensagem é clara: não quero dinheiro para viver acima das minhas posses.
Não quero fazer como Mofina Mendes, não quero depender do pote que me pode cair da cabeça (como o Ministério da Saúde depende da venda do antigo hospital do Desterro para fazer novos hospitais, e depois ninguem vai dar nada pelo hospital do Desterro; como ninguem vai dar nada pelos palacetes da Câmara nem pela penitenciária de Lisboa, que era suposto financiar os sonhos dos doutores do ministério da Justiça)
Não quero comprar Mercedes SLK de 189 cavalos como vem anunciado no DN, só para aliviar a balança de pagamentos da Alemanha, além de que não acredito que ele só gaste 6,4 litros/100 km no ciclo normalizado.
Não quero que um banco que se calhar já tem maioria de capital estrangeiro, mas cuja divida entra para as contas de Portugal, financie excursões ao rock in Rio no Brasil (não havia hipótese de sair desse financiamento?)
Não quero que os 80.000 milhões de euros venham para continuar a financiar importações e o agravamento da diferença entre o setor não transacionável e o setor transacionável, quer as suas empresas sejam privadas ou públicas (sim, sim, concordo que as estratégias dos sindicatos se sincronizem, de modo a fazer convergir, no sentido físico, a fatia que cabe à mão de obra na estrutura de custos do produto final num setor e noutro - 40% no não transacionável e 15% no transacionável - porque, se isso acontecer, haverá a certeza de que o passageiro apoiará a greve do maquinista, e os cidadãos e cidadãs compreenderão que uma economia de 10% sobre 40% ou sobre 15% representa 4% ou 1,5% sobre o valor total da produção, pelo que se quisermos uma economia de 10% teremos de ir aos outros 60% ou 85% dos custos) .
Não quero que a estrutura da divida no meu país continue a ser:
divida externa publica incluindo empresas publicas ........... 120% do PIB
divida externa das familias ............................................... 100% do PIB
dívida externa das empresas ............................................ 150% do PIB
(isto é, uma redução da divida publica de 10% significa uma redução da divida total externa de 3,2%; daí o aumento dos impostos e os cortes nas remunerações para as familias e algumas empresas não se endividarem tanto).
Mas gostava que o dinheiro viesse financiar investimentos produtivos e que aceitassemos todos que o melhor indicador de tudo isto é a balança de pagamentos (saldo exportações-importações) e que ela tem de passar a ser positiva, à custa do aumento da produção, a começar pelos alimentos, pela não importação de Mercedes e pela não ida ao rock in Rio.
Terá sido uma pena se os senhores negociadores não tiverem lido o cartaz, já que não conseguiriam, por falta de tradução, interpretar as mensagens que uns dias antes estavam disseminadas ao longo do percurso entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço, como se vê nas fotos, expressão de sabedoria popular:
Mas apesar de tudo a sabedoria popular ainda dá exemplos de lucidez.
Espero que este cartaz com a devida vénia ao DN, tenha sido lido pelos senhores negociadores do FMI (IMF), BCE (ECB) e UE (EU), o que mostraria a superioridade de algumas tecnologias antigas sobre os blogues e outras modernices.
Efetivamente, a mensagem é clara: não quero dinheiro para viver acima das minhas posses.
Não quero fazer como Mofina Mendes, não quero depender do pote que me pode cair da cabeça (como o Ministério da Saúde depende da venda do antigo hospital do Desterro para fazer novos hospitais, e depois ninguem vai dar nada pelo hospital do Desterro; como ninguem vai dar nada pelos palacetes da Câmara nem pela penitenciária de Lisboa, que era suposto financiar os sonhos dos doutores do ministério da Justiça)
Não quero comprar Mercedes SLK de 189 cavalos como vem anunciado no DN, só para aliviar a balança de pagamentos da Alemanha, além de que não acredito que ele só gaste 6,4 litros/100 km no ciclo normalizado.
Não quero que um banco que se calhar já tem maioria de capital estrangeiro, mas cuja divida entra para as contas de Portugal, financie excursões ao rock in Rio no Brasil (não havia hipótese de sair desse financiamento?)
Não quero que os 80.000 milhões de euros venham para continuar a financiar importações e o agravamento da diferença entre o setor não transacionável e o setor transacionável, quer as suas empresas sejam privadas ou públicas (sim, sim, concordo que as estratégias dos sindicatos se sincronizem, de modo a fazer convergir, no sentido físico, a fatia que cabe à mão de obra na estrutura de custos do produto final num setor e noutro - 40% no não transacionável e 15% no transacionável - porque, se isso acontecer, haverá a certeza de que o passageiro apoiará a greve do maquinista, e os cidadãos e cidadãs compreenderão que uma economia de 10% sobre 40% ou sobre 15% representa 4% ou 1,5% sobre o valor total da produção, pelo que se quisermos uma economia de 10% teremos de ir aos outros 60% ou 85% dos custos) .
Não quero que a estrutura da divida no meu país continue a ser:
divida externa publica incluindo empresas publicas ........... 120% do PIB
divida externa das familias ............................................... 100% do PIB
dívida externa das empresas ............................................ 150% do PIB
(isto é, uma redução da divida publica de 10% significa uma redução da divida total externa de 3,2%; daí o aumento dos impostos e os cortes nas remunerações para as familias e algumas empresas não se endividarem tanto).
Mas gostava que o dinheiro viesse financiar investimentos produtivos e que aceitassemos todos que o melhor indicador de tudo isto é a balança de pagamentos (saldo exportações-importações) e que ela tem de passar a ser positiva, à custa do aumento da produção, a começar pelos alimentos, pela não importação de Mercedes e pela não ida ao rock in Rio.
Terá sido uma pena se os senhores negociadores não tiverem lido o cartaz, já que não conseguiriam, por falta de tradução, interpretar as mensagens que uns dias antes estavam disseminadas ao longo do percurso entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço, como se vê nas fotos, expressão de sabedoria popular:
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Trichet em Marraquexe
http://economico.sapo.pt/noticias/zona-euro-precisa-de-reformas-orcamentais-mais-apertadas_101810.html
É sempre desconfortável um ignorante como eu comentar as recomendações tão sábias de Trichet, em Marraquexe, no dia 16 de Outubro de 2010.
Até aceito que se tenha como objetivo limitar o défice publico a 3% do PIB e a dívida pública da 60% do PIB, como dizem Trichet e Merkel.
Mas falta o resto da realidade ("Há mais vida para além do defice", não era o que dizia Jorge Sampaio?). Falta ver como anda o endividamento das empresas não públicas, especialmente como vai a vida das entidades bancárias, in e off-shore. E falta ver, principalmente, como anda o cumprimento das cláusulas da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Devemos defender os Direitos do Homem, não é assim?
Bom, então vamos ver o que nos divide:
Trichet quer mais rapidez nas reformas e na punição dos países que falham o objetivo do défice. Não quer que o BCE compre muitos títulos de dívida pública porque isso gera pressões inflacionistas. Também prefere manter o estado de coisas no domínio das taxas de juro baixas a instituições não públicas que depois emprestam a juros altos aos Estados. Acha, ele e Merkel, que o BCE , para ser independente, deve estar acima da vontade dos eleitores.
Que diz Sarkozy a propósito disto? Diz, por exemplo, que as políticas do BCE têm de estar sujeitas a sufrágio universal, isto é, a independência do BCE deve ter como limite a vontade livremente informada e expressa dos cidadãos.
Não é isso que acham Trichet e Merkel.
Quanto a Merkel, é com os eleitores alemães, mas quanto a Trichet, e se acelerássemos a reforma do senhor?
É que nestas coisas sinto-me muito próximo da cultura francesa, aquela da liberté, fraternité et égalité…
É sempre desconfortável um ignorante como eu comentar as recomendações tão sábias de Trichet, em Marraquexe, no dia 16 de Outubro de 2010.
Até aceito que se tenha como objetivo limitar o défice publico a 3% do PIB e a dívida pública da 60% do PIB, como dizem Trichet e Merkel.
Mas falta o resto da realidade ("Há mais vida para além do defice", não era o que dizia Jorge Sampaio?). Falta ver como anda o endividamento das empresas não públicas, especialmente como vai a vida das entidades bancárias, in e off-shore. E falta ver, principalmente, como anda o cumprimento das cláusulas da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Devemos defender os Direitos do Homem, não é assim?
Bom, então vamos ver o que nos divide:
Trichet quer mais rapidez nas reformas e na punição dos países que falham o objetivo do défice. Não quer que o BCE compre muitos títulos de dívida pública porque isso gera pressões inflacionistas. Também prefere manter o estado de coisas no domínio das taxas de juro baixas a instituições não públicas que depois emprestam a juros altos aos Estados. Acha, ele e Merkel, que o BCE , para ser independente, deve estar acima da vontade dos eleitores.
Que diz Sarkozy a propósito disto? Diz, por exemplo, que as políticas do BCE têm de estar sujeitas a sufrágio universal, isto é, a independência do BCE deve ter como limite a vontade livremente informada e expressa dos cidadãos.
Não é isso que acham Trichet e Merkel.
Quanto a Merkel, é com os eleitores alemães, mas quanto a Trichet, e se acelerássemos a reforma do senhor?
É que nestas coisas sinto-me muito próximo da cultura francesa, aquela da liberté, fraternité et égalité…
domingo, 3 de outubro de 2010
Very fast post in blog 31 - o BCE
Será verdade o que disse Jerónimo?
Que o BCE emprestou dinheiro a grandes bancos à taxa de 1% que depois emprestaram ao ministério das Finanças de Portugal à taxa de 6% ?
É que se não for verdade, deveria ser desmentido, considerando a gravidade da questão.
E se for verdade, deveria ser dada publicidade, quanto mais não seja para as pessoas recordarem que os cargos dirigentes do BCE não são eleitos nem sujeitos a concursos públicos controlados por orgãos eleitos, como seria de esperar num regime democrático.
Que o BCE emprestou dinheiro a grandes bancos à taxa de 1% que depois emprestaram ao ministério das Finanças de Portugal à taxa de 6% ?
É que se não for verdade, deveria ser desmentido, considerando a gravidade da questão.
E se for verdade, deveria ser dada publicidade, quanto mais não seja para as pessoas recordarem que os cargos dirigentes do BCE não são eleitos nem sujeitos a concursos públicos controlados por orgãos eleitos, como seria de esperar num regime democrático.
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