Por do sol sobre a maternidade Alfredo da Costa
As altas e supremas instancias, na pessoa do senhor diretor da administração regional da saúde de Lisboa e Vale do Tejo, vieram explicar à população desinformada que, afinal, havia outra.
Havia outra razão, para o fecho da maternidade Alfredo da Costa, para alem das vantagens da concentração num grande hospital central e da ocupação de 50% da maternidade do hospital S.Francisco Xavier (é assim tão grave, uma ocupação de 50%? não é mais grave as pessoas não quererm ter filhos e ignorar-se a correção das causas desse não querer?) .
Que a reparação dos telhados custaria um milhão de euros.
Ai senhor diretor, senhor diretor, os orçamentos em Portugal valem para tudo, para justificar uma obra, e então minimizam-se, embora depois se tenha criado o conceito de derrapagem, ou para justificar uma não obra, e então empola-se o orçamento.
Pelas minhas contas, para 4000 m2 de telhados, daria cerca de 250 euro por m2.
Parece-me muito, senhor diretor; por esse preço o telhado era novo e com reforço até de pilares.
Sabe, antes de me cortarem os subsídios de Natal e de férias, havia um senhor mestre de obras que me fazia umas obras de conservação em casa.
Posso dar-lhe o contacto, que ele fará a reparação do telhado por um preço muito mais em conta.
Ou então, faça um concurso público como deve ser e verá que os preços "de mercado" são mais baixos.
Ah, é verdade, pese embora a douta opinião de alguns médicos especialistas que vêem de facto vantagem em transferir a maternidade para o novo hospital de todos os santos (e haverá dinheiro?), venho recordar humildemente a opinião de um técnico de transportes, que só vê problemas em concentrar serviços diferentes, desde aumento da distancia média das deslocações dos e das pacientes, congestionamento nos acessos, dificuldades de pagamento aos bombeiros das deslocações, até a um problema muito comesinho de transportes no próprio grande hospital - obriga a extensos corredores, o que é mau par pessoas com mobilidade reduzida (idosos, grávidas...).
É por isso que, não percebendo nada de saúde, vou escrevendo sobre o assunto, por uma questão de transportes, e vou confessando a minha total falta de confiança nos senhores decisores.
PS - E mais uma coisa, que aprendi nos sistemas de ar condicionado, cujo grau de centralização deve ser sempre controlado de perto, para minimizar a disseminação de virus e bactérias: a concentração de serviços hospitalares num grande hospital agrava o risco de propagação de virus e bactérias; acompanha-se um doente ao hospital e apanha-se uma bactéria na sala de espera; a douta comissão quantificou e avaliou esse risco (custos das medidas atenuadoras da disseminação dos virus e bactérias em caso de epidemia, gravidade das consequencias da inexistencia dessas medidas...)?
PS em 4mai2012 - o senhor secretário de estado da saúde, Manuel Teixeira, muito seguro de si na assembleia da República, veio afirmar que "não há alternativa à reorganização hospitalar em Lisboa". Este vicio de redundar as frases. Mas ele foi mais claro, diz que a ocupação de 66% da maternidade Alfredo da Costa justifica o fecho. Não justifica, o que se passa é que a legitimidade democrática da maioria lhe permite decidir assim.
Embora haja sempre alternativas; 66% é uma ocupação razoável, sem prejuízo de se estudar um faseamento para ir reduzindo a capacidade de partos neste país de nascimentos em queda.
Pode custar mais dinheiro a manutenção desta e das outras maternidades, mas o que se poupa com o fecho pode gastar-se nos transportes devido à concentração, por exemplo.
Mas enfim, apesar de dizer como Pancho Guedes, "eles não percebem nada de cidades" tenho de reconhecer que "eles" têm legitimidade democrática para decidir.
Pena a democracia não ter ainda meios para se defender destes ataques ao bem estar da comunidade, não dispor de meios para forçar um debate mais aberto e participado em diversidade.
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domingo, 22 de abril de 2012
Por do sol sobre a maternidade
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terça-feira, 10 de abril de 2012
Os políticos não sabem nada de saúde - a maternidade Alfredo da Costa
Os políticos não sabem nada de cidades
Pancho Guedes, arquiteto, de Moçambique
Parafraseando Pancho Guedes, os políticos, especialmente quando detêm o poder, não percebem nada de saúde.
Inútil os profissionais pronunciarem-se, como se pronunciaram sobre o assunto. Os políticos acham sempre que têm razão, e justificam com o critério financeiro e económico.
Esquecendo-se que a parte dos financeiros e economistas é viabilizar a função dos outros profissionais.
Belo argumento - diminui o numero de nascimentos, logo fecha-se a maternidade porque se investiu em obstetrícia noutros hospitais.
Lá está a fobia da taxa de ocupação e o esquecimeto da qualidade de serviço.
Se o numero de nascimentos voltar a subir, o novo investimento para dar resposta será superior aos custos de manutenção da capacidade existente, mas isso não interessa porque será com outro governo.
Nada aprenderam com o fecho das maternidades e hospitais locais e com a falencia dos bombeiros que não recebem o dinheiro do transporte dos doentes (os bombeiros de Monção devem 50.000 euros de gasóleo ao seu fornecedor, que é quanto o ministério da saúde deve aos bombeiros de Monção; este foi um custo que não foi contabilizado quando se fizeram os estudos para o fecho das maternidades e dos hospitais locais; pelos vistos de forma incompleta).
Um virus tomou conta dos orgãos decisórios: o destruir o que existe e depois concentrar em novas estruturas megalómanas (foi assim com os estádios do Sporting e do Benfica com o euro 2004, lembram-se?).
A longa existencia de grandes, pelo prestígio e qualidade, pequenos e médios hospitais de referencia, quer em Portugal quer, por exemplo, em Nova Iorque, não lhes diz nada.
Paciencia, lá se vai a maternidade Alfredo da Costa.
E diz o senhor ministro PauloMacedo que não tem a obssessão de fechar.
Mas talvez tenha a obssessão de concentrar, ou pelo menos a fé cega de acreditar que fechar as entidades locais e centralizar reduz custos.
Porém não há nada de universal na teoria, nem sempre racionalizar é concentrar; os conjuntos de racionalização e de concentração intersetam-se, não coincidem.
A lei de Fermat-Weber é conhecida por quem elaborou o plano de fecho da maternidade?
Foi feita uma análise de custos benefícios que incluisse os prejuízos do fecho da maternidade?
E os prejuízos devidos aos custos de transporte agravadospela concentração?
Não terão sido empolados os ganhos do que possa fazer-se com o edifício?
Os políticos não percebem nada de saúde, não ouvem os profissionais, nem da saúde nem dos transportes, e têm demasiada fé naquilo em que acreditam.
Pancho Guedes, arquiteto, de Moçambique
Parafraseando Pancho Guedes, os políticos, especialmente quando detêm o poder, não percebem nada de saúde.
Inútil os profissionais pronunciarem-se, como se pronunciaram sobre o assunto. Os políticos acham sempre que têm razão, e justificam com o critério financeiro e económico.
Esquecendo-se que a parte dos financeiros e economistas é viabilizar a função dos outros profissionais.
Belo argumento - diminui o numero de nascimentos, logo fecha-se a maternidade porque se investiu em obstetrícia noutros hospitais.
Lá está a fobia da taxa de ocupação e o esquecimeto da qualidade de serviço.
Se o numero de nascimentos voltar a subir, o novo investimento para dar resposta será superior aos custos de manutenção da capacidade existente, mas isso não interessa porque será com outro governo.
Nada aprenderam com o fecho das maternidades e hospitais locais e com a falencia dos bombeiros que não recebem o dinheiro do transporte dos doentes (os bombeiros de Monção devem 50.000 euros de gasóleo ao seu fornecedor, que é quanto o ministério da saúde deve aos bombeiros de Monção; este foi um custo que não foi contabilizado quando se fizeram os estudos para o fecho das maternidades e dos hospitais locais; pelos vistos de forma incompleta).
Um virus tomou conta dos orgãos decisórios: o destruir o que existe e depois concentrar em novas estruturas megalómanas (foi assim com os estádios do Sporting e do Benfica com o euro 2004, lembram-se?).
A longa existencia de grandes, pelo prestígio e qualidade, pequenos e médios hospitais de referencia, quer em Portugal quer, por exemplo, em Nova Iorque, não lhes diz nada.
Paciencia, lá se vai a maternidade Alfredo da Costa.
E diz o senhor ministro PauloMacedo que não tem a obssessão de fechar.
Mas talvez tenha a obssessão de concentrar, ou pelo menos a fé cega de acreditar que fechar as entidades locais e centralizar reduz custos.
Porém não há nada de universal na teoria, nem sempre racionalizar é concentrar; os conjuntos de racionalização e de concentração intersetam-se, não coincidem.
A lei de Fermat-Weber é conhecida por quem elaborou o plano de fecho da maternidade?
Foi feita uma análise de custos benefícios que incluisse os prejuízos do fecho da maternidade?
E os prejuízos devidos aos custos de transporte agravadospela concentração?
Não terão sido empolados os ganhos do que possa fazer-se com o edifício?
Os políticos não percebem nada de saúde, não ouvem os profissionais, nem da saúde nem dos transportes, e têm demasiada fé naquilo em que acreditam.
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
A maternidade Alfredo da Costa
Não nasci na maternidade Alfredo da Costa.
Desagrada-me a ideia de a quererem demolir.
Uma das coisas que me impressionou quando tive de passar uns dias em New York foi a existência de hospitais, alguns deles com nomes célebres, conhecidos dos jornais e das séries de televisão, uns públicos e outros privados, inseridos na cidade, em quarteirões de arranha céus ou em áreas nem sempre monumentais.
De outras áreas do conhecimento sei eu por experiencia própria que a concentração de valencias em edificios monumentais pode ser uma solução em certas circunstancias, mas noutras não.
E pelos vistos, em New York não é a monumentalidade e a concentração dos hospitais que prevalece.
Por isso me desagrada a ideia de quererem demolir a maternidade Alfredo da Costa, de quererem fazer o mesmo ao hospital pediátrico da Estefania, de embirrarem com o IPO, nesta filosofia de empreiteiro imprudente de deitar abaixo um estádio e construir outro ao lado.
Sei que algumas mães tiveram más experiencias nesta maternidade.
Sei que os meios também não vão abundando e que a maternidade tem de ter uma função formadora de novos médicos, mas recordo que uma pessoa de família teve um problema na gravidez. Precisou de um parecer, para aquele dilema terrível de poder ter de optar por um aborto porque havia sintomas de que o feto tinha deformações. O médico da Alfredo da Costa afirmou claramente as razões que justificavam que a gravidez retomara o curso em normalidade. A pessoa em causa quis consultar quem, à boa maneira lusitana, era recomendado como uma das maiores sumidades, um médico em Londres. Que repetiu as mesmas razões do colega da Alfredo da Costa. E tinham razão, os dois.
Por isso embirro quando os economicistas querem fechar a maternidade, e deixo aqui umas fotografias como homenagem.
Desagrada-me a ideia de a quererem demolir.
Uma das coisas que me impressionou quando tive de passar uns dias em New York foi a existência de hospitais, alguns deles com nomes célebres, conhecidos dos jornais e das séries de televisão, uns públicos e outros privados, inseridos na cidade, em quarteirões de arranha céus ou em áreas nem sempre monumentais.
De outras áreas do conhecimento sei eu por experiencia própria que a concentração de valencias em edificios monumentais pode ser uma solução em certas circunstancias, mas noutras não.
E pelos vistos, em New York não é a monumentalidade e a concentração dos hospitais que prevalece.
Por isso me desagrada a ideia de quererem demolir a maternidade Alfredo da Costa, de quererem fazer o mesmo ao hospital pediátrico da Estefania, de embirrarem com o IPO, nesta filosofia de empreiteiro imprudente de deitar abaixo um estádio e construir outro ao lado.
Sei que algumas mães tiveram más experiencias nesta maternidade.
Sei que os meios também não vão abundando e que a maternidade tem de ter uma função formadora de novos médicos, mas recordo que uma pessoa de família teve um problema na gravidez. Precisou de um parecer, para aquele dilema terrível de poder ter de optar por um aborto porque havia sintomas de que o feto tinha deformações. O médico da Alfredo da Costa afirmou claramente as razões que justificavam que a gravidez retomara o curso em normalidade. A pessoa em causa quis consultar quem, à boa maneira lusitana, era recomendado como uma das maiores sumidades, um médico em Londres. Que repetiu as mesmas razões do colega da Alfredo da Costa. E tinham razão, os dois.
Por isso embirro quando os economicistas querem fechar a maternidade, e deixo aqui umas fotografias como homenagem.
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
As contribuições para a Maternidade Alfredo da Costa
Tão escandalizadas que tantas pessoas ficaram.
Como diriam os evangelhos, eram capazes de rasgar as vestes, porque a Maternidade pediu contribuições.
Vieram então os publicanos (se fossem os evangelhos a reportar os factos) e demonstraram que não podia ser, que era ilegal, e fizeram uma auditoria (tranquilizai-vos, consciencias, poupai o rasgo das vestes, que já está uma auditoria no "terreno").
Como sempre, houve os que se preocuparam com a realidade essencial (os filhos que nascem), e contribuiram.
E houve os dos princípios que proclamaram a virtualidade acessória, embora pudessem contribuir (claro que quem não pode contribuir não deve ser discriminado), preferindo a má-lingua da acusação de má gestão.
Falando em coisas menos essenciais para a subsistencia da espécie: O Metropolitain Opera House de New York, quando vende bilhetes para os seus espetáculos, que são de elevado nível no panorama internacional, pergunta se o comprador não quer contribuir para alem do preço dos bilhetes, e sugere um valor (o nome do contribuinte pode figurar no programa do Metropolitain).
Nós, portugueses, preferimos abastardar a qualidade da temporada de ópera, mas orgulhosamente e de forma muito nobre, o teatro de S.Carlos tem um mecenas exclusivo e não desce a pedir uma contribuição a quem lhe compra bilhetes.
Este complexo de D.João V que temos e nos estrangula...
Como diriam os evangelhos, eram capazes de rasgar as vestes, porque a Maternidade pediu contribuições.
Vieram então os publicanos (se fossem os evangelhos a reportar os factos) e demonstraram que não podia ser, que era ilegal, e fizeram uma auditoria (tranquilizai-vos, consciencias, poupai o rasgo das vestes, que já está uma auditoria no "terreno").
Como sempre, houve os que se preocuparam com a realidade essencial (os filhos que nascem), e contribuiram.
E houve os dos princípios que proclamaram a virtualidade acessória, embora pudessem contribuir (claro que quem não pode contribuir não deve ser discriminado), preferindo a má-lingua da acusação de má gestão.
Falando em coisas menos essenciais para a subsistencia da espécie: O Metropolitain Opera House de New York, quando vende bilhetes para os seus espetáculos, que são de elevado nível no panorama internacional, pergunta se o comprador não quer contribuir para alem do preço dos bilhetes, e sugere um valor (o nome do contribuinte pode figurar no programa do Metropolitain).
Nós, portugueses, preferimos abastardar a qualidade da temporada de ópera, mas orgulhosamente e de forma muito nobre, o teatro de S.Carlos tem um mecenas exclusivo e não desce a pedir uma contribuição a quem lhe compra bilhetes.
Este complexo de D.João V que temos e nos estrangula...
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