Sentidas condolências aos familiares das vítimas. Acidentes ferroviários afeetam todos os que trabalham nesta atividade.
Alguma informação disponível sobre o acidente:
https://www.youtube.com/watch?v=P17LyEwSv2Q
https://www.youtube.com/watch?v=RpPrdnO2hfI
Como referido nos videos, o traçado de 303 km entre um porto no Atlântico e um porto no Pacífico (portanto com elevada importância para o trafego internacional de mercadorias) atravessa zonas montanhosas implicando curvas de raio pequeno e pendentes superiores ás indicadas para transporte de mercadorias (raio da curva no local estimado do acidente 112m em zona com troços de 15% de gradiente, cerca de 10 vezes o recomendado). O traçado foi recuperado mas seguiu o anterior, e o material circulante, locomotivas, carruagens para passageiros, vagões de mercadorias foi comprado em 2ª mão a empresas inglesas e americanas. Até os carris foram comprados usados e de resistencia inferior à desejável.
A principal hipótese para a causa do descarrilamento, conforme os videos, terá sido o desacoplamento da primeira carruagem relativamente à locomotiva (a composição tinha 2 locomotivas por causa das pendentes, uma à cabeça e outra na cauda, traccionando 4 carruagens de passageiros. Possivelmente devido a algum excesso de velocidade na curva apertada, o desacoplamento poderá ter resultado desse excesso de velocidade, de insuficiencia de escala (altura do carril exterior) ou de eventual travagem; com a inércia, a força centrífuga e a tração da locomotiva da cauda, a partirem o engate, descarrilando a locomotiva da frente pela traseira e a primeira carruagem pela sua dianteira.
Um traçado com estas caraterísticas exigiria um controle de velocidade automático que evitasse erros humanos. Aliás, as imagens do Google Earth mostram a promiscuidade entre os carris e as ruas , por exemplo no porto do Pacífico, Salinas Cruz. Para rentabilizar o transporte de mercadorias entre os portos do Atlântico e do Pacífico será necessário construir um traçado alternativo com túneis e viadutos para eliminar as pendentes excessivas e as curvas de raio reduzido. A ligação para passageiros da costa atlântica para o Pacífico era de 300 km em 7 horas, o que dá uma média de cerca de 40 km/h. A velocidade mais elevadanum traçado novo justificaria os custos por permitir reduzir o número de comboios na linha e contabilizar o tempo e a energia poupados pelos passageiros e pela carga. Este é o problema da opção entre renovar um traçado antigo ou construir um novo. Por exemplo, no caso da Beira Alta, estimo que no traçado renovado o consumo de energia poderá ser de 40 Wh/ton-km, enquanto num traçado novo com pendentes controladas poderia ser de 30 Wh/ton-km.
Outra hipótese para a causa do descarrilamento, não confirmada por qualquer evidencia reportada, poderia ter sido a queda de pedras com descarrilamento da primeira locomotiva seguindo-se a pressão sobre ela por se ter imobilizado, o desacoplamento do engate e o descarrilamento das carruagens. Notar nas figuras as redes de retenção das rochas. Recomendar-se-ia o corte para afastar o talude da via. O comprimento das carruagens (26m) é incompatível com raios de curva da ordem dos 100m nesta linha)
| locomotiva dianteira deitada após descarrilamento, vista de trás; a primeira carruagem soltou-se depois de pressionar a locomtiva |
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| a via férrea atravessa as ruas da cidade terminal Salina Cruz; sem semáforos, apenas a cruz indicada pelas setas com os dizeres "cruce de ferrocarril" encimando um sinal de stop com "ALTO" |
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