sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

JMJ em 17fevereiro2023

 

 Mensagem enviada ao autor do artigo

https://www.publico.pt/2023/02/16/local/noticia/ponte-militar-jornada-mundial-juventude-podera-nao-avancar-2039222

 


 

Em novembro de 2021 enviei aos presidentes de câmara de Lisboa e de Loures uma nota sobre a segurança em eventos baseada na portaria 135/2020 . Chamava ainda a atenção para o prejuízo económico devido à eliminação do terminal (não depósito) de contentores da Bobadela e à hipótese, embora remota, dos terrenos da foz do Trancão servirem para a amarração da terceira travessia do Tejo (ponte ou túnel). Sugeri que fosse escolhido outro local para a realização das JMJ.

Na sequencia das mensagens fui recebido por assessores do presidente de Loures que educadamente me informaram que as decisões estavam tomadas  e eram irreversíveis. Da parte de Lisboa não me julgaram digno de entrevista.

Se tiver oportunidade, poderá ver  a minha argumentação em

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/11/jornadas-mundiais-da-juventude-mensagem.html

Não tendo já qualquer esperança de ser ouvido pelos decisores, apenas enviei à sua colega Cristiana Moreira um comentário sobre a aparente relação entre o palco-altar e o zigurate de UR ( https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/01/jornadas-mundiais-de-juventude-27-de.html ).

O título do seu artigo porém levou-me a enviar-lhe esta mensagem, porque a ponte militar não serviria apenas para o papamóvel passar, o que teria a vantagem de ajudar a conter participantes no lado de Loures. Segundo a portaria referida, por cada 300 pessoas num evento deverá ser deixada livre para evacuação de emergência uma unidade de passagem (60cm). Ora, estimando 5 metros para a largura da ponte pedonal em construção e adicionando  7 metros para a ponte militar, teríamos  12:0,6 = 20 UP que podem escoar 20x300 = 6000 pessoas. Isto é, se houver uma emergência num dos lados do terreno, os canais de evacuação são limitados. Eliminando a ponte ,militar, mais inseguro fica o evento. Igualmente construir uma vedação para evitar o acesso ao rio é perigoso (risco de esmagamento em caso de emergência).

Em resumo, o que eu venho sugerir-lhe, admitindo que de momento não haja interesse em tratar do assunto da deslocalização do terminal de Bobadela nem da hipótese de ligação à TTT, é que dê publicidade à necessidade de serem conhecidos os planos de evacuação (não me refiro aos planos de segurança pessoal contra atentados) conforme a portaria 135/2020.

Com os melhores cumprimentos e votos de saúde


 

 

 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Notícias do metropolitano em fevereiro de 2023

1 - Felicitações aos colegas do metro e seus fornecedores que executaram com exito os seus trabalhos de melhoria da sinalização e preparação para o CBTC (communications based traffic control) no fim de semana de 4 e 5 de fevereiro. Bom trabalho.

2 - não posso dizer o mesmo do elevador de superfície da estação de Entrecampos do metro desde 19 de dezembro passado. Na sequencia da chuvada, a  água acumulou-se numa depressão da calçada à portuguesa,

a calçada foi rapidamente reposta, mas não foi eliminada a depressão, isso exigiria mais trabalho e mais fiscalização

 infiltrou-se no teto do corredor para a estação da IP, provocando uma pequena queda do reboco do teto


 e caindo na casa das máquinas do elevador avariou-o. Os dois elevadores átrio-cais mantém-se em serviço, o elevador de superfície mantem-se, em 8fev2023, fora de serviço.



O problema da acessibilidade de pessoas de mobilidade reduzida revela o desprezo por estas dos decisores , desde os financeiros a gestores e titulares governamentais ou autárquicos, contrariando as boas intenções dos comunicados oficiais. Falo por experiencia própria, que nunca consegui apoio das administrações para dinamizar a instalação de elevadores e instalações sanitárias adaptadas. Por outro lado, na estação da IP mantém-se paralisados os elevadores desde 19 de dezembro. Não é aceitável (as escadas mecânicas, porém, estão a funcionar). 

elevadores da estação de Entrecampos da IP fora de serviço


Perante esta triste realidade, em contraste com as declarações de intenções, gostaria que se considerasse o que qualquer gestor de serviços mínimos proporia, a  substituição de equipamentos menos fiáveis por solução de recurso, e diminuição do número desses equipamentos. Concretamente, em toda a rede: 1 - adoção da solução da estação Roma (um elevador superfície-átrio-cais + um elevador átrio-cais + canais de acesso ao nível dos cais; 2 - substituição do elevador de superfície-átrio por rampas). No caso de Entrecampos, é perfeitamente possível a solução de rampa superfície-átrio. Também em Campo Grande esta solução é viável desde que se coordene com a construção dos novos edifícios no local do antigo estádio do Sporting.

Informação no site do metro em 8fev2023 (https://www.metrolisboa.pt/institucional/informar/investimentos/):

 


3 - Também não gostei de, a pretexto de se aproveitarem dinheiros do PRR, terem formalizado o anúncio do concurso para o prolongamento da linha vermelha, passando por cima das críticas que alguns profissionais fizeram ao traçado (já viram bem uma estação espetada na rampa de acesso à ponte 25 de abril que obriga à construção de um novo acesso cujo orçamento não é público?) . 

Aqui recordo as objeções, para além da estação de Alcantara Terra encravada na rampa de acesso à ponte:

- omissão de correspondência com a estação de Alcantara Mar da linha de Cascais contrariando assim o PROTAML de 2002 (mantendo-se a não atualização deste, ao arrepio das diretrizes comunitárias quando se propõem traçados na área metropolitana de Lisboa) que seria, em viaduto, uma alternativa mais eficiente que não foi estudada na análise comparativa de viabilidade, do que a correspondência com o LIOS ou a ligação da linha de Cascais à linha de cintura, 

- traçado sinuoso que deveria ter sido corrigido, sem as desculpas apresentadas nas sessões ditas de esclarecimento depois da consulta pública terminada, evitando as interferencias com o jardim da parada, o recinto interior triangular dos edifícios da av.Infante Santo e o baluarte do Livramento

- omissão do estudo da alternativa de contorno do centro comercial das Amoreiras e depósito de água por Poente

Fotos da carruagem-exposição no Terreiro do Paço

 




4 - e por fim, outro fim, o fim da linha amarela como a conhecemos, que a partir de maio perderá a ligação de Odivelas ao centro da cidade, por se iniciarem os trabalhos de ligação das vias e dos tabuleiros dos novos viadutos nos encontros com os atuais. Fim da linha amarela que conhecemos desde 2003,  mantendo-se durante 3 meses, de maio a agosto, possivelmente para o metro não ser acusado de perturbar as JMJ, o serviço entre Odivelas e o Campo Grande, e entre a Cidade Universitária e o Rato. Longe portanto a defesa da linha em laço, que evitaria a agressão à estação e aos viadutos do Campo Grande, feita na campanha eleitoral pelo atual presidente da câmara de Lisboa. Impressionante o argumento que vem das altas instancias do metro, que se o novo esquema não correr bem, volta-se à ligação Odivelas-Rato, não foi para se dizer coisas destas que se desenvolveu a engenharia.

A propósito das obras dos novos viadutos, temos este anúncio do metro de perturbações na Av.Padre Cruz de rebaixamento do pavimento rodoviário de 30 cm (o que será mais barato do que ter construido o viaduto 30 cm mais acima) de modo a garantir 5 m livres para o tabuleiro do novo viaduto, o que reduzirá de outro tanto a distancia do pavimento à abóbada da galeria do metro. Reparar que a altura dos caixões do tabuleiro na via da fotografia abaixo é menor do que a dos tabuleiros vizinhos, ficou mais esbelto; o que devem ter sofrido e debatido os colegas a quem passaram o trabalho de conciliar o inconciliável com as regras da arte (pergunta: qual a carga máxima suportada a meio pelos outros tabuleiros e por este).

https://projetos.metrolisboa.pt/inha-circular-condicionamentos-de-transito-na-avenida-padre-cruz/

 Confirma-se assim o que informei numa sessão pública a um senhor arquiteto diretor da obra de remodelação da segunda circular, julgo que em 2016, que a nova ligação da segunda circular à Av.Padre Cruz não era boa ideia porque, no sentido sul-norte, teve de passar primeiro por baixo do viaduto de ligação Telheiras-Campo Grande e depois por cima da galeria Campo Grande-Cidade Universitária. Foi-me dito que ainda não tinham feito o projeto. Aliás, no nosso país primeiro decide-se, e depois faz-se o projeto, mesmo que este mostre que o seu objetivo é asneira.

 



PS em 12 fev2023 - Tunel entre a estação Estrela e a estação Santos (exclusive) - Consta que o empreiteiro já concluiu o túnel. Dada a natureza dos terrenos seria interessante que ele divulgasse eventuais dificuldades que tivesse encontrado (por maioria de razão, extensível ao empreiteiro encarregado da estação Santos e da sua ligação à estação Cais do Sodré), e resultados da monitorização da instrumentação que terá instalado nos edifícios próximos da vertical do túnel. Tratando-se de um assunto de natureza pública não se põe, nos termos do artigo 48 da Constituição, a invocação de qualquer acordo de confidencialidade para o impedir. Igualmente é devida uma informação aos cidadãos sobre os sobrecustos da empreitada e em que parte são aceites com base na resolução do governo de 7dez2022 relativa à inflação. 


sábado, 4 de fevereiro de 2023

Viagem do Papa a Kinshasa em 31jan2023

 



“Chega! Parem de enriquecer à custa dos pobres, parem de enriquecer com recursos e dinheiro manchado de sangue”,

“Tirem as mãos da República Democrática do Congo, tirem as mãos da África! Basta deste sufocar da África: não é uma mina para explorar, nem uma terra para saquear. Que a África seja protagonista do seu destino!”




fontes:

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2023-01/papa-francisco-rdcongo-discurso-autoridades-diplomatas.html

https://www.publico.pt/2023/02/01/mundo/noticia/cerca-dois-milhoes-pessoas-assistiram-missa-papa-kinshasa-2037287

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Acidentes na passagem de nível de S.Pedro da Torre, Valença

 Na passagem de nível de S.Pedro da Torre, Valença, ocorreu uma colisão com um automóvel em 29jan2023.

Tinha havido um simulacro pelos bombeiros em 22dez2022. Breve pesquisa na internet deu uma colisão em 20dez2021 e um atropelamento em 27jan2019.

Nas fotos seguintes pode ver-se que num dos sentidos de atravessamento existe visibilidade mas no outro não. Provavelmente será a causa, juntamente com a imprudência e impaciência de passar estando as meias cancelas a baixar ou já baixadas.

Com o aumento da velocidade e da frequência dos comboios, há muito que as passagens de nível deixaram de poder evitar os riscos de colisão apesar dos automatismos de deteção da aproximação dos comboios. Dadas as distancias de travagem dos comboios (aproximadamente para 60 km/h  300 metros,  90 km/h  600 metros) não é possível evitar a colisão se o veículo automóvel avariar e ficar parado na travessia ou tiver passado pela meia cancela. O registo de acidentes exemplifica as probabilidades de ocorrencia simultanea da presença de comboio e veículo automóvel.

A falta de visão para o condutor do veículo automóvel agrava a situação. Ver por exemplo o caso do acidente em Carapeços em

  https://fcsseratostenes.blogspot.com/2019/06/a-tragedia-na-passagem-de-nivel-d.html#comment-form

A solução será passagens desniveladas, uma vez que a expropriação das casas que tiram a visão será da mesma ordem de grandeza. 

Não havendo dinheiro (quanto é uma indemnização por negligência para os familiares duma vítima? ), ao menos que se instale detetores de presença de veículo automóvel e sinalização ao comboio e se proiba a vegetação no quintal que tira a visão. Também não evita, mas reduz a probabilidade de colisão.  

sentido da  viatura automóvel colhida, não há visibilidade; a cortar o arbusto


sentido contrário ao da viatura acidentada

sentido contrário da viatura acidentada, vista para o lado da aproximação do comboio

mesmo sentido da viatura acidentada







sábado, 28 de janeiro de 2023

Jornadas Mundiais de Juventude, 27 de janeiro de 2023

 https://www.publico.pt/2023/01/25/local/noticia/camaras-gastam-governo-jornada-mundial-juventude-igreja-nao-revela-valores-2036439

Cara Cristiana Moreira  

Apreciei o seu artigo no Público de dia 26 de janeiro com informações precisas sobre os custos das JMJ e com a imagem da maqueta do edifício-palco-altar, que eu desconhecia. 

E depois do seu artigo, parece que “desatou tudo aos gritos” para usar uma expressão coloquial. 

Vai sendo hábito deixar chocar silenciosamente um ovo , espera-se que nunca de serpente, mas ainda assim danoso. A maqueta do edifício em causa foi desde meados de 2022 mantida secreta pelos autores, ao que parece arquitetos da SRU de má sina, seguindo a prática de colocar as pessoas perante factos consumados, como tem acontecido com as novas linhas de metro. E tudo isso perante a inoperância de quem devia zelar pelo cumprimento da Constituição, que no seu artigo 48º garante aos cidadãos o direito de participar e ser informados dos assuntos públicos. 

Perante o projeto de um edifício com 9 metros de altura mais uma pala de 12 metros, não posso evitar a sugestão de que a imagem do zigurate de Ur se tenha introduzido no subconsciente dos autores do projeto, com aqueles planos inclinados que também podem sugerir a base da construção da torre de Babel, ou os episódios bíblicos não estivessem na origem de muitas crenças religiosas. 

 

                          o zigurate de UR, capital da Suméria                                 getty images
     

 

Basicamente, são 3 as objeções: 

1 – para agradar aos autarcas preocupados com o voto dos seus eleitores, o governo determinou o despejo do terminal de contentores da Bobadela, estando já desocupado parte dele para as JMJ, ignorando-se que a desocupação do terminal tem custos elevados para a logística; o objetivo é oferecer um parque de lazer ribeirinho, em vez de se repartirem as áreas pelo parque de lazer e por parte do terminal a funcionar; é a velha desculpa oportunista de vamos aproveitar as JMJ para eliminar uma área produtiva e substitui-la por uma área de lazer (no fim do email juntei uma pequena parábola sobre o assunto) 

2 – considerando as áreas envolvidas, a proximidade dos rios, da via férrea, do IC12, duma ETAR, de artérias pouco largas, a previsão de participantes, e de acordo com a portaria 135/2020, por cada 300 participantes deverá deixar-se livre um caminho de fuga com 0,6 m de largura. Isto é, para 1 milhão temos de deixar livres 3 km (obrigaria a interromper o tráfego de comboios e o rodoviário). Prevê também um limite de 3 pessoas por m2, o que contando com 20 ha úteis dá um máximo de 600.000 pessoas. A largura dos passadiços da margem norte e da ponte pedonal do Trancão também não é tranquilizadora. Deveria ser prestada informação sobre o que se prevê como medidas de segurança contra esmagamentos de multidões (nos links que lhe deixo abaixo poderá ver uma relação de acidentes em eventos do género) 

3 – finalmente, uma coisa de que raramente se fala, a zona da foz do Trancão pode vir a ser utilizada como zona de amarração de ponte ou túnel da terceira travessia do Tejo com ligação à linha Lisboa-Porto. Igualmente pode ser requerida para troços da rede de transportes metropolitanos e suburbanos da AML. Só que o PROTAML  precisa de ser revisto, mas utilizar desde já toda a zona sem que essa revisão tenha efeito pode considerar-se um ato de gestão danosa por comprometer o desenvolvimento da rede de transportes, mas infelizmente isso é vulgar quando se carece de planeamento. 

Junto de seguida uma série de links que poderá utilizar como bem entender. 

Com os melhores cumprimentos 

Fernando Santos e Silva 

 https://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/06/o-trio-que-o-papa-juntou-para-as.html 

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/11/jornadas-mundiais-da-juventude-mensagem.html 

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/11/mensagem-para-o-presidente-da-camara.html 

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/04/mais-um-exemplo-dos-cuidados-ter-nos.html 

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/04/5-hipoteses-para-deslocalizacao-do.html 

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/01/o-terminal-da-bobadela-e-as-ligacoes.html 

 

 

 

                                                      Parábola de formigas e cigarras 

Há muitos anos, num terreno abandonado junto de um rio, começaram a surgir uns buraquinhos no chão e uns montinhos de terra. Tinham chegado as formigas e instalado uma rede de formigueiros, desenvolvendo uma azáfama coletiva. 

Sucedeu porém que toda uma série de bicharada afim foi ocupando as colinas que bordejavam um dos lados daqueles terrenos. A laboração das formigas não impedia o decorrer normal da vida dos outros insetos mas, e há sempre um mas, inconveniente ou não, ou assim assim, a colónia das cigarras começou a dizer que a vista do rio, para o outro lado, ficava prejudicada pela quantidade de raminhos e pequenos detritos que as formigas estavam sempre a empurrar. 

Por coincidência um tanto inesperada, ou assim assim inesperada, o Conselho dos louva-a-deus resolveu fazer um congresso alargado para exaltação coletiva da metamorfose regressiva, isto é, a fase que antecede a passagem do estádio de ninfas para o estádio adulto. 

Veio então um Conselho de libélulas que achou que sim, que o congresso vinha a propósito para satisfazer a pretensão das cigarras e que portanto as formigas que fossem fazer formigueiros para outros locais, que aqueles terrenos eram vocacionados para atividades de lazer. 

Ainda foi pedido o parecer do Conselho das abelhas, conhecido pela sua capacidade de conciliar o aparentemente inconciliável e pela produtividade do seu trabalho, e que ainda propuseram, salomonicamente, que se fizesse uma partilha ao meio, metade para as formigas, e metade para  as cigarras. 

Porém, o Conselho das libélulas já tinha decidido e surdo ficou à proposta salomónica. 

E as formigas, coitadas, lá foram para mais longe sempre empurrando o objeto do seu trabalho. 




PS em 29jan2023 - Para além dos acidentes por esmagamento relacionados em https://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/11/jornadas-mundiais-da-juventude-mensagem.html

temos, indicando-se o número aproximado de mortes:

- estadio de Yaunde 25jan2022 - 8 ; https://www.aljazeera.com/sports/2022/1/25/at-least-six-football-fans-killed-in-cameroon-stampede

- fronteira de Melilla  24jun2022 - 23 ;  https://en.wikipedia.org/wiki/2022_Melilla_incident

- estadio de Malang, Indonesia 1out2022 - 133 ;   https://www.theguardian.com/world/2022/nov/01/how-do-crowd-crushes-happen-stampede-myth-what-happened-in-the-seoul-itaewon-halloween-crush 

- ponte pedonal de Morbi, India 30out2022 - 135 ;  https://en.wikipedia.org/wiki/2022_Morbi_bridge_collapse

- Seoul, comemorações do Halloween 31out2022 - 150 ;    https://www.theguardian.com/world/2022/nov/01/how-do-crowd-crushes-happen-stampede-myth-what-happened-in-the-seoul-itaewon-halloween-crush






quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

SUGESTÕES PARA NOVAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA O SERVIÇO DE REDES DE METRO - comunicação apresentada no 10ºcongresso do CRP em julho de 2022

 

SUGESTÕES PARA NOVAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA O SERVIÇO DE REDES DE METRO

                    

Sumário

Reconhece-se o papel das cidades no contexto da digitalização e de defesa do ambiente, referindo-se a perspetiva dos movimentos de participação dos cidadãos e a perspetiva dos instrumentos comunitários para a organização do território. Sublinha-se a interdependência entre a mobilidade e o urbanismo e a necessidade de um plano de mobilidade da AML e de redução do modo automóvel. Propõe-se um critério comparativo entre modos de transporte. Apresentam-se casos concretos de aplicação do conceito de modos complementares e o esboço de um plano de mobilidade da AML, incluindo parques dissuasores.

Palavras chave: mobilidade urbana; SUMP; planeamento de redes; modos complementares; “autonomous shuttle”

 

 

1.     INTRODUÇÃO

O impacto da pandemia, da rotura de cadeias de abastecimento de longo curso e da guerra na mobilidade urbana levantou uma série de interrogações, nomeadamente em relação com o teletrabalho e com a flexibilidade de horários. Estes condicionalismos juntam-se, na área metropolitana de Lisboa (AML) num contexto de ausência de plano de mobilidade, de insuficiência de infraestruturas e de procedimentos não consensuais de planeamento, dificultando a resposta às necessidades de mobilidade que a demografia e a urbanística, deficientemente estruturada em torno do modo automóvel, suscitaram.

Partindo de dois pressupostos, de que apesar de tudo as cidades são o modo correto e sustentável de abrigar as comunidades humanas, e de que o seu planeamento é inseparável do planeamento da mobilidade que exige instrumentos próprios já normalizados na União Europeia (UE), o objetivo deste artigo é o de sugerir ao leitor possíveis abordagens da problemática da mobilidade na AML, alguns critérios de seleção de modos de transporte, possíveis exemplos de aplicação de meios digitais a esses modos, e finalmente soluções de aplicação a realizações em curso na AML.

É curioso observar que as citações que se fazem a seguir do livro “Metrópoles”  de  Ben Wilson, ed. Desassossego, apesar do seu autor não ser especialista nem de mobilidade nem de urbanismo, conseguem sintetizar a problemática das cidades atuais e do seu planeamento, por exemplo, ao defender o fim da divisão entre centro da cidade e subúrbio (e da consequente “pendularidade”):

“A revolução digital  poderá erradicar muitos dos inconvenientes da vida na cidade, criando “cidades inteligentes”, futuristas, alimentadas por dados, com milhões de sensores incorporados que permitirão à Inteligência Artificial (IA) gerir fluxos de tráfego, coordenar o transporte público, erradicar o crime e reduzir a poluição. Lugares a que acorrer, e não de onde escapar. A velha divisão entre centro da cidade e subúrbio desfez-se … quando falamos de metrópole no século XXI falamos de vastas regiões interligadas onde as cidades se fundem umas nas outras. A densificação  é uma forma vital de alcançar a sustentabilidade ambiental … as áreas urbanas compactas incitam a todo o tipo de inovações e criatividade, incluindo ao nível dos bairros  … na vida do quotidiano … Precisamos de cidades adaptáveis prontas a enfrentar as recentes e sérias ameaças das alterações climáticas e das pandemias” .

Perante estas evidencias, como atingir o objetivo das “cidades inteligentes” numa área urbana/metropolitana? Dum lado, tem-se o dinamismo do mercado das ideias não integradas num plano abrangente, mas mobilizadoras de políticos decisores e de grupos de cidadãos, desde a mobilidade ciclável às aplicações do MaaS, a visão tática. Do outro, a regulação planificadora que integra a mobilidade, o urbanismo e a organização do território, a visão estratégica.

As soluções, caso a caso, devem assegurar a participação cidadã no planeamento, como um dos valores da Constituição e da UE, o modo “bottom-up” (Visão 2030 da UIC: “transforming cities and connecting communities”)[1]

O segundo pressuposto deste artigo configura o apelo ao cumprimento das diretivas comunitárias de planeamento da mobilidade urbana e do Plano Regional de Ordenamento do Território da AML (PROTAML).

Citando documentos da Comissão Europeia de 2021-12-14 com quatro propostas para o Green Deal [2],[3] :

“The Urban Mobility Framework sets out European guidance on how cities can cut emissions and improve mobility, including via Sustainable Urban Mobility Plans. The main focus will be on public transport, walking and cycling. The proposal also prioritises zero-emission solutions for urban fleets, including taxis and ride-hailing services, the last mile of urban deliveries, and the construction and modernisation of multimodal hubs, as well as new digital solutions and services. . . 

We want people and goods to move more sustainably in our cities, to make life easier for the rural and suburban commuters travelling to school or work, and to support cities in their role as essential transport hubs within the single market “      

Os SUMP (planos de ação para uma mobilidade urbana sustentável - PAMUS) são uma orientação da CE para implementação nas cidades médias e grandes até 2030:    A Sustainable Urban Mobility Plan is a strategic plan designed to satisfy the mobility needs of people and businesses in cities and their surroundings for a better quality of life. It builds on existing planning practices and takes due consideration of integration, participation, and evaluation principles”[4]

Do PROTAML (impõe-se a sua atualização  em articulação com o PNPOT –plano nacional de organização do território, a CCDRLVT, a AMT/IMT e o CSOP, em processo participativo) :      “reorganização da área metropolitana, reduzindo a expressão dos fenómenos de suburbanização, promovendo a contenção urbana e caminhando para a consolidação de estruturas territoriais multipolares; melhoria da mobilidade territorial, através do reforço das acessibilidades “

Desejavelmente a elaboração do plano de mobilidade para a AML e o estudo de traçados de novas linhas e modos de transporte deverão desenvolver-se de modo participativo e de harmonia com os documentos citados, sintetizados num Transit Act [5], sem que a não aprovação final destes constitua obstáculo ao avanço dos investimentos na mobilidade.

2.     UMA ABORDAGEM DA PROBLEMÁTICA DA MOBILIDADE URBANA NA  AML


                                    Fig.1 – correlação população-quota do TI automóvel

 

A interdependência entre a mobilidade e o urbanismo, que no caso da AML exibe uma elevada quota do transporte individual (TI) sugere uma correlação forte entre  esta e o nível da população do município de Lisboa como abordagem da problemática da mobilidade. Soluções poderão ser a integração do planeamento dos canais de mobilidade no planeamento da organização do território [6], [7] nas seguintes formas:

-     redução da quota do transporte individual automóvel através do aumento da população do município

-        reabilitação urbana com emparcelamento de números matriciais para atração da população

-        fixação de atividade primária e secundária nos diversos centros urbanos da AML

-        definição de espaço-canal quer nas zonas de alta densidade (subterrâneo,viaduto) quer nas de baixa densidade (modos complementares)

Note-se que a abordagem tradicional pressupõe os estudos de procura e de viabilidade, as matrizes origem-destino e os programas de microssimulação, que são elementos de decisão, mas não únicos:

“The emphasis on secondary sources, elasticities and mathematical equations produces a kind of fog that makes it hard to see the real world”,    nn  Paul Mees, “Transport for Suburbia”

Para a elaboração do plano de mobilidade haverá que considerar, além do espaço-canal enquanto infraestrutura física, o modo ou a combinação de modos de transporte a selecionar segundo vários critérios que, de forma não exaustiva, serão:

-  capacidade1 = capacid.veículo2 x velocidade3 x nº veículos na linha4/comprim.linha5  

 1(passageiros/hora); 2(pass./veículo); 3(km/h); 4(n=tempo percurso/intervalo); 5(km)

A capacidade requerida depende  da distribuição territorial da população e dos empregos, Sugerem-se como indicadores de decisão [8]:

                           metro                         >50 hab./ha                    >5000 pass./h

                                 LRT / bus                   >10 hab./ha                    >1000 pass./h   

- ocupação do espaço urbano – comprimento ocupado em rua de 6m de largura útil, 100 pessoas deslocando-se a 20 km/h, exceto peões (3,6 km/h), distancia  de segurança 2 segundos  [9] :

automóveis:            581 m                      peões:                            50 m

bicicletas:               219 m                      autocarros/tram:            18 m

trotinetas:               202 m                      metro:                              0 m   

- eficiência energética – em Wh/pass-km  (rampa 4%, 40 km/h, ocupação 30% , exceto bicicleta ) [6]

comboio/tram                  61                   bicicleta elétrica                    30

bus elétrico                      73                   bus comb.fóssil                    199

automóvel elétrico         118                   automóvel comb.fóssil        269

- segurança – nº fatalidades por mil milhões de pass-km [6]

modo ferroviário:    0,16

autocarros:     cerca de 3 x

                              automóvel:     cerca de 30 x       

                              duas rodas:     cerca de 300 x                       (relatório DG MOVE 2012)

     - combinação de modos  - para a resolução do problema principal de intermodalidade e de redução do TI nas deslocações casa-emprego será necessário combinar modos de transporte [6]:



                                    Fig.2 – estrutura de uma deslocação casa-emprego

No caso do metro, o planeamento e a operação do serviço de exploração deverão estar centrados no utilizador, explorando todas as potencialidades dos modos complementares e do conceito MaaS (“e-hailing”- requisição dum serviço de transporte à medida, por computador, “smartphone” ou posto terminal público) [10]

As estações de metro serão assim interfaces com os modos complementares, incluindo as infraestruturas e parques, para o acesso cómodo a frotas partilhadas de automóveis e de duas rodas (car-sharing, bike-sharing, mopeds, trotinetas, monociclos), e gestão automática dos percursos a pedido em cabinas autónomas em sítio próprio (“autonomous shuttles”)  ou por GNSS (Global navigation sattelite system), ou do serviço clássico de minibus de horário pré estabelecido (>2km)

Importante melhorar a atratividade do transporte de massas (insistindo na segurança, p.ex. reforço dos sistemas de ventilação, desinfeção do ar, rearranjo interior das carruagens).

 

A evolução tecnológica dos modos de tração e da digitalização induziram o alargamento do leque de modos complementares para  a mobilidade urbana.  O desenvolvimento das ciclovias sugere a possibilidade de extensão do seu conceito a vias de cabinas autónomas de guiamento GNSS  e de utilização a pedido (“ride-hailing”) por modo informático ou por consolas dedicadas, self-service, em percursos segregados servindo estações de metro ou de LRT em zonas de menor densidade –  as “podlanes”.

Os veículos são do tipo PRT (personal rapid transit), 1,6 m de largura e 3,5 m de comprimento; com sensores de deteção de objetos ou pessoas; ligados em rede com transmissão permanente de dados, com o estado dos componentes, para uma sala de controle; pistas de 4 m de largura de dois sentidos; carregamento das baterias automático. Penas pesadas por vandalismo. Em alternativa, tecnologia mais simples, por cabo embebido no pavimento e ligação por indução eletromagnética ao veículo.

O traçado das “podlanes” requer intervenção urbanística importante (desvio de rodovias, expropriações, demolições, reagrupamento e reabilitação do edificado) para criação de espaço canal segregado, embora partilhável por bicicletas e peões.

Outros modos complementares a considerar:

- Automatic people movers, cable cars, para tráfegos mais elevados em modo ferroviário

frotas partilháveis “renting” de duas rodas e de automóveis elétricos em parques integrados  nas estações

- para distancias superiores a 2 km, os modos clássicos (autocarros, tramway e miniautocarros de horário pré-estabelecido ou até por gestão de pedidos, táxis)

- outros modos em zonas acidentadas: teleférico, funicular (possíveis capacidades da ordem de 1000 passageiros/hora)

Deverão estender-se a todos os modos, autónomos ou não, as valências da IA para gestão da oferta respondendo à procura, especialmente em zonas de baixa densidade em conjugação com a tecnologia “e-hailing”.

O fabrico e a comercialização de veículos do tipo “autonomous shuttle” são já vulgares nalguns países [11], mostrando-se exemplos na fig.3, alguns dos quais expressivos em termos de capacidade horária .


                               Fig.3 – exemplo de modelos de “autonomous shuttles”

 


3.     SUGESTÕES EM CASOS CONCRETOS

Com base nos conceitos anteriormente expostos apresentam-se alguns exemplos de aplicação suscetíveis de dar resposta a alguns problemas de mobilidade na AML.

1.     Hospital Beatriz Ângelo-Loures-Infantado [12]

 



Fig.4 – aplicação de modos complementares ao LRT de Loures-Infantado

2.     Correspondência Alvito-Alcântara Terra-Alcântara Mar

 



Fig.5 – sugestão de funicular e tapete rolante em passadiço

 

3.     Que fazer com o SATU?

 



Fig.6 – Sugestão de nova linha LRT Oeiras-Cacém complementada com o SATU reformulado


4 . Esboço de plano de mobilidade da AML [13]



Fig.7 – esboço de plano de mobilidade da AML

 

5 .  Comparativo metro do Porto - metro de Lisboa  [14], [15]



Fig.8 – comparação das estratégias de expansão dos metros do Porto e de Lisboa

 

4.     CONCLUSÕES

        apela-se à AML para que conduza, em coordenação com o CSOP, a AMT/IMT e a CCDRLVT, um processo de implementação dos SUMP, de um “Transit Act” e a atualização do PROTAML, de forma participativa com abertura à sociedade civil

        que os novos traçados e o plano de mobilidade da AML sejam progressivamente elaborados com informação e inclusão de contributos dos cidadãos e, caso a lei o venha a viabilizar, de aprovação sujeita a referendo local ou regional

        que a eficiência energética e emissões por passageiro-km, o valor do tempo dos passageiros em função da velocidade comercial e o congestionamento,  sejam essenciais nas análises de custos benefícios na comparação de alternativas e na opção por modos de transporte e traçados

        que o projeto das novas estações de metro inclua as funcionalidades, clássicas e de teleinformática, de interface com os modos complementares, centrado no utilizador e incluindo o acesso “a pedido” aos modos complementares em sítio próprio e autónomos com supervisão  humana permanente, requerendo a inclusão no departamento de estudos das valências da IA, de forma abrangente

        que as políticas de urbanismo contemplem as infraestruturas necessárias para os modos complementares dos eixos dos modos pesados  e os processos de reabilitação habitacional compatíveis com a mobilidade urbana

 

 

5. REFERÊNCIAS

[1] UIC, Vision of Rail 2030 , Paris, 2021    

https://uic.org/IMG/pdf/uic-design-a-better-future-vision-of-rail-2030.pdf

[2] EU, EN-THE_NEW_EUROPEAN_Urban_Mobility_Framework.pdf.pdf     

The EU’s Smart and Sustainable Mobility Strategy - Energy Cities (energy-cities.eu)

Bruxelas, 2021

[3] EU, 4 Propostas da CE para o Green Deal ,        Efficient and Green Mobility (europa.eu)

[4] DG MOVE,Sustainable urban mobility plan, The SUMP Concept | Eltis

[5] Transit Act, Loi d’orientation des mobilités :                   

      Taiwan Government  , Taipei, 2014 ,         https://law.moj.gov.tw/ENG/LawClass/LawAll.aspx?pcode=K0120001

       Gouvernement français, Paris, 2021,

               https://www.ecologie.gouv.fr/loi-dorientation-des-mobilites

[6]  F.Silva, manual condensado de transportes metropolitanos, ed.Partenon, Lisboa, 2017            

               https://1drv.ms/b/s!Al9_rthOlbwehWMdmBJ_Q06Wk7XH

[7] Ordem dos Engenheiros, ppt, o metropolitano na área metropolitana de Lisboa, 2020   https://1drv.ms/p/s!Al9_rthOlbweuiRClT1VCq2KQROZ?e=nKVhxZ

       Ordem dos Engenheiros, ppt, Planear uma rede numa área metropolitana, Lisboa 2018                https://1drv.ms/p/s!Al9_rthOlbwejGXHKicabX49xu4n?e=ha8PuC

[8]  F.Silva, ppt diapositivos 13 a 16, justificação dos investimentos, Odivelas, 2018

                https://1drv.ms/p/s!Al9_rthOlbweqQjmbzfBwptTPMQU

[9]  F.Silva, blogue, ocupação de espaço por diferentes modos de transporte, 2019        

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2019/10/comparacao-de-carateristicas-de-modos.html

[10] F.Silva, blogue, modos complementares, 2020 

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/03/modos-complementares-em-telheiras.html

[11]  Sam Francis, revista Robotics and Automation, “Autonomous shuttles”, “a pedido”

      https://roboticsandautomationnews.com/2020/10/15/top-25-autonomous-shuttle-   manufacturers/37291/

           F.Silva, ppt diapositivos 11 a 16, Expansão do metropolitano de Lisboa, Lisboa, 2018

      https://1drv.ms/p/s!Al9_rthOlbwerSSgD3CMjYs4nz1I           

[12]   F.Silva, blogue, sugestões para Loures, 2021

    http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/05/mensagem-enviada-ao-presidente-da.html

[13]  F.Silva,blogue, esboço de plano de mobilidade na AML, 2019

          http://fcsseratostenes.blogspot.com/2019/05/esboco-de-plano-de-expansao-do.html

[14]  F.Silva, blogue, expansão do metropolitano, 2018

 http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2018/01/ultima-tentativa-ultima-chamada-da.html

[15]  F.Silva, doc.interno págs18-21,  sugestões ao metropolitano, 2010                                                               

              https://1drv.ms/w/s!  Al9_rthOlbweiiOCBqfF3dfltrbk