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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Requiem pela fábrica de baterias da Nissan

Nunca fui um entusiasta do governo anterior.
Mas como técnico, reconhecia publicamente que a sua politica no dominio das energias renováveis, incluindo a sua aplicação aos transportes, estava correta.
O atual governo, onde predomina a formação economista, como tal sem massa critica para decidir com conhecimento de causa, provavelmente aconselhada por técnicos de engenharia com menor sensibilidade para as energias renováveis, e mais vocacionados para a gestão dos combustíveis fósseis, suspendeu os programas de instalação de centros de produção de energia renovável e os programas de mobilidade elétrica.

Não surpreende portanto a desistencia da Nissan da sua fábrica de baterias para automóveis elétricos. Provavelmente a tecnologia das baterias de lítio evoluirá assim como a forma de armazenamento do hidrogénio no automóvel , em depósitos sob pressão ou sob a forma de hidretos químicos (o automóvel elétrico é o mesmo nos dois casos: com baterias, a fonte de energia são as baterias; no caso do automóvel alimentado por hidrogénio, a fonte de energia é a pilha de combustivel) . Poderá vir a acontecer o mesmo que aconteceu com as memórias de ferrite de computador, tornadas obsoletas em poucos anos. Porém, os investimentos justificam-se prevendo o tempo de vida util e a possibilidade de reconversão das fábricas.

Pelo que o mais provável terá sido a Nissan, verificando a anulação do programa de mobilidade elétrica (instalação de postos de carregamento públicos, planeamento de frotas de ambito municipal de viaturas elétricas ligeiras ou de mini-autocarros), polidamente informar o governo português que a conjuntura internacional não está boa para investir em mais fábricas. É que a ideia era tambem desenvolver o mercado de automoveis eletricos em Portugal (e em Israel) para testar a viabilidade de expansão do sistema (notar que estão em desenvolvimento sistemas de substituição de baterias seladas em regime de "pool" para troca rápida, uma vez que o tempo de carregamento é sempre elevado) .

É patético ver um primeiro ministro a falar sobre automóveis elétricos, dizendo que está muito contente por a AutoEuropa continuar a investir em Portugal e que se a Nissan não quis investir não foi por ter o memorando na gaveta.
Mas no dia em que se sabe que o Canadá não subscreveu a prorrogação do protocolo de Quioto, declarando que não está para pagar multas, é provável que a influencia que a cultura canadense exerce sobre o senhor ministro da economia explique as decisões tomadas em transportes de tecnologia elétrica.
Parafraseando o senhor deputado, que sabem estes senhores governantes de veículos elétricos? e dos efeitos nefastos das suspensões de projetos em curso?

E contudo, eles movem-se por eletricidade. Baterias em carregamento na Praça de Londres enquanto o dono está na sua vida. Existem 1062 postos de abastecimento.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nissan GTR e Mercedes Viano Avantgarde

A insistencia com que os importadores de automóveis de luxo anunciam os ultimos modelos suscita em mim a curiosidade de saber quanto da ultima fatia de 12 mil milhões de euros do empréstimo da troica vai ter aos fabricantes destes automóveis.
Isto por analogia, por exemplo, com a medicina. Se os canais lacrimais não estão bem desentupidos, o oftalmologista  põe umas gotas de um liquido verde nos olhos e vê se ele aparece no nariz do paciente.
Podia experimentar-se, pôr uma marca nos dinheiros do empréstimo e ver se vai parar à Nissan ou à Mercedes.
Ou simplesmente, obrigar os senhores compradores a apresentar no ato da compra uma declaração do ministério das Finanças indicando o montante do dinheiro provindo da tal fatia. De caminho, podia tambem taxar-se a aquisição com uma taxa extraordinária, correspondente a 50% da diferença entre o preço do carro antes de impostos e o salário minimo nacional.
Viano é uma carrinha Mercedes para 6 passageiros instalados em poltronas de executiva e com pouco espaço para bagagens (um carro para a família, como diz o anunciio?!). A potencia do motor é de 258 cavalos.
O Nissan GTR é um desportivo com 530 cavalos de potencia, uma aceleração próxima de 1 G e um preço de venda ao publico de 125.000 euros.
O nome do modelo da Mercedes faz lembrar a teoria das vanguardas e das elites, não é?