Viva o 1º de maio
O dirigente sindical, numa pequena cidade do litoral, foi privado da participação no desfile na capital do distrito e encarregado de conduzir o espetáculo comemorativo.
Lista os casos pendentes com as empresas do concelho.
Recorda que o numero de sindicalizados está a subir.
Os teóricos das políticas ultra-liberais esqueceram-se desse pormenor quase biológico. Se provocamos o aumento do desemprego aumentamos o numero dos que não tem nada a perder.
Qualquer ação provoca uma reação de sinal contrário.
O dirigente sindical insiste que os dependentes do trabalho por conta de outrem estão a lutar pelos seus interesses.
Falta-lhe apenas um pouco para atualizar o discurso, para apelar à convergencia e à solução conjunta das coisas, um plano de pensões e um fundo de pensões são coisas de interesse comum, da parte do capital e da parte do trabalho.
Que a discussão não é apenas do repartir do rendimento, que também é importante, equilibrar a distribuição do rendimento entre o capital e o trabalho, de modo a conter o monstro da desigualdade, mas também tem de se discutir como é isso dos rendimentos do capital serem superiores aos rendimentos do próprio crescimento económico (confesso que vi esta numa referencia de Manuela Maria Carrilho ao livro de Thomas Piketty, O capital no século XXI; tenho de pesquisar isto, que parece ser uma forma de dizer que os rendimentos do capital são atualmente principalmente especulativos, criados virtualmente e sem registo nos PIB, sabe-se lá em que off-shores, sem correspondencia com a produção de mais valias uteis às comunidades, ampliando sucessivamente as desigualdades e provando que, por mais regulação que os ideólogos preguem, "os mercados" estão a agravar o problema em vez de o resolverem).
Por isso aplaudo o espetáculo do 1º de maio numa pequena cidade de provincia, e discordo de limitarmos a discussão apenas aos nossos interesses, e discordo de limitarmos a nossa esperança à ilusão de um pensamento, ou um sentimento, únicos, como vi escrito nas costas do banco de jardim, em vez de juntarmos as nossas diversidades numa solução comum e de parceiros.
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
Viva o 1º de maio
quarta-feira, 1 de maio de 2013
1º de maio
Parabens ao Google, pela imagem que escolheu para assinalar o 1º de maio.
Marx teria gostado, e quereria saber se o fruto do trabalho das personagens revertia para o bem estar duma sociedade de desigualdade mínima, só a que a natureza determinou, compensada pela necessária redistribuição. Não esta redistribuição, a determinada pelos senhores burocratas-chefe da central de comando da troika, e executada pelo pobre representante no ministério das finanças, sempre no sentido dos produtores diretos das mais valias para as centrais financeiras.
São mesmo ferozes e ameaçadores defensores da luta de classes, estes decisores prepotentes e sobranceiros, enquanto publicanos como virgens púdicas apelam a consensos, sendo certo que consenso significa alguém impor e outros desistirem (simples análise de um dilema de equilíbrio de Pareto: se o que perco na luta for mais do que o que perder no consenso, desisto e aceito o consenso)...
Também para o dia 1º de maio, na Antena 2, depois do Império dos sentidos ter mais uma vez passado a história da revolução francesa de Alberto Pimenta
(http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8324446730271013022#editor/target=post;postID=791542472621978633;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=0;src=postname) ,
Luis Caetano escolheu, para o seu programa Vida breve, o poema Mensagem à Poesia, de Vinicius de Moraes:
Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
Marx teria gostado, e quereria saber se o fruto do trabalho das personagens revertia para o bem estar duma sociedade de desigualdade mínima, só a que a natureza determinou, compensada pela necessária redistribuição. Não esta redistribuição, a determinada pelos senhores burocratas-chefe da central de comando da troika, e executada pelo pobre representante no ministério das finanças, sempre no sentido dos produtores diretos das mais valias para as centrais financeiras.
São mesmo ferozes e ameaçadores defensores da luta de classes, estes decisores prepotentes e sobranceiros, enquanto publicanos como virgens púdicas apelam a consensos, sendo certo que consenso significa alguém impor e outros desistirem (simples análise de um dilema de equilíbrio de Pareto: se o que perco na luta for mais do que o que perder no consenso, desisto e aceito o consenso)...
Também para o dia 1º de maio, na Antena 2, depois do Império dos sentidos ter mais uma vez passado a história da revolução francesa de Alberto Pimenta
(http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8324446730271013022#editor/target=post;postID=791542472621978633;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=0;src=postname) ,
Luis Caetano escolheu, para o seu programa Vida breve, o poema Mensagem à Poesia, de Vinicius de Moraes:
Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.
Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
Viva o 1º de Maio
Um dos cartazes dizia: MAYDAY.
É a fórmula vocal do pedido de socorro que os anglo-saxónicos usam.
Deriva do francês MÊ-DÊ, fonética de "m'aidez", que é a mensagem SOS da marinha.
Talvez aqui tenha os dois significados, dia de Maio e SOS.
Foi duro o discurso de Carvalho da Silva.
Eu deslocaria o foco da mensagem.
Da luta, que no fundo eu sou pacífico e conciliador, para a exposição fundamentada em cálculos dos objetivos e das propostas dos intervenientes no processo que nos afeta neste Maio de 2011.
Prefiro uma boa discussão assente em análises técnicas.
Por exemplo, aumentar taxas de juro tem ou não por objetivo forçar o aumento de capitais dos bancos portugueses?
E como não há dinheiro em Portugal (não haverá mesmo, nem nos off-shores?), a propriedade acionista deslocar-se-á para o estrangeiro?
Por exemplo, fazer as contas à balança de pagamentos (saldo importações-exportações) das grandes superfícies comerciais que tão abnegadamente proclamam que é preciso trabalhar mais (quanto mais trabalha o setor das grandes superficies comerciais mais se desequilibra a balança de pagamentos? há elementos para fazer essas contas ou não?)
Por exemplo, explicar bem se é verdade que a UE e o BCE querem impor a todos os países o "consenso de Washington de 1990: estabilizar, liberalizar e privatizar".
É que lamento, mas há cidadãos que não concordam com a generalização da segunda e terceira partes (então nos transportes ferroviários, depois dos desastres que por aí se viram).
E em número significativo.
Até porque não há leis universais.
Há domínios específicos de aplicação.
O IVA, por exemplo, não se pode aplicar com a mesma taxa a todos os produtos, pois não?
Por exemplo, ao leite para as crianças e ao Mercedes SLK que o DN insiste em publicitar nas suas páginas.
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