Recordo extratos dum comentário evidentemente silenciado que enviei ao sr diretor do Público a propósito de um seu editorial em junho de 2022:
Recordo extratos dum comentário evidentemente silenciado que enviei ao sr diretor do Público a propósito de um seu editorial em junho de 2022:
Caro Presidente
Supondo que nas 10 horas mais carregadas se pretende aterrar em Lisboa 15 aviões por hora que desembarquem 3000 passageiros por hora, admitamos que desviamos 10% do tráfego para o aeroporto de Beja, isto é, 300 passageiros por hora durante 10 horas.
Numa imaginada fase 0 correspondente à situação atual, a viagem por comboio de Beja a Lisboa-Entrecampos demora cerca de 2h05, com transbordo em Casa Branca porque a linha desta para Beja não está eletrificada, o que obriga os passageiros a mudar para o Intercidades Évora-Lisboa. Teríamos ainda de contar com 25 minutos para a viagem de autocarro entre o aeroporto de Beja e a estação de Beja (cerca de 10 km), o que dá para a viagem aeroporto de Beja- Lisboa Entrecampos 2h30.
Não é famoso, mas as companhias "low cost" saberiam compensar os seus passageiros com descontos atrativos e a ANA/Vinci saberia aplicar taxas também atrativas (considerar o potencial turístico do Alqueva e da zona envolvente).
Considerando composições para 300 passageiros, com 4 carruagens, teríamos 1 composição por hora durante as 10 horas referidas. Admitindo uma ida e volta em 6 horas (para este cálculo em vez dos dois comboios e do transbordo pode considerar-se um comboio único) e um intervalo entre partidas de 1 hora necessitaríamos de 6 composições funcionando 10 horas (nº de comboios=tempo de ida e volta/intervalo entre comboios). E aqui reside o principal problema da fase zero, não sabemos, nem parece provável, que a CP possa disponibilizar esse material circulante nem as respetivas tripulações.
Uma alternativa seria o autocarro, 45 minutos até às portagens de Grândola da A2 (37km de estrada até ao troço de autoestrada de 11 km de ligação à A2) mais 1h30m até Lisboa, ou 2h15m. A alternativa para Faro seria 45 minutos até à A2 mais 1h40m até Faro, ou 2h25m. Para o serviço aeroporto de Beja-Lisboa teriam de ser 300/50=6 autocarros por hora ou 36 autocarros no total durante 10 horas.
Outra hipótese seria a ligação em autocarro do aeroporto até à estação de Canal Caveira a reativar (mais 8 km até Canal Caveira relativamente à anterior, ou cerca de 55 minutos) e aqui ligação ao comboio para Faro (mais 2h20min, total aeroporto-Faro 3h15min), ou 2h05 para Lisboa Entrecampos.
O prolongamento da autoestrada para Beja, já executada até 11 km das portagens de Grândola da A2, faltando 37 km até ao aeroporto antes de Beja (100 milhões de euros?) reduziria para 2h05m e 33 autocarros para Lisboa, ou 2h15m para Faro, mas não deveremos esquecer as respetivas emissões e o congestionamento rodoviário.
Em resumo, se a CP e as operadoras rodoviárias dispuserem de material circulante e da respetiva tripulação, poderão absorver-se excessos de afluência no AHD da ordem dos 10% (para o tráfego atual) através do aeroporto de Beja. Será então essencial as entidades da região de Beja pressionarem a CP, a IP e as rodoviárias, para além da ANA e da ANAC e as "low cost", com vista à obtenção das condições de exploração do aeroporto de Beja como apoio ao AHD.
Se entretanto as obras do novo aeroporto ou do aeroporto complementar também se atrasarem, até porque terão de ser complementadas com as acessibilidades ferroviárias e rodoviárias, poderá pensar-se numa fase 1 de apoio pelo aeroporto de Beja: construção de um troço de 14 km de linha nova em via única entre um ponto a 1 km a norte da estação de Beja e o aeroporto de Beja e entre este e um ponto 8 km mais a norte da linha existente para Casa Branca: estimativa 60 milhões de euros, tempo de construção 1 ano, o que permitiria reduzir a ligação a Lisboa a 2h10m, assim se dispusesse do material circulante (alternativa: ramal de 6,5 km entre um ponto a 3 km a norte da estação de Beja e o aeroporto com inversão neste).
Mantendo-se a falta de novo aeroporto ou complementar, a fase 2 consistiria da construção de 60 km de linha nova em via dupla eletrificada de Beja-Aeroporto-Casa Branca: estimativa 500 milhões de euros, tempo de construção 2 anos e redução para 1h40m (a ligação atual de 110 km entre Casa Branca e Entrecampos, pela linha eletrificada de Évora, faz-se em 1h10m).
Mantendo-se a falta, a fase 3 consistiria na construção de 70 km de linha nova em via dupla eletrificada, com parâmetros de Alta Velocidade, de Casa Branca a Pinhal Novo: estimativa 600 milhões de euros, tempo de construção 2 anos e redução para 1h10m entre o aeroporto de Beja e Entrecampos, embora esse valor possa ser inviabilizado pela saturação da travessia pela ponte 25 de abril.
Se quisermos pensar numa fase 4 ela incluiria a construção da terceira travessia do Tejo que é requerida pela ligação ferroviária em alta velocidade Lisboa-Évora-Badajoz-Madrid, para passageiros e mercadorias, pela rede suburbana ferroviária da área metropolitana de Lisboa, e pela ligação ao novo aeroporto de substituição do AHD, eliminando-se os constrangimentos da saturação da ponte 25 de abril e possibilitando o trajeto aeroporto de Beja-Gare do Orienta em 1h00. Admitindo o recurso a túnel por secções pré-fabricadas imediatamente a norte da ponte Vasco da Gama (cerca de 20 km de túnel duplo a 150 milhões de euros por km mais 20 km de ligação à linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid a 15 milhões por km teríamos 3.300 milhões de euros a repartir pela linha Lisboa-Madrid de passageiros e mercadorias, pela rede suburbana da AML e pelo novo aeroporto).
Tudo isto são estimativas que serão contrariadas pelas dificuldades financeiras, apesar das verbas comunitárias do PRR e dos planos de apoio à descarbonização, e das dificuldades de planeamento e da falta de hábitos de análise dos problemas, de trabalho em equipa e de convergência de esforços.
Em conclusão, apoia-se a recente proposta de dois ex-autarcas da região https://www.publico.pt/2022/07/29/opiniao/opiniao/aeroporto-beja-juntemse-porra-2014225 propondo a convergência de esforços de entidades publicas, privadas e da sociedade civil da região no sentido do desenvolvimento da utilização do aeroporto de Beja, pressionando a ANA, a ANAC, as "low cost", com o necessário guarnecimento de pessoal e eventual ampliação da aerogare, a CP, a IP, as operadoras rodoviárias, incluindo imediatamente o projeto seguido de execução faseada das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, estas integradas no planeamento do regulamento CE 1315/2013 como peça central na reivindicação que se considera suprarregional.
Graças à sedução do "marketing" do metro e da sua tutela, foram as sucessivas direções das câmaras de Odivelas e Loures convencidas de que o metropolitano seria expandido até aos seus municípios.
Em 2021 foi assinado um protocolo entre o metro e as duas câmaras em que o primeiro se comprometia a desenvolver o projeto de uma linha de metro de superfície (LRT light rail transit) entre o Hospital Beatriz Angelo e a estação de metro de Odivelas e entre esta e o Infantado numa extensão de 5 + 8 km. Ver https://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/10/mais-um-protocolo-das-camaras-de-loures.html
e
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/11/mensagem-para-o-presidente-da-camara.html
Provavelmente para se defender da habitual acusação de secretismo, o metro terá promovido ( eu escrevo terá porque não assisti nem vi referências na imprensa) uma sessão de esclarecimento com alguns pormenores. Por razões que me dispenso de avaliar, não devo revelar a minha fonte de informação, sem no entanto não deixar de recordar os artigos da Constituição 165.z (competência exclusiva da AR para legislar sobre bases de ordenamento do território, o que exclui ad limine qualquer despacho de um ministro ou secretário de Estado determinando qual o traçado de um novo troço de metro, como tem sido praticado) e 65.5 (direito de qualquer cidadão de participar na elaboração de quaisquer instrumentos de planeamento físico do território).
Na sua argumentação, o metro achará que debater traçados com municípios cujos técnicos não têm naturalmente experiência de exploração de redes de metro será suficiente para cumprir as diretivas constitucionais. Não é, porque a eleição de representantes pelos cidadãos não lhes confere o dom da infalibilidade em assuntos técnicos, que aliás ninguém tem, mesmo técnicos com experiencia, daí a necessidade de debate sério, não manipulado, especialmente quando se invoca a desculpa dos prazos do PRR e do POSEUR para aceitar factos consumados, como se viu com a linha circular, com o prolongamento da linha vermelha e agora com o LIOS.
O famoso mapa de 2009 de expansão do metro da então senhora secretária de Estado dos Transportes que serviu de fundamento à linha circular previa a ampliação da linha amarela a partir de Odivelas para a Ramada e para Loures e Infantado através de uma bifurcação:
![]() |
| retirado em 2022-07-14 do site do metropolitano |
![]() |
| Distancias entre estações e cotas à superfície, entre a estação de metro de Odivelas e o Hospital Beatriz Angelo |
Comparativo de Montijo e CTA com pistas existentes suscetíveis de funcionamento como apoio em caso de excesso de afluência à Portela
|
|
Comprimento
da pista (km) |
Altitude
das extremidades (m) |
Distancia
por estrada ao km 0 de Lx/Moscavide (km) |
Estrada a
construir, incluída na dist. anterior (km) |
Obs. |
|
Montijo |
2,2 |
10 -1 |
24 |
7 |
Proposto
acrescento 0,3km à pista; dist.à
A12 7km; eventual 2ªpista apenas no rio |
|
CTA |
1,0 |
39-37 |
35 |
7 |
Pista
atual não utilizável; Proposta pista de 4km no mesmo local;
dist.do portão do CTA na EN118 (IC3) à A33 são 6km e ao km 0 de
Lx/Moscavide são 28km; dist.da pista atual a Canha 15km; dist.da pista atual
à localização proposta em 2009 7km |
|
Beja |
3,4 |
191-188 |
168 |
0 |
Dist.à
A2 48km ; dispõe de aerogare para 250 passageiros/hora |
|
Monte Real |
2,4 |
55-52 |
148 |
0 |
Dist.á
A17 6km |
|
Tancos |
2,2 |
79-74 |
120 |
1 |
Dist.à
A23 1km |
|
Sintra |
1,7 |
133-127 |
22 |
0 |
Dist.à
A16 3 km; dist.22 km contada até início do IC 19 junto nó
da Buraca; limitações do comprimento da pista e de possibilidades de
expansão |
|
Ota |
2,5 |
44-32 |
44 |
0 |
Dist.12 km
à A1/Carregado |
|
Tires |
1,6 |
104-89 |
18 |
0 |
Dispõe de
aerogare para 300 passageiros/hora; Dist.18
km contada até início do IC 19 junto nó da Buraca; limitações do
comprimento da pista e de possibilidades de expansão |
|
Alverca |
2,6 |
6-1 |
17 |
0 |
Pouca
compatibili- dade da pista atual com o tráfego conjunto com a Portela |
|
Santarém |
0 |
44-25 (supondo
pista de 3,5km) |
85 |
5 |
Supõe-se estrada
a construir de 5km até à área de serviço de Santarém da A1; supõe-se
distancia de 5km à linha do Norte (estação Mato Miranda); provável
dificuldade na disponibilização dos terrenos por serem de aptidão agrícola |
Revistas francesas deram conta do lançamento de cabos de transmissão elétrica ao largo das povoações de Courseulles e Bernieres no norte de França, perto do Havre.
https://www.pressreader.com/france/voile-magazine/20220616/282166474834677
PS em 4jul2022 - Curiosamente o Público, no seguimento da conferência dos oceanos, noticiou que o primeiro ministro anunciou o objetivo de 10 GW de potencia instalada em eólicas off shore até 2030, depois do secretário de Estado da Energia, na feira de Hannover, ter falado em 8 GW (potencia instalada atualmente em eólicas terrestres em Portugal, 5,6 GW):
https://www.publico.pt/2022/07/03/economia/noticia/ha-ambicao-potencial-eolica-offshore-2012260
Interessante também a informação no artigo da estimativa de custos, 2 milhões de euros por MW, e e da conveniencia da simplificação de procedimentos pela DGEN e pela APA. Referida a possível aplicação na produção de hidrogénio, mas também uma relutância ao considerar excesso de potencia instalada (o que se contraria com a exportação se necessário através de cabos submarinos).