segunda-feira, 18 de março de 2019
Golden age, bailado de Shostakovitch (1930)
https://www.youtube.com/watch?v=QT1xhrJMAAE
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Golden_Age_(Shostakovich)
Canal Mezzo, numa tarde de fim de inverno. Exibe o bailado de Shostacovitch Golden Age.
Não conhecia, a extensão da minha ignorancia é enorme, e provavelmente a dos programadores das emissoras ocidentais,
Digo ocidentais porque a tradição dos comentadores e autores de notas de programa nos concertos diz que Shostacovitch, ou pelo menos a sua criatividade, foi uma vítima da repressão estalinista. Obras como o bailado Golden Gate, a ópera Lady Macbeth de Mtsensk, o musical o Bairro do Cerejal são, quando apresentadas em Portugal (só me lembro de ter sido apresentada a Lady Macbeth), devidamente acompanhadas de notas esclarecedoras de que foram proibidas pelos censores estalinistas, que continham críticas que Estaline não suportava - ver:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/09/o-bairro-do-cerejal.html
A crítica musical ocidental prefere assim a trica política (evidentemente que Estaline foi um ditador e um tirano que não respeitou a dignidade humana) à discussão da estética de Shostacovitch, que foi um estraordinário compositor. A sua oratória da floresta (The song of the forests) que podia ser utilizada pelos ecologistas, é considerada como um subserviente elogio ao ditador para não ser perseguido (como considerar os elogios de Camões a D.Sebastião, a quem chamou maravilha fatal da sua idade?) - ver https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=orat%C3%B3ria+da+florestas
O Golden Age, conforme diz a wikipedia, foi em 1930 uma tentativa do sincero, crente na luta pela justiça social e ingénuo Shostacovitch de irmanar as estéticas russa e ocidental. Imaginou uma viagem duma equipa soviética de futebol ao ocidente, conflitos com representantes do capitalismo e o triunfo da solidariedade dos trabalhadores ocidentais com a equipa soviética. Um dos atos contem a orquestração do tema Tea for Two dum musical americano contemporaneo.
Parece que Estaline não gostou e só em 1982 o bailado foi reposto, mas com outro argumento, um conflito da classe trabalhadora , tambem nos anos 20, com mafiosos oligárquicos (que afinal viriam a triunfar, mas isso já não vem na versão do coreógrafo Gregorovitch que o canal Mezzo transmitiu).
É uma pena sempre que se fala em compositores do período soviético vir a superioridade moral ocidental ocultar o que interessa, a estética e a mensagem de justiça social das obras, quer Estaline tenha gostado ou não. Há um paralelo interessante com a economia e a industria. Enquanto no ocidente se vociferava contra a experiencia soviética, de que aliás a intervenção ocidental na guerra civil dos anos 20 é um bom exemplo, ainda antes de Estaline, alguns industriais, como Henry Ford, achavam que não, que na continuação de David Ricardo o que interessava era o intercambio comercial (na verdade, as sanções comerciais afetam as populações, deviam pensar nisso, quem as decreta), e assim nasceu a fábrica dos GAZ-A (equivalente ao Ford model A) - ver
http://autoetecnica.band.uol.com.br/urss-10-carros-sovieticos-copiados-dos-ocidentais/
Mas os politicos acham que não, que as trocas comerciais não servem a paz. Preferem a guerra, acham que estimula mais a economia.
Pobres mentes mesquinhas.
Os preços dos passes - Área Metropolitana de Lisboa quer aumentar de 25% para 35% quota do transporte público
Assunto: Área Metropolitana de Lisboa quer aumentar de 25% para 35% quota do transporte público
Minha opinião:
Reduzir o preço do passe, depois de simplificar o tarifário, é uma medida interessante, pelas vantagens para os cidadãos e para estimular a procura do transporte público, mas tem pelo menos dois inconvenientes muito graves:
1 - o sistema metropolitano de transportes não está preparado para um aumento da procura. Por exemplo o metro não tem comboios suficientes e tem uma rede imperfeita cujos planos de expansão não a melhoram
2 - o preço dos passes é inferior ao custo. Logo, estamos a subsidiar os ciadadãos. Alguns devem sê-lo dado o seu nível de rendimentos, mas estar a subsidiar outros que não necessitam desse subsídio não é correto, considerando a história das tentativas de transporte
gratuito, apesar da sua regressividade para os beneficiários de maiores rendimentos. A alternativa que advogo é de Alfredo Marvão Pereira, integrar os custos das externalidades nos preços dos produtos que as provocam (combustíveis fósseis, portagens à entrada
das cidades, taxas de construção pra financiamento dos TC... ver
https://www.publico.pt/2019/03/17/sociedade/opiniao/descarbonizacao-1864972)
Neste processo aparece como uma ameaça o protagonismo do senhor presidente da CML, conhecido pelas suas opiniões sobre a rede de transportes, que não admitem contraditório. Receia-se que a ideia dos transportes metropolitanos de Lisboa e a "gestão e autoridade"
de tudo o que é transporte suburbano sejam uma expressão simples de autoritarismo, de desprezo pelas opiniões contrárias e de deslumbramento perante a rede londrina.
Paradoxalmente, esta parece ser uma circunstancia desfavorável da descentralização. Corre-se o risco de pequenos caciques que condicionam as soluções sem uma visão integradora e beneficiando os seus pequenos círculos.
Serão tudo medidas de elevado potencial de marketing, qualquer coisa bem inserida na tradição portuguesa, estilo "bacalhau a pataco". Ou pondo a questão noutros termos, se o custo de produção do transporte é superior ao preço, alguém terá de pagar essa diferença. Ónus esse que vem agravado com a circunstancia do preço do transporte individual ( e do aéreo, diga-se en passant) quando não incorpora as suas externalidades, ser inferior ao seu custo.
PS em 20 de março de 2019 - Discordando do apoio entusiasmado dos dois partidos de esquerda que viabilizam o XXI governo, penso que socialismo não é distribuir subsídios para cobrir défices tarifários. É evidente que numa empresa de transportes não é sustentável incluir os custos de financiamento dos investimentos necesários a uma operação eficiente no preço das tarifas (até para as companhais áereas isto se verifica, especialmente se nos seus custos estiverem incluidos o pagamento das externalidades negstivas para a sociedade global e a renovação frequente das frotas). A despesa com as infraestruturas de transporte não têm que estar incluidas no preço dos títulos de transporte (as infraestruturas são ativos nacionais, aferidas pela percentagem do PIB nacional correspondente à região ou regiões que servem), mas as receitas devem tender o mais possível para cobrir as despesas de operação. Não é o que se passa com esta política de subsídio dos passes (orçamentado em 104 milhóes de euros, parece). Não posso concordar.
PS em 20 de março de 2019 - Discordando do apoio entusiasmado dos dois partidos de esquerda que viabilizam o XXI governo, penso que socialismo não é distribuir subsídios para cobrir défices tarifários. É evidente que numa empresa de transportes não é sustentável incluir os custos de financiamento dos investimentos necesários a uma operação eficiente no preço das tarifas (até para as companhais áereas isto se verifica, especialmente se nos seus custos estiverem incluidos o pagamento das externalidades negstivas para a sociedade global e a renovação frequente das frotas). A despesa com as infraestruturas de transporte não têm que estar incluidas no preço dos títulos de transporte (as infraestruturas são ativos nacionais, aferidas pela percentagem do PIB nacional correspondente à região ou regiões que servem), mas as receitas devem tender o mais possível para cobrir as despesas de operação. Não é o que se passa com esta política de subsídio dos passes (orçamentado em 104 milhóes de euros, parece). Não posso concordar.
sexta-feira, 15 de março de 2019
A tormentosa novela do acordo ortográfico em 2019
Continua a tormentosa novela do acordo ortográfico, mostrando como é forte a tendencia dos portugueses para procurarem polos de oposição e se sentirem integrados e identificados num grupo que seja superior ao outro grupo.
Acho engraçado ter sido só neste tema que algunscomentadores fizeram o favor de ser malcriados no meu blogue.
Embora nesta questão confesso que não tomo partido, mas aproveito o acordo para, por deformação profissional, escrever o mesmo com menos letras, suprimir as diacriticas e , sempre que posso, esquecer os acentos e os hífens. Gostaria de ir mais longe, de poupar teclas no teclado do computador que o diferencia de outras línguas, mas não devo querer tudo.
É verdade que os étimos são desprezados, que não temos a elegancia de uma palavra como a inglesa skeptic, ou sceptic, orgulhosamente ostentando a ascendencia grega (curioso, no acordo de 1911 era sceptico que se escrevia, sem acento), mas também é verdade que é bonito termos uma língua que evolui, espera-se que para melhor, para mais simples,sem ph e g em phleugma .
Lembrei-me de comentar o último artigo de Nuno Pacheco, que insiste em escrever sobre o tema, na continuação do que fazia Vasco Graça Moura:
https://www.publico.pt/2019/03/14/culturaipsilon/opiniao/arranjem-assentos-acentos-senao-caem-1865217
Ao insistir na questão dos acentos, lembrei-me que antigamente não se confundia pais com país, porque pais, parentes, se escrevia paes e país, paiz. Isto é, era-se parco na utilização de acentos. Até o tempo do verbo "é" evitava o acento com um glorioso h: he (leiam os originais de Camillo).
Outros exemplos: dissonancia, divergencia, Alcantara.... Não houve coragem dos "acordistas" de regressar à ausencia (ausência?) dos circunflexos.
E contudo, o acordo de 1945 também deixava a dúvida, sede, edificio central de uma empresa, ou sede, necessidade de água?
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=ortogr%C3%A1fico
Acho engraçado ter sido só neste tema que algunscomentadores fizeram o favor de ser malcriados no meu blogue.
Embora nesta questão confesso que não tomo partido, mas aproveito o acordo para, por deformação profissional, escrever o mesmo com menos letras, suprimir as diacriticas e , sempre que posso, esquecer os acentos e os hífens. Gostaria de ir mais longe, de poupar teclas no teclado do computador que o diferencia de outras línguas, mas não devo querer tudo.
É verdade que os étimos são desprezados, que não temos a elegancia de uma palavra como a inglesa skeptic, ou sceptic, orgulhosamente ostentando a ascendencia grega (curioso, no acordo de 1911 era sceptico que se escrevia, sem acento), mas também é verdade que é bonito termos uma língua que evolui, espera-se que para melhor, para mais simples,sem ph e g em phleugma .
Lembrei-me de comentar o último artigo de Nuno Pacheco, que insiste em escrever sobre o tema, na continuação do que fazia Vasco Graça Moura:
https://www.publico.pt/2019/03/14/culturaipsilon/opiniao/arranjem-assentos-acentos-senao-caem-1865217
Ao insistir na questão dos acentos, lembrei-me que antigamente não se confundia pais com país, porque pais, parentes, se escrevia paes e país, paiz. Isto é, era-se parco na utilização de acentos. Até o tempo do verbo "é" evitava o acento com um glorioso h: he (leiam os originais de Camillo).
Outros exemplos: dissonancia, divergencia, Alcantara.... Não houve coragem dos "acordistas" de regressar à ausencia (ausência?) dos circunflexos.
E contudo, o acordo de 1945 também deixava a dúvida, sede, edificio central de uma empresa, ou sede, necessidade de água?
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=ortogr%C3%A1fico
A partidarização e a oposição às iniciativas da sociedade civil
https://www.publico.pt/2019/03/15/politica/opiniao/democracia-qualidade-1865373
É deprimente verficar que Nuno Garoupa tem razão quando constata a repressão que os políticos fazem sobre as iniciativas da sociedade civil, desde o caciquismo ao poder central e aos eurodeputados.
Mas eu penso que exagera quando diz que em Portugal não há uma sociedade civil capaz de tomar iniciativas.
Existem vários think tanks e grupos de cidadãos ligados a setores concretos, motivados por iniciativas do governo que os prejudicam ou por discordancia da inércia ou da inépcia do governo ou das entidades públicas. Um exemplo é o grupo de cidadãos que se empenham em propor a alteração da lei eleitoral, no fundo, para dar viabilidade ao artigo 48º da constituição da República portuguesa:
Seria pois interessante que os partidos e o governo abandonassem a sua prática de autosuficiencia e distanciamento dos cidadãos, e os ouvissem, em vez de lhes impor factos consumados.
É deprimente verficar que Nuno Garoupa tem razão quando constata a repressão que os políticos fazem sobre as iniciativas da sociedade civil, desde o caciquismo ao poder central e aos eurodeputados.
Mas eu penso que exagera quando diz que em Portugal não há uma sociedade civil capaz de tomar iniciativas.
Existem vários think tanks e grupos de cidadãos ligados a setores concretos, motivados por iniciativas do governo que os prejudicam ou por discordancia da inércia ou da inépcia do governo ou das entidades públicas. Um exemplo é o grupo de cidadãos que se empenham em propor a alteração da lei eleitoral, no fundo, para dar viabilidade ao artigo 48º da constituição da República portuguesa:
Participação na vida pública
1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direção dos assuntos públicos do país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.
2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objetivamente sobre atos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.
Seria pois interessante que os partidos e o governo abandonassem a sua prática de autosuficiencia e distanciamento dos cidadãos, e os ouvissem, em vez de lhes impor factos consumados.
segunda-feira, 11 de março de 2019
Relações económicas com a China, a propósito de um artigo de Francisco de Assis
https://www.publico.pt/2019/03/07/mundo/opiniao/concorrencia-intraeuropeia-versus-competitividade-mundial-1864417
Este tema trazido pelo Francisco Assis é para mim de muito elevada importancia, mas não gostei do artigo.
Pareceu-me insinuando medidas protecionistas.
É verdade que os USA apesar do seu liberalismo, as utilizam em grande escala, apesar dos acordos internacionais de comércio.
Nós sabemos os males para nós de haver uma fusão Siemens-Alsthom que não devem ser branqueados com a ameaça da China. Quem souber um pouco de história sabe que os chineses tèm uma paciencia quase infinita para aturar uns ocidentais que só lhes fizeram mal desde o século XIX, ver a guerra do ópio até que o próprio Nixon reconheceu que era um grande disparate hostilizá-los (1972).. Neste aspeto, pareceu-me mais sensata a declaração do Antonio Costa de que n ão deveria haver barreiras protecionistas contr a China (por exemplo, a China podia construir-nos portos em Sines e em Lisboa, no Bugio e ficar com as concessões, nem que fosse por 50 anos). Claro q ue há riscos, por exemplo pedir a extensão da rota da seda até Sines tem o risco de aumentar as importações, mas tambem tem o beneficio de aumentar as exportações. No fundo é o nosso tema da interoperabilidade.
Neste tema penso que sintetisei o que penso no email que enviei aos deputados do PCP criticando-os por estarem a defender protecionismos com a politica da IP e da Medway. Como lá escrevi, não há incompatibilidade entre David Ricardo e Karl Marx desde que se respeitem as regras do comércio internacional.
Quanto às empresas europeias e à competição com a ferrovia chinesa, não vejo o problema. Em vez de batermos todos palmas ao crescimento do transporte aéreo e do transporte individual é fazer como na China, investimento massivo na ferrovia (a menos que queirm proteger os tais lobis das transportadoras aéreas e dos fabricantes de automóveis e dos importadores de petróleo e gás). Além do mais, não é preciso a Siemens e a Alsthom fundirem-se, façam acordos de desenvolvimento e inovação e transfiram tecnologia para os paises periféricos para que, se o preço de compra não puder ser mais baixo que o chinês, que a manutenção possa ser feita nos tais paises periféricos a preços mais baixos que os chineses. Entendam-se uns com os outros sem quererem supremacias e lucros a tout prix, e deixem de se sentirem superiores aos chineses.
Os acidentes do Boeing 737 Max 8
Infelizmente, há demasiados indícios que apontam para ser verdade e intolerável uma desatenção da Boeing na origem destes acidentes.
Não sou especialista nem de perto nem de longe de navegação aérea, mas sou analista de riscos de transporte de pessoas.
Por mais de uma vez tenho observado decisões intoleráveis de programadores de software em questões de controle automático de veículos, despreando a experiência dos "velhos" que só percebem de eletrónica e eletromagnetismo clássicos.
O avião da Air France caiu quando vinha do Brasil porque a companhia tinha atrasado o plano de substituição dos tubos de Pitot que são os sensores de velocidade do avião, programa esse devidamente pedido pela Airbus às companhias que executassem como foi o caso da TAP. Já tinha acontecido uma série de casos de perda de altitude sem possibilidade de correção pelos pilotos em aviões australianos da Qantas.
Ao atravessar a tempestade as informações erradas dadas ao computador , o comportamento instável dos avisos sonoros de proximidade de stall (perda de sustentação), a falta de experiencia dos copilotos (o piloto dormia depois dos dias passados em S.Paulo) e a morosidade e dificuldade de passagem da transmissão dos comandos automática para transmissão manual fizeram com que a velocidade fosse mesmo até ao stall. A Boeing na altura esclareceu que nos seus aviões os pilotos dispunham sempre da possibilidade de desligar automatismos para usar os comandos sem "correções" automáticas.
Embora o relatório final do acidente do 737 Max8 (o mesmo modelo da Etiópia) da Indonesia em outubro de 2018 só esteja pronto lá para setembro de 2019, as informações disponibilizadas chegam para se poder afirmar que os sensores AoA (de angulo de ataque) e provavelmente os de Pitot (velocidade) estavam deficientes (o AoA duma asa dava uma informação, o da outra asa uma informaçao diferente) o que justificava as variações intempestivas de altitude do avião na descolagem e o angulo elevado com que se despenhou .
Uma das alterações do software do 737 Max8 (que é um campeão de economia) relativamente aos modelos anteriores é uma rotina que "afocinha" o avião para ganhar velocidade rapidamente em caso de diminuição da velocidade e aproximação do stall.
Ora, se sensores de velocidade e sensores de angulo de ataque estiverem deficientes, acontece o que aconteceu. O que evita o congelamento das sondas é um dispositivo de aquecimento, e eu gostava de saber se há deteção de falta de aquecimento que inviabilize a descolagem do avião .Este é um ponto de vista que talvez os programadores achem que não vale a pena, ou que tambem não achem necessário explicar corretamente como fazer para que estas rotinas de programação sejam testadas e corrigidas se for o caso pela manutenção. No caso da Indonesia, os tecnicos de manutenção fizeram o que puderam no seguimento das deficiencias do voo anterior (flutuações bruscas de altitude), mas não é possivel reparar uma coisa que não tem um manual de procedimentos para reparar.
Uma das alterações do software do 737 Max8 (que é um campeão de economia) relativamente aos modelos anteriores é uma rotina que "afocinha" o avião para ganhar velocidade rapidamente em caso de diminuição da velocidade e aproximação do stall.
Ora, se sensores de velocidade e sensores de angulo de ataque estiverem deficientes, acontece o que aconteceu. O que evita o congelamento das sondas é um dispositivo de aquecimento, e eu gostava de saber se há deteção de falta de aquecimento que inviabilize a descolagem do avião .Este é um ponto de vista que talvez os programadores achem que não vale a pena, ou que tambem não achem necessário explicar corretamente como fazer para que estas rotinas de programação sejam testadas e corrigidas se for o caso pela manutenção. No caso da Indonesia, os tecnicos de manutenção fizeram o que puderam no seguimento das deficiencias do voo anterior (flutuações bruscas de altitude), mas não é possivel reparar uma coisa que não tem um manual de procedimentos para reparar.
Curiosamente, os sintomas do Embraer da Air Astana que esteve quase a cair depois de levantar voo de Alverca e depois de uma manutenção, são os mesmos. Flutuações bruscas de altitude, impossibilidade de controlar os movimentos de rolamento (neste caso foi o rolamento e não o angulo de ataque). Felizmente o piloto conseguiu recuperar parcialmente os comandos manuais e o voo para Beja foi brilhante.
Infelizmente os pilotos da Indonesia e da Etiopia não conseguiram.
Talvez que se tivessem evitado mortes se a Boeing tivesse dado mais atenção ao acidente da Indonesia e, pelos vistos, aos protestos dos técnicos de manutenção da Southwest Airlines , que detem 750 aviões 737 Max8 cuja manutenção está mais que atrasada com sucessivos cancelamentos de voos, porque eles se queixam de falta de informação.
Mas é apenas uma hipótese, demasiado forte, penso eu.
Fontes:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=air+france
Avião air astana embraer lisboa beja perda de controle dos
instrumentos instabilidade rolamento
indonesia 29out2018 instabilidade
angulo ataque, mergulho repentino pitots veloc falham?; ou AoA sensores de angulo de ataque esq e dir
indicações diferentes
queda do 737 max8 da etiopia
falha software ou sensor entrada no processador provocou mergulho
(rotina SW para aumentar velocidade se vel próxima de stall) – não foi dada
imformaçáo aos pilotos para
substituírem-se ao automatismo (1ªvez que a Boeing faz isto ; criticou a airbus
a proposito do acidente do Brasil)
https://outlook.live.com/mail/inbox/sxs/AQMkADAwATYwMAItZDlhNC1lMmZiLTAwAi0wMAoARgAAA3Q7dRH4s2RCokvHDFGXXPEHAFCKJ%2BvIkRtKqlQcNDlVFfUAAAIBDAAAAGrAfMWZk3BPpEYwoXO1rc0AAee%2FoHQAAAABEgAQAByxAlgPgrpKkZO8lyrFsu8%3D
problemas
da manutenção: 17fev2019
https://www.eturbonews.com/245330/maintenance-emergency-how-safe-is-it-to-fly-on-southwest-airlinesPS em 15 de março de 2019 - Será verdade? circula uma notícia com a informação que a posição dos novos motores, mais eficientes e menos ruidosos, é tal que o nariz do avião tem tendencia para subir, pelo que foi adicionado um software para compensar essa tendencia impondo a diminuição do angulo de ataque, sem informação sobre os procedimentos de desligação do automatismo em caso de informação errónea. Se for verdade, é intolerável.
Faz-me lembra o ESC, estabilização eletrónica do automóvel em curvas. É um sistema automático obrigatório para compensar em curva a sobreviragem (a traseira derrapa) e a sub viragem (o carro segue em frente). O problema é se há areia no pavimento e a informaçãp dos sensores é errónea, pode acelerar o carro e provocar o despiste. O condutor neste caso, e só neste, deve travar em plena curva, em vez de se contentar em levantar o pé do acelerador ou reduzir nas mudanças. Perigosos, por vezes, o software e os automatismos. Evitam muitos acidentes, mas estão na origem de outros, felizmente menos.
PS em 18 de março de 2019 - As notcias insistem, parece confirmar.se que os novos motores do modelo MAX são mais pesados , mais eficientes e menos ruidosos. Mas a alteração das carateristicas mecânicas induziu a tendencia para levantar o nariz nas descolagens. Algures no organigrama da empresa Boeing a engenharia falhou, em vez de corrigirem a aerodinamica alguem disse, à moderna, que se resolvia por software. Efetivamente, a ultrapassagem de um dado angulo de ataque na descolagem provoa perda de sustentação irrecuperável). A falha da engenharia não foi por isso, foi porque a seguir não se fez , ou não foi considerada, uma análise de risco. O que acontece se o software falhar. Claro, o software não falha, a Natureza fez umas leis especiais para que o software nunca falhasse, mas falha sim, quando não tem uma rotina que compense uma falah dum sensor, ou que impeça o hardware de se colocar numa situação de maior segurança, como eles dizem, por default. Quem faz o software tem o dever deontológico de se informar como funciona a aerodinamica.
Choca ver um fabricante como a Boeing a tentar fugir ao reconhecimento do erro, a regulação federal americana a desculpar-se com a homologação (pressas para responder à procura do mercado?), até o NTSB está silencioso, em ve de fazer conferencias de imprensa a esclarecer todo o mundo. Será porque o senhor presidente Truman, perdão, Trump, Truman foi o da bomba atómica, já botou faladura, a lamentar-se da complexidade do software? Choca saber-se que muitos pilotos já vinhamprotestando sobre falta de informação, que os mecanicos da Southwest vinham também protestando.
Imperdoável este silencio, ou estas tentativas de apagar as falhas, garantindo que estão quase, quase, a corrigir os erros do MCAS, e que se aguardem os resultados dos inquéritos (esperado para setembro, o do avião indonésio...).
PS em 22 de março de 2019 - um pobre analista de riscos como eu fica de cabelos em pé com as noticias que vão chegando. Agora parece que a Boeing incluia um detetor de falha do sistema de angulo de ataque (MCAS) como opçãp, não standard. E foi parca a fornecer formação para lidar com a situação de emergencia do sistema de angulo de ataque funcionar incorretamente (baixar o nariz do aparelho por ter a informação errada de aproximação da perda ou stall por falta de sustentação). Está ainda por esclarecer desde quando e em que consiste o conflito com os mecânicos e os pilotos da Southwest. Idem se é verdade que a tripulação do avião indonésio que o tinha pilotado antes do ultimo voo tambem tinha encontrado o mesmo problema mas tinha conseguido contorná-lo (como os pilotos do Embraer que voou sem comandos às voltas por cima de Lisboa). Em situação semelhante no Airbus parece que se desligava o software através de um disjuntor. Na Boeing não sei, mas ponho a duvida: serão comparáveis os montantes de todos os ordenados dos mecanicos de voo que foram suprimidos embora pudessem talvaez evitar estes acidentes, com os de todas as indemnizações por morte dos passageiros?
domingo, 10 de março de 2019
Quem toma as decisões, ou a viagem de Peter, o do princípio, pela linha circular do metropolitano
Existem muitos exemplos na História de decisões mal tomadas,
pelas instancias superiores , em detrimento dos propostas dos técnicos ou
entidades mais próximas das frentes de trabalho ou de atividade.
Por exemplo, o administrador da companhia a bordo do Titanic
não quis seguir a sugestão dos oficiais de para o barco durante a noite para
melhor controlar os icebergue, tal como fe o Carpathian, que acabou por
socorrer os náufragos. O administrador queria, por razões de marketing e
prestigio, bater o record da travessia.
Outro exemplo, o do rei que ordenou à esquadra de proteção
das naus da India que saísse do porto de Vigo durante uma temporada de sudoeste
forte. O almirante disse que obedecia, mas que iam naufragar. E naufragaram no
golfo da Biscaia.
Ou o caso dos administradores da CGD que ignoraram o parece
da sua comissão de análise de riscos.
Ou o caso do ministro que fez como o ministro da agricultura
de Brecht, que achava que o trigo só crescia depois de sair o seu decreto a
autorizar o crescimento (na verdade o ministro da agricultura pode proibir o
crescimento das searas inviabilizando a sementeira, ou por outras palavras,
pode autorizar o crescimento, mas negativo, ou de como semanticamente se pode
demonstrar que o que o ministro diz está sempre certo) , e decretou que a linha
circular do metro era a melhor solução e, ainda, que a injeção dos comboios da
li há de Odivelas na linha circular iria permitir a ligação direta dos passageiros
de Odivelas ao centro da cidade, sem transbordos (claro que é possível, mas à
custa da degradação dos indicadores de exploração das duas linhas).
É que as altas instancias da decisão são a maior parte das
vezes (digo a maior parte porque por esse mundo fora só há razões de queixa; dá
ideia que se os métodos de decisão fossem os corretos e interdependentes de
grupos diferentes, se estaria melhor) o produto da promoção ao nível da incompetência,
como explica o principio de Peter.
É perigoso promover um bom especialista a um nível superior
de decisão onde pode demonstrar a sua incompetência nesse nível, e isto
aplica-se a quase todas as atividades, desde os escalões mais baixos à
administração de uma empresa e aos gabinetes ministeriais.
Isto a propósito desta última decisão. Depois das notícias
que saíram sobre a satisfação do senhor presidente da câmara de Odivelas à
saída de uma reunião com o senhor ministro e o senhor secretário de Estado, e
de uma sessão de debate sobre a linha circular na junta de freguesia da Estrela
(em que penso que ficaram claras as condições de segurança da obra entre
Estrela e Cais do Sodré, isto é, que não haverá problemas se existir uma
fiscalização, monitorização, instrumentação permanentes e meios de contenção de
deslizamentos e assentamentos, 24 horas por dia, sábados , domingos também de
verão e feriados ao longo do ano durante toda a obra e período de garantia),
fiquei convencido que quem tomou a decisão de injetar os comboios da linha de
Odivelas na linha circular não reparou que os comboios da linha circular indo
da Cidade Universitária para Alvalade vão ter de se atravessar em cruzamento de
nível no trajeto dos comboios que vêm de Odivelas a caminha do Cidade
Universitária. E ainda, se a inversão dos comboios de Odivelas se fizer em
Rato, como agora, estes comboios, para regressarem à linha a caminho de Marquês de Pombal e Campo Grande,
terão de se atravessar no caminho dos comboios da linha circular que vão de
Marquês de Pombal e Rato para Cais do Sodré.
Isto é, não pode garantir-se, quer nas horas de ponta, quer
fora delas, a regularidade de exploração nem da linha circular nem da linha de Odivelas. Isto é um dado conhecido,
nas linhas de metro não pode haver cruzamentos de nível.
O que foi transmitido aos decisores.
Mas não consta que tenham dado atenção
PS1 - Declarações aos jornalistas do senhor ministro do Ambiente em 22 de fevereiro de 2019:
“Durante as horas da manhã e
as horas da tarde estará sempre assegurada a entrada dos comboios na linha
amarela na própria linha circular. Ao longo do dia vamos ver, e também
acompanhar quando a obra estiver concluída, a pertinência de continuarem a
existir essas ligações diretas”,
domingo, 3 de março de 2019
Email para o sr Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade a propósito do seu artigo "Metro e mitos"
Exmo Senhor Secretário de Estado adjunto e da mobilidade
No seguimento do artigo de V.Exa no Público em 21 de
fevereiro de 2019 com o título “Metro e mitos”,
enviei ao diretor daquele jornal um comentário contrariando, ou pelo menos
tentando esclarecer, as suas afirmações, sugerindo a abertura das páginas do
jornal a um debate técnico e aberto para mostrar as razões desfavoráveis à
linha circular.
Dado que, pelo menos de meu conhecimento, o referido
comentário não veio a ser publicado, tomo a liberdade de lho remeter, sr
Secretário de Estado, podendo vê-lo na seguinte ligação:
Recordo que a minha intervenção neste processo decorre da
minha experiência profissional no metropolitano de Lisboa, onde me reformei em
fins de 2010, já deixando aos meus colegas as razões contra a linha circular.
Indico ainda uma ligação com a argumentação técnica contra a
“partilha” das linhas circular e de Odivelas desejada pelo sr presidente da câmara
de Odivelas.
Reafirmo a minha disponibilidade para esclarecimentos, no
seguimento dos sucessivos anteriores pedidos de contacto de que não obtive
resposta.
Com os melhores cumprimentos
Comentário ao artigo metro e mitos no “Público" de 21fev2019
Senhor diretor
No
“Público" de 21 de fevereiro o senhor secretário de Estado adjunto e da
mobilidade propôs-se rebater uma série de 5 ideias virulentas, os mitos, sobre
a expansão do metropolitano de Lisboa.
Dado
que desempenhei no metro funções de homologação de novos empreendimentos, e não
parecendo que a argumentação do senhor secretário de Estado, surpreendentemente
por se tratar de um técnico de reconhecido mérito, está consistente com as boas
práticas de operação e manutenção de redes de metro, comento:
Mito
1 – a rede ficará menos eficiente com a linha circular – infelizmente, a
análise das taxas de fiabilidade comparadas entre uma linha circular e as duas
linhas equivalentes, prevê isso mesmo, com 1 avaria em 2,5 dias na linha
circular comparando com 1 avaria simultânea nas duas linhas em 25 dias,
admitindo um ciclo médio entre avarias de 14000 comboios-km . Isto não seria
grave se as linhas transversais existissem em número suficiente para assegurar
caminhos alternativos, como é o caso na maior parte das redes citadas com
linhas circulares (Madrid, Moscovo, Pequim de que se gostaria de ter as mesmas
disponibilidades financeiras). No caso de Londres, a linha circular foi
transformada em linha em laço em 2009 precisamente para fugir às dificuldades
de regulação da linha circular.
Mito
2 – a linha amarela desaparece – infelizmente, sendo verdade que não
desaparece, não é possível subscrever a afirmação do senhor secretário de
Estado de que não haverá perda de conetividade de Telheiras e de Odivelas. A
própria direção do metro, insuspeita de fuga ao escrupuloso cumprimento das
orientações da tutela, afirmou na sessão de apresentação do EIA em 31 de julho
de 2018 que, por razões de operacionalidade, a exploração da linha
Odivelas-Telheiras e a da linha circular seria separada.
A
pretensão de “partilha” dos troços comuns, de modo a permitir a entrada dos
comboios na linha circular e transportar os passageiros de Odivelas ao Rato sem
transbordos tem três inconvenientes graves, que pessoalmente, se estivesse no
ativo, me obrigariam a assinar um parecer formalmente desfavorável:
a)
a inserção dos comboios da linha de Odivelas na linha circular reduz a
regularidade da circulação na linha circular e aumenta as probabilidades de
perturbações com origem nos aparelhos de mudança de via (agulhas) à medida que
aumenta a frequência ;
b) o itinerário de chegada a
Campo Grande dos comboios na via da linha circular com o sentido dos ponteiros
do relógio atravessa e colide “nez a nez” (testa a
testa) com o percurso de saída de Campo Grande para inserção dos comboios de
Odivelas na via contrária ao sentido dos ponteiros do relógio da linha
circular. Esta situação, embora qualquer sistema de sinalização automática
garanta a segurança, é contrária aos princípios de projeto de um metropolitano,
obrigando a tempos de segurança que neste caso não deverá ser menos de 4
minutos, inviabilizando o cumprimento de um intervalo menor
c)
por razões de continuidade dos movimentos de comboios nas agulhas com destinos
diferentes, se postularmos um intervalo de 5 minutos entre Odivelas e Campo
Grande, e um intervalo de 3,5 minutos entre Campo Grande e Rato, teremos entre
Rato e Campo Grande (passando por Cais Sodré e Alameda) um intervalo de 5,5
minutos, deveras superior ao desejado. Sendo a população de Odivelas e Loures
da ordem de 345 mil habitantes, justifica-se um meio de transporte com 7000
passageiros/hora de ponta e sentido. Ou frequência de 12 comboios por hora (5
minutos de intervalo).
mito
3 – uma linha em loop Odivelas-Cais Sodré-Telheiras sem necessidade de
construir os dois viadutos em Campo Grande seria a melhor solução – é evidente
que não é a melhor solução, só que ela não foi apresentada como tal, mas para
minimizar os efeitos da linha circular, nomeadamente para evitar a construção
dos dois novos viadutos em Campo Grande. Quanto aos inconvenientes das linhas
abertas de atravessarem zonas de procura diferenciada, cabe recordar, como
qualquer passageiro da linha de Odivelas sabe, por ter sido “despejado” em
Campo Grande, juntamente com mais de metade da lotação do comboio, que a oferta
se ajusta com términos intermédios (com o inconveniente de não estimular a
procura, como dizem os clássicos da economia).
Cabe
ainda recordar que uma linha aberta com términos de inversão alternada pode
assegurar um intervalo de 2 minutos, inferior portanto ao anunciado
indevidamente pelo EIA como vantagem da linha circular.
Mitos 4 e 5 – Obrigatoriedade de
transbordo em Campo grande – penso que se confunde com o mito 2, mas convém
recordar que a necessidade de transbordo, a ser mito, tem origem no EIA quando compara os
incómodos para os passageiros entre os fluxos de Odivelas e de Cais Sodré. A
“partilha” da linha circular com a linha de Odivelas e os mecanismos de
segurança para o conflito de percursos em Campo Grande, como se viu, conduz à
impossibilidade de cumprimento de intervalos de 4 minutos (frequência de 15
comboios por hora e sentido).
São
de apoiar as afirmações do senhor secretário de Estado no sentido de aumentar o
investimento no transporte público, e para isso até poderá haver
cofinanciamento comunitário, mas pede-se que os planos de expansão respeitem as
boas práticas de operação e manutenção das redes e não se baseiem, como é o
caso, em estudos que contrariam os mapas de expansão do PROTAML de 2002, ainda
em vigor, e que contêm argumentação enganadora.
Durante
4 meses solicitei uma entrevista ao senhor secretário de Estado para lhe
apresentar a argumentação técnica que contraria a proposta oficial. Apesar de
contactos com assessores seus, não foi possível essa entrevista, o que não
obstou a que ela fosse deixada na Secretaria de Estado.
Dado
tratar-se de assunto com alguma complexidade técnica requerendo análise de
esquemas, e por ser de interesse público, sugiro, senhor diretor, que abra as
páginas do seu jornal a um debate sobre estas questões técnicas.
Com
os melhores cumprimentos
Email para o sr presidente da câmara de Odivelas, a propósito da linha circular do metro e da sua "partilha" com a linha de Odivelas
Email e anexos que enviei ao senhor presidente da câmara de Odivelas, com a argumentação técnica desfavorável à "partilha" das linhas circcular e de Odivelas do metropolitano de Lisboa:
Senhor presidente
Dirijo-me ao senhor presidente
por ter tido a amabilidade de me fornecer o seu endereço de email na sessão de
esclarecimento promovida pelo metropolitano de Lisboa em 31 de julho de 2018.
Na altura foi afirmado pelo
diretor do metro presente na sessão que não estava prevista a exploração
partilhada da linha circular e da linha de Odivelas.
Perante a sua reação de que o
senhor ministro do Ambiente já lhe tinha dado a garantia de que se manteria a
ligação direta de Odivelas ao centro de Lisboa sem necessidade de transbordo,
eu pedi-lhe o seu email para lhe enviar as razões técnicas que contraindicam
essa variante.
Sublinho razões que
contraindicam. Nem o diretor do metro presente nem eu afirmámos que era
impossível mas apenas que a partilha das duas linhas gera conflitos de operação
que frequentemente se traduzirão em perturbações nas duas linhas prejudicando
os utilizadores.
Tenho de me penitenciar por não
ter procedido ao envio da referida argumentação técnica, que, ao invés de
contribuir para o ruído contra o
transbordo em Campo Grande, no fundo confirmava a prudencia do diretor do metro
nesta questão e evitaria o que considero uma não confiável esperança nas
virtualidades da exploração partilhada conforme a notícia sobre a sua reunião
de 22 de fevereiro com o senhor ministro do Ambiente e o presidente do metro.
Tenho entretanto participado em
sessões promovidas por cidadãos que se sentem prejudicados, expondo as
referidas razões técnicas desfavoráveis.
Devo dizer que a proposta da
linha circular e da ligação em “J” de Odivelas a Telheiras teve origem na
secretaria de Estado dos transportes em 2009, a que os colegas da disciplina de
Traçados, através das hierarquias, deram seguimento, sem atender aos pareceres
negativos dos colegas da operação e da manutenção, entre os quais eu me
incluía.
Desde 2009 tenho divulgado na
medida das minhas possibilidades os meus
pareceres negativos que se baseiam na experiencia da minha vida profissional no
metropolitano (reformei-me no fim de 2010) que incluiu a integração das
disciplinas ferroviárias nos empreendimentos das expansões, a preparação dos
processos de homologação para colocação em serviço, ações de normalização
ferroviária e contacto com homólogos de redes
estrangeiras.
Acompanhei por isso as obras da
maior parte dos prolongamentos e as questões suscitadas, pelo que criticar o
plano da linha circular não é uma crítica aos colegas mais novos que continuam,
e cuja maioria discorda do plano sem que
obviamente se possa opor a ele, mas um imperativo deontológico.
Desde que foi anunciada a retoma
do plano de 2009 que tenho tentado informar os decisores, governantes e direção
do metro com toda a abertura e espírito de colaboração, infelizmente sem resultado,
sem resposta a pedidos de audiência da parte do senhor secretário de Estado e sem qualquer correspondência com o direito
constitucional de participação na vida pública.
Independentemente das razões que
contraindicam o plano da linha circular (que tem algumas das vantagens
enunciadas no estudo de impacto ambiental e nas palavras do senhor ministro do
Ambiente, mas que no contexto da cidade e da região de Lisboa ou são
irrelevantes, como o crescimento de tráfego previsto ser da ordem de grandeza
dos crescimentos anuais que atualmente se verificam, ou não são prioridades), passo a expor a
argumentação técnica contra o caso particular da exploração partilhada.
Em anexo envio uma série de
folhas com esquemas de rede, quadros e cálculos de intervalos entre comboios e
de número de comboios necessários para
cada uma de 7 variantes para a exploração da linha circular e da linha de
Odivelas: exploração separada (linha circular e linha em “J”), linha em laço e
linhas partilhadas em 5 hipóteses.
O resumo que pode fazer-se é que,
como já referido, a partilha das linhas gera conflitos de percursos, aumenta a
taxa de perturbações e, muito importante para os utilizadores, não permite
intervalos entre comboios reduzidos, especialmente nas horas de ponta, quando a
procura é maior. Isto é, a qualidade de serviço deixará muito a desejar.
Tudo ponderado, e mantendo-se a
imposição da linha circular, o meu parecer técnico é que se opte pela linha em
laço, numa linha apenas: Odivelas-Campo Grande-Rato-Cais Sodré-Alameda-Campo
Grande-Telheiras e volta.
Esta solução tem a grande
vantagem de poupar a construção dos dois novos viadutos em Campo Grande, cujos
custos de construção e equipamento ultrapassarão os 30 milhões de euros, e de
evitar os custos adicionais de manutenção devidos ao desgaste de materiais nas
suas curvas apertadas. Tem ainda a vantagem de poder utilizar-se intervalos
mais curtos, assim haja disponibilidade de material circulante.
O argumento utilizado pelo senhor
secretário de Estado adjunto e da mobilidade, de que tão extensa linha (apenas
mais 4,8 km do que a linha circular) percorre troços de procura distinta não
colhe, uma vez que a linha circular também o faz, embora com menos variação, e
porque, tal como hoje, será possível fazer inversões no término de Campo Grande
fora das horas de ponta de modo a não enviar comboios para o troço menos
carregado.
Porque são gerados conflitos de
percursos? Peço para ver o esquema bifilar na folha H2 dos anexos (ficheiro c2) .
Os comboios da linha circular do
Rato para Campo Grande pela Cidade Universitária (circulando no sentido dos
ponteiros do relógio) terão de se atravessar de frente no percurso dos comboios
que vêm de Odivelas. Esta situação é contrária aos critérios de exploração de
metropolitanos, embora os sistemas de sinalização automática garantam a
segurança da circulação. Por razões de segurança, as velocidades neste ponto de
colisão terão de ser reduzidas, os sinais ou os pontos de proteção terão de
estar suficientemente afastados para evitar que uma falha na travagem deixe
avançar o comboio para uma posição de risco e não poderá garantir-se um
intervalo entre comboios reduzido e sustentável.
Como se vê no esquema, o comboio
que vem de Odivelas pode ter de esperar pela passagem do comboio da linha
circular que vem de Campo Grande para Cidade Universitária (sentido de
circulação contrário aos ponteiros do relógio). Isto é, qualquer afluência de
passageiros numa estação que provoque atrasos implicará uma perturbação na
outra linha.
Também a fluidez de circulação é
afetada pelos movimentos nos aparelhos de via do término intermédio de Rato, em
que o comboio da linha de Odivelas, para iniciar o percurso Rato-Odivelas, terá
de se atravessar no percurso dos comboios da linha circular no sentido
contrário ao dos ponteiros do relógio, juntando constrangimentos aos do Campo
Grande.
Do mesmo modo, qualquer avaria do
aparelho de via no cruzamento devida ao trabalho intensivo provocará a paralisação nas duas linhas simultaneamente
enquanto não se monta o esquema de exploração parcial.
Nas folhas anexas, poderá ver na
folha com a referencia H0 (C0) a lista das hipóteses possíveis já referidas de
exploração das linhas circular e de Odivelas, e um quadro com a estimativa do
número de comboios necessários para a exploração de toda a rede em função de
cada variante e do intervalo entre comboios. Notar que o intervalo entre
comboios num troço é o inverso da frequência ou, em minutos, igual a 60 a
dividir pelo número de comboios por hora e sentido nesse troço. O número de
comboios por hora e sentido num troço comum de um aparelho de via é igual à
soma do número de comboios por hora e sentido em cada um dos seus dois ramos.
H1 (c1) - linha OD-TE e linha circular (LC)
independentes
Na folha H1 esquematiza-se a exploração separada
das duas linhas, o que permite intervalos mais curtos, até inferiores aos 3
minutos indicados, quer numa linha quer na outra. Tem o inconveniente da
ligação a Odivelas ser a Telheiras, obrigando ao transbordo em Campo Grande
para seguir para o Rato. É uma solução que prejudica os moradores a norte de
Campo Grande, mas tem maior fiabilidade e disponibilidade e menores intervalos
entre comboios (desde que sejam adquiridos mais comboios do que os previstos).
H2 (c2) -
Exploração mista das linhas Odivelas-Rato (linha atual, inversão em Rato),
Odivelas-Telheiras e linha circular
O esquema da folha H2 será o que estará
no espírito da reunião de 22 de fevereiro que confirmou a ligação direta de
Odivelas à zona central de Lisboa, com exploração “partilhada” da linha
Odivelas-Rato e Odivelas-Telheiras, e Odivelas-Rato e linha circular.
Em consequência dos
constrangimentos referidos nas agulhas, e da inevitabilidade de o número de
comboios por hora num troço comum ser igual à soma do número de comboios por
hora de cada ramo, os valores para os intervalos entre comboios nos diferentes
troços não são atrativos.
O cruzamento referido em Campo
Grande impõe por razões de segurança e sustentabilidade de operação um
intervalo entre Rato e Campo Grande de 4 minutos (3,5 minutos já não será
sustentável). Se o intervalo da ligação direta de Odivelas for de 20 minutos e
o intervalo em Telheiras for de 12 minutos , o que significa 7,5 minutos de
intervalo à saída de Odivelas, isso implicará que o intervalo entre Rato, Cais
Sodré e Campo Grande será de 5 minutos, valor não razoável para a linha
circular.
Mas se quisermos um intervalo de 4
minutos entre Rato e Campo Grande e de 10 minutos na ligação direta de
Odivelas, então teremos 6,7 minutos entre Rato, Cais Sodré e Campo Grande.
Para se conseguir um intervalo de
4,3 minutos entre Rato, Cais Sodré e Campo Grande seria necessário ter 3,5
minutos na agulha de Campo Grande e
troço Campo Grande-Rato, 20 minutos de intervalo entre ligações diretas
Odivelas-Rato (12 minutos de intervalo em Odivelas) e 30 minutos de intervalo
em Telheiras. Não parece sustentável o intervalo de 3,5 minutos nem razoáveis
os intervalos para Odivelas e Telheiras
H3 (c3) - linhas
OD-TE; OD-RA-CS-AM-CG-TE (inversão em Telheiras) ; LC
Na folha H3 em vez de inverterem
em Rato, os comboios da ligação direta dão a volta por Cais Sodré e vão
inverter em Telheiras. Teremos assim a exploração “partilhada” entre as linhas
Odivelas-Telheiras e Odivelas-Rato-Cais Sodré-Alameda-Campo Grande-Telheiras, e
entre esta e a linha circular (sobreposta a linha circular em toda a sua
extensão de 16 km).
Os intervalos entre comboios não
são distintos da opção H2, mas existe o inconveniente de serem necessários mais
4 comboios que permitem a vantagem , no entanto, de em toda a extensão da linha
circular poder praticar-se o intervalo de 4 minutos.
H4 (c4) - linhas
OD-TE; OD-CS (inversão em CS) ; LC
Na folha H4 mostra-se o esquema semelhante ao de
H2, mas com inversão em Cais Sodré. Exploração partilhada nas linhas Odivelas-Telheiras
e Odivelas-Cais Sodré, e nas linhas Odivelas-Cais Sodré e linha circular.
Tem o
inconveniente de precisar de mais um comboio sem vantagens para os intervalos
entre comboios, exceto a vantagem do intervalo de 4 minutos poder estender-se
entre Campo Grande, Rato e Cais Sodré.
H5 (c5) - linhas
OD-RA-CS-AM-CG-TE (linha em laço – dispensa
a construção dos dois novos viadutos de CG)
Na folha H5 temos a abertura da linha circular em
laço, de modo a poder fazer-se a exploração entre Odivelas e Telheiras e entre
Odivelas e a baixa de Lisboa sem constrangimentos de partilha de aparelhos de
mudança de via. Isto permite reduzir o intervalo entre comboios, desde que
exista material circulante suficiente. Para um intervalo de 3 minutos serão
necessários 36 comboios que, juntamente com os 35 comboios necessários para as
linhas azul (3 minutos) e vermelha (4 minutos, que não podem baixar devido aos
constrangimentos da inversão em S.Sebastião II) ultrapassam os 55 existentes
mais os 7 em processo de aquisição. Notar que para intervalos de 4 minutos o
número de comboios necessários seria 27 e, para intervalos de 5 minutos, seria
23, portanto o mesmo valor da hipótese H2.
A grande vantagem desta variante é a independencia
das perturbações com origem no aparelho de mudança de via e no congestionamento
associado e, do ponto de vista dos custos, permitir dispensar a construção dos
dois viadutos novos de Campo Grande. Como inconvenientes, temos, devido à sua
extensão (22,5 km por sentido) maior exposição a perturbações (valor típico de
MCBF – ciclo médio entre avarias: 14000 comboios-km) e troços com diferentes níveis de procura.
Para obstar a este último inconveniente poderão alguns comboios inverter no
término intermédio d Campo Grande fora das horas de ponta.
Considerando a poupança dos viadutos e a
possibilidade de intervalos mais reduzidos, é esta variante que se propõe no
caso de se concretizar a ligação Rato-Cais Sodré
H6 (c6) - linhas
OD-RA; TE-CG-AM-CS-RA-CG ; LC (dispensa a construção do viaduto norte de
CG)
A folha H6 mostra a aplicação do conceito de linha
em laço reduzindo o seu comprimento com uma linha de Telheiras-Campo
Grande-Alameda-Cais Sodré-Rato-Campo Grande, partilhando o troço Rato-Campo
Grande com a linha existente Odivelas-Rato e com a linha circular. No caso da
primeira linha, Telheiras-Campo Grande, a inversão em Campo Grande far-se-ia no
seu término intermédio.
Nesta configuração é possível utilizar menos
comboios (19) devido à sobreposição da linha circular que permite reduzir o
número de comboios nesta e à imposição de intervalos maiores.
Para garantir o intervalo de 4 minutos entre Campo
Grande e Rato, condicionado pelo aparelho de via em Campo Grande, não é
possível um intervalo razoável em Odivelas.
Para um intervalo de 10 minutos em Odivelas teremos
um intervalo de 6,7 minutos entre Rato, Cais Sodré e Campo Grande, e 15 minutos
em Telheiras.
Para um intervalo de 15 minutos em Odivelas,
teremos um intervalo de 5,5 minutos entre Rato, Cais Sodré e Campo Grande, e 20
minutos em Telheiras.
As vantagens desta configuração é evitar a
construção de um dos viadutos, o norte de 400 metros, de Campo Grande, sem
prejuízo da linha circular, e o recurso a menor número de comboios.
A desvantagem vem dos intervalos entre comboios e
de mais um aparelho de via agravando os riscos de perturbações.
H7 (c7) – linhas
separadas : OD-RA-CS; TE-CG-AM-CS (mantem a atual linha verde) – dispensa a
construção dos dois viadutos
Na folha H7 pode ver-se uma
variante teórica que “parte” a linha circular em dois meios laços: um de
Odivelas, Rato a Cais Sodré, e outro de Telheiras a Cais Sodré pela atual linha
verde.
No primeiro meio laço a linha
terminaria em Cais Sodré eventualmente em nova estação distinta da atual ou
terminando na estação Santos, deslocando esta para a proximidade da estação de
Santos da CP ou da estação de Cais Sodré da CP, ou idealmente, interligando-as
com passadiços aéreos pedonais cobertos e com tapetes rolantes.
Trata-se evidentemente de uma hipótese
teórica com a justificação de poupar a construção dos dois novos viadutos, de
reduzir os trabalhos nos terrenos difíceis da avenida 24 de julho e de permitir
intervalos reduzidos.
Em conclusão, tal como atrás
referido, a vantagem da configuração H5, ou linha em laço Odivelas-Rato-Cais
Sodré-Alameda-Campo Grande-Telheiras de evitar a construção dos dois novos
viadutos de Campo Grande e de permitir intervalos reduzidos.
Deve no entanto ficar claro que
não ficou claramente demonstrado no estudo de impacto ambiental que a
construção do troço Rato-Cais Sodré merece a prioridade relativamente ao
prolongamento para Alcântara com recurso a viaduto no vale de Alcântara, quer
da linha amarela, quer da linha vermelha.
A proposta de privilegiar a linha
em laço em detrimento da linha circular “tout court” configura assim uma medida mitigadora dos inconvenientes desta
linha circular (não por ser circular, mas pelo contexto).
Termino, senhor presidente, informando
que a presente comunicação não é reservada, podendo dar-lhe o destino e a
divulgação que entender.
Poderá encontrar informação complementar, incluindo
fórmulas de cálculo, em:
Coloco-me à disposição para
eventuais esclarecimentos.
Com os melhores cumprimentos e
votos de sucesso para a sua cidade,
Fernando Santos e Silva
Especialista de transportes pela
Ordem dos Engenheiros, nº 10973
ANEXOS
sábado, 2 de março de 2019
Romeu e Julieta, pela companhia nacional de bailado de Praga
Não sou apreciador de bailado, certamente por defeito ou limitação minha (não acerto com o ritmo quando tento dançar, para grande desgosto da minha companheira), mas neste sábado pacífico de promessa de primavera detive-me na transmissão pelo canal mezzo do Romeu e Julieta de Prokofief, pelo bailado nacional de Praga, com coreografia de Petr Zuska.
A música de Prokofief é extraordinária, e recorda-me a resposta que deu a Estaline, quando este o criticou por achar a sua música politicamente fraca: e a sua politica é musicalmente fraca.
É o que se passa com quase todos os politicos, sobe-lhes o poder à cabeça e não ouvem o que os especialistas lhes dizem.
Aplicam o principio de Peter à promoção dos seus ministros, e depois com as suas equipas de propaganda repetem à exaustão que as suas soluções são as melhores. Ou como os administradores dos bancos que não dão ouvidos às suas comissões de risco, ou como as administrações das transportadoras, que não ouvem os seus técnicos...
Deixem-me ouvir bem a musica do Romeu e Julieta, especialmente forte nas cenas trágicas, neste caso com uma bailarina imponente (Nikola Marova) a fazer de Queen Mab , ou Nemesis, deusa grega da vingança (aparece no primeiro video, não é a Julieta):.
https://www.youtube.com/watch?v=KoTBLTDY7sk
https://www.google.com/search?q=petr+zuska+prague+romeo&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=WFS8YQJItchStM%253A%252CjOr3sqmrrtx9LM%252C_&usg=AI4_-kTM96_pcT83DfVMV1dIVFruoejM-g&sa=X&ved=2ahUKEwimx8DZ7uPgAhUK8uAKHXtSCHcQ9QEwBXoECAYQBA&biw=1366&bih=625#imgrc=9KluSU6Hcq-nyM:
A música de Prokofief é extraordinária, e recorda-me a resposta que deu a Estaline, quando este o criticou por achar a sua música politicamente fraca: e a sua politica é musicalmente fraca.
É o que se passa com quase todos os politicos, sobe-lhes o poder à cabeça e não ouvem o que os especialistas lhes dizem.
Aplicam o principio de Peter à promoção dos seus ministros, e depois com as suas equipas de propaganda repetem à exaustão que as suas soluções são as melhores. Ou como os administradores dos bancos que não dão ouvidos às suas comissões de risco, ou como as administrações das transportadoras, que não ouvem os seus técnicos...
Deixem-me ouvir bem a musica do Romeu e Julieta, especialmente forte nas cenas trágicas, neste caso com uma bailarina imponente (Nikola Marova) a fazer de Queen Mab , ou Nemesis, deusa grega da vingança (aparece no primeiro video, não é a Julieta):.
https://www.youtube.com/watch?v=KoTBLTDY7sk
https://www.google.com/search?q=petr+zuska+prague+romeo&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=WFS8YQJItchStM%253A%252CjOr3sqmrrtx9LM%252C_&usg=AI4_-kTM96_pcT83DfVMV1dIVFruoejM-g&sa=X&ved=2ahUKEwimx8DZ7uPgAhUK8uAKHXtSCHcQ9QEwBXoECAYQBA&biw=1366&bih=625#imgrc=9KluSU6Hcq-nyM:
sexta-feira, 1 de março de 2019
O embaixador desembarcou no pequeno país
O embaixador desembarca no pequeno país acompanhado do diretor federal das comunicações do seu grande país e avistam-se com representantes do governo do pequeno país.
O pequeno país não é propriamente um colonato, embora a sua dependencia económica seja enorme.
Nem sequer as relações económicas de importação e exportação principais são com o país do embaixador.
Mas a mensagem deste é clara, estamos numa aliança miltar e a segurança das comunicações entre aliados pode ficar comprometida se o pequeno país comprar equipamentos 5G à Huawei chinesa.
São os teóricos das doutrinas económicas do grande país que incensam a livre iniciativa e vantagem comparativa de David Ricardo. Mas erguem sempre que podem barreiras protecionistas.
Já a união a que pertence pequeno país tem manifestado desagrado com a aproximação à China, nomeadamente no setor dos transportes marítimos e ferroviários.
Preferem ignorar que as coisas se resolvem em paz com negociações. Não pode é haver supremacias.
Recordo um episódio em 1978. Tinhamos comprado máquinas de venda automática de bilhetes a uma empresa suissa. Do caderno de encargos fazia parte a transferencia de tecnologia para maximizar a capacidade do metropolitano na manutenção das máquinas.
Provavelmente influenciado pela propaganda internacional, de que partidos enfeudados ao lado de lá da cortina de ferro dominavam em Portugal, e pelos apelos uns anos antes de alguns políticos portugueses a aplicar sanções económicas (é verdade, o metropolitano de um momento para o outro, em 1974,ficou sem peças de alguns equipamentos, mas encontrou alternativas apesar dos tais apelos a boicote económico por parte de politicos muito apreciados pelo seu amor à liberdade), o diretor da fábrica suissa argumentou que não podia dar a documentação técnica porque podiamos fornecê-la aos soviéticos. Pobre homem, durante o fabrico tiveram de melhorar os circuitos, que eram de tecnologia DTL e passaram a ser CosMos...não tinha lido bem o caderno de encargos.
Eu diria agora que o senhor embaixador e o senhor diretor das comunicações precisavam de ter umas conversas a sério com um qualquer general das suas tropas, mas da especialidade de comunicações.
Que lhes explicasse que qualquer medida de intrusão (malware, chama-se agora) pode ser combatida com uma contramedida adequada. Que tem é de ser desenvolvida, tal como os sistemas de encriptação. Mas o progresso é isso, deteção de falhas e desenvolvimento de correções.
Mas não sei se entenderiam, não por incapacidade de entendimento, mas porque as suas mentes estão deliberadamente fechadas pelo sentimento de que são os polícias do planeta infalivelmente detentores dos valores supremos.
Pena, faz-me lembrar outro embaixador, Carlucci, que teve de sair uma vez do gabinete de um secretário de Estado mais ou menos na mesma altura dos apelos às sanções económicas e ao boicote do fornecimento de peças pelos paladinos nacionais da liberdade. É verdade que o secretário de Estado poucos mais dias lá esteve, mas os governantes da altura e o embaixador ficaram mal na fotografia.
Provavelmente como os governantes de agora, mas não sei, temos de aguardar pelos próximos episódios da guerra comercial USA-China. A paciencia que os chineses têm de ter para aturar os ocidentais,170 anos depois das guerras do ópio.
O pequeno país não é propriamente um colonato, embora a sua dependencia económica seja enorme.
Nem sequer as relações económicas de importação e exportação principais são com o país do embaixador.
Mas a mensagem deste é clara, estamos numa aliança miltar e a segurança das comunicações entre aliados pode ficar comprometida se o pequeno país comprar equipamentos 5G à Huawei chinesa.
São os teóricos das doutrinas económicas do grande país que incensam a livre iniciativa e vantagem comparativa de David Ricardo. Mas erguem sempre que podem barreiras protecionistas.
Já a união a que pertence pequeno país tem manifestado desagrado com a aproximação à China, nomeadamente no setor dos transportes marítimos e ferroviários.
Preferem ignorar que as coisas se resolvem em paz com negociações. Não pode é haver supremacias.
Recordo um episódio em 1978. Tinhamos comprado máquinas de venda automática de bilhetes a uma empresa suissa. Do caderno de encargos fazia parte a transferencia de tecnologia para maximizar a capacidade do metropolitano na manutenção das máquinas.
Provavelmente influenciado pela propaganda internacional, de que partidos enfeudados ao lado de lá da cortina de ferro dominavam em Portugal, e pelos apelos uns anos antes de alguns políticos portugueses a aplicar sanções económicas (é verdade, o metropolitano de um momento para o outro, em 1974,ficou sem peças de alguns equipamentos, mas encontrou alternativas apesar dos tais apelos a boicote económico por parte de politicos muito apreciados pelo seu amor à liberdade), o diretor da fábrica suissa argumentou que não podia dar a documentação técnica porque podiamos fornecê-la aos soviéticos. Pobre homem, durante o fabrico tiveram de melhorar os circuitos, que eram de tecnologia DTL e passaram a ser CosMos...não tinha lido bem o caderno de encargos.
Eu diria agora que o senhor embaixador e o senhor diretor das comunicações precisavam de ter umas conversas a sério com um qualquer general das suas tropas, mas da especialidade de comunicações.
Que lhes explicasse que qualquer medida de intrusão (malware, chama-se agora) pode ser combatida com uma contramedida adequada. Que tem é de ser desenvolvida, tal como os sistemas de encriptação. Mas o progresso é isso, deteção de falhas e desenvolvimento de correções.
Mas não sei se entenderiam, não por incapacidade de entendimento, mas porque as suas mentes estão deliberadamente fechadas pelo sentimento de que são os polícias do planeta infalivelmente detentores dos valores supremos.
Pena, faz-me lembrar outro embaixador, Carlucci, que teve de sair uma vez do gabinete de um secretário de Estado mais ou menos na mesma altura dos apelos às sanções económicas e ao boicote do fornecimento de peças pelos paladinos nacionais da liberdade. É verdade que o secretário de Estado poucos mais dias lá esteve, mas os governantes da altura e o embaixador ficaram mal na fotografia.
Provavelmente como os governantes de agora, mas não sei, temos de aguardar pelos próximos episódios da guerra comercial USA-China. A paciencia que os chineses têm de ter para aturar os ocidentais,170 anos depois das guerras do ópio.
To Maruv, with respect and admiration (до Maruv, з повагою і захопленням)
A leitura de um interessante artigo de Rui Tavares, que se poderá dizer sobre a estratégia a seguir pela União Europeia no respeito dos seus objetivos,
https://www.publico.pt/2019/03/01/politica/opiniao/tres-armadilhas-moda-esquerda-evitar-1863804?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29#gs.Iy2RVhq7
levou-me a pensar que talvez a atitude de Maruv (Ana Korsun) , vencedora do concurso na Ucrania de canções da Eurovisão e das segundas e terceiras classificadas, se integre nos ideais da UE.
A cantora recusou as condições contratuais da televisão ucraniana que queria fazer passar uma mensagem politica e escreveu que era música e que não estava para fazer fretes a politicos, As outras classificadas , Freedom Jazz e Kazka também recusaram. Esta última escreveu que a missão dos musicos é unir as pessoas, não dividi-las.
Talvez os bem pensantes ocidentais possam compreender o significado.
Não se trata de inocentar a Russia por ter anexado a Crimeia, nem de inocentar os USA pelas suas intervenções militares na América Central, no Afeganistão, no Médio Oriente, na Líbia. Trata-se de não alinhar no nacionalismo bacoco que é uma oportunidade para os caciques fazerem pela sua vida.
Não se trata de recusar a autodeterminação à Ucrania, trata-se de as populações poderem viver em paz sem caudilhos e gauleiters a definir o que é patriótico.
Por isso, eu que não sou apreciador da musica pop, je lève mon chapeau a estas cantoras, verdadeiramente europeias.
з повагою і захопленням
https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2019/feb/27/ukraine-pulls-out-of-eurovision-as-singers-quit-over-russia-row
https://www.radiotimes.com/news/tv/2019-02-26/eurovision-2019-ukraine-drop-entry-over-russia-row/
PS em 2 de março de 2019 - vão-se sabendo mais coisas pelas notícias, as eleições presidenciais na Ucrania serão no fim deste mês. O atual presidente gostaria de ter na representante da Ucrania no festival em Israel uma sua embaixadora. Parece que não vai ter. Gostaria ainda de salientar o contraste entre as cantoras ucranianas e a representante de Israel, vencedora do festival de 2018, muito contentinha se o festival se realizasse em Jerusalem, que não pode ser capital de um povo só.
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