Toma, que será a forma portuguesa de dizer Tiens, como os franceses.
Logo dois artigos no DN a desancar o pobre acordo ortográfico.
E quem sou eu para contestar tão doutas opiniões, do escritor e poeta, e dos grandes, Vasco Graça Moura e da senhora ex-ministra da Cultura e professora catedrática Isabel Pires de Lima.
Mas a liberdade de expressão tem destas coisas, permite a um ignorante como eu, valendo-se do atrevimento destemido que caracteriza a ignorância, dizer que os ilustres contestatários do acordo talvez não devessem ser tão perentórios nas suas opiniões.
E aqui chegado, verifico que até agora só violei uma vez o sacrossanto, para os contestatários, acordo de 1945, porque o acordo de 1990 só alterou a palavra peremptório para perentório, e isso porque estamos em Portugal; no Brasil manteve-se peremptório porque assim se pronuncia.
Aliás, no artigo de Vasco Graça Moura, com a nota de não escrito segundo o novo acordo, contei 6 palavras, num total de cerca de 600 palavras, não escritas segundo o novo acordo; mas posso ter contado mal.
Aliás, no artigo de Vasco Graça Moura, com a nota de não escrito segundo o novo acordo, contei 6 palavras, num total de cerca de 600 palavras, não escritas segundo o novo acordo; mas posso ter contado mal.
Talvez os incomode, deixar que a forma específica de pronuncia de um país ou uma região seja respeitada.
Serão centralistas, adeptos de formas únicas.
Pena, a diversidade é fonte de progresso mútuo.
Pena também porque o que está em causa é ortografia, não é lexicologia nem etimologia.
É que o problema é mais vasto, como já se viu neste blogue.
É um problema de entendimento, de compreensão entre recetor (ui, lá se foi o p) e emissor, de deficiente conteúdo de informação por parte das palavras.
Querem ver?
Queixamo-nos do acordo ortográfico porque espetador quer dizer assistente ao espetáculo e quer dizer espeto, aquilo ou aquele que espeta.
Mas escatológico também é uma palavra que isolada não contem informação suficiente sobre o que realmente significa.
Um cidadão no meio de uma sala diz escatológico e quem ouve não sabe se ele está a dizer apocalítico ou próprio de excrementos.
A língua portuguesa não é famosa em termos de suporte de informação. Deformámos esse suporte ao longo dos séculos, afastámo-nos da simplicidade e do significado unívoco.
Possivelmente porque evoluímos cerebralmente nesse sentido.
Pobres neurónios que nos dificultam o entendimento mútuo, a organização de equipas, a elaboração de programas interdisciplinares (sem hífen, sem hífen, que o acordo peca por não ter eliminado ainda mais hifens e acentos), a sua execução em esforço coletivo.
Mandou a senhora presidente do Brasil adiar a data de obrigatoriedade do cumprimento do acordo e a sua eventual revisão (curioso, o Brasil pô-lo em vigor, de forma facultativa em 2009, antes de Portugal). Da parte dos PALOP de África e Timor não parece entretanto vir muito entusiasmo, apesar da rica literatura angolana e moçambicana. Talvez haja interesses editoriais vários no meio disto, não sei. Ou simplesmente terá quebrado a ligação de confiança entre os técnicos ortográficos que participaram no trabalho conjunto e os políticos detentores ou representantes do poder (que, se são governantes, certamente serão suficentemente cultos para isso, de forma análoga ao que António disse dos conspiradores contra César).
Entretanto, acho pena, Vasco Graça Moura dizer que quem defende o acordo (que desde 1990 veio promovendo ações de divulgação sem que os opositores o tivessem corrigido; que no seu site oficial diz claramente que está em constante atualização) devia ter vergonha e que pertence ao clube dos pantomineiros da lingua portuguesa (CPLP).
Não me parece argumento, mas essa é outra pecha de como é diferente a discussão em Portugal.
Pena porque qualquer cidadão com acesso à internet pode encontrar no portal da língua portuguesa:
- uma janelinha de pesquisa, no canto superior direito, que remete para o esclarecimento da palavra em duvida
- uma janelinha de pesquisa, no canto superior direito, que remete para o esclarecimento da palavra em duvida
- a lista das palavras alteradas em Portugal (e propostas alteradas nos PALOP):
- a lista das palavras alteradas no Brasil:
- o resumo do que muda:
- um conversor ortográfico:
Isto é, novo vocabulário já temos, mas há sempre dificuldade em convergir; talvez seja a tal especificidade dos neurónios portugueses.
Eu diria que não há phleugma para isto (assim se escrevia no tempo do meu avô, quando os letreiros ostentavam orgulhosos a palavra pharmácia e nos lyceus se estudava chymica).
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Discussão sobre neurociência aplicada à língua portuguesa:
Posts anteriores sobre o acordo ortográfico: