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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um certo olhar acabou

Afinal "Um certo olhar, sobre a força das coisas",  teve o seu ultimo programa no dia 26 de Dezembro de 2010.
Acabaram-se as tertulias sobre os casos da atualidade, um pouco "blasé", um pouco intelectuais, mas sempre solidárias e humanas.
Luis Caetano finalmente explicou o fim do programa. Porque  a direção de programas da Antena 2 invocou razões orçamentais.
Temos então aqui mais um caso de cortes na Cultura, no país europeu com menor percentagem do PIB afeta á Cultura.
Mas como os membros da tertulia são pessoas bem educadas, reagiram bem e fizeram o programa como se nada fosse, comentando alegremente o parecer do embaixador retirante do Reino Unido, Alex Ellis, sobre o carater do povo português:

http://aeiou.expresso.pt/um-bife-mal-passado=s24971

Houve também quem contasse a história de Alfredo Marceneiro, chamado para tapar um buraco num espetáculo de espetadores de que não gostava. Que não se calavam para poder cantar-se o fado. E quando finalmente se calaram, depois de trautear em surdina, abandonou o palco. Mas eles já se calaram, podes cantar, disse-lhe o organizador, pois sim, calaram-se, mas são hipócritas, não canto.
Se calhar é este, o cerne da questão, querem que o pessoal cante, mas são hipócritas...
E como é da praxe, evocaram edições passadas do programa.
Num dos primeiros, a senhora pianista Gabriela Canavilhas afirmou textualmente, a propósito do ministério da Cultura de então: "A Cultura pode ser um motor económico".
Então vá, como se diz em coloquial, liguemos o motor.

É curioso pensar. O programa não foi proibido. Foi racionalizada a grelha de programação em termos de custos. O registo dos programas não foi queimado. (Hipócritas). Pode ser consultado em:

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=2175&clip_wma=78545

Mas cada programa ocupa uma hora. Quem vai ter tempo e disposição para o ouvir?
A informação esclarecida existe, mas se não acedida como se difunde o esclarecimento?
Paradoxo infernal da sociedade de informação.

Comentei um dos programas, sobre banditismo financeiro, em :

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/10/um-certo-olhar-em-outubro-de-2010.html

Ver também a tese de mestrado sobre esta tertúlia, de Ana Paula Nogueira Faria de Matos,como análise do discurso, ciencias da linguagem:


http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/9535/1/tese.pdf


E para não morrer um pouco, como cantava Cole Porter, não se diga adeus, antes continuemos.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um certo olhar, no domingo dia 19 de Dezembro de 2010

Manhã de domingo na Antena 2, programação cinzenta e macilenta onde antes estava o certo olhar. Talvez propositadamente o programador passou aqueles programas xaroposos de intercambio com as outras rádios com musica alusiva à quadra do solstício de Inverno.
Podia ser pior, podia a direção ter-se lembrado de substituir o certo olhar pelos diálogos da Lélé e do Zequinhas...
Já não posso dizer que apesar de tudo, se ouvem coisas que não agradam aos decisores, quando decidem, sem o debate alargado e o concurso dos cidadãos e cidadãs que percebem dos assuntos.
Isto é, quando a democracia não funciona.
Mas continuemos, ainda cá estamos.

Entretanto, sugiro que pesquisem no site da RTP os arquivos do certo olhar. Por exemplo, o programa do dia 5 de Dezembro de 2010:

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=2175&clip_wma=78545

Oiçam neste programa a canção preferida de Maria João Seixas, Cajuina, de Caetano Veloso. Maria João Seixas, que, dadas as suas ligações ao partido no governo, fazia por vezes flic-flacs incríveis para explicar, sem justificar, algumas decisões, mas denunciando sempre a insensibilidade cultural e social dos decisores.
Oiçam também a opinião sobre a candidatura à organização do mundial de futebol de Miguel Real, professor e escritor, autor de "A ministra", descrevendo uma psicologia deformada, mas garantindo sempre que a conclusão de que se trata da senhora ex-ministra da Educação é do leitor.
Mas oiçam principalmente Luisa Schmidt, socióloga com a pronuncia doce terminando os "os" com "es" sobre a sentença da linha do Tua pelo IGESPAR, de cuja comissão emissora do parecer fez parte um dos membros do conselho das barragens... Como diz Luisa Schmidt, não tendo havido pedido de escusa, pode algum estado funcionar desta maneira?
Não disse ela, mas digo eu, que a alteração do projeto, deslocando a barragem uns quilómetros para montante (reduzindo obviamente a capacidade de armazenamento mas não a de potencia produzida a fio de água) era possível.
Mas não querem que seja.
E não foi por isto que o programa foi extinto; já o tinha sido antes desta afirmação, mas depois doutras...