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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Morte de duas adolescentes em Vila Nova de Anços

Confesso que me emociono com facilidade. Aconteceu-me ao ouvir a notícia da morte de duas adolescentes por atropelamento a cerca de 900 metros do apeadeiro de Vila Nova de Anços, junto da via da linha do Norte, possivelmente por efeito de sucção por um comboio de alta velocidade. Escrevi ao GISAF pedindo a investigação do acidente na espetativa de uma recomendação de divulgação pública dos perigos perto de comboios de alta velocidade em movimento, especialmente junto de jovens e de idosos.
Recebi como resposta (facto  que em si deve realçar-se como positivo) que a falta de meios contraindica a afetação de investigadores a casos como este, e que terá sido “trespassing”, isto é, entrada em terreno de cesso proibido.
Sem discordar da classificação de “trespassing” e lamentando a realidade da falta de meios, mas relembrando os casos intoleráveis de atropelamento em passadeiras de peões em estações e apeadeiros, nomeadamento o recente caso em 16 de janeiro em Carvalheira-Ovar com um jovem de 15 anos que corria para o comboio que o levaria à escola, insisti enviando ao GISAF o resultado da minha visita ao apeadeiro de Vila Nova de Anços na linh do Norte, e de Reveles, na linha suburbana Coimbra-Figueira, o qual serve a povoação de uma das vítimas. Para mim, não estão reunidas as condições de segurança para os peões nem na linha do Norte, com comboios de velocidade elevada, nem na linha Coimbra-Figueira, com o gritante acesso à via férrea sem vedações.

Lamenta-se profundamente a carência de meios financeiros, embora existam no país meios humanos que poderiam fazer as investigações. Existem relatórios por concluir de acidentes de 2006. Como agravante, a junção ao GISAF do gabinete de investigação de acidentes com aeronaves, o que só se justificaria se ambos os gabinetes estivessem dotados de meios suficientes. Assim, fica a desconfiança que a decisão do governo teve apenas como motivo a divergencia com o anterior diretor do segundo gabinete.
No caso das duas adolescentes, por exemplo, as autópsias deveriam permitir a reconstituição rigorosa do acidente e se foi ou não efeito de sucção. Deverão fazer-se experiências com manequins.. Igualmente é urgente um plano consistente e faseado de supressão de passadeiras de peões e uma campanha na televisão contra os perigos perto da passagem de comboioses especialmente de velociade elevada. Deveria acabar a sobranceria com que o operador ferroviário critica as próprias vítimas. Comboios de velocidade elevada devem circular em canais segregados não atravessáveis e com distancia de segurança a obstáculos e peões. Ao argumento “não há dinheiro”, só posso responder que o transporte rodoviário, responsável por importações massivas de combustíveis fósseis, terá de contribuir mais fortemente para a correção destas inconformidades.

Junto os textos que enviei ao GISAF, incluindo fotografias com recomendações de correção de inconformidades, como vedações e avisos insuficientes ou inexistentes (deverá existir aviso de perigo de morte), cais baixos e hábitos de caminhar junto da via

1ª missiva:

Consultando hoje o vosso site


verifica-se que não está a decorrer nenhum inquérito á morte das duas adolescentes em Vila Nova de Anços em 7 de dezembro de 2016.
Dada a gravidade do acidente, parecerá que deverão ser analisadas em profundidade as circunstancias e as causas do acontecido, e elaboradas recomendações para tornar segura a exploração com comboios de elevada velocidade.
De facto, a comunicação social criou a ideia de que o acidente foi causado pelo uso de auriculares, o que poderá ter sido uma circunstancia que favoreceu o acidente. Mas a tónica poderá ser os riscos de sucção pelo deslocamento de ar em velocidade elevada, o que implicará a divulgação pública da distancia de segurança aos comboios com essa velocidade, nomeadamente nos bordos dos cais. Recordo o acidente que vitimou 2 agentes da polícia em Santa Iria da Azoia, em zona de elevada velocidade.
A ocorrencia de acidentes semelhantes, nomeadamente junto da estação do Fogueteiro, justifica uma análise rigorosa das condições em que um comboio pode parar fora do cais da estação ou apeadeiro ou em que a separação entre a zona de paragem e a via não é clara. Pessoalmente, conheço vários casos na linha Alfarelos-Figueira em que o acesso à via não está devidamente sinalizado. Em caso extremo, poderá propor-se a instalação de detetores de descida à via nas extremidades dos cais.
Esta problemática está relacionada com as travessias pedonais das vias férreas, mesmo as protegidas com semáforos para peões, uma vez que velocidades superiores a 40 m/s são incompatíveis com o tempo de reação e a velocidade de deslocação de uma pessoa idosa.
As recomendações saídas desses inquéritos contribuiriam assim para o aumento da segurança das circulações dos comboios de velocidade elevada.

Com os melhores cumprimentos


 2ª missiva:

Em primeiro lugar, devo agradecer a cuidada resposta ao meu email sobre a morte das duas adolescentes em Vila Nova de Anços.
Infelizmente, a carência de recursos referida é um fator limitativo
da identificação de causas que impedem melhorias de segurança no transporte ferroviário.
Porém, o objetivo de qualquer operador deve ser a segurança, a eficiência e o conforto do seu transporte. E esse objetivo é independente de legislação, como o DL 394/2007 (cujo preâmbulo é aliás claro na intenção de tornar públicos os resultados dos inquéritos e que prevê a sua aplicabilidade a acidentes com pessoas por motivo de material circulante em movimento no art2º-2d) , e é incompatível com a repetição dos atropelamentos de pessoas, especialmente jovens e idosos. Como estabelecem as boas práticas, toda a atividade de um operador ferida de inconformidade deve ser monitorizada por uma entidade independente.
Mais uma vez, em 16 de janeiro, uma morte de um jovem de 15 anos, em Carvalheira-Ovar por um comboio de alta velocidade, provavelmente numa passagem de nível.
Peço por isso desculpa por discordar da vossa argumentação para não realizar a investigação sobre a morte das duas adolescentes. Pessoalmente chocam-me as justificações apresentadas pela Refer depois dos acidentes, mostrando á opinião pública que as vítimas iam distraídas, usavam phones ou telemóveis, e não cumpriam as determinações de segurança nos locais.
Omitindo um facto muito simples, que é a principal causa dos acidentes: o canal ferroviário deve estar completamente segregado da circulação pedonal. É por exemplo impossível, por mais perfeitos que sejam os dispositivos de segurança (em análise de riscos, impossível é sinónimo de muito pequena probabilidade de ocorrência, não significa de probabilidade zero) atravessar em segurança passagens de nível em apeadeiros considerando a velocidade de 40 m/s (junto uma análise do atropelamento em Riachos, em 2010:  http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/06/proponho-vos-que-vejam-esta-tabela-word.html) .
É mesmo intolerável que em estações como Coimbra ou Alfarelos, em que julgo a velocidade imposta para circulações sem paragem será de 20m/s, os passageiros sejam obrigados a atravessar uma passadeira.


É verdade também aqui a carência de recursos para as obras necessárias, mas deve destacar-se que a REFER tem realizado obras de melhorias e que é possível um plano faseado plurianual de melhorias. A estação de Pombal, por exemplo, tem ligações subterraneas entre os cais (lamenta-se apenas a inoperacionalidade dos elevadores) e o próprio apeadeiro de Vila Nova de Anços tem uma passagem subterrânea.
Outro argumento que quanto a mim justifica o inquérito é o conhecimento e a prática que as duas meninas teriam das infraestruturas ferroviárias. Estariam habituadas ao ramal entre Alfarelos e as estações que servem as povoações em que viviam, Reveles e Montemor o Velho, em que o acesso à via não está vedado, pelo que os avisos existentes em Vila Nova de Anços se poderão considerar insuficientes.
Sem contestar a classificação jurídica de “trespassing”, os letreiros  de proibição de acesso à via  e sinais de proibição para peões existentes em Vila Nova de Anços ( não existentes em Reveles e parcialmente em Montemor) não são complementados com vedações expressivas. Aliás, quando se anunciam coimas deverá existir a possibilidade de fiscalização, ainda que aleatória, o que não é o caso (o letreiro diz “sujeito a coima”, não refere “perigo de morte”).
Por exemplo, existe um espaço de cerca de 40 cm entre a guarda longitudinal e a borda do cais, por onde é fácil passar .  Seria aplicável uma cancela do tipo da usada no metropolitano ou uma cancela amovível apenas pelo pessoal técnico. Os vestígios de um cais antigo, mais baixo, ajudam à perceção de caminho possível. A baixa altura do próprio cais facilita a descida à via (compreende-se a dificuldade para o material circulante de mexer na altura dos cais, mas há espaço para os subir um pouco).  No caso da via ascendente (Po), junto do muro da passagem subterranea, a vedação de rede foi arrancada possibilitando o caminho do lado da via. Do lado da via descendente (Na) a altura do muro que limita ao norte  o acesso ao cais é insuficiente. No caso da via descendente, onde julgo que se deu o acidente, é visivel um carreiro indiciador de passagem de pessoas.
Junto algumas fotos mostrando a deficiencia de vedação dos cais cuja correção ou melhoria, por induzirem habituação do acesso à via, poderia ser uma das recomendações do inquérito, juntamente com a necessidade de uma ampla campanha nos meios de informação sobre os riscos de proximidade dum comboio em alta velocidade e a inclusão nos letreiros da informação de risco de morte.
Relativamente ao acidente em Carvalheira Ovar, espero que eventual investigação recomende a interdição de atravessamento e a construção de passagens aéreas ou subterraneas.

Com os melhores cumprimentos


Fotos com observações:
Vila Nova de Anços, lado sul; a corrigir pequeno  espaço entre a guarda e a borda do cais, e a pouca altura do cais

Vila     Nova de Anços lado norte: a corrigir pouca altura do muro limite, pequeno espaço entre a guarda e o bordo do cais, pouca altura do acesso ao cais

via descendente a norte do apeadeiro de Vila Nova de Anços:   carreiro  ao lado da via; a corrigir o acesso à via



Vila Nova de Anços via ascendente lado norte: a corrigir vedação arrancada junto de um caminho técnico e caminho técnico no enfiamento do cais

a corrigir pequeno espaço entre a guarda e o bordo do cais, a pouca altura do cais e do acesso pedonal, a pouca altura dos muros

a corrigir a pouca altura dos cais
em Verride a corrigir a passagem livre do cais e da envolvente para a via férrea

em Reveles acesso direto à via; tabuleta antiga de proibição de circulação

extremidade poente do cais de Reveles


extremidade nascente do cais de Reveles;a corrigir pequeno espaço que permite a passagem entre a guarda e o bordo do cais e a passagem livre do cais e da envolvente para a via férrea sem letreiros de proibição de passagem

em Montemor o Velho passagem livre da rodovia para a via férrea

em Alfarelos, ausencia de proibição de descida à via nas extremidades poente dos cais (acessos técnicos)

PS em 2 de fevereirode 2017 - Depois de enviar o texto e fotos acima à IP/REFER, recebi uma resposta cortês, mas informando que o assunto não era com a IP/REFER mas sim com a polícia judiciária, uma vez que as infraestruturas estavam corretas. Só posso lamentar que se dê uma resposta destas. Continuaremos a assistir a atropelamentos em passagens de nível e em infraestruturas que não segregam os comboios rápidos das pessoas. Lamentável não podermos modificar esta cultura. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

A propósito da morte das duas adolescentes por um comboio de velocidade elevada.

Email dirigido ao GISAF, gabinete de investigação de acidentes


Exmos Senhores

Consultando hoje o vosso site
verifica-se que não está a decorrer nenhum inquérito á morte das duas adolescentes em Vila Nova de Anços em 7 de dezembro de 2016.
Dada a gravidade do acidente, parecerá que deverão ser analisadas em profundidade as circunstancias e as causas do acontecido, e elaboradas recomendações para tornar segura a exploração com comboios de elevada velocidade.
De facto, a comunicação social criou a ideia de que o acidente foi causado pelo uso de auriculares, o que poderá ter sido uma circunstancia que favoreceu o acidente. Mas a tónica poderá ser os riscos de sucção  pelo deslocamento de ar em velocidade elevada (criação de uma depressão junto da parede do comboio), o que implicará a divulgação pública da distancia de segurança aos comboios com essa velocidade, nomeadamente nos bordos dos cais. Recordo o acidente que vitimou 2 agentes da polícia em Santa Iria da Azoia, em zona de elevada velocidade.
A ocorrencia de acidentes semelhantes, nomeadamente junto da estação do Fogueteiro, justifica uma análise rigorosa das condições em que um comboio pode parar fora do cais da estação ou apeadeiro ou em que a separação entre a zona de paragem e a via não é clara. Pessoalmente, conheço vários casos na linha Alfarelos-Figueira em que o acesso à via nãoestá devidamente sinalizado. Em caso extremo, poderá propor-se a instalação de detetoes de descida à via nas extremidades dos cais.
Esta problemática está relacionada com as travessias pedonais das vias férreas, mesmo as protegidas com semáforos para peões, uma vez que velocidades superiores a 40 m/s são incompatíveis com o tempo de reação e a velocidade de deslocação de uma pessoa idosa ou com deficiência motora.
As recomendações saídas desses inquéritos contribuiriam assim para o aumento da segurança das circulações dos comboios de velocidade elevada.

Com os melhores cumprimentos


Fernando Santos e Silva

sábado, 18 de novembro de 2023

Elevada taxa de mortalidade na ferrovia nacional

Comentário à notícia sobre a taxa de mortalidade na ferrovia nacional https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/morre-uma-pessoa-todas-as-semanas-na-ferrovia/ar-AA1jWQrU?ocid=socialshare&pc=U531&cvid=7bdb9814c679474cb9dbfc09cea77000&ei=44


Infelizmente a situação é intolerável, para utilizar a terminologia da norma de análise de riscos. Responder à pergunta "Porquê?" terá sempre uma componente subjetiva, mas temos o direito de, com base na experiência profissional e na observação, propor hipóteses.  Há para o tema pouca sensibilidade dos decisores políticos e os técnicos assessores ou das instituições  ou não conseguem sensibilizar os decisores para cumprirem as recomendações dos seus inquéritos ou análises, ou pura e simplesmente não existem dada a atual carência de recursos humanos devida à contenção da despesa pública. É um tema em que também lamento que os deputados da AR e das assembleias municipais pouco reparam. 
Há uns anos, enviei ao GPIAAF uma análise do acidente que vitimou, provavelmente por sucção de um comboio rápido, duas adolescentes. Na resposta informaram-me que dada a carência de recursos humanos no GPIAAF, a lei não o obrigava a analisar atropelamentos ou colhidas. 
Entretanto sucedem-se os acidentes fatais 
muitas vezes incompatíveis com as desculpas de suicídio (por exemplo, jovens que estavam a ir para a escola) ou de que os avisos das passagens de nível estavam a funcionar (por exemplo, ocupantes de veículos pesados ou idosos a pé apanhados em passagens de nível ou em passadeiras em que o tempo para a travessia  é superior ao tempo desde o  início do aviso ou ao tempo do percurso do comboio desde o ponto de visibilidade mais afastado).
A correção de todas as situações de risco implica um investimento muito elevado, incluindo eliminação de passagens de nível, construção de passagens pedonais aéreas ou subterrâneas (impondo-se a alteração da legislação penal e a dotação de videovigilância para desmobilização de assaltantes), eliminação de percursos pedonais paralelos à via férrea, eliminação dos acesso fáceis à via. Sugere-se que uma estrutura de missão prepare projetos a submeter a financiamento comunitário. Mas uma coisa que podia e devia ser feita com carater urgente era uma campanha televisiva de sensibilização pública para os cuidados a ter junto da via férrea e incluindo as campanhas anti-suicídio.
Junto o documento da ERA referido no artigo e algumas ligações para textos sobre o assunto, incluindo a referência a um processo de infração cujo seguimento ignoro, provavelmente porque o assunto é tratado com opacidade.

Anexos:
Relatório da ERA sobre segurança, março de 2023
É a notícia do dia: https://www.jn.pt/nacional/bruxelas-abre-processo-de-infracao-a-portugal-sobre-seguranca-ferroviaria-12194029.html a ...
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Sentidas condolências à família enlutada Este texto é apenas um desabafo de indignação . Muitos dos meus colegas dizem que é possível coe...
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 Na passagem de nível de S.Pedro da Torre, Valença, ocorreu uma colisão com um automóvel em 29jan2023. Tinha havido um simulacro pelos bombe...
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PS em dezembro de 2024: Em 16nov2023 a Comissão Europeia levantou o processo de infração INFR(2020)2092 contra Portugal solicitndo tomda de medidas em 2 meses nomeadamente para reforço da capacidade organizativa da autoridade nacional de segurança sem o que o caso poderá seguir para o Court of Justice da UE. À data de dez2024 mantem-se o silencio.
Ligações esclarecedoras:

pedido de medidas para cumprimento da diretiva 2004/49
13mai2020 https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/inf_20_859
Envio de reasoned opinion e processo infração INFRA(2022)2092 dando 2 meses para tomada de medidas sem o que levarão ao Court of Justice
16nov2023 https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/inf_23_5380
Infringement packages:
https://transport.ec.europa.eu/news-events/infringements-proceedings_en
estatística de acidentes ferroviários em 2023 na UE
https://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php?title=Railway_safety_statistics_in_the_EU

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Acidentes ferroviários em passagens de nível

 Amável colega enviou-me a newsletter da UIC sobre os encontros de 14 e 15jun2023 sobre os acidentes nas passagens de nível:

https://uic.org/com/IMG/pdf/ilcad_press_release_fr_new.pdf


Concordando com a argumentação da UIC, com a necessidade absoluta de reduzir a sinistralidade nas passagens de nível e nas imediações das vias férreas, discordo da manutenção das passagens de nível mesmo introduzindo melhorias do controle. Com os níveis de velocidade e de frequência do tráfego ferroviário, não parece possível evitar em 100% do tempo a ocorrência de um acidente, mesmo de baixa probabilidade. A probabilidade pode reduzir-se aumentando a temporização após a descida das barreiras mas isso estimula o "trespassing". Ou deteção de presença de obstáculo imobilizado na passagem e emissão de ordem de travagem. Mas para um comboio a 200 km/h a distancia de travagem pode ser de 3 km e essa distancia será percorrida em  54 segundos, intervalo durante o qual será impossível evitar o acidente. Outras medidas, para além da campanha de sensibilização contra o "trespassing": baixar a velocidade do comboio, barreiras mais completas, melhorar a visibilidade adjacente retirando muros e objetos que possam agravar as consequências da colisão,  aproximação do atravessamento o mais próximo possível dos 90º (para não atrasar o atravessamento de camiões com reboque). Porém, a melhor solução será o desnivelamento e a garantia do tráfego ferroviário segregado.


Junto alguns relatos, destacando a inadmissibilidade de haver caminhos paralelos à via e demasiado próximos sujeitando as pessoas ao efeito de sucção (caso do atropelamento de Vila Nova de Anços). Igualmente, como é o caso do troço entre Alfarelos e Coimbra, a promiscuidade do tráfego pedonal e ferroviário é incompatível com uma boa velocidade comercial.



https://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/05/processo-de-infracao-de-bruxelas.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=riachos

https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=passagens+de+nivel

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/01/morte-de-duas-adolescentes-em-vila-nova.html



terça-feira, 17 de julho de 2018

Investigação de acidentes

A investigação de acidentes é uma atividade essencial para a prevenção de acidentes. Como dizem as normas e teoricamente é reconhecido em Portugal, as investigações não se destinam a "apurar responsáveis e culpados" mas sim a encontrar as causas e circunstancias dos acidentes e as medidas e recomendações para evitar que eles se repitam ou, pelo menos, sejamminimizadas as consequencias. Trata-se de uma especialidade da análise de riscos, e infelizmente é pouco divulgada pela comunicação social, que aparentemente prefere ações mais punitivas.
Isto a propósito de uma série de acidentes recentes que me chocam por terem ocorrido e provocado mortes, mas porque a comunicação social deixou de se interessar, isto é, passados uns dias ninguem fala do acidente, as causas não forma ainda investigadas e portanto não foi cumprido o procedimento para a prevenção do acidente.
Recordo:
- a morte de uma senhora numa passagem de nível em Esmoriz, continuando uma série macabra que evidencia a impossibilidade da exploração de comboios rápidos em vias que não estão segregadas dos peões e em que os passageiros são obrigados a atarvassar as vias (exemplo, estações de Coimbra B e de Alfarelos)
- a morte de um ciclista desportivo e os ferimentos graves noutro numa estrada do Algarve por aparente excesso de velocidade e falta de visibilidade, mas sem cabal esclarecimento
- a morte de 6 trabalhadores numa carrinha na Marateca por aparente desajuste entre a forma de condução e as condições ambientais
- a colisão, felizmente sem mortes, na passagem de nível de Martingança entre o regional Caldas da Rainha-Coimbra e um camião, sem cabal esclarecimento.

Vem também a propósito de um esclarecimento do ministério do planeamento tentando justificar a acumulação de inquéritos do GPIAAF (gabinete de prevenção e investigação de acidentes com aeronaves e de acidentes ferroviários), "branqueando" a gritante e inadmissível falta de recursos humanos para as investigações:
http://webrails.tv/tv/?p=35494

https://www.jn.pt/justica/interior/acidentes-com-comboios-ha-12-anos-na-gaveta-9597095.html

Recordo ainda o meu contacto com o GPIAAF sugerindo em vão um inquérito à morte de duas adolescentes em Vila Nova de Anços, facultando fotografias demonstrando a falta de condições de segurança:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=an%C3%A7os

Também comentei e pus hipóteses sobre o descarrilamento na Adémia em abril de 2017, sublinhando a ausência de esclarecimentos da operadora do comboio causador do acidente:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=ad%C3%A9mia

E finalmente, a página do GPIAAF reconhecendo que ainda não tem pronto o relatório deste descarrilamento:
http://www.gisaf.gov.pt/?lnk=06439779-47de-4de6-beae-488352ccb7ab

Assim é muito difícil, e não estou a pôr em causa a competência técnica e a honestidade de quem trabalha no GPIAAF. Mas se não há recursos humanos, é mesmo muito difícil, é mais um sintoma da degradação de serviço público de transportes (e privado, no que toca aos operadores que não esclarecem as causas dos acidentes em tempo útil)