segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Acidente na linha de Alta Velocidade Cordoba-Madrid em 18 de janeiro de 2026

 Sentidas condolencias aos familiares as vítimas mortais e votos de recuperação dos feridos. Para quem como eu deseja uma rede europeia de AV também em Portugal servindo o interesse das comunidades, um acidente deste tipo é profundamente chocante. 

No momento em que escrevo estão confirmadas 21 mortes (subiu para 43 à data de 22jan2026). Certamente que as causas serão esclarecidas e divulgadas. Sabe-se como ocorreu o acidente. O comboio Iryo (fabrico Hitachi-Alstom, ex Bombardier da companhia italiana TreneItalia) terá descarrilado as duas últimas carruagens junto da estação técnica de Adamuz, a cerca de 26km a norte de Cordoba, no sentido para Madrid. Essas carruagens (uma carruagem simples e uma motora na retaguarda da composição) colidiram com um comboio da Renfe Alvia que ligava Madrid a Huelva provocando o descarrilamento deste caindo por um taludede cerca de 4m. Como hipótese não confirmada, poderá ter havido uma interferência entre algum rodado com falha ou peça do comboio Iryo com algum componente da agulha ou falha desta. Só o inquérito poderá esclarecer.


troço da linha de AV entre Cordoba e arredores de Adamuz

em 20janeiro2026 substituição de figura inicial com posição relativa dos comboios acidentados aproximadamente conforme video da Guardia Civil (colisão cerca de 500m a sul do edificio técnico)
https://www.ondacero.es/noticias/sociedad/que-sabe-rotura-rail-23117-punto-mira-investigadores-tragedia-adamuz_20260120696fab6cf21351044da32bb7.html?utm_module=explore



https://www.larazon.es/sociedad/asi-sido-accidente-que-han-descarrilado-dos-trenes_20260118696d5709be7ae37724cdae03.html

https://www.larazon.es/sucesos/ingeniero-experto-trenes-descarta-velocidad-apunta-fallo-mecanico-como-posible-causa-accidente-cordoba_20260118696d65de384d9f038d91a1a6.html


PS em 19jan2026 - A cerca de 500m para norte do provável local do acidente encontra-se um edificio técnico para controle dos aparelhos de mudança de via. Existe um aparelho de mudança de via com lanças de ponta a cerca de 370m a sul do local provável do acidente, sendo provável que tenha sido aí que o descarrilamento das duas carruagens da cauda do comboio Iryo se tenha iniciado. Sendo a última motora, os bogies são mais complicados, pondo-se a hipótese de avaria nos rodados ou nos bogies ou nos motores, o que só poderá confirmar-se se tiverem ficado vestígios na via. Se foi assim, é a repetição dum acidente com um ICE na Alemanha, com uma roda defeituosa ou no túnel de S.Gotardo com uma roda partida. Se foi assim confirma-se a necessidade do material circulante dispor de sensores que detetem o defeito e automaticamente desencadeiem  a paragem.  Tambem terá de ser investigada a hipótese de defeito no aparelho de via ou na via e análise dos planos de manutenção (a via tinha sido renovada há cerca de um ano). Mas confio que o inquérito com as recomendações será divulgado em tempo útil.

PS em 21jan2026 -  Numa das imagens seguintes pode ver-se a fratura do carril direito a cerca de 880m para sul do edifício técnico e da posição final da última carruagem do comboio Iryo.  Analisadas as imagens, parece que a origem do descarrilamento estará aí, seguindo-se o "enganchar" na lança do aparelho de mudança de via de bogies descarrilados em consequencia do buraco dessa fratura, concretizando o descarrilamento das 3 últimas carruagens (que a seguir foram embatidas pelo comboio RENFE) e o desprendimento do troço seguinte de carril das respetivas fixações à via.
Fica por esclarecer pelo inquérito da CIAF por que partiu o carril (fragilidade da junta soldada ou obstáculo ou peça caída entre roda e carril).
Aguarda-se também do inquérito as recomendações para evitar a repetição destes acidentes (sensores a bordo com deteção automática de vibrações anormais e rede de comando de imobilização geral, fixação do carril imune a variações de temperatura, aparelhos de dilatação, fixação dos carris dos aparelhos de mudança de via em leito betonado sem balastro). Provavelmente essas recomendações consistirão em propostas de alteração das normas instalação e manutenção/inspeção de via e de material circulante.





em primeiro plano o comboio Alvia da RENFE; em cima à direita o  edifício técnico de Adamuz e o comboio Iryo;  video da Guardia Civil



foto da Guardia Civil sem video do carril partido ao km318,7; estimo o início do aparelho de via a cerca de 10m para a esquerda, no sentido de Madrid; só após a investigação do CIAF se poderá dizer a causa da fratura (fragilidade da junta soldada? influencia da contração por temperatura baixa extrema? inserção entre roda e carril de obstáculo externo ou peça caída de carruagem ou vibração de lacete extrema por deficiência de roda?; notar que foi exercida pressão contra o carril a seguir à fratura que o desprendeu das fixações de via; notar que os danos da via estão localizados em pequena extensão, antes da colisão; muito provável, a seguir ao choque de sucessivos rodados nesta zona eles tenham "enganchado" na lança curva do aparelho de mudança de via desviando as 3 últimas carruagens para o gabari do comboio RENFE na via contrária



imagem de um video de 29s da Guardia Civil junto do início do aparelho de mudança de via (sentido para a esquerda para Madrid)




imagem do mesmo video 15s depois da anterior, vendo-se as lanças deformadas do aparelho de via, cuja deformação não foi provocada pela colisão com o comboio da RENFE; ao fundo a penúltima carruagem do comboio RENFE atravessada a toda a largura das vias, estando o local da colisão por trás da posição dessa carruagem; notar o carril deitado arrancado das fixações; o sentido na foto é o do comboio Iryo para Madrid





foto do final do video de 29s ; a via da esquerda é a afetada pelos choques seguintes à passaagem pela fratura do carril e o sentido do comboio Iryo era da direita oara a esquerda; estimo a distancia ao local da colisão em cerca de 370m para a esquerda


estimativa das distancias com base nos videos e no Google Earth (nomeadamente para as dimensões e localização do aparelho de via); a informação sobre os pontos quilométricos é oficial da ADIF para o edificio técnico, e da comunicação social para o local da fratura do carril




distancias conforme o Googl Earth em função da informação dos videos da Guardia Civil; local da colisão estimado com base nas respetivas imagens de deformações da via e da posição final do comboio RENFE

























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