segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O plano estratégico de transportes

Em Agosto de 2009 o governo de então apresentou, sob a responsabilidade da secretária de estado dos transportes, Ana Paula Vitorino, antiga colaboradora de uma empresa do grupo do Metropolitano de Lisboa, o Plano Estratégico de Transportes.
Embora sofrendo da falta de estatisticas fiáveis para fundamentação sólida das diretrizes e com demasiadas declarações de principio ou generalidades para orientações, era um documento válido.
As suas deficiencias eram devidas tambem à extensão e complexidade dos temas.
Um plano de transportes está indissoluvelmente ligado às politicas de urbanismo (o que obrigava logo a corrigir o infeliz plano de expansão do metropolitano de Lisboa associado ao plano), de ordenamento do território e da energia e ambiente, com o inconveniente grave destas ligações exigirem dados concretos para basear decisões. Isto contraria a politica de decisões por sentimento ou por ideologia, por exemplo, declarar que o TGV não pode construir-se sem conhecer os dados todos do problema e sem fazer uma análise comparativa cobrindo todos os encargos das infraestruturas e da exploração e todos os prejuzos e beneficios, com os outros modos de transporte.
De modo que era necessário fazer a atualização do plano estratégico dos transportes, coisa que o senhor ministro dos transportes do governo seguinte prometeu "a muito curto prazo" em Fevereiro de 2010.
Infelizmente, o senhor ex-ministro e o senhor ex-secretário de estado eram conhecidos como os teóricos universitários e, de facto, não passaram da teoria à prática.
Periodicamente iam anunciando a breve publicação da atualização do plano estratégico, mas ele nunca saiu.

Vem isto a propósito das intenções do atual senhor ministro dos transportes, Álvaro Santos Pereira, de publicar o plano de transportes em Setembro de 2011.
Ver
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=27273

O senhor ministro é uma pessoa culta, não só na sua especialidade, mas com capacidade para pensar com caracteristicas de integração das questões. É inclusive autor literário não apenas de temas económicos.
Porem, eu diria que será um tanto juvenil em questões de transportes, talvez porque no Canadá não há grande problema com os combustíveis fósseis nem preocupação com as emissões de CO2. Talvez que a posição contra o TGV fosse diferente se no Canadá houvesse aquele problema e aquela preocupação.
De modo que me parece imprudente a promessa de emitir um plano estratégico de transportes, coisa que me parece em si mesma também algo complexa, já em Setembro de 2011.
Mas pode ser que, com a super-chefe de gabinete que tem, pode ser que seja possível.
No entanto, se a qualidade do plano for má será como se não tivesse sido publicado ou pior ainda (terão sido ouvidos os técnicos das especialidades? em Agosto? sinceramente duvido; não me refiro aos técnicos reconhecidos pelo sistema, mas aos técnicos que estão dentro das questões e nas frentes de trabalho; terão sido ouvidos? é que um dos problemas do setor dos transportes é demasiadas vezes estarem à frente das empresas pessoas que não têm conhecimento do negócio...).
Por melhores que sejam as qualidade dos senhores colaboradores do senhor ministro, as expetativas são muito fracas relativamente à qualidade do plano que aí vem.
Mas pode ser que eu esteja enganado.
O que seria bom para o setor dos transportes.

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