Recordei-me dum episódio já com uns anos na Assembleia da Repubica. O senhor ministro das finanças repreendeu um deputado por ter chamado ladrões a alguns banqueiros. “Tenha termos”, foi o teor da reprimenda. Uns meses depois rebentou o escândalo das fraudes do BPN e da Sociedade Lusa e do BPP, e das ilegalidades nos Off-shores do BCP.
O senhor ministro não pediu desculpa. Esquecem-se os senhores ministros de que não estão a ralhar com os deputados. Estão a ralhar aos eleitores. Mas não devemos dar lições de civismo a senhores ministros, nem chamar-lhes a atenção para a promiscuidade entre o poder político e o poder económico, e a subordinação daquele a este. Até porque alguns banqueiros já declararam a sua concordância em pagar mais imposto (possivelmente para ver se rebentam com a concorrência) e nunca se deve generalizar.
Mas lembrei-me deste episódio quando encontrei na wikipedia a história da luta do presidente Andrew Jackson contra o Second Bank of the United States, um banco privado que se comportava abusivamente como se fosse um banco público.
Eis uma citação de Andrew Jackson em 1834; depois não digam que a história não se repete (Obama: “Não fui eleito para fazer o jogo dos senhores de Wall Street”):
“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”.
Víboras e ladrões… mas não generalizemos. Privatização dos lucros e socialização dos prejuízos… não generalizemos, também.
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domingo, 7 de novembro de 2010
Andrew Jackson e alguns banqueiros
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quarta-feira, 21 de março de 2012
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos e a citação de Thomas Jefferson
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
_____________________________
Felizmente não estou exatamente nas mesmas condições de Álvaro de Campos, que já não festejava o seu dia de anos.
Apesar dos tempos de crise ofereceram-me CDs e vinhos.
Formam de mim esta ideia, que gosto de música e de vinhos, e será provavelmente mais aproximada da realidade do que a ideia que tenho de mim.
Teve bom gosto, quem ofereceu, e eu a sorte de não haver repetições nas ofertas.
Syrah e Touriga do Douro, Vivaldi e Corelli do século das luzes.
E eis que, já de madrugada, cai no meu email uma oferta não repetida, uma citação que eu não conhecia, sobre os financeiros, de Thomas Jefferson, um dos pais fundadores como os americanos gostam de dizer.
«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.» Thomas Jefferson, 1802.
Lembrei-me da citação de Andrew Jackson, outro dos “founding fathers”, presidente dos USA em 1834 quando escreveu (ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/11/andrew-jackson-e-alguns-banqueiros.html ):
“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”.
Eu não queria dar razão aos comentadores adeptos das ideias dominantes mais ou menos ultra liberais que criticam por injusta a diabolização dos financeiros.
O filme Margin Call, por exemplo, desvia a atenção dos espetadores, dos comportamentos culpados da crise, para os aspetos humanos dos financeiros.
Mas por formação ou deformação profissional prefiro analisar as causas e circunstancias das coisas, e depois de ver o filme Inside Job, é impossível não considerar culpados os financeiros especuladores e os senhores dos grandes grupos bancários que dominam Wall Street e o governo dos USA (Goldman Sachs, Governman Sachs).
E também gosto de analisar a consistência das críticas.
No caso da, para mim, desconhecida citação de Thomas Jefferson, que o amável correspondente me enviou, consultei os sites da especialidade (ver
http://www.monticello.org/site/jefferson/private-banks-quotation )
e encontrei a seguinte interpretação dos textos de Thomas Jefferson, relativamente a cada frase da citação:
1 - Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos - texto retirado de uma carta para John Taylor em 1816 com ligeiras alterações: “Acredito sinceramente, como tu, que os estabelecimentos bancários são mais perigosos do que o levantamento de exércitos; e que o princípio de gastar dinheiro a ser pago pela posteridade, sob o nome de financiamento, não é senão uma burla em larga escala”;
2 - Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram – a referencia mais antiga desta citação data de 1937, dando-a como fazendo parte de uma carta para Albert Gallatin, secretário de estado do Tesouro, em 1802, mas não foi encontrado nenhum documento da época com esta frase; na altura não se usavam os termos inflação e deflação; possivelmente ter-se-á criado a atribuição a Thomas Jefferson no rescaldo da grande depressão de 1930, com base noutra afirmação dele, esta histórica: “A emissão de papel bancário (bank-paper, securities) deve ser suprimida e os meios de circulação devem ser restabelecidos ao serviço da nação a que pertencem”
Interessante, na verdade, como os presidentes americanos, desde o princípio, tentaram combater o poder financeiro (Obama: “não fui eleito para fazer o jogo dos senhores de Wall Street”, embora tenha aceite no seu governo os grandes “desreguladores” da crise financeira).
Faz-me lembrar o discurso de Eisenhower, contra o poder do complexo político-militar-industrial.
Ou por outras palavras, é mais o que une Adam Smith e Karl Marx do que o que os divide.
Ou, de como os ideais da Revolução americana de 1777 foram tão contrariados internamente como os da Revolução de outubro de1917.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Os banqueiros em Abril de 2011

Estou no largo da Boa Hora a contemplar as obras de mais uma remodelação com caves de estacionamento que ficarão a 7 metros da abóbada da estação Baixa-Chiado, enquanto não vou lá verificar como estão as infiltrações.
Contemplo as portas fechadas do antigo tribunal, aguardando o destino que os decisores houverem por bem (não é um elogio aos decisores); um hotel de charme? Um novo pólo do ISLA acabado de comprar por um grupo de universidades dos USA?
Olho o cartaz amarelecido de há muitos meses, anunciando obras de alteração, por trás dos vidros da montra, a porta também fechada, da Merendinha da Baixa, onde bebi das melhores limonadas deste mundo.
E de repente a voz maviosa de uma executiva esplêndida, porque a forma como estava vestida o comprovava, surpreende-me com a pergunta: “posso entregar-lhe um folheto com as aplicações do nosso banco? Estamos muito competitivos nos depósitos a prazo”.
E entregou-me o folheto, que agradeci muito, informando que até sou cliente daquele banco e deixando-a subir calmamente a Rua Nova do Almada, nos seus saltos altos e casaco e saia travada.
Serão novas técnicas de “marketing” nestes tempos de crise.
Porém, tão assertivas têm sido as declarações dos senhores banqueiros, quando afirmam que já não querem financiar mais o Estado, e terão as suas razões, considerando a elevada percentagem da distribuição acionista por entidades estrangeiras, que não resisto a recordar o post de Novembro de 2010:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/11/andrew-jackson-e-alguns-banqueiros.html
e a citação do presidente dos USA Andrew Jackson em 1834 (não digam que a história não se repete; Obama: “Não fui eleito para fazer o jogo dos senhores de Wall Street”):
“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”.
Não generalizemos, mas porque foi o próprio governo a desmerecer nos certificados de aforro (que são um financiamento por particulares) para beneficiar as propostas de aplicações de depósitos a prazo dos bancos que assim canalizaram a poupança desses mesmo partuculares?
É que assim, enquanto não tiver uma resposta esclarecedora a esta pergunta, não consigo dar crédito às afirmações dos senhores banqueiros.
Nem aceitar as sugestões tentadoras da simpática gestora comercial da agencia do meu banco na Baixa.
sábado, 10 de dezembro de 2011
O sacrifício da dama
Com a devida vénia à secção de xadrez do DN, vejam este problema:
Os problemas de mate em duas jogadas, como este, são normalmente abstrações (não é natural deixar chegar a dama negra a uma posição desprotegida como aquela em que está no problema) em que se procura a solução mais rápida num jogo que já está ganho. Mas mesmo assim têm interesse para estudar as combinações possíveis e para ver como uma ação pouco frequente pode ser a resposta para o caminho mais curto.
Para encurtar razões, a solução neste caso é sacrificar a dama branca.
A dama branca em c5, ao ser tomada pelo bispo de b4 permite o mate do rei negro por cavalo em c3; se tomada pela dama negra permite o mate pelo bispo em h7; se tomada pelo peão negro de d6 permite o mate pela torre em e5; se tomada pelo cavalo negro de b3 o mate será pelo cavalo em d2; se tomada pelo cavalo de e6 o mate será pelo bispo em d5; se deixada a dama branca à solta, dará o mate em d5; se protegida a casa d5 pelo cavalo negro em f4, o mate sobrevem pelo cavalo em g3.
É verdade que o jogo já estava perdido para as pretas, assim como, se associarmos o rei negro às ameaças que pairam sobre a UE e a sua moeda, podemos, ingenuamente ou talvez não, acreditar que as más jogadas dos ultimos anos não vão impedir que se ganhe o jogo da Europa unida e solidária, com politicas de emprego e de geração seletiva de riqueza util.
Mas conviria realmente, para que Obama e Paul Krugman ("os paises do norte vão acumular superavits, e os paises periféricos vão dizer adeus à prosperidade") não andem tão preocupados com as más decisões e indecisões da ultima cimeira (de facto, para uma mente norte americana deve ser muito dificil entender por que o BCE não pode fazer o mesmo que a reserva federal dos USA; talvez seja porque nenhum governante europeu disse dos bancos o que o presidente Jackson disse:“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”), que se apressassem as medidas realmente eficazes, ainda que fosse preciso contrariar o senhor governador do BCE, Mario Draghi.
Muito bem, agora que expliquei o problema de xadrez, vamos sacrificar a dama?
![]() |
| As brancas jogam com mate em duas jogadas |
Para encurtar razões, a solução neste caso é sacrificar a dama branca.
A dama branca em c5, ao ser tomada pelo bispo de b4 permite o mate do rei negro por cavalo em c3; se tomada pela dama negra permite o mate pelo bispo em h7; se tomada pelo peão negro de d6 permite o mate pela torre em e5; se tomada pelo cavalo negro de b3 o mate será pelo cavalo em d2; se tomada pelo cavalo de e6 o mate será pelo bispo em d5; se deixada a dama branca à solta, dará o mate em d5; se protegida a casa d5 pelo cavalo negro em f4, o mate sobrevem pelo cavalo em g3.
É verdade que o jogo já estava perdido para as pretas, assim como, se associarmos o rei negro às ameaças que pairam sobre a UE e a sua moeda, podemos, ingenuamente ou talvez não, acreditar que as más jogadas dos ultimos anos não vão impedir que se ganhe o jogo da Europa unida e solidária, com politicas de emprego e de geração seletiva de riqueza util.
Mas conviria realmente, para que Obama e Paul Krugman ("os paises do norte vão acumular superavits, e os paises periféricos vão dizer adeus à prosperidade") não andem tão preocupados com as más decisões e indecisões da ultima cimeira (de facto, para uma mente norte americana deve ser muito dificil entender por que o BCE não pode fazer o mesmo que a reserva federal dos USA; talvez seja porque nenhum governante europeu disse dos bancos o que o presidente Jackson disse:“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”), que se apressassem as medidas realmente eficazes, ainda que fosse preciso contrariar o senhor governador do BCE, Mario Draghi.
Muito bem, agora que expliquei o problema de xadrez, vamos sacrificar a dama?
domingo, 3 de março de 2013
O condomínio, a empregada da limpeza do dr Vítor Bento e a anuidade
O condomínio recebeu uma carta das Finanças, ou melhor, como agora se auto-intitulam, da autoridade tributária.
- Venham cá dar o numero de contribuinte da vossa empregada da limpeza.
- Ah, mas a senhora ganha menos do que o ordenado mínimo.
- Não interessa, agora têm de mandar para cá todos os meses a declaração J de quanto lhes pagam. Senão ela não tem segurança social.
Na verdade, a autoridade é autoritária com os fracos e compreeensiva com os fortes.
Os fracos são os que andam a trabalhar neste condomínio, naquele condomínio, naquela família, nesta família, nas tardes de segunda, nas manhãs de terça e de quinta, e a autoridade quer recolher as quantias todas para poder compor o IRS da senhora, para poder até preenchê-lo antecipadamente.
Cumprimentos à sagacidade da autoridade, que assim alarga a base tributária e faz crescer o PIB e a receita fiscal.
Mas, e há sempre um mas sempre que a sagacidade tem um assomo destes.
Mas aqui entra o dr Vítor Bento.
Que o governo faz mal em andar a cruzar tantos dados por cima da privacidade dos cidadãos.
Primeiro, reforça o clima de desconfiança dos cidadãos em relação aos serviços fiscais.
E depois, por simples aplicação do princípio da reciprocidade, que diz que Estado pode fazer as injustiças que quiser que o cidadão fará as que puder, estimula a fuga fiscal.
Pense-se um bocadinho.
A senhora da limpeza do condomínio onde mora o dr Vítor Bento trabalha também num restaurante afamado muito frequentado pelas elites (pobre meio este, o das elites deste país; que resultados tão pobres de elites tão distintas).
Que desde que o IVA aumentou 23% teve uma quebra de faturação de 40%.
Que horror, o que o aumento do IVA faz à restauração.
Ou será que a perseguição fiscal originou um software de fuga?
Enquanto donos de restaurantes honestos lutam para equilibrar as suas contas e outros desistem até ao suicídio (como dizia um deputado da maioria, é a seleção natural, havia restaurantes a mais), há sempre quem dê a volta.
A quebra de faturação real deve ter sido de 20% e assim nem foi preciso repercutir o aumento do IVA nos preciosos clientes.
Melhor seria os pensadores da autoridade tributária serem menos rígidos no seu pensamento e na sua ação.
Melhor seria estimular um clima de confiança mútuo, com fixação de tabelas contributivas razoáveis, por acordo participado.
Mas a autoridade tributária prefere perseguir a senhora da limpeza.
Poderei estar a ver mal, mas não é só a autoridade tributária que unilateralmente decide a aplicação de impostos.
O meu banco também lança impostos sobre os seus clientes.
A anuidade que aparece no extrato bancário é um imposto silencioso cobrado por uma entidade privada como se fosse a remuneração de um serviço.
É a usurpação de um direito da comunidade organizada em Estado, porque ninguém elegeu em eleições públicas os banqueiros.
Quem os elegeu foi uma elite restrita de acionistas, não foram os eleitores.
Oito euros, incluindo comissões, foi quanto me descontou o meu banco, unilateralmente.
Os cidadãos depositam o seu dinheiro no banco, o banco pode utilizá-lo para os seus investimentos, pelo menos uma parte, vamos que quatro quintos.
Se a média do depósito à ordem for de 1700 euros, temos que quatro quintos são 1350 euros e que os 8 euros representam um juro de 0,6%.
Coisa pouca, 0,6%, mas quem emprestou ao banco foi o cliente e quem recebeu o juro foi o banco tomador do empréstimo.
Ao contrário do que se vê por aí, que é quem empresta receber também juros, e tanto mais altos quanto o meio bancário e financeiro acha que o devedor mais dificuldade tem em os pagar, os juros.
Repito que depositar o seu dinheiro para o ter seguro é uma necessidade pública dos cidadãos que não tem de ser um negócio para alguns.
Não é um serviço que esses alguns prestam para depois se vangloriarem dos lucros que obtiveram em assembleias de acionistas.
É um serviço público.
Como dizia o presidente Andrew Jackson, vocês, banqueiros, são um ninho de víboras.
Ou como já disse este blogue, são uns meninos maus.
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sexta-feira, 10 de maio de 2019
Banqueiros, não se queixem como meninos maus
Na mesma página do jornal em que um dos bancos anuncia lucros crescentes, a notícia de que os banqueiros reivindicam uma taxa nos pagamentos por multibanco (ou respeitosamente se contentam sem ela se em toda a UE for essa a lei). https://expresso.pt/economia/2019-05-08-Banqueiros-querem-cobrar-nos-levantamentos-multibanco--mas-a-lei-nao-deixa-#gs.azux1l
Vêm-me à memória escritos passados:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=jackson
Violenta, mas justa aquela diatribe do presidente dos USA, em 1834, vocès são um ninho de víboras e de ladrões. Os banqueiros dos USA em 1834, claro, uma vez que em Portugal no século XXI os dinheiros que os contribuintes injetaram desde 2007 para salvar bancos não ultrapassaram 19 mil milhões de euros, pouco menos do que 1% do PIB por ano. Sem esquecer as comissões de manutenção de contas, e as comissões das transferencias
Mas pensando melhor, talvez concorde com a aplicação de taxas por cada transação de multibanco. Considerando que os multibancos permitem economizar nos quadros de pessoal e nas instalações, isto é, melhora a competitividade e a eficência, então por cada transação no multibanco a SIBS pagaria uma taxa ao Estado, digamos 0,5% do montante da transação, sem desconto da conta do cliente. Até se poderia reduzir os 0,5% depois da institucionalização da taxa Tobin (muitos governos da UE já concordaram com ela, mas foram adiando).
Vêm-me à memória escritos passados:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=jackson
Violenta, mas justa aquela diatribe do presidente dos USA, em 1834, vocès são um ninho de víboras e de ladrões. Os banqueiros dos USA em 1834, claro, uma vez que em Portugal no século XXI os dinheiros que os contribuintes injetaram desde 2007 para salvar bancos não ultrapassaram 19 mil milhões de euros, pouco menos do que 1% do PIB por ano. Sem esquecer as comissões de manutenção de contas, e as comissões das transferencias
Mas pensando melhor, talvez concorde com a aplicação de taxas por cada transação de multibanco. Considerando que os multibancos permitem economizar nos quadros de pessoal e nas instalações, isto é, melhora a competitividade e a eficência, então por cada transação no multibanco a SIBS pagaria uma taxa ao Estado, digamos 0,5% do montante da transação, sem desconto da conta do cliente. Até se poderia reduzir os 0,5% depois da institucionalização da taxa Tobin (muitos governos da UE já concordaram com ela, mas foram adiando).
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O choro dos Deolinda III, o professor de economia, e o meu choro
O professor de economia que escreve na revista semanal do DN reafirma que vivemos num sistema de reforma do tipo pay and go, isto é, os descontos dos ativos pagam as reformas dos reformados, e termina a sua crónica assim: se os jovens no futuro se recusarem a pagar a reforma dos seniores, quem os condenará por isso?
Pode ser uma interpretação do choro dos Deolinda, quando dizem que "esta situação dura há tempo demais" (parece-me a música melhor que a letra).
Vou ter de me lamentar, daí o choro no título.
Lembro-me do filme de Chabrol, em 1974, para uma série televisiva de históras insólitas: Les gens de l'été - as pessoas do Verão, sobre uma história de Shirley Jackson.
Um casal de reformados há anos que passava o verão numa pequena povoação, idílica e campestre, do Puy de Dôme. Naquele fim de verão deixaram-se ficar. Os aristocratas da terra já tinham dado a festa de despedida e já tinham regressado a Paris. O dono do minimercado, que tinha sido tão simpático a ajudar a pôr a garrafa de gás no porta bagagens, no dia seguinte insinuou que estariam melhor em Paris do que ali. Os habitantes da terra consideravam que já tinham feito sua obrigação durante todo o verão a atender com gentileza os burgueses de Paris; já tinham merecido assim o dinheiro que eles deixavam. Os velhos que se fossem, portanto. Mas de Paris a filha responde pelo telefone que se deixem estar, como quem diz que têm muito que fazer e não lhes podem dar atenção. Chabrol mostra os olhares impacientes dos habitantes, sempre a interrogar, quando se vão embora, e o desespero dos velhos que decidem deixar a garrafa de gás aberta.
Uma solução à Stefan Zweig, só que este deixou escrito que se suicidava, em 1942, por não ter forças para combater a barbárie do nazismo, a oficialização de que uns são diferentes de outros, mas que tinha confiança nos jovens para que fossem eles a fazer esse combate.
Nos tempos que correm acha-se natural, pelo menos o professor de economia achou, que os jovens deixem de pagar as reformas dos velhos.
Mas não penso numa solução tão radical por tal razão, tipo balada de Narayama.
Pensemos um pouco, e uma nova geração tão bem preparada certamente que compreenderá este raciocínio.
Na década de 70 do século passado havia, suponhamos, 3 ativos a pagar a reforma de 1 reformado, aliás pequena, a reforma.
Agora, nos anos 10 deste século, há 1 ativo a pagar a reforma de 1 reformado.
Deixemos de lado esta verificação tão simples: foram os seniores que contribuiram para tão elevados níveis de desemprego e para tão reduzidas taxas de natalidade? foram os seniores que levantaram obstáculos à plen integração do simigrantes, especialmente dos mais qualificados? Ou estamos a ser vítimas dos especuladores internacionais do género do Lehman Bros ?
Vejamos antes: houve mais 2 ativos, para alem de mim, que nos anos 70 pagaram a 1 reformado. Quer dizer que não foi preciso tudo o que eu descontei para sustentar o referido reformado, que por sua vez também tinha descontado na sua vida ativa. Sobrou dinheiro. Eu ingenuamente pensava eu que os meus descontos tinham servido para investir e para obter rendimento, que as reformas não vinham só dos descontos dos ativos num dado instante.
Terá razão o professor de economia?
Por essa ordem de razões, a que departamento do ministério das Finanças devo dirigir-me para reclamar o diferencial entre o que me pagariam no mercado de trabalho da altura e o que me pagaram durante os três anos de serviço militar obrigatório? E a dívida para os que não tiveram a minha sorte e estiveram mesmo no teatro da guerra colonial? E a dívida para as famílias dos que morreram nessa guerra ainda mais estúpida do que as outras?
Mas não vale a pena discutir, porque não dispomos de dados completos.
Valia mais a pena aplicar o artigo 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
"Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país."
Mas como vão dizer que o país não tem dinheiro para satisfazer este artigo, vamos esperar o próximo movimento da geração Deolinda. No fundo, o lugar-comum continua válido: o futuro pertence-lhes.
Nota: segundo os meus recibos durante a vida ativa profissional, a taxa social dos meus descontos foi, durante grande parte do tempo, 35% do salário bruto.
Pode ser uma interpretação do choro dos Deolinda, quando dizem que "esta situação dura há tempo demais" (parece-me a música melhor que a letra).
Vou ter de me lamentar, daí o choro no título.
Lembro-me do filme de Chabrol, em 1974, para uma série televisiva de históras insólitas: Les gens de l'été - as pessoas do Verão, sobre uma história de Shirley Jackson.
Um casal de reformados há anos que passava o verão numa pequena povoação, idílica e campestre, do Puy de Dôme. Naquele fim de verão deixaram-se ficar. Os aristocratas da terra já tinham dado a festa de despedida e já tinham regressado a Paris. O dono do minimercado, que tinha sido tão simpático a ajudar a pôr a garrafa de gás no porta bagagens, no dia seguinte insinuou que estariam melhor em Paris do que ali. Os habitantes da terra consideravam que já tinham feito sua obrigação durante todo o verão a atender com gentileza os burgueses de Paris; já tinham merecido assim o dinheiro que eles deixavam. Os velhos que se fossem, portanto. Mas de Paris a filha responde pelo telefone que se deixem estar, como quem diz que têm muito que fazer e não lhes podem dar atenção. Chabrol mostra os olhares impacientes dos habitantes, sempre a interrogar, quando se vão embora, e o desespero dos velhos que decidem deixar a garrafa de gás aberta.
Uma solução à Stefan Zweig, só que este deixou escrito que se suicidava, em 1942, por não ter forças para combater a barbárie do nazismo, a oficialização de que uns são diferentes de outros, mas que tinha confiança nos jovens para que fossem eles a fazer esse combate.
Nos tempos que correm acha-se natural, pelo menos o professor de economia achou, que os jovens deixem de pagar as reformas dos velhos.
Mas não penso numa solução tão radical por tal razão, tipo balada de Narayama.
Pensemos um pouco, e uma nova geração tão bem preparada certamente que compreenderá este raciocínio.
Na década de 70 do século passado havia, suponhamos, 3 ativos a pagar a reforma de 1 reformado, aliás pequena, a reforma.
Agora, nos anos 10 deste século, há 1 ativo a pagar a reforma de 1 reformado.
Deixemos de lado esta verificação tão simples: foram os seniores que contribuiram para tão elevados níveis de desemprego e para tão reduzidas taxas de natalidade? foram os seniores que levantaram obstáculos à plen integração do simigrantes, especialmente dos mais qualificados? Ou estamos a ser vítimas dos especuladores internacionais do género do Lehman Bros ?
Vejamos antes: houve mais 2 ativos, para alem de mim, que nos anos 70 pagaram a 1 reformado. Quer dizer que não foi preciso tudo o que eu descontei para sustentar o referido reformado, que por sua vez também tinha descontado na sua vida ativa. Sobrou dinheiro. Eu ingenuamente pensava eu que os meus descontos tinham servido para investir e para obter rendimento, que as reformas não vinham só dos descontos dos ativos num dado instante.
Terá razão o professor de economia?
Por essa ordem de razões, a que departamento do ministério das Finanças devo dirigir-me para reclamar o diferencial entre o que me pagariam no mercado de trabalho da altura e o que me pagaram durante os três anos de serviço militar obrigatório? E a dívida para os que não tiveram a minha sorte e estiveram mesmo no teatro da guerra colonial? E a dívida para as famílias dos que morreram nessa guerra ainda mais estúpida do que as outras?
Mas não vale a pena discutir, porque não dispomos de dados completos.
Valia mais a pena aplicar o artigo 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
"Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país."
Mas como vão dizer que o país não tem dinheiro para satisfazer este artigo, vamos esperar o próximo movimento da geração Deolinda. No fundo, o lugar-comum continua válido: o futuro pertence-lhes.
Nota: segundo os meus recibos durante a vida ativa profissional, a taxa social dos meus descontos foi, durante grande parte do tempo, 35% do salário bruto.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Obrigado, FMI, por tão sábios conselhos
Obrigado, FMI, por tão sábios conselhos, ver
http://portocanal.sapo.pt/noticia/29362/
Que seria de nós, pobres países periféricos endividados, se não chamassem a atenção para a necessidade do BCE comprar ativos públicos para combater a reduzida taxa de inflação e baixar os juros das dívidas públicas.
E também que se devem reduzir as ligações entre os Estados e os bancos (também achamos, como o presidente Jackson dizia, que alguns bancos dá-lhes para serem um ninho de víboras).
Mas agradeciam que tivessem pudor quando dizem que o desemprego jovem é inaceitável.
Então o desemprego elevado não é o resultado das leis do mercado e uma medida eficaz para conter os preços através da redução da procura?
Não é nisso que vocês acreditam e não são os vossos dogmas que nos têm sido impostos, sempre de acordo com as leis do mercado?
Não quererão que vos chamemos hipócritas?
Bem, e se lessem o manifesto dos economistas aterrorizados?
Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=economistas+aterrados
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sábado, 27 de agosto de 2011
Microensaio de teoria económica
É intrigante como as pessoas altamente qualificadas nos lugares decisórios da política e da economia, apesar das suas altas qualidades, não conseguiram evitar a situação de crise que se vive.
Podemos interrogar-nos quão pior seria se essas pessoas não fossem tão qualificadas.
Mas a verdade é que também se pode pôr a hipótese dos seus conhecimentos serem limitados em várias áreas de tal modo que o desconhecimento de princípios ou leis fundamentais vai condicionar os resultados das suas ações.
Por exemplo, um dos principais argumentos da teoria económica neo-liberal (os neo-liberais não gostam nada que lhes chamem neo-liberais, mas se associarmos a designação liberal a Adam Smith, que condicionava o interesse egoísta ao interesse coletivo, vemos que a teoria atual, que privilegia apenas o interesse egoísta, deverá levar mesmo o prefixo neo) é o de que as variáveis económicas são em tal número e as relações entre elas são tão complexas, que é impossível controlá-las ou orientá-las (a elas e ao mercado) num sentido que se pense ser útil à comunidade.
A conclusão é, então, expressa pela fórmula “deixar funcionar o mercado”.
Isto é erigido de uma forma religiosa e fundamentalista em dogma indiscutível, demitindo-se estes economistas da tarefa de transformar o que for possivel.
Como exemplos, temos:
- a resposta de Greenspan às sugestões de regulação do mercado financeiro quando da aproximação da crise de Setembro de 2008: “Não podemos intervir, porque isso seria regular o mercado e não devemos regular o mercado” (fonte: Inside Job).
Só o fundamentalismo poderá justificar que pessoas inteligentes digam uma redundância e uma petição de principio destas (o fundamentalismo funcionará assim como uma indulgência que justifica a generosidade do sistema financeiro para com o seu servidor na reserva federal norte-americana)
- a justificação de Ângela Merkel contra as eurobonds: “Não devemos emitir eurobonds porque não é solução”).
- a decisão do atual primeiro ministro português de cortar na despesa pública interrompendo obras em curso, decisão essa anunciada ainda como candidato, sem ter conhecimento das contas de cada obra e dos prejuízos da sua interrupção, insistindo continuamente na mesma petição de principio, de que as obras “serão reavaliadas” (costuma-se parodiar esta atitude dizendo: “faça-me aí um relatório e uma reavaliação para provar aquilo que eu quero”)
A teoria económica não neo-liberal tem o cuidado de esclarecer que o mercado não funciona convenientemente, obrigando a mexer na linha divisória da área privada e da área pública, sempre que:
- há escassez (por exemplo, de fontes de energia primária ou de bens essenciais)
- há assimetria de informação (por exemplo, ligações preferenciais de um concorrente à aquisição de um banco relativamente a outros concorrentes)
- há externalidades que afetam a coletividade (por exemplo, a emissão de gases com efeito de estufa)
A estes três argumentos, são os economistas neo-liberais surdos e insensíveis aos sacrifícios que as suas politicas possam causar aos seres humanos.
Por exemplo, as medidas ditas de racionalização que impõem, conduzem ao aumento do desemprego e ao insucesso escolar, contrariando assim frontalmente a declaração universal dos direitos humanos.
Mas voltando ao conjunto numeroso de variáveis económicas de elevada complexidade no seu inter-relacionamento, há uma analogia interessante com a física.
Perante sistemas físicos de complexidade semelhante, os físicos e os engenheiros adotam técnicas de resolução de problemas como a decomposição em estados simples, fixando um conjunto de variáveis e simulando a variação das outras, ou o recurso a métodos probabilísticos, estatísticos e co-relacionais.
A hipótese justificativa para o comportamento dos economistas que ignoram estas técnicas é a de que elas são posteriores a Adam Smith, pelo que terão parado no tempo.
No tempo de Adam Smith não se construíam arranha-ceus porque não se dispunha da tecnologia de materiais resistentes. Na verdade, é impossível reproduzir com rigor absoluto o comportamento de todas as variáveis aerodinâmicas sobre um arranha-ceus e de todas as variáveis da resistência dos seus materiais. E contudo, como dizia Galileu em frente de outros fundamentalistas, os arranha-ceus constroem-se, compensando a lei da gravidade e as leis aerodinâmicas dos efeitos dos ventos sobre os obstáculos.
É uma pena estarmos dependentes de economistas tão altamente qualificados na sua teoria económica, mas tão temerosos nas politicas do emprego e do aproveitamento do material humano.
![]() |
| Trichet e Bernanke na reunião de Jackson Hole (que sitio para fazer uma reunião destas!) |
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domingo, 13 de novembro de 2011
Como tendes coragem...
Como tendes coragem para escrever o que escrevestes na carta-queixa?
Como tendes coragem de escrever que o direito à propriedade privada está ameaçado?
A propriedade de quem ficou sem capacidade para pagar o empréstimo da sua habitação?
Não, a propriedade privada de quem tem muitas ações de bancos.
Vós sois edificios bonitos por fora mas por dentro sois o que diz a parábola.
Cegou-vos a ganancia para não verdes que este governo que mentiu na campanha eleitoral é o vosso melhor servidor, mesmo protestando ter a intenção de ser o mais passivo que imaginar se possa como acionista?
Porque protestais agora a dizer que não quereis o estado como acionista?
Como tendes o descaramento de dizer que os doze mil milhões de euros não podem ser administrados pelo estado, a nação organizada, a comunidade dos portugueses estruturada no poder executivo, legislativo e judicial?
Estranhais que vos peçam para ter uma taxa baixa de empréstimos relativamente aos depósitos ? (desalavancai, diz o senhor presidente da republica)
E tendes lata para ameaçar o estado com uma ação?
Vós que penhorais até ao último alento, de quem montou um negócio, sem esconder faturas e se afundou num momento de quebra da procura.
Tende cuidado, porque nem todos os juizes são o que pensais.
Ainda há juízes em Berlim, dizia o camponês de Potsdam para o grande Frederico que o queria expropriar.
Se tiverdes o azar do processo ir parar às mãos de alguns juízes de Berlim, correis o sério risco de ser acusados de estar a entupir o tribunal com ações espúrias e podereis sair condenados por sabotagem da economia porque a ineficiência da justiça é um dos fatores apontados pelos investidores estrangeiros para justificar a pouca vontade de investir em Portugal.
Vós sois os meninos maus de que falei há tempos:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/07/os-4-meninos-maus.html
Vós sois os meninos maus, mimados, protegidos, sempre prontos a fazer queixinhas para que os vossos interesses sejam satisfeitos, sempre prontos a chamar a atenção para os vossos sucessos e exigencias de recompensas.
Para poderdes continuar a empurrar e a extorquir os outros meninos e meninas, distraídos que estão com os seus jogos, e incapazes de compreender os prejuízos e os sofrimentos que estão a causar aos outros, porque para vós apenas contam os resultados finais que se traduzam em lucros.
Aplica-se a vós a citação que o deputado do BE José Manuel Pureza foi buscar para comentar a insensibilidade dos cortes nos rendimentos de quem trabalha:
Tony Judt, um social-democrata que não caiu aos pés da deriva liberal, deu-lhes a resposta certa: "Hoje em dia, ficamos orgulhosos ao ser suficientemente duros para infligir dor nos outros. Se ainda vigorasse um costume mais antigo, pelo qual ser duro consistia em suportar a dor e não em a impor, talvez devêssemos pensar duas vezes antes de preferir com tanta insensibilidade a eficiência à compaixão."
Sabeis o que estais a fazer quando vos queixais de ter medo de serdes nacionalizados como foram nacionalizados os banco dos vossos maiores quando os descapitalizaram em fuga para o Brasil, como dons joãzinhos sextos?
Sabeis que banqueiros com medo são banqueiros que pedem aos seus clientes que vão a correr secar os cofres a levantar os seus depósitos?
Ignorais que a classe média nos anos de quase bancarrota dos anos 20 e 30 do século XX tinha contas em bancos ingleses, franceses, suiços?
E quereis ignorar que nos dias hoje vós ajudais a sangria para as off-shores?
Quisestes há dias que o estado criasse um bad bank para ficar com o vosso crédito mal parado.
Ah, dizeis que muito desse crédito mal parado é do estado.
Mal parado? Deixou de pagar, quando e quanto?
E mal parado de particulares e empresas particulares já é de 5 mil milhões, dos quais 2 mil milhões de interrupção do pagamento dos empréstimos da habitação?
Acreditais então que o "mercado" pode ajudar o PIB a crescer?
Ou isso não vos interessa, só vos interessa o lucro?
Não era o que dizia Adam Smith, que dizia que tinheis de ter uma função social.
Terieis de moderar a vossa ganancia, de vos contentardes com menores lucros, ou então maiores impostos.
Como pois estais agora com exigencias, depois de os vossos homólogos terem desencadeado toda esta crise internacional?
Lestes o artigo "Should some bankers be prosecuted?", de Jeff Madrick e Frank Partnoy, na "New York Revie of Books", vol.58 - nº17?
Vistes a ópera de Nuno Corte Real, "Banksters" (isso mesmo, aglutinação de bankers e gangsters)?
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=banksters
Deixai que vos recorde as palavras do presidente Andrew Jackson em 1834:
Ponderastes a notícia das manifestações contra o vosso poder? Não me refiro só aos "Occupy"
(To fellow citizens occupying Wall Street and peoples protesting across the world:
Como tendes coragem de escrever que o direito à propriedade privada está ameaçado?
A propriedade de quem ficou sem capacidade para pagar o empréstimo da sua habitação?
Não, a propriedade privada de quem tem muitas ações de bancos.
Vós sois edificios bonitos por fora mas por dentro sois o que diz a parábola.
Cegou-vos a ganancia para não verdes que este governo que mentiu na campanha eleitoral é o vosso melhor servidor, mesmo protestando ter a intenção de ser o mais passivo que imaginar se possa como acionista?
Porque protestais agora a dizer que não quereis o estado como acionista?
Como tendes o descaramento de dizer que os doze mil milhões de euros não podem ser administrados pelo estado, a nação organizada, a comunidade dos portugueses estruturada no poder executivo, legislativo e judicial?
Estranhais que vos peçam para ter uma taxa baixa de empréstimos relativamente aos depósitos ? (desalavancai, diz o senhor presidente da republica)
E tendes lata para ameaçar o estado com uma ação?
Vós que penhorais até ao último alento, de quem montou um negócio, sem esconder faturas e se afundou num momento de quebra da procura.
Tende cuidado, porque nem todos os juizes são o que pensais.
Ainda há juízes em Berlim, dizia o camponês de Potsdam para o grande Frederico que o queria expropriar.
Se tiverdes o azar do processo ir parar às mãos de alguns juízes de Berlim, correis o sério risco de ser acusados de estar a entupir o tribunal com ações espúrias e podereis sair condenados por sabotagem da economia porque a ineficiência da justiça é um dos fatores apontados pelos investidores estrangeiros para justificar a pouca vontade de investir em Portugal.
Vós sois os meninos maus de que falei há tempos:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/07/os-4-meninos-maus.html
Vós sois os meninos maus, mimados, protegidos, sempre prontos a fazer queixinhas para que os vossos interesses sejam satisfeitos, sempre prontos a chamar a atenção para os vossos sucessos e exigencias de recompensas.
Para poderdes continuar a empurrar e a extorquir os outros meninos e meninas, distraídos que estão com os seus jogos, e incapazes de compreender os prejuízos e os sofrimentos que estão a causar aos outros, porque para vós apenas contam os resultados finais que se traduzam em lucros.
Aplica-se a vós a citação que o deputado do BE José Manuel Pureza foi buscar para comentar a insensibilidade dos cortes nos rendimentos de quem trabalha:
Tony Judt, um social-democrata que não caiu aos pés da deriva liberal, deu-lhes a resposta certa: "Hoje em dia, ficamos orgulhosos ao ser suficientemente duros para infligir dor nos outros. Se ainda vigorasse um costume mais antigo, pelo qual ser duro consistia em suportar a dor e não em a impor, talvez devêssemos pensar duas vezes antes de preferir com tanta insensibilidade a eficiência à compaixão."
Sabeis o que estais a fazer quando vos queixais de ter medo de serdes nacionalizados como foram nacionalizados os banco dos vossos maiores quando os descapitalizaram em fuga para o Brasil, como dons joãzinhos sextos?
Sabeis que banqueiros com medo são banqueiros que pedem aos seus clientes que vão a correr secar os cofres a levantar os seus depósitos?
Ignorais que a classe média nos anos de quase bancarrota dos anos 20 e 30 do século XX tinha contas em bancos ingleses, franceses, suiços?
E quereis ignorar que nos dias hoje vós ajudais a sangria para as off-shores?
Quisestes há dias que o estado criasse um bad bank para ficar com o vosso crédito mal parado.
Ah, dizeis que muito desse crédito mal parado é do estado.
Mal parado? Deixou de pagar, quando e quanto?
E mal parado de particulares e empresas particulares já é de 5 mil milhões, dos quais 2 mil milhões de interrupção do pagamento dos empréstimos da habitação?
Acreditais então que o "mercado" pode ajudar o PIB a crescer?
Ou isso não vos interessa, só vos interessa o lucro?
Não era o que dizia Adam Smith, que dizia que tinheis de ter uma função social.
Terieis de moderar a vossa ganancia, de vos contentardes com menores lucros, ou então maiores impostos.
Como pois estais agora com exigencias, depois de os vossos homólogos terem desencadeado toda esta crise internacional?
Lestes o artigo "Should some bankers be prosecuted?", de Jeff Madrick e Frank Partnoy, na "New York Revie of Books", vol.58 - nº17?
Vistes a ópera de Nuno Corte Real, "Banksters" (isso mesmo, aglutinação de bankers e gangsters)?
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=banksters
Deixai que vos recorde as palavras do presidente Andrew Jackson em 1834:
“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”.
Ponderastes a notícia das manifestações contra o vosso poder? Não me refiro só aos "Occupy"
(To fellow citizens occupying Wall Street and peoples protesting across the world:
We stand with you in this struggle for real democracy. Together we can end the capture and corruption of our governments by corporate and wealthy elites, and hold our politicians accountable to serve the public interest. We are united - the time for change has come!) ,
que para isso melhor será analisardes o artigo do Nobel Krugman (So who’s really being un-American here? Not the protesters, who are simply trying to get their voices heard. No, the real extremists here are America ’s oligarchs, who want to suppress any criticism of the sources of their wealth.)
Refiro-me às manifestações em 2011-11-12, em Berlim e em Frankfurt, frente à sede do BCE, com cartazes a dizer "Banken in die Schranken".
![]() |
| Frankfurt, 2011-11-12, com a devida vénia ao DN |
Ides continuar como o banqueiro que queria ir além das gorduras e sangrar o mercador de Veneza?
Poupai-vos a esse risco, considerai ainda o risco explosivo de Guy Fawkes , aquela máscara afilada, com bigodinho à Errol Flyn e pera à duque de Guise (de como um criminoso se transforma em símbolo de resistencia contra a opressão).
Vá, aceitai o estado como acionista.
Pode ser que as eleições continuem a favorecer quem pensa como os vossos grandes homólogos, e daqui a 3 anos o senhor ministro das finanças vos faça um preço para amigo para ficardes com as ações só para vós.
Que receais? é agora primeiro ministro na Itália quem trabalha para a Goldman Sachs (Goldman Sachs, Goverdman Sachs) , primeiro ministro na Grécia quem foi a eminencia parda do senhor Tricheur, perdão Trichet, no BCE.
Nem sequer foi preciso enganar as populações em campanhas eleitorais.
Contende-vos, pois, deixai-vos de queixinhas de meninos maus.
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