Mostrar mensagens com a etiqueta corte de despesas e produtividade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta corte de despesas e produtividade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Temos de produzir mais com menos

Os senhores ministros que me perdoem a sensação do déjà entendu.

Temos de produzir mais com menos.
Esse, o aumento da produtividade,  vai ser o segredo da nossa competitividade para conseguirmos responder aos desafios da nossa concorrência.
Temos de trabalhar mais do que até agora mas com menos despesas.
Vamos trabalhar mais horas e vamos repartir os sacrifícios com equidade.
Ganharemos menos por hora, mas produziremos mais.
Vamos utilizar ao máximo as nossas potencialidades, as nossas instalações, os nossos equipamentos.
Vamos estimular a procura e aumentar a taxa de ocupação  das nossas instalações de produção.
Não as vamos deixar vazias.
Poderemos empobrecer nos primeiros tempos, mas depois retornaremos ao desafogo antigo.

Assim falou Claudia às suas colaboradoras, na casa de meninas que gere, com bar e suites privativas, ali por detrás de uma avenida da zona fina de Lisboa.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Semiótica III - o volume das olheiras

Seja S um sistema que consome uma despesa D para obtenção de uma produção P.
Suponha-se que conseguiu reduzir-se a despesa em 20% com o objetivo de aumentar a produtividade, mantendo a produção P.
Suponha-se que a produção depende em 50% da despesa (isto é, 50% dos fatores de produção não são contabilizáveis como despesa corrente, como qualidade dos profissionais, estrutura e métodos de organização, formação).
Suponha-se ainda que, com o corte de 20%, a desmotivação gerada nos agentes do sistema contrariou o objetivo de manutenção da produção e provocou uma diminuição de 10% na produção P.
Nestas condições, na situação anterior, a produtividade era 0,5P/D.
Depois das medidas de austeridade a produtividade passou a ser 0,5x0,9P/0,8D = 0,56125P/D.
Isto é, um corte de 20% nas despesas correntes provocou um aumento de produtividade de 12,25%.
No entanto, num grupo de mão de obra intensiva e de baixas qualificações, será admissível que a dependência da produção relativamente à despesa desça para 40% e que a desmotivação provoque uma diminuição da produção de 30%.
Neste caso teríamos, na situação anterior às medidas de austeridade uma produtividade de 0,4P/D.
E na situação posterior às medidas de austeridade, 0,4x0,7P/0,8D = 0,35P/D.
Isto é, baixou-se a despesa à custa da pior utilização dos recursos.
Difícil, este mundo.
Não admira que o senhor ministro das finanças, que possivelmente não se preocupa com as minudências dos casos concretos, apresente olheiras cada vez maiores, com a agravante de, não sendo muito alto, a relação entre o volume das olheiras e o volume total ser cada vez mais evidente.