quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Manifestação em 16 de fevereiro de 2013

Ouvido de uma manifestante:
"Se houvesse justiça social, não era preciso caridade".

Mas o problema está na definição de justiça social.
São diferentes os conceitos de justiça social dos detentores do poder económico e da manifestante.
Podia desenvolver-se um conceito científico, a ensinar nas escolas, mas foi de uma escola, a de Chicago, que vieram estas ideias de desregulamentação que conduziram à crise de 2008 do Lehman Brothers...

Está dificil, evitar a  caridade.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Riscos associados às guardas de proteção

Existe uma norma que define a altura mínima das guardas de proteção de grandes desníveis na via publica.
A altura deverá ser pelo menos de 1,10 metros e não deverão deixar espaços superiores a 9 centimetros.
Infelizmente, porque já tem havido mortes, são muitos os exemplos de incumprimento, como pode ver-se pelas  fotografias.
praça do Principe Real; sobrescrito A4

Junto do Colombo; acresce o risco de queda de objetos para os veiculos que passam em  baixo

passagem pedonal aérea junto da estação de Entrecampos da CP; trata-se d eum bom exemplo, do ponto de vista funcional

escadas de descida para o largo do Cadaval; risco intolerável para crianças pequenas; sugere-se rede

zona particular, mas de acesso público, junto da estrada da Ameixoeira; desnível de 80 cm de altura não protegido; o desnível a seguir as muretes é de aproximadamente 20 metros

Campo do Mártires da Pátria

Falas de governantes - os empresários mal amados


Extratos da intervenção do senhor ministro da economia Santos Pereira num jntar com militantes do partido do governo:
- Não estamos a ser muito eficazes no combate ao desemprego, temos de melhorar.
- sabemos que muitas das nossas medidas não têm sido bem divulgadas e, por isso mesmo, estamos a trabalhar para rever essa eficácia, simplificarmos as medidas, reduzirmos o seu número, mas torná-las mais eficazes e também divulgarmos melhor as que já estão no terreno
- o país não é amigo do investimento nem das empresas
- dificultamos a vida aos nossos empresários e, quando o fazemos, obviamente não temos investimento como devíamos ter
- há que fazer guerra à burocracia para fomentar o crescimento económico.

É bom que o senhor ministro reconheça as limitações da politica do governo atual em geral.
Mas reconhecerá os erros em casos mais concretos?
- como no caso dos estaleiros de Viana, artificialmente paralisado quando tinha uma carteira de encomendas (não é aceitável a desculpa do pedido da UE para esclarecer os 140 milhões e euros de injeção pelo Estado) e aguardando o inicio da investigação do MP ao caso Atlantida
- como no caso do túnel do Marão, paralisando a obra e desperdiçando o investimento já feito
 - como no caso da paralisação da ligação ferroviária Poceirão-Caia, desbaratando os fundos europeus e contribuindo para o desemprego e para a recessão devida à diminuição da procura.
- como no caso da desistencia da fábrica de baterias da Nissan.
É a estratégia da aranha pela paralisação .

Porém, não vale a pena discutir quando os senhores ministros se consideram mais infalíveis que os papas.
Apenas gostava de chamar a atenção para um dos temas desta intervenção: o discurso dos empresários mal amados.
É, de facto, um dogma para os neoliberais, que tudo se resolve com a iniciativa privada. Penso que é muito redutora, esta fé. Um dos grandes problemas da economia portuguesa ao longo da sua história dos últimos 200 anos tem sido precisamente a incapacidade da iniciativa privada.
Não é uma crítica, é uma constatação, eu também não tenho jeito para empresário, e a história ensina que a iniciativa privada deve conviver com a intervenção pública. Até Thatcher  fez nacionalizações (aliás, reduzir o peso do Estado é uma forma de intervenção do Estado na economia).
Há uma linha de geometria variável que separa o domínio privado do domínio público; variável consoante os contextos e as especificidades de cada negócio. Porque não lêem o que Melo Antunes escreveu sobre o assunto?
Que não se pode esperar que sejam os empresários privados a resolver os problemas em Portugal é o que  estas fotografias ilustram.
O prédio do clube dos empresários, na Avenida da Republica, onde se faziam almoços de negócios, apresenta sinais de degradação e está à venda.
Penso que o senhor ministro da Economia não está a analisar bem os dados todos do problema.
Mas quem sou eu para ter certezas?
Apenas tiro fotografias.



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mais noticias da Ivalandia em fevereiro de 2013-02-23


O senhor ministro das finanças recostou-se confiante na sua cátedra e pausadamente explicou aos militantes preocupados do partido do governo a sua visão:

-  As necessidades de controlar o ajustamento na execução orçamental podem vir a obrigar-nos a redobrar o cuidado com que monitorizamos essa mesma execução orçamental, porque só dessa maneira poderemos cumprir os objetivos e compromissos do memorando que assinámos com a troika, sem o que não cumpriremos esses compromissos.
Essas necessidades serão sempre por culpa da envolvente externa e nunca por deficiências de análise nossas ou por ignorancia de que aumentar demais o IVA provoca diminuição da respetiva receita, ou por sermos incapazes de aceitar a realidade dos multiplicadores cortes-redução do PIB, ou de reduzir a dívida pública.
Aliás, as nossas análies são uma prova de que o caminho que estamos a seguir é o certo, porque o caminho errado seria o desemprego a descer e o PIB a crescer.
Isso não seria a austeridade a que nos comprometemos com os nossos credores e enervaria os mercados para alem do suportável.
Poderemos por isso ter de ser capazes de aplicar as medidas que previmos como reserva para responder a essas necessidades,  no caso disso sermos capazes, embora de momento ninguém tenha nada de saber que medidas de reserva foram essas que previmos.
Entretanto, por via das dúvidas, iremos aumentar o prazo para cumprimento das metas, confirmando assim a ideia que o governo tem defendido de que sabe escutar as opiniões contrárias dos opositores.
Muito obrigado.



A emotividade e a mortalidade por gripe

Já se viu neste blogue que sou emotivo.
Comovo-me.
E a minha parte racional tem de fazer auto censura.
Por isso não me tornei um entusiasta do cinema neorealista italiano a seguir à segunda grande guerra.
Vivia-se um período de crescimento e de consolidação do Estado social.
Lembro-me de fotografar bairros de lata em Lisboa nos anos 60.
E de me emocionar com a sua substituição em grande parte após a revolução de Abril de 74 com a racionalidade do esforço e do seu sucesso.
Não gosto portanto de explorar a miséria das pessoas.
Não gosto de expor neste blogue fotografias de sem abrigo.
Mas a realidade (daí a expressão neorealismo) é mesmo forte e devia impressionar os senhores governantes que enchem a boca com “rethinking”, refundação e repensar do Estado Social ao mesmo tempo que desenvolvem esforços bem sucedidos para que a repartição dos rendimentos regresse aos tempos do neorealismo italiano.
Tudo isto a propósito da morte aos 42 anos, por gripe, da mulher de um trabalhador imigrante brasileiro que conheci.
Que não iam regressar ao Brasil porque, apesar do período de crescimento e de ganharem mais no Brasil do que em Portugal, têm de lá deixar, no supermercado, muito mais do ordenado do que cá em Portugal.
Como diria um economista, acabam por ganhar mais, em paridade de poder de compra, em Portugal.
E repentinamente, a senhora morreu de gripe.
Provavelmente porque não habitava em condições salubres, porque não acorreu atempadamente ao hospital, porque falhou a capacidade respiratória dos pulmões.
No século XXI morre jovem, de gripe, quem trabalha, quem não está a viver acima das suas possibilidades.
Assim se passa por este sistema desconjuntado e ineficaz, apesar da autosatisfação de quem acha que o dirige.
Como sou emotivo recordo-me da descrição que Axel Munthe fez da morte do seu babuíno de estimação no livro de San Michele.
E da pergunta: “Tudo acaba aqui e assim?”
Que aberração.
Não quererem os senhores governantes e os seus economistas de serviço reconhecer isso mesmo, que essa aberração deveria ser levantada.
Que bastava atenderem ao que Adam Smith disse, que o lucro deveria submeter-se à responsabilidade social.
E Adam Smith ainda não tinha visto a obscenidade de privilegiar antes de tudo a saúde financeira dos bancos e dos grandes banqueiros, embora talvez sorrisse condescendente à afirmação de Obama: “Não foi para fazer o jogo dos senhores de Wall Street que fui eleito”.
Impressionado com a eficácia mortal da gripe consultei o site do Instituto Ricardo Jorge.

Já tinham avisado que o pico da mortalidade da gripe deveria ocorrer entre o fim de Fevereiro e o fim de Março.
O registo do seu observatório de mortalidade total e gripal até à semana 7 (até 18 de Fevereiro) assim indicia.
A curva da mortalidade é impressionantemente regular, sinusoidal.


E até está ligeiramente abaixo do habitual (menos de 2500 por semana).
Porem, a incidência da gripe está a crescer (50 por 100.000 habitantes), o que faz temer o aumento de mortalidade nas próximas semanas.
Não pretendo tirar conclusões, mas deixar registado que não devia morrer-se aos 42 anos, de gripe.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

No reino da Ivalandia em fevereiro de 2013





Anunciado um corte de 30% na contribuição pública para a Fundação Serralves.

O atual governo acha que assim deve ser, como medida de consolidação orçamental para mostrar à troika.

Feitas as contas à atividade da Fundação em 2010, foram 450.000 visitantes e uma contribuição para o PIB de 40 milhões de euros.

Ora, o subsidio público em 2010 foi de 4 milhões de euros, mais outro tanto de mecenato de grandes empresas e de particulares.

Isto é, o fator multiplicador para o PIB do subsidio publico foi (40/2)/4 = 5

Imaginemos, à moda de um problema de Fermi, que não estou dentro dos pormenores, que a evolução negativa afetou o multiplicador, e que ele agora será metade: 2,5 .

A contribuição para o PIB do subsidio estatal, mantendo-se os 4 milhões, seria de 4x2,5=10 milhões de euros.

Afinal, o mal não está nas parceiras em si, pode haver parceiras que funcionem.

Não depende da estrutura, depende das pessoas…

Porem, o governo, aliás com o apoio dos vociferantes das caixas de comentários da Internet, contra tudo que seja subsidio a fundações ou institutos, anunciou o corte de 30% (a história do corte das gorduras, que como é cego vai ao osso).

O que quer dizer que o governo atual não quer que o PIB fique a dever ao apoio público à Fundação de Serralves 10x0,3= 3 milhões de euros. Contenta-se que o benefício para o PIB seja de 7 milhões de euros.

São números pequenos, dirão os macroeconómicos.

E os mecenatos particulares substituir-se-ão aos apoios estatais, dirão os ultraliberais.

Pois.

Diz este blogue que é apenas um exemplo da incompetência técnica dos senhores governantes.

Como ainda há pouco tempo disse Daniel Bessa (e este blogue também) o nosso problema é termos pouco PIB.

Essencial aumentá-lo.

E não venham com essa das faturas.

Como também disse Vítor Bento, de cada vez que se ameaça com o cruzamento das bases fiscais, alguém inventa uma forma eficaz de fuga.

Confiança é uma condição essencial entre as partes.

Não há confiança na competência deste governo (ou na mentira premeditada, como diz José Manuel Pureza; começar por falar numa recessão contida e depois fazer um orçamento retificativo com uma “previsão” mais gravosa).

Numa primeira fase, para compor isto, bastava remodelar o primeiro ministro, o ministro das finanças e aquele senhor ministro dos assuntos parlamentares. O resto do governo podia ficar, já que o mandato é até 2015, não sou tão radical como isso, esperando-se que na campanha eleitoral desse ano não haja mentiras premeditadas seja de quem for.







terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

De Sofia de Melo Breyner, um país de pedra e vento duro


 
De  Sofia de Melo Breyner, 1962, recordada hoje pelo programa da Antena 2:
 
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
 
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável
 
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
 
- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
 
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.
 
 
Como já expliquei, sou um emocional, e lá apareceu ao canto do olho uma meia lágrima, quando oiço aquela do relatório irrecusável a seguir ao “rente aos ossos”.
Sofia era uma senhora das classes privilegiadas da nossa comunidade, mas que sentia o problema do empobrecimento.
A Antena 2 passou este poema depois da crónica de Pedro Malaquias que referiu o suicídio de 9 empresários de restaurantes em 3 meses “que viram a esperança morrer nos seus braços”.
Já dizia o deputado do partido do atual governo que há restaurantes a mais.
Não vale a pena discutir com quem não quer ver o crime, só porque na lei não está escrito que existe uma correlação ente o desemprego e o suicídio. 
Não vale a pena discutir com quem se acha incumbido de uma missão salvadora de acordo com a cartilha da escola de Chicago.
Depois do poema a Antena 2 transmitiu uma cantata do Natal de Bach e o Stabat Mater de Boccherini.
Porque a esperança do atual governo se ir embora antes do fim do mandato ainda não morreu (apesar do senhor ministro Relvas pedir aos portugueses para esperarem até ao fim do mandato para ver os resultados – será que está a anunciar benefícios pré-eleições?).
É verdade que, apesar de já se cantar “Grândola, vila morena” na ruas de Madrid, não são os poemas que mudam, mas podemos perguntar ao atual governo como vai a implementação da taxa sobre as transações financeiras e se já estudaram a aplicação de uma taxa sobre cada  transação do multibanco não repercutível no utilizador.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Acordo ortográfico - fructa

Dedicado aos cidadãos e cidadãs opositores ao novo acordo ortográfico






Numa esquina da baixa pombalina, um vestígio da escripta, perdão, da escrita antiga.
Uma conservaria colaborante na exportação (seria talvez mais de compotas, não sei) , uma pastelaria saudável, uma fructaria, perdão, uma frutaria.
E neve, ou granizados pré-industriais para refrescar a burguesia lisboeta e os turistas endinheirados, que se sabia o valor das divisas.
“Fructas”, diz a inscrição na pedra, de há várias gerações.
Fructa é latim e assim se escreveu até ao século XIII, quando algum gramático aceitou a dificuldade que as pessoas comuns tinham em enrolar a língua com a consoante e aceitou a solução proposta: “fruita”.
Como depois disse Camões, de Inês, “colhendo o doce fruito”.
Mas continuou a escrever-se “fructa” até ao século XIX, ou até ao inicio do século XX, até à pedra da pastelaria conservaria  Pomona, a deusa dos pomares.
Entretanto logo no século XVI se escreveu “fruta”, mais simples para quem tinha de tratar das coisas da vida.
Eta diversidade, como tantas diversidades, é uma coisa muito bonita.
O “c” estava lá para pronunciar o “u” com decisão.
Eu acho que era uma diacrítica, para que o “u” não emudecesse, mas acho só, não afirmo.
Vale que afinal não emudeceu, o "u".
Sempre poupámos uma consoante.
E é saudável, muito saudável, comer fruta, como já se sabia, no tempo da pastelaria Pomona (quem quiser ver uma estátua de Pomona, em Lisboa, vá até à estação de metro de Picoas, saída para o edificio da PT).


Referencia: Dicionário Houaiss

No melhor pano cai a nódoa – reflexões sobre acidentes





Janeiro, mês de acidentes - Janeiro de 2013 foi um mês fértil em acidentes ferroviários: Egito, Eslovaquia, Indonesia, Suíça, Suécia, Áustria, Portugal, África do Sul.
Não comentei ainda neste blogue o acidente na Suíça, em Nehausen am Rheinfall, no dia 10.

Colisão na Suíça - A locomotiva de um comboio suburbano de duplo piso, ao mudar de via num aparelho de via à entrada da estação de Neuhausen, colidiu, durante a mudança de via, com a testa de um suburbano ligeiro que tinha acabado de sair da estação.


o comboio com locomotiva procedia em contra-via da estação de origem da linha e estava a mudar de via

hipótese: a locomotiva descarrilou antes de embater no suburbano ligeiro

o Reno em fundo



17 feridos e suspeitas e hipóteses várias.
Porque estavam dois comboios com sentidos diferentes na mesma via, numa zona de via dupla, sendo necessário a um deles mudar de via ? porque vinha o comboio com locomotiva em contra-via desde a estação anterior, origem da linha? Procedimento habitual de lançamento de comboio na hora de ponta?  Terá havido não cumprimento da sinalização ou imprudência do condutor do suburbano, que ao arrancar da estação não terá considerado a possível menor aderência devido às condições atmosféricas, e não terá conseguido “segurar” a sua composição antes do “distrito” (limite a partir do qual está a ocupar o espaço do comboio que está a mudar de via)? Ou terá havido um descarrilamento prévio do comboio com locomotiva devido a má operação da agulha (lança reta indevidamente encostada e lança curva na posição de mudança de via, por exemplo, é o suficiente para um descarrilamento por galgamento por falta de bitola)?
Mas, claro, dado o carater circunspeto dos suiços, é provável que fiquemos por aqui quanto à explicação do acidente.
A referencia neste blogue é feita apenas para sublinhar os riscos nas zonas de agulha e que no melhor pano cai a nódoa, como se diz coloquialmente, mesmo que esse pano seja o da precisão suiça (o que apenas é motivo para reforçar as condições de segurança e subir o nível de exigência de aceitação de riscos).

Acidente do voo JAL123 - Lembrei-me de voltar a este tema ao ver o episódio do National Geographic dedicado ao acidente do voo JAL 123 com um Boeing 747 que ficou sem o estabilizador vertical em 1985.
As consequências foram catastróficas (520 mortos) .
http://en.wikipedia.org/wiki/Japan_Airlines_Flight_123

A causa do acidente foi uma deficiente reparação do anteparo da cauda para manter a pressurização interior (o anteparo tinha fendilhado na sequencia do toque da cauda na pista de aterragem, 7 anos antes). O erro foi da manutenção da JAL por falta de fiscalização (o responsável japonês da manutenção cometeu suicídio) e da oficina da Boeing que executou a reparação sem cumprir o projeto de reparação da própria Boeing. O anteparo e a emenda rebentaram por fadiga do material e a explosão subsequente arrancou o estabilizador vertical e cortou os tubos hidráulicos de comando, deixando o avião sem controle.
Mais uma vez em empresas com elevada credibilidade como a JAL e a Boeing se cometeu um erro básico.
Com a agravante das autoridades japonesas terem recusado a ajuda da força aérea americana para mais rápido acesso ao local do acidente (o que provavelmente teria permitido que o numero de sobreviventes fosse maior do que 4).
Com a agravante do mesmo tipo de acidente se ter repetido em 2002, motivando uma intervenção coerciva do NTSB (National Transportation Safety Board) e da FAA (Federal Aviation Administration).
Como se vem repetindo neste blogue, o objetivo da investigação de acidentes e da participação pública no debate correspondente não é punir responsáveis e expô-los no pelourinho.
É evitar que os acidentes se repitam.
Parece mais importante.

Aluimento em Alcântara no balastro da linha de Cascais - O que me leva agora a interrogar-me, depois de ver a noticia de que tinha surgido um buraco de 1 m de diâmetro junto do balastro da linha de Cascais, na estação de Alcantara, e fendas transversais no asfalto das faixas rodoviárias, se não seria melhor esclarecer publicamente a questão.
É que o aparecimento de um buraco no solo significa que houve um arrastamento de inertes por uma linha de água, que pode ser uma linha de água  subterrânea ou uma conduta cuja água transporta os inertes (pelo que será inútil tapar o buraco; a àgua continuará a arrastar os inertes); mesmo que o buraco advenha da derrocada de uma conduta, o mais prováel é essa derrocada ser devida a um arrastamento de inertes.
É que o local é de aterro, executado no século XIX (Eça de Queirós e Antero do Quental deixaram referencias à obra a decorrer).
Fica a menos de 300 m do caneiro de Alcântara (parece que o caneiro foi bem dimensionado, mas a manutenção é cara ao longo dos anos, e há duvidas quanto ao comportamento e à capacidade de retenção da bacia de Alcântara em caso de precipitação anormal).
Diz a noticia que havia um aqueduto seco por baixo (possivelmente não estaria seco se houve arrastamento de inertes).
Não estará relacionado, embora distante, com o caneiro de Alcântara?
Ou com as recentes obras das condutas para a ETAR que trazem os esgotos do Terreiro do Paço?
Penso que a opinião pública deveria ser informada de tudo o que possa dizer respeito a isto.
Bem basta não existir disponibilidade financeira para executar o projetado nó ferroviário (cujo projeto sempre foi duramente criticado neste blogue) , nem para remodelar o material circulante e as infraestruturas da linha de Cascais, que já ultrapassou o limite da obsolescência técnica e económica (apesar da excelente intervenção da EMEF na parte de tração e controle e renovação da caixa do material circulante nos anos 90).

O problema da linha de Cascais - Perante a desesperada necessidade de investimento, lá teremos de esperar do atual governo, invocando o desesperante memorando com a troika, que proponha as concessão a privados da linha de Cascais.
O problema está em que esses mesmos privados não acreditam em contos de fadas e, por maior que seja o período de concessão, mesmo a la Carris no inicio do século XIX, não quererão fazer investimentos de que não possam recolher retorno nem deixar de receber uma indemnização compensatória (lá vamos outra vez para o investimento a cargo dos contribuintes, e o lucro da exploração para os privados).
Pelo que não vejo outra solução que não seja candidatar o projeto “chave na mão” da nova linha de Cascais, desde que bem elaborado, aos fundos europeus do horizonte 2020 (embora o atual governo prefira desviar os fundos para empresas meritórias na sua dimensão, mas sem o efeito multiplicador de um investimento público deste tipo; depois até podiam concessionar a exploração; até podia ser um dos termos da candidatura, para amaciar as fúrias privatizadoras dos eurocratas; desde que o concessionário pagasse uma renda interessante para as finanças públicas; coisa de que duvido, o ser interessante para as finanças públicas, onde se viu as cochonilhas a cuidarem do limoeiro?).


























Torreão e ala poente do Terreiro do Paço

Muito antes do inicio em 1996 das obras do metropolitano de Lisboa no Terreiro do Paço, já a ala poente e o seu torreão tinham sofrido um assentamento diferencial progressivo.
Esse assentamento ficou revelado pelos desencontros nas cantarias das varandas e pela ligeira quebra da silhueta do telhado por alturas da arcada numero 9, a contar do rio.
Durante as obras o assentamento foi monitorizado através de réguas de que ainda hoje se encontram algumas.
Depois da construção do túnel e do reforço dos terrenos envolventes com estacas, o processo de assentamento pareceu estabilizado.
No entanto, manda a prudência dedicar algum trabalho à monitorização de todo o edifício.
Ignoro se isso está a ser feito, se existem técnicos a utilizar as ferramentas indicadas, topográficas e informáticas.
As fotografias seguintes mostram o estado de degradação de algumas cantarias, entre as arcadas 7 e  16, a contar do rio, que parecem ter sido as mais afetadas pelo assentamento.

arcada número 7
arcada número 8
arcada número 9; recentes fissuras nas abóbadas e na cantaria da janela interior
arcada número 10
arcada número 11
arcada número 12
arcada número 13
arcada número 14
arcada número 15
arcada número 16
interior da arcada 9, mostrando as fissuras recentes

quebra da silhueta  na vertical da arcada 9























 









 













 

































domingo, 17 de fevereiro de 2013

Terreiro do Paço, fevereiro de 2013

sem abrigo numa soleira do ministério das finanças, beneficiando de um pouco de sol

uma praia no cais das colunas

intervenção artistica para disfarce do caneiro das águas pluviais

régua de monitorização do assentamento do torreão poente, durante as obras do tunel do metro
corucheu barroco, com bandas de segurança


torreão poente


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O comboiozinho das feiras

O comboizinho que é puxado até ao alto e depois largado para subir e descer até parar esteve na feira provisória de Santos no Natal de 2011.

Agora está ali ao pé do ministério das Finanças, no Terreiro do Paço, como manifestação da impotência dos empresários e trabalhadores dos divertimentos de feira perante a subida do IVA.

O comboiozinho já não dispõe de energia para poder subir e descer, beneficiando do reduzido atrito das rodas de ferro nos carris.
Parou, as carruagenzinhas hibernam nas suas lonas, depois de mais um ano de insistência dos governantes nas politicas de cortes, em contínua realimentação negativa, injetando à entrada da produção um fator atenuador proporcional à redução austeritária na saída e maior, muito maior em valor absoluto, do que a  reduçao da saída.

Ao lado, o cais das colunas e as esplanadas das arcadas da praça vivem a animação dos turistas.
As receitas do turismo estão a crescer, como já era carateristico do nosso país nos tempos de António Ferro, quando as remessas da emigração e o turismo equilibravam a balança de pagamentos.
Mas o rendimento de quem trabalha baixa.



 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Cena do tempo presente


A cena passa-se no restaurante e cafetaria de uma área de serviço.
A quebra do tráfego automóvel  nas auto estradas limitou a procura.
Recentemente a caixa multibanco foi arrancada e levada por profissionais desse tipo de assaltos, aterrorizando empregados e clientes.
Seguiu-se a desmontagem dos jogos eletrónicos.
Ainda funcionam as cabinas telefónicas e ainda se servem refeições e vendem jornais e revistas.



Como se dizia nos primeiros tempos da televisão portuguesa, sempre que a emissão era interrompida por avaria: “o programa segue dentro de momentos”.
Ou, como se diz na biologia ou sempre que é preciso atravessar um período adverso sem capacidade para manter as funções em pleno, esperando por melhores dias : “vamos hibernar.”

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vox populi



Gosto de ler as entrevistas e as crónicas dos grandes economistas; sempre tento aprender alguma coisa, embora a maior parte das vezes me dê volta ao estômago, por causa daquela definição dada por um deles : “economista é aquele que sabe o custo das coisas, mas ignora o seu valor” (eu costumo acrescentar: “nem sabe como elas funcionam”).

Mas nalgumas circunstancias, penso que aprendo mais a ouvir pessoas normais, daquelas que trabalham sem angustias existenciais e conhecem as dificuldades do dia a dia económico.

De um mecânico de automóveis: “Está bem que se andou a gastar dinheiro de mais e agora é preciso cortar (e eu a concordar; as vezes que eu pedi aos colegas da construção civil que fizessem projetos mais modestos, que não nos obrigassem a gastar tanto dinheiro depois na manutenção das estações), mas não deviam quebrar isto. Ao menos dessem mais tempo”.
“Isto” é a economia, é o tal dia a dia económico, que faz mexer as pessoas e as coisas.
“Quebrar”.
Não tinha ainda ouvido uma palavra tão expressiva para definir a política económica do senhor ministro Vítor Gaspar.

De um estofador de móveis: “Não, não fabricamos em Portugal tecidos tão bons como os importados. Mas fazemos os sofás e estofamo-los melhor que as grandes marcas de nomes italianos e franceses. Somos muito bons a fazer e a estofar móveis.”
A firma do senhor tinha seguido todas as regras de otimização do negócio, desde a diversificação (vende tecidos de noiva e para fatos de marchas de Santo António; fabrica cortinados à medida a partir dos componentes importados; faz decoração de interiores) à concentração de unidades mais pequenas de modo a ficar no sitio certo da curva dos rendimentos ainda não decrescentes. E aplicava a teoria da vantagem comparativa, sem ter estudado Ricardo nem frequentado os seminários dos “clusters” de Peter Drucker. Devemos concentrar-nos no que sabemos fazer bem, por mais imitações que se lhes possam seguir. E se não fabricamos tecidos com 75% de poliéster e 25% de algodão, melhor será importá-los, desde que se possa evitar com o fabrico de sofás nacionais a importação de sofás de marcas pretensiosas e desde que outras fábricas portuguesas possam produzir as fibras têxteis que os fabricantes espanhóis de tecidos possam por sua vez importar. Não deve existir nenhuma diretiva europeia que contrarie esta vantagem comparativa portuguesa, mas acho que o senhor ministro Álvaro Santos Pereira podia dedicar mais atenção ao negócio dos sofás e restantes móveis.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Descarrilamentos em Algés e Caxias em 8 de fevereiro


O orgulho e a satisfação do senhor secretário de Estado dos Transportes, por ter conseguido o equilíbrio operacional das empresas publicas de transportes, não terão sido afetados, tão seguro que ele deve estar na cruzada contra as “regalias” dos seus trabalhadores. Ignorando os alertas dos sindicatos e de alguns técnicos.

É verdade que é sempre possível que por trás destes acidentes estejam causas fortuitas  que simplesmente ocorrem de acordo com a estatística aleatória.
Mas eu sinto indignação perante a ignorancia atrevida de quem manda e se orgulha de equilibrar o saldo operacional à custa de cortes da despesa e de querer reduzir no orçamento de estado de 2013 20% do quadro de pessoal das empresas públicas (o FMI tinha sugerido um corte entre 10 e 20% no funcionalismo publico).
Porque existe uma correlação entre os meios e a qualidade de serviço, entre os cortes na manutenção e os acidentes.
O atual ministério da Economia e Transportes já passou as marcas.
Possivelmente por ignorancia, se se quiser ser benévolo, se não quisermos acusar os senhores governantes de quererem favorecer grupos privados relativamente às empresas públicas (é chocante ver o senhor consultor do governo, António Borges, falar sobre os esperados melhores resultados com a gestão privada, mesmo sem ter trabalhado em empresas de transportes) .
Ainda em Janeiro descarrilou uma automotora na linha da Beira Alta (lá estão as economias, é muito bonito fechar Cáceres, mas qualquer problema na via unica interrompe o serviço internacional). Parece que houve queda de pedras no caso da linha da Beira Alta (tem-se poupado nas equipas de inspeção da via e da sua envolvente, parece;  e lembremo-nos que ainda está de pé a hipótese de excesso de vegetação na envolvente da linha de Alfarelos na origem da perda de aderencia).
Não é possivel manter sistemas ferroviários com estas economias.
Para alem disto, a inoperancia do GISAF é um escandalo.

A agulha que provocou o desvio e descarrilamento é simétrica relativamente à  do primeiro plano; o deslocamento do comboio é no sentido para o observador


É  provável que a ponta da agulha em Caxias, no descarrilamento do comboio que vinha atrás, estivesse danificada e entreaberta (mas então o mais certo seria o sinal estar proibitivo) por alguma coisa estar suspensa do bogie do primeiro comboio que descarrilou em Algés , mais perto de Lisboa, e forçado a lança curva (ver a constituição das agulha na fotografia). Não creio que se o bogie fosse a arrastar, simplesmente, isto é, a patinar, tivesse danificado a agulha.
Mas é preciso saber o estado dos sinais, se se estava a pensar fazer uma manobra de ultrapassagem ou não.
Se o motor de agulha não tiver um dispositivo temporizador que desligue a alimentação do motor um tempo depois de dada a ordem, as lanças podem mover-se com o circuito de via ocupado, se houver prisão da embraiagem do motor de agulha entretanto vencida, deixando passar as primeiras carruagens e desviando as seguintes. Ignoro se os motores de agulha da linha de Cascais têm esse dispositivo que deverá ser fail-safe. Mas esta parece ser, sem informações concretas sobre os acidentes, uma hipótese remota.

Dizem os decisores que não há dinheiro (mas terão os senhores governantes que participaram na recente reunião sobre o orçamento da UE posto esta questão, que Portugal precisa de fundos de coesão para melhorar as suas redes de transporte energeticamente mais eficientes?) muito embora se assista ao financiamento do Banif e das empresas da ex-SLN/BPN.
Enfim, estamos numa fase em que tem de se discutir claramente se se quer continuar a desperdiçar dinheiro de todos nós em transportes com combustíveis fósseis, desde o automóvel privado, passando pelos autocarros, até aos ineficientes aviões (claramente ineficientes para percursos de 300 a 700 km), ou se se põe a engenharia portuguesa a elaborar projetos concretos e não politicos que permitam perguntar-se aos senhores da Comissão Europeia se há dinheiro ou não para os realizar.
Porque se não há, não vale a pena estar a fazer planos muito bonitos de redução de emissão de CO2 e de eixos prioritários de redes transeuropeias, integrados numa união fictícia.
Salvo melhor opinião.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Lâmpadas led, avanço tecnológico


A lâmpada em primeiro plano é led; imediatamente à sua esquerda na fotografia é fluorescente compacta e a ultima à esquerda é incandescente


Conseguiu, a Philips conseguiu.
Já produz, made in China, lâmpadas por emissão da junção díodo (led) com as mesmas dimensões e semelhante  diagrama de dispersão das lâmpadas incandescentes consumidoras de 8 vezes mais energia para o mesmo fluxo luminoso.

Tomemos o exemplo das lâmpadas de chama:
Led:
Potencia 4W – fluxo 330 lumen – custo 14€ - duração 7 anos (a embalagem fala em 25 anos para 2 horas/dia mas nestas coisas o ensaio laboratorial diz uma coisa e a realidade depois outra)
Incandescente:
Potencia 25W – fluxo 250 lumen – custo 3€ - duração 2 anos (para 2 horas/dia)

Considerando um lustre de quarto, para obter 1000 lumen precisamos de 3 lampadas led ou 4 incandescentes.

Teremos assim, para 7 anos de utilização com cerca de 700 horas por ano:
Led:
3x14=42€
Incandescente:
4x3x(7/2)=42€

Será que o preço por que se vendem as lâmpadas led é determinado por esta conta? Ou terá em consideração o custo de produção? Ou subsídios da UE para redução de emissões de CO2?

Vejamos a economia dos consumos para cerca de 700 horas/ano:
Led:
700x12=8,4 kWh
Incandescente:
700x100=70 kWh
Considerando o preço efetivo do kWh de 23 centimos, tem-se a poupança das 3 lâmpadas led relativamente  às 4 lampadas incandescentes igual a:

(70 – 8,4) x 0,23 ~ 14€/ano

Isto é, com a poupança de energia neste lustre pode comprar-se uma lâmpada led por ano.


Pode parecer pequena, a economia, mas o objetivo da substituição das lâmpadas incandescentes pelas  led é fundamentalmente para, a nível europeu, reduzir o consumo de energia e as emissões de CO2 (na produção de energia).
E estas pequenas contas servem para mostrar que os critérios económicos, pelo simples facto da economia ignorar o valor físico das coisas embora saiba quanto custam, não devem ser os únicos na tomada de decisões.
A redução dos consumos de energia e das emissões de CO2  é de facto o critério principal e mais importante.

Considerar , no entanto, e esta é uma ameaça séria, que as lâmpadas led e as lâmpadas fluorescentes compactas contêm valores superiores (mais estas do que aquelas) aos recomendados por norma de mercúrio e metais raros. O que deveria suscitar um plano rigoroso de recolha de lâmpadas usadas. Mas é difícil falar nisto sem virem os pregadores e defensores dos pelourinhos das fiscalizações e dos castigos rigorosos. Até os supermercados começam a ter depósitos de recolha.

Vale a pena então aproveitar este avanço tecnológico e comprar as lâmpadas led.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Le quattro volte, ou o carbono nas nossas vidas



“Le Quattro volte” (“As quatro vezes” – a língua portuguesa tem um problema, o título dado em português foi “As quatro voltas”) filme de 2010 de Michelangelo Frammartino, filmado numa região rural da Calábria.

Surpreendente pela clareza da análise do mistério da vida.
Lembrei-me da “Árvore da vida” de Terence Malick, que é uma visão norte americana que privilegiou a imagem.
O filme italiano chama-nos a atenção para o que esquecemos: “o homem tem dentro de si quatro vidas, que deve conhecer:  mineral, vegetal, animal, racional”… dependente, como mineral, do carbono para viver, e é carbono, também, embora nos encham o coração com a poesia do oxigénio e do azul refratado.
Agora que a União Europeia concedeu um prémio de 500 milhões de euros para a investigação sobre as aplicações do grafeno (material monocamada de átomos de carbono) na microeletrónica, é interessante ver como é importante o átomo de carbono para a humanidade.
No filme “As quatro vezes” mostra-se a produção de cavão vegetal segundo a técnica tradicional, com a combustão de pequenos troncos em ambiente pobre em oxigénio devido à terra que cobre os troncos.
Trata-se de uma técnica de pouco impacto ambiental (o anidrido carbónico emitido tinha sido previamente sequestrado por fotosintese) a que os governos deveriam dar  mais atenção.

E parece que não fui só eu que considerou o filme muito acima da média. O crítico do Guardian também gostou:

Passou agora na RTP2, no ciclo 5 noites, 5 filmes, juntamente com aqueles extraordinários “Aldeia de cartão” de Ermanno Olmi, sobre  imigrantes africanos em Itália e as questões das culturas diferentes, e  “Welcome” de Philip Loiret, sobre o imigrante curdo que jogava futebol como Ronaldo e se afogou na travessia a nado do canal da Mancha.
A Europa devia pensar melhor em como acolher a imigração e em como atenuar as causas que levam à emigração a partir dos países africanos (ensina-me a pescar, não me dês o peixe).
Estes filmes já tinham passado na RTP2 em Maio do ano passado:

Mas as audiências da RTP2 são tão pequeninas, e a programação dos canais concorrentes não deixa sequer um dia para um pouco mais de cultura de olhar o mundo para além do imediato (e ainda querem “privatizar” o canal).
E os críticos de televisão não parecem querer saber.

Pode ser essencial o equilíbrio das contas públicas de um país (e das contas privadas, contudo escondidas), mas este problema, o de como fazer chegar às pessoas filmes como estes, e falhar essa disseminação, em favor do entretenimento dominante, isso compromete um país.
Salvo melhor opinião, claro, eventualmente da maioria que não pensa como eu, ou do governo, que a maioria elegeu.

Artesanato popular


Brinquedo de artesanato popular.
Não é a mesma coisa que os jogos de consola, mas é interessante.

http://www.youtube.com/watch?v=N4xklhyQ3sg

À venda


Concordo com o governo, há matéria para vender aos reformados escandinavos (a propósito dos beneficios fiscais para residentes não nacionais).
Mas já não concordo com a venda.
Aluguer temporário, talvez, como fizeram os ministros de D.João IV, com as concessões do sal e do comércio com o Brasil, enquanto não se descobriu o ouro (no caso atual, enquanto não se operacionaliza a produção e a exportação de energia eletrica de origem renovável).

Ascensão e queda da cidade de Mahagonny


Não é uma manifestação em Madrid. É uma das cenas finais da "Ascensão e queda da cidade de Mahagonny" pelo Teatro real de Madrid. Em plena desregulação da vida da comunidade, todos fazem manifestações contra todos


Ascensão e queda da cidade de Mahagonny, ópera (ou anti-ópera) de Kurt Weill e Bertold Brecht, escrita entre 1927 e 1929.
Alegoria do capitalismo, da lei da selva e das ideias e forças que determinam o comportamento das populações.
Jimmy McIntyre, lenhador do Alaska que descobrira a felicidade, é condenado à morte por um tribunal de criminosos. Outros criminosos governam a cidade...
Jenny, prostituta que amava McIntyre, canta:
Não deixem que vos consolem
não deixem que vos imponham dízimas nem trabalhos forçados
não se deixem dominar pelo medo
querem educar-vos como animais
............................................
os homens de Mahagonny refletiram e disseram "Não"
.............................................
não há paz nem felicidade na terra
não podemos contar com nada
Ó lua do Alabama
vamos ter de dizer adeus
nós temos necessidade de dólares, tu sabes

A ópera é subversiva, os governos não gostam dela.
Especialmente desta.
E perigosamente atual, quando todos se manifestam contra todos, e quando os governos salvam os bancos à custa de quem trabalha ou trabalhou.
Ver a versão de 2010 no teatro real de Madrid, escolhida no canal Mezzo como a ópera do ano:
http://youtu.be/8UhG7mtnmvE

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O breve instante


O breve instante da passagem pelo canal de acesso ao metropolitano de Lisboa aberto pela ultima vez pelo meu cartão de reformado, gratuitamente, ou melhor, como complemento da reforma, por inerência de contratação coletiva anterior.
Ou talvez não, pela ultima vez, mas era preciso substituir o atual governo e esperar um movimento de retoma que nos permitisse nivelar por cima, e não por baixo, embora as poucas vezes que eu utilizei este complemento pequeno prejuizo tenham provocado.
Ou nem seria preciso substituir o governo todo.
Podia ser só o primeiro ministro, o adjunto e o ministro das finanças.
Já seria eficaz.

Privatizar-concessionar ou não privatizar-concessionar. Carta a uma jovem colega

Carta a uma jovem colega, que continua a sua vida profissional no metropolitano de Lisboa

Cara Amiga

Há um conceito básico na Física e na Matemática, que por sua vez são fundações da engenharia, que diz que não há certezas nem leis universais. Elas são válidas apenas num domínio restrito.
Bom, esta é a unica lei universal.
Aplicando à privatização/concessão ou não, não se poderá então dizer que privatizar/concessionar é uma panaceia, nem que o contrário o seja. (Aqui convem sublinhar que a diretiva que abre aos privados, obrigatoriamente, a exploração de transportes publicos, não proibe a existencia de operadores públicos - na verdade, se o proibisse, era intervenção protetora de interesses privados na economia).
Isto é, as coisas têm de se analisar caso a caso, deejando-se que nessa análise o debate varra todas as questões, coisa que nem de perto nem de longe o método do atual governo e do seu secretário de estado me parece cumprir.
É  verdade que a exploração do metro de Lyon (um nadinha mais curto, muito pouco, que o nosso) é feita pela Keolis privada, enquanto a infraestrutra e os custos respetivos ficam para a Sytrail pública. E que o metro colabora com a Egis Rail, gabibete de engenharia sediado em Lyon, e com o qual já tivemos o prazer de trabalhar no metro de Lisboa (entre outras coisas, porque confirmaram a correta atuação dos técnicos do metro de Lisboa na aquisição e gestão do sistema ATP de que as administrações, perfeitamente ignorantes das suas questões técnicas, tanto desconfiaram até a sua extinção).
Et pourtant, como se diz em França, consultando o site da Keolis verifica-se que pertence maioritariamente à SNCF publica, que por sua vez ainda recentemente se refubdiu com os RFF reseaux ferroviaire de France (equivalendo à refusão da CP e da REFER).
O que, simultaneamente com o anuncio da comunidade de Paris de ter republicizado o serviço de águas (acabado com a privatização das águas de Paris), indicia que a experiencia cega de privatização já ensinou aos práticos o que a teoria já vem defendendo desde os anos 30 e 40 do século XX com a fusão das pequenas companhias privadas ferroviárias em operadores públicos e desde os anos negros do ultraliberalismo Thatcheriano (negro porque na origem de uma série de acidentes com origem em cortes cegos na formação e na manutenção).
Dir-se-á que Lyon, de forma equivalente ao que se passa com o nosso Porto, gosta de fazer diferente do que faz Paris.
Infelizmente em Portugal ainda vamos atrás das teorias dos anos de Thatcher e de Reagan.
Mas pode ser uma visão subjetiva e ideológica da minha parte (embora reconhecendo validade tecnica à exploração privada do metro de Lyon e do Porto).
De modo que, correndo o risco de abusar da sua paciencia, lhe submeto um pequeno texto que fiz no meu blogue com uns cálculosinhos sobre a privatização/concessão, evidentemente falíveis e sujeitos a correção, que se desejará benvinda.
No fundo, no fundo, não gosto que digam que técnicos privados tenham mais competencia do que eu para conseguirem uma maior eficiencia na sua gestão; perdoe-se-me levar as coisas para o campo pessoal, mas durante a minha vida profissional contactei com muitos colegas do estrangeiro, publicos ou privados, europeus, americanos e asiáticos, coisa de que os consultores do governo talvez não possam gabar-se, e não vi que fossem muito melhores do que nós; mas pode ser subjetividade da minha parte:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/10/dedicado-ao-senhor-secretario-de-estado.html

E envio tambem uma pequena entrevista de José Benoliel ao dinheiro vivo , sobre o mesmo tema aplicado à CP:

O debate destas questões tem muito interesse para mim (e mais para a comunidade, embora a comunidade tenha relutancia em discutir abertamente estas coisas), especialmente quando se anuncia que o metro de Lisboa, apesar da significativa melhoria do lucro operacional, vê as despesas com o financiamento da divida para as infraestruturas, que deveria ser do Estado tout court, subir para 88 milhões de euros (por sua vez indicio de que os juros estarão acima do razoável e que o investimento nos derivados CDSwap entre 2008 e 2010 foi muito infeliz, um pouco como ir jantar ao restaurante onde se morreu de intoxicação):
http://www.ionline.pt/dinheiro/empresas-estado-endividamento-sobe-37-31-mil-milhoes-euros

Contrastando a divulgação destas informações com o anuncio, olimpicamente alheado dessas mesmas informações, pelo senhor ministro dos Transportes, de que, como a divida das empresa publicas de transporte está a subir, os consultores terão o processo de concurso pronto de maneira a ter as concessões entregues até dezembro deste ano.
Como dizem os brasileiros com o maior dos respeitos pelo étimo, evoé:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3024344

Mas voltando ao metro de Lyon. Quisera eu que o metro de Lisboa desse a mesma atenção que o metro de Lyon às questões e realizações dos sistemas automáticos de controle da marcha dos comboios e da acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida (eu sei que são investimentos elevados, mas tambem sei que são projetos que, desde que bem elaborados, são suscetiveis de financiamento QREN; não há é vontade política).

Ao dispor, esperando que me perdoe o excesso de palavras.

Saudações

A semiótica dos politicos – Quien, yo?


Expressão do senhor primeiro ministro espanhol acusado de silencio cúmplice no esquema de economia paralela do seu partido.
Quiem yo? Parece o senhor dizer, com a mesma expressividade que uma criança na escola, apanhada pela professora, se desculpa: “Quem eu? setôra? Não fui eu, só se foi aquele menino”.
É que o código genético é o mesmo e muito bem definido, independentemente da idade e da função.
E o mal não está nos “esquemas”, no sentido do angolanismo da palavra.
O mal está no divórcio dos políticos dos cidadãos, nos obstáculos à participação dos cidadãos no debate e nas propostas de solução, na desigualdade de tratamento entre o capital e o trabalho, na rigidez ideológica contra as empresas públicas, na promiscuidade entre o poder  politico e o poder económico, na submissão ao poder financeiro internacional, à não mobilização das potencialidades dos cidadãos e das suas competências técnicas, à hipocrisia de não reconhecerem que o desemprego é uma ferramenta essencial da ideologia ultraliberal que nos é imposta, ao não cumprimento dos direitos humanos da declaração universal.
Em Espanha, onde a ministra adjunta continua bonita apesar do desemprego,  e em Portugal, onde a felicidade se espelha nos rostos dos senhores banqueiros e se derrama das suas declarações públicas.

Silogismo desemprego - suicídios - cumplicidade

Seja o seguinte raciocínio:

A lei de Philips estabelece a correlação entre o aumento do desemprego e o abaixamento do nível de preços.
O nível de preços baixa se diminuirmos a procura.
A procura diminui se reduzirmos os rendimentos.
De acordo com as observações de David Stuckler (ver http://www.csap.cam.ac.uk/network/david-stuckler/      )
a uma subida do desemprego de 3% corresponde um aumento da taxa de suicídios de 4,45%.

Logo, a confirmar-se esta correlação, quem decide a redução de rendimentos, seja governante deste país ou credor do FMI, BCE ou CE, provoca o aumento da taxa de suicídios, é cúmplice na mortalidade.

Num estado de direito em que as instituições funcionassem regularmente, este raciocínio poderia ser um argumento de acusação de homicídio por negligencia em tribunal.
No próprio parlamento já se ouve que esta austeridade é crime (pelo menos contraria a Declaração Universal dos direitos humanos).
Possivelmente os governantes argumentam que não há outro caminho senão a recessão e os cortes na despesa.
Claro que há outros caminhos, mas eles só se podem quantificar depois de auditadas as dívidas pública e privada, sabendo quem são os credores e qual o destino do dinheiro correspondente às dívidas, obrigando ao levantamento do sigilo bancário, coisa que os senhores governantes não quererão por respeito ideológico.
Os senhores governantes, certamente por falta de tempo, não disponibilizam essas informações.
E também não parecem compreender muito bem a necessidade de sair da zona da armadilha da pobreza (aquela em que, por o PIB ser muito pequeno, por mais investimentos que se façam, não há retorno).

Mas mesmo que não houvesse outro caminho, e se os senhores governantes não são capazes de compatibilizar austeridade e crescimento com diminuição do desemprego, então a questão não é politica nem ideológica. É um problema de gestão, de organização e métodos. Tem de se alargar a composição do governo, um governo de inclusão de representantes de todas as sensibilidades e potencialidades.
E não seria necessário substituir todo o governo.
Bastava substituir o primeiro ministro, o adjunto, o ministro das finanças.
Não é uma questão politica, é uma questão de gestão, um governo de inclusão segundo o método proporcional de Hondt.