terça-feira, 3 de setembro de 2019

Tração por hidrogénio

Amável correspondente enviou-me umas ligações para o Euroactiv, que comento, principalmente pela referencia à tração por hidrogénio em automotoras:

https://www.euractiv.com/section/transport/news/tesla-talk-railway-revolution-gas-tourism/

https://techxplore.com/news/2019-08-france-climbs-aboard-hydrogen-revolution.html

  • em 2013, num congresso da ADFERSIT, propus a intensificação do uso do hidrogénio. O problema por resolver é a sua produção a partir das renováveis, isto é, o excesso de energia produzida pelas renováveis seria canalizado para postos de combustivel descentralizados onde se obteria o hidrogénio por eletrólise. Claro que o rendimento é mau, 1 kg de H2 precisa de 50 kWh e depois só contem aproximadamente 10 kWh, o mesmo que 1 l de gasolina, mas dá-se o caso de não querermos combustíveis fósseis e da tração por baterias, apesar do entusiasmo do senhor Musk, ter alguns inconvenientes, de que destaco o ponto de fusão do litio (180º) e o peso elevado das baterias ser o mesmo , carregadas ou descarregadas (uma das vantagens dos combustiveis é que vão perdendo peso à medida que a viagem decorre). Notar que em 2002 circularam autocarros a hidrogénio no Porto num programa internacional, sem qualquer problema da parte dos veículos. Estranho portanto que o sr CEO da SNCF diga agora que 95% do hidrogénio para as automotoras a hidrogénio se obtem por reforma do gás natural. Deve ser mesmo vontade das gasolineiras (e gaseiras) de furar o esquema. Claro também que nós por cá, fazemos como os mais sábios dos bonzos das guerras do ópio na China do século XIX, estamo-nos nas tintas para a tração por hidrogénio e achamos que o metrobus no Mondego e na A5 com baterias é que é bom.
  • em 2010, estando eu ainda no ativo, propus à administração do metro cobrir as oficinas com paineis fotovoltaicos para consumo interno (não para injetar na rede, que é o barrete vendido pela EDP); mesma observação relativa aos sábios bonzos
  • quanto ao high speed Londres-Leeds por 90 mil milhões de euros (330km a 270 milhões por km) parece um bocadinho caro, de quem está a fazer o frete aos expressos rodoviários , ou então as estações são catedrais para o senhores autarcas ficarem na história e metade do percurso seria em túnel. Os chineses ou a Mota Engil (se os bifes não saissem da Europa) faziam isso por um décimo do preço
  • entretanto, embora sem ilusões, sugiro o discurso do sr ministro  das IH no site da ADFERSIT:
    www.adfersit.pt
PS em 5 de setembro de 2019 - afinal parece que a atualização do orçamento é para 540 km e 88.000 milhões de libras, i.é, 97.000 milhões de euros, o que dá 180 milhões de euros por km. Continua a ser muito caro, e parece que em Inglaterra a inflação está acima da média europeia. Também parece que, como diz o diretor de projeto, andam a subavaliar os benefícios. Se a construção é cara para respeitarem os critérios ambientais, então têm de contabilizar nos benefícios o evitar dos malefícios de manter as infraestruturas atuais para acomodar o tráfego desejado. Ou não será?

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