Claro que, sendo engenheiro mecânico,o autor do video tem autoridade para dizer o que disse e, de facto, as suas observações são corretas. Mas como me ensinaram há muitos anos, a engenharia existe para resolver problemas da comunidade sabendo-se que vão criar-se novos problemas depois de se resolver outros. Competindo depois à engenharia resolver os novos e por aí fora, sucessivamente sem cessar como diziamos na escola. Sendo que o principal problema da humanidade é o de obtenção e conversão de energia útil.
Então, a crítica que eu faço é que faz uma sinedoque (tomar a parte pelo todo ou vice-versa). As barragens (albufeiras) enchem e têm de descarregar (descarregadores de cheia) porque não há transvazes . Lá está, só podiamos pôr as barragens no pelourinho se lhe pudermos juntar os transvazes, que aliás já estão projetados para ligar ) . Então se as barragens tiverem caminhos para desviar o excesso de caudal, e se construirmos mais barragens com capacidade de retenção, melhoraremos a capacidade de gestão das cheias na rede. Mas claro, os ambientalistas acham mal haver transvazes e construir mais barragens (a do Pisão enfrenta providencias cautelares, a do Ocreza nem se fala, e os transvazes Douro-Tejo-Alentejo-Algarve estão parcialmente estudados mas não podem sair da gaveta (ou estirador ou computador). Por exemplo, a barragem do Pedrogão (no Guadiana) ajuda a do Alqueva nas descargas (poderiam construir-se mais umas pequenas barragens até ao Pomarão; deveriam construir-se barragens no Vascão e na Foupana e substituir as barragens de aterro do Beliche e de enrocamento de Odeleite por barragens de betão), mas poderia resolver-se aumentar a capacidade do transvaze do Chança para Huelva, mediante monitorização cuidada da repartição dos caudais por Portugal e por Espanha. Duvido que estas questões possam ser resolvidas e planeadas corretamente pelos decisores (gostaria de estar enganado).
Já agora, sobre as areias, que têm também o problema de acabar por entupir as barras de alguns portos (ver a questão do Eikberg na barra da Figueira e ainda o assoreamento da barra do Tejo, questões que só se resolvem, criando outros problemas, claro, com a construção de novos molhes e, no caso de Lisboa, da ligação Cova do Vapor-Bugio), nos custos de manutenção das barragens deve estar incluida a extração dos depósitos e das areias, para isso até há arenadores).
Já agora ainda, saúda-se a construção das bacias de retenção na Alta de Lisboa e no Alto da Ajuda, mas lamenta-se a construção de prédios na linha de água na estrada do Desvio, a construção de um hospital e de blocos de apartamentos de luxo no aterro de Alcântara, a construção do tunel de 5km do plano de drenagem de Lisboa sem antes se ter feito o projeto de ultrapassagem do túnel de metro de Santa Apolónia e por se ter desistido do depósito de retenção de 35.000 m3 do Parque da praça de Espanha , e por .... (como dizia um comentador - engenheiro geógrafo - das desgraças do Kristin, duvido que os governantes tenham lido a estratégia do ordenamento do território de 2022, duvidas consistentes com a forma de eleição dos decisores e executivos das CCDR).
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