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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Numérica

A Numérica é uma editora portuguesa de discos  de musica dita erudita, jazz e pop, tambem portuguesa.
Oiço na Antena 2 a entrevista com o seu produtor.
Alguns dos seus discos são de muito interesse, desde musica de Emanuel Nunes eVitorino de Almeida aos coros de camara com as canções de Lopes Graça.
Diz o produtor que a venda de 1.000 exemplares de um disco é considerada um sucesso.
A dimensão do país é assim e, a avaliar pelas dificuldades de outros países com dimensão mais favorável, talvez seja suficiente para um critério de viabilidade.
Com a condição de haver política estratégica do ministério da Cultura.
Que era do que se queixava o produtor: de falta de estratégia a nível político, não de subsídios.
Mas como esperar que os nossos políticos consigam traçar uma estratégia a nível nacional sem conhecer os problemas reais e sem dar mais importancia à cultura do que aos números, não os da Numérica, mas os da economia dos cortes cegos?
Sinceramente, eu não espero; nem eu nem Ricardo Pais nem Mario Laginha, que já disseram o que tinham a dizer sobre a incongruência da nova gestão do teatro nacional de S.João.
Pobre cultura portuguesa.


Ver informação sobre a Numérica em:

http://www.numerica-multimedia.pt/

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Economicómio XIII – As lojas Valentim deCarvalho

Também as lojas da Valentim de Carvalho faliram (só as de venda de discos, que apesar de tudo a edição musical neste país, popular ou clássica, lá vai singrando, mesmo a de música erudita contemporânea).
Os economistas fartaram-se de apregoar as virtudes da concorrência.
Mas os actores da dita comportam-se como na metáfora de Orson Wells.
Atira-se da amurada uns restos de peixe ensanguentados. Na metáfora o sangue, que representa o lucro, começa a atrair tubarões que se vão mordendo uns aos outros, aumentando a presença de sangue nas águas, atraindo assim tubarões cada vez maiores até que algum triunfa.
Orson Wells faz no filme uma cara muito feia para explicar isto.
Então, pelos vistos, neste país só a FNAC pode vender discos (para além dumas pequenas, resistentes e pouco numerosas “tabacarias” familiares).
Também se vende pela Internet, mas é preciso cartão de crédito (os bancos ainda não perceberam que há muita gente que não quer ter cartão de crédito?), quando já podiam ter sido mais aplicados os programas que criam referências multibanco para pagamento pela internet.
Continuo a achar que Melo Antunes tinha razão.
Não são mecanismos teóricos de regulação que podem garantir “transparência” (peço desculpa, mas não acho que o conceito de transparência esteja bem definido enquanto aplicação à economia).
A comunidade deve garantir actores económicos para que a cultura não saia a perder (acredito que a FNAC tem uma política cultural válida, mas são “eles” que a definem…) e que nesses actores económicos os debates sejam abertos e as contribuições também, de modo que todas as correntes de pessoas ligadas às várias especialidades se revejam nos produtos finais (as pessoas existem, que eu sei que existem, ouço-as, vejo-as).
Porém, parece que tem de se alterar o critério de nomeação de dirigentes desses actores económicos (o critério actual é em função do partido que ganha as eleições).
Basta fazer como dizia o general Garcia Leandro: que essas pessoas não estejam muito ligadas aos corredores dos gabinetes ministeriais. E, já agora, fazer como eu digo, que os métodos de tomada de decisões nesses actores sejam de acordo com os critérios estudados em livrinhos que eu gostava de ver mais disseminados: “A sabedoria das multidões”, “Freakonomics”, etc., etc., a coisa é difícil de lá ir, mas aos poucos talvez se consiga.
As coisas que uma pessoa diz, só porque lhe acabaram com a loja onde ela comprava discos, também vendiam partituras de bolso para se seguir a sinfonia durante o concerto, há 49 anos atrás, na Rua Nova do Almada, a descer para o largo da Boa Hora, em frente do Chiado…