domingo, 25 de março de 2012

Falas de governantes - o caminho de Salazar

A minha acuidade visual vai diminuindo.
Também sou, por natureza, distraído.
Pelo canto do olho leio na primeira página de um semanário uma declaração do senhor ministro das finanças, numa entrevista, que "o nosso caminho é a aposta de Salazar".
Durou pouco o calafrio, porque releio melhor, e o que lá está escrito é "o nosso caminho é o oposto do de Salazar".
Mas volta a sensação de frio, porque a imagem que acompanha os extratos das declarações é outra vez o indicador a premir o polegar, o símbolo da imposição de um pensamento aos ouvintes, sem lhes dar a possibilidade de discordarem ou de debaterem outras soluções.
E porque me habituei a interpretar as afirmações do senhor ministro aplicando-lhe uma rota ção de 180º.
Quando ele diz que os sacrificios impostos aos funcionários publicos e das empresas publicas são iguais para todos, eu interpreto como não sendo, porque se as reduções das massas salariais são iguais em percentagem, se uns ficam sem o 13º e o 14º meses e outros não, então há desigualdade porque a massa salarial não é distribuida uniformemente por todos os funcionários (nem todos recebem horas extraordinárias).
Mas não vale apena discutir questões de matemática do nível secundário.
Embora me pareça de relevar a confissão do senhor ministro de que não conhece o período da intervenção do FMI em 1983 e a atuação de Hernani Lopes. Parece-me uma pena, porque a história da economia é importante para quem toma decisões. Especialmente quando ele próprio reconhece que a retoma que espera do crescimento para 2013 se deve ao carater ciclico das crises e não a quaisquer medidas estruturais (eu, que estudei resistencia de materiais e de estruturas, ainda não compreendi muito bem o que significa estrutura em economia, mas deve ser da minha ignorancia).
Ah, é verdade, tambem declarou o senhor ministro que não tem nada que ver com Salazar porque este se fechou e não se financiava nos mercados internacionais.
Mas, então o senhor ministro não diz que quer regressar aos mercados internacionais em setembro de 2013? É porque não se financia. Mas não é assim que se faz a comparação, é pelo respeito ou pela falta de respeito pelo sentir e pelo pensar de grande parte da população portuguesa , pela insistencia em bloquear o investimento industrial e pelo predomínio sobre todos os ministérios. Talvez ler o discurso de 1928 para melhor esclarecimento.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/03/falas-de-governantes-o-discurso-de.html

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