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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Religo IV – O Cardeal Barragan

O cardeal Barragan desempenhou as funções de ministro da saúde do Estado do Vaticano e destacou-se mais uma vez ao declarar recentemente que os “gays” nunca entrarão no reino dos céus.
Posso concordar com ele, desde que não acredite no reino dos céus.
Mas a ideia não seria essa, além de que o cardeal, receoso que os seus colegas teólogos o desancassem por pretensiosismo insuportável de quem imita Jesus Cristo a referir-se aos ricos (é mais fácil o cabo da embarcação passar pelo buraco da agulha – já agora chamo a atenção para mais uma confusão linguística: em grego camelo é muito parecido com a palavra que designa o cabo grosso de uso marítimo) achou por bem apressar-se a esclarecer que não era ele que o dizia, mas S.Paulo.
É possível.
Não retenho todas as epístolas de S.Paulo com essas referências aos pobres “gays” escorraçados para o inferno. S.Paulo é uma figura notabilíssima na historia da gestão. É um precursor dos grandes economistas gestores do nosso tempo. Pegou numa organização discreta e pacífica e, como se fosse um “yupie” cujo sucesso é a recuperação de empresas falidas, dotou-a com todos os elementos que o marketing da época reconhecia como os mais apreciados pelos seguidores das outras religiões (é aqui que entra o culto de Mitra, disseminado em toda a área mediterrânica em avanço relativamente à religião cristã, que com ela partilha muitos mitos). Depois, como gestor internacional, lançou as bases do triunfo a longo prazo da organização sobre todas as concorrentes. Fez como a Austrália, aproveitou os mais humildes até que os mais humildes se tornaram a maioria organizada e a religião cristã passou a religião oficial incompatível com a existência das outras (concílio de Niceia, ano 312).
Mas recordo da Bíblia (o tal acervo de crueldades) a condenação à morte dos “gays” pela sociedade judaica.

E vem agora o cardeal Barragan recordar-nos o anti-humanismo do pensamento oficial da igreja católica. Fechando os portões do paraíso aos “gays”. Como a figura central da religião cristã dizia, “não sabem o que fazem”.
Ou sabem, jogando na intolerância, até que venha a condenação por método democrático do intolerado. Por referendo ou por decisão do governo, apesar da laicidade estar consagrada na Constituição da República. E combatendo, à sa manière, a homosexualidade dos sacerdotes, ameaçando os pobres sacerdotes "gays" com o castigo do senhor deus dos exércitos, como diz a Bíblia; tudo para que as ovelhas não se tresmalhem.

E admiram-se do sacerdote islâmico a explicar que o homem pode bater na esposa desde que não a faça sangrar….
O cardeal Barragan sabe quem entra e quem não entra no reino dos céus, apesar do método científico já ser praticado pela humanidade há mais de 3 séculos.
E a verdade é que dão ouvidos ao cardeal Barragan.
E se calhar até a maioria dá ouvidos ao cardeal Barragan.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Religo II - Castrati

Oiço na Antena 2 um programa sobre os castrati, com as descrições pormenorizadas da selecção e da “operação”dos pobres moços, entre os 8 e os 10 anos, comprados aos pais (engraçado pensar, guardadas as devidas distâncias à barbárie sanguinária, nas semelhanças com o apoio de alguns pais aos filhos candidatos às carreiras artísticas na televisão e à carreira futebolística, em detrimento da escola) .
Consta que até o Marquês de Pombal meteu uma cunha em Itália para mandar vir um castrato de sucesso para cantar na corte portuguesa.
É que a Igreja proibia a actuação pública de cantoras (século XVIII, século das luzes).
E o interessante é que o programa passou uma gravação histórica do último castrato.
O que quer dizer que não foi assim há tantos anos que deixou de se castrar crianças com boa voz para cantar a música religiosa.
Pobre também dos chefes da Igreja católica, terem mais esta no seu currículo, quando dá tantos jeito acusar outras religiões de retrocesso.

Ver no sítio de Cecília Bartoli, cantora mezzo-soprano, o anúncio do seu CD “Sacrificium”, com música para castrati.


http://www.ceciliabartolionline.com/cms/homepage.html