terça-feira, 9 de junho de 2026

Ponto de situação do financiamento da linha AV Porto-Soure

 


Tendo sido manifestadas dúvidas sobre o ponto de situação do financiamento da linha AV Porto-Soure, tentei esclarecê-las.

Não sou a pessoa mais indicada para esclarecer as dúvidas pela razão simples de que tenho consciência de não dispor de toda a informação. 

Devido à minha formação como técnico, não posso fundamentar a minha discordância da política ferroviária da IP (a quem a AR e o governo delegaram decidir tudo sobre a Alta Velocidade em Portugal – Resolução AR 98/2024 e RCM 77/2025) numa classificação das decisões da IP como incompetência, ignorância, negligência ou gestão danosa. 

Mas devo, isso sim, como técnico, manifestar-me contra o que classifico como imprecisão, como afastamento de um dever deontológico que é o de cumprir os requisitos da normalização técnica, neste caso do regulamento EU 1679/2024, e como divulgação deficiente da problemática envolvida. 

Não são cumpridos os requisitos técnicos do regulamento no projeto Porto-Oiã ((abstenho-me de fundamentar uma crítica ao próprio traçado Gaia-Campanhã-Aeroporto associado ao plano de reurbanização de Campanhã) nomeadamente no uso da bitola ibérica em vez de europeia, e de pendentes superiores a 1,25% [1]  (implicando, se utilizados para mercadorias, como definido no regulamento, custos operacionais adicionais devido à dupla tração). 

Esta inconformidade com o regulamento pode justificar a rejeição de novas candidaturas ao CEF-T, conforme a lista de candidaturas aprovadas em jul2025 comprova[2]

Neste momento, aguarda-se o convite a novas candidaturas de junho a outubro de 2026[3].

Sobre as dúvidas em causa, a referência de mais confiança de que disponho é a ligação do EIB (European Investment Bank)/BEI  sobre a assinatura do financiamento do BEI ao consórcio AVAN em jul2025[4]  e que julgo poder resumir assim:

Em jul2024 foi aprovado um financiamento/grant CEF-T de 813 milhões de euros para a primeira fase Porto-Soure (143km, cerca de 30% dos 2.600 milhões do orçamento) e um financiamento/empréstimo BEI de 3.000 milhões

Em jul2025 foi assinado com o BEI o financiamento ao AVAN de 875 milhões incluídos no conjunto de 3.000 milhões.

Para além do empréstimo do BEI temos:

900 milhões dum conjunto de instituições financeiras

480 milhões  que fazem parte dos 813 milhões do CEF-T aprovado em 2024

150 milhões de cofinanciamento da IP

Em resumo, se não estou a ser ingénuo, os 480 milhões fazendo parte dos 813 milhões, a diferença ficará guardada para o troço Oiã-Soure mais precisamente Taveiro [5] .  O empréstimo do BEI para Porto-Oiã é de 875 milhões.



[5]  como técnico, penso que a proposta do consórcio de mudar a estação de Santo Ovídio tinha pouco fundamento técnico, mas a proposta que levou à anulação do concurso Oião-Soure estava tecnicamente correta, a estação de AV de Coimbra não tinha de ser em Coimbra B, podia ser em Taveiro ou na Adémia, desde que ligado por metro a sério não BRT ao centro de Coimbra, isto é, à defunta Coimbra A, evitava-se a quadruplicação da linha suburbana.

 


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