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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mensagem de presidentes

Mensagem do presidente Franklin Roosevelt ao Congresso, em 29 de abril de 1938:

“A liberdade de uma democracia não está segura se o povo tolerar o crescimento do poder privado até um ponto em que se torne mais forte do que o próprio estado democrático. Na sua essência, isso é fascismo – apropriação do governo por um individuo, por um grupo, ou por quem quer que seja que controle o poder privado”

Mensagem de despedida do presidente Dwight Eisenhower em 1961:

“É necessário manter o equilíbrio nos programas nacionais – equilíbrio entre a economia privada e a pública, equilíbrio entre custos e expetativas de beneficios”

A situação atual não é exatamente a mesma de 1938 e de 1961, mas evidencia, graças à subordinação da globalização às grandes empresas internacionais e às grandes organizações financeiras, o agravamento da condições e das ameaças sociais.
Para os países sob assistência (!?) do FMI , BM e CE, que impõem a privatização da exploração de bens essenciais, a simples lógica permite afirmar: estão a propor uma forma de fascismo (associação em grupos subordinados  a uma pequena percentagem hierarquizada da população nos lugares chave dos grandes grupos económicos e financeiros).

Informação interessante em

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Globalização e liberalismo

Ainda dentro do tema sobre a fruta importada, ver em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/04/pera-red-barlet-vermelha-e-saborosa-vem.html    ,

será verdade que a grande sociedade de hipermercados que tem uma rede de lojas na Polónia vende nelas uma percentagem de produtos polacos de 95% relativamente ao total de vendas?
É que, se for assim, o comportamento é diferente em Portugal, em que as romãs são israelitas, as laranjas sul-africanas, as maçãs francesas, as ameijoas vietnamitas, a pescada e as uvas chilenas, etc, etc.
E atua no sentido contrário ao desejável, que é  (ou seria?) o desendividamento.
Globalização e liberalismo internacional é infelizmente isto em muitos casos: os outros instalam empresas cá e levam as mais valias (vá lá que criam algum emprego, até nem estou contra); mas nós instalamos as empresas lá, e é la´que ficam as mais valias.
Dito assim, em linguagem corrente, para se perceber bem, apenas com o pedido de não generalizarmos, porque a saída seria talvez o que se costuma chamar um "mix", com diversidade de soluções.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Inside job I - Os ladrões de bancos

Com a devida vénia ao DN e ao seu cronista Jorge Fiel e à sua crónica “Os ladrões de bancos”, registo os filmes sobre assaltos a bancos, a partir do interior, que é donde se consegue mais sucesso na tarefa de gestão danosa de um banco:
Inside Man de Spike Lee com Clive Owen, Denzel Washington e Jodie Foster, e Inside Job de Charles Ferguson.
Tambem se pode assaltar um banco a partir do exterior, com uma boa planificação das ações. como no caso da Kim Basinger e do Alec Baldwin, mas é mais fácil apanhar os artistas.

1 – o que é inside job? Consultada a wikipédia, verifico que “inside job” significa:
Referencia coloquial a um crime, usualmente  roubo, apropriação fraudulenta, desfalque, cometido por pessoa com posição de confiança, com acesso aos bens imoralmente transacionados, com pequena ou nenhuma supervisão, por exemplo, um diretor ou um gerente.
Este foi o título escolhido para o filme –reportagem sobre a crise financeira do Outono de 2008 que o cronista Jorge Fiel recomendou.
Passe a publicidade, está em exibição em Lisboa neste Janeiro de 2011 com o título A verdade da crise.
http://www.youtube.com/watch?v=X2DRm5ES-uA
Não foi realizado por Michael Moore, mas podem experimentar ver o filme para ver se ele, Moore, terá exagerado no seu filme Capitalism, a love story, em que tão delicadamente se refere à Goldman Sachs e à sua influencia no governo dos USA.


2 – uma das consequências da globalização, se globalização é o que é decidido ou o que acontece nos antípodas repercutir-se no meu ambiente, é eu estar autorizado a pronunciar-me sobre o que se passa nos antípodas. Por exemplo, se as inundações em Quennsland na Austrália paralisaram a extração de carvão e se em consequência o preço dos combustíveis e do aço no meu país sobe, o meu país tem o direito de perguntar por que razões as  inundações são catastróficas. O desastre de New Orleans revelou ao mundo inteiro a fragilidade da estrutura económico-política da Luisiana e que entre as causas estava a deficiente manutenção dos diques. Então a pergunta agora é: quais as causas do estado de Queensland não suportar a precipitação acima dos valores normais? Está o problema  a ser estudado por métodos científicos? Faz-se a pergunta porque há poucos anos houve na Austrália a catástrofe dos incêndios sem que os meios de comunicação social nos tenham transmitido a análise científica do fenómeno e das recomendações  a aplicar; e porque se fez a mesma pergunta para o caso da Madeira, sendo certo que há pessoas habilitadas para fazer o estudo com conclusões, embora se receie que não as tenham deixado aplicar os métodos científicos. Isto é, a probabilidade de repetição não é desprezável. Isto a propósito do que fizeram os banqueiros do Lehman Bros  e companhia no Outono de 2008. Embora tenhamos a tentação de culpar quem está mais próximo de nós, políticos e banqueiros, alguns dos quais com razão para serem responsabilizados,  dificilmente a economia portuguesa poderia resistir. Então os referidos banqueiros e companhia prejudicaram-me, e se me prejudicaram, tenho o direito de saber porque os deixaram fazer aquilo (resposta de elevada probabilidade: porque prevaleceu a teoria económica neo-liberal de desregulamentação reaganiana e tatcheriana). Muita pena ver-se agora o esforço da austeridade centrar-se nas faixas sociais de menores rendimentos, para que os senhores banqueiros e companhia possam continuar os seus negócios, no bom estilo das teorias neo-liberais. Ver os anteriores “post”:



3 – acreditar nas próprias convicções é bom, mas qual é a medida do universo dessas convicções? Se eu não conhecer o Tejo, o rio da minha aldeia pode ser para mim o maior rio. Se eu conheço apenas os meus argumentos e desconhecer os argumentos dos outros, terei sempre razão. Se repetir muitas vezes aquilo a que eu chamo os meus ensinamentos, então o que acontece tem de ser interpretado de acordo com esses meus ensinamentos e, se necessário, deve ser reinventada a realidade. Isto é, se for eu a medida do universo, e se agir de acordo com as minhas regras, como posso ser acusado seja do que for? Há aqui um grande problema. Têm de ouvir-se as opiniões de todos, têm de se debater as questões e tirar a resultante. Não deve haver verdades únicas, mas tem de se pôr a ciência na equação, como diz o professor Carvalho Rodrigues. O que continua a não se ver.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Economicómio XXVII - “Um gajo tem de trabalhar onde há trabalho”

Homenagem aos trabalhadores portugueses do viaduto de Andorra.

Um dos colegas dos trabalhadores mortos disse uma evidencia que para a comodidade das vidas de muitos de nós choca pelo contraste com essa mesma comodidade.
Estamos entretidos com a ascensão e queda de um pequeno funcionário duma dependência bancária de Tras os Montes, com os concursos e as telenovelas da televisão, enquanto alguns de nós vão e vêm , através da fronteira com Espanha.
Os mesmos que iam à India e traziam a pimenta e cujas viúvas nada recebiam se a nau naufragasse com eles.
Os economistas que nos governam tinham-nos avisado: com a crise (excesso de produtos nas prateleiras das lojas, preços baixos e desemprego alto), quem tivesse emprego fixo ficava melhor, quem não o tivesse ficava pior.
A necessidade de ir trabalhar para longe resulta, não por correlação mas por relação de causa e efeito, duma coisa (utilizo o termo na acepção de entidade desumanizada) que nos entusiasmou há uns anos, pelo menos à maioria de nós, e que é a globalização.
A globalização permite o abaixamento dos preços no consumidor.
Esse é um facto.
Porém, através da concentração da produção em regime quase de monocultura (especialização elevada em qualquer local do mundo, longe do centro de gravidade dos consumidores), e do aproveitamento dos transportes baratos, a produção está longe, muito longe dos consumidores.
O Automóvel Clube é capaz de me expulsar, mas os combustíveis estão baratos, que diabo, muito baratos, e a globalização é uma das provas que estão baratos: produzir localmente deveria ser mais barato por estar perto do centro de gravidade dos consumidores; se me falarem da economia de escala falem-me também das melhorias de produtividade em pequenas produções graças à evolução tecnológica.
Não é só a produção que está longe.
É o próprio trabalho que está longe, em Andorra.
O trabalho deveria estar mais perto da aldeia dos trabalhadores do viaduto de Andorra.
O país é pobre mas o trabalho tem de aparecer.
As mentes bem pensantes que o querem atrasar não têm de ir e vir a Andorra, e quanto mais o atrasarmos mais portugueses morrerão nas estradas de Espanha a ir e vir para o trabalho.
Se quisermos avaliar as vantagens da globalização, temos de avaliar também as suas desvantagens.
Uma análise não deve ser apenas de benefícios (que os tem, a globalização, neste caso tem os salários dos trabalhadores e a sua contribuuição para o equilíbrio da balança de pagamentos do país, pobre como sabemos).
Devem contabilizar-se os custos. E neste caso, nos custos, estão as perdas de vidas humanas, estão a desertificação de extensas área do interior do norte do país, estão o abaixamento da produção interna.
Porque não fazem os economistas que nos governam contas a isto? (já disse que não me refiro aos economistas do governo; refiro-me aqui aos que alimentam a ideia que vivemos numa nova economia maravilhosa, em que a crise do Lehman Bros até ilustra as maravilhas do sistema, e que portanto governam, ou querem governar, a nossa consciência).
Ofereço este argumento ao governo, de que não gosto, mas nisto concordamos (assim já posso criticá-lo no que discordamos).
Sinto ainda que devo referir que, apesar das limitações que nos são próprias, tem-se verificado em Portugal um aumento da cultura da segurança no trabalho.
É verdade que houve uma grande transferência da força de trabalho ao nível de licenciados para esta disciplina, graças também a uma legislação vinculativa, e isso tem custos.
Têm sido raros os acidentes mortais em obras do Metropolitano de Lisboa, por exemplo (último acidente fatal em 2002, com um gruista na obra de Telheiras). Na última expansão, da Alameda para S.Sebastião, apesar das pressas, não houve acidentes fatais devidos à obra. Apesar do desastre do túnel do Terreiro do Paço em Junho de 2000, também não os houve na expansão da Baixa para Santa Apolónia.
Existem muitas dúvidas de que os empreiteiros nas obras dos viadutos espanhóis cumpram os procedimentos de segurança.
Também tivemos cá acidentes, muitas vezes nas mesmas circunstancias de pressas e de falha dos apoios da cofragem da betonagem (situação mais crítica devido à sobrecarga da água), mas a situação agora parece mais controlada, e nesse sentido não devemos criticar o não cumprimento da promessa de conclusão da CRIL antes de 2009-09-27. Só devemos criticar a promessa.

Nota (créditos, como dizem os anglo-saxónicos): como na realidade as minhas ideias são poucas, pelo que estou sempre a repetir-me, como também dizia Jorge Luis Borges, tive nesta apreciação sobre a globalização de me socorrer das ideias de James Kunstler, no seu livro “O fim do petróleo”, que me foi recomendado por um dos leitores ocasionais deste blogue, e que recomendo vivamente, desde que não se deixem impressionar pelo seu tom levemente catastrofista.