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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Business as usual



Morreu um dos assassinos de Aldo Moro, é uma das notícias do dia.
Tinha sido libertado, por motivos de saúde, em 1997, depois de condenado em 1983  a prisão perpétua.
O atentado mortal foi cometido em 1978, quando Aldo Moro, antigo primeiro ministro da democracia cristã, defendia um acordo com o partido comunista italiano, o PCI, maioritário nas sondagens.
O assassino fazia parte das brigadas vermelhas, que de vermelho só tinha o nome e o sangue das vitimas.
Mas o assassino matou mais do que Aldo Moro.
Deu uma ajuda à opinião pública e ao presidente norte-americano para que o partido comunista não ganhasse as eleições.
As brigadas vermelhas e o presidente norte-americano não combatiam o bloco soviético, isso combatia o próprio PCI, com todas as suas forças, na esperança de encontrar uma solução que não desse nisto que deu, no triunfo do ultraliberalismo de Thatcher, Reagan e a escola de Chicago.
Foi um assassínio eficaz para manter o sistema financeiro internacional.
Como eficaz terá sido o assassínio das três militantes curdas em Paris, numa altura em que é imprescindível um acordo entre o governo turco e os nacionalistas curdos.
Tudo o que seja evitar acordos, impedir as negociações entre as partes opostas, é bom para manter o sistema financeiro internacional.
Como dizia lord Gloucester por outras palavras (“business is business”), as guerras são muito boas para o negócio.
Ou como diria qualquer financeiro da escola do Goldman Sachs, depois do papel que eles desempenharam, “business as usual”.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Goldman Sachs no Youtube e a Grécia


Enquanto serviço público ainda ativo, a RTP2 retransmitiu o programa  Goldman Sachs, o banco que dirige o mundo:

É possível que o governo não goste, por o documentário mostrar a preocupação do Goldman Sachs ter antigos funcionários nos centros de poder político nos USA e na Europa.
Em Portugal, nomes como António Borges ou Carlos Moedas são conhecidos como tendo tido ligações com o Goldman Sachs.

É interessante, como mostra o documentário, as entidades financeiras como o Goldman Sachs que especularam graças à desregulação fundamentalista praticada pelo governo dos USA, terem rapidamente ultrapassado a crise e escapado às acusações do congresso e do governo de Obama.
Como escreveu Sofia de Melo Breyner na tragédia Os Gracos, os ricos nunca perdem a partida.

De destacar, ao minuto 43, a explicação simples como o Goldman Sachs ajudou o governo grego no principio dos anos 2000 a reduzir artificialmente a divida publica em 3 mil milhões de euros.
Trocou com o governo grego dólares por euros, à taxa de cambio fictícia de 2 dólares por cada euro, e por fora, confidencialmente,  transformou a diferença entre a taxa de cambio real e a fictícia num empréstimo a pagar até 2037, ao  ritmo de 400 milhões de euros por ano.
Como dizia o evangelho, os filhos das trevas são de facto mais inteligentes, até porque não existia, à época, legislação que condenasse esta prática (lá está, os ricos ficam sempre a ganhar).

Mas assim já se percebe melhor a intervenção do Goldman Sachs, a aniquilar com eficiência a capacidade dos governos de salvaguardarem as funções sociais, a deixar para as grandes empresas a condução da economia, baseada sempre em baixos custos do trabalho.

O povo português, quando votou no partido maioritário, não sabia quem eram os especialistas do Goldman Sachs e que eles iriam definir a estratégia do novo governo.
Falharam os mecanismos de defesa da democracia contra estes atacantes.
Prevaleceu a proteção aos bancos e grupos financeiros.
Vale que ainda podemos exprimir a nossa opinião.


domingo, 22 de abril de 2012

Vitor Louçã Gaspar em Wall Street

Duas citações:

1 - Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal coletiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.


                                                                             Pedro Afonso, psiquiatra


2 - Veio uma leva de políticos…os mais oportunistas, aqueles que vêem a frincha da porta aberta e entram logo à espera da grande oportunidade ;…porque somos tão desequilibrados? porque não existe uma classe média maioritária, liberal nos costumes e espiritualmente humanista;…os que procuram a política são os piores de nós

                                                                        Miguel Real, escritor, professor de Filosofia







Antigamente dizia-se, no regresso das equipas de futebol portuguesas, que tínhamos ganho moralmente.
Proponho que se vá esperar o senhor ministro das finanças ao aeroporto com cartazes a dizer o mesmo.
Facilmente se adivinha a admiração dos senhores de Wall Street perante a estatura do ministro português.
Quando desvanecido e desvanecendo os ouvintes, foi dizendo que os portugueses estavam “completamente disponíveis para todos os sacrifícios” (o tal desequilíbrio entre as minorias com o poder em Portugal, não mais de cem mil cidadãos, e a maioria impotente).
Ou quando disse que se nem tudo está a correr pelo melhor é porque a culpa é dos mercados, por não estarem a funcionar bem.
Devem ter ficado abismados com esta declaração, embora se possa encontrar nas primeiras paginas dos manuais de economia e até neste insignificante blogue a descrição das condições sem as quais os mercados não funcionam bem (eu repito: escassez, informação assimétrica, externalidade afetando inocentes).
Como quereria o senhor ministro que o mercado funcionasse bem?
Será que os senhores de Wall Street também fizeram esta pergunta?
Desconheço.
Ou talvez não, talvez os senhores de Wall Street tivessem afinal descansado, como quando Obama, depois de ter dito que não tinha sido eleito para lhes fazer o jogo, confirmou a Goldman Sachs no governo americano.
Ora, se o senhor ministro das finanças também pôs a Goldman Sachs no governo, se não erro no currículo do senhor doutor Moreira Rato, que se juntou ao antigo colega, noutra secção e noutra altura da Goldman Sachs, António Borges (ou, eventualmente, a trabalhar para, com, ou a comandar parte essencial e determinante da ação do resto do governo), talvez os senhores de Wall Street tenham mesmo descansado, tranquilos por terem reconhecido um, ou mais, dos deles, no longínquo governo português.
Especialmente por o novo doutor vir da Morgan Stanley, uma prima querida da Goldman Sachs, altamente responsável, de acordo com o relatório do Congresso, pela crise de 2008, tudo de acordo com os princípios dos Chicago boys de Hayeck e Friedman.
Certamente que os senhores de Wall Street acreditam que a baba do cão, riquíssima em bactérias, cura a gangrena da ferida que provocou, depois do emagrecimento do doente.
Mas há quem não acredite nas virtudes milagrosas da baba.

Como dizem os eleitores desiludidos de Obama (da sua politica financeira) , Goldman Sachs, Government Sachs.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A demissão do diretor executivo da Goldman Sachs

A propósito da indecisão dos senhores governantes sobre os estaleiros de Viana do Castelo, referi o filme Margin Call para estabelecer um paralelo entre os senhores governantes e os financeiros que provocaram a crise especulativa financeira. Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2012/03/estaleiros-de-viana-do-castelo-em-7-de.html

Graças ao DN e ao seu diretor do dinheiro vivo, André Macedo, fui informado que o senhor Greg Smith, diretor executivo da Goldman Sachs se demitiu. Terá sido uma zanga de comadres? Não sei, mas segundo o DN o senhor escreveu uma carta de despedida em que diz, entre outras coisas, que "o banco só pensa em fazer dinheiro" e que "engana os clientes".
O grave de tudo isto, é que a Goldman Sachs controla governos, e pelo menos na era Bush filho controlou o governo dos USA através de Paulsen.
Já se sabia, mas a informação vinda diretamente de um diretor executivo é uma confirmação.
Pena Obama não ter cumprido até ao fim a sua promessa eleitoral, de "não servir os senhores de Wall Street".
Confesso que, depois desta confissão, gostaria de ver os críticos de cinema do DN rever a crítica que fizeram ao filme Margin Call, focado no aspeto humano dos financeiros, e com a preocupação de os compreender.
Já os compreendemos, penso eu, sem com isto desejar que se exerça qualquer violencia sobre quem quer que seja.

PS (19mar2012) - Vem o senhor ministro da Defesa informar que espera concluir o processo de privatização dos estaleiros de Viana do Castelo no prazo de 5 meses, deixando no ar a hipótese das marinhas angolana e brasileira beneficiarem dessa ; a hipótese de negociar a venda do Atlantida ao governo regional dos Açores (por cerca de 40 milhões de euros ou 1/7 da dívida dos estaleiros) permanece em secretismo.
Acrescento o discurso de despedida do diretor da Goldman Sachs, destacando a ultima frase: "People who care only about making money will not sustain this firm — or the trust of its clients — for very much longer."




http://www.nytimes.com/2012/03/14/opinion/why-i-am-leaving-goldman-sachs.html?pagewanted=1




TODAY is my last day at Goldman Sachs. After almost 12 years at the firm — first as a summer intern while at Stanford, then in New York for 10 years, and now in London — I believe I have worked here long enough to understand the trajectory of its culture, its people and its identity. And I can honestly say that the environment now is as toxic and destructive as I have ever seen it.
To put the problem in the simplest terms, the interests of the client continue to be sidelined in the way the firm operates and thinks about making money. Goldman Sachs is one of the world’s largest and most important investment banks and it is too integral to global finance to continue to act this way. The firm has veered so far from the place I joined right out of college that I can no longer in good conscience say that I identify with what it stands for.
It might sound surprising to a skeptical public, but culture was always a vital part of Goldman Sachs’s success. It revolved around teamwork, integrity, a spirit of humility, and always doing right by our clients. The culture was the secret sauce that made this place great and allowed us to earn our clients’ trust for 143 years. It wasn’t just about making money; this alone will not sustain a firm for so long. It had something to do with pride and belief in the organization. I am sad to say that I look around today and see virtually no trace of the culture that made me love working for this firm for many years. I no longer have the pride, or the belief.
But this was not always the case. For more than a decade I recruited and mentored candidates through our grueling interview process. I was selected as one of 10 people (out of a firm of more than 30,000) to appear on our recruiting video, which is played on every college campus we visit around the world. In 2006 I managed the summer intern program in sales and trading in New York for the 80 college students who made the cut, out of the thousands who applied.
I knew it was time to leave when I realized I could no longer look students in the eye and tell them what a great place this was to work.
When the history books are written about Goldman Sachs, they may reflect that the current chief executive officer, Lloyd C. Blankfein, and the president, Gary D. Cohn, lost hold of the firm’s culture on their watch. I truly believe that this decline in the firm’s moral fiber represents the single most serious threat to its long-run survival.
Over the course of my career I have had the privilege of advising two of the largest hedge funds on the planet, five of the largest asset managers in the United States, and three of the most prominent sovereign wealth funds in the Middle East and Asia. My clients have a total asset base of more than a trillion dollars. I have always taken a lot of pride in advising my clients to do what I believe is right for them, even if it means less money for the firm. This view is becoming increasingly unpopular at Goldman Sachs. Another sign that it was time to leave.
How did we get here? The firm changed the way it thought about leadership. Leadership used to be about ideas, setting an example and doing the right thing. Today, if you make enough money for the firm (and are not currently an ax murderer) you will be promoted into a position of influence.
What are three quick ways to become a leader? a) Execute on the firm’s “axes,” which is Goldman-speak for persuading your clients to invest in the stocks or other products that we are trying to get rid of because they are not seen as having a lot of potential profit. b) “Hunt Elephants.” In English: get your clients — some of whom are sophisticated, and some of whom aren’t — to trade whatever will bring the biggest profit to Goldman. Call me old-fashioned, but I don’t like selling my clients a product that is wrong for them. c) Find yourself sitting in a seat where your job is to trade any illiquid, opaque product with a three-letter acronym.
Today, many of these leaders display a Goldman Sachs culture quotient of exactly zero percent. I attend derivatives sales meetings where not one single minute is spent asking questions about how we can help clients. It’s purely about how we can make the most possible money off of them. If you were an alien from Mars and sat in on one of these meetings, you would believe that a client’s success or progress was not part of the thought process at all.
It makes me ill how callously people talk about ripping their clients off. Over the last 12 months I have seen five different managing directors refer to their own clients as “muppets,” sometimes over internal e-mail. Even after the S.E.C., Fabulous Fab, Abacus, God’s work, Carl Levin, Vampire Squids? No humility? I mean, come on. Integrity? It is eroding. I don’t know of any illegal behavior, but will people push the envelope and pitch lucrative and complicated products to clients even if they are not the simplest investments or the ones most directly aligned with the client’s goals? Absolutely. Every day, in fact.
It astounds me how little senior management gets a basic truth: If clients don’t trust you they will eventually stop doing business with you. It doesn’t matter how smart you are.
These days, the most common question I get from junior analysts about derivatives is, “How much money did we make off the client?” It bothers me every time I hear it, because it is a clear reflection of what they are observing from their leaders about the way they should behave. Now project 10 years into the future: You don’t have to be a rocket scientist to figure out that the junior analyst sitting quietly in the corner of the room hearing about “muppets,” “ripping eyeballs out” and “getting paid” doesn’t exactly turn into a model citizen.
When I was a first-year analyst I didn’t know where the bathroom was, or how to tie my shoelaces. I was taught to be concerned with learning the ropes, finding out what a derivative was, understanding finance, getting to know our clients and what motivated them, learning how they defined success and what we could do to help them get there.
My proudest moments in life — getting a full scholarship to go from South Africa to Stanford University, being selected as a Rhodes Scholar national finalist, winning a bronze medal for table tennis at the Maccabiah Games in Israel, known as the Jewish Olympics — have all come through hard work, with no shortcuts. Goldman Sachs today has become too much about shortcuts and not enough about achievement. It just doesn’t feel right to me anymore.
I hope this can be a wake-up call to the board of directors. Make the client the focal point of your business again. Without clients you will not make money. In fact, you will not exist. Weed out the morally bankrupt people, no matter how much money they make for the firm. And get the culture right again, so people want to work here for the right reasons. People who care only about making money will not sustain this firm — or the trust of its clients — for very much longer.