terça-feira, 4 de setembro de 2012
Incompetentes
Soube hoje que o governo desviou para outros fins 500 milhões de euros que estavam reservados no QREN para o regadio da região do Alentejo (só tem 8 deputados) e que se corre o risco de no próximo programa comunitário não haver verbas para o regadio em geral.
O impacto negativo na economia é de tal ordem que só posso reforçar a acusação: incompetentes.
A produção agrícola e alimentar do país conheceu um defice em 2011 de 3800 milhões de euros.
Importaram-se 1320 milhões de euros de peixes e mariscos, e 842 milhões de euros de cereais.
Paralisar o regadio é incompetencia.
Como diz George Soros, "contrair a economia não reduz a dívida", só reduz o PIB.
Os senhores governantes não quererão ou não sabem ver.
Por exemplo, lembraram-se, só agora, de pedir ajuda de 4 aviões Canadair para combater os incendios de Ourem e Tomar.
Estavam avisados há muito que este tipo de incendios só se resolve com rapidez com aviões pesados, não os meios aéreos ligeiros que têm sido utilizados ou as estratégias terrestres (sem prejuízo do profissionalismo de quem tem combatido os incendios). Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/08/sobre-incendios.html
Mas não sabem o que fazem, como no caso da paragem do programa das renováveis.
Um país não pode ser autónomo se tiver de importar alimentos e energia com os valores com que Portugal importa, nem se o seu nivel de endividamento continuar a subir, como está a acontecer.
Mas os senhores governantes não entendem.
Um país assim não pode ter um governo de 2 partidos com a representatividade que eles têm.
Todas as forças politicas deveriam estar a participar.
Mas os senhores governantes não querem, ou não sabem.
quarta-feira, 18 de agosto de 2021
Agosto de 2021, incendios no Sotavento algarvio
16 de agosto, uma da madrugada, a 21 km a norte da ilha de Tavira e a 16 km a poente do Guadiana, na serra do Caldeirão, inicio de um incendio. Provável negligencia depois da noite de domingo, a PJ diz que está a investigar. Estava vento norte como nos dias anteriores, não muito forte, e por volta das 10.00 da manhã considerou-se o fogo dominado. Mas como vento norte cresceu, e provavelmente falhou a vigilancia atempada e o uso de aeronaves, o incendio reativou-se com violencia, progredindo para sul até à A22 e à EN125 (a cerca de 17 km). Graças ao esforço dos intervenientes e à acalmia do vento, o incendio foi efetivamente dominado às 16.00 de dia 17 de agosto.
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| inicio do incendio em Pernadeira e propagação para o sul |
Valerá a pena recordar que a distancias inferiores a 23 km relativamente ao ponto de inicio do incendio de 16 de agosto, se verificaram incendios nos dias 5, 14 e 30 de julho e 8 de agosto, felizmente dominados rapidamente dadas as condições de vento fraco e humidade superior a 30%. Igualmente importa referir que em 18 de agosto pelas 16.00 deflagrou novo incendo na serra do Caldeirão a cerca de 27 km para noroeste relativamente ao ponto de inicio do incendio de 16 de agosto. 2 horas depois ainda subsistia, sendo combatido com 3 aeronaves, ignoro se alguma de grande capacidade. Felizmente, 7 horas depois o vento estava fraco (15 a 20 km/h) e de noroeste, embora com humidade de 25%, aparentemente em fase de rescaldo. (ao mesmo tempo, desenvolve-se um incendio em Odemira)
Nota - escrito às 23 horas de dia 18 de agosto); fonte: https://fogos.pt/fogo/2021080035488 https://fogos.pt/fogo/2021080036098
- a vigilancia por todo o país tem de ser melhorada, o que implicará resolver a questão dos contratos de videovigilancia, de contratação de pessoal para guarnecimento das torres de vigilancia (serviço militar? serviço cívico?), e de vigilancia por satélite (apoio da UE)
terça-feira, 7 de julho de 2026
Julho de 2026 - Incêndios, o governo apelou ao dispositivo da proteção civil da UE e a Força Aérea já os combate no ar
Assisti em 4jul2026 no canal Parlamento da RTP Notícias a um interessante debate sobre os incêndios com deputados da AR: https://www.rtp.pt/play/p16387/e940624/parlamento
Por os intervenientes constatarem o pouco progresso na prevenção e no combate aos incêndios, resolvi voltar ao tema, começando por deixar registadas as ligações para o que há anos escrevi:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2013/08/ouvido-na-praia.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2012/08/sobre-incendios.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2012/08/os-tecidos-do-hospital-publico-e-o.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/01/envio-de-sugestoes-para-consulta.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/06/no-meu-pais-morreram-3-criancas-num.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/07/estimativa-de-custos-para-limpeza-de.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/06/os-incendios-florestais.html
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/09/oratoria-da-floresta-simpatica.html
Achei curiosas e reveladoras do espírito pequenino com são abordadas questões importantes as duas notícias que originaram o título:
1 - o governo, que do alto da sua superioridade não pediu o auxílio do dispositivo de proteção civil da UE nos incêndios de 2025 correspondentes a uma das maiores áreas ardidas, formalizou agora em julho de 2026 esse pedido, por ser urgente e não por a oposição o reivindicar, sem ao mesmo tempo reconhecer a mesquinhês do raciocínio pretensamente justificativo
2 - a Força Aérea declarou ter pela primeira vez equipamentos a intervir no combate aos incêndios, 2 helicopteros. O uso de helicopteros é importante na prevenção e vigilancia e, no combate aos incendios, no controle das suas periferias tentando retardar a sua evolução, uma vez que a capacidade de água que pode descarregar é da ordem de 1 m3 . A eficácia das descargas de água sobre as chamas deve-se principalmente ao abafamento por retirada de comburente e não pela água reduzindo a temperatura de ignição . Por isso o meio mais eficaz consiste nos aviões Canadair de capacidade de descarga de 6 toneladas de água ou 6m3, existindo outros modelos que vão às 12 toneladas. Mas infelizmente os sucessivos governos não têm participado com a UE no reforço da frota de combate, preferindo pedir emprestados Canadairs como fez agora, e insistir no aluguer de helicopteros e fire boss (pequenos aviões que no máximo desarregarão 2 toneladas.
Alguns comentários:
1 - Incêndios e regionalização
O tema dos incêndios é mais um exemplo da importancia de resolver a questão da regionalização segundo os critérios da Constituição da República. Art.236: No continente as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas. Art,258: As regiões administrativas elaboram planos regionais e participam na elaboração dos planos nacionais.
Permanece a inércia e a visão provinciana no sentido bairrista que impedem a elaboração da respetiva lei, que por força dos compromissos com a UE deverá satisfazer a definição das NUTII, nomeadamente na organização e planeamento das regiões. No Continente estavam previstas as seguintes 5 NUTII : (https://pt.wikipedia.org/wiki/NUTS_de_Portugal): Norte--Centro-Grande Lisboa-Alentejo-Algarve .
Infelizmente, o exagero provinciano/bairrista descentralizador (que ainda mantem o exagerado número de 18 distritos), com a desculpa de que os índices de PIB per capita reduziam os financiamentos europeus, conduziu à criação de mais duas NUTII: Península de Setubal (com uma NUTIII apenas) e Oeste Vale do Tejo (com três NUTIII: Oeste - Médio Tejo - Lezíria do Tejo). Receiam-se grandes dificuldades na preparação dos SUMP da Área Metropolitana de Lisboa e a sua articulação com as infraestruturas de mobilidade dos nós urbanos nos termos dos artigos 40 a 42 do regulamento 2024/1679, especialmente quando a decisão sobre os traçados de AV e dos serviços suburbanos foi delegada na IP pela AR e pelo governo . Igualmente se esperam dificuldades no planeamento da prevenção e do combate aos incêndios.
2 - Guardas florestais - Recorda-se o erro de gestão da extinção dos guardas florestais e a necessidade de sua reativação para funções de prevenção, vigilância e atualização de cadastros
3 - Torres de vigilância - Recorda-se a necessidade da sua reativação com guarnecimento presencial, eventualmente com recurso a trabalho em part time ou como serviço cívico
4 - Aceiros - a construir novos aceiros de maior largura e divisão dos terrenos
5 - Vigilancia por satélite - em integração com a UE
6 - Criação de uma rede de centrais de bio massa
7 - Criação de empresas públicas de âmbito regional ou privadas com regulação de preços para limpeza dos terrenos, corte e recolha dos resíduos vegetais e sua condução a centrais de bio massa. Anoto que atualmente são vulgares preços da ordem de 1500 € por ano e por hectare para corte da vegetação e tratamento dos ramos de árvores. Trata-se praticamente de um imposto.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
da atualidade e perenidade de Marx
Por umas razões ou por outras e sempre se suspeitando porquê, o estudo de Marx não constava no curriculo da formação universitária do meu tempo.
Dir-se-ia na altura que não havia possibilidade física de tudo incluir no curriculo e que o objetivo principal dos estudos universitários era sempre atingido, ou seja, ensinar os jovens a aprender, a adaptar-se ao meio ambiente e intervir depois no contexto das forças geradas .
Assim sendo, foi para mim uma descoberta durante a realização do meu estágio final de curso, na Holanda, o contacto com Marx. Nesse tempo não eram vulgares os mestrados e os doutoramentos, de modo que os estágios eram a oportunidade para um primeiro contacto com as realidades sociais e empresariais a que dificilmente a universidade, vítima de bloqueios vários e do imobilismo intelectual de muitos professores (não todos), tinha acesso.
A empresa em que estagiei durante dois meses proporcionou-me o estudo de temas interessantes, desde a análise da influencia da estrutura organizacional do território no comportamento das infraestruturas sociais em situação de grandes incendios (aqui tive pena de ter sido retirado do grupo de estudo, mas de facto, o assunto era demasiado sério para ser tratado por um estagiário de um país do sul) ao estudo experimental do comportamento de massas em ambiente de tensões elevadas.
E foi precisamente neste último tema que descobri Marx e a crescente tensão da sua conceção.
Infelizmente, apesar da liberdade de informação de que hoje se goza, e da sempre crescente divulgação dos ramos científicos, a perceção dos seus conceitos e a aplicação a casos reais não é ainda comummente aceite.
Pelo que deixo aqui duas ligações para o artigo da wikipedia e para o video youtube que tratam do gerador de impulsos de alta tensão de Erwin Otto Marx (1924), em cascata de condensadores para sucessivamente obter tensões elevadas que possam testar a resistencia elétrica de massas isolantes e outros aparelhos elétricos.
O outro tema referido tratava da influencia mútua entre redes de transmissão de alta tensão e incendios florestais, ou que efeito têm os incendios nas redes de transmissão, ou, pelo contrário, que risco existe de origem do incendio nas próprias redes de transmissão em regimes transitórios com descargas para a vegetação próxima. A empresa em que estagiei foi a KEMA, laboratório eletrotécnico de ensaios e certificação em arnheim, Holanda.
https://en.wikipedia.org/wiki/Marx_generator
https://www.youtube.com/watch?v=jHGK1trR9mg
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Ouvido na praia
A maré cheia obriga à proximidade entre os chapéus. A senhora e um casal conversavam em voz alta sobre os incêndios e eu tive de ouvir. O homem gostava de falar alto, contrastando com a esposa. Ambos falaram como se estivessem escrevendo em caixas de comentários na Internet. Que os incendiários deviam ser perseguidos implacavelmente e que os proprietários dos terrenos por limpar deviam ser multados.
Eu não gosto de falar sobre o que não conheço. Mas neste assunto de incêndios e de limpeza de mato penso que tenho um pouco mais de experiencia do que os comentadores das caixas de comentários. Já andei a combater fogos em ravinas, com ramos de arbustos, enquanto outros vizinhos atrás regavam o mato não ardido e um carro de bombeiros aguardava para intervir apenas se casas estivessem ameaçadas. E paguei mais uma vez 100 euros, este ano, pela limpeza do terreno que tenho na península de Setúbal e de que não retiro rendimento nenhum (bom, não será bem assim, o meu terreno produz canas que o meu vizinho utiliza para erguer tomateiros e feijoeiros de cujos frutos retira depois alguns para me oferecer).
Como não sou de feitio conversador (só desabafo aqui no blogue), não contei isto aos meus vizinhos de chapéu de praia. Mas não precisei, porque a primeira senhora esclareceu rapidamente o casal com o seu próprio exemplo. Que tem um terreno de 5 hectares em Setúbal. Uma parcela de meio hectare ardeu há 30 anos. Reflorestou (tentou) com sementes de pinheiro atlântico que se revelaram inutilizadas em 50%. Quando os poucos pinheiros sobreviventes começavam a crescer sobreveio novo incêndio. Nova semeadura após recusa da direção geral das florestas de apoio técnico e financeiro. As sementes revelaram-se novamente inutilizadas em 50%. E ao fim de 30 anos, novo incêndio. Sobraram alguns pinheiros que foram vendidos a um madeireiro por 150 euros.
Entretanto, ao longo dos 30 anos, a senhora foi pagando de 2 em 2 anos a limpeza do mato do seu terreno de 5 hectares. A pergunta é muito simples.
Querem responsabilizar os proprietários que não mandam limpar o mato pelos incêndios? Sendo que os custos da limpeza são superiores à receita da venda dos pinheiros? A senhora dizia: expropriem-me, era um favor que me faziam (mas então seria o Estado dos contribuintes que pagaria mais pela limpeza do que receberia pelo produto florestal).
E concluia: o meu marido e eu já plantámos eucaliptos naquele terreno. Eu sei que é um risco maior de incêndio que a lei 96/2013 veio proporcionar com ligeireza própria de quem está nos gabinetes e se sente iluminado por intervenção divina, mas não posso estar a perder continuamente dinheiro. Não é isso que dizem os senhores do governo, que não podemos viver acima dos nossos rendimentos?
Este pequeno relato fica aqui no blogue apenas para registar a incompetência e a ignorância dos decisores da politica florestal deste país. Não me refiro apenas ao atual governo. É um mal que vem de longe, para grande satisfação do nemátodo, da velutina nigrotorax e do escaravelho bicudo, cuja problemática já foi tratada no blogue, sem que os sucessivos governos promovam o desejável debate público nem valorizem o estudo e as propostas dos técnicos competentes que existem nos serviços (ou já terão sido reformados com a fúria cega de redução dos quadros do funcionalismo publico?)
Pena os senhores da troika também serem uns ilustres ignorantes nas matérias florestais e não compreenderem que é uma das áreas de aplicação frutuosa dos fundos QREN.
Pena também os não menos ilustres sábios que dão apoio ao senhor ministro Maduro dos fundos QREN parecerem andar longe destas problemáticas.
Assim é difícil, sem debate aberto por quem esteja dentro destes assuntos.
E para que não se diga que este blogue não apresenta propostas alternativas, como seria bom se os ditos sábios concluíssem que uma solução premente é a instalação pelo país fora de centrais de biomassa e de meios mecânicos de recolha do mato (uma pequena alteração legislativa permitiria a recolha dos resíduos em terrenos particulares sem custos nem receitas para estes e permitiria ainda a organização cooperativa dos particulares os casos em que os particulares pagassem a recolha e participassem das receitas ou benefícios das centrais ; o estudo dos meios de recolha em zonas acidentadas já foi desenvolvido por universidades portuguesas, nomeadamente a de Aveiro; os custos de funcionamento das centrais de biomassa serão compensados em grande parte pela economia de importação de combustíveis fosseis e pela taxa de carbono a aplicar pelos consumidores de combustiveis fosseis).
É impressionante, num país de desempregados e de PIB decrescente (em termos anuais) tão poucos sábios e tão poucos políticos impedirem tantos de beneficiarem dos recursos naturais disponíveis.
PS em 29 de agosto de 2013 - Depois de ter escrito o "post" anterior, a que atribui um tom ligeiro por o centrar na experiencia dos rendimentos nulos dos proprietários, tomei conhecimento da morte de mais uma bombeira. São assim 5 os bombeiros mortos, existindo ainda feridos graves (queimaduras ou inalações). Trata-se de uma situação anormal que leva a apresentar condolencias aos familiares e aos bombeiros, mas que me parece justificar a denuncia de uma estratéga errada adotada pelo ministérios da defesa. O senhor ministro é incontestavelmente uma pessoa séria, mas parece-me que acredita ingenuamente nalguns que o rodeiam. Repito que penso poder falar porque já andei a combater fogos e o senhor ministro não. Penso ainda que pratico critérios mais eficazes para aferir da competencia técnica de quem trata de assuntos técnicos. Por isso digo que a estratégia adotada no principio de 2013, possivelmente com graves culpas do primeiro ministro e do ministro das finanças (que igualmente nunca andaram a combater fogos a sério)na definição da contenção orçamental é incorreta por se basear na intervenção apeada dos bombeiros e em meios aéreos ligeiros (a intervenção atempadamente contratada de Canadairs não poderia ter sido comparticipada pela União Europeia? é que incendios em zonas montanhosas com ventos fortes e variáveis combatem-se com estes aviões, não apenas com os helicopteros e aviões ligeiros contratados, E MUITO MENOS A PÉ.) O senhor ministro nunca deveria ter dito que os meios eram suficientes. Agora que 5 bombeiros morreram em menos de um mês, numa estatistica terrivel com indicadores em termos de mortalidade por hectare ardido piores do que no pior ano de 2003, parece que se impõe uma mudança de estratégia, não só em formação (não se deve mandar avançar contra um fogo sem garantir um caminho de fuga e sem que parte do pessoal esteja a molhar as zonas não ardidas e a controlar permanentemente os caminhos de fuga) como em prevenção (contratação de desempregados para vigilancia) e em organização do território com aceiros e exploração de biomassa. Neste capitulo, não nos podendo opor à "eucaliptalização ", deve ela ser contida e acordada em termos de planeamento com as grandes produtoras Portucel e Altri. Sem esperarmos que iniciativa privada resolva as coisas por intervenção de uma mão invisivel benfazeja (na origem do mito a mão invisibvel era tudo menos benfazeja, veja-se Shakespeare)
CORRIJO: REFERIA-ME AO SENHOR MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA, E NÃO AO MINISTRO DA DEFESA, O QUAL NUNCA PODERÁ SER CLASSIFICADO COMO INGÉNUO
PS em 1 de setembro - segundo o DN de 31 de agosto, em 30 de agosto, 6 aviões Canadair, 3 franceses e 3 espanhois, lançaram em 26 missões 130 toneladas de água (5 toneladas ou m3 por lançamento) sobre o incendio na serra do Caramulo, que foi em seguida dado por extinto. Dado que cada lançamento corresponde a 5 toneladas ou m3, não pode utilizar-se este método sobre casas que se pretenda salvar e existe o risco para o pessoa apeado. Os aviões estacionaram na base de Monte Real sem problemas de interpretação da Constituiçao sobre se é preciso ou não declarar o estado de sítio para as forças armadas intervirem no território nacional. Chegaram entretanto dois Canadair da Croácia para outros incendios. Infelizmente tambem existe o risco de, a aprtir do momento em que os dias fiquem nublados e a humidade aumente, que se esqueça a necessidade de um novo e eficaz planeamento de estratégia e meios para o próximo ano, para alem da prevenção, naturalmente (atualização de cadastro, vigilancia, cortes de aceiros).
PS em 9 de setembro - são atualmente 8 os bombeiros mortos em consequencia dos incendios de agosto.
junto o endereço de um video explicando o trabalhao dos Canadair da força aérea espanhola ; os helicopteros portugueses, embora uteis, são insuficientes e mandar avançar bombeiros para incendios em encostas é, salvo melhor opinião, devido ao efeito ascensional das correntes de ar quente, tão criminoso como a estratégia dos generais mandarem avançar a infantaria exposta à artilharia inimiga.
http://player.vimeo.com/video/48642618
Referências neste blogue sobre incêndios: https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=inc%C3%AAndios
sábado, 1 de julho de 2017
Estimativa de custos para a limpeza de terrenos florestais
Junto um pequeno quadro Excel com alguns dados oficiais e algumas estimativas, parte das quais, relativas aos rendimentos da limpeza são baseadas na observação e na experiência própria (embora por razões pessoais a minha produtividade possa ser exageradamente baixa). Gosto sempre de debater números e argumentos, mas eventuais comentários deveriam considerar isso, que são baseadas na observação e experiência. Embora, como sou um adepto do "brainstorming", até concorde que alguns comentadores comentem assuntos que desconhecem na prática. Podem sempre surgir boas ideias.
Curioso observar a coincidencia da estimativa, com trator com grades dentadas, com os valores gastos pelas celuloses com prevenção e combate a incendios. Interessante verificar que, sem meios mecãnicos, a limpeza dos terrenos exigiria uma população capaz de a executar, numa estação, de cerca de 10% do total da população ativa, isto é, abaixo deste número há o risco da desertificação (ou despovoamento).
Quem estiver interessado, poderá experimentar outros valores de partida no quadro Excel editável em:
https://1drv.ms/x/s!Al9_rthOlbwehXOyZC7KJQjpD7Oq
O quadro não editável poderá ser visto em:
https://1drv.ms/x/s!Al9_rthOlbwehXIYaoD2-mgm4RXb
Mais informação sobre incêndios florestais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com.es/2017/06/os-incendios-florestais.html
http://fcsseratostenes.blogspot.com.es/2010/09/oratoria-da-floresta-simpatica.html
http://fcsseratostenes.blogspot.com.es/2011/06/o-fogo-inimigo-silencioso-e-invisivel.html
PS em 10 de julho de 2017 - é o que acontece quando um ignorante como eu se põe a escrever sobre estas coisas; graças a um amigo, registo a informação que o crescimento do mato, nas bermas das estradas, sob as linhas de transmissão, sob as árvores da floresta (sem prejuízo de apostar no sobreiro e na azinheira e no cultivo inteligente e produtivo do eucalipto, o que exige a associação em cooperativas para rentabilizar o eucalipto - em pequenas propriedades o rendimento não ultrapassa 4m3 por ha e não é rentável, nos terrenos das celuloses pode atingir 15m3 ) se controla com o glifosato:
http://sementesfiscalizadas.com.br/artigos/8/informacoes-tecnicas-sobre-o-herbicida-glifosato/
sexta-feira, 31 de maio de 2019
Falando de números, o 18650 e o 21700, e de dendrites
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Incendios no 1º semestre de 2011
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=incendios
Segundo o relatório da autoridade florestal nacional arderam 9447 hectares no primeiro semestre de 2011.
No mesmo período de 2010 tinham ardido 3504 hectares.
É verdade que este ano tem havido mais vento e que a propriedade dos terrenos ardidos está muito dispersa, sem coordenação de ações preventivas.
Tambem houve contenção nos meios aéreos (decisivos na extinção de fogos em certas condições).
É uma boa metáfora do momento que o país vive.
Arde, reduz a capacidade produtiva, regride.
Enquanto se ouve cada vez mais que há que cortar nos investimentos e muitos desculpam a sua inércia com o não haver dinheiro.
Como se costuma dizer, só os ricos podem poupar e enriquecer, porque têm dinheiro para investir. Aos pobres, sem investimento, resta-lhes ficar mais pobres.
Não é cortando na despesa que se sai da pobreza, nem continuando a politica de desertificação e desinvestimento no interior agricola e florestal.
Salvo melhor opinião, claro.
terça-feira, 21 de março de 2023
Os navios elétricos da Transtejo/Soflusa
De repente, o Tribunal de Contas desencadeou uma polémica com a queixa que fez seguir para o Ministério Público sobre a compra dos navios elétricos pela Transtejo/Soflusa.
A polémica é muito desigual, porque a opinião pública maioritariamente parece escandalizada e partilha os argumentos do TdC condenando a administração demitida, e muito poucos comentários têm aparecido dizendo que o TdC poderá ter bem fundamentado juridicamente o seu parecer, mas não tem competência técnica, entendida como de engenharia, para utilizar certos termos na comunicação que divulgou.
Também eu não poderei avaliar se o processo de aquisição dos 10 navios foi juridicamente bem conduzido, mas posso comentar algumas afirmações do TdC :
domingo, 19 de agosto de 2012
De mister Pickles a monsieur Valls, passando pelo senhor doutor Miguel Macedo
Que têm uma missão impossivel entre mãos: a de compatibilizar o sistema de gestão financeiro e económico com a qualidade de vida dos cidadãos (ou a tarefa impossivel é eles próprios, sem entrarem em dissidencia com os seus partidos, entenderem a correlação entre desemprego, insucesso escolar e livre funcionamento dos mercados por um lado e vandalismo por outro?)
Arderam bairros em Londres em 2011, ardem automóveis em Amiens em 2012, escorre sangue do telemóvel do ministro português em 2011 e em 2012.
Mister Pickles, Eric Pickles, é o ministro inglês.
Quis explicar, depois do exito do controle apertado sobre os jogos olimpicos, que os motins de 2011 tinham tido origem na vontade de jovens quererem usar vestuário e calçado de marca. Que tinha sido a ganancia , uma espécie de motim Gucci.
O meu comentário é que a ganancia dos vandalos foi crime, mas que a ganancia dos empresários e banqueiros não é considerada crime, mesmo que em consequencia das flutuações bolsistas e da cativação de terrenos para os bio-combustíveis o preço do trigo suba de forma a gerar fome, ou que a policia dispare sobre os mineiros em greve na mina de platina da África do Sul quando pedirma aumento do seu salário de 400 euros. Dito de outra forma, Mr Pickles concordará com a minha análise, que a ganancia dos banqueiros e empresários poderá gerar riqueza apesar da fome e dos disparos mortais, mas que a ganancia dos vandalos de Londres não (aliás, até aumenta a despesa pública com a canalização do dinheiro dos contribuintes para o reforço da policia).
Mr Pickles acrescentou uma segunda razão para os motins: a sensação de impunidade que levou ao rápido alastramento dos motins a outros bairros.
E contudo, Mr Pickles sabe melhor do que eu que o desemprego jovem, entre os 16 e os 24 anos, aumentou 16% , de 2011 para 2012, apesar do sucesso dos jogos olimpicos.
São 1.200.000 jovens desempregados.
Diria um deus grego que Mr Pickles e os seus pares brincam com o fogo, pelo menos até onde a força da policia anti-riot conseguir evitar que ele se propague.
Valls, Manuel Valls, é o ministro francês.
Depois da expulsão de ciganos e dos motins em Amiens, o senhor tenta explicar que o seu partido não é como o anterior que reprimiu discriminatoriamente.
Mas a tarefa é dificil, trata-se de conciliar o programa do partido socialista de defesa dos direitos humanos com a obediencia minima aos burocratas anti estado social que dominam a orientação ideológica da união europeia.
Finalmente, Macedo, Miguel Macedo é o ministro português.
Célebre pela sua frase "o meu telefone escorre sangue", que revela bom fundo, cansado de receber noticias de uma sociedade desestruturada, mas também ingenuidade de quem não tem conhecimentos para avaliar as justificações que lhe são dadas pelos dirigentes das entidades que tutela (resposta a um jornalista que lhe perguntara porque não tinham sido utilizados meios aéreos no combate ao incendio na Madeira: "dizem-me que não era possível utilizá-los").
Sinistralidade rodoviária, insuficiencia de resposta contra os incendios, violencia familiar com mortes quase diariamente, insegurança nas habitações de férias de estrangeiros no Algarve, criminalidade organizada... O senhor ministro terá alguem a estudar os dados destas questões e a tentar encontrar soluções no meio dos cortes? Ou caber-lhe-á também a tarefa de ocultar a importancia do insucesso e abandono escolar das ultimas gerações no panorama de violencia familiar e criminalidade? de esconder a incompatibilidade da teoria económica vigente, de deixar os mercados funcionarem livremente, com o bem estar social? Penso que não exagero, depois de ver uma reportagem da BBC (que evidentemente não passou cá) sobre a degradação das condições de vida da comunidade negra em Washington DC, capital do império dos mercados livres, onde a miséria sem apoios mas que não vota nas eleições para a presidencia, convive com o maior PIB do mundo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
As pevides desaparecidas do Parque-Cine demolido
O comentador de geoestratégia expendeu no seu artigo de jornal a exposição de Portugal às influencias dos USA e da China.
Pessoalmente tenho dificuldades com a geoestratégia, acho-a demasiado agressiva.
De modo que só voltei a pensar no artigo quando, no supermercado, peguei num pacotinho de pevides de abóbora. Na referência à origem, lá estava, China.
Recordei quando miúdo comprava pevides, essas portuguesas, à entrada do cinema Parque-Cine, que tinha umas colunas de ferro no meio da plateia, há tantos anos ja demolido e substituido por um edificio de aspeto desagradável, mas que deixará saudades em quem terá crescido com ele.
No pacotinho das amendoas, logo ao lado, a origem era, USA, possivlmente California, a dos incendios como os de Portugal.
Recordei os amendoais nas traseiras da casa que aluguei um ano no Algarve, onde agora estão imponentes blocos habitacionais.
E conclui pela pertinencia da sujeição à influencia dos USA e da China, que David Ricardo, o das vantagens comparativas, nos perdoe, será seguramente um efeito da economia de escala.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Os pinhões
Não parece ser dos frutos secos mais apreciados em pastelaria.
Mas eu gosto muito.
Na minha terra havia (não sei se ainda) várias empresas de descasque e embalagem.
Há dois anos podiam comprar-se, descascados, por 30 euros o quilo.
Este ano estão a 90 euros, que fi onde se encontraram a curvas da procura e da oferta.
Mesmo nas grandes superfícies importadoras.
Pode ser consequencia da processionária, dos incendios, do avanço da eucaliptização, da desestruturação dos solos agrícolas e silvicolas, do alheamento e da ignorancia dos decisores do respetivo minstério ou secretaria, não sei.
Mas é pena.
Os pinhões são muito bons.
sábado, 1 de março de 2014
Dedicado aos parlamentares europeus que votaram pelo modelo sueco da criminalização da prostituição
Citação de Reinaldo Ferreira, Reporter X, em "A virgem do Bristol Club":"...apenas pedi para darmos um passeio à volta do Campo Grande"
O tema principal já foi tratado neste blogue em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2011/09/blue-station.html
Vós sois hipócritas, vós, os parlamentares europeus que, invocando a dignidade humana das prostitutas e a necessidade incontestável de combater o tráfico humano, votastes pela criminalização do cliente, como na Suécia.
Decidistes isso sem ouvir as trabalhadoras do sexo, achastes que todas elas são exploradas quando recebem dinheiro.
Dissestes que a prostituição é um negócio e que os clientes, pagando, estimulam o mercado.
Hipócritas que sois, acaso ides arranjar emprego às trabalhadores do sexo que ficarem sem clientes?
Hipócritas como as puras senhoras defensoras da criminalização da interrupção voluntária da gravidez. Acaso elas vão partilhar os custos e as dificuldades de criar uma criança quando não se tem capacidade financeira e educacional para o fazer?
Hipócritas como os senhores governantes que decidem sobre assuntos de que não têm um minimo de conhecimentos técnicos, sem ouvir, ou sem sequer ter capacidade de avaliar quem deva ser ouvido, quer sejam métodos de combate a incendios, nunca combateram um fogo, ou a seleção de investimentos em transportes, não andam de comboio na hora de ponta.
Hipócritas como os governantes e os seus serventuários da comunicação social que fazem recomendações sobre a liberdade económica mas que nunca trabalharam numa empresa de produtos úteis à comunidade.
Como os clérigos que teorizam sobre o preservativo que não é assunto deles.
Como os governantes que proibem o consumo de droga mas mantêm leis que impedem os produtores de obterem rendimentos se cultivarem outros produtos.
Hipócritas. Se citei a "Virgem do Bristol Club" foi porque o clube, frequentado pela elite endinheirada lisboeta dos finais dos anos 20 e que dava emprego a quem não tivera a sorte de nascer em familia rica, foi fechado em 1928 por uma politica moralista do regime saido do golpe de 28 de maio.
PS em 1 de março - a penalização dos clientes está em vigor na Suécia, Noruega e Islandia e foi submetida ao senado em França. De notar que nos paises escandinavos a taxa de desemprego é baixa e existem programas de apoio social, situação diferente em muitos paises da união europeia. Provavelmente o moralismo protestante desempenhou a sua função, embora se saiba que na Suecia não se pode beber uma lata de cerveja na via pública, mas pode apanhar-se o ferry para a Dinamarca (ou atravessar a ponte de Malmoe/Oresund) e beber-s as cervejas que se puder durante todo o fim de semana, contanto que às 19 horas de domingo os suecos já estejam recolhidos em suas casas.
Ensina ainda a história que a proibição leva ao mercado paralelo. Eu ainda sou do tempo em que se anunciavam "french lessons" nas portas do Soho, para quem quisesse aprender francês, claro. Atualmente anunciam-se mais serviços de massagens, ou de spas para relaxamento com esfoliação e óleos quentes,mas estará nascente a publicitação de terapias comportamentais ou de psicoanálises em sofás freudianos, preços em conta, uma sessão de meia hora 40 euros e uma de uma hora 100 euros.
E se a moda pega, isto é, se se vai penalizar o cliente sempre que o prestador de serviços é explorado, se se argumenta que o cliente está a estimular o mercado em prejuizo do prestador, e se os bancos se queixam de que os seus clientes lhes estão a limitar as margens de lucro, então penalizem-se os clientes dos bancos.
Admirável mundo do liberalismo absoluto.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
O parque municipal de Montachique, o domingo e os passageiros.km
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| estacionamento no parque municipal de Montachique (câmara municipal de Loures) , estrada de Ribas, Fanhões, 38º 54' 2,32'' N 9º 10' 53,76'' W |
Esta fotografia representa, para um técnico de transportes, o mesmo que uma análise ao sangue ou de urina para um médico.
Olha-se para o valor da glucose e pensa-se, mais de 130 mg/dl? e o colesterol mais de 220 mg/dl? temos de fazer qualquer coisa.
O ter de fazer é uma consequencia da deontologia médica, que ficar de braçs cruzados era violar o juramento de Hipócrates.
Olha-se para esta fotografia e pensa-se, deviamos fazer qualquer coisa.
Devia haver um juramento de Hipócrates para os técnicos de transportes.
Os carrinhos estão estacionados num parque municipal dos arredores de Lisboa.
Indiciam algum conforto na vida porque os seus possuidores têm dinheiro para a gasolina (ou gasóleo) para deslocação desde o local da habitação.
À maneira de um problema de Fermi, direi que em média estão distantes de casa 10km.
Serão 200 carros que lá estão.
É domingo, os locais preparados para os churrascos estão cheios.
As pessoas alegres e contentes convivendo ao ar livre.
O parque municipal é aprazível, pese embora a evidencia de economias na manutenção dos equipamentos e da fraca operacionalidade do restaurante por falta de procura (os churrascos são self service).
Bonita a vista do cabeço de Montachique, o monte dos amantes como significa em árabe, restos de um pequeno vulcão da cintura de Lisboa, posto de observação da segunda linha das linhas defensivas de Torres do general Wellington, agora ornada com antenas de telemóveis e postos de vigilancia contra incendios.
Serão 3 pessoas por carro.
E portanto 12.000 passageiros.km, ida e volta.
Longe de mim querer que todos fossem de autocarro a gasóleo.
Mais remota ainda a hipótese de irem de autocarro a gás natural, ou híbrido de baterias, ou simplesmente elétrico.
Ou até de automotora em via férrea, ou elétrico, tramway, no meio dos campos (como aliás é vulgar na Alemanha).
Nós portugueses não gostamos de pensar nessas coisas e ir de carro é muito mais prático.
Até porque o ISP dá muito jeito para a receita fiscal.
Mas 12.000 pass.km é capaz de ser qualquer coisa como 2,3 MWh de energia primária fóssil (ou 0,2 toneladas equivalentes de petróleo) e 0,5 toneladas de CO2 emitido, contas feitas tambem à moda de um problema de Fermi, supondo uma taxa de ocupação de 60% (3 passageiros por automóvel).
Não virá grande mal ao mundo estarmos a gastar num domingo 0,2 tep para o justo descanso de quem trabalha. E 12.000 passageiros.km são 4 minutos de produção do metropolitano de Lisboa.
Mas é a questão das análises médicas.
É justo comer uma entremeada e fumar durante o piquenique; mas e se o médico tinha pedido para que não se comesse tantas gorduras nem se fumasse? até onde se pode reprimir? quando há alimentos com menos gordura e menos açúcar, e outras fontes de produção de dopamina que não a nicotina?
É justo continuar a importar-se combustíveis fósseis quando existe ainda potencial eólico e hidráulico para produzir energia elétrica suscetivel de ser canalizada para a alimentação de ferrovias (comboios e metros elétricos), para a carga de baterias de tração (autocarros elétricos) ou para a produção de hidrogénio (autocarros de pilha de combustível)?
Ora, ora, também não digo que vá tudo de autocarro (fretado, porque as carreiras estão a sofrer diminuição de procura) ou de metro (caro, instalar vias férreas), que aliás eram capazes de não evitar a deslocação de carro até à paragem de embarque.
Mas posso comparar, para os estimados leitores tirarem conclusões se dos 12.000 passageiros.km 40% fossem de carro e 60% de autocarro a gasóleo (vou tambem considerar uma taxa de ocupação, por ser domingo e viagem programada com grandes preocupações ambientais, de 60%), teriamos
12.000 x 0,4 x 190 = 912.000 Wh
12.000 x 0,6 x 94 = 676.800 Wh
______________________________________________
total de energia primária consumida = 1,5888 MWh
Isto é, uma economia de 2,3 - 1,6 = 0,7 MWh num domingo bem passado.
Para não falar em nas emissões de CO2 a menos 0,5 - 0,336= 0,164 tonCO2
Se conseguissemos pôr a circular autocarros elétricos, com origem em renováveis (que me perdoem os administradores das Endesas e das Fenosas) a economia seria maior (0,85 MWh e 0,2 tonCO2).
E se conseguissemos uma linha de tramway como se usa nos descampados dos países da Europa mais a norte do que a nossa península, teriamos uma economia de (0,95MWh e 0,22 tonCO2).
Mas como digo, longe de mim querer que as pessoas mudem assim, sem um plano calmamente progressivo de transição, num país em que os passageiros.km duma empresa de transporte coletivo diminuem quando a gasolina (e o gasóleo aumenta), coisa completamente difiernte do que se passa na California, em que os passageiros.km do BART de S.Francisco aumentam 10% quando a gasolina aumenta 10%.
Mas como disse, faço só estas contas à moda de Fermi como o médico que olha para a folhinha das análises e contabiliza o desperdício que se vai fazendo (no caso do médico o desperdício em dias de vida, no caso dos passageiros.km, em euros de despesa externa para importação de combustíveis fósseis).
Com a diferença de não haver o tal juramento de Hipócrates de que falei para os tecnicos de transportes. Os leitores mais curiosos podem ver o post de abril de 2012 sobre estes assuntos, neste blogue, com os valores específicos do consumo energético por modo de transporte, em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/04/comparacao-das-rodas-de-borracha-e-de.html
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Biomassa
Profissionalmente não pôde dedicar-se-lhe a fundo , mas acompanhou com alegria alguns progressos tecnológicos, e com tristeza as reações dos grupos interessados em ganhar dinheiro com a importação de combustiveis fósseis em detrimento das energias renováveis.
Mais tristeza ao presenciar a luta inglória ou então mal direcionada contra o abuso da construção da barragem do Tua (escrevi abuso, porque a meu ver seria razoável a construção da barragem uns quilómetros a montante, embora reduzindo a capacidade de armazenamento da albufeira e a ponta de produção) e a manifestação de graves dificuldades de interpretação dos factos técnicos na discussão de qualquer assunto que envolva a energia em Portugal.
A problemática da energia é, como já se disse neste blogue, dificilmente compativel com a livre concorrencia, por esta limitar gravemente a coordenação e integração das várias formas de produção, transporte e distribuição.
Por isso aplaudo as iniciativas da APREN, associação das energias renováveis, infelizmente apoucadas por muitos e pelo próprio governo, embora sem argumentação técnica sólida e despediçando tempo precioso.
Está a APREN neste momento enviando cartas abertas a senhores ministros, tentando explicar-lhes a importancia de produzir energia elétrica a partir de fontes renováveis.
Na impossibilidade de fazer chegar aos céus dos senhores ministros também a minha voz, limito-me a deixar aqui umas fotografias de biomassa desperdiçada.
Podia ser utilizada em redes de pequenas centrais de cogeração alimentadas por biomassa, podia contribuir para a limpeza dos matos contra os incendios, podia, podia...
É a cultura do desperdício que devia ser combatida.
Seguramente que nos consumos, mas o principal desperdício está em não produzir a energia possível com aquilo de que se dispõe: a água, o vento, o sol, a biomassa.
Custa muito a mobilizar a sociedade civil, é bem verdade, mas a APREN vai tentando.
É pena, diminuia-se o défice...
sábado, 17 de setembro de 2022
Sobre o aeroporto de Beja em setembro de 2022
Atualização a 13set2022 – aeroporto de Beja – diversas entidades e cidadãos têm manifestado empenho no aproveitamento do aeroporto de Beja, incluindo como apoio a excessos de afluência do aeroporto da Portela AHD. Destaque para moção da Assembleia municipal, e para as intervenções do presidente de câmara de Beja, de dois ex-autarcas (https://www.publico.pt/2022/07/29/opiniao/opiniao/aeroporto-beja-juntemse-porra-2014225 ), de deputados por Beja (https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/deputado-do-ps-escreve-a-tres-companhias-aereas-para-as-sensibilizar-a-utilizarem-o-aeroporto-de-beja ) e do presidente da CCDR (anúncio de que estão previstos 100 milhões de euros de financiamento comunitário para a ligação por comboio entre o aeroporto de Beja e Beja, ver https://odigital.sapo.pt/estao-cerca-de-100-milhoes-garantidos-para-que-o-comboio-chegue-ao-aeroporto-de-beja/ ).
Como já destacado por diversos intervenientes na discussão pública,
o aeroporto de Beja tem vida própria e hipóteses de desenvolvimento,
nomeadamente como aeroporto para jactos privados e charters de turismo
especificamente orientado para o Alentejo (ver interessante artigo comparativo
com aeroportos na Lapónia: https://www.transportesenegocios.pt/laponia-na-outra-extremidade-do-alentejo/ ), como aeródromo militar (ver a hipótese de
teste do novo KC-390 Embraer e sua possível utilização no combate a incêndios
como avião cisterna, não anfíbio, ver https://www.airway.com.br/embraer-testa-kc-390-com-sistema-de-combate-a-incendios/
), como base de reparações, manutenção e estacionamento de médio e longo prazo,
e como aeroporto de carga. A sua utilização como apoio ao AHD, e não como função
complementar, depende apenas, como também já referido por muitos intervenientes,
da coordenação para programação atempada de voos, entre Vinci/Ana, companhias “low
cost”, ANAC e dos transportadores terrestres, nomeadamente da IP/CP. A sua
capacidade atual para acolhimento de passageiros é de 300 passageiros/hora (cerca de 1 milhão de passageiros/ano).
A solução para a plena rentabilização do aeroporto de Beja poderá vir,
essencialmente, da iniciativa das entidades regionais e dos cidadãos enquanto
sociedade civil, no uso dos direitos consagrados na Constituição de
participação nos assuntos públicos e implementando verdadeiras ações de
descentralização e de coesão territorial, com especial responsabilidade da
CCDRR e entidades intermunicipais. Neste domínio é interessante analisar a
experiência de Inglaterra relatada em https://www.publico.pt/2022/09/10/politica/opiniao/descentralizacao-monstro-ingles-precisa-amigos-2019456
. E se as acessibilidades do aeroporto não são razoáveis, a principal razão
para uma boa ligação Beja -Lisboa não deverá ser o aeroporto mas sim a própria
região.
Como referido em https://sol.sapo.pt/artigo/775308/congestionamento-aereo-da-capital-a-hipotese-beja
, na atual situação a ligação do aeroporto de Beja a Lisboa poderá fazer-se em 2h30min
por comboio (25 minutos por autocarro do aeroporto a Beja e 2h05min de comboio
de Beja a Entrecampos com transbordo em Casa Branca por a ligação Beja-Casa
Branca não estar eletrificada) e 2h20min por autocarro (50min à portagem de Grândola
por 37 km de estrada até ao troço da A26 de ligação à A2,mais 1h30min para
Lisboa) , dependendo da disponibilidade de material circulante e tripulações, o
que poderá ser crítico.
Numa fase 1 de melhoria da ligação, a construção de um
troço de linha entre Beja e o aeroporto e entre o aeroporto e um ponto a norte
de Beja da linha existente (estimativa 50 milhões de euros; ) poderá reduzir o tempo
de percurso do aeroporto de Beja para Lisboa por comboio para 2h15min;
utilização de 160 km de linha existente (via única Beja-Poceirão + dupla
Poceirão-Entrecampos). Ver alternativas para a ligação aeroporto de Beja - Beja no fim do texto.
Numa fase 2 de melhoria, através da eletrificação da
ligação Beja-aeroporto-Casa Branca, permitindo comboios elétricos diretos para
Entrecampos (estimativa 150 milhões de euros), teremos um tempo de percurso por
comboio de 2h00min ; utilização de 160 km de linha existente (via única
Beja-Poceirão + dupla Poceirão-Entrecampos; possível saturação na ponte 25 de
abril)
Numa fase 3 de
melhoria , antecipando o cumprimento do regulamento 1315 das redes TEN_T transeuropeias
de alta velocidade (ligação Évora-Beja-Faro-Huelva prevista neste regulamento
para 2050 na rede “comprehensive”), construção de linha nova de AV entre Beja e
Casa Branca
(estimativa 400 milhões de euros),
reduzindo o tempo de percurso aeroporto de Beja-Lisboa para 1h40min ; utilização
de 110 km de linha existente (via única Casa Branca-Poceirão + dupla
Poceirão-Entrecampos; possível saturação na ponte 25 de abril)
A construção da terceira travessia do
Tejo integrada na linha AV Lisboa-Madrid (estimativa 3.000 milhões de euros a afetar
às linhas de AV Lisboa-Madrid, de serviço do novo aeroporto de Lisboa, suburbanas
de serviço da AML , e de mercadorias, tudo investimentos abrangidos pelo apoio
financeiro comunitário) permitiria, no pressuposto de execução das 4 fases
anteriores, reduzir o tempo de
percurso aeroporto de Beja-Lisboa para 50min ; todo o percurso em linha
nova AV .
Serviço por autocarros
Para o serviço por autocarro aeroporto de Beja-Lisboa,
para uma afluência de 300 passageiros por hora, teriam de ser 300/50=6
autocarros por hora ou tempo de ida e
volta/intervalo entre autocarros = 320 minutos/10 minutos = 32 autocarros no
total durante 10 horas.
Para a ligação a Faro por comboio terá de se reativar
a ligação por Funcheira, o que poderá ter problemas de disponibilidade de
material circulante. Uma hipótese seria a ligação em autocarro do aeroporto até
à estação de Grândola, e aqui ligação ao comboio para Faro (mais 2h20min,
total aeroporto-Faro 3h15min), ou 2h05 para Lisboa Entrecampos.
O prolongamento da autoestrada A26 para Beja, de 37 km
até ao aeroporto antes de Beja (100 milhões de euros?) reduziria para
2h05m e 29 autocarros para Lisboa, ou 2h15m para Faro, mas não deveremos
esquecer as respetivas emissões e o congestionamento rodoviário.
Conclusão
Em resumo, se a CP e as operadoras rodoviárias dispuserem de material circulante e da respetiva tripulação, poderão absorver-se excessos de afluência no AHD da ordem dos 10% (para o tráfego atual) através do aeroporto de Beja. Será então essencial as entidades da região de Beja pressionarem a CP, a IP e as rodoviárias, para além da ANA e da ANAC e as "low cost", com vista à obtenção das condições de exploração do aeroporto de Beja como apoio ao AHD. Mas reitera-se que a verdadeira razão para o aproveitamento do aeroporto de Beja deverá residir na própria região e na coesão do território nacional e não na complementaridade do aeroporto de Lisboa.
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| Percurso desde Lisboa: Lisboa -novo troço de 16 km em Torre do Pinto-aeroporto-Beja pelo sul com concordancia para Funcheira |
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| Lisboa-novo troço de 13,5 km em Torre do Pinto- aeroporto-Beja pelo norte |
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| Lisboa-Torre do Pinto- novo troço de 7 km com concordancia - aeroporto - inversão- concordancia-Beja |
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| Lisboa-Coitos - novo troço de 7,3 km com concordancia - aeroporto - inversão- concordancia-Beja |









