Para registo e manifestação de protesto por não ver debatido publicamente pelos senhores comentadores economistas, em termos comparativos, as seguintes dívidas e as suas razões de existencia:
- divida do metropolitano de Lisboa: 4.000 milhões de euros (sabe-se que inclui o financiamento da construção dos túneis e estações)
- divida da PT: 7.500 milhões de euros
- dívida da EDP : 17.500 milhões de euros
- dívida da E.ON, energética alemã: 32.000 milhões de euros
- dívida pública portuguesa: 130% do PIB (ca 220.000 milhões de euros)
- dívida privada das empresas não financeiras (60%) e dos particulares (40%) portugueses : 250% do PIB (ca 420.000 milhões de euros)
Dir-se-ia que os senhores comentadores omitem a gravidade de umas para se concentrarem nas dividas pública e do metropolitano.
Dir-se-ia que só uma visão integrada poderá fazer o diagnóstico, como aliás proposto pela iniciativa cidadã para a auditoria da dívida, sendo certo que só com um bom diagnóstico se poderá fazer a cura, que naturalmente passa pelo apoio externo ao investimento e ao crescimento (fundos comunitários, harmonização fiscal e financeira, aplicação de excedentes, apoio técnico em programas de reindustrialização nomeadamente na produção agro-alimentar).
Dir-se-ia que os senhores economistas deveriam explicar porque a E-ON, uma empresa privada alemã, que tem a procura garantida e que oferece um bem essencial (vende tudo o que produz), tem aquela dívida. Calculo que darão como justificação os elevados investimentos necessários. Mas essa é também a justificação da dívida do metropolitano de Lisboa. Em vez disso, provavelmente a definição do valor e do preço das coisas deveria ser outra. Mas evidentemente que os economistas que nos dirigem ou os que os apoiam não concordam comigo.
Mostrar mensagens com a etiqueta dívida pública. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dívida pública. Mostrar todas as mensagens
domingo, 30 de novembro de 2014
Dívidas
Etiquetas:
dívida privada,
dívida pública,
E.ON
sábado, 3 de maio de 2014
O pato gordo
Graças à SIC Noticias e a um seu programa sobre a politica nacional, veo um comentador sair-se com esta imagem. Portugal terminará o programa de ajuda externa saindo como um pato gordo e desajeitado para o meios das aves de rapina.
Um outro comentador explica que "década perdida" era inevitável (isto é, a pequena economia portuguesa não podia resistir às adversidades, à emergencia da industria chinesa, à revalorização do euro, à entrada dos países do leste europeu na UE, à desindustrialização, às perdas na agricultura e nas pescas, à especulação financeira).
É bom que o diga, para que a propaganda do governo não engane tantos.
Mas a imagem do pato gordo é engraçada.
O pato gordo já tem 15 mil milhões de euros no banco, para além dos 7 mil milhões ou coisa que o valha que os bancos, apesar de descapitalizados, não quiseram. Como é desajeitado, arranjou esse dinheiro vendendo obrigações, isto é, pediu emprestado, aumentou a dívida. E está a pensar vender mais 13 mil milhões de obrigações em 2014, se não demitirem o governo. É obra e é a dívida a crescer (depois dizem que foram as empresas públicas).
Não fez como os patos mais habilidosos, que investem em negócios próprios para obter retorno (um dos comentadores explicou que após a reunificação alemã o Estado apoiou diretamente várias empresas; atualmente volta a falar-se em tratamentos excecionais na UE; em Portugal, sacrificam-se os estaleiros de Viana ao altar do ultraliberalismo; são opções).
Isto de a nação organizada, isto é, o Estado, ter de vender os negócios que lhe dão rendimento, isto é, de privatizar, pode dar nisto, o investimento líquido continuar a ser negativo e a contribuir para o saldo orçamental continuar negativo.
Não consegue resolver-se a equação cortando sucessivamente na despesa, tem de haver investimento.
Qualquer aluno de economia do primeiro ano sabe isso.
Um outro comentador explica que "década perdida" era inevitável (isto é, a pequena economia portuguesa não podia resistir às adversidades, à emergencia da industria chinesa, à revalorização do euro, à entrada dos países do leste europeu na UE, à desindustrialização, às perdas na agricultura e nas pescas, à especulação financeira).
É bom que o diga, para que a propaganda do governo não engane tantos.
Mas a imagem do pato gordo é engraçada.
O pato gordo já tem 15 mil milhões de euros no banco, para além dos 7 mil milhões ou coisa que o valha que os bancos, apesar de descapitalizados, não quiseram. Como é desajeitado, arranjou esse dinheiro vendendo obrigações, isto é, pediu emprestado, aumentou a dívida. E está a pensar vender mais 13 mil milhões de obrigações em 2014, se não demitirem o governo. É obra e é a dívida a crescer (depois dizem que foram as empresas públicas).
Não fez como os patos mais habilidosos, que investem em negócios próprios para obter retorno (um dos comentadores explicou que após a reunificação alemã o Estado apoiou diretamente várias empresas; atualmente volta a falar-se em tratamentos excecionais na UE; em Portugal, sacrificam-se os estaleiros de Viana ao altar do ultraliberalismo; são opções).
Isto de a nação organizada, isto é, o Estado, ter de vender os negócios que lhe dão rendimento, isto é, de privatizar, pode dar nisto, o investimento líquido continuar a ser negativo e a contribuir para o saldo orçamental continuar negativo.
Não consegue resolver-se a equação cortando sucessivamente na despesa, tem de haver investimento.
Qualquer aluno de economia do primeiro ano sabe isso.
Etiquetas:
dívida pública
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Falas de governantes - o esquerdismo de Alvaro Santos Pereira
Não resisto a citar o artigo de Alfredo Barroso sobre o esquerdismo de Álvaro Santos Pereira.
É uma pena o senhor ministro da economia ter de fazer o papel que faz no governo, porque até é um senhor com a capacidade de escrever uns livros e de analisar umas coisas, se bem que com alguma precipitação juvenil (exemplo do seu próprio blogue: afirmou que a produtividade decresceu a seguir ao 25 de Abril de 1974; teve porem de reconhecer que estava a esconder um facto justificativo essencial: o regresso de 500.000 pessoas das ex-colónias).
Mas enfim, são casos pessoais.
Alfredo Barroso citou extratos do livro do senhor ministro publicado em Abril de 2011, “Portugal na hora da verdade – como vencer a crise nacional”, pouco tempo antes da sua nomeação como ministro, a propósito da renegociação da dívida (coisa que, como se sabe, desde o princípio do memorando o PCP e o BE vêm defendendo; não por serem de esquerda, mas porque a realidade dos números é assim mesmo; a dívida não é pagável nesses termos):
-“para que seja sustentável, a dívida pública nacional tem de crescer a um ritmo inferior ao do crescimento económico” (deve ser por isso que agora desviou verbas do QREN de investimentos públicos para subsídios a pequenas empresas – mas também não é grave o “crime”: são 4milhões de euros a 8 anos)
- “de acordo com os cálculos do FMI, a dívida pública nacional, para ser sustentável, exige excedentes primários da ordem de 4 ou 5%” (na altura em que isto foi escrito até dava jeito, para sublinhar a incompetência dos senhores ministros das finanças que não identificaram atempadamente a ameaça)
- “face aos exorbitantes montantes da nossa dívida e ao crescente peso dos juros, é provável que um governo português se declare impotente para pagar a totalidade da dívida” (ui, caíram em cima do BE quando Francisco Louçã disse que tinha de se analisar se toda a dívida era legítima)
- “é muito possível que cheguemos a uma situação em que o Estado português se veja forçado a reestruturar a sua dívida pública junto dos credores externos e internos”
-“é provavelmente desejável que essa renegociação seja levada a cabo ao mesmo tempo que uma reestruturação da dívida de outros países europeus”
-“a reestruturação abrangeria não só um reescalonamento da dívida pública nacional (prazos) mas também a diminuição do valor da dívida (haircuts – o que não é o fim do mundo porque os empréstimos estão cobertos por seguros) … e englobar a divida pública detida pelos estrangeiros e a dívida interna, incluindo a renegociação das parcerias público-privadas” (parece que só esta parte foi autorizada).
Afinal, temos em Álvaro Santos Pereira uma pessoa que compreende os números e as forças em causa. Isto é, temos homem, em sintonia com o que o partido comunista e o bloco de esquerda sempre disseram a propósito da dívida.
Pese embora o senhor primeiro ministro persistir na sua obstinação juvenil, afirmando que quando tomou posse o país estava a dois passos da bancarrota e tinha necessidades de financiamento externo de dois dígitos, e agora só precisa de financiamento externo para 3,5% das suas necessidades (parece lógico, se aumentou a dívida, não só publica como privada, é natural que não precise de tanto financiamento externo).
Passe o aspeto anedótico da questão e a situação penosa para o senhor ministro no governo devida à dissonância entre o que está escrito no livro e o que o senhor primeiro ministro decide, penso que terá muito interesse relacionar tudo isto com duas questões:
1 – na mesma edição do DN, André Macedo recorda que o escudo desvalorizou, de 1980 até à entrada na moeda única em 2001, 244% face ao dólar. Perdeu-se assim, depois de 2001, a capacidade de melhorar as exportações e de compensar a inflação com o aumento de salários (e das taxas de juro). Por isso é natural que os senhores da troika insistam em reduzir os salários para o nível da Roménia e Bulgária, já que não se pode desvalorizar o euro (não poderá mesmo? desvalorizar-se um bocadinho o euro e aumentar-se ligeiramente a taxa de juro? achava bem que os senhores do BCE pensassem nisso). De acordo com o teorema de Fermat-Weber, isto não tem solução com economias nacionais mais fracas em regime de economia global aberta (união fiscal, união bancária, união política, precisam-se, como diz Christine Lagarde no ignorado discurso de Tokio) . Isto é, basta uma economia de uma nação da união europeia crescer para absorver parte desse crescimento a uma economia mais fraca (penso que os senhores economistas, especialmente os académicos, deveriam estudar melhor o aspeto físico deste teorema, tão importante como a lei dos rendimentos decrescentes – aquela que diz que convem comprimir a economia até ela chegar a um ponto da curva dos rendimentos tão baixos que a taxa de crescimento possa ser elevada). E que o problema não se resolve culpando o Estado social, porque a dívida privada das famílias e das empresas (bancos incluídos) é superior à publica. (Eu diria que a solução não pode vir só de dentro, por mais heróico que seja o esforço das empresas que exportam e as que produzem para substituir as importações; bem podia perder-se o complexo de contra empresas públicas; as empresas públicas podem planear mais facilmente as coisas de forma integrada, não só associando-se e instalando empresas estrangeiras em Portugal, como fazendo isso no estrangeiro com empresas portuguesas; é a diplomacia económica, bem longe da teoria neo-liberal…e as diretivas europeias até têm exceções que podem, e devem ser invocadas, por mais dificuldade que os nossos jurídicos tenham em as compreender – condições excecionais para a instalação de centrais solares, por exemplo)
2 – ainda na mesma edição do DN, é citado um economista alemão recentemente saído do BCE por ter discordado da compra de dívida pública (se o homem discordou disto, o que discordaria ele das eurobonds e da união fiscal e bancária?), Jurgen Stark. O senhor afirmou que a zona euro deveria ser reduzida aos países economicamente estáveis e que as economias mais fracas deveriam sair. Na verdade, se não admitirmos a união bancária e a união fiscal, temos de dar razão ao homem. A questão é que a ideia da união europeia era mesmo a integração. E estas opiniões fazem lembrar a teoria dos 29% de alemães que votaram no partido nazi e lhe deram a maioria. E também fazem lembrar o perdão da dívida alemã correspondente à segunda grande guerra (como se calcula a dívida de um exército que ocupa Tessalónica e faz embarcar sem regresso 100.000 civis gregos?). Mas atenção que este blogue, quando fala nestas coisas, lembra sempre que a maioria (mais de 80%) dos colegas alemães com que trabalhou e dos turistas alemães com que fala no Algarve são pessoas civilizadas. Não há razão para não estarmos todos na mesma união europeia. Os senhores Schaubler e Stark não são suficientes para isso. Pelo menos por enquanto.
É uma pena o senhor ministro da economia ter de fazer o papel que faz no governo, porque até é um senhor com a capacidade de escrever uns livros e de analisar umas coisas, se bem que com alguma precipitação juvenil (exemplo do seu próprio blogue: afirmou que a produtividade decresceu a seguir ao 25 de Abril de 1974; teve porem de reconhecer que estava a esconder um facto justificativo essencial: o regresso de 500.000 pessoas das ex-colónias).
Mas enfim, são casos pessoais.
Alfredo Barroso citou extratos do livro do senhor ministro publicado em Abril de 2011, “Portugal na hora da verdade – como vencer a crise nacional”, pouco tempo antes da sua nomeação como ministro, a propósito da renegociação da dívida (coisa que, como se sabe, desde o princípio do memorando o PCP e o BE vêm defendendo; não por serem de esquerda, mas porque a realidade dos números é assim mesmo; a dívida não é pagável nesses termos):
-“para que seja sustentável, a dívida pública nacional tem de crescer a um ritmo inferior ao do crescimento económico” (deve ser por isso que agora desviou verbas do QREN de investimentos públicos para subsídios a pequenas empresas – mas também não é grave o “crime”: são 4milhões de euros a 8 anos)
- “de acordo com os cálculos do FMI, a dívida pública nacional, para ser sustentável, exige excedentes primários da ordem de 4 ou 5%” (na altura em que isto foi escrito até dava jeito, para sublinhar a incompetência dos senhores ministros das finanças que não identificaram atempadamente a ameaça)
- “face aos exorbitantes montantes da nossa dívida e ao crescente peso dos juros, é provável que um governo português se declare impotente para pagar a totalidade da dívida” (ui, caíram em cima do BE quando Francisco Louçã disse que tinha de se analisar se toda a dívida era legítima)
- “é muito possível que cheguemos a uma situação em que o Estado português se veja forçado a reestruturar a sua dívida pública junto dos credores externos e internos”
-“é provavelmente desejável que essa renegociação seja levada a cabo ao mesmo tempo que uma reestruturação da dívida de outros países europeus”
-“a reestruturação abrangeria não só um reescalonamento da dívida pública nacional (prazos) mas também a diminuição do valor da dívida (haircuts – o que não é o fim do mundo porque os empréstimos estão cobertos por seguros) … e englobar a divida pública detida pelos estrangeiros e a dívida interna, incluindo a renegociação das parcerias público-privadas” (parece que só esta parte foi autorizada).
Afinal, temos em Álvaro Santos Pereira uma pessoa que compreende os números e as forças em causa. Isto é, temos homem, em sintonia com o que o partido comunista e o bloco de esquerda sempre disseram a propósito da dívida.
Pese embora o senhor primeiro ministro persistir na sua obstinação juvenil, afirmando que quando tomou posse o país estava a dois passos da bancarrota e tinha necessidades de financiamento externo de dois dígitos, e agora só precisa de financiamento externo para 3,5% das suas necessidades (parece lógico, se aumentou a dívida, não só publica como privada, é natural que não precise de tanto financiamento externo).
Passe o aspeto anedótico da questão e a situação penosa para o senhor ministro no governo devida à dissonância entre o que está escrito no livro e o que o senhor primeiro ministro decide, penso que terá muito interesse relacionar tudo isto com duas questões:
1 – na mesma edição do DN, André Macedo recorda que o escudo desvalorizou, de 1980 até à entrada na moeda única em 2001, 244% face ao dólar. Perdeu-se assim, depois de 2001, a capacidade de melhorar as exportações e de compensar a inflação com o aumento de salários (e das taxas de juro). Por isso é natural que os senhores da troika insistam em reduzir os salários para o nível da Roménia e Bulgária, já que não se pode desvalorizar o euro (não poderá mesmo? desvalorizar-se um bocadinho o euro e aumentar-se ligeiramente a taxa de juro? achava bem que os senhores do BCE pensassem nisso). De acordo com o teorema de Fermat-Weber, isto não tem solução com economias nacionais mais fracas em regime de economia global aberta (união fiscal, união bancária, união política, precisam-se, como diz Christine Lagarde no ignorado discurso de Tokio) . Isto é, basta uma economia de uma nação da união europeia crescer para absorver parte desse crescimento a uma economia mais fraca (penso que os senhores economistas, especialmente os académicos, deveriam estudar melhor o aspeto físico deste teorema, tão importante como a lei dos rendimentos decrescentes – aquela que diz que convem comprimir a economia até ela chegar a um ponto da curva dos rendimentos tão baixos que a taxa de crescimento possa ser elevada). E que o problema não se resolve culpando o Estado social, porque a dívida privada das famílias e das empresas (bancos incluídos) é superior à publica. (Eu diria que a solução não pode vir só de dentro, por mais heróico que seja o esforço das empresas que exportam e as que produzem para substituir as importações; bem podia perder-se o complexo de contra empresas públicas; as empresas públicas podem planear mais facilmente as coisas de forma integrada, não só associando-se e instalando empresas estrangeiras em Portugal, como fazendo isso no estrangeiro com empresas portuguesas; é a diplomacia económica, bem longe da teoria neo-liberal…e as diretivas europeias até têm exceções que podem, e devem ser invocadas, por mais dificuldade que os nossos jurídicos tenham em as compreender – condições excecionais para a instalação de centrais solares, por exemplo)
2 – ainda na mesma edição do DN, é citado um economista alemão recentemente saído do BCE por ter discordado da compra de dívida pública (se o homem discordou disto, o que discordaria ele das eurobonds e da união fiscal e bancária?), Jurgen Stark. O senhor afirmou que a zona euro deveria ser reduzida aos países economicamente estáveis e que as economias mais fracas deveriam sair. Na verdade, se não admitirmos a união bancária e a união fiscal, temos de dar razão ao homem. A questão é que a ideia da união europeia era mesmo a integração. E estas opiniões fazem lembrar a teoria dos 29% de alemães que votaram no partido nazi e lhe deram a maioria. E também fazem lembrar o perdão da dívida alemã correspondente à segunda grande guerra (como se calcula a dívida de um exército que ocupa Tessalónica e faz embarcar sem regresso 100.000 civis gregos?). Mas atenção que este blogue, quando fala nestas coisas, lembra sempre que a maioria (mais de 80%) dos colegas alemães com que trabalhou e dos turistas alemães com que fala no Algarve são pessoas civilizadas. Não há razão para não estarmos todos na mesma união europeia. Os senhores Schaubler e Stark não são suficientes para isso. Pelo menos por enquanto.
Etiquetas:
Alfredo Barroso,
Alvaro Santos Pereira,
André Macedo,
dívida privada,
dívida pública,
Jurgen Stark,
lei de Fermat-Weber,
lei dos rendimentos decrescentes,
renegociação,
salários,
Schaubler,
troika
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Economicómio XLI – a situação explosiva 4, a dívida pública em 2040

___________________________________________________________
Com a devida vénia, transcrevo esta informação do DN.
Para a dívida pública concorrem o Estado, as empresas públicas e as famosas PPP (parcerias publico privado, que já demonstraram em Inglaterra, onde apareceram mais ou menos por causa do tatcherismo, que são mais prejudiciais que benéficas; que o diga o LUL, o metro de Londres, com a sua infeliz experiencia das companhias de manutenção externas).
O BPI elaborou um estudo sobre as contas públicas e a sua evolução até 2040 (será o estudo referido pelo dr João Salgueiro na sua entrevista?), verificando que a dívida pública é neste momento cerca de 100% do PIB.
Constroi 3 hipóteses possíveis para a evolução da dívida pública em função do défice, admitindo um crescimento do PIB entre 0,5 e 2,5% por ano:
1 – Se o défice primário (défice – juros) se reduzir a zero em 2014, então a dívida pública em 2040 será da ordem de 147% do PIB
2 – se o défice primário se mantiver da ordem de 3,7% como actualmente (défice total em 2009: 9,3% do PIB), então a dívida pública em 2040 será da ordem de 300% do PIB
3- se o défice primário se converter em superavit de 2,5% em 2020, a dívida pública em 2040 será da ordem de 115% do PIB.
O estudo do BPI critica fortemente os compromissos com as PPP e regista que em 2010 os encargos com as PPP e os défices das empresas públicas perfizeram 1.600 milhões de euros (1% do PIB).
Ciência interessante esta, não é?
Tenho mesmo de ver como se calcula o PIB.
Para já, começo pela fórmula, que retiro, com a devida vénia, do livrinho “Economia para todos” de David Moss, ed. Academia do Livro:
PIB = consumo dos particulares + investimento produtivo + despesa pública +
exportações – importações
Ainda bem que das 370.000 empresas registadas em Portugal, 10.000 são exportadoras.
Faço votos para que a minha empresa (minha no sentido de ser a comunidade onde ponho ao dispor da entidade gestora as minhas limitadas potencialidades profissionais) contribua para que as exportadoras exportem (seria interessante analisar esta hipótese, bem como a da redução das importações de combustível, o que fundamentaria razoavelmente a existência da empresa).
A continuar…
___________________________________________________________
Etiquetas:
défice,
dívida pública,
PIB
Subscrever:
Mensagens (Atom)
