Confesso que não gosto de ir a seminários, conferencias ou congressos, mas até gosto depois de lá estar, se o assunto tem interesse técnico e impacto na comunidade.
Também vou a muito poucos.
Mas choca-me, talvez por excesso de sensibilidade minha, o ar soberano das elites que os promovem, que neles se exibem, que neles demonstram a incapacidade para fundamentar as suas opiniões segundo o método científico.
Raramente apresentei trabalhos em seminários. Das poucas vezes fiquei com a ideia de que as pessoas não tinham seguido o meu powerpoint. Que até o moderador não tinha percebido. Certamente por limitações minhas.
Choca-me ainda ver a auto-satisfação e o cabotinismo dos governantes ou familiares que comparecem nesses seminários, acolitados pelos presidentes dos eventos, na maior parte das vezes ligados aos interesses de empresas ou grupos económicos mais ou menos internacionalizados que os patrocinam.
Para mim, o sucesso de um seminário, congresso ou conferencia medir-se-ia por uma alteração de comportamento e um inicio de atividade segundo um rumo demonstrado no evento como util para a comunidade.
Mas julgo que o sucesso é antes medido pelo impacto mediático, talvez até diplomático, pelo marketing das empresas e pela visibildade dada a alguns oradores, moderadores ou presidentes do evento. Ou por algum negócio facilitado.
Não quero dizer que não haja boas intenções ou voluntarismo desinteressado nalgumas iniciativas.
Ou simplesmente consciencia de responsabilidade social de uma ou outra fundação.
Veja-se por exemplo o seminário sobre a liberdade na democracia. Quando circulou o convite para assistir já estava o programa fixado. Não houve apelo público a apresentação de comunicações. E nos paineis o peso de personalidade mediáticas.
Pode ser defeito meu, insuficiencia minha de participação cidadã, mas nenhum dos participantes teve alguma vez contactos comigo ou com o círculo dos meus colegas e dos meus amigos. Nem no serviço militar, nem na universidade, nem na atividade profissional.
Reparem que não estou a vitimizar-me, conheci muita gente boa ao longo da minha vida, que teriam uma palavra a dizer. Mas não, não fizeram parte do núcleo seleto dos convidados.
Não fizeram parte das elites.
Talvez porque do ponto de visto ideológico não esteja perto dos partidos que habitualmente gerem a coisa pública, com os resultados negativos conhecidos.
Talvez porque do ponto de vista profissional tenha tido poucas relações com as profissões que dominam a economia e a politica do país, advogados, economistas.
Talvez a profissão de engenharia, a sua preocupação, quando os seus servidores não atraiçoam o que aprenderam na alma mater, em fundamentar com dados reais de utilidade pública e em realizar com uma programação concreta.
Talvez porque não me identifico com os métodos da intelectualidade portuguesa, tão nem com os processos de reconhecimento dos seus méritos.
Pena não ter havido um convite público, não para só para assistir, mas à participação efetiva.
Ou tomemos o exemplo da grande fundação que é um exemplo de uma politica cultural de interesse nacional. E que convidou as elites para falar das politicas públicas.
Existe uma certa ironia no tema, quando muito do que a fundação faz competiria à secretaria de Estado da cultura.
Existe uma ironia quando o secretário de Estado da cultura comparece no evento e é cumprimentado pelo presidente da fundação, emérito profissional da banca.
A cultura em simbiose com as grandes empresas petrolíferas e com as elites bancárias.
Não tem mal nenhum, sempre que o Metropolitain de Nova Iorque transmite uma ópera não se esquece de lembrar que isso só foi possível graças ao generoso apoio dos seus mecenas, acionistas principais de empresas que geram lucros.
Mas choca-me, como disse, ver perguntar-se às elites o que se deve fazer para sair desta crise, quando foram as elites que dirigiram o país, que aconselharam os seus políticos, que formataram o pensamento dos leitores dos jornais de opinião e dos eleitores.
Eleitores esses, quer tenham votado quer se tenham abstido, que são usados, ou desfrutados, pelas elites para justificarem o seu poder politico e o seu poder económico. E depois de desfrutados, acusados de serem os responsáveis pelos gastos acima das posses do país e levados a pagar o resgate.
Mas eis que o professor de economia da universidade norte-americana, autor de comentários lidos com reverencia, propõe em plena conferencia, com vivacidade intelectual, a indexação do pagamento da dívida pública ao crescimento da economia.
Quando leio no jornal acode-me à ideia a pergunta, o que andam a ler as elites tão ligadas ao sistema neste país (ou na tal universidade norte-americana)?
E tento adivinhar, andam a ler o capital no século XXI de Thomas Piketty, já publicado em português pela Temas e Debates/Círculo Leitores, que enchem as montras das livrarias.
Já aqui foi referido, o livro. O seu tema central é, fundamentando com a análise de dados reais desde o século XVIII, o ser maior a taxa de retorno do capital do que a taxa de crescimento da economia, e que isso só pode gerar desigualdades sociais. Como solução, uma discreta taxação dos rendimentos do capital com base nas transmissões automáticas entre bancos. Sim, era o fim do sigilo e dos off-shores, uma espécie de utopia. Mas acalmem-se as elites que Thomas Piketty não se confessa nem quer ser revolucionário.
De modo que o professor da conferencia sobre politicas públicas resolveu interpretar assim Piketty.
E eu confesso que não sei se bem se mal, mas sei que os pobres economistas andam entretidissimos e preocupados a tentar descobrir erros no Execl de Piketty, sem conseguir.
Mas há um problema tipo paradoxo.
O livro tem 910 páginas e o seu autor diz que o escreveu para convencer os eleitores, não os politicos. De facto, eleitores bem informados arrumariam os politicos defensores da austeridade anti-investimentos com as análises e os gráficos deste livro, mas teriam de o ler. Embora grandes defensores da austeridade a tout prix como Oliver Blanchard e Vitor Gaspar andem agora a pregar "investimentos inteligentes", talvez porque as taxas de juro para o nosso país sejam agora de 3,5% quando eram em abril de 2011 de 11% .
910 páginas para mudar o sistema é pedir demasiado aos eleitores, embora pareça que não devia ser necessário lê-las para acreditar que não podem ser os bancos (e Wall street) a decidir as regras do jogo. Assim como assim, se a EuroDisney é um sucesso de procura, por que razão tem 1700 milhões de euros de dívida? Não deveria antes mudar-se as regras bancárias?
Mas enfim, tentando converter leitores em eleitores, apresento três gráficos do livro, com as legendas do autor. Vejam como no tempo dos Beatles o mundo era mais igualitário e havia esperança (Imagine...):
Ver juntamente com este livro os seguintes:
- A riqueza oculta das nações, inquérito sobre os paraisos fiscais, de Gabriel Zucman, ed, Temas e Debates/Círculo Leitores, 143 páginas
- O espírito da igualdade, por que razão sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor, de Richard Wilkinson e Kate Pickett, ed. Presença, 350 páginas
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Os congressos das elites e o que as elites andam a ler
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Vitor Gaspar
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
O marquês de Pombal e o senhor professor Vitor Gaspar
Contam as más-línguas, como se costuma
dizer, que o processo de nomeação por D.José do marquês de Pombal para secretário
de Estado se deveu ao conselho da mãe do rei, viúva de D.João V e filha de um imperador austríaco. Perguntando à sua aia, Dona Leonor Ernestina de Daun, da
alta nobreza da imperial Viena, mulher do marquês de Pombal, quem deveria
recomendar ao filho, a senhora com a maior das franquezas respondeu que devia
ser o marido.
Lembrei-me
do episódio ao ver a noticia do livro de Maria João Avillez sobre o ex-ministro
Vítor Gaspar, escrito sob a forma de entrevista.
O
senhor ex-ministro conta que, no período em que Catroga negociava
o memorando com o governo de Sócrates, antes das eleições que este perdeu,
tomou a iniciativa de falar com Catroga para lhe explicar “como funcionavam as
negociações financeiras internacionais e como se podia consolidar a
credibilidade junto dos mercados de obrigações”. Depois das eleições, o convite
para ministro das finanças veio através de António Borges, tendo aceite depois
de falar com a esposa.
São
assim os mecanismos de escolha em Portugal. Na câmara da mãe de um decisor
ignorante como um rei, ou no círculo de oriundos de juventudes partidárias em
torno do gestor não menos ignorante de empresas de formação, embevecido com os
seus professores da escola de Chicago.
Maria
João Avillez terá tido neste livro o mérito dos psiquiatras, de, perante um
caso difícil de narcisismo e de subordinação da perceção da realidade a crenças
ou manias (anteriormente, neste blogue, foi
apresentada a argumentação para o diagnóstico de hipomania para o senhor
ex-ministro das finanças) ter conquistado a confiança do paciente, deixando-o
falar com franqueza e sem a noção, como é típico dos que têm dificuldade de
perceção da realidade, da gravidade dos sintomas do seu comportamento, como, por exemplo, quando diz,
para justificar o contacto com Catroga: “Vi qualquer coisa na televisão que me
pareceu errado, e pensei: o melhor é tentar corrigir isto depressa, porque este
erro de perceção pode ser custoso para o país”.
Nenhum
psiquiatra pensará convencer por palavras, sem terapia de grupo e sem
fluoxetina, o seu paciente a deixar de ser imodesto, mitómano na sua obsessão
de proximidade com os grandes financeiros que têm conduzido as finanças da
Europa à ruína (para eles ao sucesso da deflação, da desindustrialização, do
desemprego e da redução das prestações sociais) e a convencer-se de que errou
no seu Excel.
A
própria carta de renuncia não é o reconhecimento de um cientista que errou e
aprendeu com o erro, mas sim que não aplicou a sua receita como deveria.
É
típico, é a realidade que tem de se submeter aos dogmas em que acredita, e não
a teoria económica que deve refletir a realidade.
E
segundo as más línguas, também, o senhor ex ministro escreveu a carta depois de
falar com a mulher sobre a célebre ida ao supermercado, quando a perceção da
realidade esteve muito próximo da realidade impactante do contacto físico com
concidadãos discordantes da sua politica económica.
É
agora o senhor ex ministro consultor do Banco de Portugal. Estará descansado.
Quando se reformar a sua reforma virá por inteiro, sempre, como ele repetiu à
entrevistadora, “no interesse nacional”.
Transcrevo
uma conclusão do livro de um professor de Harvard, "Economia para todos"
de David Moss, ed. Academia do livro:
"... alguns estudiosos de Macroeconomia ... preferem acreditar que as relações económicas definidas nos seus manuais são regras invioláveis.
"... alguns estudiosos de Macroeconomia ... preferem acreditar que as relações económicas definidas nos seus manuais são regras invioláveis.
Este tipo de arrogancia, ou estreiteza de
pensamento, torna-se um verdadeiro perigo para a sociedade quando afeta os
responsáveis politicos pela macroeconomia.
O responsável pela politica que acredita que
sabe exatamente como a economia irá responder a um estímulo específico é, na
verdade, um responsável politico muito perigoso".
Muito perigoso, de facto, o senhor professor
Vítor Gaspar.
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Vitor Gaspar
quinta-feira, 4 de abril de 2013
o naufrágio de Sepulveda e o de Vitor Gaspar
O naufragio de Sepúlveda em versão condensada e comparativa,
dedicado ao senhor ministro das finanças Vítor Gaspar, que gosta de citar a
história trágico marítima para realçar que uma parte dos portugueses há-de
sobreviver à crise:
Sepúlveda terminou a sua comissão na Índia e obteve o
comando de um galeão para regresso a Portugal, com a mulher e filhos
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Gaspar terminou a sua comissão nos gabinetes de paredes
bem isoladas da realidade exterior das finanças europeias e obteve o
ministério das finanças do governo de Portugal
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O galeão carregou em vários portos, para alem da sua
capacidade náutica, pimenta, sedas, louça chinesa e pedras preciosas
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Gaspar, com voz pausada, explicou aos portugueses que
teriam de produzir mais com o equipamento de que dispõem
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Corria o mês de Fevereiro de 1552 quando a viagem se
iniciou, com 200 tripulantes, 200 fidalgos e soldados, e 300 escravos
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Gaspar explicou ainda que a força de trabalho mal
remunerada é essencial para conter a subida dos preços e para chegar ao
equilíbrio orçamental das contas públicas
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Atravessado o Indico, ao fim de pouco mais de 2 meses de
navegação, chegaram à costa de Moçambique, levantando-se um temporal que
rasgou as velas e danificou o leme
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Graças ao apoio e à orientação do ministro das finanças
alemão, atingiu-se sem novidade o nível de juros no mercado financeiro que
Gaspar desejava
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Depois de alguns dias de navegação tormentosa em que não
se conseguiu reparar o leme, nem os mastros quebrados, nem as entradas de
água, tentou-se ancorar junto à costa de Sofala
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Porém, a descida do PIB e a subida tormentosa do
desemprego lançaram o caos na estrutura do governo
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Depois do transporte para a praia, nos bateis, de parte
dos viajantes e da mercadoria, o agravamento do mar levou o galeão a embater
numa rocha e a afundar-se, perdendo-se grande número de pessoas e a maior
parte da mercadoria
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Apesar de medidas bem intencionadas de alguns ministros,
no entanto mal conduzidas as mais das vezes, como no caso dos ministérios da
economia e da agricultura, foi-se perdendo a capacidade produtiva na
agricultura e na industria
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Os sobreviventes na praia eram cerca de 500, dos quais 180
portugueses
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Os sobreviventes da sangria do desemprego e das
insolvências bateram-se valentemente
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Sepúlveda resolveu com o conselho de oficiais subir a
costa a pé na esperança de atingir a base de Sofala
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Gaspar traçou uma estratégia de austeridade cheia de
perigos e muito exposta aos ataques dos especuladores
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Atravessando regiões áridas e atacados pelos habitantes, o
grupo foi sendo dizimado ao longo de
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Em consequência, o PIB continuou a descer e a divida e o desemprego a
subir
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Os sobreviventes, 8 portugueses, 14 escravos e 3 escravas,
seriam recolhidos por um navio português que os levou para a base de
Moçambique Norte onde chegaram em maio de 1553
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Apesar de tudo, parte da população portuguesa conseguiu
manter uma atividade produtiva de bens e serviços transacionáveis e garantir
parte dos rendimentos
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Sepúlveda foi o capitão de um dos mais trágicos episódios
da história trágico maritima portuguesa
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Gaspar foi o ministro das finanças de uma das estratégias da história portuguesa mais desadequadas à retoma económica
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PS em 5 de abril de 2013 - conhecido o episódio menos trágico da demissão de Miguel Relvas, reproduzo o quadro enviado pelo partido socialista à troika, com os resultados do trabalho do senhor ministro das finanças Vitor Gaspar e da sua equipa. Independentemente do desconhecimento da realidade portuguesa e da ignorancia da elevada probabilidade de desastrosa evolução dos indicadores, revelados pela troika, regista-se a má prestação do senhor ministro, confirmando o diagnóstico negativo feito neste blogue desde o principio. De ressaltar a queda do PIB e o aumento do desemprego (neste caso um fim em si mesmo da estratégia da troika e do governo para comprimir os salários) :
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Memorando
maio 2011
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7ª avaliação
março 2013
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Defice
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2012
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4,5%
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6,4%
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2013
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3,0%
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5,5%
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Variação PIB
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2012
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-1,8%
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-3,2%
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2013
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+1,2%
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-2,3%
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Divida
publica
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2012
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107,4%
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123,6%
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2013
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108,6%
|
122,4%
|
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Desemprego
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2012
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12,9%
|
15,7%
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2013
|
12,4%
|
18,2%
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Vitor Gaspar
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Mais noticias da Ivalandia em fevereiro de 2013-02-23
O senhor ministro das finanças recostou-se confiante na sua cátedra e pausadamente explicou aos militantes preocupados do partido do governo a sua visão:
- As necessidades de controlar o ajustamento na execução orçamental podem vir a obrigar-nos a redobrar o cuidado com que monitorizamos essa mesma execução orçamental, porque só dessa maneira poderemos cumprir os objetivos e compromissos do memorando que assinámos com a troika, sem o que não cumpriremos esses compromissos.
Essas necessidades serão sempre por culpa da envolvente externa e nunca por deficiências de análise nossas ou por ignorancia de que aumentar demais o IVA provoca diminuição da respetiva receita, ou por sermos incapazes de aceitar a realidade dos multiplicadores cortes-redução do PIB, ou de reduzir a dívida pública.
Aliás, as nossas análies são uma prova de que o caminho que estamos a seguir é o certo, porque o caminho errado seria o desemprego a descer e o PIB a crescer.
Isso não seria a austeridade a que nos comprometemos com os nossos credores e enervaria os mercados para alem do suportável.
Isso não seria a austeridade a que nos comprometemos com os nossos credores e enervaria os mercados para alem do suportável.
Poderemos por isso ter de ser capazes de aplicar as medidas que previmos como reserva para responder a essas necessidades, no caso disso sermos capazes, embora de momento ninguém tenha nada de saber que medidas de reserva foram essas que previmos.
Entretanto, por via das dúvidas, iremos aumentar o prazo para cumprimento das metas, confirmando assim a ideia que o governo tem defendido de que sabe escutar as opiniões contrárias dos opositores.
Muito obrigado.
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Vitor Gaspar
domingo, 16 de dezembro de 2012
A propósito de Mario Draghi e das privatizações
Transcrevo declarações do senhor presidente do BCE, Mário Draghi neste dezembro de 2012:
“Desistir agora [das políticas de austeridade] como alguns sugerem seria estragar os imensos sacrifícios feitos pelos cidadãos europeus”
“Os países com dívidas e défices elevados devem compreender que perderam a sua soberania em detrimento das suas políticas económicas de um mundo globalizado. Trabalhando juntos numa união orientada para a estabilidade significa recuperar a soberania”
“O acordo sobre o mecanismo de supervisão bancário europeu único irá contribuir para uma união económica e monetária estável”.
Embora lamentando que o BCE não atenue as medidas de austeridade que afetam as vitimas da crise e não os seus determinantes principais (as entidades financeiras que primeiro especularam e depois foram resgatadas com dinheiros públicos contribuindo para agravar a recessão que fez diminuir as receitas fiscais), registo a evidencia da perda de soberania e congratulo-.me com “a união económica e monetária estável”.
Mas tenho de registar também que desde Setembro de 2010 o manifesto dos economistas aterrados (ver em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/10/economicomio-lxii-as-22-medidas-dos.html )
vem defendendo o reforço da intervenção do BCE para a estabilização da tal união económica, para o que propôs 22 medidas concretas.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/10/economicomio-lxii-as-22-medidas-dos.html )
vem defendendo o reforço da intervenção do BCE para a estabilização da tal união económica, para o que propôs 22 medidas concretas.
È verdade que por razões ideológicas o poder politico da UE não quer aceitar muitas dessas medidas, e as que vai aceitando é a custo. Mantêm-se os fundamentalismos (embora não esteja aqui a usar o termo no mesmo sentido que o senhor ministro da Economia lhe atribui) da minimização das entidades púbicas e da subordinação à livre concorrência, mesmo quando tecnicamente do ponto de vista da engenharia, como no caso da produção e distribuição de eletricidade e dos transportes, haja contra-indicações.
Não me parece que o conceito de supervisão e de regulação seja adequado porque para isso é preciso “know-how” e este vai sendo retirado às entidades públicas pelos fundamentalistas, até ser insuportável a promiscuidade entre o poder politico e o poder económico-financeiro-bancário.
Talvez que se explicasse bem aos eleitores europeus a origem da crise e da recessão (europeias, uma vez que a pequena economia portuguesa e os disparates do senhor ex-primeiro ministro Sócrates nunca poderiam por si sós provocar uma crise tão grande), a facilidade com que o capital foge para as off-shores enquanto os pensionistas e os trabalhadores por conta de outrem não o podem fazer (ainda agora o presidente da Google veio gabar-se de ter economizado 1.500 milhões de euros de impostos por pagar impostos numa off-shore nos Barbados e não em Inglaterra), talvez que os eleitores deixassem de votar nos mesmo ideólogos que estiveram por trás da crise e da recessão e que agora aplicam as medidas de austeridade recessiva.
Talvez que se se voltasse a falar na gestão inteligente da linha de separação variável entre a atividade privada e a atividade pública de que Melo Antunes falava, sem fundamentalismos nem fé cega em teorias, com análises isentas de subordinações partidárias ou de subordinações aos lucros das off-shores, talvez que se pudessem ir aplicando mais medidas concretas para ir resolvendo as coisas.
Por isso Portugal deve continuar na UE e na zona euro, para defender os interesses das comunidades e não das entidades financeiras.
Analogamente ao que Melo Antunes fez: manteve-se como operacional , vigiado de perto pela PIDE, num exército que fazia uma guerra colonial, até chegar a altura de acabar com a guerra colonial (ver “Biografia politica de Ernesto Melo Antunes”, de Maria Inácia Rezola, no suplemento Q do DN de 15 de dezembro de 2012).
Mas falo nisto apenas como analogia, comparando o obscurantismo de antes do 25 de Abril com o obscurantismo dos atuais governantes.
Analogamente ao que Melo Antunes fez: manteve-se como operacional , vigiado de perto pela PIDE, num exército que fazia uma guerra colonial, até chegar a altura de acabar com a guerra colonial (ver “Biografia politica de Ernesto Melo Antunes”, de Maria Inácia Rezola, no suplemento Q do DN de 15 de dezembro de 2012).
Mas falo nisto apenas como analogia, comparando o obscurantismo de antes do 25 de Abril com o obscurantismo dos atuais governantes.
(Notas:
1 - a simples medida de taxação das transações financeiras continua sem avançar em Portugal, apesar de já adotada noutros países; é verdade que o volume de negócios da banca de Lisboa está a baixar (30% num ano) e que a adoção dessa taxa poderia agravar essa redução, mas se considerarmos a estimativa de 20 mil milhões de euros para 2012, uma taxa de 2,5% daria uma receita fiscal de 500 milhões de euros
2 – o fundamentalismo privatizador não se verifica apenas na TAP, na ANA e na RTP (não se deve vender em período de baixa, não se deve vender o que está a dar resultados positivos dizem os manuais; e não se deve vender o que é serviço público, dizem mais de 25% de eleitores). Vem agora a senhora ministra do Ambiente dizer que a Empresa Geral do Fomento, sub-holding do grupo Águas de Portugal, é para ser privatizada em 2013. O objeto da empresa é a gestão dos resíduos sólidos urbanos. Pela sua importância para a gestão integrada e transversal da energia e da produção de energia por fontes renováveis em centrais de bio-massa, trata-se, de um ponto de vista técnico de engenharia, de um disparate. Mas com a desculpa do memorando feito à pressa sem considerar as razões técnicas de engenharia, provavelmente far-se-á. Será mais um exemplo de fundamentalismo obscurantista
3 – a propósito de privatizações, registo o ar triste, triste mesmo, com que o senhor ministro das finanças Vítor Gaspar apareceu na televisão a dizer, em cerimónia no ISEG de homenagem ao professor João Ferreira do Amaral, que o atual processo de privatizações era “um exemplo de sucesso” e que “não devemos procurar crescimento por si só; é preciso crescimento sustentado e criador de emprego”. Serão pérolas de retórica mal sentida, como o comentário do senhor ministro Miguel Relvas sobre as privatizações: “transparentes e imaculadas”, talvez como virgens. Que pena me faz, terem de poupar em conselheiros de comunicação e imagem)
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Vitor Gaspar
terça-feira, 27 de novembro de 2012
A conjetura de Kunstler e Paul de Grauwe
1 – frases de governantes e da troika - "saber ir contra a corrente e manter a firmeza",, “”apesar dos ventos fortes contrários, o programa mantem-se”, são afirmações típicas e sintomas num quadro psicótico já analisado neste blogue, de grande dificuldade em aceitar a realidade, privilegiando as crenças próprias.
O que é interessante é que, dado o carater alternado das conjunturas económicas e também a forte dependência da economia global, esperando-se que o fim do ciclo recessivo na economia internacional induza o fim desse ciclo na economia portuguesa, é provável que à austeridade se suceda um período de franca melhoria das condições sociais com o crescimento induzido.
Não se sabe quais as variáveis de tempo que estarão envolvidas, mas certamente que os autores das frases do inicio deste texto dirão então que tiveram razão.
Mas não vale a pena discutir.
Só valeria a pena discutir sobre tratamentos de dados significativos e consistentes com a realidade, não sobre argumentos retóricos.
2 – a conjetura de Kunstler – “O fim do petróleo, o grande desafio do século XXI”, ed.Bizancio, é um livro de James Howard Kunstler. Não é a mensagem principal do livro, nem se pode dizer que seja uma conjetura estruturada pelo autor. Mas ao fazer a sua análise da dependência do petróleo e dos combustíveis fósseis e da dificuldade em nos libertarmos dela, o autor deduz do segundo principio da Termodinâmica e da lei da entropia que diz que qualquer sistema tende para um estado de entropia máxima, ou de desordem e dissipação máximas, que uma intervenção organizada pode acelerar a chegada a esse estado final de desordem e inatividade equilibrada. Murphy diria que se pode, certamente que o fará.
É uma conclusão interessante que nas mãos dos retóricos facilmente enganará alguns, convencendo-os a “deixar cair” os braços, em vez de produzir (os tais bens transacionáveis).
Mais uma vez deve dizer-se que as leis não são universais, que têm um domínio e condições de aplicação.
Que não devem aplicar-se cegamente ideologias, que as medidas se devem aplicar caso a caso depois de análise alargada com a participação de quem esteja dentro de cada assunto.
Mas é difícil, reconheça-se, numa sociedade em que se perdeu a prática do trabalho coletivo informado sobre dados fiáveis.
Felizmente há luar e há exceções, ainda se produz em Portugal (não é a riqueza que garante o bem estar, é a produção de bens e serviços úteis).
3 – Paul de Grauwe – bruscamente, neste Outono do nosso descontentamento, um doutor vem dizer-nos o que os ignorantes de economia sabiam há muito. Que as medidas de austeridade cega são como a politica do escocês que todos os dias reduzia mais um pouco a ração do seu cavalo, para o habituar a não comer.
Paul Grauwe ,professor da London School of Economics, afirmou que "a austeridade está a falhar, mas continuam a insistir, empurrando as economias para espirais recessivas” e recomendou ao senhor ministro Vítor Gaspar que, " se não funciona, é melhor não tentar outra vez".
Foi até mais longe, dizendo que "Há uma definição de inteligência que é: quando se vê que uma coisa não funciona, não se insiste nela".
Mas claro que um professor de Economia tinha de pôr a tónica na economia internacional, classificando o BCE como disfuncional, porque o seu objetivo não devia ser o de estabilizar o preço das cenouras e das batatas, mas antes resolver o problema do capitalismo financeiro (interessante este objetivo, até que ponto não é o próprio capitalismo financeiro a essência do problema?).
Na verdade, as medidas de austeridade de Schroeder na Alemanha deram melhores resultados do que agora em Portugal. Talvez porque a economia alemã estivesse numa zona de rendimentos crescentes em função dos investimentos, e a economia portuguesa esteja numa zona de rendimentos decrescentes e da armadilha da pobreza (em que é imperativo não diminuir os rendimentos e em que o retorno dos investimentos é reduzido).
Diz então Paul de Grauwe que é essencial os paises do norte investirem agora nos paises do sul em vez de acumularem excedentes (em muitos casos não bastará investir, era conveniente uma transferencia de "know-how").
Na verdade, as medidas de austeridade de Schroeder na Alemanha deram melhores resultados do que agora em Portugal. Talvez porque a economia alemã estivesse numa zona de rendimentos crescentes em função dos investimentos, e a economia portuguesa esteja numa zona de rendimentos decrescentes e da armadilha da pobreza (em que é imperativo não diminuir os rendimentos e em que o retorno dos investimentos é reduzido).
Diz então Paul de Grauwe que é essencial os paises do norte investirem agora nos paises do sul em vez de acumularem excedentes (em muitos casos não bastará investir, era conveniente uma transferencia de "know-how").
Coincidem assim as análises do professor com a de ignorantes na matéria, que já há muito vêm dizendo que o problema não foi o povo português viver acima das suas possibilidades monetárias e financeiras.
O problema foi ter vivido, e continuar a viver, abaixo das suas capacidades produtivas e das suas necessidades (o que, pondo a questão em saber organizar com este povo a produção de bens e serviços úteis, responde à duvida atormentada do senhor ministro das finanças: que impostos quer o população pagar para ter o estado social?).
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Falas de governantes – o senhor ministro das finanças Vitor Gaspar e a introspeção
Fascinante, como diria Mr Spock da nave Enterprise, perante um espetaculo de surrealismo, a declaração do senhor ministro das finanças, de que não comenta estados de alma e que é pequena a sua tendência para a introspeção.
Digo espetaculo surrealista porque só se ouvem elogios ao senhor ministro Vítor Gaspar, vindos da Alemanha schaubleriana, que "Portugal está no bom caminho e é um brilhante exemplo de que a abordagem que tem vindo a ser seguida para estabilizar o Euro é a correta” (quem diria que um país com uma economia tão débil conseguia estabilizar toda a zona euro!!!). Ou vindos do senhor chefe da missão do FMI, Abebe Selassié, que Vítor Gaspar é impressionante.
E é, o simples facto de dizer que não tende para a introspeção confirma-o.
Este blogue tinha já tentado uma abordagem psicanalítica em
e esta fala vem esclarecer o diagnóstico.
O senhor ministro tem dificuldade em realizar o “insight” (introspeção) e o dizer isso só demonstra que é uma pessoa altamente inteligente, de um tipo de inteligência fluida, facto provavelmente confirmável através das técnicas de ressonância magnética no caso das zonas de maior atividade serem as do córtex posterior. Uma afirmação deste tipo, pretendendo ser um auto-diagnóstico que conclui pela dificuldade de fazer auto-diagnósticos pode, com elevada probabilidade, ser um sintoma de que o próprio reconhece, graças às suas capacidades de inteligência fluida, um problema, embora muito longe da anosognosia, que mereceria tratamento. Esse tratamento seria no sentido de uma maior abertura à perceção e sensibilidade dos estados, não de alma, mas das reais dificuldades por redução dos rendimentos de trabalho e dos esquemas sociais de apoio. Ainda com recurso às técnicas de ressonância magnética, um progresso nessa perceção e sensibilidade seria comprovável por um acréscimo de flexibilidade cognitiva e da atividade do hemisfério direito e do córtex médio frontal, e por um decréscimo da obsessão compulsiva pela redução do défice orçamental de acordo com as diretivas da troika.
Fascinante, como diria Mr Spock, a introspeção.
Embora seja uma pena quando um cidadão não consegue fazer uma introspeção, não consegue colocar a hipótese de que as suas medidas possam não ser as corretas (a propósito, já haverá autorização do Parlamento para taxar as transações financeiras a 0,3%?).
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Vitor Gaspar
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Dedicado ao senhor ministro das finanças Vitor Gaspar
Excerto do livro "Economia para todos" , de David Moss, professor de Gestão, Administração Publica e Economia internacional na Harvard Business School, ed. Academia do livro, de onde eu tenho retirado as fórmulas do PIB e do investimento:
“Infelizmente, alguns estudantes de Macroeconomia sentem-se tão confiantes em relação àquilo que aprenderam que se recusam a ver quaisquer desvios, preferindo acreditar que as relações económicas definidas nos seus manuais são regras invioláveis. Este tipo de arrogância (ou estreiteza de pensamento) torna-se um verdadeiro perigo para a sociedade quando afeta os responsáveis pela macroeconomia. O responsável pela politica que acredita que sabe exatamente como a economia irá responder a um estímulo específico é na verdade um responsável político muito perigoso.”
Questionado sobre o falhanço da quebra de receitas do IVA, do ISP e do IRC e do aumento da despesa pública apesar da diminuição dos gastos de pessoal e do investimento (foi o serviço da divida que cresceu), o senhor ministro Vítor Gaspar teve a honestidade de se assumir como único responsável (não é verdade, mas se fosse, seria uma prova de que assunto tão complexo não pode depender de uma pessoa só, por mais iluminada que seja) e, de forma superior e pouco urbana como já é seu timbre, afirmar o “enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ser as funções sociais do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar”.
Há uns anos , houve um senhor ministro que disse: “Quem quer saúde, paga-a”. Não parece pois ter havido grandes progressos.
Insistiu ainda que a queda do PIB em 2013 será de 1%, e que o multiplicador do impacto da austeridade sobre a queda do PIB não estava compreendido entre 0,9 e 1,7, mas é apenas de 0,8.
Quanto ao dia do regresso aos mercados, anteriormente anunciado para 21 de Setembro de 2013, nada disse.
Não é o facto das medidas serem duras que choca.
É a falta de humildade de quem se acha detentor das soluções únicas, de quem reconhece acriticamente o erro e insiste nele, é a ausência de disponibilidade para aceitar outra forma de pensar e agir , é recusar a renegociação dos juros, da disponibilização do BCE para empréstimos diretos, da regulação fiscal na Europa.
É deixar sem resposta as perguntas concretas, enquanto, provavelmente, vai estudando soluções, como reconheceu quanto aos limites do défice, em negociação com a troika desde julho:
1 – é verdade que estão 7.500 milhões de euros, que sobraram da recapitalização dos bancos, “aparcados” sem objetivo à vista (que não seja uma reserva para tapar erros de estimativa)?
2 – é verdade que não quer recomprar divida portuguesa no mercado secundário, agora que os juros estão mais favoráveis?
3 – é verdade que não sente premência em ampliar as verbas do QREN que tanto jeito davam ao seu colega da Economia? (ou está a contar com elas para limitar a recessão do PIB a 1% em 2013?)
Como diz o professor de Harvard, é perigoso.
PS - Mais um erro meu, confirmando que não é só o senhor ministro que se engana. A data marcada para o "regresso aos mercados" era 23 de setembro, e não 21, que, este, será um sábado. Também o senhor ministro dise alguma coisa, contrariamente ao que escrevi. Disse que não faz sentido estar a marcar datas. Nalguma coisa haviamos de estar de acordo, especialmente depois daquele anuncio descabido que "já voltámos aos mercados", felicitando a senhora secretária de estado por ter transferido as obrigações de setembro de 2013 para 2015, graças à generosidade dos credores nacionais, não internacionais. Perigoso, dar poder a um senhor assim.
PS - Mais um erro meu, confirmando que não é só o senhor ministro que se engana. A data marcada para o "regresso aos mercados" era 23 de setembro, e não 21, que, este, será um sábado. Também o senhor ministro dise alguma coisa, contrariamente ao que escrevi. Disse que não faz sentido estar a marcar datas. Nalguma coisa haviamos de estar de acordo, especialmente depois daquele anuncio descabido que "já voltámos aos mercados", felicitando a senhora secretária de estado por ter transferido as obrigações de setembro de 2013 para 2015, graças à generosidade dos credores nacionais, não internacionais. Perigoso, dar poder a um senhor assim.
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Vitor Gaspar
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Falas de governantes – Vitor Gaspar e a poesia de Sofia de Melo Breyner
O senhor ministro das finanças saberá se tem ou não como objetivo a estratificação da população portuguesa em faixas mais ou menos imunes à crise, desde os 100 mil portugueses que não sofrerão com ela , isto é, cerca de 1%, até aos 20% da população que vive na pobreza, passando pelo estrangulamento da classe media d emodo a alargar a faixa da pobreza ou da dificuldade de sobrevivencia.
Se tem esse objetivo, tê-lo-á justificado dizendo que as medidas que tomou foram necessárias para haver melhorias no futuro.
Poderá ser, mas desde a forma como se exprime, invocando “circularização de créditos”, e planos de estabilidade e crescimento que não têm de “precular (!? – teria querido dizer “percolar”, no sentido de filtrar, de perpassar, à imagem do fenómeno da capilaridade?) na Assembleia da Republica, ao quase pedido de desculpas com a “hipótese de trabalho” da reposição dos subsídios de férias e de Natal ao ritmo de 25% ao ano depois de 2015 (inclusive? ano de eleições?), e à repetição de que a maioria dos portugueses o compreende, infelizmente não posso acreditar nele.
Por isso agradeço a Manuel António Pina , quando recordou o 25 de Abril de 1974 e a poesia de Sofia de Melo Breyner no magazine do DN.
Acredito mais na intuição e na poesia de Sofia de Melo Breyner do que no perito financeiro Vítor Gaspar:
“É certo que a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo – de seu
Viscoso gozo da nata da vida – que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?”
em o Nome das coisas
Não é mesmo uma fala profética, sobre a ”sábia e tácita injustiça” das medidas que nos impõem, sendo que a poetisa escreveu o poema em julho de 1976, muito antes destas crises financeiras ?
Se tem esse objetivo, tê-lo-á justificado dizendo que as medidas que tomou foram necessárias para haver melhorias no futuro.
Poderá ser, mas desde a forma como se exprime, invocando “circularização de créditos”, e planos de estabilidade e crescimento que não têm de “precular (!? – teria querido dizer “percolar”, no sentido de filtrar, de perpassar, à imagem do fenómeno da capilaridade?) na Assembleia da Republica, ao quase pedido de desculpas com a “hipótese de trabalho” da reposição dos subsídios de férias e de Natal ao ritmo de 25% ao ano depois de 2015 (inclusive? ano de eleições?), e à repetição de que a maioria dos portugueses o compreende, infelizmente não posso acreditar nele.
Por isso agradeço a Manuel António Pina , quando recordou o 25 de Abril de 1974 e a poesia de Sofia de Melo Breyner no magazine do DN.
Acredito mais na intuição e na poesia de Sofia de Melo Breyner do que no perito financeiro Vítor Gaspar:
“É certo que a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo – de seu
Viscoso gozo da nata da vida – que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?”
em o Nome das coisas
Não é mesmo uma fala profética, sobre a ”sábia e tácita injustiça” das medidas que nos impõem, sendo que a poetisa escreveu o poema em julho de 1976, muito antes destas crises financeiras ?
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Vitor Gaspar
domingo, 22 de abril de 2012
Vitor Louçã Gaspar em Wall Street
Duas citações:
1 - Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal coletiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
Pedro Afonso, psiquiatra
2 - Veio uma leva de políticos…os mais oportunistas, aqueles que vêem a frincha da porta aberta e entram logo à espera da grande oportunidade ;…porque somos tão desequilibrados? porque não existe uma classe média maioritária, liberal nos costumes e espiritualmente humanista;…os que procuram a política são os piores de nós
Miguel Real, escritor, professor de Filosofia
Antigamente dizia-se, no regresso das equipas de futebol portuguesas, que tínhamos ganho moralmente.
Proponho que se vá esperar o senhor ministro das finanças ao aeroporto com cartazes a dizer o mesmo.
Facilmente se adivinha a admiração dos senhores de Wall Street perante a estatura do ministro português.
Quando desvanecido e desvanecendo os ouvintes, foi dizendo que os portugueses estavam “completamente disponíveis para todos os sacrifícios” (o tal desequilíbrio entre as minorias com o poder em Portugal, não mais de cem mil cidadãos, e a maioria impotente).
Ou quando disse que se nem tudo está a correr pelo melhor é porque a culpa é dos mercados, por não estarem a funcionar bem.
Devem ter ficado abismados com esta declaração, embora se possa encontrar nas primeiras paginas dos manuais de economia e até neste insignificante blogue a descrição das condições sem as quais os mercados não funcionam bem (eu repito: escassez, informação assimétrica, externalidade afetando inocentes).
Como quereria o senhor ministro que o mercado funcionasse bem?
Será que os senhores de Wall Street também fizeram esta pergunta?
Desconheço.
Ou talvez não, talvez os senhores de Wall Street tivessem afinal descansado, como quando Obama, depois de ter dito que não tinha sido eleito para lhes fazer o jogo, confirmou a Goldman Sachs no governo americano.
Ora, se o senhor ministro das finanças também pôs a Goldman Sachs no governo, se não erro no currículo do senhor doutor Moreira Rato, que se juntou ao antigo colega, noutra secção e noutra altura da Goldman Sachs, António Borges (ou, eventualmente, a trabalhar para, com, ou a comandar parte essencial e determinante da ação do resto do governo), talvez os senhores de Wall Street tenham mesmo descansado, tranquilos por terem reconhecido um, ou mais, dos deles, no longínquo governo português.
Especialmente por o novo doutor vir da Morgan Stanley, uma prima querida da Goldman Sachs, altamente responsável, de acordo com o relatório do Congresso, pela crise de 2008, tudo de acordo com os princípios dos Chicago boys de Hayeck e Friedman.
Certamente que os senhores de Wall Street acreditam que a baba do cão, riquíssima em bactérias, cura a gangrena da ferida que provocou, depois do emagrecimento do doente.
Mas há quem não acredite nas virtudes milagrosas da baba.
Como dizem os eleitores desiludidos de Obama (da sua politica financeira) , Goldman Sachs, Government Sachs.
1 - Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal coletiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
Pedro Afonso, psiquiatra
2 - Veio uma leva de políticos…os mais oportunistas, aqueles que vêem a frincha da porta aberta e entram logo à espera da grande oportunidade ;…porque somos tão desequilibrados? porque não existe uma classe média maioritária, liberal nos costumes e espiritualmente humanista;…os que procuram a política são os piores de nós
Miguel Real, escritor, professor de Filosofia
Antigamente dizia-se, no regresso das equipas de futebol portuguesas, que tínhamos ganho moralmente.
Proponho que se vá esperar o senhor ministro das finanças ao aeroporto com cartazes a dizer o mesmo.
Facilmente se adivinha a admiração dos senhores de Wall Street perante a estatura do ministro português.
Quando desvanecido e desvanecendo os ouvintes, foi dizendo que os portugueses estavam “completamente disponíveis para todos os sacrifícios” (o tal desequilíbrio entre as minorias com o poder em Portugal, não mais de cem mil cidadãos, e a maioria impotente).
Ou quando disse que se nem tudo está a correr pelo melhor é porque a culpa é dos mercados, por não estarem a funcionar bem.
Devem ter ficado abismados com esta declaração, embora se possa encontrar nas primeiras paginas dos manuais de economia e até neste insignificante blogue a descrição das condições sem as quais os mercados não funcionam bem (eu repito: escassez, informação assimétrica, externalidade afetando inocentes).
Como quereria o senhor ministro que o mercado funcionasse bem?
Será que os senhores de Wall Street também fizeram esta pergunta?
Desconheço.
Ou talvez não, talvez os senhores de Wall Street tivessem afinal descansado, como quando Obama, depois de ter dito que não tinha sido eleito para lhes fazer o jogo, confirmou a Goldman Sachs no governo americano.
Ora, se o senhor ministro das finanças também pôs a Goldman Sachs no governo, se não erro no currículo do senhor doutor Moreira Rato, que se juntou ao antigo colega, noutra secção e noutra altura da Goldman Sachs, António Borges (ou, eventualmente, a trabalhar para, com, ou a comandar parte essencial e determinante da ação do resto do governo), talvez os senhores de Wall Street tenham mesmo descansado, tranquilos por terem reconhecido um, ou mais, dos deles, no longínquo governo português.
Especialmente por o novo doutor vir da Morgan Stanley, uma prima querida da Goldman Sachs, altamente responsável, de acordo com o relatório do Congresso, pela crise de 2008, tudo de acordo com os princípios dos Chicago boys de Hayeck e Friedman.
Certamente que os senhores de Wall Street acreditam que a baba do cão, riquíssima em bactérias, cura a gangrena da ferida que provocou, depois do emagrecimento do doente.
Mas há quem não acredite nas virtudes milagrosas da baba.
Como dizem os eleitores desiludidos de Obama (da sua politica financeira) , Goldman Sachs, Government Sachs.
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Vitor Gaspar
domingo, 14 de agosto de 2011
A logica dedutiva a partir de Poul Thomsen
1 -Afirmação de Poul Thomsen, chefe da missão do FMI na troica: "A derrapagem de 2.000 milhões de euros no defice publico deste ano (7,0% em vez de 5,9% no primeiro trimestre) deveu-se em larga medida ao eleitoralismo da classe politica portuguesa, mais entretida com as eleições do que com a implementação das medidas de austeridade no setor publico".
2 - As eleições foram convocadas pelo senhor presidente da república, que não quis aplicar a solução islandesa: constituir um governo que abrangesse, segundo os resultados eleitorais, o maior numero possivel de sensibilidade politicas em Portugal
3 - Logo, a derrapagem de 2.000 milhões de euros deveu-se, em larga medida, ao senhor presidente da república (será que este vai chamar ignorante ao senhor Poul Thomsen, como fez com as agencias de rating?)
4- Mais informou o senhor Poul Thomsen que as medidas de austeridade, incluindo a redução da TSU (afinal em quanto ficamos?) só afetarão o crescimento da economia durante um ou dois trimestres. Depois serão visiveis os ganhos. Que bom que vai ser, como se costuma dizer. Aguardemos então pelos resultados a serem conecidos em Janeiro de 2012. Prometo pedir desculpa por duvidar se os ganhos forem visiveis, é que o endividamento privado é muito maior do que o endividamento publico.
5 - Mas deixemos o senhor Poul Thomsen e ouçamos o senhor Jurgen Kruger, representante da UE na troica: "o desvio orçamental de 1.900 milhões de euros deveu-se a uma derrapagem nos salários das forças de segurança e Defesa nacional e com receitas abaixo do estimado, nomeadamente em taxass na justiça e dividendos (até quando resistirá o senhor primeiro ministro, habituado a ser administrador de empresas com distribuição de dividendos, a taxar os dividendos?).
6 - Mais disse o senhor Jurgen Kruger que em 2011 não haverá mais aumentos de impostos (nem sobre os dividendos? tomemos boa nota) e que o governo ainda não tinha tido tempo para definir os cortes (lembro-me de ouvir o senhor primeiro ministro dizer, ainda antes da campanha eleitoral, que o problema se resolvia com cortes na despesa, o que indiciava que ele saberia onde devia cortar, mas parece que falava sem conhecimento de causa). No entanto, a noticia do dia 13 de Agosto era que os cortes estavam definidos mas tambem suspensos, e que em vez dos cortes, conforme informou o senhor ministro Vitor Louçã Gaspar, teriamos, desde já, os 50% do 14º mês e o aumento do IVA da eletricidade e do gás (que barbaridade, como diriam os castelhanos), enquanto em Setembro será anunciado o plano de cortes e embora ainda faltem medidas para tapar o resto dos 1.900 milhões de euros (TSU, fundos de pensões?)
7 - Tudo ponderado, temos de aplaudir as mirabolancias contabilisticas destes senhores todos cuja competencia de técnicos de contas não podemos pôr em dúvida, embora agradecessemos que nos explicassem melhor para onde está a ir o dinheiro dos empréstimos, esperando que não esteja só a ir para o pagamento de dívidas, coisa que já as finanças chinesas explicaram às dos USA que não é saudável.
Mas isso, da competência como técnicos de contas, era o que diziamos daquele senhor de Santa Comba, que tambem falava sempre pausadamente, com ar professoral e a apertar o indicador e o polegar, e que tinha muita dificuldade em entender o processo de construção de infra-estruturas e de industrialização do país que os seus técnicos de engenharia lhe tentavam explicar, felizmente com algum sucesso (mérito desses técnicos, que tinham uma visão mais abrangente e integradora), embora parcial, muito parcial.
Resumindo: em 13 de Agosto de 2011 a informação é a de que não haverá mais impostos em 2011 e que em Janeiro de 2012 já serão visiveis os ganhos das medidas de austeridade. Continua a falta a informação sobre o destino dos dinheiros que a troica vai canalizando. Aguarda-se a apresentação em Setembro de 2011 do plano de cortes na despesa pública.
2 - As eleições foram convocadas pelo senhor presidente da república, que não quis aplicar a solução islandesa: constituir um governo que abrangesse, segundo os resultados eleitorais, o maior numero possivel de sensibilidade politicas em Portugal
3 - Logo, a derrapagem de 2.000 milhões de euros deveu-se, em larga medida, ao senhor presidente da república (será que este vai chamar ignorante ao senhor Poul Thomsen, como fez com as agencias de rating?)
4- Mais informou o senhor Poul Thomsen que as medidas de austeridade, incluindo a redução da TSU (afinal em quanto ficamos?) só afetarão o crescimento da economia durante um ou dois trimestres. Depois serão visiveis os ganhos. Que bom que vai ser, como se costuma dizer. Aguardemos então pelos resultados a serem conecidos em Janeiro de 2012. Prometo pedir desculpa por duvidar se os ganhos forem visiveis, é que o endividamento privado é muito maior do que o endividamento publico.
5 - Mas deixemos o senhor Poul Thomsen e ouçamos o senhor Jurgen Kruger, representante da UE na troica: "o desvio orçamental de 1.900 milhões de euros deveu-se a uma derrapagem nos salários das forças de segurança e Defesa nacional e com receitas abaixo do estimado, nomeadamente em taxass na justiça e dividendos (até quando resistirá o senhor primeiro ministro, habituado a ser administrador de empresas com distribuição de dividendos, a taxar os dividendos?).
6 - Mais disse o senhor Jurgen Kruger que em 2011 não haverá mais aumentos de impostos (nem sobre os dividendos? tomemos boa nota) e que o governo ainda não tinha tido tempo para definir os cortes (lembro-me de ouvir o senhor primeiro ministro dizer, ainda antes da campanha eleitoral, que o problema se resolvia com cortes na despesa, o que indiciava que ele saberia onde devia cortar, mas parece que falava sem conhecimento de causa). No entanto, a noticia do dia 13 de Agosto era que os cortes estavam definidos mas tambem suspensos, e que em vez dos cortes, conforme informou o senhor ministro Vitor Louçã Gaspar, teriamos, desde já, os 50% do 14º mês e o aumento do IVA da eletricidade e do gás (que barbaridade, como diriam os castelhanos), enquanto em Setembro será anunciado o plano de cortes e embora ainda faltem medidas para tapar o resto dos 1.900 milhões de euros (TSU, fundos de pensões?)
7 - Tudo ponderado, temos de aplaudir as mirabolancias contabilisticas destes senhores todos cuja competencia de técnicos de contas não podemos pôr em dúvida, embora agradecessemos que nos explicassem melhor para onde está a ir o dinheiro dos empréstimos, esperando que não esteja só a ir para o pagamento de dívidas, coisa que já as finanças chinesas explicaram às dos USA que não é saudável.
Mas isso, da competência como técnicos de contas, era o que diziamos daquele senhor de Santa Comba, que tambem falava sempre pausadamente, com ar professoral e a apertar o indicador e o polegar, e que tinha muita dificuldade em entender o processo de construção de infra-estruturas e de industrialização do país que os seus técnicos de engenharia lhe tentavam explicar, felizmente com algum sucesso (mérito desses técnicos, que tinham uma visão mais abrangente e integradora), embora parcial, muito parcial.
Resumindo: em 13 de Agosto de 2011 a informação é a de que não haverá mais impostos em 2011 e que em Janeiro de 2012 já serão visiveis os ganhos das medidas de austeridade. Continua a falta a informação sobre o destino dos dinheiros que a troica vai canalizando. Aguarda-se a apresentação em Setembro de 2011 do plano de cortes na despesa pública.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Hipótese: é o complexo de Hubris
Num breve intervalo de tempo, dois ministros do novo governo e o grande escritor Vasco Graça Moura classificaram como irresponsáveis ou criminosos quem não pensa como eles.
Será provavelmente o complexo de Hubris, que ataca quem detem o poder e se sente protegido pelos mecanismos da democracia, quem se convence de que tem razão por rejeição de argumentos contrários. Neste estádio, quem sofre de complexo de Hubris recorre aos adjetivos em detrimento dos argumentos (mesmo que estes sejam reais e evidentes) e à idealização de que está a servir uma causa nobre (a recuperação nacional, por exemplo).
Primeira citação: o senhor ministro Vitor Louçã Gaspar classificou como irresponsável quem defender o abrandamento do ritmo da consolidação orçamental.
Não obstante o aumento do prazo e a diminuição dos juros.
Não obstante os "irresponsáveis" quererem saber o destino dos 78 mil milhões de euros para se certificarem de que a maior parte do dinheiro se destina a investimento reprodutivel em bens transacionáveis geradores de crescimento económico.
Não obstante continuar a fugir como o diabo da cruz do imposto sobre os bancos para não diminuir a atração da poupança (reduz-se o poder de compra, mas o potencial de poupança sobe? é capaz de ser verdade, deixa-se de comprar o BMW e com o dinheiro da entrada faz-se um depósito, mas, quem não tem sequer o dinheiro da entrada? ai estas injustiças e esta falta de universalidade do imposto extraordinário)
Não obstante o senhor presidente do fundo europeu de estabilização financeira ter dito que "os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda têm sido um bom negócio para os países que lhes concederam garantias... até hoje só houve ganhos para os alemães, porque receberam juros acima dos refinanciamentos, o que reverteu para o orçamento alemão" (está-me a seguir, senhor ministro? está a ver o mecanismo de refinanciamento para receber juros mais elevados? deixemos Pangloss e a ingenuidade de Candide, e leiamos antes o Mercador de Veneza, de Shakespeare, mais conforme com a teoria dos juros do senhor ministro; a propósito, não tinhamos combinado há uns tempos com a UE mutualizar a divida europeia, emitir eurobonds e taxar os lucros dos bancos?)
Não obstante o alivio do aumento dos prazos e da diminuição dos juros não viabilizar, por si, o pagamento das dividas.
Não obstante continuarem as cidadãs e os cidadãos a aguardar a discriminação do desvio de 2.000 milhões de euros (pela gravidade da afirmação, uma vez que desvio pode ser interpretado como apropriação indevida de dinheiro por alguem) uma semana era mais do que suficiente para explicar que desvio é este; o senhor ministro Vitor Gaspar o máximo que apresentou até agora, e mesmo assim sem mostrar as contas, foi que havia ministérios com "insuficiencias de orçamento para pagar salários e despesas em atraso acumuladas". Poderá ser verdade, mas, se não se mostram os cálculos, como se costuma dizer, é curto.
Segunda citação: o senhor ministro Alvaro Santos Pereira classificou como irresponsável fazer uma linha de TGV com premissas totalmente fora da realidade" e que não era irresponsável suspender uma obra já acordada com o governo espanhol (tendo a parte espanhola já gasto dinheiro) e beneficiando de fundos europeus, porque o que se pretende é uma linha de mercadorias de bitola europeia.
É pena que estas coisas já estivessem há muito no blogue do senhor ministro, mas esperar-se-ia melhor fundamentação depois de um mês de ministério (mau aconselhamento?).
É muita pena que uma afirmação tão grave ("pressupostos totalmente fora da realidade") seja feita sem fundamentação, apenas com adjetivos.
Eu próprio tenho criticado as soluções da RAVE, mas sempre fundamentei as críticas.
E nunca critiquei o facto de prever a construção simultanea de uma linha de mercadorias com ligação a Sines com travessa bi-bitola como está efetivamente previsto.
Acresce que o traçado da ligaão do TGV a Madrid e ao Porto até é razoável (embora eu preferisse a travessia do Tejo por Beato-Montijo e a estação central do TGV de Lisboa no Vale de Chelas/Olaias).
Em Portugal, os grandes problemas como o traçado do TGV são deixados primeiro a um grupo restrito que faz secretismo. Aos poucos vão-se conhecendo as propostas e apontando as deficiencias do projeto. Graças ao esforço resistente do grupo restrito (ver a sobranceria com que num programa prós e contras foi contrariado o impacto visual da travessia Chelas-Barreiro no miradouro e Alfama) só muito lentamente e por aproximações sucessivas se vai chegando a uma solução razoável; veja-se ainda o caso da localização do eventual novo aeroporto de Lisboa, proposto primeiramente por um senhor primeiro ministro, conhecido por raramente ter dúvidas, coisa que quem aplica o método científico tem sistematicamente, para uma base aérea chumbada pelas suas más condições meteorológicas para base dos F16).
A construção simultanea de infraestruturas para modos diferentes é uma forma de economia, talvez mais significativa do que apagar as luzes (a propósito, sempre reparei que tinha de ser eu a apagar as luzes dos gabinetes, que os meus colegas preferiam deixar acesas; é interessante pensar que a maioria dos meus colegas não tenha conseguido fugir à estatística dos eleitores dos partidos atualmente no governo; eles deixavam as luzes acesas e votaram num governo que apaga as luzes; eu apagava as luzes e não votei num governo que liga mais às economias intermédias do que às grandes economias (do ponto de vista macroscópico, é uma ilusão estar a poupar em pequenas coisas quando o principal desperdicio só pode evitar-se mediante investimentos pesados geradores de poupança).
Mas admitamos que os pressupostos estão fora da realidade. Nunca poderão estar totalmente, porque o TGV permite um consumo específico de energia e emissões de gases com efeito de estufa por passageiro-quilómetro inferior ao transporte rodoviário e ao transporte aéreo.
E parece evidente que a gestão correta das ligações entre Lisboa e Madrid terá de taxar os modos aéreo e rodoviário de modo a "encaminhar" os passageiros para o TGV.
Isto é uma heresia para o fundamentalismo liberal do mercado livre, mas até os economistas mais fanáticos das companhias aéreas low-cost conhecem termo internalização da externalidade, aplicável ao diferencial da emissão de gases com efeito de estufa destes modos relativamente ao TGV. De momento, a tonelada de CO2 está a menos de 20 euros, mas tem tendencia a subir, tal como os custos das "low-cost", à medida que forem eliminando a concorrencia que tem custos superiores de manutenção e que não fica com o dinheiro da reserva se o passageiro não puder embarcar na data combinada e à medida que o petróleo sobe).
Entretanto, será um pressuposto totalmente infundado admitir que o TGV transportará por dia pelo menos a capacidade de um avião e, durante as férias, de dois?
Isso dará aproximadamente 90.000 passageiros por ano, o que se traduzirá num diferencial aproximado TGV-avião de 7,5 GWh e 4.000 toneladas de CO2. (Não é interessante pensar que é possivel baixar as emissões do transporte aéreo, com a condição de se usar aviões de grande capacidade (800 passageiros), que não estão homologados para aterrarem no atual aeroporto de Lisboa?).
Isto são pressupostos "totalmente fora da realidade"?
Parece uma afirmação demasiado grave para um ministro de um mês, sobre uma questão importante de transportes.
O que me faz lembrar o que me ensinou o chefe da central do Picote, quando lá fiz um estágio de um mês, há muitos anos: existem pessoas que não estão bem dentro dos assuntos mas têm sempre soluções que os outros não tinham conseguido descobrir (ele citou o caso de um engenheiro de gabinete na sede que tinha sugerido retirar a turbina para reparação sem retirar o alternador, o que pouparia imenso) e que acham que o trabalho dos outros ou é mal feito ou não merece confiança; quando tomam posse fazem re-avaliações "como deve ser"; e exemplificava com um heroi de banda desenhada com algum sucesso num jornal do Porto, o Becas maravilhas.
Sinceramente, da parte do senhor ministro esperava argumentações e cálculos. Acusações de que quem não pensa como ele é irresponsável, não.
Terceira citação: Vasco Graça Moura, não sendo agora oportuno dizer mal do governo, tem dedicado a maior parte das suas crónicas no DN a zurzir o novo acordo ortográfico.
Um paciente leitor explicou em cartas ao diretor, argumento a argumento, que o acordo não é assim tão mau. Mas Vasco Graça Moura, cometendo o pecado de privar a comunidade dos leitores e escritores em português de obras suas que poderiam e deveriam ser escritas no tempo em que escreve as crónicas, insiste e insiste.
Diz agora que a grafia do novo acordo é criminosa (será que isso significa que quem escreve conforme o novo acordo é criminoso, e réu em que tribunal?).
É pena, porque assim não é liberal.
Como dizia Stuart Mill, o liberalismo de uma pessoa não deve ir além dos limites do liberalismo dos outros. Se eu quero dizer e escrever perceção, por que cargas de águas não posso?
Nestas coisas sou eu mais liberal, vou continuar a escrever segundo o novo acordo (exceto por ignorancia minha, claro) e concordo sem qualquer hesitação que Vasco Graça Moura escreva, aliás bem e com humanismo quando não se deixa polarizar pela politica, de acordo com o anterior (não me refiro ao que o antecedeu, aquele em que fleuma se escrevia phleugma)
Conclusão: Será seguramente o complexo de Hubris - o poder consolida a auto-convicção, independentemente da realidade, dos cálculos e dos argumentos contrários.
Não será autismo, será complexo de Hubris.
mais informações em:
http://www.google.pt/#hl=pt-PT&source=hp&q=irrespons%C3%A1vel+vitor+gaspar&btnG=Pesquisa+do+Google&oq=irrespons%C3%A1vel+vitor+gaspar&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=s&gs_upl=10604l19698l0l23028l26l26l0l11l1l1l394l3215l2-4.6l10&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&fp=39942fb498c34481&biw=958&bih=536
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=irrespons%C3%A1vel+aLVARO+SANTOS+PEREIRA&oq=irrespons%C3%A1vel+aLVARO+SANTOS+PEREIRA&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=s&gs_upl=84377l95775l0l97884l33l20l0l0l0l9l466l4128l1.0.4.6.2l13&biw=958&bih=536&cad=cbv
http://www.google.pt/#sclient=psy&hl=pt-PT&source=hp&q=vasco+gra%C3%A7a+moura+criminosa&pbx=1&oq=vasco+gra%C3%A7a+moura+criminosa&aq=f&aqi=&aql=1&gs_sm=s&gs_upl=3190l11715l0l14719l29l23l1l6l7l2l925l8314l2-1.4.7.3.2l17&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&fp=b4d4143e10bb08ed&biw=958&bih=536
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/09/madrid-lisboa-de-aviao-ou-de-tgv.html
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=hubris
Será provavelmente o complexo de Hubris, que ataca quem detem o poder e se sente protegido pelos mecanismos da democracia, quem se convence de que tem razão por rejeição de argumentos contrários. Neste estádio, quem sofre de complexo de Hubris recorre aos adjetivos em detrimento dos argumentos (mesmo que estes sejam reais e evidentes) e à idealização de que está a servir uma causa nobre (a recuperação nacional, por exemplo).
Primeira citação: o senhor ministro Vitor Louçã Gaspar classificou como irresponsável quem defender o abrandamento do ritmo da consolidação orçamental.
Não obstante o aumento do prazo e a diminuição dos juros.
Não obstante os "irresponsáveis" quererem saber o destino dos 78 mil milhões de euros para se certificarem de que a maior parte do dinheiro se destina a investimento reprodutivel em bens transacionáveis geradores de crescimento económico.
Não obstante continuar a fugir como o diabo da cruz do imposto sobre os bancos para não diminuir a atração da poupança (reduz-se o poder de compra, mas o potencial de poupança sobe? é capaz de ser verdade, deixa-se de comprar o BMW e com o dinheiro da entrada faz-se um depósito, mas, quem não tem sequer o dinheiro da entrada? ai estas injustiças e esta falta de universalidade do imposto extraordinário)
Não obstante o senhor presidente do fundo europeu de estabilização financeira ter dito que "os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda têm sido um bom negócio para os países que lhes concederam garantias... até hoje só houve ganhos para os alemães, porque receberam juros acima dos refinanciamentos, o que reverteu para o orçamento alemão" (está-me a seguir, senhor ministro? está a ver o mecanismo de refinanciamento para receber juros mais elevados? deixemos Pangloss e a ingenuidade de Candide, e leiamos antes o Mercador de Veneza, de Shakespeare, mais conforme com a teoria dos juros do senhor ministro; a propósito, não tinhamos combinado há uns tempos com a UE mutualizar a divida europeia, emitir eurobonds e taxar os lucros dos bancos?)
Não obstante o alivio do aumento dos prazos e da diminuição dos juros não viabilizar, por si, o pagamento das dividas.
Não obstante continuarem as cidadãs e os cidadãos a aguardar a discriminação do desvio de 2.000 milhões de euros (pela gravidade da afirmação, uma vez que desvio pode ser interpretado como apropriação indevida de dinheiro por alguem) uma semana era mais do que suficiente para explicar que desvio é este; o senhor ministro Vitor Gaspar o máximo que apresentou até agora, e mesmo assim sem mostrar as contas, foi que havia ministérios com "insuficiencias de orçamento para pagar salários e despesas em atraso acumuladas". Poderá ser verdade, mas, se não se mostram os cálculos, como se costuma dizer, é curto.
Segunda citação: o senhor ministro Alvaro Santos Pereira classificou como irresponsável fazer uma linha de TGV com premissas totalmente fora da realidade" e que não era irresponsável suspender uma obra já acordada com o governo espanhol (tendo a parte espanhola já gasto dinheiro) e beneficiando de fundos europeus, porque o que se pretende é uma linha de mercadorias de bitola europeia.
É pena que estas coisas já estivessem há muito no blogue do senhor ministro, mas esperar-se-ia melhor fundamentação depois de um mês de ministério (mau aconselhamento?).
É muita pena que uma afirmação tão grave ("pressupostos totalmente fora da realidade") seja feita sem fundamentação, apenas com adjetivos.
Eu próprio tenho criticado as soluções da RAVE, mas sempre fundamentei as críticas.
E nunca critiquei o facto de prever a construção simultanea de uma linha de mercadorias com ligação a Sines com travessa bi-bitola como está efetivamente previsto.
Acresce que o traçado da ligaão do TGV a Madrid e ao Porto até é razoável (embora eu preferisse a travessia do Tejo por Beato-Montijo e a estação central do TGV de Lisboa no Vale de Chelas/Olaias).
Em Portugal, os grandes problemas como o traçado do TGV são deixados primeiro a um grupo restrito que faz secretismo. Aos poucos vão-se conhecendo as propostas e apontando as deficiencias do projeto. Graças ao esforço resistente do grupo restrito (ver a sobranceria com que num programa prós e contras foi contrariado o impacto visual da travessia Chelas-Barreiro no miradouro e Alfama) só muito lentamente e por aproximações sucessivas se vai chegando a uma solução razoável; veja-se ainda o caso da localização do eventual novo aeroporto de Lisboa, proposto primeiramente por um senhor primeiro ministro, conhecido por raramente ter dúvidas, coisa que quem aplica o método científico tem sistematicamente, para uma base aérea chumbada pelas suas más condições meteorológicas para base dos F16).
A construção simultanea de infraestruturas para modos diferentes é uma forma de economia, talvez mais significativa do que apagar as luzes (a propósito, sempre reparei que tinha de ser eu a apagar as luzes dos gabinetes, que os meus colegas preferiam deixar acesas; é interessante pensar que a maioria dos meus colegas não tenha conseguido fugir à estatística dos eleitores dos partidos atualmente no governo; eles deixavam as luzes acesas e votaram num governo que apaga as luzes; eu apagava as luzes e não votei num governo que liga mais às economias intermédias do que às grandes economias (do ponto de vista macroscópico, é uma ilusão estar a poupar em pequenas coisas quando o principal desperdicio só pode evitar-se mediante investimentos pesados geradores de poupança).
Mas admitamos que os pressupostos estão fora da realidade. Nunca poderão estar totalmente, porque o TGV permite um consumo específico de energia e emissões de gases com efeito de estufa por passageiro-quilómetro inferior ao transporte rodoviário e ao transporte aéreo.
E parece evidente que a gestão correta das ligações entre Lisboa e Madrid terá de taxar os modos aéreo e rodoviário de modo a "encaminhar" os passageiros para o TGV.
Isto é uma heresia para o fundamentalismo liberal do mercado livre, mas até os economistas mais fanáticos das companhias aéreas low-cost conhecem termo internalização da externalidade, aplicável ao diferencial da emissão de gases com efeito de estufa destes modos relativamente ao TGV. De momento, a tonelada de CO2 está a menos de 20 euros, mas tem tendencia a subir, tal como os custos das "low-cost", à medida que forem eliminando a concorrencia que tem custos superiores de manutenção e que não fica com o dinheiro da reserva se o passageiro não puder embarcar na data combinada e à medida que o petróleo sobe).
Entretanto, será um pressuposto totalmente infundado admitir que o TGV transportará por dia pelo menos a capacidade de um avião e, durante as férias, de dois?
Isso dará aproximadamente 90.000 passageiros por ano, o que se traduzirá num diferencial aproximado TGV-avião de 7,5 GWh e 4.000 toneladas de CO2. (Não é interessante pensar que é possivel baixar as emissões do transporte aéreo, com a condição de se usar aviões de grande capacidade (800 passageiros), que não estão homologados para aterrarem no atual aeroporto de Lisboa?).
Isto são pressupostos "totalmente fora da realidade"?
Parece uma afirmação demasiado grave para um ministro de um mês, sobre uma questão importante de transportes.
O que me faz lembrar o que me ensinou o chefe da central do Picote, quando lá fiz um estágio de um mês, há muitos anos: existem pessoas que não estão bem dentro dos assuntos mas têm sempre soluções que os outros não tinham conseguido descobrir (ele citou o caso de um engenheiro de gabinete na sede que tinha sugerido retirar a turbina para reparação sem retirar o alternador, o que pouparia imenso) e que acham que o trabalho dos outros ou é mal feito ou não merece confiança; quando tomam posse fazem re-avaliações "como deve ser"; e exemplificava com um heroi de banda desenhada com algum sucesso num jornal do Porto, o Becas maravilhas.
Sinceramente, da parte do senhor ministro esperava argumentações e cálculos. Acusações de que quem não pensa como ele é irresponsável, não.
Terceira citação: Vasco Graça Moura, não sendo agora oportuno dizer mal do governo, tem dedicado a maior parte das suas crónicas no DN a zurzir o novo acordo ortográfico.
Um paciente leitor explicou em cartas ao diretor, argumento a argumento, que o acordo não é assim tão mau. Mas Vasco Graça Moura, cometendo o pecado de privar a comunidade dos leitores e escritores em português de obras suas que poderiam e deveriam ser escritas no tempo em que escreve as crónicas, insiste e insiste.
Diz agora que a grafia do novo acordo é criminosa (será que isso significa que quem escreve conforme o novo acordo é criminoso, e réu em que tribunal?).
É pena, porque assim não é liberal.
Como dizia Stuart Mill, o liberalismo de uma pessoa não deve ir além dos limites do liberalismo dos outros. Se eu quero dizer e escrever perceção, por que cargas de águas não posso?
Nestas coisas sou eu mais liberal, vou continuar a escrever segundo o novo acordo (exceto por ignorancia minha, claro) e concordo sem qualquer hesitação que Vasco Graça Moura escreva, aliás bem e com humanismo quando não se deixa polarizar pela politica, de acordo com o anterior (não me refiro ao que o antecedeu, aquele em que fleuma se escrevia phleugma)
Conclusão: Será seguramente o complexo de Hubris - o poder consolida a auto-convicção, independentemente da realidade, dos cálculos e dos argumentos contrários.
Não será autismo, será complexo de Hubris.
mais informações em:
http://www.google.pt/#hl=pt-PT&source=hp&q=irrespons%C3%A1vel+vitor+gaspar&btnG=Pesquisa+do+Google&oq=irrespons%C3%A1vel+vitor+gaspar&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=s&gs_upl=10604l19698l0l23028l26l26l0l11l1l1l394l3215l2-4.6l10&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&fp=39942fb498c34481&biw=958&bih=536
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