Correção: o senhor presidente da República não pretende que o esforço fiscal seja apenas sobre o IRS. Também discordou da abolição do imposto sucessório. Nalguma coisa havia este blogue de concordar com o senhor presidente da República.
No entanto, continuam as reflexões sobre o assunto.
Por exemplo, este blogue não quer participar no que os comentadores já chamam "caça aos ricos". Apenas defende que não deve haver isenções.
Já se sabe de há muito que a taxação dos ricos não resolve as dividas (já Rotschild dizia que a sua fortuna não resolvia a pobreza), embora o mesmo não pudesse dizer-se da taxação do capital especulativo.
Que diabo, custa assim tanto flexibilizar os preconceitos de cada um?
Por exemplo, o tea party acha que os impostos se deviam reduzir.
Este blogue tambem concorda, mas enquanto o tea party taxa o trabalho em favor do capital, recorda-se aqui a linha divisória entre o setor público e o privado de Melo Antunes.
Dir-se-ia que o Estado não precisaria de tantos impostos se tivesse empresas públicas lucrativas, mas em Portugal entende-se que elas devem ser vendidas, mesmo que o momento do mercado esteja em baixa.
Melhor para a Petrobras, que se declara francamente interessada nos 20,4% da EDP.
É uma pena, porque muitos cidadãos e cidadãs portugueses também gostariam que os lucros da EDP ajudassem a minorar os impostos e, ironia, a Petrobras é uma sociedade de economia mista, cujo acionista maioritário é o governo brasileiro.
Conceções diferentes da realidade, dum e doutro lado do Atlantico.
PS - A Eletrobras manifestou o seu interesse em adquirir os 20,4% à venda. É também curioso, respeitando a devida economia de escala, ver quem é a Eletrobras. É também uma companhia de capital misto, de maioria do governo brasileiro, com 39.000 MW instalados, responsável pela produção de 38% da energia produzida no Brasil, com um fator de produção de gases de efeito de estufa de cerca de 50 gr/kWh! Principais centros produtores: 30 centrais hidroelétricas, 15 termoelétricas e 2 nucleares. Sem os condicionalismos que ignorantes da eletricidade (não é ofensa nenhuma, ninguém é obrigado a estudar de tudo) e adeptos do mercado cego impuseram na Europa às empresas que assim não podem simultaneamente produzir, transmitir e distribuir a energia.
Conceitos diferentes de um e outro lado do Atlântico.
Conceitos diferentes do que é servir o interesse público.
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domingo, 28 de agosto de 2011
Taxez-nous - III - Correção: o senhor presidente...
Etiquetas:
imposto extraordinário,
privatização de empresas
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Taxez-nous - II
Antecedentes:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/08/taxez-nous.html
Deliciosa a discussão sobre o imposto sobre os ricos.
Ver como o senhor presidente da República vem, cuidadoso, sugerir que seja só sobre os rendimentos do IRS.
Vem o senhor doutor Medina Carreira e diz que isso, "é uma estupidez" (se é verdade o que o DN diz).
E, na verdade, se a taxa extraordinária incidir sobre o IRS, o rendimento do capital fica de fora .
Então Medina Carreira explicou (até porque teve experiencia em grupo de trabalho anterior) que se for obrigatório o depósito dos títulos em entidades bancárias, o imposto (pode ser imposto normal) será cobrado às entidades bancárias e não aos titulares.
Este blogue aplaude e acrescenta que parece justo estender o conceito a qualquer depósito em dinheiro ou em espécie, ações, dividendos, etc.
Claro que tinha de acabar o sigilo bancário, o que seria uma machadada na desfocagem da linha divisória entre a legalidade e a ilegalidade (i.é, focaria a linha).
Vêm depois os senhores comentadores esclarecidos da televisão explicar que tudo isso são tiros nos pés, porque o capital assim foge (será verdade a notícia do DN, que nos primeiros 6 meses de 2011, portanto antes de se falar nos impostos sobre os ricos, sairam do país 1.600 milhões de euros em depósitos?).
E também que, assim, as oportunidades de criação de emprego diminuem, e o dinheiro debaixo do colchão aumenta.
Se estivessemos em Castela dir-se-ia, pues que se vayan.
Mas cuidado que nos outros países tambem se está combatendo a fuga aos impostos (nuns mais do que noutros, como se vê pelo caso da Holanda, e mesmo assim, o tratamento amigo é só para estrangeiros, não para holandeses).
Vale que nem todos os senhores grandes empresários vêm com a desculpa tonta de que são simples assalariados.
Só prova que são inteligentes, e que não podem matar a galinha dos ovos de ouro que são os fatores de produção.
Se o capital sair do país (estarão esquecidos que no ultimo trimestre de 1973 houve uma fuga maciça de capitais de Portugal para o estrangeiro?) ficaremos mais pobres, mas isso será relativamente à situação antes da crise.
Agora, já estamos pobres e deveriamos adaptar tudo a essa condição (importar menos e substituir importações, como vem nos livros, embora o governo prefira cortar a direito), caçar como o gato, já que nos levaram o cão.
Aliás, quando Portugal aderiu ao euro, a diferença de salários para a mesma profissão entre Portugal e Espanha era de 1 para 3. Estava bem de se ver que essa diferença não poderia deixar de se refletir em qualquer sítio.
É uma pena se ficarmos sem tão preclaros empreendedores, mas nas empresas há sempre gente que é capaz de puxar por elas.
Ah, é verdade, os iates de luxo vão passar a ser registados nas Baleares? Então a Policia Maritima não pode pedir a carta de marinheiro ao proprietário e conferir a residencia? É que se pode taxar a permanencia para alem de 6 meses de um veiculo registado no estrangeiro... Tem é de se pedir à Policia Maritima para tratar do assunto.
E no meio disto tudo, destaque para a análise (a mim pareceu-me marxista) do senhor presidente do BIC, que, depois de receber modestamente os parabens pela compra (?) do BPN, redirecionando-os para os seus acionistas (o clã angolano), explicou que em época de crise, os fortes reagem utilizando a sua força para sobreviverem, enquanto os pobres, embora em maior número mas mais fracos, se tramam; e acrescentou que era da natureza humana.
Enfim, maravilhas da atualidade.
Fascinante, como diria mister Spock da nave Enterprise.
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/08/taxez-nous.html
Deliciosa a discussão sobre o imposto sobre os ricos.
Ver como o senhor presidente da República vem, cuidadoso, sugerir que seja só sobre os rendimentos do IRS.
Vem o senhor doutor Medina Carreira e diz que isso, "é uma estupidez" (se é verdade o que o DN diz).
E, na verdade, se a taxa extraordinária incidir sobre o IRS, o rendimento do capital fica de fora .
Então Medina Carreira explicou (até porque teve experiencia em grupo de trabalho anterior) que se for obrigatório o depósito dos títulos em entidades bancárias, o imposto (pode ser imposto normal) será cobrado às entidades bancárias e não aos titulares.
Este blogue aplaude e acrescenta que parece justo estender o conceito a qualquer depósito em dinheiro ou em espécie, ações, dividendos, etc.
Claro que tinha de acabar o sigilo bancário, o que seria uma machadada na desfocagem da linha divisória entre a legalidade e a ilegalidade (i.é, focaria a linha).
Vêm depois os senhores comentadores esclarecidos da televisão explicar que tudo isso são tiros nos pés, porque o capital assim foge (será verdade a notícia do DN, que nos primeiros 6 meses de 2011, portanto antes de se falar nos impostos sobre os ricos, sairam do país 1.600 milhões de euros em depósitos?).
E também que, assim, as oportunidades de criação de emprego diminuem, e o dinheiro debaixo do colchão aumenta.
Se estivessemos em Castela dir-se-ia, pues que se vayan.
Mas cuidado que nos outros países tambem se está combatendo a fuga aos impostos (nuns mais do que noutros, como se vê pelo caso da Holanda, e mesmo assim, o tratamento amigo é só para estrangeiros, não para holandeses).
Vale que nem todos os senhores grandes empresários vêm com a desculpa tonta de que são simples assalariados.
Só prova que são inteligentes, e que não podem matar a galinha dos ovos de ouro que são os fatores de produção.
Se o capital sair do país (estarão esquecidos que no ultimo trimestre de 1973 houve uma fuga maciça de capitais de Portugal para o estrangeiro?) ficaremos mais pobres, mas isso será relativamente à situação antes da crise.
Agora, já estamos pobres e deveriamos adaptar tudo a essa condição (importar menos e substituir importações, como vem nos livros, embora o governo prefira cortar a direito), caçar como o gato, já que nos levaram o cão.
Aliás, quando Portugal aderiu ao euro, a diferença de salários para a mesma profissão entre Portugal e Espanha era de 1 para 3. Estava bem de se ver que essa diferença não poderia deixar de se refletir em qualquer sítio.
É uma pena se ficarmos sem tão preclaros empreendedores, mas nas empresas há sempre gente que é capaz de puxar por elas.
Ah, é verdade, os iates de luxo vão passar a ser registados nas Baleares? Então a Policia Maritima não pode pedir a carta de marinheiro ao proprietário e conferir a residencia? É que se pode taxar a permanencia para alem de 6 meses de um veiculo registado no estrangeiro... Tem é de se pedir à Policia Maritima para tratar do assunto.
E no meio disto tudo, destaque para a análise (a mim pareceu-me marxista) do senhor presidente do BIC, que, depois de receber modestamente os parabens pela compra (?) do BPN, redirecionando-os para os seus acionistas (o clã angolano), explicou que em época de crise, os fortes reagem utilizando a sua força para sobreviverem, enquanto os pobres, embora em maior número mas mais fracos, se tramam; e acrescentou que era da natureza humana.
Enfim, maravilhas da atualidade.
Fascinante, como diria mister Spock da nave Enterprise.
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