Comento de seguida a notícia "Movimentos cívicos criam plataforma nacional contra megaprojetos solares e eólicos" que amável correspondente me enviou:
Fonte: Jornal Económico
https://share.google/BpwTaJKDPiblxWJ8K
Curiosamente, recebi hoje tambem esta informação:
Parecerá que é uma forma de branqueamento de um neo-colonialismo, deslocar os indesejados paineis fotovoltaicos e eólicas para o norte de África e beneficiar depois da exportação de energia através de cabos de muito alta tensão contínua, + e - 500kVDC (o meu professor de aplicações de eletricidade, em 1969, já nos dizia que estes cabos submarinos já iam da Dinamarca para a Suécia; atualmente vão também da Irlanda para o UK e a França, mas atenção que em Portugal grupos de interesse de Viana do Castelo já disseram que não pode ser).
Por formação (ou deformação) técnica, defendo a instalação de centros produtores num país em que nos queixamos de desertificação e de desigualdade de PIB per capita em benefício do litoral (exemplo de PIB per capita em 2024: subregião NUTIII Guarda 19.000€, Viseu 21.000€, Aveiro 26.000€. Um dos objetivos dum plano de ordenamento (competencia legislativa exclusiva da AR, já agora relembro a disposição constitucional, art.165.1.z) deverá ser a redução destas desigualdades com instalação de centros produtores de energia. Outro objetivo deverá ser o de aumentar o valor das exportações para equilibarmos o nosso PIB através da venda de energia a França, Alemanha, etc. É mais um exemplo duma regulamentação europeia que não é cumprida neste caso por inércia nacional e espanhola (haveria que projetar cabos submarinos do Minho ou Galiza pelo golfo da Biscaia)e obstrução ilegal da França (que têm um problema grave, a necessidade de reformar os seus reatores nucleares sem suporte de outras tecnologias de produção).
Evidentemente que o plano de ordenamento deve ser objeto de consulta e debate públicos (as consultas públicas que a APA executa são apenas sobre valores ambientais, considerando questões técnicas como "irrelevantes" - cito por experiencia própria) e confesso que não sei se o plano referido está bem feito. A discussão pública deveria ser feita em moldes obrigatórios em todos os canais televisivos
Reconheço que é extremamente penalizador para uma população já de si reduzida, ser obrigada a abandonar território onde nasceu e cresceu, mas esse é o procedimento que tem sido seguido em albufeiras como Vilarinho, Alqueva e agora Pisão. Como em qualquer dilema dum lado os custos, do outro os benefícios. Claro que a apropriação dos benefícios por minorias organizadas não é bonito, mas são as escolhas ideológicas validadas em eleições. Do ponto de vista económico podem calcular-se os custos de não fazer uma instalação produtora.
Um tema que me pareceu os promotores do movimento não estarem a dar importancia é a da produção de hidrogénio. Apesar do péssimo rendimento da produção (1 kg de H2 requer 50kWh e normalmente só poderá gerar 15kWh úteis (embora o seu poder energético seja 31 kWh/kg) a sua produção descentralizada permitiria resolver problemas de mobilidade de veículos com fuel-cell e de armazenamento por baterias ou hidrogénio. A exportação de energia em períodos de baixa procura interna e a possibilidade de armazenamento do hidrogénio e das baterias permitiria reduzir o problema da intermitência da produção das renováveis. A considerar também a produção de combustíveis sustentáveis (SAF) a partir da energia das renováveis.
Por tudo isto, concordo com a consulta e discussão públicas, mas tenho reservas quanto aos verdadeiros objetivos do Movimento.
Peço desculpa se disse alguma incorreção.
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