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Entrevista sobre o PFN aos engos Eduardo Zuquete e Joanaz de Melo
https://jornaleconomico.pt/noticias/1013849-1013849
Por um lado, na entrevista, a experiência de
ferroviário com capacidade interpretativa da realidade do que se move ou do
que deveria mover-se.
Do outro o engenheiro do Ambiente que tem publicitado,
muitas vezes com pendor dogmático, posições imobilizadoras, algo contrárias ao que na alma mater nos ensinaram, que as leis da Natureza têm de se cumprir, mas que
o objetivo principal da profissão de engenharia é a de transformar matéria e
energia em coisas úteis e depois inventar o que for preciso para mitigar ou eliminar os efeitos
perversos.
Recuando na minha memória aos tempos do liceu, evoco o dilema que tínhamos na filosofia, acreditar mais na nossa perceção ou na realidade e na impossibilidade de uma resposta de confiança,´- porque sem certezas de como compreender a realidade - procurar regras para ao menos não ficarmos muito afastados da dita realidade.
Graças ao triunfo da comunicação, envolvemo-nos agora em disputas sobre o acessório, despachando o essencial para zonas com nevoeiro, quase sempre deixando-nos levar pela herança do cérebro dos primitivos estádios da evolução, com a tendencia de criação de polos atrativos e de neles nos conglomerarmos em grupos que compensem as nossas inseguranças e ignorâncias, com o objetivo de ter a supremacia sobre o outro grupo.
Assim discutimos o PFN. Também eu enviei a minha participação no período da consulta pública, sem qualquer esperança de que os decisores atendam às minhas observações, em defesa do transporte nas áreas metropolitanas, e ainda em linhas novas numa nova rede integrada na rede única europeia, de acordo com as regras ensinadas também na alma mater de respeito pela normalização, neste caso consubstanciada no regulamento 1315 revisto (dispensando, por amor à normalização, as isenções).
Quando vejo na entrevista as preocupações em adaptar os objetivos aos meios disponíveis, imagino que primeiro podíamos definir os meios necessários, como quando analisamos uma proposta, primeiro olhamos para as questões técnicas e depois de escolhermos as melhores, passamos às questões económicas.
Por um lado é uma heresia o que digo, ansiar por gastos sumptuários, quando até os nossos colegas alemães andam muito tristes, porque fizeram umas contas e acharam que repor os 34.000 km de linha férrea degradada em boas condições lhes custaria à volta de 90.000 milhões de euros.
Mas por outro lado, olho para a estatística dos gastos pelos portugueses no jogo on line (11.000 milhões de euros em 2022) e vejo um valor próximo do orçamentado para a nova linha de AV Lisboa-Porto (Porto-Soure incluindo a ponte do Douro 3.000 M? Soure-Carregado 2.000 M? Carregado-Lisboa 2.000 M incluindo tuneis e viadutos pela margem direita ou 3.000 M pela margem esquerda incluindo ponte do Tejo em Lisboa? porque não estão a ser estudados os traçados para estimativas fiáveis?) . Ou quando me chega do outro lado do Atlântico a conjetura de Marvão Pereira, se dedicarmos 1% do PIB por ano a infraestruturas em 10 anos teríamos a rede TEN-T do regulamento 1315 executada em Portugal e amortizada em 30 anos.
E lembro-me de que o governo sueco pura e simplesmente desistiu do projeto da rede única em AV em "Y" Estocolmo-Goteborg-Malmoe-Copenhague, cerca de 800 km ou 24.000 milhões de euros, com o argumento, como que tirado do PFN, que será mais vantajoso modernizar (palavra apreciada por quem assim pensa) as linhas existentes do que construir linhas novas de raíz.
Não é essa a experiência que temos com a nossa linha do Norte, há anos em sucessivas "modernizações", por isso vejo com preocupação a defesa dessa opção para o caso português, para não citar o velho argumento, as caraterísticas das linhas existentes, em termos de gradientes e curvas, por exemplo, são para velocidades dos séculos XIX e XX e corrigi-las custam quase tanto com a linha nova (mas conviria fazer as contas minimamente credíveis).
De nada serve termos material circulante para 220 km/h com aptidão para negociar curvas de raio convencional, quando tem de se imiscuir no tráfego urbano (perdoe-se-me a blasfémia, os fans de Karlsruhe não me perdoarão, mas tráfegos interurbano e urbano são incompatíveis no mesmo período de exploração), quando mesmo ao lado das vias está o caminho pedonal frequentemente usado porque livre das ervas infestantes que o ladeiam com o risco de sucção à passagem do pendular, quando vão sucessivamente morrendo nas passagens de nível por falta de visibilidade ou demora na travessia (se uma lenta travessia durar 15 segundos, se o pendular estiver a 700 m quando for iniciada a travessia haverá colisão ou atropelamento ), quando no troço Alfarelos-Coimbra as travessias de peões são sucessivas, quando se morre nas estações de Ovar-Gaia porque o comboio urbano tapou a visão do pendular e não havia passagem superior (sim, o troço está em obras com os protestos que não sei se são válidos , se são do tipo "nanomequ" - não no meu quintal), quando se tem a encosta de Santarém para resolver.
Não só a Suécia; também da Finlândia chega a asserção, exposta na sua participação na revisão do regulamento1315 de uma forma supremacista (curioso sabermos como a Finlândia participou e ignorarmos como Portugal participou, aliás a resposta oficial a um pedido de informação foi muito clara, que não era altura para dar essa informação), de que estão muito bem com a bitola russa que têm e querem uma isenção de dispensa do cumprimento do regulamento e desistem das ligações em "Y" de Helsínquia a Turku, a Tampere e a Lahti, coisa para 500 km, poupam 15.000 milhões (menos o que vão ter de gastar na "modernização da rede de bitola russa existente que serve aquele "Y").
Digo supremacista porque se consideram acima da ingénua pretensão do regulamento 1315 de querer uma rede única interoperável em que um comboio de mercadorias puxado por uma locomotiva (evitemos a mania norte americana de tração por várias locomotivas) possa partir do terminal de Sines, de Setúbal, de Lisboa, de Aveiro, de Leixões, e vá por aí fora sem roturas ou "breaks", com engates automáticos (DAC) e monitorização dos travões e rodados dos vagões, até Rovaniemi, a terra do pai Natal (não digo todos os vagões do comboio de 750 m, mas alguns, mesmo para poderem trazer na volta as encomendas do dito pai Natal).
Claro que os finlandeses, na melhor tradição do senhor Oli Rhen, vão querer continuar a exportar por via marítima, que não há procura para gastar o dinheiro no túnel de 80 km de Helsínquia para Talin onde "pegaria" no Rail Baltica, o projeto de bitola UIC nos países de bitola russa. E muito menos para mudar a bitola.
Por cá está-se a trabalhar no concreto para a implementação da rede interoperável doTEN-T do regulamento 1315? Não, não está, estamos no Deus dará e chacun pour soi (a Medway já compra locomotivas de bitola UIC para o lado de lá da plataforma de Vitoria e locomotivas de bitola ibérica para o lado de cá, já não se sonha com os eixos telescópicos nos vagões apesar de eles já andarem por aí). E melhor não estamos quanto ao transporte de semirreboques por comboio, as autopistas ferroviarias dos nossos colegas espanhois, já avançados no domínio do gabari P400, desde o túnel de Pajares ao corredor mediterrânico, objetivo, pelo túnel de El Pertus, Barking no UK, Bettemburgo no Luxemburgo, Roterdão, Mannheim e por aí fora, assim a superior clarividência do governo Macron cumpra o regulamento europeu e os acordos com Raquel Sanchez e execute até 2030 a nova ligação Dax-Hendaye atribuindo 2ª e não 1ª prioridade à rede da Aquitânia (toda e qualquer semelhança com a 1ª prioridade à ligação Porto-Vigo é pura coincidência).
Por cá, talvez se conseguisse sair do impasse seguindo o exemplo de Espanha, temos a ADIF convencional e temos a ADIF ALTA VELOCIDADE. Por cá teríamos a rede existente de bitola ibérica e a nova rede de bitola UIC, sendo que a bitola não é o único componente interoperável a dar dores de cabeça. O ERTMS é o outro, a resolver se queremos tráfego com Espanha. Precisamos de esclarecimentos sobre o projeto STM (o módulo que lê a baliza CONVEL e informa o equipamento ETCS de bordo, mas valerá a pena conservar o CONVEL já sem componentes de reserva?
Tenho de discordar da entrevista sobre a linha Aveiro-(Almeida?)-Salamanca. As dificuldades encontradas na "modernização" da linha da Beira Alta, a desistência de retificação de gradientes, os atrasos que se vão somando (não só na Beira Alta, na linha do Oeste, especialmente entre Meleças e Caldas, sem esquecer a grave falta da ligação Malveira-Sacavém, não por Odivelas como também se tem publicitado, porque já lá temos o metro) , juntam-se às deficiências de base da contratação pública para demonstrar a nossa crónica falha de planeamento e de controle da execução.
Porque insisto na linha Aveiro-Salamanca? Porque não posso concordar que não seja prioritária a ligação à Europa sem "gauge break"? Porque em 2022 exportámos e importámos por modos terrestres (quota da ferrovia < 2% !) para e de Espanha 27 milhões de toneladas no valor de 44 mil milhões de euros, ms para o resto da Europa 12 Mton e 57 M€ . Para transferirmos cargas rodoviárias para a ferrovia era essencial, até 2030, cumprirmos o regulamento 1315, nomeadamente com o referido transporte de semirreboques por comboio. Voltemos às aulas de Física do liceu, a resistência ao movimento de um comboio num percurso e velocidade tipo para transporte de 1400 toneladas de carga útil é da ordem de 70 kN, enquanto a resistência de 40 camiões transportando a mesma carga em percurso equivalente é da ordem de 300 kN (quer sejam de tração fóssil, quer sejam de tração elétrica), obtendo-se a energia consumida entrando na equação do movimento com o produto da força resistente pelo comprimento percorrido.
Dir-se-ia que o transporte de mercadorias (e de passageiros) não deveria ser avaliado em dolares ou euros por tonelada-km, mas sim em energia primária consumida por tonelada-km (ou passageiro-km). Mas não é assim, o FMI e o BCE não ligam a essas minudências que querem passar por cima do sacrossanto princípio do mercado, apesar dos avisos de Cassandra de que estamos a esgotar os recursos (ora, junte-se o urânio empobrecido às fotovoltaicas/eólicas e seremos felizes ad eternam). Talvez por isso, por não se dar ouvidos a Cassandra, ninguém está a trabalhar no sentido que proponho e é olímpica a indiferença do governo pelo regulmento 1315. É referido no PFN, mas não se vislumbra intenção de o cumprir. Tampouco me parece interessada a Ordem dos Engenheiros em debater públicamente a questão.
Bem prega, melhor do que eu, o ECA (European Court of Auditors, ou Tribunal de Contas Europeu), apesar das sempre bonitas palavras da comissária dos transportes sobre a ecologia dos transportes, o desprezo que os governantes europeus têm pelo seu caminho de ferro: https://www.eca.europa.eu/en/Pages/DocItem.aspx?did=63659 https://www.investigate-europe.eu/en/2021/despite-public-support-for-rail-trains-remain-underfunded-in-europe/
O mesmo raciocínio energético me leva a defender uma linha de alta velocidade Lisboa-Porto com os padrões da interoperabilidade do regulamento 1315 de que aliás faz parte, e em sintonia com a diretiva da União Europeia de interditar os voos de menos de 500 km. É ainda a questão, por mais hidrogénio que seja o combustível ou por mais e-fuel, sintético ou bio que ele seja o rendimento energético da catenária é superior ao do hidrogénio ou do e-fuel produzidos.
Mas devo cumprimentar os dois entrevistados por chamarem a atenção para a falta de uma calendarização e de um roteiro ("road map" gostam os comentadores de dizer) para os transportes nas áreas metropolitanas (que evidentemente inclui o Algarve) e a correta análise do que é uma linha circular (eu preferiria já a terceira travessia do Tejo com a valência suburbana incorporada). Bom seria a divulgação das análises que vêm fazendo com a Universidade e o metro.
Foi longo o comentário, apesar de muito ter ficado por tratar. Efetivamente a questão é extensa e complexa, exigindo ser abordada por equipa, não por indivíduo, E mais exige, quanto a mim, amplo debate público sem os vícios do mediático e sem a orientação forçada pelo governo e pela IP. O que a experiência mostra ser muito difícil.
Com apreço pela entrevista.
Os gestores e os operadores ferroviários devem manter um nível de segurança elevado, mas demasiadas vezes tomam medidas ou omitem medias que contribuem para uma sinistralidade inadmissível ou hipocritamente descartam para outros as culpas.
Eventualmente pela preocupação de reduzir despesas e aumentar receitas, tivemos o exemplo do descarrilamento em East Palestine em 3fev2023 e depois o acidente na Grécia em 28fev2023,
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=east+palestine
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/03/colisao-de-comboios-em-larissatempi.html
Vieram juntar-se à lista mais um descarrilamento em Minesota, e outro em Montana, com prejuízos apenas materiais e ambientais, nos USA, suscitando dúvidas sobre se os padrões mínimos de conicidade das rodas são cumpridos e sobre o comprimento excessivo dos comboios de mercadorias, muito superior a 750 m. Tudo indica que tem subsistido a correlação aumento da sinistralidade-aumento dos lucros, sendo as receitas suficientes, graças aos cortes nos recursos e na manutenção, para cobrir os prejuízos dos acidentes.
https://www.wsws.org/en/articles/2023/03/28/rail-m28.html
Infelizmente, com uma vítima mortal e feridos graves, ocorreu em 4abr2023, cerca das 3 da madrugada, o descarrilamento de um intercidades na Holanda. Aparentemente, um comboio de mercadorias percutiu uma grua móvel que aguardava para a manutenção noturna junto da estação de Voorschoten (entre Leyden e Haia) , no espaço equivalente ao cais central mas ocupando o gabari do comboio. A grua por sua vez terá batido na extremidade do cais e embatido na lateral da primeira carruagem do comboio de passageiros que circulava em sentido contrário e descarrilou.
Aguarda-se a investigação do Dutch Safety Board holandês, mas aparentemente terá havido uma descoordenação sobre o local e a hora de entrada ao serviço da grua de manutenção. Será que o respetivo empreiteiro tem experiência e conhece a ferrovia? É muito bonito reservar à iniciativa privada e à concorrência, como recomenda a União Europeia, oportunidades de trabalho na ferrovia, mas os operadores e os gestores de infraestruturas têm de garantir acima de tudo a segurança e os governos têm de aceitar as despesas com a manutenção segura. Em princípio, este será um argumento que justifica os gestores de infraestruturas terem os seus meios próprios, ou pelo menos ter recursos humanos e materiais que lhes permitam conduzir de muito perto, ao pormenor, os trabalhos. Assim os controladores da economia e das finanças mobilizem os respetivos meios necessários.
https://en.wikipedia.org/wiki/2023_Voorschoten_train_crash
PS em 7abr2023 - segundo informação em https://netherlands.postsen.com/news/162762/Voorschoten-train-accident-probably-caused-by-crane-being-on-track-too-early--Interior.html
o empreiteiro da grua móvel terá pedido às 3:23 à sala de controle central a interrupção do tráfego para a grua atravessar as duas linhas em operação a caminho das duas linhas em manutenção; a colisão com o mercadorias ficou registada às 3:25 e com comboio de passageiros cerca de 1 a 5 minutos depois (informação posterior pela wikipedia: registo da perda de tensão na catenária às 3:29); indícios de precipitação do empreiteiro cujo operador atravessou a primeira linha, do comboio de passageiros, sem autorização e deixou a grua móvel estacionada parcialmente no gabari do mercadorias
PS em 6abr2023 - Até quando? uma linha ferroviária deve estar segregada do tráfego pedonal e rodoviário:
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| aproximação da passagem de Santana/Cartaxo com pouca visibilidade |
PS em 10abr2023 - Repete-se a pergunta, até quando? mais um acidente na passagem de nível de S.Pedro da Torre, próximo de Valencia. Num dos sentidos, não há visibilidade para a linha de comboio. O GPIAFF deveria investigar, esclarecendo qual o tempo de atuação das barreiras e o tempo autorizado para a travessia antes do fecho das barreiras relativamente à posição do comboio
Ver sobre esta passagem de nível, onde em 20jan2023 também ocorreu um acidente:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/02/acidentes-na-passagem-de-nivel-de.html
Inadmissível, não pode haver passagens de nível, tem de se gastar dinheiro em passagens desniveladas. O GPIAFF devia fazer os seus inquéritos.
PS em 11abr2023 - esta reportagem do CMTV permite situar o acidente na passagem de nível situada a 430 m a nordeste da passagem de nível atrás referida. Mantêm-se válidas as observações sobre a natureza intolerável dos riscos de colisão
https://www.cm-tv.pt/atualidade/detalhe/20230409-1616-carro-abalroado-por-comboio-em-valenca
![]() imagem anterior à colocação de barreiras, mas evidenciando a falta de visibilidade; o comboio veio da esquerda |
PS em 12abr2023 - Continua a tragédia, até quando? até quando a comunicação social e o GPIAFF ignorarão a importância de divulgar as causas e as circunstâncias e as recomendações para evitar os acidentes? hoje foi um idoso de 90 anos atropelado em S.Mamede de Infesta numa passagem de peões atravessando a via única de Leixões:
Neste início de Primavera o metropolitano de Lisboa divulga no seu sítio da internet as suas ações de expansão:
https://projetos.metrolisboa.pt/
- prossegue a obra da linha circular, estando já concluido o túnel entre o término de Rato e a estação Santos, faltando a ligação a Cais do Sodré; ignora-se se durante a obra foram atingidos os limites previstos de deformações do edificado,
- prossegue a obra dos viadutos de Campo Grande, faltando ligar os tabuleiros novos aos viadutos existentes e estando em instalação a estrutura de suporte da cobertura acústica junto da torre vicentina; de maio a julho interromper-se-á a exploração entre Quinta das Conchas e Cidade Universitária para a ligação dos novos viadutos cessando a ligação de Odivelas ao Rato; objetivo de colocação em serviço da linha circular em 2024
- inicia-se a instalação do CBTC (communications based train control) na linha azul (abril de 2023); será extensível a toda a rede e toda a frota, incluindo 27 milhões para um adicional para o prolongamento da linha vermelha e resto da frota
- aguarda-se o fornecimento da primeira unidade do novo material circulante (abril de 2024)
- aguarda-se a adjudicação do concurso para o fornecimento das especialidades complementares (acabamentos) da linha circular (objetivo colocação em serviço 2025)
- aguarda-se a adjudicação do concurso dos toscos do prolongamento da linha vermelha a Alcantara
Terra (objetivo: adjudicação 3ºtrimestre de 2023 + 6 meses para projeto de execução e RECAPE + colocação em serviço 2026 por causa do PRR, mas não parece possível)
- aguarda-se o lançamento do concurso para a chamada linha violeta, o percurso em U do Hospital
Beatriz Ângelo ao Infantado, passando por Odivelas, depois da consulta pública do EIA de janeiro a fevereiro de 2023
- divulgado um novo mapa de expansão com o prolongamento da linha amarela de Telheiras a Benfica
A equipa de marketing do metro terá feito um bom trabalho na apresentação de todas estas ações, assim como o seu presidente na sua intervenção na comissão de Economia do Parlamento.
Mas infelizmente é discutível o mérito e especialmente a qualidade técnica das soluções escolhidas (não me refiro à técnica da construção dos túneis - embora haja vantagens do TBM -, dos viadutos e das estações, mas sim à conceção) com exceção do CBTC e do novo material circulante, de inquestionável qualidade em ambos os casos.
A situação é notavelmente grave quanto aos traçados da expansão da rede, uma sucessiva acumulação de erros em que cada passo desintegrado dum equilibrado plano de expansão (o plano de expansão de 2009 contem erros graves e foi imposto à revelia do PROTAML e dos PDM anteriores a 2016 inclusivé, através dum simples despacho da secretária de Estado dos Transportes de 2009 represtinado pelo ministério do Ambiente em 2016 e dado seguimento escrupuloso pelos missi dominici do metro sem obediencia aos princípios de aprovação de investimentos de transportes públicos, ainda antes da nomeação do atual presidente).
Isto acontece num contexto em que os titulares da direção superior e da direção executiva de empreendimentos do metropolitano não dispõem de formação e experiência profissionais que lhes permitam conhecer em profundidade os problemas da conceção de uma rede de metropolitano, sua operação e manutenção.
Dir-se-ia que uma forma simples de contornar essa falta de currículo poderia ser um contacto franco com os técnicos reformados do metropolitano, mas a direção superior chegou a proibir a visita por esses técnicos aos gabinetes dos colegas no ativo. É o contrário da prática científica e académica, o referendo entre pares. Não admira que, apesar dos encómios da secção de marketing, depois da administração do metro e do ministério do Ambiente rejeitarem com laivos de detenção da infalibilidade e do síndroma de Hubris as críticas, a valia dos projetos atuais deixe tanto a desejar (mais uma vez exceção do novo material circulante e do CBTC).
3 - eventual impacto em projetos imobiliários - estranha-se a referência, considerando que o habitual é o prolongamento do metro valorizar os empreendimentos imobiliários, tanto assim que em casos como o do metro de Hong Kong, as respetivas mais valias financiam o prolongamento
4 - LIOS - por maioria de razão também se considera irrelevante, para a rejeição de Alcântara Mar, a invocação do traçado do LIOS quando no próprio EIA se reconhece que a melhor solução seria o prolongamento da linha vermelha a Algés transferindo a correspondência do metro com a linha de Cascais de Alcântara Mar para Algés (e impondo, como o próprio EIA também diz, meios mecânicos protegidos entre as estações Alvito, Alcântara Terra e Alcântara Mar. Convém recordar que se o LIOS tiver um percurso à superfície, as interferências com o tráfego pedonal, velocipédico e automóvel e as caraterísticas do percurso determinarão um elevado tempo de deslocação entre Algés e Alcântara Terra.
6 - agravamento de preços - como já referido, estranha-se que só agora se reconheça que o orçamento tinha sido muito por baixo, como aliás é vulgar, porque vieram as revisões de preços influenciadas pela rotura das cadeias de abastecimento, pela pandemia, pela guerra, pela inflação, e, o que poderia ter sido evitado, por implicações com o traçado do LIOS, com novos traçados no bairro da quinta do Jacinto (Alvito), uma nova rotunda, até imprevisto (?) reforço da muralhas do Livramento. Mas como disse o deputado Filipe Melo, não se encontra fundamento para os 25% da revisão de preços consultando a evolução dos preços de materias primas e de mão de obra (naturalmente porque terá havido suborçamentação)
7 - três empreiteiros falidos - muito curiosa a referência do senhor presidente aos 3 empreiteiros falidos que tiveram de abandonar a obra quando iniciou funções no metro: remodelação para acessibilidades e ventilação das estações Colégio Militar, Areeiro e Arroios. Não se criticam as soluções encontradas até porque resultaram, mas convém determo-nos um pouco nas causas do abandono da obra pelo empreiteiro. No primeiro caso, ainda estava ao serviço quem escreve estas linhas, em vão propus à administração da altura alterações ao caderno de encargos para que não se adjudicasse a proposta mais barata; no segundo caso em vão propus a ligação pedonal coberta à estação da CP ; no terceiro caso em vão propus que não se interviesse no lado norte da estação para que a obra ficasse mais económica. Pena não se aprender com os erros. A propósito da referência ao processo construtivo de transferência de cargas na obra de remodelação de Arroios, como aliás já foi sendo feito ao longo da história do metro noutras estações, sugeria que fosse sistematicamente fornecida informação rigorosa aos interessados através do sítio da internet do metropolitano.
8 - o prolongamento da linha vermelha trará mais 12 milhões de passageiros por ano - curiosa a conclusão. Quando se publicitou a linha circular através do EIA foi anunciado um acréscimo de passageiros de 9 milhões por ano. Sabendo-se que o aumento de passageiros entre 2018 e 2019, sem acréscimo da rede, foi de 14 milhões , ficamos com uma ideia da mais valia da linha circular.
9 - o interface de Alcântara - como já referido, descrê-se, em concordância com o deputado Bruno Dias, da funcionalidade do interface previsto, nomeadamente na ligação às estações da CP Alcântara Terra, Alcântara Mar e Alvito, e aos autocarros. Como o senhor presidente do metro acabou por reconhecer, a diferença de cotas sugere o recurso à solução teleférico, que não é inovadora, existe em muitos locais por esse mundo fora, e repete-se que foi demolido há cerca de 10 anos um viaduto pedonal com tapetes rolantes numa ação de claro atentado à mobilidade urbana por submissão a critérios particulares de empresa.
10 - a casa de Goa e os moradores do quarteirão da futura estação Estrela - registo com apreço os bons resultados nas expropriações temporárias junto da estação Santos, confirmando o historial do metropolitano (se excetuarmos a perturbação visual aos moradores da torre vicentina de Campo Grande). Igualmente registo a tranquilidade do senhor presidente do metro relativamente ao sucesso de futuras negociações com a proprietária do imóvel, a CML. e à participação do metro numa boa solução para a casa de Goa. Por isso deixo também essa espetativa para o encontro de uma boa solução para os moradores do quarteirão da futura estação Estrela em sintonia com a sua junta de freguesia (a atual não é uma boa solução pelas perturbações temporárias e definitivas dos moradores, sendo possivelmente uma boa solução a deslocação da estação, apesar dos inconvenientes, para o exterior do perímetro dos prédios).
CONCLUSÕES
A rígida insistência com que a direção superior do metro recusa as críticas e repete que as suas soluções são as melhores, que foram realizados "estudos", que não mostra, que o comprovam, e que o diálogo sobre as alternativas de traçado é sempre intenso com as juntas de freguesia antes da apresentação dos EIA justificando assim a sua inamovibilidade, mostra que é inútil a discussão, por mais fundamento técnico que tenham os argumentos utilizados e até mesmo que exista uma lei que determine a suspensão do processo construtivo.
Isso acontece porque o ministério da tutela (já de si uma distorção porque uma rede de metro é uma infraestrutura) e o governo lhe dão a força que os imperadores medievais davam aos seus missi dominici, e porque os eficientes conselheiros de imagem e "marketing" transpõem para a atualidade a justificação para o exercício do poder, da delegação divina no rei de Bossuet, para a delegação pelo processo eleitoral nos eleitos, com ou sem distorções na proporcionalidade dos escolhidos.
Sistematicamente são ignorados ou enviesadamente mimetizados os procedimentos participativos dos planos PROTAM e SUMP na definição das redes e dos traçados. O que for construido será útil e os passageiros beneficiarão com os novos troços do metro, mas as soluções poderiam ser melhores.
No entanto, enquanto existir o direito de liberdade de expressão, ele será exercido.
Infomação relacionada:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2018/01/ultima-tentativa-ultima-chamada-da.html
Recordo os debates públicos na televisão logo a seguir ao 25 de abril. Conseguiram-se durante um tempo progressos com o programa SAAL e a intervenção das autarquias :
https://www.abrilabril.pt/processo-saal
Passados uns anos, não houve sucesso no planeamento e na execução e chegamos a este estado da habitação em Portugal que motiva manifestações como a de 1 de abril de 2023, numa cidade, Lisboa, em sucessiva desertificação habitacional e de serviços no seu centro (com edificios de bancos a transformarem-se em hoteis e os habitantes a abandonar as suas casas em ruas pejadas de esplanadas barulhentas pela noite fora) .
Na sequencia da manifestação o senhor ministro afirmou que ofender um polícia é ofender o Estado e ofender todos nós. É uma afirmação de grande profundidade (ironizo, claro) que espelha a dificuldade do País em geral e do governo em particular, de coletivamente, como sociedade que deveria ser organizada, analisar, estudar soluções e planear a sua execução.
Comento, numa tentativa de usar a perspetiva do senhor ministro e da polícia, imagens de duas raparigas "ofendendo" um guarda e portanto o Estado e todos nós, e que segundo o comunicado da PSP teriam danificado montras, e a resposta "heroica" do defensor da ordem, protegido a uma distancia de alguns passos pelos seus colegas, e vá lá, evitando usar o bastão. Não se conseguem ver no video civis a carregar sobre o grupo de policias nem a atirar pedras, mas podemos imaginá-lo, e como a imaginação pode ter muita força, podemos acreditar no comunicado da policia.
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| a rapariga de braços nus e de mãos ao alto já está a ofender o guarda |
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| o guarda dá um primeiro empurrão, com a mão esquerda, aplicado ao braço direito da rapariga dos braços nus, possivelmente porque preferiria ser ofendido pela rapariga de casaco de malha preto |
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| a rapariga de braços nus, empurrada, recua enquanto a rapariga de casaco de malha preto se move, possivelmente para continuar a ofender |
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| mas a rapariga de braços nus insiste em aproximar-se, quer ser ela a ofender o guarda |
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| a rapariga de braços nus continua o recuo por força do empurrão enquanto este flete a perna direita para ganhar apoio e estende o seu poderoso braço esquerdo para a rapariga de casaco de malha preto |
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| a rapariga de braços nus recupera o equilíbrio e insiste em aproximar-se do primeiro guarda, que agarra a rapariga de casaco de malha preto enquanto o guarda autómato contempla a cena |
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| confirma-se a inferioridade numérica da polícia e a perigosidade dos manifestantes armados com pedras invisíveis e por isso mesmo ainda mais perigosas Mais informação no video do MSN : |
O navio Mondego e a missão
abortada às ilhas Selvagens
Há muitos anos, ainda não havia GPS, nem radiotelefones, nem
relógios eletrónicos, nem sequer sextantes rigorosos, apenas astrolábios e tabelas
astronómicas pouco fiáveis, o método preferido pela marinha britânica, então em
pleno desenvolvimento da sua expansão imperialista, para a localização dos
navios no oceano, era a barquinha. A barquinha era uma pequena boia a que se
ligava um cabo de comprimento bem definido. À medida que o navio se deslocava, a
barquinha ia ficando para trás (para a ré, stern, em inglês) e o cabo ia-se desenrolando.
Contando o tempo que ele tinha levado a desenrolar-se (já havia relógios, que
diabo) tinha-se a velocidade a que o navio se deslocava e generalizando, podia-se
estimar o espaço percorrido (espaço igual a velocidade vezes tempo).
Evidentemente que era um método incerto, e aconteceu que
numa tempestade, os navios da esquadra de um grande almirante tiveram de fazer
uma arriscada viagem da Britânia para a irlanda. O marinheiro da barquinha fez
as suas contas e avisou o almirante, pelos canais próprios, claro, que a
manter-se o rumo ia bater-se nos escolhos de uma das muitas ilhas britânicas.
O almirante, do alto da sua sabedoria, da sua experiência de mar e da pirâmide
hierárquica, e em nome de sua majestade real, discordou. Perante a insistência
do marinheiro, mandou enforcá-lo por desrespeito ao representante de sua
majestade.
Imediatamente a seguir à cerimónia do enforcamento (não
havia tubarões como nos mares da Bounty, e preferia-se por isso o enforcamento
para que todos respeitassem a hierarquia), o navio almirante bateu com fragor
nos escolhos anunciados pelo marinheiro e perdeu-se. O real almirantado da Marinha britânica
reagiu bem, perguntou à Academia das Ciências o que fazer e os académicos
explicaram que se se medisse todos os dias a altura máxima do sol (o sol está
mais alto ao meio dia, desde que não haja uns intelectuais a dizer que o melhor
é mudar a hora) comparando a hora local do meio dia com a hora no fuso de
Londres (Greenwhich) lida num relógio seguro, ter-se-ia a distancia ao fuso de
Londres, isto é, a longitude. Se a memória não me falha, era uma das funções de
Marlon Brando, na revolta da Bounty, ir registando as horas do relógio da longitude
quando o sol estava mais alto.
Por exemplo, no momento em que se fizesse uma medição com o
sol mais alto e o relógio com a hora de Londres marcasse 8 minutos depois do
meio dia, isso queria dizer, se não erro muito, que o navio estava a 220 km do fuso de Londres
(longitude 2º). Quanto à latitude, para
isso havia o sextante entretanto aperfeiçoado e as tabelas astronómicas, idem.
Toda esta história me veio à lembrança ao ver hoje a notícia
que o navio Mondego saiu atrasado do Funchal, possivelmente por reparação, para
as ilhas Selvagens e teve de regressar pouco depois rebocado.
Isto é, o senhor almirante chefe, agora português, que foi de
modo expedito, com pompa e muita circunstância, ralhar aos 13 marinheiros que o informaram de que o navio não
estava em condições, terá ignorado, com a preocupação de ressalvar a santa
hierarquia, uma tradição não confessada na Marinha, possivelmente porque nos
submarinos, onde fez carreira, ela não é aplicável dada a natureza dos
submarinos. A tradição diz que os desastres que acontecem têm uma causa estranha,
que é o comandante que traz o azar, por mais competente que seja. Talvez por
isso o jovem comandante do Mondego não fez o que devia ter feito, com medo de
comprometer a sua carreira, informar por escrito o seu superior hierárquico que
o navio não estava em condições, e que se quisesse, o superior hierárquico, que
o navio saísse, que fizesse o favor de escrever que era o que queria tomando
nota do parecer do senhor tenente comandante do Mondego.
Infelizmente para o senhor almirante chefe a realidade veio
demonstrar que eram os 13 marinheiros que tinham razão, não ele, como no caso do
almirante britânico anterior ao cálculo das longitudes.
Guardadas as devidas proporções, quando eu estava ao serviço, não na Marinha, mas no Metropolitano, cumpria o que me
mandavam desde que ficasse escrito que quem mandava conhecia a minha discordância.
Nada de novo à superfície da terra, foi o que fez o coronel Dax, mais
precisamente Kirk Douglas, no filme Horizontes de glória, quando o general
mandou disparar sobre as próprias tropas se retirassem (enfim, de vez em quando,
no processo histórico, apodera-se das
mentes o ideal dos heróis que defendem nas guerras os valores de quem os manda
para lá).
Quanto à afirmação do senhor almirante, que os navios de guerra têm redundâncias, é verdade, mas quando estão em condições mínimas de sair para o mar, isto é, se dois motores estão operacionais, há redundância, se só há um não há (esta teoria aplica-se também aos navios de cruzeiro, pela negativa, nem sempre têm redundância, que no caso da energia é essencial para equilibrar o navio em caso de tempestade). Ainda guardadas as devidas proporções, quando eu tive um veleiro de 6 m, tinha dois motores fora de borda (essenciais para as saídas ou entradas ou falta de vento e excesso de corrente) e só saía se os dois estivessem a funcionar. Redundâncias ...
CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO – Permito-me estabelecer uma
correlação entre esta história e as consequências dos desinvestimentos em sistemas
e equipamentos sociais. No caso da Marinha, existem obrigações de defesa que
pelo TFUE, considerando as caraterísticas das regiões insulares e a debilidade
da estrutura socio económica, justificam uma franca cooperação entre a EU e Portugal.
Do lado nacional, tem de haver a coragem de exigir a
participação financeira da União Europeia, mas mais ainda, é necessária a
coragem para dinamizar a produção dos projetos e os planos sem os quais não há
comparticipação financeira, por mais que isso custe a quem beneficie do statu
quo das coisas.
Do lado da EU não é aceitável que os seus órgãos se
desculpem com as opções diferentes do governo português nem se deixem conduzir
pelos comissários que o governo português lhes envie.
O caso do acidente de comboios na Grécia (existem ainda em
Portugal troços com cantonamento telefónico em via única e não está clara a
substituição ou convivência do sistema CONVEL com o ERTMS via STM) mostra que
não pode haver complacência com a negligencia dos governos em cumprir as
diretivas comunitárias sobre a ferrovia como aconteceu na Grécia com a falta do
controle automático da posição e da velocidade dos comboios. Em Portugal também
não é clara a resposta ao procedimento de infração por insegurança nas
passagens de nível (não venham com os suicídios, as mortes de adolescentes pelo
efeito de sucção ou de um jovem atropelado quando corria para apanhar o comboio
para escola não são suicídios, e quem
atrasar a solução pode ser considerado cúmplice).
O recente relatório do Tribunal de Contas Europeu, ECA dá-me
razão, a ferrovia na Europa está muito longe de retirar as mercadorias da
estrada (o que por sinal é uma diretiva, mas os governos criam manobras de
diversão em termos estratégicos e a EU negligencia o cumprimento das diretivas:
https://www.eca.europa.eu/Lists/ECADocuments/SR-2023-08/SR-2023-08_EN.pdf
Recomenda-se alteração das estratégias e atenção aos
pormenores indispensáveis para o planeamento e a realização.
O Tribunal de Contas Europeu (ECA - European Court of Auditors) tem tido uma atuação interessante na crítica à Comissão Europeia por ter palavras muito bonitas em defesa da redução das emissões com efeito de estufa, mas na prática deixar à iniciativa, ou melhor, à falta de iniciativa e de coordenação mútua dos governos a insuficiência e inoperância da rede ferroviária europeia.
A mais recente crítica é notícia em:
e pode ler-se no documento ECA:
https://www.eca.europa.eu/Lists/ECADocuments/SR-2023-08/SR-2023-08_EN.pdf
O ECA não está a extravazar das suas competências. Por simples razões de Física - a resistência ao deslocamento para uma mesma massa, velocidade e perfil do percurso é superior no caso de veículos com rodas de borracha relativamente a veículos com rodas de ferro. E isso tem custos, para além da poluição devida aos combustíveis fósseis, que subsistem, mesmo com tração por baterias ou por hidrogénio/células de combustível, logo assunto da competência do ECA.
Assim se comportasse o Tribunal de Contas português e assim entendesse o governo a urgência em operacionalizar os meios humanos e materiais para integrar uma nova rede ferroviária portuguesa na rede única ferroviária europeia, coisa que o Plano Ferroviário Nacional não perspetiva, nem a estrutura organizativa da IP parece permitir.
Intermodalidade, do dicionário Houaiss - diz-se do transporte em que, até chegar ao seu destino, a carga é levada sucessivamente por diferentes rotas. Etimologia: do latim inter (sobreposição e aproximação) + modal (relativo a modo, forma ou variedade)
Definição adotada no seu relatório pelo ECA:
Intermodal freight transport consists of transporting goods in a single loading unit (such as container) using a combination of modes of transport: road, rail, waterways or air. It can optimise the relative strengths of each transport mode in terms of flexibility, speed, costs and environmental performance.