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domingo, 13 de janeiro de 2013

Breve reflexão em frente de um problema de xadrez


Estive muito tempo a tentar encontrar a solução.
Não consegui.
Mais um argumento contra a minha auto-valorização.
Que é um fator essencial para o sucesso, nos tempos que correm.
Mais um insucesso meu.
Não era difícil, o tema era mate pelas brancas em dois lances, e havia que cortar o caminho ao rei negro, mas ao mesmo tempo arranjar um enfiamento para a Dama branca dar o mate na segunda jogada.
Fácil de entender que a imobilização do rei, tipo estratégia da aranha, era colocar a Dama branca numa casa que o fizesse.
Mas ao mesmo tempo essa casa tinha de dar acesso à casa do mate.
Não vi, depois de tempo demasiado a olhar para o tabuleiro.
A casa do mate, e que cobria a mesma casa da imobilização, para que o mate pudesse ser em dois lances, estava do outro lado da zona da Dama branca e não vi.
Se tivesse trocado impressões com alguém talvez lá chegássemos, os dois, ou os três.
Mas o interesse do jogo é tentar de forma individual.

E a breve reflexão é esta:
as combinações e as dificuldades conjunturais do xadrez têm analogias com as da vida real económica e financeira e graus de dificuldade comparáveis, mas são um jogo individual, ao contrário das questões económicas e financeiras que são de todos.

Pobres governantes que querem resolver sozinhos o problema do mate em dois lances, quando era muito melhor fazê-lo em debate coletivo e participativo.
Pobres deles, que não têm capacidade de “insight”   (ver

para perceber que não são capazes de resolver o problema, nem porque tantos estão a discordar deles.
Saberão jogar xadrez?
Não devem saber, a avaliar pelas dificuldades evidenciadas em combinar estratégias de calendário superior ao das legislaturas e por aplicarem receitas de autores de livros de xadrez sem olhar para o tabuleiro e para as suas posições concretas.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

O xadrez e a senhora Merkel

Já tentei neste blogue aplicar análises de xadrez à situação política.


Tratei do sacrifício da dama, que, no caso da senhora Merkel, poderá constituir uma boa solução.

Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2011/12/o-sacrificio-da-dama.html


Se a tendência das ultimas eleições nos estados alemães se confirmar, termos provavelmente depois das eleições para o Bundestag uma politica convergente com os outros países da UE no sentido das eurobonds, dos empréstimos do BCE sem intermediários privados e com o BCE a funcionar como reserva federal.


Hoje volto ao tema, com um problema do tipo “dominação da dama”.


As brancas jogam e ganham



Esperemos que sim, que seja a dominação da dama e não a dominação pela dama.

A solução do problema é muito interessante.

A ideia é empurrar a dama para uma posição em que possa ser tomada.

Uma posição tal que, para onde quer que ela vá, e pode ir para muitas casas embora seja travada por algumas peças da mesma cor, acabará mal.

Para isso não são necessárias peças muito fortes, mas apenas bem colocadas, laboriosas e com espírito de sacrifício.

No fundo, as qualidades que permitem às pessoas normais atingirem os objetivos do bem comum, sem necessidade das grandes lideranças.



Solução do problema : 1. Xyz . Dxb2, ficando a dama negra dominada; sendo X = a terceira letra antes de F; y = a segunda letra depois de f; z = 125/25







sábado, 10 de dezembro de 2011

O sacrifício da dama

Com a devida vénia à secção de xadrez do DN, vejam este problema:

As brancas jogam com mate em duas jogadas

Os problemas de mate em duas jogadas, como este, são normalmente abstrações (não é natural deixar chegar a dama negra a uma posição desprotegida como aquela em que está no problema)  em que se procura a solução mais rápida num jogo que já está ganho. Mas mesmo assim têm interesse para estudar as combinações possíveis e para ver como uma ação pouco frequente pode ser a resposta para o caminho mais curto.
Para encurtar razões, a solução neste caso é sacrificar a dama branca.
A dama branca em c5, ao ser tomada pelo bispo de b4 permite o mate do rei negro por cavalo em c3; se tomada pela dama negra permite o mate pelo bispo em h7; se tomada pelo peão negro de d6 permite o mate pela torre em e5; se tomada pelo cavalo negro de b3 o mate será pelo cavalo em d2; se tomada pelo cavalo de e6 o mate será pelo bispo em d5; se deixada a dama branca à solta, dará o mate em d5; se protegida a casa d5 pelo cavalo negro em f4, o mate sobrevem pelo cavalo em g3.
É verdade que o jogo já estava perdido para as pretas, assim como, se associarmos o rei negro às ameaças que pairam sobre a UE e a sua moeda, podemos, ingenuamente ou talvez não, acreditar que as más jogadas dos ultimos anos não vão impedir que se ganhe o jogo da Europa unida e solidária, com politicas de emprego e de geração seletiva de riqueza util.
Mas conviria realmente, para que Obama e Paul Krugman ("os paises do norte vão acumular superavits, e os paises periféricos vão dizer adeus à prosperidade") não andem tão preocupados com as más decisões e indecisões da ultima cimeira (de facto,  para uma mente norte americana deve ser muito dificil entender por que o BCE não pode fazer o mesmo que a reserva federal dos USA; talvez seja porque nenhum governante europeu disse dos bancos o que o presidente Jackson disse:“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”), que se apressassem as medidas realmente eficazes, ainda que fosse preciso contrariar o senhor governador do BCE, Mario Draghi.
Muito bem, agora que expliquei o problema de xadrez, vamos sacrificar a dama?