A apresentar mensagens correspondentes à consulta imagine ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta imagine ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Free Pussy Riot

http://freepussyriot.org/

Libertem as Pussy Riot.
Aceitem a ideia de que uns podem acreditar em religiões e outros não, e que todos têm direito à expressão e à caricatura.
Deixem-se de repressões
Oiçam John Lennon no fecho dos Jogos Olimpicos a cantar Imagine, be a dreamer:


Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one


PS 1 - o responsável da televisão turca do programa da cerimónia do fecho dos jogos olímpicos, deve ter sentido o mesmo que eu quando ouviu os primeiros acordes do "Imagine": como é possível? (como é possível, no meio de tanta ligeireza, transmitir um apelo à tolerancia contra grupos de dominação? pensei eu; o senhor turco terá pensado: como é possível? nesta canção há um verso contra as religiões!); e rápido e competente, correu a tapar o dito verso; podia deixar passar; ninguem quer acabar com as religiões, que isso é uma decisão que compete a cada um; pretende-se apenas que ninguém imponha seja que religião for a quem quer que seja; é assim tão complicado? não a imposições); mas o senhor turco compreendeu bem a ideia de John Lennon, o que não é abonatório para ele.

PS 2, em 17 de agosto - consta que as moças foram condenadas a 2 anos de prisão, apesar do pedido de clemencia do principal visado na "oração", Putin. Os juizes não quiseram compreender John Lennon

PS 3, em 28 de agosto - para assinar a petição para libertação:
http://www.avaaz.org/en/free_pussy_riot_free_russia_a/?bhAuBab&v=17312

PS 4, em 28 de agosto - para esclarecer eventuais dúvidas de almas religiosas mais sensíveis, repete-se que a evocação do Imagine de John Lennon não pretende "proibir" a prática de nenhuma religião; mas apenas que ninguém tem o direito de usar a religião para limitar os direitos fundamentais de terceiros. Live and let live.

PS 5, em 29 de agosto - confesso que não gosto da musica punk e que me parece fraquinha a musica das pussy riot; mas são bonitas e cantam bem, pelo menos quando entoam a vozes o canto ortodoxo; por isso, free pussy riot:







 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Imagine

Repito o texto da canção Imagine, de John Lennon, cantada na festa de fim do primeiro período das classes infantis e juvenis do conservatório de Lisboa.
É bonito ver tantas crianças e jovens estudando musica, tocando e cantando assim:







Imagine there's no Heaven 
It's easy if you try 
No hell below us 
Above us only sky 
Imagine all the people 
Living for today 

Imagine there's no countries 
It isn't hard to do 
Nothing to kill or die for 
And no religion too 
Imagine all the people 
Living life in peace 

You may say that I'm a dreamer 
But I'm not the only one 
I hope someday you'll join us 
And the world will be as one 

Imagine no possessions 
I wonder if you can 
No need for greed or hunger 
A brotherhood of man 
Imagine all the people 
Sharing all the world 

You may say that I'm a dreamer 
But I'm not the only one 
I hope someday you'll join us 
And the world will live as one 



Imagina que o paraíso não existe
É fácil, basta tentar;
Que não há inferno
E que acima de nós só o céu
Imagina toda a gente 
A viver o seu dia a dia

Imagina que não há países
Não é difícil;
Que não há nada por que matar ou morrer
nem nenhuma religião, também.
Imagina todos 
A viver a vida em paz

Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou só eu;
Espero que um dia te juntes a nós 
e o mundo será aquele mundo 

Imagina não haver a posse
Gostaria,  se o conseguisses;
Não haver necessidade de ganância ou fome
Antes uma fraternidade humana.
Imagina todas as pessoas 
A partilhar todo o mundo.


Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou só eu;
Espero que um dia te juntes a nós 
e o mundo viverá unido


http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=imagine


domingo, 11 de abril de 2010

Economicómio XLVII – Imaginem





Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one


Ouvi hoje John Lennon num programa da Antena 2 (Um certo olhar) .
Uma das comentadoras das atualidades escolheu esta canção, a propósito dos ideais de união e paz, e para contrapor ao desprezo pelo bem estar das comunidades que vai por aí.
John Lennon não era um ativista político no sentido estrito (embora perseguido pela polícia política de Richard Nixon devido às suas canções anti-guerra do Vietnam).
E talvez seja esse o caminho, retomar o espírito dos anos 70 de libertação humanista.
Recordo-me que a esperança morreu quando Milton Friedman, a Goldman Sachs, o reaganismo e o tatcherismo aproveitaram uma conjuntura económica e energética favorável para impor o neo-liberalismo.
Quase dois anos depois do Lehman Bros, recordo o poema de John Lennon e leio a seguir no DN a entrevista de um dos principais banqueiros portugueses.
Não defende uma estratégia de concentração, não acusa de nada a Caixa Geral de Depósitos, formula votos de que os fundamentalistas do neo-liberalismo tenham aprendido a lição do Lehman Bros, que a economia deve ser real, não especulativa…
Será possível, o futuro?
Imaginem que “Imagine” nunca será esquecida… que será uma espécie de luta usando a não violência, apesar de Gandhi e John Lennon terem morrido assassinados.


Imagina que o paraíso não existe
É fácil, basta tentar;
Que não há inferno
E que acima de nós só o céu
Imagina toda a gente
A viver o seu dia a dia

Imagina que não há países
Não é difícil;
Que não há nada por que matar ou morrer
nem nenhuma religião, também.
Imagina todos
A viver a vida em paz

Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou só eu;
Espero que um dia te juntes a nós
e o mundo será aquele mundo

Imagina não haver a posse
Gostaria,  se o conseguisses;
Não haver necessidade de ganância ou fome
Antes uma fraternidade humana.
Imagina todas as pessoas
A partilhar todo o mundo.


Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou só eu;
Espero que um dia te juntes a nós
e o mundo viverá unido



http://www.paralerepensar.com.br/lennon.htm



_____

sábado, 15 de abril de 2017

A paz

Quantas vezes terão as balas de canhão de voar, antes de serem banidas para sempre?
Imaginem que não há nada nem ninguém por quem matar ou por quem morrer, nem nenhuma religião, também. Imaginem  todos a viver em paz.


Imaginem a ONU a adotar oficialmente e a divulgar a mensagem de não violencia, de tolerância, de ausência de vingança, de pacifismo, de Gandhi, de Mandela, de Garry Davis.

Para além da violência e das falsas justificações das guerras, temos ainda a viol~encia das sociedades desestruturadas.
Podemos dizer que o sistema político, económico e financeiro falhou. E só pode melhorr depois de reconhecer que falhou.
Junto fotos no DN de 14 de abril de 2017. Em Los Angeles gerou-se um grupo mafioso com imigrantes vindos de S.Salvador. Sequestram para obter resgates e matam, numa sociedade que se apresenta como das mais ricas do mundo. No Rio de Janeiro a polícia mata e morre. 4,4% dos polícias , relativamente ao total de 90 mil nos últimos 20 anos, morreram em serviço, mas também matam.

Existe no cérebro humano , possivelmente nas areas da sobrevivencia, uma tendencia para a violencia, que deriva de insegurança e que leva os grupos a formarem-se, em tribos, em fações, em partidos, em clube, em exércitos, em empresas e em grupos económicos e financeiros, e a exercer violenciasobre os outros grupos, com medo de serem por eles dominados. Criaram-se as religiões para isso. Por um lado recriam a capacidade de efabulação da criança, de pois servem para reforçar o espírito de corpo, de normalização, de integração no grupo. A eles por Santiago, de um lado, morte aos infieis do outro. A divindade a comandar o extermínio do adversário, desde o massacre de Jericó pelo povo eleito à colonização e escravização impostas pela cultura ocidental.

Por isso são um paradoxo, as mensagens de paz das religiões. O deus cristão nessa música maravilhosa de Arvo Parts é requisitado para lutar por nós e assim nos dar a paz. Ora, como Clausewitz explicou, a guerra serve, continuando a ação da diplomacia quando não consegue atingir os seus fins pacificamente, para impor aos vencidos a paz e o que eles não queriam. Tal como o islão, cujo significado é simultaneamente paz e submissão, cujo profeta foi principalmente um chefe político e militar. Tal como a hipótese de Jesus Cristo, que recomendava aos seus discípulos que andassem armados com espadas, ter sido um chefe político de uma pequena fação zelota, como tal punível pela lei do ocupante romano.
Não admira assim que John Lennon tenha imaginado um mundo sem religiões, sem pretextos para o domínio político e económico de uns por outros.
Provavelmente isso só será possivel partindo do interior das próprias religiões, eliminando paulatinamente as cláusulas de agressão sobre os não crentes (começando por deixar de lhes chamar infiéis) em longos processos de preparação dos seus crentes e de transição sem grandes sobressaltos. Um excelente programa para a ONU, contanto que os seus dirigentes não se deixem dominar pelos ideais religiosos.
Mas será também, a extinção das religiões, provavelmente inevitável, por razões de sobrevivência para evitar a auto-destruição... razões que levem à proibição das balas de canhão, como cantou Bob Dylan...






"Blowin' In The Wind", Bob Dylan


How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
How many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
How many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
How many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn't see?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can really see the sky?
How many ears must one person have
Before he can hear people cry?
How many deaths will it take 'til he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Imagine, John Lennon



Imagine there's no Heaven 
It's easy if you try 
No hell below us 
Above us only sky 
Imagine all the people 
Living for today 

Imagine there's no countries 
It isn't hard to do 
Nothing to kill or die for 
And no religion too 
Imagine all the people 
Living life in peace 

You may say that I'm a dreamer 
But I'm not the only one 
I hope someday you'll join us 
And the world will be as one 

Imagine no possessions 
I wonder if you can 
No need for greed or hunger 
A brotherhood of man 
Imagine all the people 
Sharing all the world 

You may say that I'm a dreamer 
But I'm not the only one 
I hope someday you'll join us 
And the world will live as one 



Imagina que o paraíso não existe
É fácil, basta tentar;
Que não há inferno
E que acima de nós só o céu
Imagina toda a gente 
A viver o seu dia a dia

Imagina que não há países
Não é difícil;
Que não há nada por que matar ou morrer
nem nenhuma religião, também.
Imagina todos 
A viver a vida em paz

Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou só eu;
Espero que um dia te juntes a nós 
e o mundo será aquele mundo 

Imagina não haver a posse
Gostaria,  se o conseguisses;
Não haver necessidade de ganância ou fome
Antes uma fraternidade humana.
Imagina todas as pessoas 
A partilhar todo o mundo.


Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou só eu;
Espero que um dia te juntes a nós 
e o mundo viverá unido




Da pacem domine, Arvo Part

Dá  a paz, senhor, no nosso tempo,
pois não há ninguém que lute por nós,
senão tu, nosso deus















terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Imagine - John Lennon

Imagine - John Lennon




Por um lado não se avançou muito, 30 anos depois da morte de John Lennon, mas acho que se vai conseguindo. Sempre fica alguma coisa no subconsciente. Também acho que se chamava a má consciência, antes de Freud, e pressa de castigar ou de calar os discordantes, quando se tem o poder.


Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one


http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=imagine

sábado, 26 de fevereiro de 2022

A paz

Retomo o programa "a musica portuguesa a gostar dela própria"   http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/o-programa-musica-portuguesa-gostar.html 

para insistir na atividade meritória de Tiago Pereira, despida de intelectualismos bacocos e pretensiosos, e encontrando por vezes autenticas maravilhas que como tal deviam ser reconhecidas pelos fazedores de opinião a que a comunicação social dá tanta importância

No programa de dia 25 de fevereiro de 2022, tristemente assinalado pela prevalência da guerra, aplaudo os Ganhões de Castro Verde:

https://www.rtp.pt/play/p5382/e601009/musica-portuguesa-a-gostar-dela-propria


não há bem que sempre dure
e nem mal que não se acabe
mas há quem queira acabar
com a nossa liberdade

que bonito que seria
se houvesse compreensão
os homens não se matavam
e davam-se como irmãos

é tão linda a liberdade
até que chegou o dia
se houvesse compreensão
então que bonito que seria

eu ia não sei para onde
encontrei não sei quem era
encontrei o mês de abril
procurando a primavera


Recordo "Imagine" de John Lennon,  imagina que não há nada por que matar ou ser morto ...

ou o Requiem da Guerra, de Benjamin Britten, sobre poemas de Wilfred Owen, morto aos 25 anos na WWI:




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

De Primo Levi, A chave de estrela e O sistema periódico


Coisa curiosa.
Tenho recebido por email intensa doutrinação pelos comentadores mediáticos da direita portuguesa criticando a ideia de um governo apoiado pelos partidos de esquerda.
Destacam-se os artigos do Observador, cuja administração nega tratar-se de um jornal digital de fação.
Mas é mesmo insistente e intensa a defesa de pontos de vista claramente de direita, se entendermos a classificação de direita, como a defesa do funcionamento mais ou menos livre do mercado, apesar dos constrangimentos da escassez, das externalidades e da assimetria de informação ou de capacidades, e com menor ou maior respeito pelas reservas de Adam Smith no cumprimento das responsabilidades sociais pelos detentores dos meios de produção. E de esquerda, pela subordinação ao primado da segurança social, das obrigações sociais de saúde e educação, e da possibilidade de propriedade pública de meios de produção.
O nível cultural dos colaboradores do Observador é elevado, de modo que achei curiosa a recomendação, numa das edições, de um livro de Primo Levi, escritor italiano que esteve preso em Auschwitz, químico de formação. E que confesso não conhecia.
Depois de breve pesquisa, encontrei este trecho do seu livro A chave de estrela (La chiave a stella), que não se encontra editado em português.
Para mim é interessantíssimo, por juntar as duas culturas, a técnico-científica e a humanista. Evidenciando a sua experiencia profissional e a humanidade das personagens.
Coisa também patente noutro seu livro, O sistema periódico, este já editado em português (ed.Teorema), e de que também transcrevo citações.

De A chave de estrela:



"Ah, não: tudo eu não posso contar. Ou bem lhe digo o lugar, ou então lhe conto o fato - mas eu, se fosse o senhor, escolheria o fato, porque é um fato e tanto. Depois, se o senhor quiser mesmo recontá-lo, basta trabalhar em cima dele, retificar, esmerilhar, tirar as aparas, dar uma insuflada e, pronto, aí está uma bela história; e, apesar de eu ser mais jovem que o senhor, história é o que não me falta. O lugar talvez o senhor adivinhe, assim não precisa acrescentar nada; mas, se eu lhe disser onde fica, eu acabo tendo problemas, porque aquela gente é boa, mas um pouco melindrosa."
Conhecia Faussone havia apenas dois ou três dias. Encontramo-nos por acaso no refeitório, o refeitório para estrangeiros de uma fábrica muito distante, para a qual fui deslocado devido ao meu ofício de químico de vernizes. Nós dois éramos os únicos italianos; ele estava lá havia três meses, mas tinha estado naquelas terras outras vezes e se virava muito bem com a língua, além das quatro ou cinco que já falava, incorretamente, mas com fluência. Tem uns trinta e cinco anos de idade, é alto, seco, quase calvo, bronzeado, sempre bem barbeado. Um rosto sério, quase imóvel e pouco expressivo. Não é um grande narrador: ao contrário, chega a ser bastante monótono, propenso à diminuição e à elipse, como se temesse parecer exagerado, mas muitas vezes se deixa levar e então exagera sem se dar conta. Tem um vocabulário reduzido e frequentemente se exprime por meio de lugares-comuns que talvez lhe pareçam argutos e novos; se quem o escuta não ri, ele repete, como se estivesse lidando com um tonto.
"... porque, sabe, se estou nesse negócio de circular por todos os estaleiros, fábricas e portos do mundo, não é por acaso, e sim porque eu mesmo quis. Todos os jovens sonham em conhecer florestas, desertos ou a Malásia, e eu também sonhei com essas coisas; só que gosto que meus sonhos se tornem reais, senão permanecem como uma doença que a gente carrega pela vida inteira, ou como a cicatriz de uma operação, que volta a doer toda vez que o tempo fica úmido. Havia duas alternativas: esperar ficar rico e depois me transformar num turista ou então trabalhar como montador. Eu optei por ser um montador. É claro que existem outras maneiras - como quem dissesse virar contrabandista etc. -, mas essas coisas não servem para mim, porque eu gosto de conhecer países, mas sou um tipo dentro das regras. Agora já me habituei tanto a esta vida que, se precisasse ficar sossegado num canto, adoeceria: para mim, o mundo é belo porque é variado."
Olhou-me por um momento, com olhos singularmente inexpressivos, e depois repetiu com paciência:
"Se alguém está na própria casa, talvez até esteja sossegado, mas é o mesmo que chupar prego. O mundo é belo porque é variado. Então, como eu estava dizendo, já passei por tantas e boas, mas a história mais sinistra que me aconteceu foi no ano passado, naquele país que prefiro não mencionar, mas posso dizer que é muito longe daqui e também da nossa casa, e, enquanto aqui sofremos um frio danado, lá, ao contrário, faz um calor de rachar durante nove meses do ano, e nos outros três venta muito. Estava lá trabalhando no porto, mas lá não é como em nossa terra: o porto não é do Estado, e sim de uma família, e a família pertence ao pai de família. Antes de começar a trabalhar na montagem, precisei apresentar-me a ele de terno, almoçar, conversar, fumar sem pressa, imagine só, nós que sempre temos as horas contadas. Não por nada, mas é que custamos caro, e esse é o nosso orgulho. Esse pai de família era um tipo meio a meio, meio moderno e meio tradicionalista; vestia uma bela camisa branca, dessas que não são passadas, mas quando entrava em casa tirava os sapatos e também pediu que eu tirasse os meus. Falava inglês melhor do que os ingleses (que, aliás, não lhe agradam muito), mas não me apresentou às mulheres de sua família. Também como patrão devia ser meio a meio, uma espécie de escravocrata progressista: imagine que mandou pendurar sua foto emoldurada em todos os escritórios e até nos depósitos, como se fosse um Jesus Cristo. Mas todo o país é um pouco assim, há um monte de mulas e de monitores, há aeroportos que deixam o de Caselle no chinelo, mas muitas vezes, para chegar a um lugar, é mais rápido ir a cavalo. Há mais boates que padarias, mas se vê gente nas ruas com tracoma.
"O senhor deve saber que montar um guindaste é um trabalho e tanto, e uma ponte rolante é ainda pior, mas não são tarefas que se façam sem uma equipe: é preciso alguém que conheça as malícias do ofício e que coordene tudo - nós - e depois os auxiliares da obra. E é aqui que começam as surpresas. Naquele tal porto, as confusões sindicais também são um grande problema; o senhor sabe, é um país onde, se alguém rouba alguma coisa, cortam-lhe a mão em praça pública: a direita ou a esquerda, a depender do que foi roubado, ou às vezes até uma orelha, mas sempre com anestesia e bons cirurgiões, que estancam a hemorragia num segundo. É verdade, não são lendas, e se alguém começar a espalhar calúnias a respeito de uma dessas famílias importantes, cortam-lhe a língua e pronto.
"Pois bem, apesar de tudo isso, lá eles têm associações muito bem organizadas, que participam de todas as decisões: todos os operários de lá carregam sempre um radinho de pilha, como se fosse um patuá, e se a rádio disser que há greve, tudo para, não há ninguém que ouse levantar um dedo; de resto, se alguém tentasse, era capaz de receber uma facada, talvez não imediatamente, mas dali a dois ou três dias; ou então o sujeito levava uma viga na cabeça ou bebia um café e caía duro. Não gostaria de viver naquele lugar, mas me sinto satisfeito por ter estado lá, porque há certas coisas que a gente só acredita vendo.
"Então eu lhe dizia que estava lá para montar um guindaste de cais, um desses gigantões de braço retrátil, e uma ponte rolante fantástica, quarenta metros de luz e um motor de suspensão de cento e quarenta cavalos; meu Deus, que máquina, me lembre de lhe mostrar a foto amanhã à tarde. Quando terminei de montá-la e fizemos os testes e parecia que tudo ia às mil maravilhas, deslizando feito manteiga, senti como se tivessem me dado um título de comendador e até paguei bebida para todos. Não, vinho não: aquela porcaria que eles chamam de cumfàn, com gosto de mofo, mas que refresca e faz bem - mas vamos com calma. Aquela montagem não foi uma coisa simples, não pelo aspecto técnico, que correu perfeitamente bem desde o primeiro parafuso; não, era mais uma atmosfera que se sentia ao redor, como um ar pesado, quando está para cair uma tempestade. Pessoas que falavam pelos cantos, fazendo sinais e caretas que eu não entendia, e de vez em quando surgia um jornal pregado na parede e todos se amontoavam em volta, lendo ou pedindo que lessem em voz alta, e eu ficava sozinho no alto dos andaimes, como um melro.
"Depois a tempestade desabou. Um dia percebi que os operários se chamavam uns aos outros com gestos e assovios; todos foram embora, e aí, como eu não podia fazer nada sozinho, também desci das estruturas e fui assistir à assembleia deles. Era num grande depósito em construção: ao fundo montaram uma espécie de palco, com cavaletes e mesas; subiam ao palco e falavam um depois do outro. Entendo pouco a língua deles, mas se via que estavam furiosos, como se tivessem cometido uma injustiça contra eles. A certa altura subiu um mais velho, que parecia um mestre-de-obras; o sujeito estava muito seguro do que dizia, falava com calma, cheio de autoridade, sem gritar como os outros, e nem precisava disso, porque diante dele todos faziam silêncio. Pronunciou um discurso tranquilo, e todos ficaram convencidos; ao final, fez uma pergunta e todos ergueram a mão gritando não sei o quê; quando fez a pergunta inversa, nenhuma mão se levantou. Então o velho chamou um rapaz que estava na primeira fila e lhe deu uma ordem. O rapaz saiu correndo, foi ao depósito de ferramentas e voltou num instante, segurando numa das mãos a foto do patrão e um livro.
"Perto de mim havia um especialista em testes que era do lugar, mas não sabia inglês; até estabelecemos certa camaradagem, porque convém sempre agradar aos testadores: a cada santo sua vela."
Faussone tinha acabado de comer uma porção abundante de assado, mas chamou a garçonete e pediu uma segunda porção. A mim me interessava mais a sua história, e não os seus provérbios, mas ele o repetiu com método:
"Em todos os países do mundo é assim, os santos exigem suas velas: eu tinha dado àquele especialista em testes uma vara de pescar, porque é bom agradar aos testadores. Assim ele me explicou que se tratava de uma questão boba: havia tempos os operários pediam que a cantina da fábrica oferecesse refeições com patíveis com a sua religião; no entanto o patrão queria posar de pessoa moderna, embora no fim das contas fosse um ferrenho partidário de outra religião, mas aquele país é um labirinto de religiões no qual qualquer um se perde. Enfim, mandou o chefe de pessoal dizer que ou eles se contentavam com o refeitório do jeito que estava, ou nada de refeitório. Já tinha havido duas ou três greves, mas o patrão não tinha nem piscado o olho, porque afinal as provisões eram magras. Então surgiu a proposta de fazer-lhe a caveira, só por represália."
"Como assim, fazer-lhe a caveira?"
Faussone explicou-me pacientemente que fazer a caveira é como fazer um feitiço, lançar um mau-olhado sobre alguém, fazer uma mandinga:
"... não necessariamente para matá-lo: ao contrário, daquela vez com certeza não queriam que ele morresse, porque o irmão mais novo era pior do que ele. Queriam apenas meter-lhe medo, sei lá, que pegasse uma doença, sofresse um acidente, só para ver se mudava de ideia, e também para deixar claro que eles sabiam se defender.
"Então o velho pegou uma faca, arrancou os pregos da moldura e a destacou do retrato. Parecia que ele tinha grande prática naqueles trabalhos; abriu o livro, fechou os olhos, pôs o dedo numa página, depois abriu de novo os olhos e leu no livro alguma coisa que não entendi, nem o testador. Pegou a foto, fez um rolo com ela e a amassou bem com as mãos. Mandou que buscassem uma chave de fenda, ordenou que a deixassem em brasa num fogão a querosene e a enfiou no rolo amassado. Aí desdobrou a foto e a exibiu, e todos batiam as mãos: a foto tinha seis buracos de queimadura, um na testa, outro perto do olho direito, um no canto da boca. Os outros três se espalharam no fundo, fora do rosto.
"Então o velho repôs a foto na moldura do jeito que estava, amassada e furada, e o garoto partiu para recolocá-la no lugar, e todos voltaram a trabalhar.
"Pois bem, no final de abril o patrão ficou doente. Não disseram com todas as letras, mas a notícia se espalhou logo, sabe como é. Desde o início parecia que era grave - não, não tinha nada no rosto, a história já é bastante estranha do jeito que é. A família quis logo metê-lo num avião e despachá-lo para a Suíça, mas não houve tempo: ele tinha algo no sangue e em dez dias morreu. E pense que era um tipo robusto, que nunca esteve doente, sempre girando pelo mundo de avião e, entre uma viagem e outra, sempre atrás das mulheres ou jogando toda a noite, até o sol raiar.
"A família denunciou os operários por homicídio, aliás, por 'assassínio meditado com malícia': me disseram que lá era assim. Como se vê, eles têm tribunais que é melhor nem passar por perto. E não há um código só, mas três, de modo que eles escolhem um ou outro segundo a conveniência do mais forte ou de quem paga mais. A família, como eu dizia, argumentava que houve o assassinato: houve a vontade de matar, houve ações que visaram à morte e houve a morte. O advogado de defesa respondeu que as ações não pretendiam aquele resultado, no máximo apenas causariam erupções na pele, não sei, abscessos ou furúnculos; disse que, se a foto tivesse sido cortada ao meio ou queimada com gasolina, aí sim teria sido grave. Porque parece que, de acordo com as mandingas, de um furo nasce um furo, de um corte, um corte, e assim por diante; a gente acha a coisa meio engraçada, mas todos eles acreditam nisso, até os juízes, até os advogados de defesa."
"Como terminou o processo?"
"O senhor deve estar brincando: ainda continua, e vai continuar até sabe-se lá quando. Naquele país os processos não terminam nunca. Mas aquele testador que eu mencionei prometeu que me manteria informado, e, se o senhor quiser, eu também posso mantê-lo informado, se é que essa história lhe interessa."


A garçonete veio servir a portentosa porção de queijo que Faussone pedira; tinha uns quarenta anos, era magrinha e curvada, com cabelos lisos e oleosos por causa de algum produto, o rosto triste de cabra assustada. Olhou Faussone com insistência, e ele sustentou o olhar com ostensiva indiferença. Quando foi embora, me disse:
"Parece o cão chupando manga, coitadinha. Mas fazer o quê? A cavalo dado não se olham os dentes."
Fez um gesto com a mandíbula em direção ao queijo e me perguntou com escasso entusiasmo se eu aceitava um pouco. Depois o atacou com avidez e, entre uma bocada e outra, retomou:
"O senhor sabe, aqui, em matéria de garotas, é um fiasco. A cavalo dado não se olham os dentes. Dado pela fábrica, digo."


De  O sistema periódico:

“… o autor não deveria ser totalmente ignorante, mas cada uma das suas páginas exalava a bazófia de alguém que está certo de que as suas afirmações não serão contestadas … pregava como um profeta possesso … como se lhe tivesse sido revelado por Jeová no Sinai ou por Wotan no Walhalla “

“…com efeito, o fascismo exercera influencia sobre nós, como sobre quase todos os italianos, tornando-nos insensíveis e superficiais, passivos e cínicos … o fascismo consolidara-se como custódia de uma legalidade e de uma ordem detestáveis, fundadas na opressão de quem trabalha, no lucro incontrolado de quem desfruta o trabalho de outrem, no silencio imposto a quem pensa e não quer ser escravo, na mentira sistemática e calculada”.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Cartas de Bucuresti, abril de 2003

Nota prévia - Este blogue serve também para o seu humilde escriba deixar algumas recordações da sua vida profissional. Neste caso, para que os concidadãos romenos não se zanguem com o que deixo escrito, acrescento que em quase dez anos e depois da adesão da Roménia à União Europeia, muita coisa terá mudado; por exemplo, o hotel abandonado, preferido de Ceausescu, é hoje o hotel Cota 1400, muito utilizado por turistas ao longo de todo o ano.


1ª carta


Querida amiga

Aqui estou, como prometido, a dar-lhe noticias da terra de Bucur.
Já é noite, talvez em Lisboa ainda não e a minha amiga ainda esteja no seu gabinete.
Escrevo calmamente no meu quarto de hotel com o computador portátil e amanhã deixarei a memória USB com o texto na receção para lho enviarem por email.
O novo aeroporto de Bucareste pareceu-me bem construído, mas o átrio das chegadas é demasiado pequeno para a multidão que espera.
No meio da confusão  de motoristas de táxi a oferecer os seus serviços um deles perguntou-me em francês para onde eu queria ir.
Em francês, como se adivinhasse a minha ligação à cultura francesa, apesar dos crimes de Napoleão.
O homem era grande e anafado, parecia estar sozinho e aceitei a proposta do serviço por 20 euros.
O táxi era um Dacia com 20 anos, igual ao velho Renault 12.
O motorista era conversador; quando passámos pelo arco do triunfo disse-me que era um admirador do general de Gaulle, que tinha estudado francês no liceu_e repetiu muitas vezes que Bucareste é a Paris da Europa Oriental; que gosta de receber a paga em euros e acha   que a Roménia espera ansiosamente a entrada na União Europeia.
Bucareste à noite é linda, com iluminação modesta nas avenidas arborizadas.
Vê-se que houve influencia dos “boulevards” parisienses e dos campos elísios.
Às minhas perguntas sobre os partidos políticos não respondia, mas sobre as difíceis condições de vida e de trabalho era pródigo em queixas.
O hotel Marriot fica a seguir ao grande palácio dos congressos, de arquitetura monumental e massiça, que Ceausescu mandou construir, rodeado por um amplo espaço ajardinado, de vegetação rasteira. É agora a sede do Parlamento nacional.
O motorista entrega-me a pequena mala e diz que o transporte de um hóspede do Marriot vale mais do que 20 euros, e que tinha gostado tanto de conversar em francês comigo que ficaria satisfeitíssimo se eu lhe desse 30 euros.
Que foi o que fiz, perante um empregado do hotel um pouco escandalizado.
Como é hábito nas nossas reuniões de técnicos de eletrotecnia de metropolitanos, uma simpática refeição ligeira e variada serviu de base ao reencontro do nosso grupo e à conversa sobre os acontecimentos internacionais desde a reunião anterior, em Bruxelas. Foi pena não ter trazido a minha mulher, para fazer companhia às simpáticas esposas dos colegas romenos anfitriões e dos colegas de Hamburgo e de Varsóvia,  mas seria inconveniente para o programa das suas aulas.
A qualidade do serviço do hotel é muito boa e os empregados são amáveis.
Recolho ao quarto para rever os assuntos a tratar amanhã na reunião e para lhe escrever estas breves palavras.

Veremos se amanhã à noite não estarei demasiado cansado para lhe relatar o dia.

Boa noite.



2ª carta

Interessantíssimos os temas da reunião de hoje.
Analisámos todos os sistemas de manutenção de todos os tipos de equipamentos elétricos ou sistemas de controle em uso nos metropolitanos do nosso grupo. Mas talvez isso não lhe interesse muito, pelo menos por enquanto, no seu percurso profissional.
Possivelmente por razões económicas, a reunião decorre num dos edifícios do metropolitano de Bucareste.
Sabe que não gosto muito de um indicador que estou a construir?
O metro de Lisboa tem cerca de 30 km de rede e foi inaugurado em 59. O metro de Bucareste tem cerca de 50 km e foi inaugurado em 74. Multiplicando a extensão da rede pelo ano de inauguração obtemos o tal indicador, que dá uma ideia pouco favorável par ao nosso metro. É verdade que o transporte coletivo na Roménia, por força do fraco poder de compra da população, predomina sobre o transporte individual, mas o metro de Lisboa continua mal colocado em âmbito de cobertura geográfica e de volume de população se o compararmos com as cidades de poder de compra semelhante ao nosso. Infelizmente, não temos sabido aplicar da melhor forma o dinheiro que temos investido na nossa rede.


A parte central de Bucareste ostenta os vestígios das glórias passadas no inicio da belle epoque, antes da primeira grande guerra, no período de expnsaõ da industrialização germânica, em quarteirões de mansardas, ou em ruas sossegadas de grandes mansões. Não se preocuparam muito em conservar os bairros antigos. A urbanização à francesa sobrepôs-se. Consta que o rei Carol I dividia as suas capacidades estratégicas pela captação dos investimentos alemães e pela  cultura francesa. Mas agora os edifícios mostram ruína. É deprimente ver nas ruas comerciais a maior parte das lojas fechada, com o correio a apodrecer e o lixo a acumular-se. Há movimento de pessoas; deduzo, pela forma como se deslocam,  que têm trabalho; reparo nas jovens mulheres, sempre vestidas de forma clássica. O transito é escasso, maioritariamente táxis Dacia, e há ainda veículos de tração animal, com rodas de borracha, pobres bichos, pobres donos. Nas placas centrais, ajardinadas e arborizadas, vejo vários  grupos de funcionárias municipais. Mas estão normalmente sentadas, sem trabalhar, com os cestos do farnel ao lado. Vestem saias largas e compridas e lenços na cabeça de tez morena. Detenho-me a ler o programa do teatro de ópera, também rodeado de uma área verde. É grande o contraste com a pobreza geral, quase todos os dias há um concerto, um bailado ou uma ópera. Reparo num nome importante no panorama operático, Elena Obratsova.

Depois da sessão da tarde da nossa reunião e antes do jantar, saí do hotel para explorar a longa avenida no sentido dos subúrbios.
Mais uma vez vi gente movimentando-se rapidamente de regresso a casa, aparentemente poupando dinheiro graças ao percurso a pé.
Os passeios são largos, mas os pavimentos são poeirentos. A urbanização é incaracterística. Há uma igreja ortodoxa, com as suas cúpulas, abafada entre blocos de habitação social. A distribuição elétrica é feita por cabos pendurados em postes de madeira. Mas vejo confiança no olhar da mulher jovem que caminha determinada pelo passeio, com um pequeno saco de compras, equilibrando-se nos seus sapatos clássicos de verniz preto de salto alto. Assim como assim, há sempre alguém que acredita no futuro.

Espero não a ter maçado com mais esta carta.
Até amanhã.

3ª carta

Querida amiga

Estou cansado.
Este foi o dia mais cansativo, e só teve, de trabalho, uma rápida visita ao centro de comando do metro. Os nossos colegas estão muito contentes com os fornecimentos da grande companhia alemã, mas eu diria que o equipamento é um pouco tosco, não será o ideal para facilitar o comando centralizado do movimento dos comboios em toda a rede e para suportar as extensões da rede que estão programadas, mas enfim, funciona.
O metropolitano de Bucareste decidiu poupar-nos um dia inteiro de trabalho e ofereceu-nos um passeio de 150 quilómetros até aos Cárpatos, para visita do palácio romântico do rei Carol, o castelo de Pelese, a norte de Ploiesti.
O rei Carol era um nobre alemão a quem ofereceram o trono da Roménia, na altura da independência do país relativamente ao império otomano.
Vivia-se a época dos nacionalismos românticos, e o elemento que entrelaçava os novos países era a ligação às casas reais da Europa no poder. Tudo subordinado, evidentemente, à ascensão dos grandes industriais e das casas financeiras suporte da industrialização.
Deixe-me contar-lhe um facto terrível: ao longo de toda a estrada não vi uma única cabeça de gado nos campos, nem vacas, nem ovelhas, nem cabras.
Passámos por ruínas de explorações petrolíferas – como sabe, a Roménia tem poços de petróleo e de gás, em terra e no mar Negro -  mas as torres que avistei da estrada estavam inoperacionais.
A Roménia espera , provavelmente, a entrada na união europeia para arrancar com as explorações agro-alimentares, com o reinicio da exploração petrolífera e o desenvolvimento do turismo, não sei.
Mas sei que a desmotivação de todo um povo e o acantonamento de uma economia frágil na zona da armadilha da pobreza dos rendimentos impossíveis para qualquer investimento, conduz a esta desgraça.
Eu sei que todos os povos, em épocas de crise, são capazes de encontrar dentro de si próprios meios de sobrevivência que escapam aos registos dos economistas, mas a sensação que me domina é a de que, se por uma catástrofe natural o país desaparecesse, ninguém iria importar-se.
Antes da visita ao palácio, levaram-nos ao hotel alpino preferido de Ceausescu para as suas férias na neve e para as receções aos aliados, a poucos quilómetros de Siniu, onde se encontra o palácio de Pelese.
Foi uma desilusão para os nossos anfitriões, que não esperavam que o hotel estivesse fechado. O casal mal encarado que guardava o complexo informou que só abririam para os 3 meses de verão. O colega do metro de Bucareste lamentou baixinho, com sinceridade mas claramente sem querer defender a politica cega de Ceausescu, que no tempo dele nunca o hotel estaria fechado.
Siniu parecia feita de casas de bonecas, lá ao fundo. Do outro lado, as encostas cobertas de coníferas ocupavam o resto do horizonte.
Estavamos nos Cárpatos.
E imersos em mais um exemplo da desmotivação e da espera pelos investimentos da Europa.

Regressámos há pouco, sem grande vontade para jantar depois do abundante almoço oferecido no palácio.
Vem-me à ideia a comissão de receção aos turistas à entrada da rampa de acesso ao palácio do rei Carol: um violinista e a sua musica romena e uma cigana robusta com uma pulseira de ferro e um pequeno leão a ela acorrentado. Lá tivemos de deixar umas moedas, que no meu caso até foram euros.

Desejo-lhe uma boa noite.

Até amanhã.





4ª carta

Estou a escrever-lha do aeroporto de Munique. Tenho ainda 3 horas antes do embarque para Lisboa e já combinei com a simpática assistente da sala de informática do aeroporto o envio do email com este texto, que o meu portátil ainda não tem wi-fi.

Aproveitei o sábado de manhã para dar mais uma volta pela cidade, antes de seguir para o aeroporto.
Visito o jardim botânico. Está repleto de espécies interessantíssimas. Mas o estado de abandono e de desleixo é mais uma vez deprimente. Surpreendo atrás dos vidros da estufa laboratorial o semblante desanimado de duas botânicas, atrás dos microscópios. Comovo-me com a degradação dos canteiros, dos caminhos ladeados de palmeiras, com a ausência de jardineiros, com os vidros partidos das estufas, com a invasão inconveniente das raízes das árvores tropicais. Eis a Roménia dos nossos dias, esperando a salvação com a união à Europa.
Regresso aos boulevards e à praça da Liberdade.
Desço o parque  rei Carol, quase gémeo do nosso Parque Eduardo VII.                      .
Um grupo de jardineiros está alargando as caldeiras das árvores para aumentar a eficácia da rega. O trabalho é para ser feito com enxadas, não há mecanização, e a rega será com um depósito com rodas, puxado por homens. Cada um dos jardineiros está junto da sua árvore, alinhadas segundo o declive até à rotunda ao fundo, a prça da Liberdade. Falta pouco para o meio dia. Todos  eles estão imóveis, com o queixo encostado ao cabo da enxada, contemplando a pequena carroça que ao longe,  na rotunda, contorna a placa central onde um grupo de mulheres de saias amplas apanha as ervas daninhas. De repente, ouve-se a sirene do meio-dia e todos eles largam as enxadas, que caem no chão, e dirigem-se para o refeitório. Continuo a descer o declive e verifico que as apanhadoras de ervas daninhas têm outro horário, porque continuam a trabalhar, porém, do seguinte modo: estão alinhadas lado a lado, mas imagine que estão todas em pé, direitas, menos as duas da ponta direita, a última com o tronco a 90º e a penultima completamente dobrada, em plena função arrancadora da erva.  Imagine agora que, em frente dessas duas, um jovem em mangas de camisa e calças enfiadas nas botas de jardineiro corre desalmada e paralelamente à fila, da ponta direita para a ponta esquerda. À medida que corre, as mulheres que deixa para trás vão-se endireitando e aquelas de que se aproxima vão-se dobrando. Chega ao fim da fila e recomeça em sentido inverso. Há um efeito de onda que se propaga de um lado para o outro e depois para o outro lado.
O jovem virá a ser dirigente de qualquer coisa, pelo entusiasmo com que desempenha a sua função de encarregado. Terá aperfeiçoado a sua técnica de gestão de pessoal nalgum curso de motivação  e de otimização dos ativos humanos. Mas deixou-me um pouco triste.

No caminho de taxi para o aeroporto, recordo as conversas que tive com o nosso colega do metro de Bucareste: que a Roménia tem de desenvolver o turismo, pôr a funcionar a extração de petróleo e de gás e, sobretudo, que não cometa o erro de deixar estiolar a sua produção agro-alimentar. Que nunca se deixem embalar pelos produtos alimentares mais baratos da Alemanha e da Polónia, porque a autonomia alimentar e energética são os pilares da independência politica e da soberania. Que não se iludam com a miragem da união europeia a distribuir dinheiro sem que os seus diretórios gémeos dos grupos bancários e industriais queiram em troca ficar com o controle da atividade económica mais rentável, e sobretudo, que não se iludam com a febre da construção de edificios de grandes arquitetos e de auto-estradas e de empréstimos para o consumo.

O táxi que me levou ao aeroporto foi chamado pela receção do hotel, que aliás insistiu em fazê-lo. Desta vez era um Mercedes grande, com motorista de fato completo e gravata, serviço de limusina. Paguei dez euros e o motorista recusou a gorjeta. Mas não falava francês.  São diferentes, a economia registada que paga impostos e a economia paralela.
Lojas vazias de bens e de pessoas no aeroporto.
Entrada para o avião.
Reparo que algumas passageiras são mulheres jovens, bem vestidas e penteadas de forma moderna, fora do padrão que observara na cidade.
Sorte, uma delas senta-se ao meu lado.
Quando chega a refeição pergunto toscamente para onde vai. Digo-lhe que é uma draguna demisoara (uma bela rapariga) .
Andrea  conta que estuda química alimentar e que vai continuar os estudos em Madrid. Que tem família em Sevilha. Ri-se muito quando lhe pergunto se as outras belas romenas também vão estudar para Espanha, mas confirmo que domina a sua especialidade quando lhe falo do meu refluxo esofágico e das alergias do meu cólon excitavel.
O seu corpo é magnifico, e o cabelo apanhado para trás dá-lhe ao olhar um sentido penetrante, ao mesmo tempo meigo e esquivo.
Recordo-me do meu professor de Economia, Daniel Barbosa, antigo ministro salazarista, que explicava que o que equilibrava a balança de pagamentos de Portugal eram as receitas do turismo e as remessas dos emigrantes, apesar do esforço de industrialização e de autonomização da produção de energia elétrica.
Andrea ainda esteve sentada a meu lado na sala de espera do aeroporto de Munique, mas depressa foi chamada, tal como muitas das outras jovens romenas para o embarque para Madrid. Mas deixou-me o numero do seu telemóvel. Pode ser que um dia venha estudar química alimentar para Lisboa.

Já anunciaram também o meu embarque.
Vou acabar, porque ainda tenho de pedir à simpática assistente para lhe enviar o email e de percorrer vários tapetes rolantes até ao avião.

Até muito em breve.

Um beijo.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

A novela do PET em 17 de outubro de 2011

Caro senhor aluno

Recebi finalmente, embora não nas melhores condições, o relatório do grupo de trabalho que coordena. (Ver em    http://www.jornaldenegocios.pt/archivos/2011_10/novo_pet_mobilidade_sustentavel.pdf?usuarioWeb=gb0lcdrd2p8ie6essb1591hcc3            )

Numa primeira impressão, verifiquei que eram infundados os meus receios de que o vosso grupo, estando a protelar a entrega, reconhecia que o conteúdo do documento era pobre.
Na verdade, o documento está razoavelmente sistematizado para quem tinha pouca experiencia em transportes.
O grupo adotou um tipo de análise característico da formação de economista, como era de esperar, desprezando a problemática das questões técnicas de engenharia, o que poderá não ser bom para a tradução da realidade.

Ressuma em todo o documento um entusiasmo juvenil de quem defende ideias a que quer ver subordinada a realidade, em vez de apresentar cálculos fundamentadores de decisões.

Não são apresentados cálculos para determinação das contribuições rodoviárias, omitindo a taxa de externalidade para subsidio das ferrovias mais eficientes, conforme legislação europeia.

Faltam dados comparativos com entidades homólogas estrangeiras no que se refere a indicadores técnicos, como, por exemplo, as taxas de ocupação de modos urbanos, que até nem estão muito afastadas das práticas europeias, embora se citem indicadores económicos para condenar as empresas públicas de transporte, apresentando as causas como se fossem da responsabilidade dos profissionais que lá trabalham, quando essas causas foram impostas pelos sucessivos governos de várias cores.

A grelha de tratamento dos dados das empresas de transportes está bem organizada, mas cai no provérbio "com a verdade me enganas" porque orienta o leitor para a conclusão pretendida de entregar a exploração à iniciativa privada ao apontar os holofotes para as diferenças entre lugares.km e passageiros.km  esquecendo os outros parametros. Imagine o senhor aluno que lhe postavam no facebook a informação de que o senhor aluno é extremamente ineficiente na forma como se desloca porque o seu carro só utiliza 20% da energia potencial do combustível fóssil que o alimenta, gastando em desperdício e em calor de atrito os restantes 80%. Era verdade, mas não razão para dizer que o senhor aluno era ineficiente. Foi como aquela de dizer que as automotoras gastam 140 litros de gasóleo aos 100km e os autocarros 50litros. É verdade, mas as automotoras levam 3 vezes mais gente e podem ter uma velocidade comercial mais elevada em zonas sem auto-estradas. O problema não é ser automotora, é a desertificação do interior do país.

Como economistas, propõem no vosso grupo soluções do tipo recolha de orgãos de dadores e enxerto noutro paciente, corte e amputação, sem cuidar do material dispensado.
Quero com isto dizer que não está quantificado (o que é exigivel numa escola de economistas) o prejuízo decorrente da dispensa de trabalhadores que o grupo de trabalho considera excedentários, o custo da cessação de trabalho, mesmo com baixa produtividade, das prestações sociais consequentes e o custo do tratamento das depressões sobrevindas.

Quando se comparam os custos por efetivo nacional médio e empresa pública, estão a utilizar um critério para um custo e outro critério para o outro custo, o que me parece inconveniente.
Mas quando os senhores alunos propõem baixar os custos de pessoal nas empresas públicas (o que evidentemente tem de ser feito) lembro-me da visita de Otelo à Suécia em 1975, dizendo que ia acabar com os ricos. Os suecos responderam que tinham acabado com os pobres. Os senhores alunos querem acabar com os menos pobres, para que haja só pobres. Por outras palavras, acha bem o nível médio de remunerações nacional? Francamente, senhores alunos, não acham que afinal o antigo ministro Manuel Pinho tinha razão, quando disse que os custos de pessoal das empresas privadas em Portugal eram baixos?

Não teria ficado mal tambem explicar que novas normais internacionais de contabilidade tornam tão opacas as dívidas (ainda bem que os senhores alunos não se esqueceram de explicar por que as dívidas são tão grandes, mas deviam ter ilibado os profissionais que lá trabalham, e não o fizeram).

Não são apresentados indicadores decisivos para a tomada de decisões que já foram feitas. Por exemplo, depositam-se grandes esperanças (o que não é um conceito nem científico nem económico) no porto de Aveiro e em futura linha ferroviária de mercadorias passando por Viseu (esta de Viseu não está no relatório mas vi eu num chat do facebook com jornalistas em que o senhor aluno participou, com opiniões francamente desenvolvimentistas, o que muito  me surpreendeu), mas não se quantificam os TEUs nem o calado dos navios que poderão utilizar o porto, nem se tem em conta o trabalho anteriormente realizado na avaliação dos elevados custos da construção da  ligação ferroviária Aveiro-Salamanca (o que levou a colocá-la em baixo grau de prioridade).

Não são apresentados cálculos fundamentadores do abandono do TGV para passageiros Lisboa-Madrid, que incluissem os prejuizos da rescisão unilateral do contrato (mais uma vez aqui a esperança de que o Tribunal de Contas anule uma coisa que a comissão de análise das PPPs já conclui que não estava tão mal estribada financeiramente como isso), os prejuizos de todos os dias se gastar em aviões, por serem menos eficientes, mais energia e emitirem mais gases com efeito de estufa do que se a ligação fosse feita em TGV, como se os senhores alunos estivessem a trabalhar para as companhias de aviação.

Não está claro se as obras no aeroporto da Portela permitem reduzir o intervalo entre aviões nem é definida a estratégia da situação atual até ao futuro possivel novo aeroporto, sendo certo que a ausencia dessa estratégia, integrada com outros modos de transporte, prejudica gravemente o turismo. Igualmente se critica a ausencia de uma referencia ao claro incumprimento da legislação europeia pela manutenção de um aeroporto
com rotas de aterragem sobre hospitais.

Não está resolvida a incompatibilidade das intenções para decidir investimentos com a opção "nada fazer" nos casos em que esta prolonga uma situação de constante desperdício (exemplo: os gastos de energia com as deslocações em transporte privado nas áreas metropolitanas, por ser menos eficiente do que o transporte ferroviário) ou incumprimento de legislação europeia (exemplo: limitações de acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida nas estações de metro). Nem tão pouco a consideração na justificação do investimento da quantificação dos benefícios, como por exemplo o valor do tempo economizado nas deslocações pelos passageiros, da energia primária economizada e da emissão de gases com efeito de estufa evitada.

Não há uma referencia à necessidade de integrar os planos de investimento em transportes com a problemática do urbanismo, nomeadamente a desertificação do centro das cidades metropolitanas.

Como aspetos positivos, tenho de reconhecer que os operadores unicos das áreas metropolitanas são uma solução há muito defendida (claro que a probabilidade da realização da ideia estragar a ideia é grande) e que  os principios (infelizmente a maior parte do relatorio dos senhores alunos são principios e não estratégias, que o que faz a distinção nestas é o tratamento de dados)  do programa de equilibrio operacional, poderão ser válidos, se aplicados sem prejudicar as pessoas e corrigindo os erros de direção das empresas públicas decorrentes da nomeação de comissários políticos de várias cores sem experiencia no negócio.

Destaque também, pela positiva, ao rearranque dos estudos para a transferencia do terminal de contentores de Lisboa para a Trafaria.
Terminal de Alcantara, que se deseja transferir para a Trafaria 

Mas não se compreende, uma vez que os senhores alunos não estão  a trabalhar para empresas privadas concorrentes, por que terá o Estado, representado por empresas públicas, de alterar o seu papel, quando a legislação europeia contempla a hipótese de estas concorrerem aos concursos publicos internacionais para exploração ou operação. É que, assim, abdicará dum setor estratégico que fornece fatores de produção à economia, entregando o negócio a quem visa o lucro, sendo este gerador de desinvestimento. Isto é, o sistema funcionaria se o lucro fosse inferior ao diferencial de competencia profissional/custos  entre os profissionais do setor publico e os do setor privado.
Uma exploração apetecível, não o investimento

É que a furia privatizadora pode ser de muito bom grado das grandes universidades de economia, mas configura objetivamente uma ofensa aos profissionais que dedicaram e dedicam o seu esforço ao serviço público nessas empresas. Aliás, o normal é as empresas privadas contratarem os profissionais das publicas.
Donde se conclui que a solução do problema estava na correção dos erros de gestão e de organização das empresas públicas e não na amputação dos seus orgãos ou atividades. Existem suficientes exemplos por esse mundo fora que mostram a boa prestação de empresas públicas ou de participação pública.

Finalmente, embora compreendendo o ímpeto juvenil com que o vosso relatório termina - tanto que até transcrevo:
"A grande obra pública ...  vai ser manter as obras dos ... que por aqui passaram antes" - devo observar-vos que o que o vosso grupo de trabalho propõe contem muito de desprezo pelos que passaram antes pelo setor e de incompreensão pelo seu trabalho, ou de ignorancia desse trabalho, para ser menos duro. A manutenção é um setor nobre, mas nunca deverá dissociar-se das melhorias do equipamento social e da extensão a todos os cidadãos e cidadãs dos seus benefícios. A afirmação citada contrasta assim com o desinvestimento anunciado, desde a perda de oportunidade de ativar comboios históricos no Norte até à provável queda no abismo do esquecimento da linha ferroviária Coimbra-Lousã.

Por todos os aspetos negativos, que suplantam os aspetos positivos, vou ter de lhe pedir, a si e aos colegas do vosso grupo, que voltem na próxima época de exames com o trabalho mais afinado, assente em cálculos demonstrativos, sem os conceitos de fé e de esperança no melhor desempenho da iniciativa privada e com a ponderação dos resultados da experiencia no estrangeiro e, especialmente, com trabalho feito de troca de informação com os grupos de trabalho dos outros alunos, mesmo de orientação ideológica diferente.

Os meus melhores cumprimentos



PS 1 - esclarecido hoje, com a divulgação do orçamento de estado, que a contribuição de serviço rodoviário sobe de 6,4 para  6,547 centimos por litro de gasolina e de 8,6 para 8,798 centimos por litro de gasóleo. Mantêm-se as restantes observações;
PS 2 - Dada a dificuldade confessada  pelo próprio PET em ver toda a divida das empresas publicas incluindo o serviço de juros e amortizações (no caso do metropolitano de Lisboa o PET regista apenas cerca de um terço) ganha forma o receio de que daqui por uns tempos possa ser utilizada a técnica de "afinal havia outro buraco" para sobrecarregar os habituais contribuintes. Esperemos que não aconteça tal recorrencia ou, para utilizar os termos do senhor ministro das finanças, esperemos que esta técnica "não se repita outra vez" (da primeira vez que uma coisa se repete, a coisa aconteceu pela segunda vez, e se o fenómeno ocorre outra vez , então a coisa aconteceu três vezes).