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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

viagem a Coimbra

o texto seguinte faz parte de umas memórias do  metropolitano






escrito assim, viagem a Coimbra, poderia pensar-se
que o seu motivo seria um dos atributos da cidade; terá sido essa a intenção de Rossini ao escolher o título de viagem a Reims para a sua ópera, que Reims era a cidade de coroação dos reis de França e havia que cumprir a tradição com Carlos X, o da restauração da  monarquia depois da revolução (a todos os ancien regime custa aceitar a mudança definitiva); Rossini teria querido homenagear o monarca, ou escolheu o título como quem, em Portugal, dissesse “uma viagem ao Cartaxo”, já que Reims é a capital do champanhe? é que o tema da ópera é tão fútil…o que  não é o caso desta viagem a Coimbra, escolhida apenas por ser o centro, não propriamente geográfico,  mas cultual do país



A oradora, perante uma assistência de um milhar de pessoas, falava da hesitação que tivera em aceitar o trabalho.
Estranhara a natureza e a extensão.
Como socióloga, especialista de comunicação e consultora de gestão, porém, achara o desafio entusiasmante.                
O ministério dos transportes e comunicações tinha-lhe encomendado uma reunião em Coimbra, do tipo seminário, das administrações e direções de todas as empresas públicas de transportes do país, para discussão e apresentação de propostas de estratégias.
Dois comboios especiais, um de Lisboa e outro do Porto, tinham despejado na estação de Coimbra os participantes, levados depois de autocarro até à sala de congressos do estádio municipal.
Estava-se em dezembro de 2004 e o ministro dos transportes, incensado gestor de empresas energéticas, e o seu secretário de Estado, aplaudido professor universitário ambientalista, queriam dar um toque de gestão empresarial inovadora e competitiva à pesada máquina do setor de transportes.
A oradora expôs o que, como utilizadora, pensava de um sistema de transportes.
Que era a base de uma pirâmide que assim contribuía para o esforço de produção de todo um  povo, e que crescia todos os dias de madrugada, quando as pessoas que produzem começam a sair de casa.
E disse que o que melhor ilustrava isso era a poesia.
Citou Alvaro de Campos, Livro de versos:

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras, 
Acordar da Rua do Ouro, 
Acordar do Rossio, às portas dos cafés, 
Acordar 
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme, 
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono. 

Citou Carlos Oliveira, Quando a harmonia chega:

Acordam pouco a pouco os construtores terrenos,
gente que desperta no rumor das casas,
forças surgindo da terra inesgotável,
crianças que passam ao ar livre gargalhando.
Como um rio lento e irrevogável,
a humanidade está na rua.

A organização tratou de dividir os participantes em grupos à volta das tradicionais mesas redondas de casamento, 8 a 10 por mesa, misturando administradores, gestores, diretores e técnicos sorumbáticos, exuberantes, burocráticos, inovadores, conformados, discretos, ignorantes ou conhecedores da problemática dos transportes, do norte, do centro ou do sul do país.
A todos foi pedido que listassem as ameaças, as oportunidades, as fraquezas e os pontos fortes das empresas públicas de transporte, isto é, os componentes de uma análise SWOT.
O tema do seminário era apenas o das redes de transportes metropolitanos e suburbanos, e o objetivo de comparar as medidas estratégicas do ministério com as emanadas do corpo técnico e de gestão do setor, e assim ficou de fora a questão da rede de alta velocidade, que começava então a ser tratada a nível ministerial com os nossos vizinhos espanhois.
O objetivo do ministério neste seminário era o de recolher medidas a incluir no plano estratégico que começava a delinear-se para todos os modos, que era um objetivo mais vasto, de modo a rentabilizar as discussões com o diretório de transportes da comissão europeia.
Foi pena não se ter realizado um seminário especialmente dedicado ao tema da alta velocidade.
Ter-se-iam evitado os erros do traçado proposto em Espanha, fonte de  estrangulamento do tráfego se vier a ser realizado.
E ter-se-iam compatibilizado  os conceitos do serviço de mercadorias, centrado  na ligação com a região de Madrid e com a fronteira francesa, com o de passageiros, centrado na transferência para a ferrovia de passageiros das quase duas dezenas de ligações aéreas diárias com Madrid, fundamentada na maior eficiencia energética do transporte ferroviário relativamente ao transporte aéreo para a distancia Lisboa-Madrid.
E, por maioria de razão, ter-se-ia evitado o penoso processo de demonstração do erro de localização do novo aeroporto na Ota.
Todos os grupos, beneficiando da diversidade dos seus membros, debateram um leque variado de questões.
Desde a necessidade de reduzir a quota de transporte individual  nas áreas metropolitanas de modo  a beneficiar de economias de energia devido à maior eficiencia energética do transporte ferroviário, de reduzir custos na construção de redes metropolitanas e suburbanas (ainda se acreditava ser possível construir uma boa rede ferroviária entre Coimbra e a Lousã…) , de associar intimamente a politica de urbanização com o planeamento dos transportes, de taxar a entrada no centro das cidades, de fiscalizar rigorosamente o estacionamento, de copiar o sistema contributivo francês do “versement” pago pelas empresas com mais de 9 empregados, de repartir as receitas dos passes em função dos passageiros.km transportados, de aproximar  as receitas operacionais dos custos operacionais, de repercutir as mais valias urbanísticas nas receitas dos metropolitanos…
As gentis assistentes da organização, vestias de vermelho, recolheram as conclusões de cada grupo e foram reunindo num quadro os componentes SWOT de modo a, pouco a pouco, à medida que iam sendo lidas as contribuições, ganharem relevo as medidas estratégicas associadas às oportunidades.
Como se fosse um brinde, o secretário de Estado, ao encerrar os trabalhos, comunicou que o ministério ia financiar um programa de seleção e colocação nas empresas de transportes de 1000 estagiários recem licenciados com as  melhores classificações.
Tive o prazer de trabalhar com alguns no metropolitano de Lisboa, especialmente em tarefas ligadas às expansões da rede do metropolitano, embora não conseguisse convencer as administrações de que a engenharia é uma ideia também para o dia a dia da manutenção, da sua otimização, de melhorias do existente e de análise de perigos, e que portanto o concurso dos jovens licenciados no reforço das áreas das especialidades de engenharia era útil.
Infelizmente o critério de custos, ou talvez simplesmente o da falta de recursos, abafa o da qualidade e o da utilidade da engenharia.
Pese embora a engenharia servir, entre outras coisas, para evitar o desperdício à custa de um investimento.
A maior parte, porém, das medidas discutidas na reunião perderam-se nas vicissitudes de um ministério atribulado, ou diluíram-se tímida e ineficazmente no plano estratégico que o ministério divulgou uns anos depois.
Mas ficou o contacto franco entre técnicos de todo o país.
E a certeza de que é a discutir de forma aberta e participativa, sem condutores de opinião, extraindo  conhecimentos e  experiencia de cada um e de todos, que se encontram as soluções.
Nunca em secretismo e na entrega seletiva a grupos restritos, por mais credenciados que sejam os seus técnicos, do poder de tomada de decisões de soluções concretas.
No comboio de regresso, pensei no verso de Carlos Oliveira “Como um rio lento e irrevogável,a humanidade está na rua”, de como é injusto culpar pelos prejuízos de exploração e de financiamento os trabalhadores destas empresas, que são também a “humanidade na rua”, como os que se levantam cedo para tomar os modos de transporte, e que nada têm de comum, a não ser pertencerem à mesma espécie humana, com os financeiros, uns especulativos, outros dogmáticos insensíveis nas regras que impõem.



domingo, 20 de outubro de 2013

Viabilidade das energias renováveis em transportes - a tração por hidrogénio

Este blogue saúda a realização do XI congresso da ADFERSIT, no centro de congressos do Estoril, em 17 e 18 de outubro de 2013.
A ADFERSIT orgulha-se da sua irreverencia, inconformismo e vontade de colaboração na resolução dos problemas de transportes do país.
Junto a apresentação que fiz sobre a aplicação das energias renováveis à tração por hidrogénio, numa perspetiva de redução e substituição das  importações de combustíveis fosseis par aos transportes
(ficheiro powerpoint da apresentação em:            http://sdrv.ms/H6TiTa                  ).



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VIABILIDADE DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS NOS TRANSPORTES
  -  razões para recorrer às energias renováveis e proposta da tração com hidrogénio  -  numa perspetiva de cidadania

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         pais  civilizado  não é aquele em que pobre anda de carro; é aquele em que rico usa transportes públicos
                              num cartaz numa manifestação no Brasil em Agosto de 2013 por
                                                                      educação, saúde e transportes públicos

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         “… Vivemos apavorados, com medo de sermos mortos nas cidades, de sermos atropelados. Depois de 5.000 anos de civilização, será que esse é o lugar aonde queremos chegar?
         … Onde não há calçada não há democracia.
         … Um secretário de transporte precisa de pensar imediatamente em medidas para se reduzir o uso do carro. Mas muitos pensam exatamente o contrário. Definem meios de aumentar o uso dos veículos
         … a qualidade de vida precisa ser igual para todos, passageiro de transporte individual ou publico …”
                                                         Enrique Peñalosa, ex prefeito de Bogotá

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         a quota de deslocações motorizadas em transporte individual (TI) na área metropolitana de Lisboa ultrapassa 60% do total de deslocações motorizadas,
         trata-se de energia consumida com origem no petróleo, com uma eficiencia energética inferior ao transporte coletivo (TC), quer ferroviário, quer rodoviário;

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para tentar atenuar o desperdício de energia, podemos imaginar uma transferência de 10% de deslocações do transporte individual para o TC, através de:

    • limitação severa de velocidade em vias rápidas e em ambiente urbano, privilegiando as deslocações pedonais e em segunda prioridade em bicicleta
    • penalização do estacionamento urbano
    • portagens nos acessos às zonas centrais urbanas
    • correspondencia com o TI em “park and ride”
    • desenvolvimento de redes de aluguer partilhado de bicicletas e pequenos automóveis elétricos em pontos de correspondencia com o TC
    • taxação extraordinária da venda de combustíveis
    • criação de escalões de consumo de combustível
    • benefícios fiscais para as empresas que paguem as deslocações em TC aos seus empregados ou clientes ou emitam cartões de desconto associados ao TC
    • taxação de empresas (0,5 a 1% dos salários) servidas pelo TC, tipo “versement” francês
      §
    • concessão à empresa de TC, incluindo as mais valias, da urbanização de novos bairros servidos pelas suas linhas, tipo Hong Kong
    • afetação do IMI ao financiamento do TC
    • politica de reorganização urbanística e de reabilitação habitacional

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         com esta transferência de 10% de deslocações em TI pouparíamos talvez 15 milhões de euros anuais de combustíveis importados e 40.000 toneladas de CO2,

          mas ganharíamos a ira dos automobilistas, pese embora tratar-se duma ira auto castigadora, por também serem contribuintes

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         podemos então nada fazer, esperando remansadamente que:

      • os preços de mercado do petróleo subam a 200 dolares/barril tornando rentáveis as energias renováveis
      • as taxas de carbono ou licenças de emissão ultrapassem 50 euros/tonCO2 , ou
      • venha a ser económica a exploração do petróleo ou metano de Alcobaça
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ou,
considerando que:
         em 2012 a  taxa de dependência energética de Portugal foi de    
                                                        79,8%                  (fonte: DGEG)

         a quota dos transportes no consumo final de energia foi de cerca de 
                                                        36%                   (fonte: DGEG)

         o consumo final de petróleo rodoviário foi cerca de
     5,3 milhões de tep  ~ 3.700 milhões de euros      (fonte:  AdC/DGEG)
                                                                                                       
                 podemos tentar seguir a via da politica energética e ambiental da UE,

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         79,8% como dependencia energética é um numero ainda mais preocupante do que o da dependência alimentar  (47% dos alimentos consumidos são importados, embora
                                 a taxa de dependência baixe para 25%, considerando o                     
                                                                peso das exportações de alimentos)

         o país não produz rendimentos para pagar estes dois défices em importações de bens essenciais

         “a energia é o problema fundamental da humanidade”
                   (a energia necessária para mover um automóvel é 10 vezes a energia necessária à
                                                                                                               alimentação do condutor)

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“No plano da utilização de energia proveniente de fontes endógenas renováveis, pretende-se que em 2020:
          31% do consumo final bruto de energia
          10% da energia utilizada nos transportes
       provenha de fontes renováveis …”
Valores atuais: 22,8% e 5,5% (bio combustíveis, tração elétrica)


                             Resolução do Conselho de ministros 20/2013 de 2013-04-10  (inclui
                            o PNAER) , Decreto -Lei n.º 39/2013 e Diretiva europeia 2009/28/CE

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estes objetivos não se fundamentam apenas na redução das emissões      
                     de gases com efeito de estufa,
    
mas também na necessidade de conter as importações
                                          porque:

             saldo orçamental = investimento privado - 
                                             poupanças privadas + exportações - importações

equação deduzida da fórmula do
PIB = Consumo famílias+Investimento privado+Gastos públicos+Exportações-   
Importações     ;                fazendo       
PIB = Consumo famílias+Poupanças  privadas+Impostos- prestações sociais ;  e   saldo orçamental=impostos-gastos públicos –prestações sociais


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linhas de desenvolvimento principais do PNAER para aumento da quota das energias renováveis nos transportes:
                       
    • Bio-massa e produção de bio-combustíveis  (receia-se que a produção nacional de bio-combustíveis que não seja a partir das algas provoque aumento de preços de alimentos nacionais e importação de alimentos)
    • baterias de veículos de tração elétrica com baterias: frotas de táxi, de autocarros urbanos e veículos de serviço municipais e de empresas (por razões de densidade energética, estes veículos não são competitivos para percursos maiores que 80 -100 km, relativamente aos de combustão interna, a menos que se imponham restrições de velocidade e aumentos sobre os combustiveis ou fiscalidade; a considerar ainda a pequena longevidade das baterias)
    • construção de barragens com bombagem para compensação da intermitencia eólica (potencial : 5GW, duplicando a potencia instalada)

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autocarro elétrico (de baterias) Caetanobus/EFACEC em experiencia em Lisboa, no Martim Moniz

painel posterior de baterias do autocarro Caetanobus


taxis tuk tuk elétricos (de baterias) no Funchal (foto Magnum Cap.Aveiro)
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         perante a imperiosa necessidade de ter o saldo orçamental positivo, e as previsíveis reações negativas dos automobilistas, propõe-se, numa perspetiva de cidadania de contenção de importações, o aumento da quota de energias renováveis nos transportes para 10%, através da  “solução islandesa”         (deliberação do parlamento
                                  islandês em 1998 de conversão até 2050 das frotas rodoviárias e     
                                  maritimas  para hidrogénio obtido a partir de energias renováveis)

         basicamente, será uma forma de desenvolver o roteiro do hidrogénio referido no PNAER



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Posto de abastecimento de  hidrogénio de veículos com células de combustível no Hawai

Idem, na Califórnia

Idem, em Dusseldorf


Autocarro movido a hidrogénio na experiencia CUTE/STCP, no Porto




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1kg de H2 necessita de 60 kWh para ser fabricado e colocado no posto de abastecimento, e dele só se pode tirar 10 kWh de tração na roda
                               (consumo de um autocarro elétrico urbano ~1,5 kWh/km;          
                                                      autocarro diesel: 50l/100km ~ 4,5kWh/km)
            o hidrogénio não é uma panaceia barata, é apenas um portador de energia que, apesar de mais caro do que os combustiveis fósseis, tem também como justificação, como as energias renováveis:
    • menores emissões de CO2
    • menor importação (desde que seja significativa a componente nacional no fabrico dos equipamentos)


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         os riscos são os de qualquer investimento em tecnologias já testadas em funcionamento real mas há menos de uma década;

         ainda no âmbito do PNAER, é de referir que as soluções de centrais solares térmicas de concentradores e de sais fundidos (para produção após o pôr do sol) já estão testadas em funcionamento real, nomeadamente em Espanha, com várias em construção (inconvenientes: custo elevado, exigencia de água; vantagens: armazenamento de calor, possibilidade de produção por gaseificação/reforma, ou separação do H2 do vapor em atmosfera pobre em O2 e aquecida e de CO de matérias com carbono ou biogás)



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         Voltando à área metropolitana de Lisboa, pôs-se atrás a hipótese de transferir 10% de deslocações em TI para o TC ferroviário
         pôs-se também a hipótese de nada fazer
         põe-se finalmente a hipótese de transferir 10 % das 400.000 deslocações em TI de tração por combustíveis fósseis para tração elétrica com origem eólica

         estimo grosseiramente uma economia diária de 36.000 euros por dispensa da importação de petróleo (ca 9 milhões de euros anuais),

         os consumos de energia elétrica eólica seriam um pouco superiores no caso da tração por baterias, ou 3,6 vezes no caso de tração por hidrogénio

         os custos de produção de energia elétrica eólica estão fixados em 10 cent/kWh (comparáveis com 5,5cent/kWh em geral) estimando-se que 7cent/kWh seja razoável (para baixar este valor: desenvolver a exportação dos equipamentos de produção, diminuir os custos de fabrico e instalação)



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o que leva a colocar esta questão de difícil resposta:

       -  quantas vezes poderá o custo de exploração de ativos e consumíveis exclusivamente nacionais (incluindo custos de investimento),
                       
                        ser superior ao custo de ativos e 
                        consumíveis importados?


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parecerá razoável considerar do interesse da UE, atendendo à estratégia de redução de emissões de gases com efeito de estufa e de importação de combustíveis fósseis,
    a sua participação como investidora em linhas de transmissão de alta tensão contínua ligadas às fontes de produção solar e eólica em Portugal e Espanha,
    rentabilizando assim o excesso de capacidade instalada em Portugal e Espanha, e melhorando a reação aos picos de consumo por aumento da capacidade de interligação França-Espanha



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os riscos para os investimentos em energias renováveis nas direções propostas terão de ser cobertos, incluindo os défices de exploração quando comparados com as tecnologias de combustíveis fósseis, por mecanismos de investimento do tipo                         
  QREN (quadro de referencia estratégico nacional)           e
  JESSICA (joint european support for sustainable investment in city areas)


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A complexidade desta problemática justifica que, numa perspetiva de participação da sociedade civil:

    • sejam chamadas à colaboração com a DGEG no desenvolvimento do PNAER, no domínio das energias renováveis e dos transportes, entidades relacionadas como universidades, associações profissionais como a ordem dos engenheiros, associações como a ADFERSIT, a industria, a imprensa da especialidade, organismos municipais e empresas de transporte públicas e privadas;
    • seja possível o acompanhamento pelos cidadãos dos resultados que forem sendo obtidos;
    • sejam incentivadas as entidades à participação em projetos europeus de mobilidade elétrica.


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Leitura adicional

         “Sector dos transportes, uma perspectiva energética e ambiental”, J.Fonseca Nabais, ed. ETEP
         “Renewable energy”, Bent Sorensen, ed.Elsevier Academic Press
         “Energia para o futuro”, Robert Laughlin, ed.Monitor
         “10 tecnologias para salvar o planeta,conciliar clima e energia”,Chris Goodall,ed.Livros Horizonte
         Enrique Peñalosa,         http://www.cnt.org.br/Paginas/Agencia_Noticia.aspx?n=8326
         comunicações da conferencia de mobilidade urbana de setembro de 2013, http://www.imtt.pt/sites/IMTT/Portugues/Noticias/Paginas/4ConferenciadaMobilidadeUrbanaComunicacoes.aspx
         economia do hidrogénio, solução islandesa, http://en.wikipedia.org/wiki/Hydrogen_economy 
                                          http://en.wikipedia.org/wiki/Renewable_energy_in_Iceland#Hydrogen
                                          http://newenergy.is/en/projects/research_and_demonstration_projects/
                                         http://www.airliquide-hydrogen-energy.com/
         centrais solares térmicas de concentradores e sais fundidos, http://www.torresolenergy.com/TORRESOL/gemasolar-plant/en
         Hydrogen supply infrastructure and fuel cell bus technology, CUTE (Clean urban transport for Europe),     www.fuel-cell-bus-club.com   ,     www.usea.org/iphe.htm  ,
                         europa.eu.int/comm./research/energy/nn/nn_rt_htp1_en.html 
         “a energia é o problema fundamental da Humanidade”,
         parecer sobre o PNAEE e o PNAER,
         estimativa dos ganhos da transferência de 10% de pass.km do modo individual para o transporte público,
         conversão em tração elétrica de 10% de automóveis da área metropolitana de Lisboa,
         estratégia energética da Europa,
         veículos de pilha de combustível,
            http://www.hydraflx.com/index.html     
         ficção sobre energias renováveis,  
         fórmula do saldo orçamental:        “Economia para todos”, David A.Moss, ed. Academia do Livro



 


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mais um aparente paradoxo da democracia e a opinião do bispo

Será mais um paradoxo da democracia?


A classe politica dirigente da União Europeia impõe como sagrada a regra da concorrência como defesa das empresas de iniciativa privada.

Quando se diz sagrada, quer dizer que exclui a organização das empresas noutras formas que não sejam SARL, como empresas públicas, mútuas, parcerias, cooperativas (a falta que mais se faz sentir é a cooperativa).

Penso que essa exclusão não está escrita, mas na prática é imposta a todos os países da união.

Tal regra não parece que esteja inscrita também nos programas dos partidos políticos que detêm a maioria dos votos.

Se é assim, o eleitorado não deu o mandato a ninguem para impor o predomínio das empresas de iniciativa privada.

Isto é, quando se vai a votos o eleitorado exprime a sua vontade noutros centros de interesse, neste não.

Por exemplo, nos países escandinavos não se põe o problema de “reduzir o peso do Estado”.

O sistema de segurança social funciona, quer o governo seja de direita ou de esquerda.

Poderá ser que na origem deste facto esteja o célebre indicador de alfabetização da população: XVI foi o século em que metade da população escandinava atingiu a alfabetização; na Alemanha e na Inglaterra isso aconteceu no século XVII; seguiu-se a França no século XVIII, a Espanha no século XIX e Portugal no século XX.

Talvez por isso seja difícil em Portugal interpretar corretamente a ideia que outro exprimiu.

Nesta perspetiva, é estranho que a União Europeia continue alegremente a querer impor a liberalização absoluta.

Por exemplo na energia.

Há razões técnicas contra a dispersão por várias empresas. A principal, na distribuição, apesar da normalização, tem que ver com a gestão das redes e os riscos de deslastragens conduzirem a apagões progressivos.

No caso da produção, a liberalização e a fraqueza da planificação pública dificultam, e de que maneira, o estudo e a implementação das medidas de libertação da dependência do petróleo e de redução das emissões de CO2.

Os transportes são outro exemplo em que a liberalização contraria a segurança (as empresas privadas têm tendência para reduzir custos de manutenção, embora gostem de propalar os ganhos de produtividade, e de formação do pessoal) e a planificação integrada e estruturante de regiões. Igualmente dificulta a redução de emissões de CO2, apesar das taxas de externalidades que vem impondo aos aviões e aos camiões.





Retomando o tema, este aparente paradoxo da democracia consistirá no apoio cego a empresas privadas como um vicio escondido, oculto nas campanhas eleitorais, que se opõe ao progresso em muitos domínios da economia.

Nesta perspetiva, carece de análise profunda a insistência da troika na privatização da CP Carga, quando já existem duas empresas de transporte privado que parece darem-se bem com o negócio, a Takargo e a DB Schenker (2 comboios semanais entre Portugal e a Alemanha).
Idem a insistencia em impor companhias aéreas "low-cost" , altamente produtoras de emissões de CO2, beneficiando de infra-estruturas que sempre foram públicas (isto é, estão retirando a propriedade aos contribuintes, sem que, provavelmente, pelo menos 2/3 dos eleitores inscritos concordem - é uma figura de expropriação em sentido inverso)

Ainda nesta perspetiva, a imposição de privatizações será claramente a execução de um mandato que o eleitorado não conferiu aos políticos e aos financeiros, e será uma medida prejudicial para o interesse público, pelo menos nos exemplos citados.

E, se tenho razão, será exemplo de um assalto de um grupo de representantes de grupos económicos ou de académicos fundamentalistas das ideias de Hayeck e Friedmann para retirar da esfera pública a propriedade de meios de produção e entregá-las a privados.

Se tenho razão, também o bispo Torgal Ferreira terá, quando fala em gangues no atual governo.

E essa afirmação, minha e do bispo, que não pode ser classificada como proclamação da verdade (porque ninguém sabe o que é a verdade, nem mesmo a Igreja; apenas se pode dizer que, se é como eu penso, então as medidas do governo são prejudiciais para o interesse público; mas não há garantia de que as coisas sejam como eu penso, nem que sejam como o governo pensa), enquadra-se perfeitamente no comportamento tido no caso do BPN (também pelo governo anterior) no sentido da desvalorização progressiva do bem a privatizar até ser entregue ao grupo privado.



É curioso verificar que a estratégia do atual governo de desvalorização dos estaleiros de Viana do Castelo, nomeadamente a anulação do concurso para os motores e a chapa dos asfalteiros venezuelanos, se enquadra perfeitamente na ideia de um gangue que na campanha eleitoral não ocultou que ia privatizar empresas (aliás, nem deu importância a este assunto, uma vez que insistia no corte das despesas públicas e na taxação do consumo), mas ocultou que o ia fazer após as desvalorizar e que, uma vez no poder, tudo faria para desviar os recursos para empresas privadas .

Exemplo disso é o desvio de fundos do QREN de investimentos públicos para subsídios a empresas privadas.

Se foi assim, nem seria necessário apresentar queixa contra os governantes envolvidos, na desvalorização para privatização ou no desvio de fundos QREN do público para o privado.

Para isso existe o Ministério Público.

Mas é apenas uma hipótese, ou várias, claro.

PS em 19 de julho de 2012 - o porta voz da conferencia episcopal portuguesa classificou as afirmãções de Januário Torgal Ferreira como "a nível individual".
Mas também afirmou aue a Igreja deve proclamar a verdade. Já passaram uns dias e nenhuma hierarquia da Igreja veio desautorizar  Torgal Ferreira. Recordo até a afirmação de Jorge Ortiga, presidente da comissão pastoral social: "os politicos deveriam ter a coragem de ler os numeros e tirar consequencias". Apesar de não ser crente, quem escreve este blogue tem a esperança de que não aconteça o mesmo que aconteceu em 1971, quando o cardeal de Lisboa, António Ribeiro, preferiu não tomar partido quando um grupo de católicos, com o padre Alberto, se manifestou na capela do Rato contra a guerra colonial. Como dizia Kipling, citado pelo meu professor de sociologia, Pereira Ataíde, a neutralidade nestas coisas é um crime (até parece Torgal Ferreira a falar, não é?).
Afirmações de Torgal Ferreira:
"Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir... o problema é civilizacional, porque é ético. Não acredito nestes tipos, nalguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, têm o seu gangue, o seu clube, pressionam a comunicação social, o que significa que os anteriores que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros - alguns - que acabam de aparecer"







domingo, 22 de abril de 2012

Por do sol sobre a maternidade

Por do sol sobre a maternidade Alfredo da Costa




As altas e supremas instancias, na pessoa do senhor diretor da administração regional da saúde de Lisboa e Vale do Tejo, vieram explicar à população desinformada que, afinal, havia outra.
Havia outra razão, para o fecho da maternidade Alfredo da Costa, para alem das vantagens da concentração num grande hospital central e da ocupação de 50% da maternidade do hospital S.Francisco Xavier (é assim tão grave, uma ocupação de 50%? não é mais grave as pessoas não quererm ter filhos e ignorar-se a correção das causas desse não querer?) .
Que a reparação dos telhados custaria um milhão de euros.
Ai senhor diretor, senhor diretor, os orçamentos em Portugal valem para tudo, para justificar uma obra, e então minimizam-se, embora depois se tenha criado o conceito de derrapagem, ou para justificar uma não obra, e então empola-se o orçamento.


Pelas minhas contas, para 4000 m2 de telhados, daria cerca de 250 euro por m2.
Parece-me muito, senhor diretor; por esse preço o telhado era novo e com reforço até de pilares.
Sabe, antes de me cortarem os subsídios de Natal e de férias, havia um senhor mestre de obras que me fazia umas obras de conservação em casa.
Posso dar-lhe o contacto, que ele fará a reparação do telhado por um preço muito mais em conta.
Ou então, faça um concurso público como deve ser e verá que os preços "de mercado" são mais baixos.



Ah, é verdade, pese embora a douta opinião de alguns médicos especialistas que vêem de facto vantagem em transferir a maternidade para o novo hospital de todos os santos (e haverá dinheiro?), venho recordar humildemente a opinião de um técnico de transportes, que só vê problemas em concentrar serviços diferentes, desde aumento da distancia média das deslocações dos e das pacientes, congestionamento nos acessos, dificuldades de pagamento aos bombeiros das deslocações, até a um problema muito comesinho de transportes no próprio grande hospital - obriga a extensos corredores, o que é mau par pessoas com mobilidade reduzida (idosos, grávidas...).

É por isso que, não percebendo nada de saúde, vou escrevendo sobre o assunto, por uma questão de transportes, e vou confessando a minha total falta de confiança nos senhores decisores.

PS - E mais uma coisa, que aprendi nos sistemas de ar condicionado, cujo grau de centralização deve ser sempre controlado de perto, para minimizar a disseminação de virus e bactérias: a concentração de serviços hospitalares num grande hospital agrava o risco de propagação de virus e bactérias; acompanha-se um doente ao hospital e apanha-se uma bactéria na sala de espera; a douta comissão quantificou e avaliou esse risco (custos das medidas atenuadoras da disseminação dos virus e bactérias em caso de epidemia, gravidade das consequencias da inexistencia dessas medidas...)?

PS em 4mai2012 - o senhor secretário de estado da saúde, Manuel Teixeira, muito seguro de si na assembleia da República, veio afirmar que "não há alternativa à reorganização hospitalar em Lisboa". Este vicio de redundar as frases. Mas ele foi mais claro, diz que a ocupação de 66% da maternidade Alfredo da Costa justifica o fecho. Não justifica, o que se passa é que a legitimidade democrática da maioria lhe permite decidir assim.
Embora haja sempre alternativas; 66% é uma ocupação razoável, sem prejuízo de se estudar um faseamento para ir reduzindo a capacidade de partos neste país de nascimentos em queda.
Pode custar mais dinheiro a manutenção desta e das outras maternidades, mas o que se poupa com o fecho pode gastar-se nos transportes devido à concentração, por exemplo.
Mas enfim, apesar de dizer como Pancho Guedes, "eles não percebem nada de cidades" tenho de reconhecer que "eles" têm legitimidade democrática para decidir.
Pena a democracia não ter ainda meios para se defender destes ataques ao bem estar da comunidade, não dispor de meios para forçar um debate mais aberto e participado em diversidade.