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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

uma complicadissima trindade, a inovação, a produtividade e a competitividade

Nota prévia - não caia o leitor numa sinédoque (tomar a parte pelo todo) e não conclua que o escriba é contra  a inovação, a produtividade e a competitividade. Apenas pensa que qualquer medida para as promover deve ser acompanhada de uma análise de custos-benefícios, de uma análise de riscos e precedida por testes. E perdoe-se a imodéstia do escriba ao recordar ter participado no caderno de encargos da aquisição em Portugal da segunda central telefónica privativa de comutação temporal e do primeiro encravamento de sinalização ferroviária (interlocking) computorizado. Pelo que não está seguro de que os economistas que enchem a boca com as três palavras possam acusá-lo de inimigo desta trindade complicadíssima de entender, de insondável dificuldade de aplicar.

Inovação -  durante 1 ano, o dirigível Hidenburg exibiu a sua superioridade sobre os outros dirigíveis. Beneficiava de uma cobertura sintética que oferecia menos atrito à deslocação do ar e era mais leve do que as lonas dos outros. Por isso, graças à inovação, consumia menos combustível e era mais rápido. Porém, a natureza sintética do material, por razões da mecânica quantica e da física dos dielétricos (isolantes) propiciava a acumulação de cargas eletroestáticas. Que originaram o incêndio fatal na manobra de atracagem à torre metálica em New Jersey em 1937. São exemplo também de inovação não testada nem sujeita a análise de riscos os dois acidentes fatais com os primeiros aviões que utilizaram software nos seus comandos. A base de dados com a altitude da rota não tinha sido refrescada. Felizmente sem consequências fatais, outro exemplo é o da substituição do uso das cartas náuticas de papel por mapas eletrónicos. Por não ter feito zoom in, um dos veleiros da corrida oceanica colidiu com um recife. Se tivessem traçado a rota na carta náutica, como fazem os marinheiros normais, teriam evitado o recife.

Produtividade - dificil de entender o que é produtividade se não se aceitar o conceito de quociente. Quociente entre a medida de uma produção e a medida de um fator de produção. Infinita se se anular o fator de produção, como a anedota do cavalo do inglês. Aumenta-se a produtividade se se reduzir o fator de produção mais do que a produção. É a preferencia dos senhores economistas. Sofrerão de um complexo de Edipo perante a produção. Preferem cortar. Pode sair o tiro da culatra por efeito de multiplicação, Como dizia Christine Lagarde, por cada euro cortado de austeridade a economia pode baixar 2 euros. Mais vale aumentar a produtividade aumentando mais a produção do que o fator de produção.
Por outro lado, há um fator específico. Mais vale não nos preocuparmos muito em querer imitar a produtividade maior dos outros. Isso só se consegue com um plano a médio  ou longo prazo. Os senhores economistas que querem mandar em quem trabalha deviam ponderar o que dizia o empresário de componente para máquinas de café. Tinha montado uma fábrica na Alemanah com 90 funcionários. Quando regressou a Portugal montou uma fábrica com a mesma produção mas 120 funcionários. Se tivese insistido em 90 funcionários teria liquidado a fábrica. Mudar bruscamente, sem um plano de transição e sem considerar as condições reais, é umas das maneiras de destruir uma empresa (ou um país), conforme explica o livro "Como destruir uma empresa em 12 meses... ou antes).
Eis porque é pouco prudente tentar aplicar receitas teóricas como as da troika.
Um bom exemplo de aumento da produtividade numa atividade rentável bem documentada na nossa história trágico-marítima é o da querena italiana. As naus da carreira da Índia necessitavam de calafetagem periódica. Pô-las a seco demorava muito tempo. Adotou-se o método genovês de esvaziar a nau, deitá-la na água puxando o topo dos mastros e calafetando meia nau ao longo da quilha (querena). Poupava-se tempo e recursos humanos e materiais, Aumentava-se portanto a produtividade. Só que as mais das vezes o trabalho era feito de forma apressada, as tábuas não secavam bem e daí a uns meses, sujeitas à sobrecarga das mercadorias para além do razoável  e às tempestades do Índico, o casco abria e a nau naufragava.
Outra tragédia associada ao aumento da produtividade é a gestão hospitalar das operações. O tempo necessário para a desinfeção antes e depois das operações pode ser superior à duração da própria operação, limitando o número de operações possíveis de realizar. Recentemente isso foi demonstrado com o surto de legionela. Uma das medidas para evitar a doença é a desinfeção dos doentes antes e depois das operações. O que piora o indicador de produtividade tão caro aos senhores econonistas que nunca operaram um doente. Como explicar-lhes que a declaração dos direitos humanos deve prevalecer sobre o formalismo matemático do cálculo de um indicador e sobre o critério da definição do valor e do montante monetário?

Competitividade - A história trágico-marítima, desta vez inglesa, dá outro exemplo para a competitividade. O Titanic deveria estar parado na noite do acidente, em consequenciado aviso de icebergs. Como o Carpatia, que o socorreu. Porém, a administração da empresa deu instruções ao comandante para avançar de modo a bater o recorde de ligação a Nova Iorque, e assim poder propagandear a maior competitividade da empresa. O exemplo da Rover, fabricante inglês de excelencia de automóveis, introduziu melhoramentos na gestão da fábrica que lhes permitiu baixar o preço e aumentar as vendas: concursos para fornecimento externo de peças, controle de qualidade partilhado com os clientes, bloco de alumínio em 3 fatias aparafusadas sem pernos, válvulas hidráulicas, otimização da injeção e da forma da câmara de combustão (o que lhe permitiu ser o primeiro fabricante a conseguir um motor de 1400 cm3 com mais de 100 cavalos, muito antes da Volkswagen o conseguir). Sabe-se o que aconteceu como reação a este notável aumento de competitividade. A BMW comprou a Rover num processo deselegante para o outro interessado, a Honda, absorveu o seu "know how" , desinvestiu na engenharia própria da Rover e depois, quando já não era competitiva, vendeu-a a um fabricante chinês que não tem negócios na Europa. Dir-se-ia que é como na selva,  quando um animal  mais fraco dá nas vistas, arrisca-se a ser comido pelo predador.








segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sun Tzu, senhor e teórico da guerra


Mensagem de Sun Tzu, senhor e teórico da guerra,  à CGTP, a propósito das greves:

- "É preferível capturar o exército inimigo a destruí-lo. Travar uma centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem combater, isso sim é o cúmulo da habilidade… A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.” 

 

Mensagem de Sun Tzu ao governo e ao teóricos da produtividade e competitividade, para que não despeçam tanto:

 


-“O verdadeiro método, quando se tem homens sob as nossas ordens, consiste em utilizar o avaro e o tolo, o sábio e o corajoso, e em dar a cada um a responsabilidade adequada”.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Oportunidade perdida de uma remodelação

com a devida vénia ao DN e a José Bandeira, que continua a comentar melhor do que muitos analistas politicos


Eurostat: taxa de desemprego subiu para 16,5%.
Comentário do senhor secretário de Estado adjunto da Economia, Almeida Henriques:
Viveu-se acima das possibilidades, criou-se emprego que não era consistente, temos de fazer o ajustamento para vivermos de acordo com a capacidade produtiva e isso é com as empresas.

É de fazer perder a paciência a um santo, é de o pôr a falar coloquialmente.
Não há pachorra para continuar a ouvir estas cassetes e estes lugares comuns.
A maioria do povo português não comprou carros de luxo, nem fez férias nas Maldivas nem teve salários mais elevados do que a média europeia.
E sempre viveu abaixo, sim , das suas potencialidades.
Empregos não consistentes?
Melhora-se a produtividade (não se melhorou? Não se produz o mesmo número de sapatos, de camisolas e de garrafas de vinho e de azeite com menos trabalhadores? O número de passageiros.km transportados pelas empresas de transporte coletivo ão aumentou por trabalhador?) e isso não “flexibiliza” (flexibilizar funciona nos dois sentidos) o conceito de emprego? isto é, não é necessária uma percentagem tão elevada como antigamente nas áreas diretamente produtivas?  (claro, a cartilha ultraliberal manda as pessoas irem para o desemprego para que os preços se mantenham baixos) e a produtividade dos automatismos mantenha a economia a funcionar).
Ah, e aumentar a capacidade produtiva é com as empresas? E falava o senhor secretário de Estado no interior do país? As coisas que se dizem no interior do país …  conhecerá o senhor secretário de Estado aqueles casos de câmaras que infraestruturaram terrenos para parques industriais, concederam benefícios às empresas, que depois desapareceram deixando os parques às moscas? É verdade, sempre se foi embora a fábrica dos ursinhos da senhora Merkel? Mas a cartilha ultraliberal insiste: iniciativa privada é que é bom.
Não é, o que é bom é quando a iniciativa privada é boa, não é bom por ser iniciativa privada. Tem de haver iniciativa pública, ao menos na planificação e capacidade de recolha de dados, tratamento e abstratização de um modelo produtivo. Mas para isso há dúvidas de quem detem o poder politico tenha capacidade.
Claro que o mundo empresarial é essencial para a economia, mas faltam empresas públicas efetivamente controladas pelos eleitores. Porque senão, há mais hipóteses de promiscuidade entre o poder politico e económico.

Já disse que é como nas equipas de futebol, depende da equipa de treinadores n(aquela da capacidade de abstratização fui buscar ao Mourinho).
Se a estratégia ou a tática não está adaptada ao adversário, se não há capacidade para criar exercícios de estudos de caso, evidentemente que não se produz o suficiente e se vive abaixo das potencialidades e o problema resolve-se mudando de equipa treinadora.
Não precisa de ser o governo todo, basta mudar o primeiro ministro, o seu adjunto, e o ministro das finanças.
Isto para não chocar o senhor presidente da Republica, claro, que como já foi dito, não se perdia nada com um governo de inclusão.
Enfim, mais uma oportunidade de remodelação perdida.

domingo, 11 de novembro de 2012

Provérbio chinês



Não me dês o peixe.
Empresta-me a cana e ensina-me a pescar.
Pago-te com os peixes que for pescando.
Metade para ti e metade para mim.
Até ter o empréstimo pago.
Como sabes pescar bem e depressa,
Vais ensinar-me aqui, na minha praia (tem de ser aqui),
a pescar bem e depressa.
Assim o empréstimo será rapidamente pago.
E poderás ensinar outros a pescar.

domingo, 22 de maio de 2011

Vê, minha cara senhora?


Gnadige Frau Angela Merkel

Siehe, meine Gnädigste?
Lesen Sie nicht meinem Beitrag vom 11. Februar bis2011.05.22
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/02/sehr-geehrte-frau-merkel-ich-wende-mich.html   (wo ich Ihnen sagen, dass die Deutschen, die an die Algarve kommen früh in den Ruhestandsind ) und er sagte, dass Unsinn, dass die portugiesischekonnte nicht faul, um früher als die Deutschen den Ruhestand.
Hatte seine Botschafter zu einem der OECD vergleichendeTabelle, die Sie dem portugiesischen Außenminister übergabihn zu empfangen.
Es erinnerte mich, wenn ich meine deutschen Kollegen zeigtenE-Mail Kopie der Arbeit, die er mir vorgeworfen, nicht getan zu haben war ...
Nun, ich verstehe, du hast keine Zeit, um meinen Blog zu lesen,hat die Mathematik auf Deutsch Produktivität und diePortugiesen, und kam zu dem Schluss, dass 40 Jahre Arbeit 20 Jahre Portugiesisch deutschen Arbeitsmarkt sind.
Abgeschlossene Böse, scheint es mir, einfach mal die Zahlender Europa Self-Palmela, nicht, wenn die VW Sharan und der EOS zu sehen.
Aber wenn Sie Fragen haben, statt zu reden Unsinn inKundgebungen, senden Sie technische Organisation, die nach Portugal statt Ökonomen Berater (in der Tat produktivität in Deutschland ist höher, aber immer noch nicht erklären, warumso viele Unterschiede bestehen relativ der ehemaligen DDRDeutschland).

Sehr geschätzt.
Vielen Dank!



Vê, minha cara senhora?
Não leu o meu post de 11 de Fevereiro de 2011-05-22
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/02/sehr-geehrte-frau-merkel-ich-wende-mich.html    (em que eu lhe digo que os alemães que vêm para o Algarve estão a reformar-se muito cedo), e disse aquele disparate de que os portugueses preguiçosos não podiam reformar-se mais cedo do que os alemães.
Teve o seu embaixador de receber aquele quadro comparativo da OCDE que o senhor ministro dos estrangeiros português lhe entregou.
Fez-me lembrar quando eu mostrei ao meu colega alemão cópia do email com o trabalho que ele me tinha acusado de não ter feito…
Bom, eu compreendi, a senhora não tem tempo para ler o meu blogue, fez as contas à produtividade alemã e à portuguesa, e chegou à conclusão de que 40 anos de trabalho português são 20 anos de trabalho alemão.
Concluiu mal, a mim me parece, basta consultar os números da Auto-Europa de Palmela, onde é feito o EOS e o Sharan da VW,  para ver que não.
Mas se tem duvidas, em vez de dizer disparates nos comícios, mande técnicos de organização de trabalho para Portugal , em vez de economistas consultores (de facto a produvtividade na Alemanha é superior, mas ainda não se conseguiu explicar por que se mantêm tantas desigualdades relativamente à ex-Alemanha de Leste) .

Muito agradecido.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Rodoviarium XXVII - Reflexão à mesa do café

Observo, sentado à mesa do café-bar-restaurante, o pequeno camião-reboque duma empresa de catering e distribuição de produtos para restaurantes.
Está estacionado na faixa prevista para a paragem dos autocarros da Carris.
São 11 horas da manhã.
Não está a ser seguida a determinação dos edis de Pompeia, que fixava horas mais matinais para descarga de bens alimentares, e definia o período em que a rua tinha o sentido de chegada dos bens para descarga e depois o sentido de saida dos carroções.
O veículo trator é um chassis cabinado do tipo Ford Transit; o reboque é uma caixa frigorífica com cerca de 8 metros de comprimento, decorada de forma atrativa e publicitando as qualidades da empresa, com sucursais do Algarve ao Minho.
O trator é claramente uma adaptação do modelo série da carrinha.
As rodas do reboque são pequenas, como as de qualquer carrinha deste tipo.
Duvido da estabilidade dinâmica do conjunto a mais de 80 km/h.
Do local onde me encontro não vejo se existe placa  de limitação de velocidade.
Não vislumbro dispositivos amortecedores de movimentos de lacete horizontais.
Imagino que se a porta se abrir por acidente durante a viagem poderá desestabilizar o reboque.
Ou simplesmente uma manobra brusca.
O funcionário descarrega uma série de caixotes térmicos.
Entretenho-me a imaginar: tartes pré-congeladas, pita-shoamas, quiches-lorraines, bolos de chocolate, hamburgueres.
Volta à viatura com o carrinho de duas rodas, para o encher com produtos de limpeza que deposita no restaurante.
Chove quando regressa à cabina.
Interrogo-me se a cena se passasse há 10 anos, talvez contasse com a presença de um auxiliar.
Ajudava na manobra do pequeno camião, na descarga, reduzia a fadiga do motorista...embora reduzisse as margens de lucro, ou aumentasse os custos de produção.
O funcionário consulta os duplicados das guias de entrega.
Possivelmente ainda lavará o veículo quando terminar o turno.
Agora deve estar a verificar a próxima paragem.
A rapariga do bar vai a correr e grita-lhe qualquer coisa pela janela.
Ele abre o vidro.
Faltava pôr um visto numa das guias de entrega.
O funcionário  desce da cabina.
Não precisou de tirar o cinto de segurança porque os motoristas de distribuição estão dispensados(!?).
Acena, desculpando-se, para o motorista da Carris que pára o seu autocarro mais afastado do passeio do que normalmente.
Corre para o restaurante para resolver o problema.
Interrompe a corrida e volta para trás para recolher os degraus de um dos acessos laterais do reboque frigorífico (como?, o projetista previu uns degraus que se projetam obliquamente para o exterior do contorno da secção do veículo? em riscos de magoar um peão que se aproxime demasiado se o motorista se esquecer de o recolher?).
Tudo resolvido ali.
O motorista interroga um casal de reformados sobre o caminho a seguir até ao próximo restaurante.
Não parece fácil a explicação.
Mas finalmente parece esclarecido.
O pequeno camião arranca.
Tem bom poder de aceleração.
Não tem placa limitadora de velocidade.

Mundo cão, este.
A empresa de catering orgulha-se de ser bem gerida e de ser um sucesso, com indicadores de qualidade certificados, como se diz agora, e com distribuição de dividendos aos acionistas.
O motorista andará satisfeito porque tem emprego e deve achar cómoda a condução.
O restaurante tem os custos reduzidos com este tipo de distribuição.
Haverá mesmo necessidade de alterar as leis laborais para melhorar a produtividade e a competitividade?
Aqueles senhores engravatados que vão à TV explicar como os outros devem trabalhar acharão que o motorista precisa de aumentar a produtividade?
A entidade homologadora dos veículos rodoviários e a entidade reguladora das condições de segurança do trabalho nas estradas e ruas não vão preocupar-se com as reflexões pessimistas de nenhum cliente do café-bar-restaurante do meu bairro.
Mundo cão, segundo o cliente do café-bar-restaurante.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os orçamentos de estado de Portugal e dos USA

'

Aproveitemos a época em que se fala tanto de orçamentos.
Deixemos o aspecto novo rico e provinciano (no sentido em que Sofia de Melo Breyner falava do poder de Lisboa) da fotografia parlamentar com a memória “pen” na mão elevada, ou o CD, já não sei bem, mas de mão, sim, elevada e o sorriso amarelo para fixar a felicidade do momento.
Lembrei-me de ir ver os sítios do ministério das finanças do meu país:

http://www.min-financas.pt/comunicados/2010/100127.pdf
(ver o resumo do orçamento global na página 7),

e do Office of Management and Budget da presidência dos USA :

http://www.whitehouse.gov/omb/budget/fy2011/assets/budget.pdf
(ver a tabela S.1 , na página 146, com o resumo global), sendo que também é muito interessante o artigo da Wikipédia:

http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_federal_budget

Também com carater lateral, temos aqui a questão interessante de, em Portugal, de acordo com uma norma europeia a precisar de actualização, se utilizarem os seguintes significados antecedendo as unidades, por exemplo de euros ou dólares:

Bilião…………milhão de milhões...................10E12........T....... tera
Trilião………milhão de milhões de milhões........10E18 .......E ...... exa

E nos USA, no Brasil e, mais recentemente, na Inglaterra:

Bilião………… mil milhões ....................... 10E9 ...... G....... giga
Trilião …… milhão de milhões ................. 10E12...... T ...... tera
Quintilião… milhão de milhões de milhões .... 10E18 ..... E ...... exa

Mas talvez tenha mais interesse fazer um quadro comparativo entre os orçamentos para 2010 de Portugal e dos USA, quanto mais não seja para daqui a um ano vermos o grau de realização e de afastamento entre a previsão e a realidade.
E para vermos onde deveríamos atuar para melhorar o PIB ou reduzir o défice (vou ter mesmo de voltar ao “Economia para todos” de David Moss).
E para termos uma ideia da intensidade ou do PIB per capita ou da produtividade comparada.
Então vejamos (para converter dólares em euros multiplicar por 0,7, pf):

' PT (milhões de euro) USA (milhões de dólar)

Défice: 13 900 (8,3%) ; 1 600 000 (10,6%)

PIB: 168 000 (100%) ; 14 600 000 (100%)

Despesa pública: 81 200 ; 3 720 000

Dívida pública: 143 000 (85%) ; 9 300 000 (64%)

Temos assim que o PIB dos USA será cerca de 60 vezes o PIB de Portugal, sendo que a população dos USA é cerca de 30 vezes a de Portugal, pelo que a produtividade em Portugal será cerca de metade. Apesar disso, a um ignorante em economia como eu parece que a maior preocupação em Portugal deveria ser a de aumentar a produção, e só depois preocuparmo-nos com o aumento da produtividade, mesmo que entretanto cometêssemos desperdícios .
De assinalar o elevado défice dos USA, que os defensores da desigualdade adam smithista atribuem à reforma do serviço nacional de saúde, mas que os economistas do império romano atribuiriam, com a experiencia das legiões romanas, a excesso de despesas militares longe de Roma, perdão, longe de Washington.
Comparativamente (dentro das limitações da comparação de uma nano-râ com um mega-boi), dir-se-ia que a dívida pública de Portugal está um bocado puxada. Aliás os nossos bancos, geridos por tão preclaros gestores, vêm a ser responsáveis por quase outro tanto de dívida, o que não abona os ditos gestores.
Donde, parecerá que, para inverter a situação, terá de se acabar com a triste situação de importarmos mais de 80% do que consumimos. Isto é, só produzindo se pode acabar com a dívida… Não deixem fechar as fábricas nem as fabriquetas, não deixem arrancar árvores, não abandonem a terra…mas o dr Medina Correia só fala em congelar os salários…

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Educação IX - A produtividade no ensino

Seja um sistema de ensino A com 150.000 professores que produzem, cada professor, 20 horas por semana ao longo de 32 semanas.
A produção total do sistema é, assim, de:
150.000 x 20 x 32 = 96 milhões de horas por ano
(seria mais correcto considerar como produção o número de horas.aluno, mas simplifiquemos admitindo que todas as turmas têm o mesmo número de alunos ao longo do ano)
Considerando a produtividade de um factor de produção como um quociente entre a quantidade total produzida e a quantidade utilizada desse factor de produção, temos que a produtividade é de:
96.000.000 : 150.000 = 640 horas por ano por professor.

Seja agora um sistema de ensino B com 120.000 professores que produzem, cada professor, 24 horas por semana ao longo de 32 semanas.
A produção total do sistema é, assim, de:
120.000 x 24 x 32 = 92,16 milhões de horas por ano
E a produtividade foi de:
91.160.000 : 120.000 = 768 horas por ano por professor

Comparando A e B, no pressuposto de que o volume de alunos, o número de alunos por turma e a taxa de absentismo eram iguais em ambos os casos, temos que:
O sistema B tem menos 20% de professores que trabalham 20% mais do que no sistema A
O sistema A tem menor produtividade do que o sistema B.
No entanto, o sistema A produziu mais horas de aulas.

1ª conclusão: os alunos do sistema B, mais eficiente, tiveram menos aulas com professores que, individualmente, dão mais aulas.

Toda e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, até porque não disponho dos números reais e porque ninguém escolheria o sistema B, a menos que quisesse, cumulativamente:
- prejudicar economicamente os professores
- prejudicar a educação dos alunos
- agravar a criminalidade daí a uns anos, subsequente ao insucesso escolar

2ª conclusâo: desconfiem da próxima vez que um senhor, com estudos de economia, aparecer na televisão a dizer que do que o país precisa é de aumentar a produtividade; assim como assim, quando as variáveis são muitas, é fácil manipular os números…

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Economicómio VI – Califórnia, Califórnia

Economicómio VI – Califórnia, Califórnia

Vão mal as coisas, com a Califórnia.
O paradigma do sonho americano. A população dispersa, o predomínio do automóvel, Sillicon Valley, Hollywood. Um actor como governador do Estado.
A Califórnia, se fosse um país independente, seria o 10º em PIB.
Mas vem agora o actor governador, provavelmente depois de industriado pelos economistas neocons que lhe fazem as contas e o mapa das decisões, informar que as finanças do Estado faliram, que o deficit se tornou incomportável, e que o número de alunos por turma vai ter de aumentar.
Já tinha causado surpresa a falta de resposta dos bombeiros e da protecção civil aos incêndios que desflorestaram parte significativa da Califórnia e desalojaram muitos habitantes.
Depois, aquele acidente no suburbano de Los Angeles. Os comboios sem protecção automática nenhuma…
Mas agora compreende-se. Foi o deficit.
Isto de se ser o 10º no PIB tem os seus perigos. Foi assim que a Polónia começou, nos anos 80. Era o 10º também, na altura.
Pelos vistos não é a ideologia que resolve as coisas. O contexto multi variáveis complica tudo.
E actores como chefes de estado não ajuda, especialmente se o petróleo não está barato (seria interessante estudar a correlação entre os êxitos do reaganismo e do tatcherismo e os preços baixos do petróleo e a abundância do petróleo do mar do Norte; e também a correlação entre a crise política em Inglaterra neste ano da graça de 2009 e o declínio da produção de petróleo do mar do Norte).
De modo que os gurus economistas têm muito trabalho aqui na Califórnia para fazer.
Sugiro primeiro que vejam o “Crossing over”, como diagnóstico da imigração ilegal.
E depois, talvez rever os princípios da religião oficial, de que é preciso crescer sempre, e aumentar a produtividade.
É que se uma produção contribui para o agravamento da situação global (por exemplo, produzir automóveis agrava as coisas porque contribui para a extinção do petróleo e para o aumento da poluição), aumentar a produtividade ainda é pior.
Concordarão os distintos economistas em passar a avaliar a produção, isto é, o PIB? Em passar a calcular o valor das coisas em vez do custo e do preço da coisa? (“o economista é quem sabe o custo de todas as mercadorias, mas desconhece o valor delas”). Vale a pena investir em desenvolvimento de programas de toques e jogos para telemóvel?