quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Sobre o LIOS oriental (elétrico Terreiro do Paço-Oriente)
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Avarias em elevadores e escadas mecânicas no metropolitano de Lisboa
https://share.google/GM1t9Ea9jMwEUg82g
Muito bom
trabalho de Ana Suspiro e seu entrevistador. Permito-me contar a minha
experiencia. Talvez 2003 ou 2004 o metro resolveu deixar de investir na sua
própria equipa de manutenção de elevadores e escadas rolantes e adjudicar a manutenção
a empresas exteriores, seguindo o manta de que empresas privadas têm maior
eficiência e produtividade, e ao esmo tempo cortavam custos. Disse ao meu
colega da manutenção desses equipamentos (pessoalmente só tive experiencia de
manutenção no metro em equipamentos de telecomunicações, sinalização ferroviária
e controle de entradas) que não se metesse nisso porque o mercado em Portugal
não tinha dimensão para garantir uma assistência em permanência (prontidão) com
turnos e garantia de stocks de peças de reserva. Mas era uma decisão da
administração e do governo da altura pelo que foi para a frente. Curiosamente,
na primeira intervenção, no tapete rolante de Entrecampos, um jovem sem
experiencia, contratado pela empresa ganhadora provavelmente a recibos verdes,
esqueceu-se de um desperdício embebido
em óleo que, por atrito nos degraus quando se pôs o tapete a funcionar,
provocou um pequeno incêndio. De vez em quando, quando encontrava antigos
funcionários, lamentavam-se que só estavam à espera da reforma sem terem sido substituídos
e transmitido a sua prática aos novos que nunca entraram. Conhece-se o
resultado desta prática, baixam os
custos a curto prazo e sobem os de reposição das condições mais tarde ou
indemnizações por acidente.
Não se
trata de serem melhor ou piores empresas públicas ou privadas, trata-se de
analisar o que é preciso para garantir segurança, comodidade e rapidez, quanto
custa um quadro bem dimensionado e ver se o mercado tem condições para fornecer
o serviço (claro que dividindo em lotes, cada um correspondendo a uma ou duas
linhas poderá ser melhor que um contrato único). Se me vêm dizer que a
produtividade é superior numa privada, o diferencial de custos a favor da
privada terá de ser inferior ao lucro por ela esperado para o custo total ficar
abaixo do custo da pública. Mas a questão não é essa, é se o mercado nacional
dispõe de empresas que garantam as condições referidas acima. Porque se não tem
(confesso que não tenho neste momento elementos para concluir mas tenho
reservas que possam prestar a assistência nas condições que a equipa do metro
nos anos noventa prestava) .
Tive ainda
outra experiencia, para cumprimento da lei 163/2006 (atualizada com a 125/2017)
para a promoção da acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. As administrações
formaram uma equipa pluridisciplinar para elaborar e concretizar um plano de elevadores
e sanitários ,as nunca a dotou nem de orçamento nem de autoridade hierárquica.
E os anos foram passando com graves insuficiências refletidas também pelas
sucessivas avarias e degradação dos equipamentos por falta de meios do metropolitano.
Foram olimpicamente desprezadas as soluções que propus para Jardim Zoológico, Entrecampos, Campo Grande e especialmente Baixa Chiado, em que o projeto inicial de elevador de ligação à superficie através de um prédio da Rua Ivens foi rejeitado devido a alguma mania das grandezas do arquiteto projetista mas que apesar de tudo se justificava.
Sem deixar
de ter alguma esperança na ação da atual administração, as principais sugestões
minhas são:
i) a constituição dum quadro interno do metro com
orçamento e poder hierárquico interdisciplinar para projeto e manutenção de
elevadores e escadas rolantes com recurso a fundos comunitários ao abrigo do
cumprimento do DL 163/2006 do PNPA (não
ter aproveitado o PRR foi mais um exemplo da negligência no tratamento deste
tema);
ii) recurso a rampas (evidentemente com câmaras
de vigilânica não obstaculizadas por pruridos de privacidade) em vez de
elevadores de superfície (há um bom exemplo, com rampas em espiral, no centro
comercial de Campo Pequeno);
iii) preferencialmente elevadores de superfície
com acesso direto aos cais e respetivas máquinas de venda de títulos e canais
de acesso, 2 elevadores por estação em vez de 3 como em Roma e já em Martim
Moniz, com economia de investimento e manutenção.
Quem tiver
paciência, muita e tempo, pode ver nesta ligação o que tenho escrito sobre o
assunto:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=pnpa
sábado, 8 de agosto de 2026
Notícias sobre a nova estratégia de segurança rodoviária
No seguimento da publicação em junho de 2026 do relatório do European Transport Safety Council (ETSC) https://etsc.eu/wp-content/uploads/ETSC-2026-Annual-PIN-Report-DIGITAL-v3.pdf e do anúncio da aprovação pelo Governo da nova estratégia de segurança rodoviária que aguardava aprovação desde 2021 no seguimento da definição pela CE do objetivo de redução em 2030 para metade das mortes na estrada relativamente a 2019 e para zero mortes em 2050 (22800 mortes em 2019; objetivo para 2030 - 11400 ; mortes em 2025 - 19400 ) https://visaozero2030.pt/ foi publicada uma série de artigos sobre mortes na estrada com excelente informação e análise, mas limitadas propostas concretas e calendarizadas. Comento a seguir o tema.
www.publico.pt/2026/08/07/opiniao/editorial/mortes-estrada-caso-deveriamos-discutir-2184309
https://www.publico.pt/2026/08/07/infografia/cuidado-estrada-sei-fizeste-agostos-passados-907
Comentário:
Segundo a base de dados do EU CARE publicada em 2026 (annual statistical report) , a média na Europa de mortes na estrada por país e por milhão de habitantes foi em 2024 de 43 (51 em 2019). Em Portugal em 2024 foram 60 (total 642 mortes; população 10,7 milhões; em 2019 foram 67 mortes por milhão de habitantes ). https://transport.ec.europa.eu/background/road-safety-statistics-2025_en
O relatório
mostra que só os indicadores de Letonia, Hungria, Romenia e Bulgaria são
piores. A situação é semelhante na sinistralidade ferroviária (pior indicador
europeu de mortes na ferrovia por 1000 km de via, suicídios excluidos).
Talvez seja
um indício de um problema cultural, que poderá inviabilizar em Portugal o objetivo de metade das mortes na estrada em 2030, uma conceção egocêntrica de que liberdade é
fazer o que apetece, conduzir com desprezo pelos limites de velocidade e pelas
regras de condução (ou um caso de iliteracia se incapacidade de interpretação
do código da estrada). Será talvez o facilitismo que se instalou na condução, que o espaço livre visível dá garantia de possibilidade de travagem que evite qualquer embate, não dá, a velocidade e a proximidade do veículo precedente ou duma curva encoberta devem ser ajustadas para isso, especialmente em condições climatéricas de má visibilidade. Entretanto sucessivos governos, com a desculpa de não
quererem interferir no negócio rodoviário (ou de que a obrigatoriedade de capacetes nos duas rodas iria desmobilizar a prática da mobilidade suave e aumentar as doenças sedentárias como se não houvesse outras oportunidades para o exercício físico) e de que os investimentos de
segurança nas infraestruturas são elevados (ter-se-ão esquecido do PRR) , se demitem de resolver o problema.
E demitindo-se, tornam-se cúmplices do flagelo e tornam mais difícil atingir o objetivo.
De notar
que mais rigoroso do que o indicador número de mortes na estrada por milhão de
habitantes será o número de mortes por modo de transporte e por mil milhões de
passageiros-km (ver o statisticpocketbook da DG MOVE de 2012). Só que é difícil estabelecer o número
médio de km percorridos e o número de utilizadores de cada modo, mas é possível
tentar uma aproximação, por exemplo uma estimativa para 2023 em Portugal, destacando-se os elevados riscos
para motos, velocípedes, trotinetas e peões e a percentagem de vítimas mortais relativamente
ao total de VMs nos ocupantes de automóveis por terem maior quilometragem https://fcsseratostenes.blogspot.com/2024/05/o-momento-da-seguranca-rodoviaria.html:
Proponho as
seguintes medidas concretas na alteração do código da estrada (duvido que os decisores as considerem em tempo útil, mas
gostaria de estar enganado):
1 - lançamento de campanhas de sensibilização com divulgação
obrigatória em todos os canais em horário nobre (isto é, seria uma forma de imposto a compensar pelas receitas publicitárias), orientada para exibição de
comportamentos positivos (por exemplo paragem para deixar peões nas passadeiras, recusa de segundo passageiro em velocipede ou trotineta, abrandamento em auto-estrada à aproximação de portagens ou obstáculos), de preferência a mostrar as imagens dos acidentes, os quais "só acontecem aos outros".
2 - investigação sistemática dos acidentes mais mediáticos
ou de consequencias mais gravosas, não para apurar responsabilidades e castigo
dos culpados mas deteção das causas e circunstancias dos acidentes com
recomendações para evitar ou mitigar sua repetição e divulgação de
relatório no prazo de 1 mês (exemplos: não sabemos as circunstancias da morte
das duas jovens médicas em Formentera; nem se se confirmam as descrições dos
acidentes mortais com trotinetas em abril no Porto e em julho em Setubal; nem se
a existencia de rails de segurança poderia ter evitado as mortes de Claudia
Isabel em dezembro de 2022 e de uma
senhora na A1ao km 167 em janeiro de
2024; nem porque ainda não foram colocados rails de proteção que teriam evitado
a morte dos 6 jovens contra o pilar do viaduto de Sete Rios em dezembro de
2025; nem porque não foi analisada a hipótese de sobreviragem motivada pelo
controle eletrónico da tração de 4 rodas no acidente de Diogo Jota; porque não foi explicada a morte duma família alemã em Alvalade do Sado em abril de 2026 porque a lomba da estrada, que lá continua, ocultou a presença do seu carro ao causador do acidente que cometia uma ultrapassagem imprudente; porque não foi explicada a razão do despiste e morte do casal de septuagenários na avenida da Índia em julho de 2026 ... etc , etc.). A
recusa de realização de relatórios eficientes e sua divulgação é uma das causas
da continuação da intolerável elevada sinistralidade, é uma contribuição para a cumplicidade dos decisores nesta tragédia.
3 - generalização nas áreas urbanas de limitação a 30km/h com elaboração de estudos prévios para expansão das zonas de limitação de velocidade e de partilha e coexistência, e construção de vias segregadas para modos suaves e veículos autónomos a pedido. A velocidade não é um direito. A fiscalização do cumprimento dos limites de velocidade não deverá ficar limitada a sistemas de radares, mas implicará brigadas móveis com filmagem dos infratores
4 - generalização nas estradas e nas zonas urbanas para todo
e qualquer veículo da obrigatoriedade de manter uma distancia d para o veículo
precedente na mesma via igual à distancia percorrida em 2 segundos à mesma
velocidade ( d em metros = 2 em segundos x v em km/h a dividir por
3,6) e divulgação pública duma tabela com os valores para várias
velocidades. Deverá o código de estrada ser mais explícito nesta restrição em condições climatéricas de visibilidade reduzida
5 - proibição de ultrapassagem nas rotundas considerando
como ultrapassagem de um veículo A por um veículo B quando a velocidade angular
(relativamente ao centro da circunferencia inserida na rotunda ) do veículo B é
superior à do veículo A
6 - proibição de ultrapassagem de qualquer veículo de 4
rodas por um veículo de 2 rodas na mesma via (risco dos ângulos mortos no caso de ultrapassagem pela direita) e distancia mínima entre dois
veículos desses tipos de 1,5 m a ser garantida por cada um desses veículos
7 - reposição do artigo 82-5 do código da estrada de obrigatoriedade de uso de
capacete por utilizadores de veículos de 2 rodas com motor auxiliar e
velocidade máxima de 25km/h (7m/s) indevidamente eliminado por um secretário de Estado em dezembro de 2018 e intensificação da fiscalização não só dos automóveis mas também dos veículos da mobilidade suave https://fcsseratostenes.blogspot.com/2019/09/o-cavaleiro-andante-e-conferencia-wise.html https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/04/mortes-na-estrada-em-17-e-18abr2026.html
8 – proibição absoluta de ultrapassagem de veículo, parado ou não, numa passadeira de peões e obrigatoriedade de stop antes de arrancar, caso esse veículo esteja imobilizado, porque pode impedir a visibilidade de um peão a atravessar a passadeira
9 - o código da estrada, embora esteja correto quando fala no abrandamento à aproximação da passadeira de peões, deveria fixar uma velocidade máxima autorizada: 30 km/h; igualmente, quando condena as travagens bruscas, deveria voltar ao conceito antigo, quando atribuía as culpas a quem batesse por trás, porque a velocidade é excessiva sempre que não se consegue parar no espaço livre visível à frente do veículo.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Patrícia Judite, grande empresária
Patrícia Judite (PJ) é uma grande empresária cuja empresa lida com questões de grande interesse estratégico para a oikonomia ou gestão da casa de todos nós.
Patrícia , considerando os interesses estratégicos, preocupou-se em ter a cobertura de todo o território nacional, pelo que não surpreendeu o anúncio de uma grande filial no Porto, agregando um conjunto de funcionais edifícios num projeto de arquitetura que poderia figurar nas revistas internacionais. Poderia, porque o empreiteiro selecionado, a grande empresa Opviva, achou que os 114 milhões de euros não chegavam para a obra (a empresa de Patrícia não gastaria um cêntimo na obra, ficaria a pagar uma renda mensal de 643 mil euros durante 30 anos, qualquer coisa como 231,5 milhões a um juro de 5,43%; estava-se em agosto de 2009, a crise do subprime espalhava-se). Patrícia remexeu-se na sua cadeira de chairwoman até achar a solução. Havia anos que a sede de Lisboa não estava à altura do prestígio da empresa. E foi dito e feito. Para, disse ela, cumprir o código da contratação pública, fez uma consulta direta e confidencial a 5 empresas de que resultou a seleção da mesma Opviva para construir a dita sede lisboeta encostada a uma pequena colina, desistindo-se da obra do Porto. Coisa para 90 milhões de euros, mais um projeto de referência.
Porém, o entusiasmo com que o processo foi conduzido trouxe problemas. Do projeto fazia parte a construção de caves para estacionamento, equipamentos e armazens e respetivos acessos, encostados à pequena colina. E no cimo da pequena colina havia um prédio no topo de uma banda de edificios, que rapidamente abriu fendas e entrou em colapso eminente com o desalojamento de 30 moradores. A comprovada irreflexão da condução da obra levou ao estabelecimento de indemnizações aos prejudicados, mas passados mais de 10 anos o processo de indemnização ainda não está concluido. Durante esse tempo a Opviva oportunamente faliu e houve ainda um episódio significativo. Um dos diretores principais da empresa de Patrícia declarou publicamente que "É hoje claro que o crime organizado infiltrou o aparelho de Estado". E demitiu-se.
O universo das questiunculas da empresa de Patricia continua em expansão, normalmente ao sabor dos relacionamentos com empresas de construção civil. Curiosamente, o esquema repete-se, não só na empresa de Patrícia como em empresas congéneres. A pobre reguladora que supervisiona a atividade vê-se em palpos de aranha com a venda de edifícios antigos das empresas que entretanto ou alugam como inquilinas os mesmos edifícios ou compram terrenos que ficam à espera que algum grupo internacional faça uma bela obra para lhes ficarem a pagar uma renda. É o admirável mundo de Patrícia e da sua empresa cuja credibilidade se vai diluindo, apesar de alguns sucessos da sua produção.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Comentário a um artigo do professor António Cortez
Como comentário ao artigo em que o professor Cortez considera como incompetentes os professores que elaboraram exames de Português https://www.publico.pt/2026/08/05/opiniao/opiniao/verdade-factos-ninguem-quer-debater-educacao-pobres-espirito-2183983 estabeleci uma analogia com os técnicos que trabalham na ferrovia e no seu planeamento.
Caro prof.Cortez, julgo compreender a sua indignação.
Permito-me fazer uma analogia, eu como técnico de transportes (reformado)
comparando o seu ministro da Educação com o meu ministro dos Transportes. Ambos
sistematica e continuamente detentores da razão, para quem quaisquer críticas,
de técnicos ou de professores, são olimpicamente ignoradas. Fala o prof.Cortez
em "prova cabal de incompetência científica por parte de quem concebe os
exames". Não serei tão drástico embora sinta a tentação forte de estender
a classificação aos nossos ministros. Não será incompetência nem ignorância,
antes constrangimento inelutável que impede que os conhecimentos profissionais
se sobreponham às decisões oportunisticamente políticas. Técnicos, professores e
ministros sabem que estão a errar, mas a orientação superior, padecendo de mais
ou menos ideologia e de provinciano (no sentido dado por Sophia)
reformismo, vai guiando progressivamente as médias do Português para cada vez
mais baixo, vai guiando progressivamente a ferrovia dita de Alta Velocidade, as
mercadorias sem ligação regulamentar à Europa das exportações, as redes de
metro decididas em gabinetes ministeriais ou de autarquias sem experiência de
exploração de redes (pobre linha circular, nem sequer pode ser em laço), tudo
conduzindo a deficientes ordenamentos de territórios. O seu ministro, que na
comissão técnica do NAL apresentou um tosco traçado de acesso ao
aeroporto, só quis reduzir o número de organismos sem atender à sua eficiência.
O meu ministro não quer ouvir falar na revogação das resoluções que aprovam o
PFN e entregam de mão beijada e acrítica à IP e seus consultores a definição de
traçados de alta velocidade, por mais erradas que sejam a localização da TTT e
da estação principal de Lisboa; não quer a solução de um concurso internacional para seleção de consultor de referência. Técnicos, professores e consultores de
ministros estudaram nas universidades regras da educação e normas técnicas das
infraestruturas. Não as cumprem, sabem-no, não são incompetentes, são forçados
a cometer erros.Os senhores ministros "rebaixam-nos à condição de animais
mecânicos", têm fé que os seus consultores de comunicação esses sim, são
competentes. Eu diria que deveriam ter mais cuidado com essa ideia, uma coisa é
o que dizem, outra coisa é a realidade.A nós atormentam-nos para onde
tendem, com a convergência da sabedoria iluminada dos nossos ministros, as
imagens da Ofélia educação e da Ofélia ferrovia flutuando, vítimas da
manipulação, nas águas da degradação e ineficiência.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Manfestação em 29 de julho de 2026 contra a linha circular do metro
Pequeno relato da manifestação:
Notícia sobre a recusa da linha em laço pelo governo:
Convirá insistir que o que se pretende é a operação em todo o horário como linha em laço, sem misturas com uma operação da linha circular que obrigaria a cruzamentos de nível de comboios. O fornecedor da sinalização poderá fazer sem atrasos, dado que a mudança é só de software, um preço mais baixo que os dez milhões de euros de que fala o governo. Em termos de mobilidade da área metropolitana a linha circular é um erro e uma ilegalidade que ignora o PROTAML de 2002 que previa o prolongamento de Rato para Alcântara Mar com correspondência com a linha de Cascais em viaduto dispensando o erro da ligação desta à linha da cintura já saturada. Poupar agora implicará maior despesa no futuro para corrigir o erro, nomeadamente por causa da menor fiabilidade de uma linha circular relativamente a duas independentes. As validações no metro em Odivelas-Campo Grande já eram superiores às de Cais do Sodré. E se agora o governo diz que “estudos” mostram que a linha circular gerará menos transbordos, viagens mais rápidas (o problema aqui está na falta de comboios e de maquinistas, não chegando os encomendados para um intervalo de 3 minutos em toda a rede) e menos constrangimentos nas expansões (é precisamente o contrário, a ida ao Cais do Sodré complica as expansões futuras) que tenha a coragem de publicar esses “estudos” para serem discutidos, coisa que também não fez para “justificar” o erro da localização da futura estação de metro de Alcântara, preferindo o medieval magister dixit quando em experiência de metros, lamento dizê-lo, nada tem de magister.
Dadas as caraterísticas dos decisores, não se espera que seja aceite a proposta de adoção exclusiva da linha em laço. Será acenada uma improvável extensão da linha de Odivelas de Campo Grande a Benfica ou até ao Hospital Fernando da Fonseca e Algés ou Jamor, constituindo um troço da linha circular externa prevista no PROTAML 2002. Mas serão apenas promessas não cumpridas.
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/06/o-problema-da-exploracao-da-linha.html
Contributos anteriores relacionados:
ordenamento área metropolitana Lisboahttps://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQC1Wq77cvVVQKkRQT0-fhr7AWfMeZGu1r2JeFYhi0x3N5k?e=Vj2yXb
orientações para novas linhas de metrohttps://1drv.ms/b/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQD0vUiL9rfhQqtyuKgGx6WOAYun_ashLjT-GCodIIaPl6k?e=6QQRIz
TTT e ligações AV a NALhttps://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQDkWT31QPArQrp0hT33bIPhAcO0pBChd2a4L9EVh3IE_JI?e=jEJE9Z
domingo, 2 de agosto de 2026
Mais um comentário sobre o novo aeroporto num momento crítico para o futuro da ferrovia em Portugal
Algo inesperadamente, mas como consequencia das novas funções de Mario Centeno como comentador na CNN, o Publico divulgou a sua opinião crítica sobre a eventual falha do novo aeroporto relativamente ao país dadas eventuais restrições associadas à ligação a Lisboa.
https://www.publico.pt/2026/08/01/opiniao/opiniao/aeroporto-serve-lisboa-falhar-pais-2183667
Excelente artigo algo inesperado para quem não conheça escritos anteriores de Mario Centeno sobre transportes. Identifica corretamente os riscos mas fá-lo de uma forma genérica sem propor medidas concretas. Sugeriria nesse sentido:
1 – debate público sobre o que o regulamento comunitário 2024/1679 diz nos seus artigos 40 a 42 sobre planos de mobilidade de áreas metropolitanas (coloquialmente poderemos dizer que mesmo sem aeroporto tem de se investir muito dinheiro na TTT e na 4ª travessia ferroviárias para termos uma área metropolitana coesa e em “harmonia territorial” na perspetiva da anterior NUT II) e se cumprirmos o regulamento poderemos obter algum financiamento também para os acessos ao aeroporto;
2 – revogação enquanto é tempo (se ainda é tempo) das resoluções 98/2024 da AR e 77/2025 RCM que aprovam o PFN atribuindo à IP o planeamento das redes AV e serviço do aeroporto à IP , e por essa via, aos seus consultores, sendo por demais conhecidas as ineficiências da sua política ferroviária (não por culpa de quem lá trabalha mas pelos constrangimentos impostos pelas superiores e indiscutíveis decisões).
Numa altura em que uma interpretação tendenciosamente errada do regulamento 1679 levou os ministérios dos transportes de Espanha e Portugal a enviar uma análise de custos benefícios negativa sobre a "migração" para bitola europeia da totalidade da rede em bitola ibérica (coisa que o regulamento não pediu) e sendo crítico o diferimento da construção das novas linhas em bitola europeia do corredor atlântico (essas sim requeridas pelo regulamento 1679) para o crescimento das exportações de bens para a Europa além Pirineus e para a transferencia da para a ferrovia da carga rodoviária e dos passageiros das ligações aéreas conforme o Green Deal, estaremos a perder uma oportunidade de mudança benéfica. https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/07/a-estranha-recusa-do-ministerio-de.html
As propostas 1 e 2 resultam do absoluto fecho do governo e da IP à discussão e alteração das suas orientações e o ideal seria concretizarem-se, já que os críticos não são ouvidos, através de um concurso público internacional para seleção de um consultor credenciado para o estudo da inserção do aeroporto ao serviço do país e da área metropolitana (ex NUT II) conforme a regulamentação comunitária.
Gostaria ainda de discordar da sua afirmação de que a abordagem radial não é possível e sobre o efeito barreira do rio. Quando existem soluções de engenharia (TTT em túnel, parcial ou totalmente, a norte da PVG, mudança da localização da estação principal de AV , corredor da A13 veja-se o aeroporto de Macau, o Schipol. Kansai) naturalmente com custos elevados mas com retorno de benefícios da “harmonia territorial”.
Quanto à opacidade financeira, é de facto um problema, como aliás as cartas ao director têm mostrado através dos diálogos entre Dona Inércia e Dona Opaca.
Com os melhores cumprimentos.
Este momento é crítico. A oposição sistemática à mudança pelo governo, IP e consultores, com a manutenção do PFN e das decisões sobre a TTT e traçados das linhas de AV condicionarão negativamente o futuro da ferrovia em Portugal, nomeadamente continuando a dificultar as exportações pelo corredor atlântico norte e sul. e duvidando-se que sequer o calendário aprovado pela DG MOVE para a ligação AV Lisboa-Madrid em 2034 com bitola europeia e ERTMS possa vir a ser cumprido.
crítica da política ferroviáriahttps://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQD6ooI7p63ITIeJ_Q--KVDIAWM_pe-J1MJHhuKJyLCyOtk?e=OMOqfg
ordenamento área metropolitana Lisboahttps://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQC1Wq77cvVVQKkRQT0-fhr7AWfMeZGu1r2JeFYhi0x3N5k?e=Vj2yXb
orientações para novas linhas de metrohttps://1drv.ms/b/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQD0vUiL9rfhQqtyuKgGx6WOAYun_ashLjT-GCodIIaPl6k?e=6QQRIz
TTT e ligações AV a NALhttps://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQDkWT31QPArQrp0hT33bIPhAcO0pBChd2a4L9EVh3IE_JI?e=jEJE9Z
terça-feira, 28 de julho de 2026
A estranha recusa do Ministerio de Transportes espanhol de "migração" de toda a rede de bitola ibérica para europeia
A IP e a comunicação social
criaram a convicção que o regulamento 2024/1679 no artigo 17.2 determinava a
realização até 19jul2026 de uma avaliação e ACB justificando eventualmente a
não construção de novas linhas em bitola europeia.
Recentemente a imprensa espanhola e a seguir a portuguesa divulgaram o envio pelo Ministerio de Transportes espanhol à Comissão Europeia/DG MOVE de um relatório recusando a "migração" da rede de bitola ibérica existente para bitola europeia. Dir-se-ia que o relatório terá tido importante colaboração da IP e seus consultores dada a similitude de argumentos e o conservdorismo assumido de manutenção a todo o preço da bitola ibérica.
Posso estar errado, mas a minha
interpretação do texto do regulamento é diferente. Não existia em julho de 2024
nenhum planeamento de linha de ligação transfronteiriça de acordo com o Anexo I
que não estivesse já planeada (ver os mapas abaixo com indicação dos respetivos
calendários core, extended core e comprehensive), logo não havia que realizar
nenhuma ACB naquele sentido (nem na avaliação da migração para europeia de toda
a rede ibérica pré existente). O que o artigo 17.3 determinava era essa ACB para
o caso de em julho de 2024 existirem linhas de bitola ibérica coincidentes com
corredores internacionais (caso do troço ÉvoraN-Caia).
Excerto do reg.1679, art.17.2,
versão inglesa e versão portuguesa:
2. By way of derogation from
paragraph 1 of this Article, the Member States on the territory of which,
on 18 July 2024, no new railway line is planned to be connected to the
land border of another Member State according to Annex I, shall draw up a
plan identifying the new railway line to be built in accordance with the
European standard nominal track gauge of 1 435 mm … The plan shall
include a socio-economic cost-benefit analysis justifying the decision of the
Member State, where relevant, not to build new railway infrastructure to
the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and an
assessment of the impact on interoperability. That plan shall be submitted to
the Commission by 19 July 2026.
2. Em derrogação
do n.o 1 do presente artigo, os Estados-Membros em cujo território não
exista, em 18 de julho de 2024, nenhum plano de construção de
uma nova linha ferroviária de ligação à fronteira terrestre de outro
Estado-Membro, de acordo com o anexo I, elaboram um plano que indique a
nova linha ferroviária a construir, em conformidade com a bitola nominal da
norma europeia de 1435 mm ... O plano deve incluir uma análise dos custos
e benefícios socioeconómicos que justifique a decisão do Estado-Membro no
sentido de, se for caso disso, não construir novas infraestruturas ferroviárias
em conformidade com a bitola nominal da norma europeia
de 1 435 mm e uma avaliação do impacto na interoperabilidade.
Esse plano é apresentado à Comissão até 19 de julho de 2026
Ora, como pode ver-se nos mapas
do Anexo I, em julho de 2024 já estavam planeadas para ligações
transfronteiriças Lisboa-Madrid, Lisboa-Porto e Aveiro-Viseu (core -2030); Viseu-Salamanca e Porto-Vigo
(extended core - 2040); e Faro-Huelva (comprehensive - 2050) . Trata-se portanto
de um plano determinado bem definido, não sujeito a ACB negativas.
O que o art.17.5 diz é que a
pedido do Estado membro e em coordenação com o vizinho pode ser concedida uma
isenção temporária de cumprimento da bitola europeia, mas sempre temporária,
não definitiva (em notícia informal, anunciou-se a intenção da IP de pedir
uma isenção temporária até 2040, o que obrigará a uma duplicação de custos, no
início em bitola ibérica, em 2040 mudqança para bitola europeia com as perturbações
de tráfego decorrentes, mais grave se troços em via única). [1]
É interessante ver o desvio de
tradução: em vez de, relativamente a julho de 2024, "no new railway
line is planned to be connected to the land border" a versão portuguesa
diz "nenhum plano de construção de uma nova linha ferroviária de
ligação à fronteira terrestre". De facto, em julho de 2024 não havia
contratos para construção e respetivos planos de construção (à exceção de
ÉvoraN-Caia que se insere no art.17.3). Trata-se portanto de um erro de
tradução ou um ardil para apresentar uma ACB previamente orientada no sentido
negativo (até porque omitindo os custos energéticos da reduzida quota modal
ferroviária comparativamente com a rodoviária, ao arrepio do Green Deal) quando
o regulamento 1679 não requer qualquer avaliação e ACB para as ligações
transfronteiriças elencadas no Anexo I, mas apenas para os troços em bitola
ibérica coincidentes com corredores internacionais conforme o art. 17.3.
No caso da versão inglesa,
original, art.17.2:
“… the Member States on the territory of which,
on 18 July 2024, no new railway line is planned to be connected to the
land border of another Member State according to Annex I, shall draw up a
plan identifying the new railway line to be built in accordance with the
European standard nominal track gauge of 1 435 mm.”
parece -me correta a seguinte
interpretação:
“... os Estados membros em cujo
território em 18jul2024 não exista nenhuma linha prevista para ligação
transfronteiriça diferente das previstas já no Anexo I (datas previstas: core
20230, extended core 2040 e comprehensive 2050) elaborarão um plano identificando
essa nova linha para ser construida com bitola 1435 mm.” (o que seria aplicável
à proposta nova linha Porto-Trás os Montes - Zamora, por exemplo).
Não foi essa a interpretação do
tradutor para português, o qual abusivamente introduziu o termo “nenhum plano
de construção” o que é diferente de linhas planeadas com indicação de datas
objetivo no Anexo I.
Por curiosidade, vejam-se as
traduções em francês, espanhol e italiano do art. 17.2:
·
Francês:
les États membres sur le territoire desquels, le
18 juillet 2024, il n’est pas prévu de relier de nouvelle ligne
ferroviaire à la frontière terrestre d’un autre État membre conformément à
l’annexe I, établissent un plan définissant la nouvelle ligne ferroviaire
à construire conformément à l’écartement nominal standard européen de
1 435 mm.
·
Espanhol:
aquellos Estados miembros en cuyo territorio no esté prevista
a 18 de julio de 2024 la conexión de ninguna nueva línea
ferroviaria con la frontera terrestre de otro Estado miembro de conformidad con
el anexo I desarrollarán un plan en el que se determine la nueva línea
ferroviaria que se debe construir de conformidad con el ancho de vía nominal
estándar europeo de 1 435 mm
·
Italiano:
gli
Stati membri sul cui territorio, il 18 luglio 2024, non è prevista la
connessione di una nuova linea ferroviaria alla frontiera terrestre di un altro
Stato membro conformemente all'allegato I, elaborano un piano che
individua la nuova linea ferroviaria da costruire con scartamento nominale
secondo la norma europea di 1 435 mm.
Salvo melhor opinião, caso a
avaliação enviada pelo governo português à Comissão Europeia/DG MOVE se baseou
nos critérios do Ministerio de Transportes espanhol para uma “migração”
ibérica-europeia, a ACB realizada deve ser revista e reduzida, no caso
português, ao troço ÉvoraN-Caia[2],
deixando em paz a rede ibérica existente que deverá permanecer independente da
rede de bitola UIC (exceto interligações locais com terceiro carril). A prioridade deve ser a execução das redes TEN-T do regulamento 2024/1679 .
[1] Transcrição do
artigo 17 do regulamento 2024/1679:
European standard nominal track gauge for rail
1. Member States shall ensure that any new railway line
of the core network and the extended core network, including connections
referred to in Article 14(1), point (d), provides for the European
standard nominal track gauge of 1 435 mm. That requirement is considered
to be met when 1 435 mm track gauge trains can circulate on the
infrastructure by 31 December 2030 for the core network and by 31
December 2040 for the extended core network. For the purposes of this Article,
new railway line means any line for which construction works have not started
by 18 July 2024.
2. By way of derogation from paragraph 1 of this
Article, the Member States on the territory of which, on 18 July
2024, no new railway line is planned to be connected to the land border of
another Member State according to Annex I, shall draw up a plan
identifying the new railway line to be built in accordance with the European
standard nominal track gauge of 1 435 mm. That plan shall take account
of the impact on interoperability with the neighbouring Member State or Member
States, by taking account of, notably, the possible migration of existing
railway lines to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm
in accordance with paragraph 3 of this Article. The plan shall include a
socio-economic cost-benefit analysis justifying the decision of the
Member State, where relevant, not to build new railway infrastructure to
the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and an
assessment of the impact on interoperability. That plan shall be submitted to
the Commission by 19 July 2026.
3. Member States with an existing rail network, or a
part thereof, with a track gauge different from that of the European standard
nominal track gauge of 1 435 mm shall carry out an assessment, by
19 July 2026, identifying the existing railway lines located on the
European Transport Corridors in view of their possible migration to the
European standard nominal track gauge of 1 435 mm. The assessment
shall be coordinated with the neighbouring Member State or Member States
in the case of cross-border sections. The assessment shall include a
socio-economic cost-benefit analysis on the viability of the possible migration
to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and an
assessment of the impact on interoperability.
Based on the assessment under the first subparagraph, Member States
shall draw up a plan for migration to the European standard nominal track gauge
of 1 435 mm where relevant, at the latest one year following the
completion of the assessment, identifying the existing railway lines located on
the European Transport Corridors to be migrated to the European standard
nominal track gauge of 1 435 mm and provide for an indication of
the timeline of that migration.
First and second subparagraphs shall apply mutatis mutandis to
the railway lines for which construction works have started on 18 July
2024.
4. The priorities for infrastructure and investment
planning resulting from the plans referred to in paragraphs 2 and 3 of
this Article shall be included in the first work plan of the European
Coordinator for a European Transport Corridor of which the freight railway
lines with a track gauge different from that of the European standard nominal
track gauge is part, in accordance with Article 54.
5. At the request of a Member State, in duly justified
cases, the Commission shall adopt implementing acts granting a temporary
exemption from the requirements referred to in paragraph 1 for new railway
lines of the core network and extended core network, or for part thereof, on
the ground of negative results of socio-economic cost-benefit analysis. Any request for
exemption shall be based on sufficient justification. The requests for
exemption shall be coordinated with the neighbouring Member State or Member
States in the case of cross-border sections. The neighbouring Member States may
provide an opinion to the Member State requesting the exemption. The Member
State shall attach the opinions of the neighbouring Member States to its
request. A Member State may request the granting of several exemptions in a
single request.
The Commission shall assess the request in the light of the
justification provided as well as in terms of its significant impact on
interoperability and continuity of the railway network, where relevant. The
Commission shall take duly into account the opinions of the neighbouring Member
States concerned.
The Commission may ask for additional information from the Member State
no later than 30 calendar days following the receipt of request pursuant
to the first subparagraph. If the Commission considers that the information
provided is insufficient, it may ask the Member State to supplement that
additional information within 30 calendar days from the receipt of that
additional information.
The Commission shall take a decision on the requested exemption no later
than six months following the receipt of the request pursuant to the first
subparagraph or, in the event that further information has been provided by the
Member States concerned pursuant to the third subparagraph, no later than four
months following the latest receipt of such information, whichever is later.
The decision shall indicate the period for which the exemption is granted.
The Commission shall inform other Member States of the exemptions
granted pursuant to this Article.
No caso de Évora N-Caia deverá ter-se em consideração
que os custos de compatibilização com os requisitos do regulamento não são
apenas o da “migração” da bitola ibérica para bitola europeia, mas também os
custos da duplicação da via , que nos viadutos incluem a construção dos
tabuleiros para a segunda via
Também deverá considerar-se a hipótese de pagamento
dos direitos de projeto do consórcio Elos, evitando-se o pagamento da
indemnização transitada em julgado, em traçado de AV em bitola europeia de raiz
diferente do traçado atual convencional e compatível com circulação noturna de
mercadorias.
Eventualmente,
dependente da localização das plataformas logísticas rodo-ferroviárias, poderão
ser abrangidos pela avaliação e ACB do art.17.3 os troços coincidentes com o
corredor atlântico sul e norte (estimativa 600km/6.000 milhões €):
-
Poceirão-Bombel em fase de duplicação da linha convencional em bitola ibérica
- Setúbal-Poceirão-Évora
N
-Leixões-Porto
-Entroncamento-Torre
das Vargens-Caia
-Entroncamento-Guarda-Vilar
Formoso
|
Argumento do Ministerio Transportes espanhol para
recusar a migração de toda a rede convencional de bitola ibérica para
europeia |
Contra argumentação (não em defesa da migração global) |
|
Transformação socioeconomicamente inviável e não
aconselhável |
Nem o regulamento 2024/1679 nem ninguém, nem em Espanha
nem em Portugal alguma vez propôs a prazo curto ou médio a migração para
bitola europeia de toda a rede de bitola ibérica. Trata-se portanto de um
estratagema de mudança de objetivos para contrariar objetivos distintos como
investir no corredor atlântico |
|
Adaptação de 13.000km custaria até 30.000 milhões de
euros |
A rede ibérica da ADIF
e ADIF AV totaliza 11.053 km. Estimo que apenas 3.000 km (9.000
milhões de euros?) coincidem com corredores internacionais (condição em que o
art 17.3 do regulamento 1679 obriga a
uma avaliação para migração de ibérica para europeia) e grande parte
obrigaria em vez de migração à construção de novos troços com pendentes
inferiores a 1,2% e raios de curva inferiores a 5.000 m (o regulamento manda
dar prioridade à integração das mercadorias nos corredores internacionais),
isto é, o regulamento obriga muitas vezes a linhas novas e não à migração,
são investimentos distintos |
|
Período de obras de 30 anos |
Estimativa excessiva considerando a menor extensão 3.000
km e parte de construção nova ou duplicação |
|
Prejuízo pela perturbação de serviço da migração para bitola europeia |
Estimativa exagerada até porque a construção das linhas
novas não perturbam o tráfego das pré-existentes |
|
ACB negativa com TIR negativa |
Estranha-se o
resultado, o que leva a considerar a hipótese de que a ACB não satifaz os
requisitos regulamentares. Por exemplo, é provável que tenham sido omitidas
poupanças nos custos energéticos, de emissões de CO2 e de
congestionamento rodoviário.
Igualmente não terá previsto o crescimento do tráfego ferroviário em
detrimento do rodoviário e o crescimento das exportações. Uma ACB para um
investimento de 12.000 milhões de euros em Portugal para a construção dos
cerca de 1000 km da parte nacional da rede TEN_T com cofinanciamento comunitário de 40%, um
crescimento de 3% ao ano e transferência de 30% de carga rodoviária para a ferrovia, conduziu
a uma TIR de 2,23% e uma relação benefícios/custos de 1,11. Como
contraste, a IP validou um relatório em 2014 que concluia por uma economia de
6% num transporte de carga Leixões-Paris se adotada a bitola europeia (12% para
cruzamentos de comboios com 750m, 3% para ERTMS e 2% para 25kVAC) . E o instituto Fraunhofer realizou em 2015 o estudo “Cost of non completion of the
TEN-T”. Aguardemos a
análise do relatório pela DG MOVE (escrito em 30jul2026) |
|
No corredor mediterrânico o custo de mudança de bitola ou
de instalação de 3º carril é mais baixo (1800 Meuros) do que no corredor
atlântico e evitará o custo de transbordo na fronteira Figueres-Perpignan do
troço Tarragona-França (tunel de el Pertus) já com bitola europeia |
Estranha-se o
argumento, uma vez que o tráfego ferroviário no tunel de el Pertus é superior
ao de Irun por o corredor atlantico ainda não dispor de percurso em bitola
europeia (sofre inclusive de limitações de capacidade no percurso
Hendaye-Dax-Bordeus por obstrução do
governo francês ao cumprimento do regulamento 1679). Isto é, como habitualmente,
a ausencia de um investimento implica ausencia de retorno. De salientar a
dinamismo das associações empresariais do corredor mediterrânico ( ver o site https://elcorredormediterraneo.com/)
em contraste com a região da Estremadura, aliás a região de
menor PIB de Espanha, até agora incapaz de entender a importancia duma
ligação ferroviária interoperável à Europa para estímulo das exportações e
fixação de investimento estrangeiro. Segundo aquele site, o investimento no
corredor tem um retorno de 3,5 vezes. |
|
Apesar de já existir um troço de 50km de 3º carril (bitola
mista) em Pajares, Asturias, o relatório propõe a suspensão de instalações de
3º carril no corredor atlântico |
Só pode
estranhar-se a discriminação entre o corredor mediterrânico e o atlântico,
com a agravante de neste último, ao adiar-se a aproximação da bitola euopeia
dos portos portugueses está colocar-se
um travão ao crescimento das exportações por ferrovia para a Europa. Isto
beneficia o setor da camionagem e do fabrico de intercambiadores e eixos variáveis
(notar que não existem locomotivas para mercadorias de eixos variáveis e que
o consumo específico de energia no veículo em Wh/ton-km para o comboio, em linha conforme os
requisitos regulamentares, é da ordem de 30 contra 120 do camião elétrico e 230 do camião de combustível fóssil). Atualmente
(2025) Portugal exporta por modos terrestres para a Europa além Pirineus (1%!!!
por ferrovia) 5,7 milhões de toneladas (para Espanha 11,1 milhões de
toneladas) no valor de 28 mil milhões de euros (para Espanha 17mil milhões de
euros) ou 800 camiões diários em Irun e 200 em La Jonquera. O tráfego
espanhol em Irun e fronteira oriental foi estimado no relatório para cálculo
dos 20 milhões de subsídios para o custo do transbordo e mudança de eixos no
intercambiador de Irun em 30 comboios diários . Estimados 10.000 camiões diários
em Irun e 11.000 em La Jonquera. Trata-se de estimativas que revelam um
problema de sustentabilidade energética que na ACB do relatório deveria ter
proposto uma transferencia de pelo menos 30% do tráfego rodoviário, incluindo
o desenvolvimento de autopistas ferroviárias (transporte de semirreboques por
comboio) |
|
A instalação do 3º carril é complexa devido à necessidade
de aparelhos de mudança de via |
Estranha-se a utilização deste argumento técnico quando a instalação de aparelhos de mudança de via desviada para o lado oposto ao da fixação do 3º carril tem praticamente a complexidade dos aparelhos normais. Igualmente nos casos em que é suficiente uma velocidade baixa é económico o recurso ao sistema SINAV (suporte do 3º carril em “sapatas” intermédias entre as travessas normais) |
|
O relatório propõe os eixos variáveis |
Compreende-se
o interesse de desenvolvimento do sistema de eixos variáveis em que a ADIF já
tem investido. Recentemente foi adjudicada a transformação de 16 comboios
S106 Talgo para eixos variáveis. Deverá porém recordar-se que não existem
locomotivas de eixos variáveis e que apesar da propaganda, tem havido
problemas na AV com os comboios Talgo que não podem imputar-se apenas à
infraestrutura. Como qualquer equipamento, o aumento da complexidade do
sistema de eixos variáveis relativamente aos rodados fixos contribui para
maior exigencia da manutenção e risco de menor fiabilidade. No caso dos
comboios Talgo é uma discussão técnica, a complexidade das suspensões e das
alavancas de controle das rodas independentes Talgo contra a simplicidade da
conicidade da superfície de rolamento para centrar as rodas nos carris |
|
O relatório propõe um subsídio de 20 milhões de euros
anuais para o custo do transbordo ou mudança de eixos nas fronteiras |
Ver comentário
à suspensão da instalação do 3º carril no corredor atlântico contrariamente
ao corredor mediterrânico criticando-se o protecionismo para desenvolvimento
dos eixos variáveis em vez de desbloquear a ligação sem transbordos ou
intercambiadores através da instalação de bitola europeia que permita as
ligações entre os portos portugueses e espanhois e a Alemanha através do
corredor atlântico potenciando o crescimento das exportações, a atração de
investimento estrangeiro e a transferencia para a ferrovia de passageiros de
ligações aéreas e de carga rodoviária |
|
Argumentos da
IP |
Contra argumentação |
|
É necessária
uma avaliação da migração de toda a rede ferroviária nacional para a bitola
europeia incluindo análise de custos benefícios |
Não. A regulamentação europeia não impõe a migração de
toda a rede, apenas dos troços em bitola ibérica coincidentes com os
corredores internacionais |
|
Portugal
justifica a opção ibérica no corredor internacional no caso da AV Porto-Lisboa
com a duplicação da capacidade da
atual linha do Norte e servir cidades não previstas na rede TEN-T |
Se o troço transfronteiriço a construir não estava planeado em julho de 2024 no Anexo I do regulamento 1679 este determina uma ACB para avaliação da viabilidade de construção em bitola europeia ou em ibérica (art.17.2); se o troço coincide com o corredor internacional (caso ÉvoraN-Caia e Poceirão-Bombel) a avaliação é apenas para fundamentar a bitola europeia (art.17.3). A regulamentação europeia não prevê a utilização das novas linhas TEN-T para duplicação de linhas de bitola diferente da nominal nem todo o serviço regional. Não parece assim justificada a bitola ibérica. |
|
As opções
técnicas da linha de AV Porto -Lisboa foram definidas antes do regulamento
entrar em vigor. |
Não. O
regulamento 1679 que entrou em vigor em julho de 2024 substituiu o
regulamento 1315 que já determinava que as linhas novas do mapa das redes
TEN-T como Porto-Lisboa seriam em bitola europeia. Existe documentação da
anterior comissária dos Transportes que clarifica que, qualquer que seja a
bitola inicial, em 2030 ela deve ser europeia integrando a rede “core”.
Investir de raiz em bitola ibérica significa custos adicionais de conversão |
|
Portugal
pretende pedir uma isenção para derrogação da bitola europeia até 2040 |
O art.17.5 do
regulamento 1679 admite isenções mas sempre temporárias e em coordenação com o Estado membro
vizinho. Embora a linha AV Plasencia-Badajoz esteja em ibérica, a nova ligação
Navalmoral de la Mata/Oropesa a Madrid está prevista em bitola europeia. Isto
obriga, se não se mudar a bitola ibérica, a material circulante de eixos
variáveis de fabricante único com o inconveniente de afetar o livre acesso de
operadores. Entretanto, a implementing decision de outubro de 2025 fixou 2034
como limite para a compatibilidadde da linha AV Lisboa-Madrid com todos os
requisitos regulamentares. Também Porto-Vigo, enquanto troço transfronteiriço
da rede “extended core” tem a data regulamentar de 2040. É portanto possível
que a IP tenha convencido a DG MOVE à isenção 2034 para Lisboa-Madrid e 2040
para Porto-Vigo, assunto a confirmar |
|
O Ministério
dos Transportes português considera que são vários os fatores de
interoperabilidade |
Sendo verdade
a diversidade de fatores de interoperabilidade , comprimento mínimo de
comboios 740m, declive máximo 1,2%, velocidade 200km/h em AV e 120 km/h
mercadorias, ERTMS/FRMCS, 25 kVAC, bitola 1435 mm, dizer que os outros
fatores além da bitola são “frequentemente mais determinantes para a
concretização do objetivo de interoperabilidade” é uma forma tendenciosa de
desvalorização do argumento da bitola por mais um recurso ao estratagema de
Scopenhauer de mudança de tema, especialmente quando, como refrido acima, a
própria IP validou um relatório em 2014 que concluia por uma economia de 6%
num transporte de carga Leixões-Paris se adotada a bitola europia (12% para
cruzamentos de comboios com 750m, 3% para ERTMS e 2% para 25kVAC) . Recorda-se
ainda o estudo do instituto Fraunhofer de 2015 “Cost of non completion of the
TEN-T”. |