quinta-feira, 4 de junho de 2026

Exmo Senhor Ministro, Exmo Senhor Secretário de Estado IV - Comentário a um excelente artigo sobre o uso do capacete por ciclistas

 O Público publicou em 3jun2026 um excelente e pertinente artigo de Camilo Soldado:   https://www.publico.pt/2026/06/03/local/noticia/capacete-obrigatorio-65-mortes-bicicleta-sao-causadas-veiculos-motor-2176981 

Entre outras conclusões, parece que a Holanda não será o paraíso dos ciclistas como se crê, discutindo-se o uso do capacete. Insiste o lobi ciclista que a obrigatoriedade, apesar de salvar algumas vidas, iria agravar a saúde pública por diminuição do uso das bicicletas. Não serão grandes adeptos do transporte público menos poluente. Pena insistir-se numa discussão académica. Como no artigo refere o prof João Dias, com o crescimento do uso das bicicletas será inevitável legislar sobre o capacete. Recordo que em dezembro de 2018 o então secretário de Estado proibiu a PSP de multar os utilizadores de bicicletas e trotinetas elétricas que não usavam capacete, e tomou a iniciativa de eliminar essa obrigatoriedade do art.82 do Código da Estrada, o qual justificava as multas.



Comentário que enviei ao jornalista:

Cumprimento-o pelo excelente e informado artigo de dia 3 de junho. Junto em anexo alguns textos que venho escrevendo sobre o assunto, sem sucesso. Por um lado o lobi dos ciclistas desvaloriza a preocupação com os traumatismos cranianos e realça o risco, na verdade inadmissível, da velocidade superior a 30km/h dos automóveis em vias partilhadas (a limitação na maior parte das vias urbanas a 30km/h deve implicar também a obrigatoriedade de guardar uma distancia mínima entre dois veículos correspondente à distancia percorrida a essa velocidade em 2 segundos, que para 30km/h são 16m) . Esquece, porém, que as estatísticas fiáveis, que são raras, deveriam incluir a quilometragem percorrida pelos veículos. Tento analisar isto no texto anexo.
Como muito bem refere no artigo, o prof João Dias já revelou que, afinal, o ciclismo na Holanda não é tão seguro como isso (contrastando com a situação na Dinamarca e na Suécia), o que confirmo numa das minhas hipóteses, e o governo pretende pelo menos obrigar os jovens a usar capacete. Como ele diz, um médico traumatologista não terá dúvidas em querer a obrigatoriedade do capacete. E nas colisões pela traseira qual terá sido a causa próxima da morte?
Se o lobi dos ciclistas acha que o capacete reduz o uso das bicicletas e aumenta as emissões, então defenda o aumento dos transportes públicos energeticamente eficientes e em sítio segregado (e se quer jogar com o capacete nos automóveis considere que é obrigatório o uso de cinto e os fabricantes de automóveis foram obrigados a incorporar nas carroçarias a resistencia à deformação de modo a reduzir a probabilidade de colisão da cabeça) . Feitas as contas, o desvio da quota modal do transporte dos automóveis para as bicicletas reduziria os constrangimentos de tráfego mas mantinha-os significativos. No powerpoint que anexo no diapositivo 7  mostro que 100 pessoas a deslocarem-se  a 20 km/h em bicicleta respeitando a distancia de segurança de 2 segundos ocupariam uma extensão à superfície de cerca de 220m contra 580m se se deslocassem à mesma velocidade em automóveis, mas se fossem de metro ocupariam zero. De facto em termos de eficiência energética a bicicleta é imbatível, mas na seleção de um modo de transporte devem considerar-se os outros fatores, e um deles é a segurança.
Mas vamos à estatística do EU CARE da DG MOVE, que não se afasta muito da da ETSC (27 a 28% em 2024 em toda a EU das vítimas mortais de ciclistas devem-se a despistes ou quedas, isto é, são estas mortes que desprezamos quando não obrigamos ao uso de capacete).  Mas VMs por despiste nas trotinetas foram 45% (total VMs 148 - continuamos a aguardar a informação precisa sobre o acidente e causa próxima de morte da jovem no Porto em 18abr2026) nas motorizadas 36% e nas motos 44%. Isto é, sem intervenção de outros veículos, temos uma situação inaceitável. Considere-se o caso dos peões, 3560 VMs incluindo 10 atropelamentos por ... trotinetas, 18 por bicicletas, 12 por motorizadas, 96 por motos e cerca de 3400 por autos ligeiros e pesados. Não se vitimizem tanto os ciclistas e os das trotinetas, e abstenham-se de andar a correr nos passeios. A redução do tráfego não deve ser só para os automóveis, pensem mais no transporte público em meio segregado.

Com os melhores cumprimentos e votos de sucesso

Ligações:  


https://transport.ec.europa.eu/background/road-safety-statistics-2025_en

https://road-safety.transport.ec.europa.eu/document/download/c863c9a5-05b4-4a9d-9eac-a56b9264b480_en?filename=ERSO_annual_report_20240522.pdf

https://etsc.eu/europes-cyclists-left-behind-as-safety-gap-widens-new-etsc-report-finds/





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